Francisco de Sousa Ganho Júnior
(Reprodução de uma fotografia amavelmente cedida pelo neto do fotografado, Dr. Tolentino de Sousa Ganho (in Boletim Geral do Ultramar . XXVII - Nº 322 - Vol. XXVII, 1952, pg.44)
Para além de Francisco de Sousa Ganho e de Francisco de Sousa Ganho Junior, viajaram na mesma data na Barca "Dona Ana", António de Sousa Ganho, irmão do primeiro, António Fernandes Peixe e esposa Maria Catharina Peixe, e ainda Lourenço Fernandes Peixe e José Carne Viva.
Todas estas informações constam do livro de Athaíde de Abreu. Monigrafia do Concelho de Olhão e no estudo de Alfredo Felner, apontamentos sobre a colonização dos planaltos do Sul de Angola-, além de outras informações prestadas pelo autor da obra , tais como a carta do Dr Tolentino de Sousa Ganho, neto de Francisco de Sousa Ganho,
Com a vinda de Olhão de pescadores na Barca D. Ana, iniciou-se uma verdadeira revolução na actividade piscatória. Os algarvios substituem os indígenas que prestam serviço nas dezasseis pseudo-pescarias dos pernambucanos, e com o sucesso desta experiência, criaram-se as condições para o estabelecimento de uma relevante corrente migratória de algarvios para o sul de Angola, a qual revigorou a colónia e consolidou a industria piscatória.
É a experiência deste punhado de pioneiros que, a expensas suas, que tudo fizeram: aquisição de barcos, pagamento de passagens para a viagem, casas, utensílios para a pesca, etc etc. E, sem delegação de quem quer que fosse, eles acabaram instrumentalizados, ao constituíram-nos como garantes da soberania de Portugal nas áreas mais inóspitas do Pinda à Baía dos Tigres, numa altura em que não tardaria potencias europeias industrializadas encetassem a "Partilha de África". Mas também é preciso que se diga que a sua presença, e a de outros mais foi imprescindível para que a faixa do território a sul de Benguela. amplamente cobiçada pelos alemães, ficasse para sempre a integrar o território angolano.
Ver também:
http://www.myheritage.com.pt/photo-1000010_1_47578921/sousa-ganho
Ambos íam para Moçâmedes na sua canoa de pesca mas conseguiram entrar na barca D. Ana
"Começaram por viver quase como os indígenas, em toscas cabanas de pau a pique com varas de mangue e cobertas de capim. Foi nessas primitivas cubatas onde a princípio viveram, numa incómoda promiscuidade de homens, mulheres e crianças." "A alimentação destes primeiros colonos era deficiente e cem por cento de peixe, temperado quase sempre pelo óleo de palma, e comendo o pão de mandioca do serviçal negro." "Por isso é que mais tarde, quando de Moçâmedes caciques começaram a levar para o Sul, diziam eles com certo orgulho e justificada vaidade aos que para lá foram estabelecer-se depois: Ai!... Vocês já vieram no tempo do pão fresco!" (47)

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