Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












terça-feira, 14 de agosto de 2007

Colonos chegados a Mossãmedes (Moçâmedes - Namibe) na Barca «D. Ana» : 1860


Francisco Ferreira Nunes (vulgo Nunes Manjor)

Chegou a Moçâmedes vindo de Olhão em 1863 no Caíque «Flor de Maio» de que era societário.

António Fernandes Peixe

António Fernandes Peixe
Pioneiro da colonização de Porto Alexandre.

Francisco de Sousa Ganho (pai)

Francisco de Sousa Ganho (pai)
Pioneiro da colonização de Porto Alexandre. Partiu para Moçâmedes na Barca D. Ana, em 1860. Nasceu em Olhão em 1930.  Era filho de Francisco de Sousa Ganho e de Teresa de Jesus Ganho. Faleceu em Moçâmedes em 1895). Reprodução de uma fotografia amavelmente cedida pelo neto do fotografado, Dr. Tolentino de Sousa Ganho (in Boletim Geral do Ultramar . XXVII - Nº 322 - Vol. XXVII, 1952, pg.40)



Francisco de Sousa Ganho Júnior

Francisco de Sousa Ganho Júnior
Pioneiro da colonização de Porto Alexandre.  Conhecido por Francisco de Sousa Ganho filho, nasceu em Lisboa na Freguesia de Santa Isabel, a 11 de Novembro de 1850. Foi componente do primeiro grupo de colonos que, em 1860, partiu para Moçâmedes,vindo de Olhão ainda criança, a bordo da Barca «D. Ana». na companhia de seu pai , tinha então 9 anos de idade. Faleceu em Moçâmedes.
(Reprodução de uma fotografia amavelmente cedida pelo neto do fotografado, Dr. Tolentino de Sousa Ganho (in Boletim Geral do Ultramar . XXVII - Nº 322 - Vol. XXVII, 1952, pg.44)


A Barca "Dona Ana" fazia parte da Empresa Luzitana, era comandada por José Guerreiro de Mendonça e pilotada por José Guerreiro Nuno, ambos naturais de Olhão.

Para além de Francisco de Sousa Ganho e de Francisco de Sousa Ganho Junior, viajaram na mesma data na Barca "Dona Ana", António de Sousa Ganho, irmão do primeiro,  António Fernandes Peixe e esposa Maria Catharina Peixe, e ainda Lourenço Fernandes Peixe e José Carne Viva.

Todas estas  informações constam do livro de Athaíde de Abreu. Monigrafia do Concelho de Olhão e no estudo de Alfredo Felner, apontamentos sobre a colonização dos planaltos do Sul de Angola-, além de outras informações prestadas pelo autor da obra , tais como a carta do Dr Tolentino de Sousa Ganho, neto de Francisco de Sousa Ganho,

Com  a vinda de Olhão de pescadores na Barca D. Ana, iniciou-se uma verdadeira revolução na actividade piscatória. Os algarvios substituem os indígenas que prestam serviço nas dezasseis pseudo-pescarias dos pernambucanos, e com o sucesso desta experiência, criaram-se as condições para o estabelecimento de uma relevante corrente migratória de algarvios para o sul de Angola, a qual revigorou a colónia e consolidou a industria piscatória.

É a experiência deste punhado de pioneiros que, a expensas suas, que tudo fizeram: aquisição de barcos, pagamento de passagens para a viagem, casas, utensílios para a pesca, etc etc. E, sem delegação de quem quer que fosse, eles acabaram instrumentalizados, ao constituíram-nos como garantes da soberania de Portugal nas áreas mais inóspitas do Pinda à Baía dos Tigres, numa altura em que não tardaria potencias europeias industrializadas encetassem a "Partilha de África". Mas também é preciso que se diga que a sua presença, e a de outros mais foi imprescindível para que a faixa do território a sul de Benguela. amplamente cobiçada pelos alemães, ficasse para sempre a integrar o território angolano.



Ver também:

http://www.myheritage.com.pt/photo-1000010_1_47578921/sousa-ganho








Ambos íam para Moçâmedes na sua canoa de pesca mas conseguiram entrar na barca D. Ana



    "Começaram por viver quase como os indígenas, em toscas cabanas de pau a pique com varas de mangue e cobertas de capim. Foi nessas primitivas cubatas onde a princípio viveram, numa incómoda promiscuidade de homens, mulheres e crianças." "A alimentação destes primeiros colonos era deficiente e cem por cento de peixe, temperado quase sempre pelo óleo de palma, e comendo o pão de mandioca do serviçal negro." "Por isso é que mais tarde, quando de Moçâmedes caciques começaram a levar para o Sul, diziam eles com certo orgulho e justificada vaidade aos que para lá foram estabelecer-se depois: Ai!... Vocês já vieram no tempo do pão fresco!" (47)

Sem comentários:

Enviar um comentário