Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












terça-feira, 14 de agosto de 2007

Visita a Moçâmedes do Principe Real, Dom Luiz Filipe de Bragança, acompanhado de Paiva Couceiro, no ano de 1907


Uma rua do "centro histórico" de Moçâmedes, à data da visita do Princípe Real Dom Luiz Filipe de Bragança, onde se pode ver um "arco triunfal", ostentando no topo 2 bandeiras da Monarquia, como era comum erguerem em ocasiões muito especiais.
Foto retirada de IICT. Uma foto que guarda história,  muita História!



O  CONTEXTO DA ÉPOCA




A SITUAÇÃO NAS COLÓNIAS ÀS VÉSPERAS DA VISITA DE DOM LUIZ




Esta visita às colónias de África, realizada entre 1 de Julho e 27 de Setembro de 1907, aconteceu num momento muito particular da vida da Nação portuguesa. Dois meses antes, com as Cortes encerradas, João Franco  é chamado ao poder por Dom Carlos, este não consegue o apoio do Partido Progressista e, não podendo governar à inglesa, passou a governar em ditadura, tendo as medidas repressivas provocado forte descontentamento em todos os sectores da sociedade desde republicanos e restantes partidos  empenhados na tomada do poder, gerado grande o ódio à monarquia e ao Rei sob a acção da Maçonaria e da Carbonária, situação que levaria ao regicidio. A  crise económica e financeira, que desde 1890 levara Bancos e empresas à falência. As dificuldades eram enormes,  o descontentamento generalizado. Um panorama de agitação permanente. A pequena e média burguesia confrontava-se com o aumento dos impostos, a inflação disparara, e o povo confrontava-se com o desemprego, com baixos salários e com o aumento das horas de trabalho. 


evido aos desentendimentos entre os diversos partidos monárquicos e à agitação no Parlamento (Assembleia Legislativa) o rei D. Carlos entregou a chefia do Ministério (governo) a João Franco, do Partido Regenerador Liberal, em Maio de 1906. João Franco passou a dirigir o País de forma ditatorial, o que provocou forte oposição por parte dos republicanos e dos restantes partidos monárquicos. A 10 de Maio de 1907, o Parlamento foi encerrado, o que reforçou a ditadura de João Franco, apoiada pelo rei D. Carlos.

Ler mais: http://historianove.webnode.pt/news/portugal%3A-crise-e-queda-da-monarquia-em-portugal-e-a-revolu%C3%A7%C3%A3o-republicana-a-i-republica/
evido aos desentendimentos entre os diversos partidos monárquicos e à agitação no Parlamento (Assembleia Legislativa) o rei D. Carlos entregou a chefia do Ministério (governo) a João Franco, do Partido Regenerador Liberal, em Maio de 1906. João Franco passou a dirigir o País de forma ditatorial, o que provocou forte oposição por parte dos republicanos e dos restantes partidos monárquicos. A 10 de Maio de 1907, o Parlamento foi encerrado, o que reforçou a ditadura de João Franco, apoiada pelo rei D. Carlos.

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evido aos desentendimentos entre os diversos partidos monárquicos e à agitação no Parlamento (Assembleia Legislativa) o rei D. Carlos entregou a chefia do Ministério (governo) a João Franco, do Partido Regenerador Liberal, em Maio de 1906. João Franco passou a dirigir o País de forma ditatorial, o que provocou forte oposição por parte dos republicanos e dos restantes partidos monárquicos. A 10 de Maio de 1907, o Parlamento foi encerrado, o que reforçou a ditadura de João Franco, apoiada pelo rei D. Carlos.

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evido aos desentendimentos entre os diversos partidos monárquicos e à agitação no Parlamento (Assembleia Legislativa) o rei D. Carlos entregou a chefia do Ministério (governo) a João Franco, do Partido Regenerador Liberal, em Maio de 1906. João Franco passou a dirigir o País de forma ditatorial, o que provocou forte oposição por parte dos republicanos e dos restantes partidos monárquicos. A 10 de Maio de 1907, o Parlamento foi encerrado, o que reforçou a ditadura de João Franco, apoiada pelo rei D. Carlos.

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evido aos desentendimentos entre os diversos partidos monárquicos e à agitação no Parlamento (Assembleia Legislativa) o rei D. Carlos entregou a chefia do Ministério (governo) a João Franco, do Partido Regenerador Liberal, em Maio de 1906. João Franco passou a dirigir o País de forma ditatorial, o que provocou forte oposição por parte dos republicanos e dos restantes partidos monárquicos. A 10 de Maio de 1907, o Parlamento foi encerrado, o que reforçou a ditadura de João Franco, apoiada pelo rei D. Carlos.

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evido aos desentendimentos entre os diversos partidos monárquicos e à agitação no Parlamento (Assembleia Legislativa) o rei D. Carlos entregou a chefia do Ministério (governo) a João Franco, do Partido Regenerador Liberal, em Maio de 1906. João Franco passou a dirigir o País de forma ditatorial, o que provocou forte oposição por parte dos republicanos e dos restantes partidos monárquicos. A 10 de Maio de 1907, o Parlamento foi encerrado, o que reforçou a ditadura de João Franco, apoiada pelo rei D. Carlos.

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As associações humanitárias acusavam Portugal da prática de escravatura em S. Tomé. Nas colónias de África, a resistência do gentio revoltado contra a ocupação dos territórios era motivo de preocupação. Portugal era acusado de esclavagismo em S. Tomé e Príncipe e tornava-se necessário refutar tais acusações, segundo o governo português, motivadas por rivalidades comerciais. Na ilha do Príncipe, poucos dias antes da chegada de Dom Luiz, rebentara uma revolta, tendo o navio África, que transportava a delegação oficial acabado por não se deslocar ali. Revoltas ocorreram também no sul de Angola que preocupavam o Governo. Aconteceram também as Campanhas dos Dembos. Aliás na passagem por Luanda, em 11 de Setembro de 1907,  D Luiz Filipe passou revista às tropas comandadas por João de Almeida que iam erguer fortificações na região, a fim de a submeter, situação vista como triunfo de João Franco. Era a primeira vez que as colónias  portuguesas recebiam a visita oficial de um membro da Família Real.
evido aos desentendimentos entre os diversos partidos monárquicos e à agitação no Parlamento (Assembleia Legislativa) o rei D. Carlos entregou a chefia do Ministério (governo) a João Franco, do Partido Regenerador Liberal, em Maio de 1906. João Franco passou a dirigir o País de forma ditatorial, o que provocou forte oposição por parte dos republicanos e dos restantes partidos monárquicos. A 10 de Maio de 1907, o Parlamento foi encerrado, o que reforçou a ditadura de João Franco, apoiada pelo rei D. Carlos.

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evido aos desentendimentos entre os diversos partidos monárquicos e à agitação no Parlamento (Assembleia Legislativa) o rei D. Carlos entregou a chefia do Ministério (governo) a João Franco, do Partido Regenerador Liberal, em Maio de 1906. João Franco passou a dirigir o País de forma ditatorial, o que provocou forte oposição por parte dos republicanos e dos restantes partidos monárquicos. A 10 de Maio de 1907, o Parlamento foi encerrado, o que reforçou a ditadura de João Franco, apoiada pelo rei D. Carlos.

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evido aos desentendimentos entre os diversos partidos monárquicos e à agitação no Parlamento (Assembleia Legislativa) o rei D. Carlos entregou a chefia do Ministério (governo) a João Franco, do Partido Regenerador Liberal, em Maio de 1906. João Franco passou a dirigir o País de forma ditatorial, o que provocou forte oposição por parte dos republicanos e dos restantes partidos monárquicos. A 10 de Maio de 1907, o Parlamento foi encerrado, o que reforçou a ditadura de João Franco, apoiada pelo rei D. Carlos.

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evido aos desentendimentos entre os diversos partidos monárquicos e à agitação no Parlamento (Assembleia Legislativa) o rei D. Carlos entregou a chefia do Ministério (governo) a João Franco, do Partido Regenerador Liberal, em Maio de 1906. João Franco passou a dirigir o País de forma ditatorial, o que provocou forte oposição por parte dos republicanos e dos restantes partidos monárquicos. A 10 de Maio de 1907, o Parlamento foi encerrado, o que reforçou a ditadura de João Franco, apoiada pelo rei D. Carlos.

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evido aos desentendimentos entre os diversos partidos monárquicos e à agitação no Parlamento (Assembleia Legislativa) o rei D. Carlos entregou a chefia do Ministério (governo) a João Franco, do Partido Regenerador Liberal, em Maio de 1906. João Franco passou a dirigir o País de forma ditatorial, o que provocou forte oposição por parte dos republicanos e dos restantes partidos monárquicos. A 10 de Maio de 1907, o Parlamento foi encerrado, o que reforçou a ditadura de João Franco, apoiada pelo rei D. Carlos.

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evido aos desentendimentos entre os diversos partidos monárquicos e à agitação no Parlamento (Assembleia Legislativa) o rei D. Carlos entregou a chefia do Ministério (governo) a João Franco, do Partido Regenerador Liberal, em Maio de 1906. João Franco passou a dirigir o País de forma ditatorial, o que provocou forte oposição por parte dos republicanos e dos restantes partidos monárquicos. A 10 de Maio de 1907, o Parlamento foi encerrado, o que reforçou a ditadura de João Franco, apoiada pelo rei D. Carlos.

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Ao nível da Imprensa,  a partida de Luíz Filipe, que abandonava Portugal em tempo de crise, surtiu reações diversas, motivando uma acesa discussão em torno da pertinência da viagem, que o ministro da Marinha e Ultramar, Aires de Ornelas, considerou uma «campanha movida contra a viagem na imprensa política». Se de início esta viagem tinha o propósito de permitir ao ministro do Ultramar fiscalizar o sistema de serviçais em Luanda e São Tomé, e de perceber se ali a escravatura ainda era praticada, juntando-se o príncipe a  périplo, ela tomou uma visibilidade bem mais vasta. Além do mais, a visita estender-se-ia a Moçambique, África do Sul e Cabo Verde com a duração de três meses – de 1 de Julho a 28 de Setembro – e a sua importância fez com que fosse além do problema da escravatura. De resto, era relativamente conhecida a curiosidade e o interesse do jovem príncipe pelas colónias.

Em 27 de Setembro de 1907, Dom Luiz Filipe e comitiva regressaram da sua viagem a terras de África. Em Dezembro desse  ano, são  convocadas eleições para 5 de Abril de 1908. Em 28 de Janeiro ocorreu uma tentativa de revolução republicaEm 31 de Janeiro um decreto atribuiu ao governo a a faculdade de expulsar do reino ou fazer transportar para uma província ultramarina aqueles que, uma vez reconhecidos culpados pela autoridade judicial competente, importe à segurança do Estado, tranquilidade pública e e interesses gerais da nação, afastar sem mais delongas do meio com que se mostraram e tornaram perigosa e contumazmente incompatíveis. 27 de Setembro de 1907, Em 1 de Fevereiro de 1908, aconteceu o regicídio

 A viagem do Príncipe foi o acontecimento político mais importante da sua jovem vida, até porque era o primeiro membro da família real a fazer tal viagem. Apesar de em certos aspectos  a viagem do Principe ser tida por indefesa e insegura, todos regressaram sãos e salvos. A recordação da sua visita mantém-se ainda viva, na memória dos velhos colonos, com um misto de simpatia, saudade e respeito pela memória desse infor­tunado Príncipe. Não se podia imaginar  que Dom Luiz que escapara às perigosidades e instabilidades de uma África em ebulição, não iria escapar a  uma tragédia terrível que iria acontecer poucos meses depois,  abalando a Família Real, o Reino de Portugal e os restantes Reinos com os quais a Família Real tinha ligações de parentesco e afinidades: o Regicídio.

Sobre o autor assassino de El-Rei D. Carlos e de Dom Luiz há notícias de que este teria fugido para S. Tomé e para Moçâmedes... De seu nome José Nunes, intervencionista do grupo “Os Mineiros”, encontrava-se no Terreiro do Paço quando disparou sobre o Príncipe Dom Luís Filipe, e foi  nele que a rainha D. Amélia bateu com um ramo de flores, ao mesmo tempo que o retratou em esboço.   Fugido para S. Tomé e Moçâmedes e depois regressado a Lisboa, a polícia nunca o encontrou. Antes de morrer, segundo Casimiro da Silva, «no quarto de dormir, tinha, sobre a cómoda, voltado para o leito um grande retrato de Dom Luís Filipe» - o Príncipe a quem ele tirara a vida. «Todos os dias, ao despertar, para ele olhava, repetindo a pergunta - título do seu livro: E Para Quê? Retenha-se que sobre o regicidio deixou  importantes revelações após 1915 que esclarecem o atentado em livros como "A Bomba Explosiva e Para quê?".


A VISITA A MOÇÂMEDES DO PRÍNCIPE REAL DOM LUIZ FILIPE DE BRAGANÇA. A SUBIDA DA VILLA DE MOÇÃMEDES A REAL CIDADE



O Príncipe Real Dom Luíz Filipe de Bragança (1887-1908), de seu nome completo, Luís Filipe Maria Carlos Amélio Fernando Victor Manuel António Lourenço Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis Bento de Bragança Orleães Sabóia e Saxe-Coburgo-Gota, filho do Rei Dom Carlos I e da Rainha Dona Amélia, vindo da Cidade do Cabo, visitou as colónias portuguesas de São Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique e Cabo Verde, e as colónias britânicas da Rodésia e África do Sul, entre 1 de Julho e 27 de Setembro de 1907, e esteve em Moçâmedes  no dia  4 de Agosto de 1907,  58 anos após a sua fundação, dia em que a então villa ascendeu  a "real cidade"(1855-1907).

Tinha passado década e meia após esses momentos particularmente significativos das querelas internacionais que haviam eclodido, relacionadas com a tutela portuguesa no imenso território que ocupava, deveras cobiçado e considerada necessária ao progresso europeu.

Desde a Conferência de Berlim, em 1885, que reuniu líderes europeus, dividiu África pelas potências coloniais, definiu fronteiras tal como existem hoje, as nações europeias tinham imposto a Portugal a ocupação efectiva dos territórios que por direito histórico reivindicava em África. Portugal detinha o direito histórico (de conquista/1482), mas não procedera ainda à ocupação efectiva. Tinha que povoar com famílias idas da Metrópole, e desenvolver economicamente os territórios que por direito histórico reivindicava, sob pena de ter que os ceder a outra potência em condições de colonizar de facto.

Portugal era então uma potência menor face à Inglaterra e à Alemanha, um império enfraquecido que desde 1822, com a independência do Brasil, havia perdido a sua maior fatia. Nesta Conferência,  apresentou o célebre Mapa cor-de-rosa, numa tentativa de ver internacionalmente reconhecida a seu favor a posse do território entre Angola a Moçambique, que tinha sido demarcado pelos exploradores Serpa Pinto, Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens, de modo a facilitar o comércio e o transporte de mercadorias entre Angola e Moçambique. Mas a Inglaterra não aceitou o projecto e avançou com o Ultimato Inglês de 1890, ameaçando com guerra se Portugal não se retirasse do referido território. Portugal viu-se obrigado a recuar nas suas pretensões, atitude que feriu o orgulho nacional, e levou a campanhas de exaltação de patriotismo, e à exortação à partida de famílias portuguesas para aqueles territórios de além-mar, efectuadas através de periódicos e de editais colocados nos átrios das Igrejas.

É comum ouvir-se que o 3º quartel do século XIX  foi em Moçâmedes um período de grande desenvolvimento, como vila e concelho. Por um lado colonos, por outro mão de obra escrava e semi-escrava para ali enviada para trabalhar nas explorações coloniais.

A nova ordem imposta e impulsionada pela Revolução Industrial, e que levou à partilha de África pelas potências europeia, foi a mesma que levou à abolição do tráfico de escravos, mas não da escravatura interna, considerada imprescindível  para o avanço e a consolidação da actividade económica a braços com a falta de mão de obra. Foi ela que veio incrementar o comércio com os africanos do interior, e que  levou ao surgimento de novas estruturas, ao alargamento do espaço urbano de onde partiam todas iniciativas.

Por esta altura governava em Angola Paiva Couceiro  (1907/1910, o herói de Norton de Matos, considerado um visionário, intransigente e pragmático suficiente para conseguir libertar-se das directivas impostas pelo Terreiro do Paço e as administrações locais. Paiva Couceiro sabia que dominar o território, passava por ocupar fronteiras, obrigar as autoridades gentílicas insubmissas a submeterem-se à governação, gerar a estabilidade suficiente para que as caravanas de longo curso pudessem circular, e concretizar o pagamento do imposto de cubata. Como governador geral, deu prioridade à abertura de rotas comerciais para o interior através de rodovias, (algumas simples picadas) deu início ao Caminho-de-ferro de Moçâmedes, de Benguela e de Malange que ficou concluído em 1909.
 

 O navio  «África» onde o Príncipe viajou


Este postal, que se pensa ter feito parte da colecção editada por ocasião desta visita, em 1907, retrata um belo trecho da muito frequentada Avenida D. Luíz, que após 1910 passaria a chamar-se Avenida da República. À esq. o tradicional Coreto demolido na sécada de 1950, onde aos domingos bandas de música iam tocar, e onde, em 1907, tocou para o Príncipe a banda militar da Marinha. À direita, pode-se ver uma espécie de palanque, onde se pensa tenha o príncipe assistido, juntamente com os elementos da comitiva a um espectáculo musical.


Outro postal da mesma época e da mesma colecção, mostrando um belo trecho da Avenida D. Luis, com elegantes passeando (elementos femininos da Comitiva?, elite feminina de então?)



Trecho romântico do Jardim da Avenida Dom Luiz, de Moçâmedes. Parte das históricas casas térreas, à dt, que lamentavelmente, em parte, já ruiram



2. O acolhimento em Moçâmedes


Era pouco antes da 1 hora da tarde do dia 1 de Julho, quando o Principe Real Dom Luiz Filipe e Comitiva partiram de Lisboa, no navio África, festivamente engalanado, rumo às terras de África.
 
O comandante do navio, Guilherme A. Vidal Júnior, dá-nos no seu livro, uma descrição pormenorizada da viagem, da vida a bordo, da chegada aos portos, das recepções e festejos em homenagem ao Principe, que partira em viagem de estudo das actividades económicas e dos povos formados por gentes várias, algumas «estranhas, ligadas fortemente pêlos elos da mesma fé cristã, da mesma língua e dos mesmos sentimentos de amor pátrio».

O Principe desde criança fora sendo preparado para o penoso ofício de rei, como primogénito e herdeiro presuntivo do trono. Segundo o comandante, mostrando a sua simplicidade, afabilidade de trato e comunicabilidade, o Principe D. Luiz mandava convidar, enquanto a bordo do navio, diariamente, para almoçarem à sua mesa, dois passageiros, começando os convites pelos primeiros a desembarcar nos portos da escala.

O navio chegou a Luanda no dia 17, tendo a recebê-lo o capitão de arti­lharia Henrique de Paiva Couceiro, ilustre Governador-Geral de Angola, que três anos depois viria a ser reconhecido como o mais dedicado servidor da coroa.Depois de ter escalado o Lobito, o África rumou para Moçâmedes, onde o Principe Real teve acalorada recepção. Aliás, desde que em Moçâmedes se teve conhecimento da notícia da visita do Príncipe Real Dom Luís Filipe às colónias de África, e que visitariauela villa, a população e entidades oficiais logo se empenharam com entusiasmo na tarefa de uma recepção condigna, onde não podiam faltar os tradicionais festejos populares. Desde logo foram nomeadas comis­sões, fizeram-se programas, prepararam-se patrióticos discursos, procedeu-se a uma iluminação especial com archotes em toda a falésia até à Ponta do Pau do Sul, na Avenida e em outras ruas da vila, importou-se o fogo de artifício directamente de Portugal.





 
 
 
Após a visita a Lourenço Marques (Moçambique) e à Cidade do Cabo, o navio presidencial rumou novamente para Angola. À chegada a Moçâmedes receberam a notícia de que o capitão Roçadas que dirigia as tropas portugueses conseguira mais uma vitória para a pacificação de Angola. Dando cumprimento ao acordado na Conferência de Berlim, que apenas reconhecia a pertença de um território se este estivesse ocupado militarmente, Portugal procurou  conquistar o Cuamato, no sul de Angola, que apesar de várias tentativas, apenas em 1907, com tropas indígenas e metropolitanas comandadas por Alves Roçadas, se conseguiria a total anexação e pacificação do território (Serrão, 1988, p.251).

Colaboraram na organização dos festejos e da recepção a Associação de Comerciantes, a Câmara Muni­cipal, e ambos os organismos ajudados pelo povo, tomaram a cargo a construção de um "arco triunfal" em honra do Príncipe, para que as festas a todos deslumbrasse, europeus, africanos e mistos.

Foi organizado um grandioso baile de gala, para o qual foram convidadas as chamadas "forças viva" da villa, e tudo isto não aconteceu sem que antes tivessem sido enviados telegramas, via Cabo Submarino para Londres, Paris e Lisboa, que, de entre outros assuntos, tratavam de assuntos triviais, tais como remessas urgentes de chapéus altos, vestidos, casacas, sobre-casacas, etc.etc. Importa referir que, ainda que muitíssimo reduzida, por esta altura, Moçâmedes já exibia a sua pequena burguesia, que desde a fundação fora impulsionada pelos mais importante componentes das 1ª e 2ª colónias vindas de Pernambuco (Brasil), ali chegados nos anos de 1849 e 1850, transportando consigo na bagagem seus pianos, seus quadros emoldurados em talha dourada, seus móveis de jacarandá.

Dom Luiz deliciou-se com a vegetação tropical, privou com os sobas e com a população nativa que, exibindo expressivos arranjos musicais com instrumentos locais, prestaram-lhe as sentidas homenagens e juraram-lhe fidelidade.

Assim vem descrito em todos os relatos desta viagem. Esse mesmo Príncipe que tomava a imaginação do sector feminino do pequena burgo como se tratasse de um príncipe dos maravilhosos contos de fadas. Aliás, o Príncipe deixou recordações que perduraram, pela sua figura, pelas suas maneiras, e pelo seu fino trato.

Mas não houve só festas. Tratou-se também de uma viagem de estudo das actividades económicas e de outros assuntos de alta gravidade. Aproveitando a visita do Príncipe Dom Luiz foi inaugurado o primeiro troço, de 67 Kms, do Caminho de Ferro de Moçâmedes, mal se imaginando na altura que o comboio só chegaria a Sá da Bandeira (Lubango), local de destino que perdurou até décadas após.

A recordação desta visita manteve-se viva na memória dos colonos mais velhos, com um misto de simpatia, saudade e respeito pela memória desse infor­tunado príncipe que representava as maiores esperanças, pela sua educação, seu carácter, patriotismo e inteligência. Conforme referiu o Sexto Marquês de Lavradio nas suas memórias:
«… era alto, louro, tipo nortenho, cultivava os desportos, principalmente o automobilismo e a caça.» detentor de uma educação «...muito cuidadosa tanto sob o ponto de vista científico como moral e ambos tinham além de uma funda cultura uma verdadeira noção da honra, da lealdade e do dever. (...) 
«… era mais inteligente que o vulgar, sendo ao mesmo tempo o homem mais leal, mais franco, mais nobre, mais valente que tenho conhecido. Falava pouco e devagar e ouvia sempre com atenção.». «Seu Augusto Pai tinha-o preparado para ser um seu digno sucessor. A sua vinda ao Ultramar obedecia aos desejos de El-Rei que considerava que tal pre­paração não seria completa sem que Sua Alteza conhecesse as nossas possessões ; correspondia ainda ao desejo do próprio Príncipe que também assim pensava.»

Refere o marquês nas suas memórias que Sua Alteza quando na Câmara Municipal de Pretória teve de responder às mensagens que lhe foram dirigidas, o fez de forma brilhante, realçando factos históricos do passado e do presente da África do Sul, revelando conhecimento sobre a vida do país que bem paten­teavam o cuidado e a seriedade dos seus estudos.

Com uma parca comitiva o Príncipe foi aclamado pela população, por todo o lado por onde passou, desfiles tiveram lugar nas ruas, por entre arcos enfeitados a rigor, perante uma entusiástica e expressiva população.

 
 
O Principe viajou na companhia do Ministro do Ultramar, Aires de Orneias c VasconcelosNão faltou a tradicional Parada de indígenas do Sul, desenrolada na vasta Avenida D. Luiz (mais tarde denominada Avenida da República), onde desfilaram as várias tribos da região, e onde teve lugar o mais grandioso batuque de que há memória, considerado um pormenor importantíssimo, a incluir no programa, visto como testemunho vivo da confiança de Portugal e dos portugueses junto dos povos nativos, da harmonia das relações, e da lealdade desses mesmos povos que compartilhavam com a população o seu grande regozijo pela visita de um Prín­cipe da Casa Real, em carne e osso.





Trata-se do pavilhão onde foi assinada a acta do lançamento da primeira pedra da Estação dos Caminhos de Ferro de Mossâmedes. Colecção particular. Do blog anicetomonteiro, Ver AQUI


 
Outra foto do dia da inauguração dos Caminhos de Ferro de Moçâmedes. Do blog anicetomonteiro

Ver AQUI




O Príncipe Dom Luíz Filipe de Bragança  em Luanda, com o capitão de arti­lharia Henrique de Paiva Couceiro,  Governador-Geral de Angola  Um facto curioso: no dia 17 de Julho de 1907, desembarca em Luanda o príncipe D. Luís Filipe que era acompanhado pelo ministro da Marinha e Ultramar, Aires de Ornelas. Paiva Couceiro assumiu todas as despesas das cerimónias que orçaram em 5 contos de réis, sem ter pedido o seu reembolso oficia




Dom Luiz Filipe e a Comitiva em foto tirada em Moçambique. Retirada deTHE DELAGOA BAY WORLD



 

O desembarque em Moçambique, em foto retirada deTHE DELAGOA BAY WORLD

 

 


 3. O regresso à Metrópole, e no ano seguinte o regicídio



De Moçamedes, sempre recebido com os já habituais festejos, o príncipe subiu a costa angolana, conhecendo cidades como Benguela e Lobito, chegando novamente à capital daquela província. As festividades em tempo de guerra receberiam forte crítica do jornal O Dia que em Lisboa apregoava:

«Em Angola dança-se e morre-se!». Este diário comentava, acerca da despedida de D. Luís Filipe em Angola que enquanto ocorria o baile de gala se morria nos confrontos do Cuamato a apenas alguns quilómetros de distância.


Citando Raul Brandão, D. Carlos aponta a África a uma plêiade brilhante de oficiais, que ele próprio incita, compreendendo que o grande Portugal é outro, e que esta faixa de terreno, com um clima agrícola horrível, só pode ser vinha e um lugar de repouso e prazer. De lá, desse novo Brasil - dos extensos planaltos de Angola, que duas vezes por ano produzem trigo -, tem de nos vir o oiro e o pão. O resto é visão de pequenos estadistas de trazer por casa. Só ele fala (e sonha) num Portugal Maior, e num Portugal esplêndido (I, p. 229) 

 Pelo contrário, Sampaio Bruno dizia na altura: o regicídio é, seguramente, um acto condenável, mas o despotismo não o é menos. O tiranicídio é, na verdade, um crime mas a tirania é também um crime (apud Joel Serrão, pp.74-75)
Como dirá Raul Brandão, se o deixam viver, tinha sido um dos maiores reis da sua dinastia (I, 228). Segundo o mesmo autor, se o rei tratava os políticos como lacaios, tratava a gente do povo com extrema bondade. Terá mesmo dito viver em um país de bananas governado por sacanas.
Como reconheceu Guerra Junqueiro nas anotações que fez a Pátria (apud Raul Brandão, II, pp. 207-208): a revolução urgente não era social nem política, era moral. Nem havia a escolher entre monarquia e república, pois que, para escolher entre duas coisas, é necessário existiremA segurança da pátria exigia inadiavelmente à frente do governo um homem de superior inteligência, de altivo carácter, de ânimo heróico e resoluto. Era-o D. Carlos? Obedeceríamos a D. Carlos. Uma alma, uma vassoira e uma carroça, de nada mais precisava. Varrer, limpeza geral, pôr isto decente.O tiro no rei e no príncipe real matou o próprio sistema político e anunciou o fim da monarquia. Em Agosto de 1907, em pleno Conselho de Estado, Júlio de Vilhena chegou a proclamar: isto termina fatalmente por um crime ou por uma revolução[2]. O crime aconteceu com o  regicídio; a revolução, com a instauração da república. O jogo rotativista conduzira à tragédia. O salto em frente de João Franco acelerara-a[3]



Pesquisa e texto
MariaNJardim

Ver tb Visita do Principe a Moçambique AQUI


inhttp://www.trasosmontes.com/forum/viewtopic.php?p=7749&sid=c3fb49d3eb86cc80e7d1d37ada69332f
http://www.dcarlos100anos.pt/dluisfilipe2.html

IMPRENSA DA ÉPOCA

http://www.youtube.com/watch?v=TjEGx1RSWoI
http://www.regicidio.org/indexmain.htm







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