Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












terça-feira, 29 de março de 2011

Componentes das 1ª e 2ª Colónias oriundas de Pernambudo (Brasil), e desembarcadas em Moçâmedes nos anos de 1849 e 1850 : Manuel José Alves Bastos e Amélia Torres Bastos ; Manuel Joaquim Torres e Maria José da Costa Torres



                                                                Manuel José Alves Bastos

O casal constituido por Amélia Torres Bastos e Manuel José Alves Bastos, foram componentes das Primeira e  da Segunda Colónias chegadas a Moçâmedes em 1849 e em 1850, idas de Pernambuco, Brasil, em consequência da perseguições aos portugueses que se negavam em abdicar da sua nacionalidade (revolução praeira/mata-marinheiros/independência do Brasil). 

Manuel José Alves Bastos era natural de Fermil, distrito de Vila Real (Trás-os-Montes). Comerciante e proprietário, chegado a Moçâmedes em 4 de Agosto de 1849, juntamente com Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, estabeleceu-se na povoação onde se dedicou ao comércio de marfim e gado, e onde se dedicou à actividades agricola, à pesca ( recebia o peixe dos pescadores algarvios e colocava-o por sua conta, segundo Alfredo Felner) e à exploração de salinas. Com João Duarte de Almeida, eram os dois homens mais ricos da colónia, na época.


 

 Amélia Torres Bastos

Sobre Amélia Torres Bastos sabemos que faleceu a 12 de Abril de 1896, e seus restos mortais repousam em mausoléu no Cemitério de Moçâmedes, mais tarde Moçâmedes, hoje Namibe. Era filha de Manuel Joaquim Torres e de Maria José da Costa Torres, (componentes da Segunda Colónia, cujas fotos podem ser vistas um pouco a seguir). 



Manuel Joaquim Torres (1815-1882)
                                            Maria José da Costa Torres (1827-1912)
 
 


ela Repousa em jazigo de Família, no cemitério de Mossãmedes


Manuel Joaquim Torres e Maria José da Costa Torres (naturais da Ilha de S. Miguel- Açores), componentes da Segunda Colónia de emigrantes idos de Pernambuco (Brasil), chefiada por José Joaquim da Costa , chegaram a Moçâmedes no ano de 1850,  e já eram pessoas endinheiradas quando partiram das terras de Santa Cruz. Em Moçâmedes foram proprietários, entre outros, de uma fazenda na Várzea dos Casados. Seus restos mortais repousam em mausoléu «aristocrático» no Cemitério de Moçâmedes (Namibe), no qual se encontram gravados os seguintes dizeres referenciando Manbuel Joaquim Torres: «Cidadão digno e soldado valente, derramou o seu sangue pugnando pelas liberdades pátrias nas lutas fratícidas de 1822».


A filha que os acompanhou integrando a 2ª colónia, Amélia Torres era casada com Manuel José Alves Bastos, componente da 1ª colónia, comerciante e proprietário que se dedicou ao comércio de marfim e gado, às actividades agrícola com plantações, e também à pesca e à exploração de salinas. Com João Duarte de Almeida, eram os dois homens mais ricos na época. Repousam em jazigo de Família, no cemitério de Moçâmedes.

Para além de Amélia Torres, a filha que os acompanhou na viagem para Moçâmedes,  do casamento de Manuel Joaquim Torres e Maria José Costa, nasceu em Moçâmedes António Florentino Torres, que por sua vez casou com Maria Júlia Mendonça. * 21.06.1866. Estes tiveram a seguinte descendência:

Da união de  Eduardo de Mendonça Torres Maria Salles Lane, iria derivar um dos ramos desta família pioneira da colonização de Moçâmedes  que ali se manteve até às independência de Angola, em 1975.


 Eram netos de António Florentino Torres e de Maria Júlia de Mendonça, bisnetos de Manuel Joaquim Torres (1815-1882) e de Maria José da Costa Torres (1827-1912), um dos casais que,  acompanhados de sua filha Amélia Torres (na foto acima), integraram a 2ª colónia de emigrantes idos de Pernambuco (Brasil) para Moçâmedes, chefiada por José Joaquim da Costa , e que ali chegou no ano de 1850, para se juntar à 1ª colónia chefiada por Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, que havia chegado na Barca «Tentativa Feliz», no dia 04 de Agosto de 1849. Iam dar inicio à colonização do Distrito. Portanto,  faziam parte de uma 3ª geração já nascida em terras de Angola.


A família Mendonça Torres foi durante muito tempo uma das famílias melhor situadas socialmente e materialmente em Moçâmedes. A moradia da familia Mendonça Torres, um primeiro andar de traça classizante portuguesa, dos primeiros a serem ali construídos em Moçâmedes  (1885?), Ficava  num gaveto que convergia com a Rua dos Pescadores e com a Rua 04 de Agosto, próximo do antigo «Jardim da Colónia» (jardim, para o qual esteve projectado um monumento à memória dos fundadores, e que na década de 1940 foi demolido para dar lugar ao Cine Teatro de Moçâmedes).  A referida moradia a partir de determinada altura foi alugada à família Gouveia, passando a funcionar como o Hotel Central. Hoje serve de Museu, onde repousam aquilo que ficou na cidade do Namibe dos «restos do Império»...

Diz quem conheceu que Manuel Joaquim Torres e de Maria José da Costa Torres já eram pessoas endinheiradas quando partiram do Brasil, integrados na 2ª colónia, em 1850. E que o interior desta bela moradia, onde viveram, mantinha as características dos lares das burguesias metropolitanas «aristocratizadas» da época, quer no mobiliário, quer na indumentária das suas femininas representantes. Ali não faltavam quadros a óleo, pratas e cristais cintilantes, o tradicional piano, instrumento que fazia parte da educação de uma menina prendada, e aos serões familiares as senhoras reunidas à volta de uma grande mesa, coziam  à máquina e bordavam ao bastidor, faziam leituras em voz alta, tocavam, cantavam, etc. etc. 



Trata-se do interior de uma das casas mais antigas de Moçâmedes, a casa da familia Torres. 

Deste grupo de sete senhoras, que a foto acima representa, naturalmente já descendentes, em 1991, três ainda viviam: a primeira, a que está sentada à máquina de costura, e a que está sentada ao piano. (vidé foto e descrição, clicando AQUI). Ano provável: 1885.

Não seria por acaso que um viajante estrangeiro manifestou a sua surpresa,  quando em finais do século XIX,  na sua passagem por Mossâmedes, ao passar pelo casario da baixa, pôde ver e ouvir, em casas de familia jovens ao piano a tocar, a cantar e a bordar a bastidor, uma prática muito comum nos serões familiares femininos da época nas burguesias ocidentais.

Aliás, como podemos ver pela transcrição que se segue retirada DAQUI , havia na altura  em Mossâmedes uma determinada burguesia "aristocratizada" que já tinha ao seu dispôr para a educação das filhas, um Colégio e  sabe-se que  até se recorria a preceptoras estrangeiras para a  sua educação:

"... Para encerrar este capítulo, faremos referência muito especial a uma ilustre senhora católica, de origem irlandesa mas educada na França e cujo nome aportuguesado é Henriqueta Deehan.  Miss Herriet (Herreeth) Deehan tinha maneiras muito distintas. (...) 

"...Era uma professora muito consciente da sua missão, dedicada ao ensino e invulgarmente culta. Viajara por diversos países da Europa, Ásia, África e Oceania. Residira na Inglaterra e na França. Exercera o magistério em Lisboa. Deveria ter-se fixado em Moçâmedes pelo ano de 1880, mantendo-se ali em 1894. Ensinava Português, Francês, Inglês, Geografia, História, Desenho, Música, etc. A sua escola era frequentada pelas jovens do sexo feminino das mais distintas famílias da cidade, mantendo-se ali até bastante tarde, algumas só saíam para casarem... Este colégio, no dizer de um inspector, era a escola que em Angola ministrava mais vasto programa educativo, rivalizando com as melhores de Portugal e mesmo da Europa! Preenchia, por si só, o lugar de muitas mestras, emprestando ao ensino grande seriedade e importância, insistência e intensidade. Os desenhos e bordados das suas educandas poderiam colocar-se a par dos mais perfeitos das exposições escolares realizadas em qualquer país! Embora, em regra, recebesse só meninas, aceitava algumas vezes, por excepção, alguns rapazinhos, mas exclusivamente quando eram irmãos das suas alunas. »(3)

Ainda sobre a meama Miss Herriet Deehen ou  Henriqueta Deehen, encontramos esta passagem:

«...Vem a propósito dizer que trabalhava nessa altura em Mossâmedes uma senhora muito distinta, que se dizia ser a melhor e mais competente professora de Angola, Henriqueta Deehan, de origem irlandesa mas educada na França. No seu colégio ministrava-se o mais vasto programa educativo de toda a província, podendo comparar-se ao que havia de melhor na Europa. Preenchia só ela o lugar de muitas mestras. Manteve-se na cidade cerca de pelo menos quinze anos e a sua escola era frequentada pelas meninas das melhores famílias. Ali se conservavam até bastante tarde, saindo do colégio apenas quando casavam... » 

Foram estes usos e costumes burgueses "aristocratizados" *, que foram passados para a geração seguinte já nascida em Mossâmedes, e que vemos referidos na obra de António A. M. Cristão, «Memórias de Angra-do-Negro Moçâmedes», no cap. II.4-EDUCAÇÂO, pg.221 :

«A psicologia de vida alegre e atraente da população deve-se, por altura de 1920, em parte, senão muito, à elite da época, constituida por um interessante elenco de Senhoras já dali naturais, que no exterior, e, especialmente em Londres, concluiram umas o curso de alta-costura, outras o do conservatório de música e dança, formação que, então, passaram a ministrar às jovens dali naturais. A beleza e o fino porte destas jovens encantavam todos aqueles com elas conviviam. Este facto, podia, até há bem pouco tempo, ser atestado pela Senhora Celeste Kressmann Rosa, descendente do Capitão José da Rosa Alcobaça, recentemente falecida com cerca de 100 anos. Várias destas senhoras uniram-se a ilustres figuras de Mpçâmedes.» Neste livro, entre outros, são destacados nomes, como: Maria Sales Lane, casada com Eduardo de Mendonça Torres, economista; Ema Zuzarte Mendonça, solteira, diplomada com o curso do Conservatório de Música de Lisboa, que em Moçâmedes até à década de 50 foi professora particular de Música, Francisca Reis, casada com o Dr. Luiz Bobela da Mota, juiz da comarca; Judith Reis, casada com José Manuel da Costa, Governador Civil de Moçâmedes; Alice Reis, casada com Rogério Morgado, proprietário e filho de emigrante da 2ª colónia, Constantina Reis, casada com Júlio Rogado Leitão, importante comerciante na terra, etc, etc..
Isso talvez explique que Moçâmedes, terra de pescadores, primasse pelas suas mulheres, sempre prontas a aprender as boas regras de etiqueta, a bem receber, vestir, etc. De facto ainda em meados da década de 50, era facilmente detectável nas jovens raparigas da terra a preocupação das mães na sua educação. Eram mães que se dedicavam inteiramente ao lar e à família, e  muitas delas já não eram descendentes dos colonos idos do Brasil, mas daqueles que vieram a seguir, idos, na sua maioria do Algarve e mais propriamente de Olhão que, por mecanismos de imitação social, aprenderam a cultivar algumas dessas qualidades que transmitiam às suas filhas. A partir de finais da década de 50, as raparigas já não tinham tempo para o cultivo dessas «prendas domésticas» que faziam as delícias dos seus admiradores... Com a entrada decisiva da mulher no mundo do trabalho, abriam-se outras perspectivas para as suas vidas...

Acrescenta-se ainda que o culto da arte de bem receber da família Torres foi sendo transmitido de geração em geração, e esteve presente em 1932, quando por ocasião da visita a Moçâmedes do Presidente Óscar Fragoso Carmona, foi servido um almoço na residência de Eduardo Mendonça Torres e de sua esposa, Maria Sales Lane, na Fazenda «Nossa Senhora da Conceição», na zona do rio Bero, conforme se pode ler no Boletim da Agência Geral das Colónias : vol xiv : nº 162, pgs. 328 a 330:
 

«...Na residência, o Sr. Eduardo Mendonça Torres, sua esposa, Maria Sales Lane Torres, suas gentis filhas, Maria Antónia e Maria Eduarda e demais família, recebiam com extremos de gentileza. O almoço decorreu num ambiente encantador de respeitosa deferência para com o ilustre visitante, Sr. General Óscar Carmona, a quem acompanharam os Srs. Dr. Francisco Vieira Machado, coronel Lopes Mateus, capitão Ferreira de Carvalho e demais pessoas da comitiva. 
A ementa fora «composta» sobre lindos cartões com fotografias de diversos aspectos da Fazenda e que constituíram uma interessante recordação do encantador local, daquela deliciosa festa íntima. O Sr. Eduardo de Mendonça Torres, agradecendo a subida honra que lhe dera o Sr. General Óscar Carmona visitando a Fazenda, disse:(vidé discurso pg, do mesmo Boletim) .

Por sua vez o Presidente da República erguendo-se, afirmou os seus melhores agradecimentos pelas atenções de que fora alvo, e referindo-se ao que na propriedade acabava de ver, disse todo o seu contentamento de português. Depois condecorou o Sr. Eduardo Mendonça Torres com a Ordem de Mérito Agrícola.
Quanto à impressão que causou aos visitantes a Fazenda desta família, fala por si a pena de um dos jornalistas que nessa altura a visitaram:
«Os terrenos, como todos os do vale daquele rio, são férteis, mas ali encontra-se a inteligência e mão do homem a orientar e trabalhar. A visita deixa uma magnifica impressão, pois ali mostram-se em interessante companhia as árvores de frutos tropicais e as que se dão na metrópole. Os talhões de cultura, de alinhamento impecável estão todos aproveitados. A água, que um grande engenho a vapor tira do sub-solo corre, abundante, pelas valas. As ruas, limitadas por filas de árvores de alto porte, são enormes, rectilíneas, circulando à vontade, por entre elas, os automóveis. O jardim, bem tratado, com lindas flores; as dependências, os estábulos de gado de raça, tudo, enfim, que constitui os elementos de uma fazenda agrícola, ali se encontra bem delineado, bem tratado, numa amplitude e num conjunto que prende e encanta.» (vidé mesmo Boletim)

No decurso dessa visita, Eduardo Mendonça Torres acompanhou o Presidente da República na tradicional caçada no deserto de Mossãmedes, onde, no Pico do Azevedo foi servido o pequeno almoço e no local onde faleceu o Dr. Luiz Carriço, - Os morros Paralelos – foi prestada homenagem à memória do professor e naturalista, tendo-se seguido a caçada propriamente dita, com o abate de várias gazelas e guelengues, enquanto operadores cinematográficos filmavam. Ao almoço o General Carmona ergueu um brinde a Eduardo Mendonça Torres, felicitando-o pelo «belo tiro certeiro».(vidé o mesmo Boletim)
Outra figura de destaque desta família foi o Dr. Manuel Júlio de Mendonça Torres, cuja obra “O Distrito de Moçâmedes”, de sua autoria (edição da Agência-Geral do Ultramar, Lisboa, 1974 (reprodução fac-similada da edição de 1950), são dois volumes considerados o melhor e mais completo estudo sobre a história do Distrito de Moçâmedes, hoje Namibe. Manuel Júlio de Mendonça Torres, sabe-se também, foi um ardente apóstolo da causa que levou à inauguração da solene da «Escola Primária Superior Barão de Mossãmedes» (in “O Mossamedense”, (vidé nº. 46, de 31.05.1925 - 4ª. Série Director: Alberto Trindade-Editor: Joaquim Augusto Monteiro). Foi professor de Português e História nessa «famosa» Escola que ficava situada nuns prédios voltados para Avenida da República, paralela ao mar, e que preenchia toda a Rua transversal até à Rua dos Pescadores, onde leccionou desde princípios dos anos 20 até princípios dos anos 40(?), quando resolveu fixar-se em Lisboa, onde passou a escrever para os jornais e revistas oficiais, e se dedicou a escrever os dois volumes do seu belo livro sobre a História da nossa Terra (*). E onde veio a falecer nos anos 50.


Rui Duarte de Mendonça Torres foi o último gestor dos negócios e bens desta família, nas áreas da indústria pesca e agropecuária.

As «Hortas» da família Torres, junto do terrenos férteis do Rio Bero, eram verdadeiro Oásis em pleno deserto do Namibe, e estavam abertas à visita de todos os moçamedenses que a quisessem visitar. Ali junto ao bonito «challet», onde se estendiam longas fileiras de mesas, à sombra amena de frondosas árvores de frutos tropicais e mediterrânicos: mangueiras, tangerineiras, laranjeiras, nespereiras, goiabeiras, videiras (em latadas), etc., etc., faziam-se piqueniques que ajudavam a preencher, agradavelmente, os fins de semana de muitas famílias, numa terra onde a luta pela vida era o pão nosso de cada dia. Nas «Hortas» da família Mendonça Torres sequer faltava um mini-zoo com vários animais do deserto, cabrinhas de leque, zebras, guelengues, etc., que faziam o encanto de adultos e crianças, sem esquecer o grande tanque cheio de água (bebedouro dos animais) que servia de piscina onde os mais novos se iam banhar. Alí não havia restrições, e as crianças podiam correr, saltar, brincar, trepar às àrvores à vontade, colher frutos, comê-los, e, na hora do regresso a casa, as famílias sempre podiam contar com a graciosa oferta de saborosos frutos. A exploração pecuária desta família situava-se na zona semi-desértica do Caraculo onde, recordo, a família possuíam uma casa de tipo colonial situada no topo de um enorme rochedo granítico.

MariaNJardim

Alguma bibliografia:
-«O Distrito de Moçâmedes» da autoria do Dr. Manuel Júlio de Mendonça Torres»

-“O Mossamedense”,  nº. 46, de 31.05.1925 - 4ª. Série Director: Alberto Trindade-Editor: Joaquim Augusto Monteiro
- Boletim da Agência Geral das Colónias : vol xiv : nº 162, pgs. 328 a 330
-GeneallNet

Clicar AQUI para ver: Lista dos 1ºs. colonos chegados a Moçâmedes, provenientes de Pernambuco (Brasil).

Trechos e fotogravuras extraidas do livro «O distrito de Moçâmedes» da autoria do Dr. Manuel Julio de Mandonça Torres.
                                                       


Ainda sobre Manuel José Alves Bastos

Em VIAGENS NA CIMBEBÁSIA / O RIO CUNENE / NOTA DO TRIPLOV PADRE CHARLES DUPARQUET (1879-1880), encontra-se uma referência a dois negociantes de Mossãmedes, um deles de nome Bastos:


Sexta-feira, 30 de Julho. São precisos oito dias para ir do Humbe à Huíla e quinze dias da Huíla a Moçâmedes, mas os carregadores levam ordinariamente quinze dias a fazer esse trajecto. Gastam quatro dias da Huíla e Ongambué, quatro dias de Ongambué ao Hai e dois dias do Hai à Huíla. Seguem sempre o rio Caculovar. Os Portugueses do Huambe não têm vagões; todos os transportes daqui para Moçâmedes se fazem com o auxílio dos carregadores. Estes levam 2.500 reis fortes (cerca de 12 frs. 77 c.) para transportar 2 arrobas (60 libras) de Moçâmedes ao Cunene.

De Moçâmedes a Capangombe há uma boa estrada para carros. Nesta localidade cultiva-se agora muito algodão, café e cana de açúcar. Com este último produto fabrica-se aguardente, muito procurada pelos indígenas. O único comércio do Humbe com Moçâmedes consiste em gado e algum marfim. A importação dos escravos está realmente proibida na Colónia Portuguesa; nenhum escravo pode actualmente ser vendido em Moçâmedes. Os Portugueses do Humbe compram ainda alguns nas tribos vizinhas, mas cedem-nos aos indígenas do Humbe a troco de gado. Compram cada escravo por um barril de aguardente (cerca de 60 frs.) e revendem-nos por três cabeças de gado aos indígenas do Humbe.

 
Estes portugueses são, na sua maioria, pobres e trabalham por conta de dois negociantes de Moçâmedes, os snrs. Narciso e Bastos, aos quais mandam o gado em troca de mercadorias e provisões enviadas por eles.



Mais sobre esta familia,  clicar AQUI

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