Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Postais antigos e fotos de Mossamedes em finais do século XIX



















































































 


 























 













 














Clicar para ampliar estes postais do último quartel do século XIX que nos mostram bem como era Mossamedes nesse tempo. A ponte tal como se encontrava na época, já ligada ao piquete da Guarda Fiscal através de um corredor por onde circulava a vagoneta  que transportava as mercadorias. Também podemos ver os guindastes então utilizados, bem como os barcos espalhados no areal da praia, os barracões e algum casario que se descobre por detrás das palmeiras daquela que viria a ser a Avenida da República.


No primeiro ainda não se vêm as instalações da estação dos Caminhos de Ferro e respectivos armazéns, nem o Observatório Metereológico (que foi demolido na década de 1950). Contudo já podemos ver mais ao fundo o primitivo Colégio das Madres, a arborização (casuarinas) que acompanham o ultimo percurso do rio Bero até à foz. E nos dois últimos postais (1907?), são também visíveis,  o edifício do Cabo Submarino (também demolido na década de 1950), a estação dos Caminhos de Ferro já erguida, e respectivos armazéns, as casuarinas, para além, é claro de toda a movimentação de que este local era alvo com o seu mercado de peixe, apetrechos de pesca, embarcações, etc.
 

Este se estivesse completo deveria mostrar um caíque chegado do Algarve, de velas pandas como nele vem escrito, e dá bem a ideia de como ia avançada esta fase da colonização.

 













 Também desta epoca é este postal que nos mostra como a nossa velhinha ponte foi testemunho de  importantes eventos desportivos na nossa cidade, desde as primeiras décadas do século passado. Aliás, não fosse a navegação algo inerente ao modo de ser portugues, o impulso que trouxe até Moçâmedes as primeiras colónias idas de Pernambuco e mais tarde, os emigrantes algarvios em barcos frágeis , marcando profundamente todos os que fizeram de Mossamedes o seu habitat ao transmiti seguros ensinamentos,  a toda uma população na sua maioria dedicada a actividades piscatórias.

Sem dúvida , a prática da natação e da "vela" foram de fácil assimilação ,trazendo para o Distrito vários títulos nas décadas de 30 aos anos 60 do século XX. As provas de natação bem como as regatas eram normalmente realizadas na baía durante festejos da cidade tinham o seu ponto de concentração na velhinha ponte da Capitania .

Nas primeiras regatas defrontavam-se baleeiras de pesca de velas triangulares que eram de propriedade de industriais. Foi Virgílio Nunes de Almeida quem mais títulos conquistou na balieira "Laura". E quando mais tarde já em 1956 passarm a disputar-se provas de "snipes", no âmbito da Mocidade Portuguesa, o título mais honroso para Moçâmedes foi nos dado por Fausto Ferreira Gomes e Leonel Matos Mendes.



Mossamedes em dia provas de natação, podendo ver-se no mar, perto dos nadadores, uma baleeira à vela e outros pequenos barcos a acompanhar a prova. Em cima da ponte de embarque /desembarque e na praia, uma multidão assiste às provas. Por detrás, o edifício da Alfândega, do qual sobressai as águas furtadas do edificio da familia Mendonça Torres na Rua dos Pescadores (posterior Hotel Central), e mais esq., outro edifício da mesma rua.


Alguns destes postais antiquíssimos, foram editados por
Joaquim Júlio da Cunha Morais, e vêm referidos no blog Grand Mond, com data de 1898.
 

Alguns destes postais foram cedidos por amigos , outros, retirados de:
http//:antigamente1900.blogspot.com
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A praia de banhos de Mossamedes é das melhores praias de banhos de Angola, isenta de indesejáveis tubarões, o mar é calmo e é tanta segurança , que até já tem servido para amaragem de hidroviões...dizia alguem Assegurava-se , portanto , condições necessárias para o aprendizado da natação , iniciando na praia das "Miragens" , numa extensão de mais de 3 Kms até à "Enseada do Saco".

Ali se "fabicaram", empiricamente, promissores nadadores. Seria necessária a construção de uma piscina Olímpica mas como sempre não havia recursos financeiros nem incentivos suficiantes para uma grande projeção. Também faltava um técnico nadador à altura para desenvolver este desporto. Cada um nadava a seu belo prazer , sem disciplina e as competições eram realizadas a "mar aberto".



No entanto , destacaram-se atletas que honraram a nossa cidade.(apenas nomearei alguns , de diversas gerações , mas sem um critério de valores e comparações)--o "Cabouco" , o "Chuva" , o "Cow Boy"(José Dolbeth e Costa) e Rogério G. Ilha. Em saltos acrobáticos , o Profírio , o Túlio e o Romualdo( os três da família Parreira)




SOBRE A COLONIZAÇÂO DE MOSSAMEDES



Segundo cópia extraída do livro MS "Annaes do Município de Mossãmedes", de fls. 1 a 3-V, Annos de 1839 a 1849, especialmente para servir de informação ao autor deste ensaio - gentileza que devo ao chefe da Secretaria de Câmara Municipal de Moçamedes, Sr. Artur Trindade - "Mossamedes cuja bahia foi denominada - Angra do Negro - pelos nossos Navegadores, foi mandada vezitar pelo Capital General d'Angola Barão de Mossamedes, cuja comissão foi incumbida ao Capitão Mór de Benguella que aqui veio com forças por terra, e a este facto deve a sua denominação. 
 
Embora a dacta do seu descobrimento seja muito antiga, o princípio de sua povoação dacta de 1939. Neste anno veio de Banguella a Quillengues, e de aqui a Huilla, Jau, e depois a Mossamedes o Tenente de Artilheiria João Francisco Garcia, onde já achou fundeada no porto a Corveta Izabel Maria commandada por Pedro Alexandrino da Cunha Garcia vinha nomeado Regente. Já então existia no local que hoje se chama - Hortas - huma feitoria bem montada pertencente a Jacomo Fellipe Torres, de Benguella, administrada por hum homem de sobrenome Guimarães, que fazia muito negócio, e se achava acreditada com o gentio, o que lhe accarretou tal perseguição que foi prezo na mesma Corveta para Loanda roubando-se-lhe e destruindo a feitoria. Jacomo protestou contra a violencia, e obteve justiça, mas não reparação.

Apezar deste accontecimento ainda assim veio em 1840 Clemente Eleutherio Freire montar outra feitoria de sociedade sociedade com D. Anna Ubertal de Loanda, e em 1843 veio pois veio João Antônio de Magalhães estabelecer outra feitoria de sociedade com Augusto Garrido; porem de todas estas feitorias so existe hoje a de Fernanda, por se ter fundado na pesca e dedicado também à cultura. Começou pois esta povoação por hum presidio em que alem da força millitar e degredados se estabelecêrão algumas feitorias, e d'entre alguns de seus administradôres taes como Fernanda e Freire; bem como o Tenente de Marinha A. S. De Souza Soares de Andreas, e Commandante do Brigue "Tejo", e sua guarnição foi que nascerão os primeiros ensaios da Agricultura.

A força de vegetação que se conheceo em algumas sementes lançadas à terra, a descripção feita por alguns officiaes de Marinha; e a benignidade do clima fizerão suscitar a idea da colonização deste local por gente não degredada. Os partidos politicos do Brazil, principalmente em Pernambuco, tendo sempre por fim a maior ou menor perseguição aos Portuguezes alli residentes desgostarão estes, e muito concorreo tal perseguição para fornecer a idea de colonizar Mossamedes; as expozições que de Pernambuco se fizerão para o Governo Portuguez sendo acolhidas, este deu providencias para se transportarem colonos Portuguezes do Brazil para Mossamedes.

Em Maio de 1849 sahirão o Brigue Douro e a Barca Tentativa Feliz da barra de Pernambuco; e em 4 de Agosto do mesmo ano chegarão a Mossamedes transportando famillias e homens solteiros de todas as classes e idades; sendo todas as despezas feitas à custa do Governo ( Ate aqui seguimos huma memoria fornecida a esta Câmara pelo cidadão Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, a qual por sêr bastante extensa deixamos de transcrever; e continuaremos a approveitar d'ella o que julgar-mos necessário e util. A ditta memoria acha-se archivada n'esta Camara, onde pode ser consultada).

Em 13 de Outubro de 1850 huma outra expedição deixava as agoas de Pernambuco a bordo do Brigue Douro, e da Barca Bracharense que se denominou segunda colónia; cujo transporte e despezas forão feitas à custa de huma subscripção Portugueza, e que apezar das notícias a drede espalhadas por meio de carta hidas de Massamedes na "Escuna Maria" que fazião huma descripção miseravel, e infelizmente verdadeira naquella epoca, deste estabelecimento, não deixou de ser numeroza; aportando a Mossamedes a 26 de Novembro do ditto anno. Estes segundos colonos que deixando Pernambuco em hum estado mais calmo do que aquelle em que deixarão os primeiros de seus compatriotas, e que por conseguinte vivião já em melhor tranquilidade vierão achar aquelles em hum estado deploravel, e faltos de animo. Huma esterilidade espantoza motivada pela secca; pessimo sustento composto de má farinha de mandioca, feijão pôdre, etc. Huma nudez quazi completa, e finalmente hum completo exaspêro, a ponto de muitos se julgarem felizes com a praça que se lhe assentava em recompensa de tantas privações! Quinze mezes erão passados, e nesta epoca de esterilidade que poderia fazer-se? Alem da secca, faltavão sementes; o directôr da colonia foi a Loanda levando em sua companhia hum colono (Francisco da Maia Barreto); este foi ao Bengo, e de alli trouxe as primeiras sementes de cana, maniva etc., e pouco antes da chegada destas chegárão algumas sementes ao cidadão Fernando Joze Cardozo Guimarães que forão plantadas (a canna) sob a direcção do colono Joze de Albuquerque na horta daquelle senhôr, e foi d'estas sementes que se crearão viveiros para os annos fucturos.

Foi ainda nesta epoca de verdadeira calamidade que chegárão mais colonos do Rio de Janeiro, e Bahia, dos quais ficárão mui poucos por falta de recursos; entre os desta ultima cidade alguns vinhão que trazião capitaes e querião ficar para negociar, o que não seria pequena vantagem; infelizmente fôrão disso despersuadidos. A este facto, e ao de terem-se escripto d'aqui pessimas noticias para o Brazil se deve o não terem continuado a aportar aqui colonos vindos à sua custa; - mas como virião elles se para alli se escrevia dizendo-o clima é pessimo - he um lugar de degredados onde sômos tractados como taes ( e em parte havia razão para o dizer) - he peor que na Ilha de Fernando de Noronha - não nos deixão de aqui sahir sem completar 10 annos - e outras muitas couzas? Dizemos que em parte tinhão razão por que a mortandade foi espantoza nos primeiros dois annos: Colono houve que foi 10 e 15 vezes ao Hospital em hum anno, donde sahia como entrava por falta de tratamento! Como não seria grande a mortandade se pessoas que habituadas a hum tratamento regular vivião agora a meia ração, e esta muitas vezes damnificada? Se hum lugar pouco salubre como o Bumbo em quanto que a chuva cahia a jorros se achavão miseros infelizes debaixo de alguns ramos aquentando-se a huma fogueira sem roupa para cobrir-se, por que muitos a deixarão no Estabelecimento por falta de conductôres quando para alli fôrão; tendo tido huma penosa viagem a pé por caminhos quazi intranzitaveis sem poder suportar o calôr de huma areia quazi ardente? Examine-se um pequeno numero de artistas e outras pessoas, que puderão sustentar-se com hum alimento mais saudável, e que não passarão essas privações, e vêr-se la que não tiverão até hoje huma baixa ao Hospital, e alguns dos quaes no decurso de seis annos não sofrêrão ainda huma intermittente; e examin-se tambem essas pessoas que aqui chegão do Reino ou do Brazil, e que não soffrem essas privações; veja-se a sua robustez, e conhecer-se ha esta verdade.

Foi em consequência dessas privações que alguns colonos fugirão da Huilla, e que hum melhor futuro fez volver ou trazer a Mossamedes, porque desde o momento que os colonos podérão sustentar-se à sua custa, desaparecêrão essas molestias, e Mossamedes de hoje (1870?) he hum Paraizo comparada ao de 1850. Se nos demorarmos em mencionar este facto he porque julgamos de interesse e seu conhecimento no fucturo; he porque sômos Portuguezes, e desejamos que se saiba no Brasil, em Portugal, e se possivel fôr em todo o mundo, que o clima de Mossamedes he melhór do que o de toda a Africa; superior ao de todo o Brazil; superiôr ao de muitos lugares de Portugal, e quazi igual ao melhor e mais temperado deste ultimo paiz; e desejamos emfim que se desvaneção esses restos de receio de vir aqui habitar; porque só assim e com hum governo poderemos prosperar; e para prova do que acabamos de dizer deste clima salutar examine-se ainda essas crianças nascidas e creadas aqui; a sua robustez, e sobre tudo essa côr purpurina de suas faces, huma grande parte das quaes vive continuamente exposta aos raios abrazadôres do sol!".
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Segundo cópia extraída do livro "ANNAES DO MUNICIPIO DE MOSSAMEDES", DE FLS. 41 E 41-V, ANNOS de 1839 A 1856, é o seguinte o "REZUMO DOS FOGOS, POPULAÇÃO, E PREDIOS URBANOS, CONCLUIDOS E EM CONSTRUCÇÃO NA VILLA, E ARREBALDES, ATE AO FIM DO ANNO DE 1856", isto é, sete anos depois da chegada à África dos primeiros "brasileiros";
FOGOS
Na Villa. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49
No local das Hortas. . . . . . . . . . . . . . . 5
Na Bôa Esperança. . . . . . . . . . . . . . . 26
Na Bôa Vista. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2
Nos Cavalleiros e Macalla. . . . . . . . .. . 3
Total 85
POPULAÇÃO LIVRE
Sexo masculino. . . . . . . . . . . . . . . . . 164
Ditto femenino. . . . . . .  . . . . . . . . . . .108
Total 272
POPULAÇÃO ESCRAVA
Sexo masculino. . . . . . . . . . .    . . . . .475
Ditto femenino. . . .. . . . . . . . . . . . . . .157
Total 632
54 Libertos do dois sexos.
PRÉDIOS CONCLUIDOS
Na Villa
De pedra. . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . .36
De adobe. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . 8
De pau a pique. . . . . . . . .  . . . . . . . . . 22
Cubatas de palha. .  . . . . . . . . . . . . ...106
Nas Hortas e Aguada
De adobe.. . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . 6
Cubatas de palha e pau a pique. . . . .. 410
Na Boa Esperança
De adobe. . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . .. 20
De pau a pique. . . . . . . . . . .. . . . . . .  727
Boa Vista
De adobe. . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . .   2
Nos Cavalleiros e Macalla
De pedra. . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . 1
De adobe. . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . .  23
PRÉDIOS EM CONSTRUÇÃO
Na Villa. . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . . .12
Nas Hortas... . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . 2
Na Boa Esperança. . . . . . . .. . . . . . . 5 19
Engenhos
Nos Cavalleiros (montado). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1
Ao que se deve acrescentar o seguinte "REZUMO DOS PRODUCTOS AGRICOLAS DURANTE O ANNO DE 1856":
Assucar 178 As Vendeu-se de 7.200 a 9.000 Rs. a. a.
Algodão 1.672 As. Regulou 600 reis por a. em carôço
Aguardente 41 ½ pipas Em todo o Districto

Aboboras 400 Somente de hum arimo
Batatas 5.405 As. Pode avaliar-se em mais um têrço
Bananas 400 cachos Somente de um arimo
Cará 4.247 As. Pode avaliar-se em mais um têrço
;Canna sacha 14 milheiros Regulou 20$ reis o milheiro
Farª de mandioca 8:170 Cazungueis. Pode avaliar-se em mais um têrço
Feijão 128 Dittos
Milho 813 Dittos
Azeite de carrapata Peqª quantidade
Hortaliças - grande quantidade"

E, ainda, êste, de "PRODUCTOS DE INDUSTRIA":
"Carne secca 612 as. Só em um estabelecimento e até agosto
Couros de boi 112 Só em um estabelecimento e até agosto
Peixe secco 12.600 Mattetes - Maior quantidade
Azeite de cação 206 pipas Ditto. . .ditto
Tijollo. . . . . . . . . 21 milheiros
Cal. . . . . . . . . . . . . 56 moiosAdobe. . . . . . . . . . 60 milheiros"
"Também êstes informes, que foram extraídos de livros MSS, hoje do arquivo da Câmara Municipal, devemo-los à gentileza do chefe da Secretaria da mesma Câmara, Sr. Artur Trindade".
São vários os amigos portuguêses do Oriente e da África a quem devo agradecimentos pelo modo por que me facilitaram a colheita de documentos e fotografias sôbre êste e outros assuntos luso-tropicais, afins do versado neste pequeno ensaio.
[voltar]
3 Manuel Júlio Mendonça Torres - O Distrito de Moçamedes nas fases da Origem e da Primeira Organização, (1485 - 1859), Lisboa 1950, pag. 511 [voltar]
4 Negro Anthology, organizada por Nancy Cunard, Londres 1934, pag. 679. [voltar]
5 Negro Anthology, cit., pag. 688. [voltar]
6Londres, 1951, Pag. 137. [voltar]
7 Londres, Nova Iorque e Toronto, 1949, pag. 55. [voltar
Fonte: FREYRE. Gilberto. Em tôrno de alguns túmulos afro-cristãos. Salvador: Livraria Progresso; Editora e Universidade da Bahia, [1959]. 88p. il. (Coleção de estudos brasileiros. Série Marajoara, n.26).
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"Também estes informes, que foram extraídos de livros MSS, hoje do arquivo da Câmara Municipal, devemo-los a gentileza do chefe da Secretaria da mesma Câmara, Sr. Artur Trindade". São vários os amigos portuguêses do Oriente e da África a quem devo agradecimentos pelo modo por que me facilitaram a colheita de documentos e fotografias sôbre êste e outros assuntos luso-tropicais, afins do versado neste pequeno ensaio. [voltar] 3 Manuel Júlio Mendonça Torres - O Distrito de Moçamedes nas fases da Origem e da Primeira Organização, (1485 - 1859), Lisboa 1950, pag. 511 [voltar] 4 Negro Anthology, organizada por Nancy Cunard, Londres 1934, pag. 679. [voltar] 5 Negro Anthology, cit., pag. 688. [voltar] 6Londres, 1951, Pag. 137. [voltar] 7 Londres, Nova Iorque e Toronto, 1949, pag. 55. [voltar]»
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Manuel Julio de Mendonça Torres, avança também a relação de bens imóveis contituidos no distrito no periodo de 1860 a 1879:
Casas de moradia dos colonos:, Igreja de Santo Adrião, Fortalezas de S. Fernando e de Capangombe, Palácio do Governador, Obelisco a Sá da Bandeira, Jardim da Colónia,  vias de trânsido, traçado e arruamentos,outras obras, incluindo estrada para Capangombe, a primeira Ponte de cais, Alfândega, Hospital,  Matadouro e Cemitério. 

Em 1860, com o governador António de Castro Mossamedes muniu-se de 35 habitações de pedra, 128 de adobe, 26 de pau a pique, 93 cubatas e 6 outros em construções, num total de 288 babitações. Enquanto no Bumbo 1 habitação de pedra, 28 de pau a pique, 150 cubatas e 3 em construção, total 183. Total geral distrito 470.

Em 1865 com o Governador Fernando Leal, vem mencionado apenas que na vila de Mossamedes e subúrbios havia 207 habitações de europeus. Prédios de pedra 36, adobe, 128, um excesso de 43 sobre 1860 (207-164). Houve pois no distrito 43 prédio pa europeus no ano 1865 em confronto com 1860.

Em 1867 vm mencionado em Mossamedes, 18 prédios de pera, 202 de adobe, 4 de pau a paique, 100 cubatas, 40 em construção total 364 e no Bumbo 4 de pedra, 9 de adobe, 48 de pau a pique, 90 cubatas e 7 em construção, total 158. Total geral 322

Em 1868, em Mossamedes 18 predios de pedra, 205 de adobe, 3 de pau a pique, 100 cubatas e 46 em construção, total 372. No Bumbo 5 de pedra, a0 de adobe,53 de pau a pique, 100 cubatas e 3 em construção, total 171. Total geral 543


Segundo indicações em textos firmados por governadores distritais, os aglomerados de todo o distrito contavam no ciclo de 1868, 543 prédios. Confrontando a totalidades dos prédios em 1859 (207) verifica-se que  em apenas 9 anos  foi no ano 1868 de mais 336 quase proximo do dobro.


Com o aumento da extensão do casario alargou-se a extensão da vila, prolongaram-se as ruas existentes e abriram-se novas ruas, conservando a regularidade dos alinhamentos, conforme planta de Fernando Leal, mas nem sempre se mantiveram as denominações das primeiras.


Em 1868 as ruas principais paralelas à praia eram assim denominadas:  Rua da Praia do Bonfim, Rua dos Pescadores, Rua do Alferes, Rua de Calheiros e Rua da Boa Vista.  As ruas transversais denominavam-se:  dos Prazeres e de S. João que contornavam a Praia do Bonfim,  da Alagria e do Bonjardim, que atravessavam a de Calheiros ; e a Formosa que cruzava com a da Boa Vista. Havia além disso as Travessas de S. António, da Candela, da Alfândega e das Flores, que partiam da Rua Praia do Bonfim e terminavam na Calheiros.

O cenário geral que a vila apresentava melhorara bastante. e continuava a predominar a linha recta na disposição dos arruamentos,  a imprimir ao traçado a forma quadriculada de um tabuleiro de damas. Repetiam-se os prédios particulares dee um só piso mas vendo-se já duas casas de primeiro andar, a de João Duarte d'Almeida e aquela onde morou e tinha o seu escritório o advogado José Júllio Zuarte de Mendonça, ambas na Rua do Bonfim. Destaca-se a obra imponente do Palácio do Governador em cuja frontaria se rasgavam três janelas de sacada. As ruas mantinham-se sem iluminação e sem empedramento, o que viria a acontecer no periodo imediatamente a seguir.


Tambem neste periodo se procedeu à arborização de praças e ruas da villa. Segundo Costa Cabral foram plantadas as primeiras espécies de "eucaliptos globulus" e várias outras de graciosas palmeiras por iniciativa e diligência do Dr. Lapa e Faro. 


Segundo o jornalista João Chagas na sua obra "Diário de um condenado político" , 1892-1893, pg 47, Mossamedes distinguia-se pelo asseio e pelas suas crianças belas e sadias não obstante não ser próspera, não fornecer cera, marfim, café, borracha... , sinal adaptação sol de Africa. E ainda: "a sua população é branca, e o interior das suas casinhas pintadas a cal, oca, anil, vermelhão, guarda na disposição dos móveis , na colocação dos quadros, a tradição dos nossos interiores familiares de Portugal."

Fontes:
Conspecto imobiliário do Distrito de Mossãmedes no ciclo 1860 a 1879, por Manuel Julio de Mendonça Torres


1 comentário:

  1. Rico em factos históricos, o seu blogue é um documento memorável da presença portuguesa em África. Parabéns!
    Fico muito honrada por ter editado algumas fotografias da minha colecção particular contudo, agradeço-lhe que faça referência à proveniência das mesmas (© Colecção de Ângela Camila Castelo-Branco e António Faria).

    Ângela Camila Castelo-Branco

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