Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












terça-feira, 27 de novembro de 2007

Postais antigos de Mossãmedes: Praça do Peixe e carregadores indígenas
















1º: Carregadores numa das ruas de Mossãmedes

2º: A Praça inicial de Peixe perto da Fortaleza no início do século XX.

Já cerca de 1943/1944 a Praça de Peixe em Moçâmedes ficava junto à praia entre o piquete Alfândega e capitania depois passou a ficar a 1/3 da falésia zona declive da Igreja para o mar. Essa praça não passava de um barraco situado na praia, na direcção da Igreja e do Palácio, onde o sr. Olímpio de Jesus, zeloso funcionário da Câmara Municipal, cobrava os "terrados", que nada mais era , do que uma pequena taxa/imposto que os pescadores pagavam , para que lhes fosse permitido vender o peixe nas bancas daquele improvisado mercado. É claro , que a maior parte do peixe não chegava a passar pelas bancas, pois era vendido logo à chegada da "chata" à praia.
Durante as horas da maré cheia ficava um carreirinho de menos de 1 metro entre a Fortaleza e o barco desde há muito alo naufragado por onde se podia passar, esse navio de ferro que acabou fragmentado pelo tempo soterrado sob a nova marginal de Moçâmedes.Uma linda Peixaria em Moçâmedes


Final dos anos cinquenta
na minha memória surge uma imagem,
ou , talvez , no início dos sessenta
na Marginal sem terraplenagem.
Era uma falésia de amarela terra
da Fortaleza até ao porto
areia,mais areia... um cenário de serra,
um espaço semimorto.
Barquinhos de pesca lá estávam
com peixes fresquinhos pulando ,
no sopé da encosta se alinhavam
e com orgulho a mercadoria mostravam.
A peixaria era mais acima
a meio da íngreme encosta,
era um "buraco"cavado na areia
condicionado à criativa proposta.
Único ponto da cidade,talvez ,
de venda rápida e rentável
de acesso difícil...uma pessoa por vez,
nos estreitos degraus da peixaria adorável.
Lá ia eu de manhãzinha...
Era meu programa favorito
com o cozinheiro e ...bem comportadinha
íamos falando em peixe frito.
Que aventura sensacional
descer até à "caverna"
sentar-me e ...olhando aquele mar genial,
espaço azul que o horizonte governa.
Os pescadores eu via chegar
com cestas cheias a abarrotar
de cachuchu,mero,carapaus
sardinhas,garoupa.peixe-espada
dourado,corvina,pungo
e tantos e tantos mariscos.
Tudo isto eu vi de perto
na "caverna" imaginei-me pirata
naquela encosta do nosso deserto...
Era real...tal enseada tão farta.

Teresa Caeneiro (Sanzalangola)

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