Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












terça-feira, 27 de novembro de 2007

O Chafariz da Praça Leal em Mossãmedes, depois Moçâmedes, actualmente cidade do Namibe, em Angola










Este edificio de 1º andar só encontrei nesta foto do inicio do século XX. Soube mais tarde que incendiou. É um  testemunho silenciosos da Mossâmedes  do tempo das Campanhas do Sul de Angola, como se encontra assinalado no verso. Este cenário mostra parte do ambiente em que a tropa portuguesa se movimentou. Em 1915, depois de desembarcar em Moçâmedes, o tenente-médico Monteiro d'Oliveira, integrado na expedição de Pereira d’Eça subiu ao planalto e prosseguiu para Leste e na direcção do Cunene. O objectivo era enfrentar a ameaça alemã vinda do Sudeste Africano e as populações sublevadas naqueles territórios. Seu neto encontrou num envelope com a inscrição "Mossamedes 1914", duas colecções de postais sobre esta cidade.





 










                           Enquadramento da Praça Leal na cidade, junto da Alfândega e do Jardim
 



Mais recente, mas ainda do tempo colonial. Chafariz muito bem enquadrado ma paisagem urbana. Entretanto deitaram abaixo o edificio à esq. e no seu lugar foi construído um edificio de 1º andar , moderno, sem carácter, e completamente desenquadrado.
Autor: João Manuel Mangericão
Várias perspectivas da Praça Leal de Moçâmedes, hoje cidade do Namibe. Esta Praça ostenta a meio um artistico chafariz que segundo informações foi construido por Manuel da Costa Mangericão, um dos componentes das colónias de emigrantes vindas do Brasil 1849/50 para dar início ao povoamento branco da região,


Quando, entretanto, Moçâmedes começou a ter os primeiris táxis, esta Praça passou também a ser conhecida como a Praça de Táxis.   Recordo outros taxistas de Moçâmedes, tais como o velho Sereeiro (finais da década de 40, princípios dos anos 50). O velho Sereeiro, como lhe chamávamos, era uma figura "sui generis", de grandes bigodes retorcidos, à moda antiga, pai do Zé e do Álvaro (tocador de maracas do célebre conjunto "Os Diabos do Ritmo"). Sua esposa, D. Beatriz, fazia as melhores bolungas da cidade (bebida fermentada feita de fuba (farinha de milho) ou de cascas de abacaxi, que faziam concorrência à melhor laranjada do Pereira Simões, Sereeiro era proprietário de um mini-taxi, conhecido na época pelo «bébé do Serieiro»,  o ganha pão da família. Antes de aceitar a corrida, Sereeiro perguntava sempre: «Vai para longe?».

Recordo outros taxistas de Moçâmedes nas décadas de 50/60/70, um, de nome Pinto, um deles jogou futebol no Atlético Clube de Moçâmedes e mais tarde no Ginásio Clube da Torre do Tombo . Lembro-me ainda de outros taxistas, tal como Manuel Guedes, Morais Leite, e Quinha Almeida. Ficam mais esta recordações!



















E Mossãmedes foi crescendo e tomando as areias ao deserto do Namibe...





































 












 

Fotos de Mossâmedes que nos dão várias e interessantes perspectivas da cidade nas primeiras décadas do século XX. 

As cinco primeiras fotos encontram-se datadas de 1930. Nelas podemos ver, em toda a sua extensão,  o jardim da Avenida da Praia do Bonfim que vai desde o Palácio do Governador ao velho campo de futebol de terra batida que sobreviveu até ao fim dos anos 60.

Impressiona na 1ª foto a densa profusão de arvoredo que existia na época nesta Avenida, quer no tronco central, quer nas laterais, sobretudo na zona do Horto Municipal, mais a dt. e ainda mais a dt., as casuarinas próximas da Praia das Miragens. Ampliando com um clic, podemos ver , entre outros o edifício do Banco de Angola e o edifício da Alfândega ladeado por dois jardins, um dos quais foi mais tarde transformado no Cinema da terra. À dt. do imenso arvoredo de casuarinas podemos ver os terraços doa armazéns dos Caminhos de Ferro e a meio das árvores, o telhado daquele que fora o primeiro Casino da terra. Mais a esq. o edifício do antigo Posto Metereológico que foi mais tarde demolido.

Na 2ª. foto, numa vista aérea sobre a cidade, podemos ver como a cidade se reduzia na época a cinco ruas paralelas ao mar, e respectivas perpendiculares. Embaixo, à esq., o Bairro Maria Inácio e a dt. o velho campo de futebol. Curioso e ver-se a imensidão de quintais que ficavam nos espaços interior entre prédios voltados para duas ruas.

Na 3ª. foto, uma bonita perspectiva da cidade, através da qual podemos ver o edifício dos Caminhos de Ferro e os respectivos armazéns, próximos da praia das Miragens, na zona conhecida por Praia do Chiloango. Surpreende ver que a cidade acabava ali, praticamente na Rua da Fabrica , tendo apenas a penetrar o deserto, a dt. na foto, o antigo bairro da Guarda Fiscal.

Na 4. foto, uma pespectiva da cidade a partir do deserto.
São fotos de Nelson Nóbrega "...fotografias tiradas de avioneta e oferecidas pelo seu avô materno, José Pereira Craveiro, natural de Mossãmedes, às suas filhas Maria de Lourdes Craveiro Nóbrega e Maria Delfina Craveiro Coimbra, ambas também nascidas na cidade. Todas elas datam de 3 de Junho de 1939."


Na 5. foto, uma bela perspectiva do edifício da Alfandega, ladeado na época de uma imensidão de árvores que ainda hoje fariam falta a cidade. À direita, o local onde mais tarde foi construído o Cinema. A esq., a Praça Gomes Leal, mais tarde também praça de táxis. Em frente, podemos ver a meio do arvoredo, o primitivo Quiosque em ferro onde se vendiam refrescos, cerveja, tabaco, etc.,que mais tarde foi demolido. Próximo ficava o  obelisco dedicado a Sá da Bandeira que podemos ver aqui na última e 8ª foto já após ter sido daqui deslocado para uma praceta próxima do «Bairro da Facada».

Na 6ª foto: Vista central de Mossãmedes, onde se vislumbram as palmeiras, os barracões junto da ponte e ao fundo o mar, para além, é claro do casario da zona.

Na 7ª foto: Um trecho da Rua das Hortas

Na 8ª foto: Vista central de Mossãmedes, podendo ver-se o cruzamento entre Rua das Hortas e Rua 4 de Agosto. Projecta-se o edifício dquele que foi o Hotel Central explorado pela família Gouveia, encimado pelas carcterísticas «águas-furtadas». Ao fundo, o mar.
 

 Na 9ª foto:  O obelisco que foi transferido para o largo que ficava próximo do Bairro da Facada, em frente a loja de José Duarte. Foi na década de 40 que segundo familiares meus foi feita essa transferência. O obelisco fora transportado, deitado em cima de varias vagonetas sobre carris dos caminhos de ferro colocados nas ruas para o efeito, devido ao seu peso e altura. No local onde até 1975 se encontrava haviam sido antecipadamente retirados um chafariz que ali existia bem como um certo numero de árvores.


Postais antigos de Mossãmedes: Praça do Peixe e carregadores indígenas
















1º: Carregadores numa das ruas de Mossãmedes

2º: A Praça inicial de Peixe perto da Fortaleza no início do século XX.

Já cerca de 1943/1944 a Praça de Peixe em Moçâmedes ficava junto à praia entre o piquete Alfândega e capitania depois passou a ficar a 1/3 da falésia zona declive da Igreja para o mar. Essa praça não passava de um barraco situado na praia, na direcção da Igreja e do Palácio, onde o sr. Olímpio de Jesus, zeloso funcionário da Câmara Municipal, cobrava os "terrados", que nada mais era , do que uma pequena taxa/imposto que os pescadores pagavam , para que lhes fosse permitido vender o peixe nas bancas daquele improvisado mercado. É claro , que a maior parte do peixe não chegava a passar pelas bancas, pois era vendido logo à chegada da "chata" à praia.
Durante as horas da maré cheia ficava um carreirinho de menos de 1 metro entre a Fortaleza e o barco desde há muito alo naufragado por onde se podia passar, esse navio de ferro que acabou fragmentado pelo tempo soterrado sob a nova marginal de Moçâmedes.Uma linda Peixaria em Moçâmedes


Final dos anos cinquenta
na minha memória surge uma imagem,
ou , talvez , no início dos sessenta
na Marginal sem terraplenagem.
Era uma falésia de amarela terra
da Fortaleza até ao porto
areia,mais areia... um cenário de serra,
um espaço semimorto.
Barquinhos de pesca lá estávam
com peixes fresquinhos pulando ,
no sopé da encosta se alinhavam
e com orgulho a mercadoria mostravam.
A peixaria era mais acima
a meio da íngreme encosta,
era um "buraco"cavado na areia
condicionado à criativa proposta.
Único ponto da cidade,talvez ,
de venda rápida e rentável
de acesso difícil...uma pessoa por vez,
nos estreitos degraus da peixaria adorável.
Lá ia eu de manhãzinha...
Era meu programa favorito
com o cozinheiro e ...bem comportadinha
íamos falando em peixe frito.
Que aventura sensacional
descer até à "caverna"
sentar-me e ...olhando aquele mar genial,
espaço azul que o horizonte governa.
Os pescadores eu via chegar
com cestas cheias a abarrotar
de cachuchu,mero,carapaus
sardinhas,garoupa.peixe-espada
dourado,corvina,pungo
e tantos e tantos mariscos.
Tudo isto eu vi de perto
na "caverna" imaginei-me pirata
naquela encosta do nosso deserto...
Era real...tal enseada tão farta.

Teresa Caeneiro (Sanzalangola)

Familias antigas de Moçâmedes: Costa Santos e Gomes de Almeida




1ª foto:
Mais uma foto de familias antidas de Moçâmedes. Esta, da família Costa Santos.

Sentadas as avós Balbina (à dt.) e Júlia Augusta (à esq.). De pé,
Manuel e Hortense Costa Santos acompanhados dos quatro filhos mais velhos: Julieta (frente à mãe); Manuel (frente à avó Balbina, à esq.); Isabel, ao colo da avó Júlia, ao centro); Júlio (ao colo do pai, à esq.). Mais tarde, de Manuel e Hortense nasceriam ainda José Enoch, Fernanda, Henrique (Quito) e Albano (Carriço). Todos naturais de Moçâmedes, nascidos na Rua dos Pescadores.
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Alguns dados genealogicos:

Albano da Costa Santos c. 1875 e Balbina Amelia David de Jesus c. 1875 eram os pais de Manuel da Costa Santos, nascido em Santarém, Tremes, Santiago c. 1900 + Angola, Mossâmedes 1951, casou com Hortensia Pestana c. 1900. Foram pais de  Julieta da Costa Santos, Isabel Pestana da Costa Santos (casaa com Norberto Santos) , Manuel Pestana da Costa Santos (casado com Aurora N), Fernanda Pestana da Costa Santos, 17.08.1925 (casada com Jose Lopes Corado), Jose Onoh da Costa Santos (casado com Maria Eugenia Almeida Carvalho), Henrique Pestana da Costa Santos (casado com Helena N.) e Albano da Costa Santos (Carriço - casado com Olga de La Sallete)





 

2ª foto:
 

José Almeida (enfermeiro), Francelina Gomes Almeida e os seus filhos, Júlio Gomes de Almeida à esq. Paulo Almeida (ao colo) e Zeca Almeida, à dt., todos eles nascidos em Moçâmedes. Data da foto: década de 20.

Júlio Gomes de Almeida viria a ser solicitador e a casar com Lita Pestana, tendo como filhos Minelvina Almeida e Julio Almeida. Paulo Almeida viria a casar com Maria do Céu Almeida, filha do venerando «ti» Oscar de Almeida. Zeca Almeida trabalhava nas Finanças .



Os modos de se vestir e de se apresentar para o mundo revelam o modo de ser de cada época da história da humanidade. Nesta época, anos 20 do século XX, como se pode ver pela foto, era chic  vestirem-se as crianças com de fato de marujo, assim como era comum verem-se crianças de colo do sexo masculino vestidas como meninas, cabelos compridos, caracóis.
Mudam os tempos, mudam as vontades e as modas também, mas ficam registos interessantes como este, que para além de trazerem à recordação familiares antigos, ficam para sempre inscritos na história da moda de determinada época, país, região...

Foto cedida por Calinhas a Sanzalangola.
i
dem cedida por Minelvina Almeida

texto de MariaNJardim



GENEALOGIA DA FAMILIA COSTA SANTOS


quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Familias antigas de Mossâmedes (Moçâmedes, Namibe): Familia Antunes da Cunha : 192






Eis o retrato de mais uma das antigas famílias da então Moçâmedes (Moçâmedes/Namibe), a familia ANTUNES DA CUNHA.  Em cima, da esq. para a dt.: Basílio José da Cunha, José Antunes da Cunha e Albino Antunes da Cunha. Embaixo: Nelson Emílio da Conceição Antunes da Cunha, Amélia Matias da Cunha, Maria José Antunes da Cunha,  Maria de Lurdes Antunes da Cunha, Eugénio Faustino da Cunha e Joaquim Albino Antunes da Cunha.




A loja da familia Antunes da Cunha em Porto Alexandre, em 1930. Na 1ª porta do lado esq. Albino Antunes da Cunha e o irmão José. Fotos do livro Recordar Angola, de Paulo Salvador.

O mesmo livro refere que esta familia após ter emigrado para Angola, ter-se-ia radicado em Porto Alexandre (actual Tombwa).  Albino da Cunha, natural de Laceiras (Vizeu), nascido no ano de 1906, foi o primeiro que resolveu partir, tendo fundado a casa comercial Antunes da Cunha em 1918. 
Em 1919 casa com Eugénia do Ó Faustino, filha de Porto Alexandre e descendente de colonos vindos de Olhão (Algarve), para iniciar ali uma nova vida. 


Em 1921 chega a Porto Alexandre um seu irmão, José Antunes da Cunha, também originário da Beira Alta, que já havia estado em terras de Angola como deportado político por oposição a Sidónio Pais e por atitudes contestatárias durante o serviço militar. Então, já casado, associa-se a Albino da Cunha  e criam a  unidade fabril «Antunes da Cunha, Lda.», dedicada a farinhas, conservas e óleos de peixe. 
Em 1924 abrem uma casa comercial em Moçâmedes.

Tal como outros comerciantes e elementos representativos das "forças vivas" da cidade de Moçâmedes, os Antunes da Cunha estiveram presentes em recepções, cerimónias de inauguração oficias, sessões de boas vindas a entidades governamentais, etc. etc.  Em 1938, quando da visita a Moçâmedes do Presidente da República portuguesa, Óscar Fragoso Carmona à cidade, José Antunes da Cunha tomou a palavra na qualidade de presidente da Associação Comercial. Nas entrelinhas do seu "mui respeitoso discurso", podemos concluir desapontamento manifestado face à incompreensão de que estavam sendo alvo por parte da Metrópole (1):


«em Africa, os homens exclusivamente se afirmam pelo seu trabalho e pelo sacrifício, pela tenacidade e o desassombro»...; 

«Os colonos aqui fazem-se e formam-se por si mesmos, sob a influência do nobre desejo de vencer, estimulado pela energia e tenaz, e pela ambição de viver e progredir»

«Somos assim por cá, Sr. Presidente da República, e no entanto eu sinto hoje, eu sinto neste momento, com alguma aflição, e com bastante pena, que, em frente de Vossa Excelência, Chefe do meu país, primeiro Magistrado da Nação, símbolo da unidade moral e política da minha Pátria, é afinal bem tímido o meu espírito»

«As preces da minha alma não conseguem provocar o generoso milagre que eu queria e que eu desejava para neste momento me sentir elevado à altura das circunstâncias, ao nível da minha ambição....»



Recorde-se que golpe militar de 28 de Maio de 1926 pôs fim à 1ª República e deu lugar à instauração do Estado Novo levando ao fim, em Angola, a política hábil desenvolvida por Norton de Matos, à qual haviam aderido elevado número de "colonos" brancos das principais cidades, que visavam para colónias uma autonomia progressiva de modo a conduzi-las mais tarde à independência, continuando estas li­gadas a Portugal por laços sentimentais e por inte­resses recíprocos. Norton Matos em relatório datado de  1924 referia "tremendos perigos que rodeavam Angola sendo o unico meio a colonização intensiva e o fomento economico". 

Ora, esta actuação de Norton de Matos e aquilo que na verdade não seria mais que um descontentamento difuso, um desejo de afirmação e de autonomia face à Metrópole por parte dos colonos, do que um verdadeiro separatismo branco, inviável numa época devido à já referida escassez de população branca, desagradou ao Estado Novo, receoso sobre o futuro do Império. Em consequência, o fim da figura do Alto Comissário que é substituida pela de Governadores Gerais. As colónias perdem autonomia administrativa e financeira e tem lugar à centralização, deixam de poder contrair empréstimos ao estrangeiros, e desenvolve-se uma politica de mistificação, defesa e fomento do Império, como parte da ideologia nacional.



Em 1939, José Antunes da Cunha parte para Portugal onde abrem uma sucursal em Lisboa para escoamento dos seus produtos para a Europa, exportando farinha de peixe para a Alemanha (Hamburgo e Bremen), directamente de Porto-Alexandre. Por outro lado, a sede na Rua dos Correeiros, em Lisboa, garantia a compra de tecidos e bens para abastecer os armazéns de Angola.
Nunca mais José regressou ao Namibe. Albino da Cunha, sim, ali se radicou definitivamente, e ali faleceu em 1973, dois anos antes da independência de Angola. Foi um dos grandes empreendedores, a nível do comércio e indústria de Moçâmedes. Extremamente trabalhador, homem sério e bom, deu à cidade uma prole de filhos que na Metrópole acabariam por se licenciar, e que não apenas lhe herdaram os genes positivos, como lhe seguiram o rastro e até ultrapassaram.

 Foto de familia


Esta bela foto (clicar sobre ela para aumentar) do tempo em que o transporte  ainda se fazia  em carroças puxadas a bois, mostra-nos um grupo de crianças e adolescentes elegantemente vestidas, preparando-se para serem conduzidas a um cerimonial. À janela da casa da familia Antunes da Cunha dois dos seus elementos femininos, e , caminhando no lado de fora, junto da mesma duas senhoras elegantemente vestidas. À esq, dois africanos encarregados de orientar a condução da referida carroça e a dt. elementos masculinos da mesma familia.

Para saber mais, clicar AQUI 


terça-feira, 13 de novembro de 2007

Famílias antigas de Moçâmedes (hoje Namibe, em Angola): Lucinda Ferreira e João Rodrigues Trindade


Continuo  a saga do desvendar da geneologia na minha família em Moçâmedes  dirigindo-me agora para um outro ramo da mesma, para tal  começo por publicar esta foto que me foi gentilmente cedida, de Lucinda Ferreira Trindade enquanto de esperanças de seu filho varão, João Rodrigues Trindade. Lucinda  era, juntamente com Beatriz (a minha avó paterna) e Baptista, uma das trígémeas dos meus bisavós Catharina e Agostinho Ferreira, cujas fotos coloco a seguir.
                                       


Catharina Ferreira, a minha bisavó paterna. Foi a única foto que me veio às mãos.

 
Não possuo outra foto de Agostinho Ferreira, o meu bisavô paterno, se não esta em estado avançado de degradação


A fixação dos algarvios, sobretudo dos olhanenses em terras de Moçâmedes foi voluntária. Desde 1860 e até finais do século XIX, famílias inteiras foram partindo de Olhão rumo a Moçâmedes, em levas sucessivas, sem quaisquer ajudas governamentais, servindo-se nas suas viagens de caíques, palhabotes e outros barcos à vela, que eram para o efeito reforçados a cobre, tendo como único incentivo apenas a fama da riqueza piscícola daquele mar.

Em Moçâmedes os olhanenses encontraram os pioneiros  fundadores vindos de Pernambuco, Brasil, en 1849 e 1850, tendo fixação na cidade do Deserto sido excepcional, não estava no programa, aconteceu porque portugueses estavam sendo perseguidos e maltratados na ex-colónia, independente em 1822, e porque tiveram conhecimento da amenidade do clima da terra, favorável aos europeus, bem como da fertilidade dos terrenos irrigados pelos rios Bero e Giraul, favorável às culturas. tendo  para tal solicitado ao Governo de Portugal a sua transferência para aquele ponto do globo onde tremulava a bandeira portuguesa, bem como ajudas governamentais.  Os luso-brasileiros dedicavam-se à agricultura e também ao comércio, e em menor grau à pesca tendo montado algumas pescarias em praias desertas a norte de Moçâmedes, ou seja, na Baía das Pipas e no Bába. A vinda dos algarvios veio mesmo a calhar porque com a abolição do tráfico de escravos para o Brasil e Américas, e as inúmeras fugas de serviçais para as suas terras que se seguiram, alguns pescadores passaram a trabalhar para os luso-brasileiros.

Mais tarde, nos anos 1884 e 1885 chegaram a Moçâmedes duas "levas" de madeirenses  rumo às Terras Altas da Huila, numa altura em que decorria a Conferência de Berlim (1884-5) convocada por Bismark, que levou à "Partilha de África" pelas potências europeias. Foi uma fixação programada, que fez desviar o rumo da emigração então dirigida daquela Ilha para o Havai, Ilhas Sandwich e Demerara, onde, conforme se propalava, trabalhavam nas plantações como escravos e cedo perdiam a vida. Esse desvio visava também equilibrar o número portugueses com os boers  desde 1881 estabelecidos na Humpata. Alguns madeirenses preferiram ficar na cidade do Deserto.

O Mapa-Côr-de-Rosa apresentado por Portugal na citada Conferência, esboçava a pretensão de ligar Angola a Moçambique, facilitar a comunicação e tornar mais fácil o comércio e o transporte de mercadorias entre as duas colónias, pretensão não foi aceite pela Inglaterra, a velha aliada que pretendia um corredor livre entre o Cabo e o Cairo. Em consequência,  com o Ultimato Inglês (1890), a Inglaterra  declarou  guerra a Portugal caso não desistisse da pretensão, tendo o país consternado  abandonado a ideia, mas a humilhação foi tal que levantou uma onda de patriotismo, que levou a um reforço urgente da autoridade colonial para fazer respeitar os seus direitos, e a liberdade de trânsito para as mercadorias, bem assim como incrementar a fixação de mais famílias na região sul de Angola, desviando para tal, parte da corrente de emigrantes dirigida para o Brasil, para as províncias africanas. Foi neste período que aconteceu a experiência inicial das tentativas mais sistemáticas de ocupação de Angola e Moçambique, apoiadas na emigração,  que se consolidariam apenas a partir da década de 1920.  A soberania portuguesa estava em causa, se não houvesse fixação de portugueses, face à cobiça da Inglaterra, e da Alemanha, a potência que havia chegado tarde à "partilha de África", que ocupara o Sudoeste Africano, hoje Namibia, e alimentava intenções de anexar toda a faixa sul do território angolano, até ao Cunene e  fronteira com o Sudoeste Africano.   Eis o contexto em que se enquadra a ida dos meus familiares de Olhão para Moçâmedes.  

E para lá partiram, primeiro o meu bisavô, Agostinho Ferreira, acompanho pelo primogénito, Agostinho Jr. Em Lisboa, a aguardar notícias com ordem para avançar, ficou Catharina, a minha bisavó  com as suas filhas: Júlia, Maria do Carmo, as trigémeas Beatriz, Lucinda e  Baptista. Viajaram num desses misto vapor-veleiro, juntamente com outros algarvios que resolveram partir para aquelas terras misteriosas e desconhecidas.  
 
Imagino os meus bisavós a assistirem a toda aquela  movimentação patriótica que se desenrolou na capital do "Império". Foi nessa altura que Alfredo Keil, músico e pintor, compôs o Hino Nacional, cuja letra original exortava a marchar contra os bretões (não contra os canhões). Foi também nessa altura que Guerra Junqueiro escreveu o poema "Finis Patrie". A rainha Dona Amélia quando teve conhecimento do Ultimato, disse: «Devíamos cair-lhes de armas na mão em vez de aceitar tal Ultimato». A estátua de Camões foi coberta por uma faixa negra em todo o país. Os Republicanos, utilizaram o sentimento popular com o fim de acirrar ódios e paixões contra a Monarquia.  Pedia-se  a morte do Rei D. Carlos, que  acabou, juntamente com príncipe herdeiro, D. Luis Filipe, por ser assassinado em 1 de Fevereiro de 1908,  no ano a seguir à visita do Principe Real às colónias, com passagem por Moçâmedes onde presidiu à cerimónia da passagem de vila a real cidade, em 1907.
Novos contingentes de portugueses para a região de Moçâmedes, à época ameaçada pela cobiça alemã, e às voltas com a rebelião dos autóctones, instigados pelos alemães. Acredito que estes meus familiares desconheciam o que se estava a passar nas colónias. Decerto desconheciam toda a problemática que constituía uma fixação como aquela, em matéria de sacrificios futuros, e de segurança. Foram assediados pela propaganda passada pelos periódicos da época, e através editais colocados nos Adros das Igrejas, que convidavam a emigrar, prometendo condições de vida no quadro de um novo paradigma colonial, de desenvolvimento e progresso que se projectava para a colónia.  Talvez a crise com que se debatia a Pátria-mãe, os impulsionasse a tal.  A seguir ao meu bisavô e o ao Júnior, que chegados a Moçâmedes, escolheram  Porto Alexandre para se fixar, partiram a bisavó Catharina e as 5 filhas.

Em 1975, quando se deu a independência de Angola, descendentes destes pioneiros já se encontravam bastante enraizados à terra, através 4, 5 e até 6 gerações ali nascidas.

Tentarei, para memória futura, delinear alguma genealogia desta familia, que teve a sua origem nos meus bisavós Agostinho e de Catarina Ferreira, ambos algarvios a viver em Lisboa, no Baitto Alto, onde nasceram seus filhos. 

1. Lucinda Ferreira  ( a Senhora da 1ª foto) era umas das trigémias do casal, juntamente com a minha avó Beatriz (mãe do meu pai), e  com a Maria Baptista. Tinha mais  2 irmãs. a Júlia e a Maria do Carmo, e ainda dois filhos varões (o promógénito, Agostinho e o caçula, Álvaro, este, o único nascido em Moçâmedes).   Lucinda veio a casar em Moçâmedes com João Rodrigues Trindade. Deste casamento nasceram naquela cidade :

 1. Leovegilda Trindade (casou em Moçâmedes com Serafim dos Santos Frota), e o casal teve seis filhos: Branca, Madalena, Mariete, Serafim, Walter e Cláudio.  Na foto, à esquerda
2. Zenóbia Trindade (casou  em Moçâmedes com Raul de Abreu), e o casal teve três filhos, Arlete Trindade de Abreu (Leta),  Maria Fernanda(Bábá),  e Raul Alberto Abreu (Nito).(ver AQUI)
3. João Rodrigues Trindade (casou com ? da Silva)
4. Lumelino Trindade (casou com Helena Águas (1ªs núpcias), e tornou a casar com Laurinda...)

Seque a relação dos irmãos e irmãs de Lucinda Ferreira, que em Moçâmedes casaram e constituiram familia:

2.  Beatriz Ferreira (Almeida), minha avó paterna e  irmã gémea de Lucinda. Casou em Moçâmedes com João Nunes de Almeida, tendo desta união nascido os filhos : João Nunes de Almeida (casou com Eugénia ); Jesuina Almeida (casou com José Fernandes de Carvalho -Zeca); Virgilio Nunes de Almeida (meu pai, casou com Olga de Sousa Almeida, minha mãe), Fernando Nunes de Almeida (casou com Isabel Quintas); Laura Almeida (casou com Manuel Barbosa); Arnaldo Nunes de Almeida (casou 1ª nupcias com Francelina?, de Benguela, divorciou-se, e tornou a casar, em 2ªs. núpcias com Maria Etelvina Ferreira, filha de Álvaro, o filho mais novo destes meus bisavós); Ângelo Nunes de Almeida (casou com Odete Maló); Eduardo (Aníbal) Nunes de Almeida (casou com Júlia Rosa); Beatriz Almeida (casou com Álvaro dos Santos Frota).


3. Maria Baptista Ferreira (Nunes/Almeida) veio a casar com ? Nunes, em 1ªs. núpcias, e por falecimento deste, tornou a casar com João Nunes de Almeida, cunhado, em 2ªs. núpcias. Este casamento aconteceu após o falecimento da irmã gémea, Beatriz, no decurso do trabalho de parto de gémeos por falta de assistência. Da 1ª união nasceu Jaime Nunes, conhecido em Moçâmedes, onde toda gente tinha uma alcunha, por Jaime Cariongo, que casou com Reis, e tinha uma pequena loja, na Rua das Hortas, ao lado de Carvalho Oliveira, que vendia a melhor ginguba da cidade.

4. Júlia Ferreira (Gomes), veio a casar com Francisco Gomes do Armazém. Desta união nasceram Virgilio Gomes (casou com Gertrudes Ferreira); Júlia Celeste Gomes (casou com António Guedes da Silva); Libânia Gomes (casou com Arlindo Cunha); Maria Ilda Gomes (casou com José Maria de Freitas), Maria Alice Gomes (casou com Rogério Ilha).

5. Maria do Carmo Ferreira (Bauleth), veio a casar com José Bauleth. Desta união nasceu António Bauleth (casou com Celmira), Maria do Carmo Bauleth (casou com Mário Almeida), e nunca tiveram filhos. Alice Marta Bauleth (casou com Armindo Bruno de Almeida), e foram pais de Maria do Carmo, Roberto, Rui e Maria Eduarda.

6. Álvaro Ferreira, o mais novo e único nascido em Moçâmedes, veio a casar com Idalinda Ferreira (desta união nasceram Maria Etelvina Ferreira (veio a casar com Arnaldo Nunes de Almeida, sobrinho de seu pai), e Maria Lizette Ferreira (veio a casar com Alberto Miranda/divorciada)

7. Agostinho Ferreira, o mais velho, e o primeiro a partir com o pai para Moçâmedes. Nunca casou.

Sem dúvida, a Moçâmedes de então era mesmo uma grande família!





Foto: o casal Lucinda Ferreira e João Rodrigues Trindade junto das filhas Leovegilda Trindade  (à esq.) e Zenóbia Trindade (à dt.). 


 Foto: Zenóbia Trindade, filha de Lucinda e de João Rodrigues Trindade, já casada com Raúl de Abreu,  junto dos filhos, Arlete Trindade de Abreu (Leta), Maria Fernanda (Babá), e Nito Abreu, todos nascidos em Moçâmedes. Zenóbia era pois descendente de colonos algarvios, enquanto Raúl era descendente de colonos madeirenses





A casa da Torre do Tombo em foto de meados da década de 1950. Aqui morou Lucinda e João Rodrigues Trindade. A casa feita em madeira, encontra-se neata data já em estado de degradação




Esta casa, que cheguei a conhecer, já em estado avançado de degradação, era nos anos 1940 habitada por João Rodrigues Trindade e Lucinda Ferreira Trindade. Era uma casa de madeira, assente sobre pilares de cimento (tipo palafita), que ficava  no Bairro Torre do Tombo, num gaveto, cuja frente dava para a então Rua da Colónia Piscatória (rua que subia para a Praia Amélia, em frente à casa de João Duarte), e a lateral para uma rua que descia na direcção da praia, onde ficavam a mercearia e a habitação de Manuel Marques Monteiro.

Segundo refere Claudio Frota, neto João Rodrigues Trindade e de Lucinda Ferreira Trindade,
no seu blog "Memórias e Raízes",  a família tinha no seu início, em Moçâmedes, a sua vida organizada à volta de um barco de pesca e de uma quitanda (espécie de mercado de fruta e legumes, aberto num anexo que existia então junto a esta casa), e possuia também uma "escolinha" que funcionava na sala de entrada, onde davam explicações e  iniciavam as criançinhas do bairro no ler, escrever e contar, sendo, utilizando no ensino da leitura o método João de Deus. 


Por sinal ainda tenho uma vaga imagem dessa escolinha, seria essa uma das minhas memórias de infância mais remotas. Lembro-me de ver os meninos a receberem explicações, incluso o meu iemão mais velho. Mais tarde esta casa seria habitada (anos 1950) pela familia Caldeira, sendo o "patriarca" desta familia, pessoa muito solicitada em Moçâmedes, pela sua actividade como "endireita", porquanto se dizia que fazia curas milagrosas através das massagens que saiam das suas mãos. Ainda segundo o Claudio Frota, Rodrigues Trindade, seu avô,  possuia um terreno de "concessão régia" na Torre do Tombo, e a sua foto, legendada com seu nome e apontando para os seus 46 anos de pesca, constava, em 1975 de uma galeria de nomes exposta no novo edifício do Grémio dos Industrias de Pesca, inaugurado  em 1957, sito na Rua da Praia do Bonfim, em frente à Avenida da República (zona do "Espelho e Água" e das gazelas). Figuravam na mesma galeria os nomes de Manuel Nunes de Carvalho, com 52 anos de pesca, António Mestre, com 40 anos de pesca, João Gonçalves Bento e Joaquim Bento, com 47 anos de pesca, Domingos Martins Nunes, com 46 anos de pesca, Tomás Ribeiro, com 52 anos de pesca, António Santos Paulo, com 39 anos de pesca, António Viegas Seixal, com 48 anos de pesca e Manuel Baptista Lisboa, com 44 anos de pesca.

Cláudio Frota, sobre estes seus antepassados, escreveu ainda no blog Memórias e Raízes:


"...Em direcção ao Largo Camões na freguesia de Santa Catarina (Lisboa), naturalidade do seu avô materno Agostinho Ferreira que casou com Catarina, natural de Olhão e criaram vasta prole no bairro da Torre do Tombo em Moçâmedes. Desta descendência vamos encontrar a muito celebrada Raínha da Beleza de Moçâmedes, Riquita Bauleth, miss Portugal 1971, (trineta), figura muito querida dos moçamedenses que todos recordam com muito carinho.


"...Decorria a 1ª Grande Guerra Mundial quando sua mãe Lucinda veio à Metrópole com a saúde debilitada. Viajou acompanhada pela sua irmã mais velha Leovegilda e ficaram alojadas em casa de familiares no Largo Camões. Leovegilda recordava os Grandes Armazéns do Grandela e os rebuçados que lá comprava quando fazia os recados familiares: "Davam sempre uns tostões a mais para rebuçados" - dizia. Nessa época as viagens para a Metrópole eram extremamente arriscadas devido à ameaça dos submarinos alemães que patrulhavam o Atlântico. Tiveram na viagem a protecção de um caça-minas da Marinha de Guerra Portuguesa.

"...Pararam na Póvoa do Varzim, como estava programado. Hospedaram-se num hotel para prevenir uma eventual demora e puseram-se a caminho da morada do senhor Flores. Um táxi fez o percurso até à morada, inscrita no postal que o sr. Flores enviara dez anos antes. A porta entreabriu-se e o cabelo grisalho de um homem septuagenário surgiu na ombreira. "Vimos de África, de Moçâmedes e procuramos um senhor chamado Flores" "sou o filho do Trindade da Torre do Tombo", disse. A emoção embargou a voz do sr. Flores, o abraço foi longo e apertado. Ofereceu hospedagem em sua casa insistindo para que fossem ao hotel buscar as malas. "A porta da minha casa está sempre aberta aos filhos do Trindade", disse. Aquele abraço revelava a emoção sentida de um reencontro, do "reencontro" de dois verdadeiros amigos que 44 anos antes haviam construído uma amizade nas incertezas de uma guerra.

"...Leovegilda, que conheceu o senhor Flores aos nove anos, casou com Serafim dos Santos Frota, nascido também na Torre do Tombo. Transmitiu este "hino" à amizade, à fraternidade e à solidariedade aos seus seis filhos: Branca, Madalena, Mariete, Serafim, Walter e Cláudio. Em 1964 Walter veio a Portugal cumprir o serviço militar na Força Aérea. Viajou à Póvoa do Varzim para conhecer o senhor Flores que relatou os anos inesquecíveis de 1915 e 1916, a forma amiga e fraterna como foi recebido pelos Trindade da Torre do Tombo, avós do Walter, forma amiga e fraterna que ajudou a mitigar ausências e saudades, e do sentimento de gratidão por aquela amizade, que apesar da distância, perdurou no tempo.

Em 1975 tanto Leovegilda como Zenóbia, casadas respectivamente com Serafim dos Santos Frota e  Raúl de Abreu habitavam  duas lindas vivenda situada em local privilegiado, uma zona moderna e mais elevada em relação ao "centro histórico" da cidade, mas muitissimo próxima do centro. 


 



                                                    Outras fotos, outros familiares...





Foto: Alice Marta, filha de Maria do Carmo e de José Bauleth, e neta de Agostinho Ferreira e de Catharina Ferreira, à direita, com as mãos sobre uma filha/filho? (Maria do Carmo? Roberto?) A senhora ao centro é Idalinda Ferreira, casada com Álvaro Ferreira, o filho mais novo de Agostinho Ferreira e de Catharina Ferreira. A menina é a Maria Etelvina Ferreira de Almeida. O senhor da esquerda parece ser Mário Frota, A senhora junto da porta era filha de uma enfermeira parteira de nome Júlia.

Ver AQUI

 


Mas há outro pormenor interessante, é que se estou ligada a esta familia constituida por Maria do Carmo+ José Bauleth, pelo lado paterno (2 ramos), e também pelo lado materno, pois Armindo Bruno d'Almeida, casado com Alice Marta Bauleth, era filho de Maria de Jesus (Frota Martins Gaivota), uma irmã da minha avó materna, e de António dos Santos Almeida, e este era irmão do meu avô paterno João Nunes de Almeida ambos filhos de Fernando dos Santos Almeida.
      E também estou ligada pelo lado da minha avó paterna, Beatriz que era irmã de Maria do Carmo, ambas filhas de Catharina Ferreira e Agostinho Ferreira, uma vez que a Maria do Carm casou com José Bauleth e foram pais de Alice Marta Bauleth Almeida.

Por isso é que se dizia que em Moçâmedes até 1950 todos eram primor e primas...





Desta descendência vamos encontrar Riquita Bauleth, miss Portugal 1971, (bisneta de Maria do Carmo e de José Bauleth, logo trineta de Catarina e Agostinho Ferreira).


http://memoriaseraizes.blogspot.com/2009/05/em-memoria-de-uma-amizade-incomum.html
             



Ficam estas recordações


MariaNJardim




(*) Portugal participou na Conferência de Berlim, mas sob o estigma de pequeno país periférico que tinha colónias há séculos na costa africana (desde 1482),  mas  não evidenciava uma ocupação definitiva dos territórios que reivindicava, por direito histórico.  A partir daquela Conferência passou a vigorar a ocupação efectiva, e Portugal tinha ocupar, sob pena de ter que os ceder a potência que estivesse em condições de o fazer. Assim exigia a Alemanha, potência recém chegada ao continente africano, e com pretensões em relação ao sul de Angola. O direito de ocupação, mas apenas aos países que tivessem capacidade efectiva de ocupar, manter e desenvolver os seus territórios.