Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Boers no Planalto de Mossâmedes (Huila) e em Mossâmedes



Carroções puxados por juntas de bois (espanas) introduzidos no sul de Angola pelos boers


Eram veículos cobertos com aparelho especial, pois chegavam a ser puxados por quinze parelhas de bois. Próprios para caravanas, eram usados pelos militares, por isso certos exploradores viajaram neles, como Capelo, Ivens e Serpa Pinto. Quando os caminhos terminavam, por vezes a caravana parava durante meses, para abrir uma estrada. Serpa Pinto, em Como eu Atravessei a África, descreve-o: “O wagon de viagem em África do Sul é uma pesada construção de madeira e ferro, de 6 a 7 metros de comprido por 1,8 a 2 de largo, assente sobre 4 fortes rodas de madeira e tirado por 24 a 30 bois, jungidos a fortes cangas, presas a uma corrente e grossa, fixa à ponta do cabeçalho no carro.”





Caravana boer atravessando o rio Caculuvar


Caravana boer, estacionada na Rua dos Pescadores em frente a uma "Quitanda", fazendo a distribuição dos víveres


Caravana boer naquela que conheci como Rua dos Pescadores, na parte que passa junto da Praça Leal de Mossâmedes (Moçâmedes/Angola). Parte deste conjunto de casas já foi demolido.

Caravana boer naquela que conheci como Rua dos Pescadores, junto da Praça Leal de Mossâmedes (Moçâmedes/Angola)



Casamento boer no então "planalto de Mossâmedes" (Terras altas da Huila)

Trabalho agrícola onde podemos duas mulheres escolhendo batatas, uma parece muhuila, a outra poderá ser uma "quimbar".

"Por iniciativa dos boers promoveu-se a construcçao da estrada na Xella, pondo assim definitivamente o planalto em communicação com Mossâmedes e os carros eliminaram o antigo meio de conducção, o  carregador. Novas estradas foram abertas pelos boers no planalto em  todas as direcções, e os portuguezes incitados pelo exemplo d'esta  raça infatigável sahiram, enfim, da rotina em que viviam, mandando  também vir carros como os d'elles, adoptando o seu modo de trabalho neste mister, comprando bons armamentos, cavallos e gados, e  exercitando-se á caça e ao tiro ao alvo, de forma que se conta hoje  entre elles um numero muito regular de bons atiradores. Pensou-se por fim mais a sério no valor d'aquelle districto e dirigiu-se para alli uma fraca corrente de emigração. Boletim da Sociedade de geographia de Lisboa, 1895."



Colonos boers nas terras altas da Huila: o início da fixação 

Quem eram os Boers?



Os boers, eram descendentes de colonos calvinistas de origem alemã, francesa e sobretudo holandesa , expulsos da Europa, na sua maioria pela revogação do edito de Nantes, e perseguidos religiosamente em diversos países,  que desde 1652 se haviam fixado no Orange e no Transval (África do Sul), então em guerra de independência com os ingleses.

Em 1870, boers holandeses fugindo da guerra entre holandeses e ingleses e ao domínio dos ingleses, devido jurisdição colonial inglesa, atravessaram o deserto a partir da Ovambolândia, e começaram a chegar a Moçâmedes (Mossâmedes), onde se refugiaram, através da fronteira do Cunene, em 17 Setembro de 1880 (1). 

Em 1881,  57 boers partiram de Moçâmedes rumo ao planalto, região da Humpata, onde estabeleceram um primeiro núcleo de famílias em terrenos concedidas pelo Estado (100 hectares por cada família),  a troco da obediência às leis portuguesas, fundando a «Colónia de São Januário». (1).
 
O Major Arthur de Paiva narra na segunda parte do seu  relatório sobre a campanha do Bié,
a historia  da peregrinação boer do Transvaal á Humpata através do deserto do Kalahari, as fadigas, perseguições e desgraças que os acompanharam,do qual se descreve alguns períodos de interesse  para quem deseje conhecer o caracter e os costumes:

"...De caracter tenaz, espirito independente e dotado d'uma força de vontade incomparável, tem comtudo recuado passo a passo em face das exigências d'uma civilisaçào gananciosa, occulta sob a capa humanitária e sympathica do progresso do indiígena, e da engrenagem complicadissima da machina governativa, cuja theoria burocrática inexplicável ao seu modo de pensar, pratico e simples, nào comprehendia. Cioso de liberdade repelle toda a innovaçào tendente a cercear-la. Foi assim que o Transvaal se achou sob o dominio do verdadeiro boer o vooefrekker, cujo typo caracteristico tivemos occasiào de observar. Era de prever que um povo em que predominava o elemento expulso da Europa pela revogação do Edito de Nantes e perseguições religiosas que se seguiram em diversos paizes, descendendo na maior parte de famílias de antiga nobreza, activas e pouco costumadas a dobrar o cerviz, se nào amoldasse nos sertões africanos á vontade, muitas vezes despótica, dos governantes, possuindo vasto campo onde exercer a sua actividade e força para repellir imposições que lhe nào agradassem. Além d'isso a sua educação biblica levava-os a imitar a vida nómada dos antigos patriarchas; e os êxodos em busca de terra promettida succederam-se uns aos outros sem que as authoridades do Cabo lhes podessem pôr impedimento. Os boers são em geral valentes e aguerridos. São tão agricultores como qualquer dos chamados agricultores do plan'alto, e sabem mais sobre o assumpto do que muitos d'elles. Além d'isso, o boer é creador de gado, ferreiro, carpinteiro, sapateiro, curtidor, etc. Sabe das artes mais indispensáveis o bastante para construir a sua casa, concertar o seu carro, curtir o couro com que faz o calçado para si o sua familia, fazer as suas mezas, cadeiras, camas, etc. E' também grande caçador e a mulher e os filhos tomam a seu cargo as plantações se a sua ausência se prolonga. Os seus costumes são simples e honestos. Respeitam muito o ministro da sua religiao, nào consentindo que elle tome uma parte activa nos seus negócios políticos, mas nào despresando também os seus conselhos. Todos elles sabem lêr e escrever ou pelo menos, assignar o seu nome, e sào tào versados na escriptura sagrada como os seus próprios ministros. Quando lhes faltam professores, a sua instrucçào rudimentar é transmittida de pães a filhos com uma persistência digna de louvor. Ocioso será dizer que o colono madeirense comparado com o boer deixa muito a desejar. Boçal, ignorante, vicioso e indolente, escumado das ultimas camadas da população baixa da fiadeira, não produz a quarta parte do trabalho d'aquelle, nem dispõe da energia e coragem para se impor no animo do indígena, que não lhe encontrando outros predicados alem da cor  branca.... 
A região que ocuparam, nas terras altas da Huila, situada a uma altitude de 1887 metros, era dotada de um clima  salubérrimo, com água em abundância e terrenos férteis, prestando-se a todas as culturas de tipo europeu.  A decisão de povoar com eles o sul de Angola não foi do agrado geral.

Por esta altura (1881),  a influência de Portugal no planalto era insignificante, com apenas pequenos nucleos de portugueses dispersos  pela região da Huila e do Humbe, resultante de uma 1ª tentativa de colonização, na base de degredados, que dependiam da autoridade dos sobas da região. Também havia chegado alí uma colónia alemã que acabara por desaparecer sem deixar vestígios, para além uns poucos colonos livres do norte de Portugal que travavam negócios com povos da área, e da célebre Companhia Militar Agrícola, onde predominavam soldados deportados  que acabara por desaparecer devido a má administração, roubos extorsões aos indígenas, etc. 

Com a fixação dos boers não tardou que tivessem início sangrentas lutas entre eles e os indígenas da região (2), acostumados que estavam a vencer e a dominar  africanos, a quem rapidamente impunham a sua influência, que passava a ser acatada em beneficio da autoridade portuguesa.  



Conf. J. Pereira  Nascimento, in  O Districto de Mossâmedes" , 1861-1913: ...Os boers são muito dedicados a Portugal, e tem prestado relevantes serviços na manutenção do nosso domínio nos sertões dos districtos de Mossamedes e Benguella, concorrendo poderosamente pelo seu prestigio e influencia para submetter e avassallar muitos povos rebeldes. É certo que são dotados de um espirito altaneiro e independente e não se subjeitam nem amoldam a leis, códigos e mais formulas de administração publica, pelo que tem sido injustamente mal apreciados, mas é incontestável que são homens de uma raça superior, dotados de inquebrantável força de vontade, honestos, sóbrios e trabalhadores. O districto de Mossamedes e em especial o plan'alto deve-lhes entre muitos melhoramentos a paz octaviana que hoje disfructa em beneficio da sua agricultura e commercio.


...Não comportam os acanhados limites d'este modesto trabalho um (estudo detalhado sobre estes corajosos pioneiros da Africa, sobre a sua influencia na civilisação africana e os longos serviços desinteressadamente prestados a bem do nosso dominio.

...Foram elles que domaram os irrequietos povos indigenas d'este plan'alto, castigando com rigor os roubos e morticinios praticados contra os brancos, que então viviam sob a tutella dos régulos. São elles que nos momentos de angustiosas crises por que passam os poucos portuguezes internados pelos vastos sertões do Kubango, Bihé e Humbe, correm generosamente em auxilio das nossas diminutas forças, incutindo-lhes animo para arrostarem contra as tremendas hordas de selvagens, que ameaçam de vez em quando aniquilar o nosso prestigio, pondo em evidencia as suas altas qualidades de guerreiros afeitos ás inclemencias da vida do matto e vertendo o seu sangue, sacrificando a vida e os bens em defeza dos nossos interesses. As campanhas do Kubango, do Bihé e do Humbe são documentos perduráveis, que attestam a veracidade das nossas palavras."
A chegada dos boers a Angola foi proveitosa para a agricultura e para os transportes. Eles deslocavam-se em carroções compostos de 4 grandes rodas de madeira protegidas com aros de ferro, puxados por 10, 12 ou 18 juntas de bois (espanas), conforme o peso das cargas, e com mais duas ou três espanas de reserva ligados por "cangas". Serpa Pinto, em "eu Atravessei a África", descreve-o: 

 “O wagon de viagem em África do Sul é uma pesada construção de madeira e ferro, de 6 a 7 metros de comprido por 1,8 a 2 de largo, assente sobre 4 fortes rodas de madeira e tirado por 24 a 30 bois, jungidos a fortes cangas, presas a uma corrente e grossa, fixa à ponta do cabeçalho no carro."
  
Próprios para caravanas, eram usados pelos militares, por isso certos exploradores viajaram neles, como Capelo, Ivens e Serpa Pinto. Quando os caminhos terminavam, por vezes a caravana parava durante meses, para abrir uma estrada. Serpa Pinto, em Como eu Atravessei a África, descreve-o: 

 Os bois eram de estirpes domesticadas e desde há muito adaptadas aos climas da África do Sul.    Os boers levaram  consigo para a Humpata, uma centena de cavalos, 300 espingardas e 2.000 bois, para além de inúmeros cavalos e burros, igualmente adaptados a África, e não obstante a doença desconhecida a "horse sickness" que os atacava de modo pestilento, fazendo autenticas razias no gado, conseguiam curar algumas doenças e estes prevaleceram. O resultado foi que em pouco tempo monopolizaram os meios de transportes e imprimiram uma outra dinâmica de que Angola necessitava para seu progresso. 

Foram os boers que em cooperação com o Governador de Moçâmedes que ajudaram a pacificar a região, ajudando a capturar e a substituir o Soba dos Gambos, e deram uma grande contribuição para o desenvolvimento do sul de Angola na abertura de «picadas» (estradas), que abriam novas rotas de comércio entre a Huíla e Moçâmedes e também para as longínquas terras do além Cunene.

Mas a presença boer no território, por sua vez, preocupava a autoridade portuguesa, temerosa do alemão, do boer,  dos avanços britânicos sobre o sul de Angola. Houve que atrair agricultores portugueses para o local. Em 1883, Pinheiro Chagas, ministro da Marinha e Ultramar, tentará minorar o perigo, com colonos madeirenses. Para contrariar a grande diáspora protagonizada durante mais de 2 séculos pelos madeirenses, rumo aos remotos Hawai, Demerara, California, Guiyanas, etc, medidas são tomadas medidas adequadas, afixados editais no adro das Igrejas e jornais exortando à emigração para Terras Altas  e humosas de Moçâmedes (Huila). Foi pois para contrariar o fluxo boer,  e precaver-se face a ambição das potências europeias reunidas em Berlim pata a "partilha de África", que nesse mesmo anos de 1884 e 1885, começaram a chegar a Moçâmedes, as primeiras «levas» de colonos provenientes da Ilha da Madeira, (1) destinados à fundação são das colónias madeirenses do Lubango, na Huila, de S. Pedro da Chibia e da Humpata/Palanka, constituida por camponeses que, ao contrário dos boers, para além de serem mais afáveis na convivência com os autóctones, apenas tiveram direito a 2 hectares de terreno irrigável, entre rios, nas terras altas da Huíla.   Porém os colonos boers que até então eram únicos senhores a fértil e salubre região planáltica, cultores do seu viver austero e pouco exuberante, possuidores de casas bem construídas, espaçosas, cómodas e organizadas, desgostaram-se da proximidade dos novos e turbulentos vizinhos e concorrentes madeirenses que constantemente os acusavam de terem conseguido a melhor partilha na divisão dos terrenos pela autoridade, e sobre a partilha das águas.  Note-se que na 1ª colónia de madeirenses não houve lugar a selecção e  com a pressa de colonizar, Câmara Leme o seu promotor, deixou embarcar individuos de baixa esfera, indolentes e viciosos que contribuiram para a difamação do grupo. Em consequência, os boers venderam os seus terrenos e foram estabelecer-se na Palanca, e alguns mesmo, os mais descontentes, tomaram a resolução do regressar para o Transvaal na época em que findaram os seus contratos, em 1885.  


A 17 de Janeiro de 1883, a Humpata ascendera à categoria de concelho, com uma Comissão Municipal formada por boers, sendo administrador o alferes Artur de Paiva, o qual vem a casar com a filha do chefe da colónia boer, Jacobus Friederich Botha.

Lentamente, porém, os colonos portugueses começaram a absorver as tecnologias boers, bem adaptadas a África, e o povoamento europeu começou timidamente a consolidar-se, graças aos carroções. Era através desses carroções que abriam caminho por onde passavam, que se fazia o transporte de pessoas, víveres e mercadorias entre povoações, inclusive para a vila de Moçâmedes, bem como a ligação com povoações da costa, tendo em vista fins comerciais.  Foram estes carroções boers, também, requisitados pelo exército português, mais tarde, em tempo de guerras de ocupação, no sul de Angola.
 
 Para além do transporte de pessoas e de mercadorias e do serviço mercenário nas guerras, os boers dedicavam-se à caça. Eram enérgicos e trabalhadores, grandes conhecedores do interior de África, bem adaptados à vida do mato e facilmente identificáveis pelas suas características fisionómicas e pela línguagem própria, que haviam desenvolvido para sí mesmos, o "afrikaans". Não eram propriamente agricultores, tendo os mais proeminentes enriquecido com o comércio de marfim obtido em caçadas de elefantes, mas desbravaram e cultivaram terras virgens, dirigiram explorações agrícolas em moldes evoluídos e deram pelo seu trabalho e iniciativa exemplos aos nativos, ajudando a criar condições de vida. Também conseguiram bastantes ganhos com o fabrico de manteiga e queijo, tendo aplicado os lucros na construção de moradas definitivas, na abertura de estradas, na fruticultura e na prospecção mineira. Como seus companheiros, tinham os bochímanos ou mukankalas, aqueles que segundo a história fora o primitivo povo de Angola.

Registe-se que nessa altura havia ocorrido na Europa a célebre  Conferência de Berlim (1884-1885). Para evitar possíveis conflitos, as principais potências europeias, ávidas de matérias primas e de mercados consumidores, decidiram repartir África entre si segundo o «princípio da ocupação efectiva», isto é, os territórios africanos deveriam pertencer a quem tivesse os meios para os ocupar de facto. Portugal, apesar do seu pouco peso político internacional, possuía vastos territórios ultramarinos entre os quais os mais ricos e extensos eram Angola e Moçambique, dos quais, à semelhança do resto do continente, apenas o litoral era conhecido e efectivamente ocupado. Em 1886 era apresentado o célebre "mapa cor-de-rosa", com o qual Portugal pretendia que lhe fossem reconhecidos os direitos às regiões entre Angola e Moçambique, pretensão portuguesa colidia com um velho projecto inglês de ligar o Cairo (Egipto) ao Cabo (África do Sul). (3)

Com a implementação das ferrovias de penetração, a partir de 1903, e o surgimento dos primeiros veículos automóveis, 1910, finalmente tornou-se mais fácil a fixação de colonos no interior. Acabou também a dependência em relação aos carregadores, fonte de azedumes e de violências. A partir de então já se podiam importar as maquinaria pesada como as pesadas máquinas de cerâmica, que vieram revolucionar, entre outras, a construção de habitações. A passagem de feitoria a colónia teve início em 1910, muito embora só tenha tomado expressão a partir de 1920, o que veio facilitar o povoamento de Angola por europeus.
Estas localidades correspondem a etapas da exploração de Brochado (1850) e nem se trata das outras, interiores ao relato, sim das que se exibem no título: Terras do Humbe, Camba, Mulondo, Quanhama, e outras. Anchieta também explorou o Humbe.





A maioria dos boers acabaram por sair em 1926, voltando à sua terra. Muitos poucos ficaram para sempre.
Carregamento dos carros Boers com o material de guerra.e viveres para as forças que avançam sobre o Sul de Angola. Foto de Teles Grilo 
 
 
 


 MariaNjardim
 

(1) A instalação deste 1º núcleo teve a permissão do Ministro da Marinha e do Ultramar, o Visconde D. Januário, chefiada por Jacobus Friederich Botha e como represente de Portugal junto da comunidade holandeza fora promovido o jovem alferes Artur de Paiva, empossado pelo Governador do Distrito de Mossâmedes, Coronel Nuno Matta, em 10 de Janeiro de 1882. A sua fixação ficou a dever-se a  diligências efectuadas entre o Padre espiritano Duparquet e o Governo de Lisboa. Este Padre Espiritano em 1866 tinha subido a Chela onde começara a exploração das terras altas, em missão científica e evangelizadora.


(2)  Entre 1850/60 haviam sido firmados tratados de vassalagem em nome da Coroa portuguesa com os sobados da Huila e da Humpata, garantindo o livre trânsito e a fixação pacífica dos comerciantes brancos nas suas terras, bem como a segurança africana às caravanas até Moçâmedes, contra outros africanos belicosos. Em 1885, deu-se uma inssurreição entre Cuanhamas. Por essa altura era ainda grande a carência de meios militares portugueses. 

(3)  A reacção do governo inglês chegou no dia 11 de Janeiro de 1890, sob a forma de um ultimato, no qual se exigia que todas e quaisquer forças militares portuguesas que se encontram nas regiões entre Angola e Moçambique se retirassem sob a pena de corte de relações entre os dois países. A resposta à Inglaterra seguiu nesse mesmo dia: "Na presença de uma ruptura iminente de relações com a Grã-Bretanha e de todas as consequências que dela poderiam talvez derivar, o Governo de S.M. resolveu ceder às exigências formuladas (...) e vai expedir para o Governo Geral de Moçambique as ordens exigidas pela Grã-Bretanha". Portugal não tinha condições de competir com potências industrializadas, ávidas de matérias primas e de mercados consumidores. Este foi também um período de grande fervor patriótico, com o qual se procurava reabilitar o duramente atingido orgulho nacional.







Bibliografia Consultada:



Medeiros, Carlos Alberto Medeiros , "A Colonização das Terras Altas da Huíla "

Nacimento, J. Pereira , "O Districto de Mossâmedes" 1861-1913

Brunschwig, Henri, A Partilha da África, Publicações D. Quixote, Lisboa

Para saber mais: Livro sobre  BOERS
Ver tb AQUI

2 comentários:

  1. A narracao do Major Arthur de Paiva em relacao aos colonos madeirenses e depreciante e racista uma vez que ele casado com uma filha do patriarca boer Jacobus Friederick Botha da colónia boer do planalto da Huila. Ele esqueceu-se que aos madeirenses foram dadas apenas 2 hectares de terras a cada um e aos boeres o governo portugues deu 100 hectares. Alem disso os boeres consistiam dum contingente unido e temperado nas guerras contra os ingleses, fortemente armados e bem equipados com carros de bois a quem o governo portugues deu todo o apoio na expectativa de servirem como escudo a ameaca indigena. Os madeirenses por outro lado chegados a Mocamedes eram abandonados a propria sorte e tiveram que ultrapassar toda a especie de dificuldades. Sem tirar o merito do colono boer que na epoca tan to ajudou portugal no processo da penetracao e pacificacao do interior do sul de Angola, acho que a narracao de Artur de paiva em relacao ao colono madeirense, nao e merecida e peca por excesso de favoritismo em favor de uma etnia a quem ele estava ligado por matrimonio, alem dum consistente racismo que era proprio da epoca e que acompanhou a comunidade boer ate a recentes anos ao ponto de eles se julgarem uma raca escolhida e eleita comparando-se aos antigos patriarcas da biblia como o proprio Artur de Paiva o admite. Por outro lado devemos tirar o chapeu ao referir o colono madeirense que apandos a eito, sem instrucao e abandonados a propria sorte numa terra desconhecida, sem meios para se defenderem e sem medicamentos conseguiram desbravar um territorio inospito e formar a grande Sa da Bandeira com toda a sua prosperidade e hospitalidade dos seu energicos descendentes. Bem ha a esse povo que nunca desistiu de lutar pela sua nova terra, mesmo com saudades da ilha onde nasceram, ao contrario do colono boer que do alto da sua arrogancia simplesmente abandonou a Huila quando viu que na terra vizinha deixada se avizinhavam melhores momentos. Por tudo isso, pela firmeza do seu caracter e por muito mais presto a minha homenagem ao colono madeirense no planalto da Huila.

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  2. Concordo plenamente e agradeço o seu comentário. Infelizmente Henrique Galvão escreveu também criticando os colonos madeirenses.
    Cumprimrntos

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