Notas de reportagem de bordo:
Desde as 9 horas que navegávamos à vista da costa de Mossãmedes. A cidade foi-se pouco a pouco mostrando, com a sua fisionomia de terra de pescadores, branca e graciosa.
Às 10 e 15, no meio duma flotilha composta de mais de trezentas canoas e outras embarcações de pesca, embandeiradas, o «Angola» e o «República» navegavam nas águas da baía. Desses pequenos barcos, e de terra, incessantemente, sobem foguetes no ar. Por cima dos navios que chegam sobrevoam aviões do Aeroclube.
Além, na ponte, formava a tropa. Indígenas dançam. Vêem-se pretos do N’giva, da Namacunda, e, compondo um soberbo friso de bárbara beleza, quarenta cavaleiros cuanhamas, para os quais foi preparada uma aldeia. Os demais negros, agitam bandeirolas das cores nacionais.
Quanto aos brancos, que acudiam a receber o Chefe de Estado, formavam considerável multidão. Além da gente de Mossãmedes, viera povo do Lubango, e doutras partes.
Estavam, por isso, cheias e apresentavam um rumoso e animado aspecto as ruas, todas embandeiradas e engalanadas de arcos e plintos com os escudos como os de Môngua Naulila. Há expectadores até nos telhados, sôbre «marquises». Uma nota comevedora, - aponta um jornalista, é dada pelos antigos colonos da Huíla rodeando a sua bandeira branca que êles amam como um troféu valioso e que ostentam com orgulho. E no meio desses velhinhos, que são um grupo encantador de gente rústica e boa, gente da terra e que para a terra vive, que aqui se fixaram e de que nasceram outras gerações, há dois que, modestamente, como envergonhados ainda de terem sido heróis, ostentam no peito o colar da Torre de Espada do Valor, Lealdade e Mérito. São Wellen Venter e Bernardino Fernandes Fraga, ambos portugueses e a quem a Pátria deve serviços inestimáveis nas campanhas do Sul de Angola.
Às 10 horas, efectuou-se o desembarque do Sr. General Carmona.
Os navios de guerra «Beira» e «República» que comboiou o «Angola» salvam. De terra, a fortaleza de S. Fernando dispara os seus canhões antigos, e assim, ainda hoje, neste momento histórico fazem ouvir a sua voz. Estralejam no ar foguetes; estoiram morteiros.
Um quarto de hora depois via-se acolhido, na ponte, pelas individualidades principais da província, por muitas senhoras e uma delegação dos colonos da Huila com seus estandartes
A vereação acha-se sobre o arco que simboliza as portas da cidade, - escreve um espectador do espectáculo – O seu presidente faz entrega das chaves ao Sr. Presidente da República, que amavelmente, pede para as devolver. Novas e vibrantes manifestações, enquanto que do cimo, do alto do arco um grupo de crianças gentis deixa cair flores. «Vivas», aclamações, envolvem também os Srs. Ministro das Colónias, Governador Geral e Governador da Província. O hino nacional é ouvido em religioso silêncio. O Sr. General Carmona passa revista à guarda de honra. Segue-se o desfile das companhias de infantaria indígena que a constituem, e depois organiza-se o cortejo para o Município. Sempre no meio de aclamações - conta o Notícias da Huíla – dirige-se, sob os arcos que ornamentam as ruas para a Casa da Câmara, mas o entusiasmo é tanto que o povo invade as ruas, querendo rodear o Presidente, a quem não cessa de saudar vibrantemente. As janelas, engalanadas, estão apinhadas de gentis senhoras. Cai uma chuva de flores. E as senhoras e as meninas não são as que menos manifestam o seu júbilo.
O friso lindíssimo. As crianças das escolas primárias de Mossãmedes e do planalto é um espectáculo encantador. A certa altura, duas criancinhas de Mossãmedes e do Lubango levam, num beijo, ao Senhor. Presidente da República a saudação de milhares de crianças suas companheiras. Nota enternecedora que raza os olhos de lágrimas de comoção e de ternura. E nesta caminhada, grande pela vibração e pelo entusisamo, com que milhares e milhares de portugueses oprestam homenagem à Pátria, na pessoa do Presidente da República, vivem-se momentos inolvidáveis. E o Senhor General Carmona, figura bondosa, olhando enternecidamente para tudo quanto o rodeia, sentido bem a vibração sincera das almas em delírio, agradece, sorrindo, sorrindo sempre emocionbado e dominado.
A multidão cerca o edifício da Câmara, pois lá dentro não cabem todos, a-pesar-da sala ser ampla.
Nas paredes destacam-se os retratos do Chefe de Estado e de Salazar. Os estandartes de todas as edilidades da província , do Aero Clube, do Gimnásio Atlético, do Sport Lisboa, do Sporting, da Associação Ferroviária, dos Empregados do Comércio, do Liceu da Huila, formam ao fundo, em volta da mesa de honra onde tomam lugar, entre prolongados «vivas» e «aclamações», o Chefe do Estado, o Ministro das Colónias, o Governador Geral, o governador da província, e o presidente da Câmara Municipal.
Fora, em frente do edifício, a multidão continua a aclamar o Sr. General Carmona. Por isso, antes da sessão começar, viu-se o Chefe de Estado na necessidade de aparecer na varanda com o Sr. Ministro das Colónias. As aclamações redobram de delírio, então. Andam no ar capas dos estudantes.
Uma vez no salão o Sr. Presidente da República começou a sessão solene. Tudo quanto Mossãmedes e a Huila contam de representativo estava presente: convidados, oficiais de Marinha, do Exército, muitas senhoras. Em cadeiras reservadas no estrado sentavam-se as esposas, dos Srs. General Carmona, Dr Vieira Machado,, Coronel Lopes Mateus, capitão Ferreira de Carvalho, e outras distintas damas , magistrados, vereadores da Câmara
Preside o Sr. General Óscar Carmona que tem à sua direita os Srs. Ministro das Colónias e o governador da província da Huila e à esq. os Srs. governador geral e o presidente do Municipio.
É o presidente da municipalidade, Sr. Dr. Francisco Monteiro do Amaral quem primeiro usa da palavra.
(vidé boletim da agência geral das colónias : vol xiv : nº 162, pgs. 312 a 316)
Depois falou o sr. José Antunes da Cunha, presidente da Associação Comercial e Industrial de Mossãmedes, que disse:
(vidé boletim da agência geral das colónias : vol xiv : nº 162, pgs. 316 a 321)
Seguiu-se no uso da palavra o Governador Provincial da Huila sr. Capitão Ferreira Carvalho.
(vidé boletim da agência geral das colónias : vol xiv : nº 162, pgs. 321 a 324)
Chegou o momento mais solene da cerimónia. Toda a assistência , homens e senhoras se erguem e preparam-se para escutar. O Sr. Presidente da República, vai falar.
(vidé boletim da agência geral das colónias : vol xiv : nº 162, pgs.324 a 327)
Depois o sr. General Carmona condecorou as seguintes pessoas : Coronel médico dr. Monteiro do Amaral, com a Comenda de Cristo; Antunes da Cunha e Dr. Carlos Tenreiro Carneiro, respectivamente, presidentes da Associação Comercial e Sindicato do Pesca, com o grau de Cavaleiro de Mérito Industrial, Manuel Seabra, comerciante do Lubango, Caetano Evaristo Peixoto, funcionário ferroviário, oficiais de Mérito Industrial, António Joaquim Ribeiro, de Mossãmedes, e José Nóbrega, do Lubango, agricultores, oficiais de Mérito Agrícola.
O Sr. Presidente da Republica dirigiu-se para o antigo palácio do Governo, de carro, que a multidão tirou.
Foi uma apoteose.
A multidão, - brancos e pretos, - comprimia-se, galvanizada pelo mesmo anseio de saudar. Os estudantes rodeavam o automóvel. Os alunos do Liceu da Huila cobriam o veiculo com as suas capas negras. O Sr. General Carmona, de pé, comovidamente, agradecia as manifestações de carinho que de novo lhe manifestavam.
Chegado àquele Palácio, Sr. General Carmona pareceu à varanda, a-fim-de satisfazer as instâncias da multidão clamorosa. Igualmente foi chamado o Sr. Ministro das Colónias, que veio acompanhado da senhor de Fragoso Carmona, a qual foram dados, também «vivas» entusiásticos.
Às 13 e 30 foi o almoço na Fazenda «Nossa Senhora da Conceição» da família Mendonça Torres, à beira do Bero.
Na residência, o Sr. Eduardo Mendonça Torres, sua esposa, Maria Sales Lane Torres, suas gentis filhas, Maria Antónia e Maria Eduarda e demais família, recebiam com extremos de gentileza. O almoço decorreu num ambiente encantador de respeitosa deferência para com o ilustre visitante, Sr. General Óscar Carmona, a quem acompanharam os Srs. Dr. Francisco Vieira Machado, coronel Lopes Mateus, capitão Ferreira de Carvalho e demais pessoas da comitiva.
A ementa fora «composta» sobre lindos cartões com fotografias de diversos aspectos da Fazenda e que constituíram uma interessante recordação do encantador local, dquela deliciosa festa íntima.
O Sr. Eduardo de Mendonça Torres, agradecendo a subida honra que lhe dera o Sr. General Óscar Carmona visitando a Fazenda, disse:
(vidé boletim da agência geral das colónias : vol xiv : nº 162, pgs. 328 a 330)
Por sua vez o Presidente da República erguendo-se, afirmou os seus melhores agradecimentos pelas atenções de que fora alvo, e referindo-se ao que na propriedade acabava de ver, disse todo o seu contentamento de português.
Depois condecorou o Sr. Eduardo Mendonça Torres com a Ordem de Mérito Agrícola.
Nota da visita feita pelos jornalistas à fazenda:
«Os terrenos, como todos os do vale daquele rio, são férteis, mas ali encontra-se a inteligência e mão do homem a orientar e trabalhar. A visita deixa uma magnifica impressão, pois ali mostram-se em interessante companhia as árvores de frutos tropicais e as que se dão na metrópole. Os talhões de cultura, de alinhamento impecável estão todos aproveitados. A água, que um grande engenho a vapor tira do sub-solo corre, abundante, pelas valas. As ruas, limitadas por filas de árvores de alto porte, são enormes, rectilíneas, circulando à vontade, por entre elas, os automóveis. O jardim, bem tratado, com lindas flores; as dependências, os estábulos de gado de raça, tudo, enfim, que constitui os elementos de uma fazenda agrícola, ali se encontra bem delineado, bem tratado, numa amplitude e num conjunto que prende e encanta.»
Às 16 horas efectuaram-se na sala de recepção do Palácio do Governo os cumprimentos o Sr. Presidente da República. Além das autoridades civis militares e funcionários superiores , haviam acorrido corporações, colectividades económicas, imprensa, e os colonos do distrito de Mossãmedes, estando a recepção imensamente concorrida. Afavelmente, o Sr. General Carmona recebeu cumprimentos , tendo palavras amáveis para todos. O mesmo aconteceu no dia seguinte, quando a população dos colonos e deputação com as autoridades e imprensa da Huila foram levar o Chefe do Estado a expressão da sua respeitosa homenagem. Todos o General Carmona encantou pela gentileza e simplicidades do trato.
O Sr. Presidente da Republica visitou as instalações do Sindicato da Pesca e as fábricas de conservas da Torre do Tombo, cujos operários o aclamavam com ardor.
Após as visitas às fábricas, o Sr. Presidente da Republica, sempre acompanhado pelos Srs. Ministro das Colónias, governador geral e governador da província, e vários membros da comitiva, deu um passeio de automóvel pela cidade.
À tarde e à noite, no coreto da Avenida da República, tocou a banda da 1ª C. I.I. O movimento no lindo jardim de Mossãmedes foi enorme.
Notas da reportagem.
São 19 horas. A cidade iluminada e bela. Os edifícios públicos e a Fortaleza de S. Fernando estão iluminado a electricidade. Vêem-se balões a correr pelas ruas. Encosta sobre o palácio está cheia de luz.
O jardim público regorgita de gente.
No Clube Nautico e em outras casas dança-se desde as cinco horas da tarte. O entusiasmo é geral e indescritível. Mossãmedes está a dar, com o Lubango, cuja população na maior parte está aqui, um nota de portuguesismo inexcedível.
9 de Agosto.
A nota cativante deste dia, foi a festa infantil que teve por quadro o Jardim Público, à beira mar, oferecida pelo Sr. Presidente da Republica e sua ilustre esposa, sra. D. Maria do Carmo de Fragoso Carmona.
Principiou a festa por um desfile de milhares de crianças de Mossãmedes, Lubango e Huila , - e uma explêndida demonstração do poder de adptação da nossa gente. Todos aqueles pequeninos eram filhos e até netos de colonos. Lindíssimo espectáculo que arrancou por vezes ardentes palmas à assistência, principalmente ao ser entoado por aquele Portugal de miúdos o hino nacional. Centenas de senhoras presenciaram a festa, tendo algumas delas auxiliado a esposa do Chefe do Estado n distribuição de brinquedos, que dela fez parte.
Depois, o público pequenino sentou-se, em alacre algazarra, às mesas, sobre as quais havia guloseimas em abundância, a encantar os olhos, a alvoraçar o apetite.
Terminada a refeição, espalhou-se a pequenada pelo jardim, brincar, até quase ao fim da tarde.
Eis como um jornalista angolano descreve a festa:
«À tarde, no lindo jardim da linda Mossãmedes, terra encantadora e de encantos, coberto de flores do deserto, na expressão feliz de Vieira da Cruz, realizou-se a parada infantil de que participaram mais de mil crianças das escolas de Mossãmedes e da Huila.
Apenas crianças das escolas, porque, necessário é dizê-lo, se todas formassem, as da Huila e de Mossãmedes, formariam uma legião de mais de quatro mil...»
(... )
Antes de retirar, o Chefe do Estado percorreu , de automóvel as ruas, tendo sido, durante o percurso, sempre, delirantemente aclamado.
(…)
À noite, no Palácio, realizou-se um jantar de gala.
Pormenoriza do aspecto da sala, o aspecto local:
«Profusão de luzes, de flores e de cristais. Notas de distinção e de elegância. A refulgência dos ouros das fardas e a severidade do negro das casacas contrastavam com as cores variadas dos vestidos das senhoras, de grande elegância, sôbre os quais as jóias punham cintilantes fulgurantes».
Abriu a série de brindes, o Sr. capitão Manuel de Abreu Ferreira de Carvalho, governador da província, que disse:
(vidé boletim da agência geral das colónias : vol xiv : nº 162, pg. 335 a 339)
Falou depois o sr Eduardo de Mendonça Torres pelos colonos do planalto:
(vidé boletim da agência geral das colónias : vol xiv : nº 162, pg . 339 a 343)
Pouco depois pediu vénia para brindar o representante dos colonos da Huíla, sr. João Ricardo Rodrigues, que se expressou nos seguintes termos:
(vidé boletim da agência geral das colónias : vol xiv : nº 162, pg. 343 a 346 )
Encerrou a série de brindes, o Dr. Carlos Baptista Carneiro, pelos orbanismos económicos da Huíla:
(vidé boletim da agência geral das colónias : vol xiv : nº 162, pg. 346 a 351)
Por último o Sr. Presidente da República pronunciou breves palavras de profundo reconhecimento pelas atenções que lhe têm sido dispensadas e mostrando quão grata tem sido para o seu coração de lusíada esta viagem que o trouxe a terras tão portuguesas, onde todos se congregam para dignificar o nome de Portugal.
10 de Agosto
Às 16 horas, realizou-se uma parada militar, a que assistiram, numa tribuna, levantada na Avenida, o Sr. Presidente da República, o Sr. Ministro das Colónias, o sr. Governador Geral, casas civil e militar do Chefe do Estado, e outras altas entidades.
Ao lado da tribuna formava uma força da marinha do aviso «República».
Brilhantíssima de impecável garbo a marcha das forças militares.
À passagem das unidades, o publico irrompia em aplausos.
Ao desfile das duas companhias de Infantaria Indígena, seguiu-se os das deputações indígenas de toda a província.
Cada soba vestia farda de pano branco, de alamares verde e encarnados, trazendo na cabeça bonés de pala.
Na Avenida comprimia-se o povo curioso do bizarro espectáculo desse desfile. Iniciaram-no os escoteiros.
Vinha depois o grupo dos quarenta cavaleiros cuanhamas que passaram em frente da tribuna, no belo arranque de um galope, a saudarem, agitando no ar os chapéus emplumados, soltando ao mesmo tempo entusiástica gritaria.

A
seguir, numerosas tribus, cada uma formada por numerosos indígenas, indo à frente a rainha Galinaxo do Cuanhama, com seu trajo de gala e grande séquito de damas, uma das quais, a seu lado, ostentava alto a bandeira portuguesa.
«No local onde estamos, - descreve o representante da Província de Angola, - vê-se a Avenida extensa que é um mar de pretos e de tribus, todos com bandeirinhas nacionais que agitam no ar, produzindo um lindíssimo efeito e comunicando o seu entusisasmo à multidão que irrompe em «vivas» prolongados.
Todas as tribus indígenas, levavam, ao lado, os respectivos sobas e régulos, bem como a bandeira nacional. Sempre que passavam em frente da tribuna presidencial, para saudar o Chefe do Estado, - soltando gritos de entusiasmo, a seu modo, como homenagem do máximo respeito e veneração a Sua Exª - , ouviram-se também , entre os gritos, muitos «vivas» a Portugal e de simpatia pela Nação. Cada tribu apresentou os seus batuques ao som dos quais os guerreiros e dançarinos negros rodopiavam e faziam cabriolas, oderecendo assim um espectáculo inédito, de cor local interessantíssina. Tôda a gente o admirou, incluindo aqueles que vivem em Angola.
O desfile prolongou-se por longo tempo.
Muito curioso o facto de se terem apresentado na parada, indumentárias indígenas das mais variadas, tanto em homens como em mulheres, segundo as regiões. As mães conduziam à mão ou às costas os filhos, visto que associavam a família a estas manifestações.» Assim foram passando cuanhamas, cuamatos, cacondas, ngivas, naulilas, evales, namacundes, quipungos, quilengues, muílas, muhembes, - as raças bravias do Sul de Angola …
Terminado o desfile a rainha Galinacho, com o seu séquito e as mulheres dos principais sobas, dirigiram-se à tribuna a cumprimentar o Chefe do Estado , que comunicou por meio de um intérprete, e ofereceu à soberana preta cortes de seda, além de outros valiosos presentes, entregando aos chefes medalhas comemorativas da sua visita a Angola.
Grande alegria produziu a gentileza do Sr. Presidente da República, que foi aclamado pelos negros, assim como o nome de Portugal.
O Sr. General Carmona retirou-se em seguida para o Palácio, sempre muito ovacionado pela multidão, que também aclamou os Srs. Ministro das Colónias, Governador Geral e Governador da Província.
À noite, os edifícios e a fortaleza iluminavam novamente, assim como muitas casas particulares.
A Câmara Municipal ofereceu um baile que decorreu com o maior brilho.
Mossãmedes apresentava o aspecto de uma animação de que não se guardava memória.
11 de Agôsto
Às 6 horas da manhã, do Palácio do Governo, largou uma extensa fila de automóveis.
Ia-se ao deserto de Mossãmedes a caçar.
Diversão interessantíssima em honra do Sr. General Carmona. No Pico do Azevedo foi servido o pequeno almoço.
Depois repartiram-se em três grupos de caçadores, cada qual com o seu sentido, tomando o do Sr. Ministro das Colónias, a direcção do local onde faleceu o Dr. Luiz Carriço, - Os morros Paralelos – onde foi prestada homenagem à memória do ilustre professor e naturalista.
Notas jornalísticas descritivas da excursão:
«O deserto apresenta aspectos vários e diferentes. Encontra-se areia endurecida sobre a qual os carros deslizam velozes; e noutros pontos pedras soltas. No fundo vêem-se morros altos que o circundam, e árvores de pequeno porte que vivem numa espécie de leito de rios que aqui se chamam danibas e são locais geralmente frequentados por caça de toda a espécie».
A primeira peça abatida foi uma gazela com um tiro da carabina do Sr. Dr. Francisco Vieira Machado, que por esse motivo recebeu muitas felicitações. Encontrou o grupo Leste chefiado pelo velho caçador João Teixeira e Raimundo Serrão , várias manadas de cabras das quais foram abatidas algumas.
Cerca das 11 horas encontrava-se outra de guelengues, - grandes antiólopes- de que, na perseguição, tombaram três exemplares. O primeiro caiu com uma bala do Sr. António Eça de Queiroz, que também derrubou um famoso e célebre avestruz. Correm lebres. Fora do alcance do tiro, precipitam-se na fuga manadas de zebras. Os operadores cinematográficos não descansam. Os carros rodam a toda a velocidade, em todos os sentidos, e às 13 horas voltam ao Pico do Azevedo, para o almoço.
Daí a pouco aparecia o automóvel que conduzia o Sr. General Carmona, e sus esposa, que haviam saído de Mossãmedes às 11 e meia. O automóvel encontrou uma gazela que o Sr. Presidente encontrara no trajecto, matando-a com um tiro certeiro no coração, dado a mais de 50 metros e com o automóvel em movimento, o que foi aplaudido por todos os presentes.
O almoço decorreu com a maior alegria e à-vontade. Conversando com familiaridade, o Sr. General Carmona inquiria de todos acerca dos princípios da caçada.
A um brinde do Sr. Eduardo Torres, felicitando-o pelo belo tiro certeiro, o Sr. General Carmona respondeu espirituosamente, dizendo que para não envergonhar os caçadores saira mais tarde, mas uma gazela, teimosamente, viera postar-se na trajectória da bala, sacrificando-se à sua glória de caçador.
A assistência levantou três calorosos «vivas», ao Sr. Presidente da República.
Balanço da caçada: 8 cabras, 6 guelengues. 1 avestruz e uma «tua» abatida por um tiro do sr. dr. José Saldanha, secretário do Sr. Ministro das Colónias.
O regresso a Mossãmedes, da qual se estava a cerca de 70 quilómetros, fez-se depois das 16 horas.
Foi então digna de ver-se a competição dos carros, como numa grande corrida em enorme pista, todos procurando atingir primeiro o carro do Sr. Presidente da República, ao qual formaram por fim um grande séquito até perto da cidade. O Sr. Presidente da República, com um tiro certeiro, abatera outra gazela.
Um magnífico fecho da caçada , - escreveram os jornalistas:
À entrada da cidade, próximo do seu acampamento, encontravam-se os cavaleiros cuanhamas, que, compondo alas, aguardam o automóvel presidencial, acompanhando-o depois, no meio de ruidosas aclamações. Todos os outros indígenas dançaram à passagem, dando «vivas» e saudando calorosamente o Chefe do Estado, que, descendo do automóvel com a sua esposa, se acercou das pretas, risonho, afável.
A Senhora de Fragoso Carmona, o Sr. Ministro das Colónias, visitaram, antes de deixarem Mossãmedes, os acampamentos indígenas, onde as mulheres lhes ofereceram pulseiras, retribuindo generosamente as ilustres senhoras, o que às presenteadas causou grande alegria.
A-pesar-do Sr. Presidente da República se ter ausentado para o deserto, na cidade continuaram sempre no meio do maior interesse e entusiasmo, as festas em sua honra.
Assim, à tarde,