Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












terça-feira, 14 de agosto de 2007

Visita a Moçâmedes do Principe Real, Dom Luiz Filipe de Bragança, acompanhado de Paiva Couceiro, no ano de 1907


Uma rua do "centro histórico" de Moçâmedes, à data da visita do Príncipe Real Dom Luiz Filipe de Bragança, onde se pode ver um "arco triunfal", ostentando no topo 2 bandeiras da Monarquia, como era comum erguerem em ocasiões muito especiais.
Foto retirada de IICT. Uma foto que guarda história,  muita História!



“Foram-se-nos mais de três partes do Império de Além-Mar e Deus sabe que dolorosas surpresas nos reserva o Futuro ...”
Mouzinho de Albuquerque
(in, carta ao Príncipe D. Luís Filipe de Bragança)




1. O CONTEXTO HISTÓRICO:





O Príncipe Real Dom Luíz Filipe de Bragança (1887-1908), de seu nome completo, Luís Filipe Maria Carlos Amélio Fernando Victor Manuel António Lourenço Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis Bento de Bragança Orleães Sabóia e Saxe-Coburgo-Gota, filho do Rei Dom Carlos I e da Rainha Dona Amélia, vindo da Cidade do Cabo, visitou as colónias portuguesas de São Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique e Cabo Verde, e as colónias britânicas da Rodésia e África do Sul, entre 1 de Julho e 27 de Setembro de 1907, e esteve em Moçâmedes  no dia  4 de Agosto de 1907,  58 anos após a sua fundação, dia em que a então villa ascendeu  a "real cidade"(1855-1907). Era a primeira vez que as colónias  portuguesas recebiam a visita oficial de um membro da Família Real.  

Esta visita aconteceu num momento muito particular da vida da Nação portuguesa, numa altura em que problemas graves, internos e externos, ocorriam tanto no Portugal metropolitano como no além-mar africano. com a decadência da Monarquia e com a alvorada da República, em que a tutela portuguesa no imenso território de uma África cobiçada e considerada necessária ao progresso europeu, era colocada em cheque.

As revoltas no sul de Angola não estavam resolvidas, como mostravam os revezes sofridos em Setembro de 1904 pelos expedicionários portugueses no Cuamato, em que um guia ovimbundo que fora deportado para o Humbe os levara a cair numa emboscada em Umpungo.  Por outro lado as associações humanitárias acusavam Portugal de estar a praticar a escravatura. O pequeno Portugal tinha de se haver contra o Golias germânico, entre outros. O domínio e a influência dos portugueses, por antigas que fossem, podiam a todo o momento ser contestadas quer pelos vizinhos do sudoeste africano alemão quer pelos populações autóctones revoltadas.

Paiva Couceiro  (1907/1910) era então Governador Geral de Angola,  considerado um visionário, intransigente e pragmático suficiente para conseguir libertar-se das directivas impostas pelo Terreiro do Paço e as administrações locais. Ele sabia que dominar o território passava por ocupar fronteiras, obrigar as autoridades gentílicas insubmissas a submeterem-se à governação, gerar a estabilidade suficiente para que as caravanas de longo curso pudessem circular, e concretizar o pagamento do imposto de cubata. Como governador geral, deu prioridade à abertura de rotas comerciais para o interior através de rodovias, (algumas simples picadas) aos Caminhos-de-ferro de Moçâmedes (com o 1º troco inaugurado em 1905), e os Caminhos-de-ferro de Benguela e de Malange .
Por esta altura governava em Angola Paiva Couceiro  (1907/1910, o herói de Norton de Matos, considerado um visionário, intransigente e pragmático suficiente para conseguir libertar-se das directivas impostas pelo Terreiro do Paço e as administrações locais. Paiva Couceiro sabia que dominar o território, passava por ocupar fronteiras, obrigar as autoridades gentílicas insubmissas a submeterem-se à governação, gerar a estabilidade suficiente para que as caravanas de longo curso pudessem circular, e concretizar o pagamento do imposto de cubata. Como governador geral, deu prioridade à abertura de rotas comerciais para o interior através de rodovias, (algumas simples picadas) deu início ao Caminho-de-ferro de Moçâmedes, de Benguela e de Malange que ficou concluído em 1909.Por esta altura governava em Angola Paiva Couceiro  (1907/1910, o herói de Norton de Matos, considerado um visionário, intransigente e pragmático suficiente para conseguir libertar-se das directivas impostas pelo Terreiro do Paço e as administrações locais. Paiva Couceiro sabia que dominar o território, passava por ocupar fronteiras, obrigar as autoridades gentílicas insubmissas a submeterem-se à governação, gerar a estabilidade suficiente para que as caravanas de longo curso pudessem circular, e concretizar o pagamento do imposto de cubata. Como governador geral, deu prioridade à abertura de rotas comerciais para o interior através de rodovias, (algumas simples picadas) deu início ao Caminho-de-ferro de Moçâmedes, de Benguela e de Malange que ficou concluído em 1909.

Por esta altura governava em Angola Paiva Couceiro  (1907/1910, o herói de Norton de Matos, considerado um visionário, intransigente e pragmático suficiente para conseguir libertar-se das directivas impostas pelo Terreiro do Paço e as administrações locais. Paiva Couceiro sabia que dominar o território, passava por ocupar fronteiras, obrigar as autoridades gentílicas insubmissas a submeterem-se à governação, gerar a estabilidade suficiente para que as caravanas de longo curso pudessem circular, e concretizar o pagamento do imposto de cubata. Como governador geral, deu prioridade à abertura de rotas comerciais para o interior através de rodovias, (algumas simples picadas) deu início ao Caminho-de-ferro de Moçâmedes, de Benguela e de Malange que ficou concluído em 1909.

evido aos desentendimentos entre os diversos partidos monárquicos e à agitação no Parlamento (Assembleia Legislativa) o rei D. Carlos entregou a chefia do Ministério (governo) a João Franco, do Partido Regenerador Liberal, em Maio de 1906. João Franco passou a dirigir o País de forma ditatorial, o que provocou forte oposição por parte dos republicanos e dos restantes partidos monárquicos. A 10 de Maio de 1907, o Parlamento foi encerrado, o que reforçou a ditadura de João Franco, apoiada pelo rei D. Carlos.

Ler mais: http://historianove.webnode.pt/news/portugal%3A-crise-e-queda-da-monarquia-em-portugal-e-a-revolu%C3%A7%C3%A3o-republicana-a-i-republica/
evido aos desentendimentos entre os diversos partidos monárquicos e à agitação no Parlamento (Assembleia Legislativa) o rei D. Carlos entregou a chefia do Ministério (governo) a João Franco, do Partido Regenerador Liberal, em Maio de 1906. João Franco passou a dirigir o País de forma ditatorial, o que provocou forte oposição por parte dos republicanos e dos restantes partidos monárquicos. A 10 de Maio de 1907, o Parlamento foi encerrado, o que reforçou a ditadura de João Franco, apoiada pelo rei D. Carlos.

Ler mais: http://historianove.webnode.pt/news/portugal%3A-crise-e-queda-da-monarquia-em-portugal-e-a-revolu%C3%A7%C3%A3o-republicana-a-i-republica/João Franco é  chamado ao poder por Dom Carlos I, na agitada conjuntura de 1906,  governo liberal, "à inglesa",  sua posição endurece  face à contestação do campo monárquico, estudantil e republicano, estes últimos, claramente empenhados na via revolucionária e conspirativa, facto provocaou forte oposição republicanos e restantes partidoa monarquicos. <
evido aos desentendimentos entre os diversos partidos monárquicos e à agitação no Parlamento (Assembleia Legislativa) o rei D. Carlos entregou a chefia do Ministério (governo) a João Franco, do Partido Regenerador Liberal, em Maio de 1906. João Franco passou a dirigir o País de forma ditatorial, o que provocou forte oposição por parte dos republicanos e dos restantes partidos monárquicos. A 10 de Maio de 1907, o Parlamento foi encerrado, o que reforçou a ditadura de João Franco, apoiada pelo rei D. Carlos.

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evido aos desentendimentos entre os diversos partidos monárquicos e à agitação no Parlamento (Assembleia Legislativa) o rei D. Carlos entregou a chefia do Ministério (governo) a João Franco, do Partido Regenerador Liberal, em Maio de 1906. João Franco passou a dirigir o País de forma ditatorial, o que provocou forte oposição por parte dos republicanos e dos restantes partidos monárquicos. A 10 de Maio de 1907, o Parlamento foi encerrado, o que reforçou a ditadura de João Franco, apoiada pelo rei D. Carlos.

Ler mais: http://historianove.webnode.pt/news/portugal%3A-crise-e-queda-da-monarquia-em-portugal-e-a-revolu%C3%A7%C3%A3o-republicana-a-i-republicaJoão Franco chamado ao poder por Dom Carlos I, na agitada conjuntura de 1906,  governo liberal, "à inglesa",  sua posição endurece  face à contestação do campo monárquico, estudantil e republicano, estes últimos, claramente empenhados na via revolucionária e conspirativa,
evido aos desentendimentos entre os diversos partidos monárquicos e à agitação no Parlamento (Assembleia Legislativa) o rei D. Carlos entregou a chefia do Ministério (governo) a João Franco, do Partido Regenerador Liberal, em Maio de 1906. João Franco passou a dirigir o País de forma ditatorial, o que provocou forte oposição por parte dos republicanos e dos restantes partidos monárquicos. A 10 de Maio de 1907, o Parlamento foi encerrado, o que reforçou a ditadura de João Franco, apoiada pelo rei D. Carlos.

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evido aos desentendimentos entre os diversos partidos monárquicos e à agitação no Parlamento (Assembleia Legislativa) o rei D. Carlos entregou a chefia do Ministério (governo) a João Franco, do Partido Regenerador Liberal, em Maio de 1906. João Franco passou a dirigir o País de forma ditatorial, o que provocou forte oposição por parte dos republicanos e dos restantes partidos monárquicos. A 10 de Maio de 1907, o Parlamento foi encerrado, o que reforçou a ditadura de João Franco, apoiada pelo rei D. Carlos.

Ler mais: http://historianove.webnode.pt/news/portugal%3A-crise-e-queda-da-monarquia-em-portugal-e-a-revolu%C3%A7%C3%A3o-republicana-a-i-republica/João Franco chamado ao poder por Dom Carlos I, na agitada conjuntura de 1906,  governo liberal, "à inglesa",  sua posição endurece  face à contestação do campo monárquico, estudantil e republicano, estes últimos, claramente empenhados na via revolucionária e conspirativa,as colónias de África, a resistência do gentio revoltado contra a ocupação dos territórios era motivo de preocupação. Portugal era acusado de esclavagismo em S. Tomé e Príncipe e tornava-se necessário refutar tais acusações, segundo o governo português, motivadas por rivalidades comerciais. Na ilha do Príncipe, poucos dias antes da chegada de Dom Luiz, rebentara uma revolta, tendo o navio África, que transportava a delegação oficial acabado por não se deslocar ali. Revoltas ocorreram também no sul de Angola que preocupavam o Governo. Aconteceram também as Campanhas dos Dembos. Aliás na passagem por Luanda, em 11 de Setembro de 1907,  D Luiz Filipe passou revista às tropas comandadas por João de Almeida que iam erguer fortificações na região, a fim de a submeter, situação vista como triunfo de João Franco.Era a primeira vez que as colónias Por essa altura tinha passado década e meia após esses momentos particularmente significativos das querelas internacionais que haviam eclodido, relacionadas com a tutela portuguesa no imenso território que ocupava, deveras cobiçado e considerado necessário ao progresso europeu.  A  crise económica e financeira, que se instalara desde 1890 levara Bancos e empresas à falênciaA pequena e média burguesia confrontava-se com o aumento dos impostos, a inflação disparara, e o povo confrontava-se com o desemprego, com baixos salários e com o aumento das horas de trabalho.  As dificuldades eram enormes,  o descontentamento generalizado. Um panorama de agitação permanente. Dois meses antes, com as Cortes encerradas, João Franco  é chamado ao poder por Dom Carlos, este não consegue o apoio do Partido Progressista e, não podendo governar à inglesa, passara a governar em ditadura, tendo as medidas repressivas provocado forte descontentamento em todos os sectores da sociedade desde republicanos e restantes partidos  empenhados na tomada do poder, gerado grande o ódio à monarquia e ao Rei sob a acção da Maçonaria e da Carbonária, situação que levaria ao Regicídio.




evido aos desentendimentos entre os diversos partidos monárquicos e à agitação no Parlamento (Assembleia Legislativa) o rei D. Carlos entregou a chefia do Ministério (governo) a João Franco, do Partido Regenerador Liberal, em Maio de 1906. João Franco passou a dirigir o País de forma ditatorial, o que provocou forte oposição por parte dos republicanos e dos restantes partidos monárquicos. A 10 de Maio de 1907, o Parlamento foi encerrado, o que reforçou a ditadura de João Franco, apoiada pelo rei D. Carlos.

evido aos desentendimentos entre os diversos partidos monárquicos e à agitação no Parlamento (Assembleia Legislativa) o rei D. Carlos entregou a chefia do Ministério (governo) a João Franco, do Partido Regenerador Liberal, em Maio de 1906. João Franco passou a dirigir o País de forma ditatorial, o que provocou forte oposição por parte dos republicanos e dos restantes partidos monárquicos. A 10 de Maio de 1907, o Parlamento foi encerrado, o que reforçou a ditadura de João Franco, apoiada pelo rei D. Carlos.

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evido aos desentendimentos entre os diversos partidos monárquicos e à agitação no Parlamento (Assembleia Legislativa) o rei D. Carlos entregou a chefia do Ministério (governo) a João Franco, do Partido Regenerador Liberal, em Maio de 1906. João Franco passou a dirigir o País de forma ditatorial, o que provocou forte oposição por parte dos republicanos e dos restantes partidos monárquicos. A 10 de Maio de 1907, o Parlamento foi encerrado, o que reforçou a ditadura de João Franco, apoiada pelo rei D. Carlos.

evido aos desentendimentos entre os diversos partidos monárquicos e à agitação no Parlamento (Assembleia Legislativa) o rei D. Carlos entregou a chefia do Ministério (governo) a João Franco, do Partido Regenerador Liberal, em Maio de 1906. João Franco passou a dirigir o País de forma ditatorial, o que provocou forte oposição por parte dos republicanos e dos restantes partidos monárquicos. A 10 de Maio de 1907, o Parlamento foi encerrado, o que reforçou a ditadura de João Franco, apoiada pelo rei D. Carlos.

Ler mais: http://historianove.webnode.pt/news/portugal%3A-crise-e-queda-da-monarquia-em-portugal-e-a-revolu%C3%A7%C3%A3o-republicana-a-i-republicaJoão Franco chamado ao poder por Dom Carlos I, na agitada conjuntura de 1906,  governo liberal, "à inglesa",  sua posição endurece  face à contestação do campo monárquico, estudantil e republicano, estes últimos, claramente empenhados na via revolucionária e conspirativa,
evido aos desentendimentos entre os diversos partidos monárquicos e à agitação no Parlamento (Assembleia Legislativa) o rei D. Carlos entregou a chefia do Ministério (governo) a João Franco, do Partido Regenerador Liberal, em Maio de 1906. João Franco passou a dirigir o País de forma ditatorial, o que provocou forte oposição por parte dos republicanos e dos restantes partidos monárquicos. A 10 de Maio de 1907, o Parlamento foi encerrado, o que reforçou a ditadura de João Franco, apoiada pelo rei D. Carlos.

evido aos desentendimentos entre os diversos partidos monárquicos e à agitação no Parlamento (Assembleia Legislativa) o rei D. Carlos entregou a chefia do Ministério (governo) a João Franco, do Partido Regenerador Liberal, em Maio de 1906. João Franco passou a dirigir o País de forma ditatorial, o que provocou forte oposição por parte dos republicanos e dos restantes partidos monárquicos. A 10 de Maio de 1907, o Parlamento foi encerrado, o que reforçou a ditadura de João Franco, apoiada pelo rei D. Carlos.

Ler mais: http://historianove.webnode.pt/news/portugal%3A-crise-e-queda-da-monarquia-em-portugal-e-a-revolu%C3%A7%C3%A3o-republicana-a-i-republica/João Franco chamado ao poder por Dom Carlos I, na agitada conjuntura de 1906,  governo liberal, "à inglesa",  sua posição endurece  face à contestação do campo monárquico, estudantil e republicano, estes últimos, claramente empenhados na via revolucionária e conspirativa,Por outro lado as associações humanitárias acusavam Portugal da prática de escravatura em S. Tomé, e tornava-se necessário refutar tais acusações, segundo o governo português, motivadas por rivalidades comerciais. Na ilha do Príncipe, poucos dias antes da chegada de Dom Luiz, rebentara uma revolta, tendo o navio África, que transportava a delegação oficial acabado por não se deslocar ali. Revoltas ocorreram também no sul de Angola que preocupavam o Governo. Aconteceram também as Campanhas dos Dembos. A resistência do gentio revoltado contra a ocupação dos territórios era motivo de preocupação. Aliás na passagem por Luanda, em 11 de Setembro de 1907,  D. Luiz Filipe passou revista às tropas comandadas por João de Almeida que iam erguer fortificações na região, a fim de a submeter, situação vista como triunfo de João Franco
Citando Raul Brandão, " D. Carlos aponta a África a uma plêiade brilhante de oficiais, que ele próprio incita, compreendendo que o grande Portugal é outro, e que esta faixa de terreno, com um clima agrícola horrível, só pode ser vinha e um lugar de repouso e prazer. De lá, desse novo Brasil - dos extensos planaltos de Angola, que duas vezes por ano produzem trigo -, tem de nos vir o oiro e o pão. O resto é visão de pequenos estadistas de trazer por casa. Só ele fala (e sonha) num Portugal Maior, e num Portugal esplêndido (I, p. 229) 


evido aos desentendimentos entre os diversos partidos monárquicos e à agitação no Parlamento (Assembleia Legislativa) o rei D. Carlos entregou a chefia do Ministério (governo) a João Franco, do Partido Regenerador Liberal, em Maio de 1906. João Franco passou a dirigir o País de forma ditatorial, o que provocou forte oposição por parte dos republicanos e dos restantes partidos monárquicos. A 10 de Maio de 1907, o Parlamento foi encerrado, o que reforçou a ditadura de João Franco, apoiada pelo rei D. Carlos.

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evido aos desentendimentos entre os diversos partidos monárquicos e à agitação no Parlamento (Assembleia Legislativa) o rei D. Carlos entregou a chefia do Ministério (governo) a João Franco, do Partido Regenerador Liberal, em Maio de 1906. João Franco passou a dirigir o País de forma ditatorial, o que provocou forte oposição por parte dos republicanos e dos restantes partidos monárquicos. A 10 de Maio de 1907, o Parlamento foi encerrado, o que reforçou a ditadura de João Franco, apoiada pelo rei D. Carlos.

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evido aos desentendimentos entre os diversos partidos monárquicos e à agitação no Parlamento (Assembleia Legislativa) o rei D. Carlos entregou a chefia do Ministério (governo) a João Franco, do Partido Regenerador Liberal, em Maio de 1906. João Franco passou a dirigir o País de forma ditatorial, o que provocou forte oposição por parte dos republicanos e dos restantes partidos monárquicos. A 10 de Maio de 1907, o Parlamento foi encerrado, o que reforçou a ditadura de João Franco, apoiada pelo rei D. Carlos.

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evido aos desentendimentos entre os diversos partidos monárquicos e à agitação no Parlamento (Assembleia Legislativa) o rei D. Carlos entregou a chefia do Ministério (governo) a João Franco, do Partido Regenerador Liberal, em Maio de 1906. João Franco passou a dirigir o País de forma ditatorial, o que provocou forte oposição por parte dos republicanos e dos restantes partidos monárquicos. A 10 de Maio de 1907, o Parlamento foi encerrado, o que reforçou a ditadura de João Franco, apoiada pelo rei D. Carlos.

Ler mais: http://historianove.webnode.pt/news/portugal%3A-crise-e-queda-da-monarquia-em-portugal-e-a-revolu%C3%A7%C3%A3o-republicana-a-i-republicaJoão Franco chamado ao poder por Dom Carlos I, na agitada conjuntura de 1906,  governo liberal, "à inglesa",  sua posição endurece  face à contestação do campo monárquico, estudantil e republicano, estes últimos, claramente empenhados na via revolucionária e conspirativa,
evido aos desentendimentos entre os diversos partidos monárquicos e à agitação no Parlamento (Assembleia Legislativa) o rei D. Carlos entregou a chefia do Ministério (governo) a João Franco, do Partido Regenerador Liberal, em Maio de 1906. João Franco passou a dirigir o País de forma ditatorial, o que provocou forte oposição por parte dos republicanos e dos restantes partidos monárquicos. A 10 de Maio de 1907, o Parlamento foi encerrado, o que reforçou a ditadura de João Franco, apoiada pelo rei D. Carlos.

Ler mais: http://historianove.webnode.pt/news/portugal%3A-crise-e-queda-da-monarquia-em-portugal-e-a-revolu%C3%A7%C3%A3o-republicana-a-i-republica/
evido aos desentendimentos entre os diversos partidos monárquicos e à agitação no Parlamento (Assembleia Legislativa) o rei D. Carlos entregou a chefia do Ministério (governo) a João Franco, do Partido Regenerador Liberal, em Maio de 1906. João Franco passou a dirigir o País de forma ditatorial, o que provocou forte oposição por parte dos republicanos e dos restantes partidos monárquicos. A 10 de Maio de 1907, o Parlamento foi encerrado, o que reforçou a ditadura de João Franco, apoiada pelo rei D. Carlos.

Ler mais: http://historianove.webnode.pt/news/portugal%3A-crise-e-queda-da-monarquia-em-portugal-e-a-revolu%C3%A7%C3%A3o-republicana-a-i-republica/João Franco chamado ao poder por Dom Carlos I, na agitada conjuntura de 1906,  governo liberal, "à inglesa",  sua posição endurece  face à contestação do campo monárquico, estudantil e republicano, estes últimos, claramente empenhados na via revolucionária e conspirativa,as colónias de África, a resistência do gentio revoltado contra a ocupação dos territórios era motivo de preocupação. Portugal era acusado de esclavagismo em S. Tomé e Príncipe e tornava-se necessário refutar tais acusações, segundo o governo português, motivadas por rivalidades comerciais. Na ilha do Príncipe, poucos dias antes da chegada de Dom Luiz, rebentara uma revolta, tendo o navio África, que transportava a delegação oficial acabado por não se deslocar ali. Revoltas ocorreram também no sul de Angola que preocupavam o Governo. Aconteceram também as Campanhas dos Dembos. Aliás na passagem por Luanda, em 11 de Setembro de 1907,  D Luiz Filipe passou revista às tropas comandadas por João de Almeida que iam erguer fortificações na região, a fim de a submeter, situação vista como triunfo de João Franco.Era a primeira vez que as colónias 
Ao nível da Imprensa,  a partida de Luíz Filipe, que "abandonava Portugal em tempo de crise", surtiu reações diversas, motivando uma acesa discussão em torno da pertinência da viagem, que o ministro da Marinha e Ultramar, Aires de Ornelas que acompanhou o Principe considerou uma «campanha movida contra a viagem na imprensa política». Se de início esta viagem tinha o propósito de permitir ao ministro do Ultramar fiscalizar o sistema de serviçais em Luanda e São Tomé, e de perceber se ali a escravatura ainda era praticada, juntando-se o príncipe a  périplo, ela tomou uma visibilidade bem mais vasta. Além do mais, a visita estender-se-ia a Moçambique, África do Sul e Cabo Verde com a duração de três meses – de 1 de Julho a 28 de Setembro – e a sua importância fez com que fosse além do problema da escravatura. De resto, era relativamente conhecida a curiosidade e o interesse do jovem príncipe pelas colónias.

 

 O navio  «África» onde o Príncipe viajou


Este postal, que se pensa ter feito parte da colecção editada por ocasião desta visita, em 1907, retrata um belo trecho da muito frequentada Avenida D. Luiz, que após 1910 passaria a chamar-se Avenida da República. À esq. o tradicional Coreto demolido na década de 1950, onde aos domingos bandas de música iam tocar, e onde, em 1907, tocou para o Príncipe a banda militar da Marinha. À direita, pode-se ver uma espécie de palanque, onde se pensa tenha o príncipe assistido, juntamente com os elementos da comitiva a um espectáculo musical.


Outro postal da mesma época e da mesma colecção, mostrando um belo trecho da Avenida D. Luis, com senhoras elegante e crianças passeando (elementos femininos da Comitiva?, elite feminina de então?). Faz parte de uma colecção de postais publicados por volta de 1905-7. A ter em conta que em Setembro de 1907, Dom Luiz Filipe e comitiva visitarem Moçâmedes.



Trecho romântico do Jardim da Avenida Dom Luiz, de Moçâmedes. Parte das históricas casas térreas, à dt, que lamentavelmente, em parte, já ruiram





2. A VISITA A MOÇÂMEDES DO PRÍNCIPE REAL DOM LUIZ FILIPE DE BRAGANÇA, AO TEMPO DA SUBIDA DA VILLA DE MOÇÂMEDES A REAL CIDADE

O ACOLHIMENTO EM MOÇÂMEDES. 


Nas colónias de África, a nova ordem imposta e impulsionada pela Revolução Industrial, tinha imposto a Portugal a abolição do tráfico de escravos que de Angola fluía na direcção do Brasil e das Américas, mas não da escravatura interna, considerada imprescindível  para o avanço e a consolidação da actividade económica a braços com a falta de mão de obra livre. 

Com  a queda do absolutismo e após subida ao poder dos liberais progressistas, é publicado o decreto da abolição do mesmo tráfico em 10 de Dezembro de 1836, que só começou a ter concretização prática após 1869. 

Em 1884-5 a Conferência de Berlim reuniu líderes europeus que dividiram a África entre potências coloniais europeias, ávidas de matérias primas, mão de obra barata e mercados consumidores. Portugal viu-se na contingência de ter que ocupar de facto dos territórios que por direito histórico reivindicava  (direito de conquista/1482), com famílias idas da Metrópole, e  ter que finalmente proceder ao desenvolvimento económico dos territórios que reivindicava, sob pena de ter que os ter que ceder a outra potência em condições de o fazer. Portugal era então uma potência menor face à Inglaterra e à Alemanha, um império enfraquecido, com uma Metrópole abalada por lutas fraticídas e revoluções, situação que a perda do Brasil, independente em 1822 aprofundou. 

Desde finais do século XIX que pairavam ameaças reais sobre as duas colónias portuguesas mais importantes em África (Angola e Moçambique) devido às negociações anglo-germânicas que supunham a sua expansão à sua custa. Este objetivo estava à partida facilitado porque não reconheciam a Portugal a capacidade para manter uma presença efectiva nem potencial para os defender. A questão do Mapa Cor-de-Rosa, foi a tentativa de ver internacionalmente reconhecida a seu favor a posse do território entre Angola a Moçambique, que havia sido demarcado pelos exploradores Serpa Pinto, Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens, de modo a facilitar o comércio e o transporte de mercadorias entre Angola e Moçambique. Mas a Inglaterra não aceitou o projecto e avançou com o Ultimato Inglês de 1890, ameaçando com uma declaração de guerra se Portugal não se retirasse do referido território. O recuo de Portugal feriu profundamente o orgulho nacional, levou a campanhas de exaltação de patriotica, e à exortação à emigração para os territórios de além-mar efectuada através dos periódicos,l  e de editais colocados nos átrios das Igrejas. E as fronteiras acabaram demarcadas tal como existem hoje.

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Era pouco antes da 1 hora da tarde do dia 1 de Julho, quando o Principe Real Dom Luiz Filipe e Comitiva partiram de Lisboa, no navio África, festivamente engalanado, rumo às terras de África.
O comandante do navio, Guilherme A. Vidal Júnior, dá-nos no seu livro, uma descrição pormenorizada da viagem, da vida a bordo, da chegada aos portos, das recepções e festejos em homenagem ao Principe que partira em viagem de estudo das actividades económicas e dos povos formados por gentes várias, algumas «estranhas, ligadas fortemente pêlos elos da mesma fé cristã, da mesma língua e dos mesmos sentimentos de amor pátrio». Ia acompanhado pelo ministro da Marinha e Ultramar, Aires de Ornelas.

Dom Luiz desde criança fora preparado para o penoso ofício de ser Rei, na qualidade de primogénito e herdeiro presuntivo do trono. Segundo o comandante Guilherme A. Vidal Júnior, mostrando a sua simplicidade, afabilidade de trato e comunicabilidade. O Principe mandava convidar, enquanto a bordo do navio, diariamente, para almoçarem à sua mesa, dois passageiros, começando os convites pelos primeiros a desembarcar nos portos da escala.

O navio chegou a Luanda no dia 17 de Julho, tendo a recebê-lo o capitão de arti­lharia Henrique de Paiva Couceiro, Governador-Geral de Angola, que três anos depois viria a ser reconhecido como o mais dedicado servidor da Corôa. Couceiro assumiu todas as despesas das cerimónias que orçaram em 5 contos de réis, sem ter pedido o seu reembolso oficial.

Depois de ter escalado o Lobito, o "África" rumou para Moçâmedes, onde o Principe Real teve acalorada recepção. Aliás, desde que em Moçâmedes se tivera conhecimento da notícia da visita do Príncipe, a população e entidades oficiais logo se empenharam com entusiasmo na tarefa de uma recepção condigna, onde não podiam faltar os tradicionais festejos populares. Desde logo foram nomeadas Comis­sões, fizeram-se programas, importou-se o fogo de artifício directamente da Metrópole, prepararam-se patrióticos discursos, procedeu-se a uma iluminação especial com archotes em toda a falésia até à Ponta do Pau do Sul, por toda a Avenida e nas principais ruas da vila.





O Príncipe Dom Luíz Filipe de Bragança  em Luanda, com o capitão de arti­lharia Henrique de Paiva Couceiro,  Governador-Geral de Angola


Colaboraram na organização dos festejos e da recepção a Associação de Comerciantes, a Câmara Muni­cipal, e ambos os organismos ajudados pelo povo, tomaram a cargo a construção de um "arco triunfal" em honra do Príncipe, para que as festas a todos deslumbrasse, europeus, africanos e mistos.

Foi organizado um grandioso baile de gala, para o qual foram convidadas as chamadas "forças viva" da villa, e tudo isto não aconteceu sem que antes tivessem sido enviados telegramas, via Cabo Submarino para Londres, Paris e Lisboa, que, de entre outros assuntos, tratavam de assuntos triviais, tais como remessas urgentes de chapéus altos, vestidos, casacas, sobre-casacas, etc.etc. Importa referir que, ainda que muitíssimo reduzida, por esta altura, Moçâmedes já exibia a sua pequena burguesia, que desde a fundação fora impulsionada pelos mais importante componentes das 1ª e 2ª colónias vindas de Pernambuco (Brasil), ali chegados nos anos de 1849 e 1850, transportando consigo na bagagem seus pianos, seus quadros emoldurados em talha dourada, seus móveis de jacarandá, etc etc.

Não faltou a tradicional Parada de indígenas do Sul, desenrolada na vasta Avenida D. Luiz (mais tarde denominada Avenida da República), onde desfilaram as várias tribos da região, e onde teve lugar o mais grandioso batuque de que há memória, considerado um pormenor importantíssimo, a incluir no programa, visto como testemunho vivo da confiança de Portugal e dos portugueses junto dos povos nativos, da harmonia das relações, e da lealdade desses mesmos povos que compartilhavam com a população o seu grande regozijo pela visita de um Prín­cipe da Casa Real, em carne e osso. Deliciou-se com a vegetação tropical, visitou nas "Hortas", a casa de campo da familia "Torres",  subiu os degraus da varanda senhorial  que dava acesso à vasta sala de jantar da bela mansão, apreciou o chão de azulejaria à belle-époque, tecto de pinho da Metrópole, paredes cobertas de frescos com cenas campestres algo barrocas. Ali almoçou naquele cenário idílico, ponto de encontro de piqueniques e almoçaradas, dotado de um espaçoso pátio com seus coretos, longas alamedas,frescos oásis  onde as oliveiras conviviam com as bananeiras, as  palmeiras, as mangueiras, etc, e onde se cultivava a mandioca, a papaia, o melão, cultivos de várias espécies para consumo da cidade.

Mas não houve só festas. Tratou-se também de uma viagem de estudo das actividades económicas e de outros assuntos de alta gravidade. Aproveitando a visita do Príncipe Dom Luiz foi inaugurado o primeiro troço, de 67 Kms, do Caminho de Ferro de Moçâmedes, mal se imaginando na altura que o comboio só chegaria a Sá da Bandeira (Lubango), local de destino que perdurou até décadas após.

Com uma parca comitiva o Príncipe foi aclamado pela população, por todo o lado por onde passou, desfiles tiveram lugar nas ruas, por entre arcos enfeitados a rigor, perante uma entusiástica e expressiva população.Dom Luiz  privou com os sobas e com a população nativa, que, exibindo expressivos arranjos musicais com instrumentos locais, prestaram-lhe as sentidas homenagens e juraram-lhe fidelidade. Assim vem descrito em todos os relatos desta viagem. 


 




Trata-se do pavilhão onde foi assinada a acta do lançamento da primeira pedra da Estação dos Caminhos de Ferro de Mossâmedes. Colecção particular. Do blog anicetomonteiro, Ver AQUI


 
Outra foto do dia da inauguração dos Caminhos de Ferro de Moçâmedes. Do blog anicetomonteiro
Ver AQUI



De Moçâmedes, sempre recebido com os já habituais festejos, o príncipe subiu a costa angolana, conhecendo cidades como Benguela e Lobito, chegando novamente à capital daquela província. As festividades em tempo de guerra receberiam forte crítica do jornal O Dia que em Lisboa apregoava:

«Em Angola dança-se e morre-se!». Este diário comentava, acerca da despedida de D. Luís Filipe em Angola que enquanto ocorria o baile de gala se morria nos confrontos do Cuamato a apenas alguns quilómetros de distância.

A recordação desta visita manteve-se viva na memória dos colonos mais velhos, com um misto de simpatia, saudade e respeito pela memória desse infor­tunado príncipe que representava as maiores esperanças, pela sua educação, seu carácter, patriotismo e inteligência. Conforme referiu o Sexto Marquês de Lavradio nas suas memórias:

«… era alto, louro, tipo nortenho, cultivava os desportos, principalmente o automobilismo e a caça.» detentor de uma educação «...muito cuidadosa tanto sob o ponto de vista científico como moral e ambos tinham além de uma funda cultura uma verdadeira noção da honra, da lealdade e do dever. (...)

«… era mais inteligente que o vulgar, sendo ao mesmo tempo o homem mais leal, mais franco, mais nobre, mais valente que tenho conhecido. Falava pouco e devagar e ouvia sempre com atenção.». «Seu Augusto Pai tinha-o preparado para ser um seu digno sucessor. A sua vinda ao Ultramar obedecia aos desejos de El-Rei que considerava que tal pre­paração não seria completa sem que Sua Alteza conhecesse as nossas possessões; correspondia ainda ao desejo do próprio Príncipe que também assim pensava.»

Refere o marquês nas suas memórias que Sua Alteza quando na Câmara Municipal de Pretória teve de responder às mensagens que lhe foram dirigidas, o fez de forma brilhante, realçando factos históricos do passado e do presente da África do Sul, revelando conhecimento sobre a vida do país que bem paten­teavam o cuidado e a seriedade dos seus estudos desse mesmo Príncipe que tomava a imaginação do sector feminino do pequena burgo como se tratasse de um príncipe dos maravilhosos contos de fadas. Aliás, o Príncipe deixou recordações que perduraram, pela sua figura, pelas suas maneiras, e pelo seu fino trato.




Dom Luiz Filipe e a Comitiva em foto tirada em Moçambique. Retirada deTHE DELAGOA BAY WORLD



 

O desembarque em Moçambique, em foto retirada deTHE DELAGOA BAY WORLD

 

 



 3. O REGRESSO À METRÓPOLE, E UM ANO A SEGUIR O REGICÍDIO




Em 27 de Setembro de 1907, Dom Luiz Filipe e comitiva regressaram da sua viagem a terras de África. 

De Moçâmedes o navio tinha prosseguido viagem para Lourenço Marques (Moçambique) de passagem pela Cidade do Cabo, e de novo rumou para Angola e daí para a Metrópole. Na passagem por Moçâmedes receberam a notícia de que o capitão Roçadas que dirigia as tropas portugueses conseguira mais uma vitória para a pacificação de Angola. Dando cumprimento ao acordado na Conferência de Berlim, que apenas reconhecia a pertença de um território se este estivesse ocupado militarmente, Portugal procurou  conquistar o Cuamato, no sul de Angola, que apesar de várias tentativas, apenas em 1907, com tropas indígenas e metropolitanas comandadas por Alves Roçadas, se conseguiria a total anexação e pacificação do território (Serrão, 1988, p.251).

Em Dezembro desse  ano, são  convocadas eleições para 5 de Abril de 1908. Em 28 de Janeiro ocorreu uma tentativa de revolução republica.  Em 31 de Janeiro um decreto atribuiu ao governo a a faculdade de expulsar do reino ou fazer transportar para uma província ultramarina aqueles que, uma vez reconhecidos culpados pela autoridade judicial competente, importe à segurança do Estado, tranquilidade pública e e interesses gerais da nação, afastar sem mais delongas do meio com que se mostraram e tornaram perigosa e contumazmente incompatíveis27 de Setembro de 1907, Em 1 de Fevereiro de 1908, aconteceu o regicídio

 A viagem do Príncipe foi o acontecimento político mais importante da sua jovem vida, até porque era o primeiro membro da família real a fazer tal viagem. Apesar de em certos aspectos  a viagem do Principe ser tida por indefesa e insegura, todos regressaram sãos e salvos. A recordação da sua visita mantém-se ainda viva, na memória dos velhos colonos, com um misto de simpatia, saudade e respeito pela memória desse infor­tunado Príncipe. Não se podia imaginar  que Dom Luiz que escapara às perigosidades e instabilidades de uma África em ebulição, não iria escapar a  uma tragédia terrível que iria acontecer poucos meses depois,  abalando a Família Real, o Reino de Portugal e os restantes Reinos com os quais a Família Real tinha ligações de parentesco e afinidades: o Regicídio.

Sobre o autor assassino de El-Rei D. Carlos e de Dom Luiz há notícias de que este teria fugido para S. Tomé e para Moçâmedes... De seu nome José Nunes, intervencionista do grupo “Os Mineiros”, encontrava-se no Terreiro do Paço quando disparou sobre o Príncipe Dom Luís Filipe, e foi  nele que a rainha D. Amélia bateu com um ramo de flores, ao mesmo tempo que o retratou em esboço.   Fugido para S. Tomé e Moçâmedes e depois regressado a Lisboa, a polícia nunca o encontrou. Antes de morrer, segundo Casimiro da Silva, «no quarto de dormir, tinha, sobre a cómoda, voltado para o leito um grande retrato de Dom Luís Filipe» - o Príncipe a quem ele tirara a vida. «Todos os dias, ao despertar, para ele olhava, repetindo a pergunta - título do seu livro: E Para Quê? Retenha-se que sobre o regicidio deixou  importantes revelações após 1915 que esclarecem o atentado em livros como "A Bomba Explosiva e Para quê?".

 Pelo contrário, Sampaio Bruno dizia na altura: o regicídio é, seguramente, um acto condenável, mas o despotismo não o é menos. O tiranicídio é, na verdade, um crime mas a tirania é também um crime (apud Joel Serrão, pp.74-75)

Como dirá Raul Brandão, se o deixam viver, tinha sido um dos maiores reis da sua dinastia (I, 228). Segundo o mesmo autor, se o rei tratava os políticos como lacaios, tratava a gente do povo com extrema bondade. Terá mesmo dito viver em um país de bananas governado por sacanas.
Como reconheceu Guerra Junqueiro nas anotações que fez a Pátria (apud Raul Brandão, II, pp. 207-208): a revolução urgente não era social nem política, era moral. Nem havia a escolher entre monarquia e república, pois que, para escolher entre duas coisas, é necessário existiremA segurança da pátria exigia inadiavelmente à frente do governo um homem de superior inteligência, de altivo carácter, de ânimo heróico e resoluto. Era-o D. Carlos? Obedeceríamos a D. Carlos. Uma alma, uma vassoira e uma carroça, de nada mais precisava. Varrer, limpeza geral, pôr isto decente.O tiro no rei e no príncipe real matou o próprio sistema político e anunciou o fim da monarquia. Em Agosto de 1907, em pleno Conselho de Estado, Júlio de Vilhena chegou a proclamar: isto termina fatalmente por um crime ou por uma revolução[2]. O crime aconteceu com o  regicídio; a revolução, com a instauração da república. O jogo rotativista conduzira à tragédia. O salto em frente de João Franco acelerara-a[3]


Pesquisa e texto
MariaNJardim

Ver tb Visita do Principe a Moçambique AQUI


inhttp://www.trasosmontes.com/forum/viewtopic.php?p=7749&sid=c3fb49d3eb86cc80e7d1d37ada69332f
http://www.dcarlos100anos.pt/dluisfilipe2.html

IMPRENSA DA ÉPOCA

http://www.youtube.com/watch?v=TjEGx1RSWoI
http://www.regicidio.org/indexmain.htm








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