Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Gerações nascidas em Moçâmedes em finais do século XIX, início do século XX : familias Frota, Almeida, Ferreira, Bauleth, Ferreira...




Nesta foto, tirada em Moçâmedes, em Angola (hoje Namibe) no final da década de 1920,  na Torre do Tombo/Moçâmedes, encontram-se, da esq. para a dt: Mário dos Santos Frota, um irmão de Mário?, Maria Laura (filha de Julia. a parteira da época), Idalinda Ferreira, Albano com Maria Etelvina Ferreira ao colo, Alice Marta Bauleth de Almeida (irmã de Albano), penso que com a filha mais velha, Maria do Carmo, à sua frente. Vestido de branco, à dt, Armindo  Bruno d' Almeida,  marido de Alice Marta Bauleth. 

Tentando deixar aqui registada alguma genealogia das pessoas que se encontram nesta foto, direi que:


1. Mário dos Santos Frota (de chapéu, à esquerda), era um dos 12 filhos da vasta prole de Manuel Fernandes Frota e de Carolina  dos Santos Frota, ou seja tinha como irmãos: o Manuel, o José, o Miguel, a Ilda, a Felicidade, a Silvéria, o Serafim,o Henrique, o José (Zeca), a Maria da Conceição (que faleceu muito jovem) e o Álvaro. Para saber mais sobre esta família: ver in Memórias e Raizes

2. Idalinda Ferreira  (de vestido branco no centro da foto), era casada com Álvaro Ferreira, mãe de Maria Etelvina (a bébé da foto),  e de  Maria Lizete. Álvaro Ferreira, o marido, era irmão das trigémeas Beatriz (minha avó materna), Baptista e Lucinda, de Agostinho, Júlia, Maria do Carmo* ,  todos filhos e filhas deAgostinho e de Catarina Ferreira . Para mais informações sobre esta familia: ver in Mossãmedes do Antigamente 


4. Albano Almeida  (na foto vestido de escuro, com bébé ao colo). Foi-me dito que Albano era um dos  filhos de Maria de Jesus Frota Martins (irmã da minha avó materna) e de António dos Santos Almeida (irmão do meu avô paterno), portanto neto materno de Ana da Piedade Frota e José Martins de alcunha Gaivota (meus bisavós maternos), e neto paterno de  Fernando dos Santos Almeida e de Maria dos Prazeres, (meus bisavós paternos).   Albano fazia parte de uma vasta prole de irmãos, assim constituida: 1.  Isaura Almeida (que em Moçâmedes casou com Andrade), 2. Leontina Almeida (que em Moçâmedes casou com Seixal). Estas acompanharam os pais na viagem de Olhão, terra onde nasceram, para Porto Alexandre. Os outros irmãos, já nascidos em terras de Porto Alexandre e Moçâmedes eram 3. José dos Reis Almeida *( casou com Rosário Lopes),  4. Armindo Bruno Almeida (casou com Alice Marta Bauleth),  5. Fernando de Almeida (casou com Sanita),  6. Artur de Almeida (casou com Alice),  7. Mário de Almeida (casou com M.Carmo Bauleth), 8.  Eduardo Almeida,  9.  João de Almeida.


5. Alice Marta Bauleth (na foto vestida de escuro, à direita, com a filha Mª do Carmo? à frente, era filha de Maria do Carmo e de José Bauleth, e era  neta materna de Catharina Ferreira e Agostinho Ferreira, os meus bisavós paternos). Era irmã de  Maria do Carmo (Carminha Bauleth, que casou  com Mário Almeida),  de Soledade Bauleth ( que casou com José Duarte), e de  António Bauleth (que  casou com Celmira). Era casada com Armindo  Bruno de Almeida  (que se vê um pouco atrás, vestido de branco, à direita). 

6. Armindo Bruno Almeida, de branco, à dt. Foi-me dito que também, com Albano (ao centro da foto com Bébé ao colo),e os restantes irmãos  atrás referidos,  um dos  filhos de Maria de Jesus Frota Martins e de António dos Santos Almeida (irmão do meu avô paterno), portanto neto materno de Ana da Piedade Frota e José Martins de alcunha Gaivota (meus bisavós maternos), e neto paterno de  Fernando dos Santos Almeida e de Maria dos Prazeres, (meus bisavós paternos).  



 
Os casamentos entre primos era uma situação muito comum em terras pequenas como era Moçâmedes  no início do século XX.  Por vezes acontecia até duas irmãs casarem com dois irmãos, ou dois irmãos com duas irmãs, o que tinha a ver com o escasso número da população e com a falta de mobilidade para outras terras. Sá da Bandeira ficava a 200 quilómetros de Moçâmedes, o comboio a partir de Moçâmedes só lá chegou em 1923. O isolamento era quase total. E mesmo após 1923 e  até meados do século a mobilidade era muito pouca, uma vez que não existiam as pontes sobre o rio Bero, e porque a caristia da vida não permitia aos residentes grandes vôos.


Por isso é que se dizia que em Moçâmedes até 1950 todos eram primor e primas...

Para mais informações sobre esta familia, ver in Mossãmedes do Antigamente



Os Frotas, os Ferreira e os Almeida foram famílias que se estabeleceram em Moçâmedes,  em Porto Alexandre, até Baía dos Tigres, em finais do século XIX, quando, na sequência da Conferência de Berlim (1884-5) e do Ultimato inglês, portugueses metropolitanos foram exortados a emigrar para o sul de Angola, zona que se encontrava em perigo face às ambições da Alemanha que ocupava o Sudoeste Africano, e pretendia avançar para norte, ocupar o Distrito de Moçâmedes, e lançar, a partir da Baía dos Tigres o Projeto de um Transafricano alemão que ligasse as costas do Atlântico e do Indico.  Os pioneiros destas famílias em terras de África partiram de Olhão, de conta própria, em palhabotes rumo a Moçâmedes e a Porto Alexandre. Não consta que lhes tivesse sido concedida alguma ajuda pelo governo português. No entanto à presença dos portugueses ali , ficou muito a dever-se a integridade do território


 

Ver AQUI

*  José dos Reis Almeida (Reis, porque nasceu no dos dos Reis no interior do Palhabote, já com Porto Alexandre à vista). Foi o 1º filho varão de  Maria de Jesus e António dos Santos Almeida, que viajaram de Olhão para Moçâmedes acompanhados  das 2 filhas que tinham então, a Julia e a Leontina. 


(1) Assim referiu in  Mazungue, um dos netos de Alice Marta Bauleth de Almeida: "...A minha Avó materna foi na barriga da mãe de Olhão para Moçâmedes num barco à vela e a vapor, com roda lateral e semanas depois de aportarem a Moçâmedes, ela nasce numa caverna das "Furnas", mais tarde mudando-se com a familia para o "Platô" da Torre do Tombo. Ano - 1907 Nome - Bauleth sim...sim é Tia-avó da Riquita. " Fim de citação.  Penso que esta história não está bem contada, porquanto quem nasceu  à chegada a Porto Alexandre onde primeiro a familia se fixou (não a Moçâmedes) foi José dos Reis Almeida, um dos filhos de Maria de Jesus e António dos Santos Almeida, que viajaram de Olhão para Moçâmedes acompanhados  das 2 filhas que tinham então, a Julia e a Leontina. Os restantes filhos nasceram já em Angola, como foi o caso de Armindo Bruno Almeida que casou com  Alice Marta Bauleth, os seus avós.

http://mossamedes-do-antigamente.blogspot.pt/2007/08/colonos-algarvios-em-mossamedes.html

2 comentários:

  1. alo eu sou Alice Marta Bauleth D'Almeida Filha de Roberto Bauleth D'almeida e neta de Alice Marta Bauleth D'Almeida,e muito bom saber das nossas raizes,

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  2. Obrigada por nos ter visitado. Cumprimentos.

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