Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

2009 : Bicentenário do nascimento de Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, o fundador de Moçâmedes








Recebi esta mensagem da «comissão de instalação do busto» em homenagem a Bernardino Freire de Abreu e Castro, que passo a divulgar:

«Bernardino vai ser homenageado na sua terra natal, Nogueira do Cravo em 2009 (Bicentenário do seu nascimento). Queremos fazer-lhe um busto! No entanto os apoios estão dificeis por parte da autarquia.
Se quiserem saber mais ou colaborar com a comissão de instalação do busto fica aqui o endereço:

ruiarguina@hotmail.com »
-----------------------------
«Passados quase duzentos anos do seu nascimento, são muitos os que na sua terra natal desconhecem a história de tão nobre homem, no entanto já anteriormente muita gente quis honrar seu nome. Exemplo disso mesmo, é o “Jornal O Catre”, um jornal da década de 80, que era dirigido pelo Grupo de Jovens Unidos a Cristo, que já em Novembro de 1985 publicava a história de Bernardino pedindo que se fizesse justiça ao nome de tão grande figura. Em Fevereiro de 1987, o mesmo Jornal pedia que se atribuísse a uma Rua Nogueirense, o nome deste, e em Maio de 1988, lembrou a Autarquia que o seu pedido ainda não tinha merecido a melhor atenção, tendo vindo mesmo a ser feita a vontade dos Jovens e a devida homenagem a este grande homem.
Está também planeado, para a data em que se assinalam os 200 anos do nascimento de Bernardino, o erguer de um busto do mesmo na terra que o viu nascer. Iniciativa louvavél em que certamente será necessária a colaboração de todos para que se consiga alcançar esse objectivo. Que esta pequena e abreviada biografia sirva, para além de dar a conhecer a história de vida de tão grandiosa figura, para mover a população Nogueirense e não só, a colaborar e a divulgar tão nobre e justa causa. »

RF/CM
in:
http://olharnogueiradocravo.blogspot.com/2007_10_01_archive.html
---------------------


Do mesmo blog, passo a transcrever:

Bicentenário do Nascimento de Bernardino - Parte I

O "Olhar Nogueira do Cravo" dá hoje início à publicação de um trabalho acerca da vida e obra do nosso ilustre Bernardino Freire Figueiredo Abreu e Castro, elaborado com o objectivo de vir a ser distribuído pelos presentes no dia da sua Homenagem, a decorrer no próximo dia 3 de Outubro.
Uma vez que esta mesma distribuição poderá ser impossibilitada por limitações financeiras, faseadamente será colocada toda a informação neste blog, existindo ainda a possibilidade de o documento ser facultado na integra por meio digital a todos os interessados.


Homenagem da sua terra natal ao ilustre Nogueirense, fundador da cidade de Mossâmedes e com notável actividade em três continentes.

Por: António Serra


BIOGRAFIA


Nasceu em Nogueira do Cravo. O seu percurso de vida desde estudante a político, militar, jornalista, exilado, professor, escritor, patriota, colono, agricultor e juiz, deixa marcas indeléveis nos continentes Europeu, Sul -Americano e Africano, culminando neste último com a fundação da cidade Angolana de Mossâmedes em 4 de Agosto de 1849, hoje chamada de Namibe, após a independência daquela nossa antiga província ultramarina.

O seu baptizado foi em quatorze de Dezembro de mil oitocentos e nove na Igreja Paroquial de Nogueira do Cravo, conforme o atesta o respectivo registo.

Nascido na rua do Saco, era filho de Alexandre Nunes Vieira de Barros e Rita Gouveia Freire de Figueiredo, neto paterno de Manuel Nunes de Campos e de Joaquina Bernarda, que moraram na Casa da Torre, também conhecida por Casa dos Mouros ou Casa do Penedo. Os seus avós maternos eram Francisco Abranches Figueiredo e Josefa Maria de Abreu, naturais de Avô. A sua ascendência remonta a D. Pedro e Dª. Inês de Castro.

A sua matriz religiosa e política, herdou-as de seus familiares, profundamente religiosos e fervorosos adeptos da monarquia vigente, vindo a tomar partido directo quando atingiu a sua maioridade e se confrontavam então os absolutistas liderados pelo seu “adorado Monarca Senhor D. Miguel” e os Liberais que apoiavam as teses do seu irmão D. Pedro.

Nos seus primeiros anos, até atingir a maioridade, terá vivido em casa dos pais, mas aos vinte anos de idade vai para Coimbra, onde se matricula na Universidade de Coimbra em 1829, frequentando os primeiro e segundo anos de Leis. Porém, o ambiente aqui vivido não era o melhor face às suas convicções políticas e, assim, abandona os estudos e envereda pela via revolucionária, nas hostes de D. Miguel, atingindo o posto de Tenente de Caçadores. Porém, não teve a sorte de seu lado, pois que este monarca foi derrotado e obrigado a sair de Portugal. Não obstante uma convenção realizada em Gavinhos, tendente a pacificar a região entre liberais e absolutistas, Bernardino envolve-se novamente nas escaramuças e participa, bem como seu irmão Alexandre, numa revolta chefiada pelo seu parente Dr. Luiz Paulino, todos naturais de Nogueira do Cravo.

Num meio tão pequeno como o nosso, só lhe restou esgueirar-se e refugiar-se em Lisboa. Com outras armas, continua a conspirar tornando-se jornalista em órgãos do partido dos absolutistas, como no Alcance e no Portugal Velho, onde terá chegado a fazer parte da redacção deste jornal, até que foram extintos por força da nova Constituição.

Com um ambiente claramente hostil, difícil em se mover, desgostoso, prefere abandonar voluntariamente o território Nacional rumo ao Brasil, do que ter de se sujeitar aos novos senhores, isto é aos liberais.

Com trinta anos de idade parte assim para o Brasil, indo fixar-se no Recife em Pernambuco, não procurando a emigração como o alvo de enriquecimento fácil, mas sim como um intelectual que, longe da sua pátria, não se subordinando ao regime que vigorava em Portugal, enveredou por uma nova actividade durante os dez anos que pôde estar no Brasil.

Começa então a leccionar no Colégio Pernambucano, onde faz parte do corpo docente e, não satisfeito com isso, dedicou-se a estudar profundamente a História, donde resultam a publicação de alguns livros de índole didáctica como a História Geral em seis volumes, o Compêndio Elementar de Cronografia e o mais conhecido neste momento e que possuímos, que é o romance histórico, descritivo, moral e crítico, com base nos encontros entre Portugueses e Holandeses de 1648 a 1649, nos montes de Guararapes, na zona do Recife, onde vivia, presumo, já que tinha o seu escritório na Rua da Cadeia Velha, n.º 3. Digamos que é a fase do professor, do intelectual, erudito e escritor.

Só que os ventos da adversidade voltam a aparecer no horizonte. O Brasil tornara-se uma nação independente, cerca de vinte anos antes e os seus naturais não vêm com bons olhos o ascendente económico e político dos Portugueses.

Surgem então “Os praieiros”, movimento de uma facção liberal que propôs a expulsão de Portugueses solteiros e a nacionalização do comércio a retalho. Surgiram tumultos e as perseguições, apelidando depreciativamente os portugueses de “marinheiros”, tornando a vida muito difícil nos últimos dois anos, para não dizer impossível, a estes nossos compatriotas. É aqui que surge o carisma de um líder que não gosta do que vê - Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro. Faz circular pelos seus compatriotas a ideia de transmitir ao Governo Português o que se estava a passar, pedindo providências, entre as quais o transporte para um ponto das nossas possessões na Ásia ou em África onde, como colonos, se quisessem estabelecer. Não foi nada fácil, mesmo perante as atrocidades sofridas, convencer os seus compatriotas a partir. Foram quinze dias difíceis para os convencer, mas Bernardino, homem indomável, armando-se em porta-voz daquela gente, escreve ao Ministério da Marinha e Ultramar que envidasse todos os seus esforços para concretizar tal pretensão. Impôs condições que viu satisfeitas, como navios para os colonos abandonarem o território gratuitamente, com provisões para seis meses, ferramentas, utensílios agrícolas, auxílio financeiro para aquisição de maquinaria para a industrialização da cana sacarina, isenções de direitos sobre os bens, a publicação de uma lei para isentar de impostos alfandegários por dez anos, etc.
Com tudo o que é previsível salvaguardar e com as devidas garantias, lá partiram de Lamarão, do porto de Pernambuco, rumo ao sul de Angola, às quatro horas da tarde do dia vinte três de Maio de mil oitocentos e quarenta e nove em dois navios com 166 pessoas, sendo um de escolta.

Não chegaram todos, pois oito pessoas pereceram na viagem com as bexigas, sendo três adultos e cinco crianças, não obstante Bernardino ter levado, como condição para a mesma e instalação final, um sacerdote, artífices de vários ofícios, dois farmacêuticos e uma bem sortida botica.

O primeiro barco, o Brigue Douro, chega no dia um de Agosto, mas só desembarcam com a chegada da barca Tentativa Feliz no dia quatro de Agosto, após setenta e quatro dias de viagem. Há grande recepção e festa, mas Bernardino não descansa. Em dezasseis de Agosto segue no mesmo barco brigue Douro, para Luanda, onde apresenta cumprimentos ao Governador-Geral e se demora dois meses tratando de formalidades para o funcionamento da sua colónia.

De regresso a Moçâmedes, é içada a bandeira portuguesa em 21/10/1849 às 7 horas da manhã, com salva de vinte um tiros, arraial e foguetes. O local passou a chamar-se o Sítio da Bandeira e foi aí que escolheu erguer a sua habitação. Os outros colonos fizeram o mesmo noutros locais que escolheram para as suas fazendas e plantações com os respectivos engenhos agrícolas e sementes, trazidos do Brasil.

Os primeiros anos foram muito difíceis, devido à novidade de uma nova terra, com outro clima e o desconhecimento das plantações na época certa. Grassa o descontentamento e Bernardino, agora agricultor, no meio do povo exclama “ Só será salvo o que perseverar até ao fim”. E, convicto que venceria, passados dez anos, exactamente em 4/8/1859, faz no notário, a célebre Escritura de Promessa e Voto (*).

Entretanto nasce o município de Moçâmedes quando já existem 36 casas de pedra, oito de adobe e a capela de Santo Adrião, das primeiras construções efectuadas.

Bernardino é um precursor da abolição da escravatura pela qual se bate e aplica na sua própria fazenda escrevendo em 1857 “os poucos pretos com quem trabalho, podem hoje ser livres porque continuarão a ser úteis. Eduquei-os com boas maneiras e não com castigos bárbaros...não me agrada a distinção entre escravos e libertos, nem a admito na minha fazenda. ”E a sua postura teve eco. Portugal abolia o estado de escravidão em 1869.

Bernardino aproxima-se do fim. Nos seus escritos não deixa de perceber-se uma certa nostalgia da Pátria, de Nogueira e de sua mãe.

A década de sessenta corre muito mal a Bernardino. A sua fazenda e equipamento foram destruídos por outros povos. O Governo-geral de Angola é impotente para lhe resolver a situação criada, com ajudas e redução de impostos, para se reorganizar e recuperar. Vem a Lisboa onde se demora ano e meio pedindo apoios directamente. Regressa a Mossâmedes sem nada e só passados seis anos lhe dão resposta com despacho miserável. Não recupera dos prejuízos e dívidas dos cinco anos que ainda viveu.

Em 14/11/1871, com 62 anos de idade, faleceu, pobre, quando regressava de Luanda, ao serviço da comunidade, vítima de uma pneumonia dupla. O povo de Moçâmedes nunca o esqueceu, ao contrário da sua terra. Nunca é tarde para, ao menos, perpetuarmos a sua memória e divulgarmos o seu honroso e épico percurso de vida. A oportunidade vai surgir em Novembro do ano 2009 por ocasião do bicentenário do seu nascimento. Tem a palavra o povo de Nogueira.
Poderão, os mais cépticos, questionar o que fez Bernardino em Nogueira do Cravo, sua terra natal. Os promotores desta justa homenagem não têm dúvidas do quanto ele fez por Nogueira do Cravo. Lendo as fonte impressas a que no final fazemos referência, os muitos textos que circulam na internet, o reconhecimento do mérito pela diáspora angolana, ou ainda o que dele escreveu o poeta Padre Gil Duarte “


Bicentenário do Nascimento de Bernardino - Parte II

Resumo do percurso de vida de um grande líder.

CONTERRÂNEO
14/12/1809- Baptizado/Nascimento em Nogueira do Cravo.

ESTUDANTE
1829- 1º Ano de leis na Universidade de Letras Coimbra
1830- 2º Ano de leis
1831- Não matriculado.

POLÍTICO
1831 - Não aparece matriculado no 3º ano da Universidade, dada a inflamada atmosfera política adversa aí vivida. Ele que, enquanto político, dizia no atestado do seu comportamento “Tem mostrado em todo o tempo grande adesão ao nosso adorado monarca o Senhor D. Miguel I não cessando de vociferar pela defesa dos seus inaudíveis direitos...).

MILITAR
1831/1834- Alistou-se no exército voluntário realista de D. Miguel, como Tenente de Caçadores, participando na guerra civil, defendendo os ideais absolutistas, contra o exército liberal de D. Pedro IV.
26/05/1834- Assina-se a convenção de Évora Monte. O monarca derrotado tem 15 dias para abandonar o país. Bernardino tem 25 anos.
01/ 06/1834- D. Miguel parte para o exílio depois de dissolvidos os seus regimentos. Acabara a guerra, mas não principiara a paz. Após a capitulação, Bernardino envolve-se num plano para devolver o trono a D. Miguel.
1835- Entretanto e para acabar com as guerrilhas, foram convocados pelo Governador Civil Henriques Seco para uma reunião em Gavinhos (Convenção de Gavinhos) os representantes de miguelistas e liberais, que teve como consequência estabelecer a paz política na região, o que não evitou a continuação de escaramuças nas quais se envolveu Bernardino.
1837- Revolta na Serra da Estrela. Juntamente com seu irmão Alexandre e Dr. Luiz Paulino de Figueiredo Fragoso de Abreu (seu parente, amigo, conterrâneo e chefe da rebelião) participa, para aclamar de novo, como rei, o senhor D. Miguel. Derrotado, deixa Nogueira do Cravo, foge com seu irmão para Porto da Balsa na Pampilhosa da Serra. Furta-se assim à captura e justiça do vencedor e esgueira-se das Beiras para Lisboa.

JORNALISTA
Bernardino passa a viver na clandestinidade em Lisboa. Faz-se jornalista, colabora no órgão Alcance e, mais tarde, trabalha assiduamente no jornal Portugal Velho, também clandestino e que defende os ideais absolutistas, enquanto outros companheiros continuam as guerrilhas contra o governo. Neste jornal fará parte do corpo de redacção.
04/08/1838- Estes jornais tiveram o seu fim com a Constituição Setembrista, dado serem órgãos do partido absolutista.

EXILADO
1839- Exila-se voluntariamente e emigra para o Brasil, fixando-se no Estado de Pernambuco. Renuncia a toda a actividade política. Assim, estando longe da metrópole, alheava-se mais das actividades do Governo Português.

PROFESSOR
Dedica-se ao ensino no Colégio Pernambucano onde fez parte do corpo docente, regendo as cadeiras de História, Geografia e Latim. Terá fundado um jornal.

ESCRITOR
Como erudito professor e para desempenhar a sua profissão dedica-se a um estudo aprofundado da História. Publicou algumas obras de índole didáctica, sendo a mais importante a História Geral (1841), em seis volumes: 1º. sobre a História Sagrada do Antigo Testamento, o 2º. Sobre a História da Vida de Jesus Cristo e dos Apóstolos e História dos Judeus desde a dispersão até aos nossos dias, o 3º. Sobre a História Antiga e Grega, o 4º. Sobre a História Romana e da Idade Média, o 5º. Sobre a História Moderna e o 6º. Sobre a História de Portugal e do Brasil. Em 1845 edita o Compêndio Elementar de Chronologia e em 1847 o romance histórico, descritivo, moral e crítico, Nossa Senhora dos Guararapes.
Destes livros possuímos este romance. Segundo M.J.Mendonça Torres que em 1949 contactou um parente, já falecido, este possuía a obra completa.
1844- Entretanto na Assembleia Provincial de Pernambuco é proposta a expulsão de portugueses solteiros, como é o caso de Bernardino. Há um movimento de hostilidade dos naturais, contra aqueles que, nascidos na Europa, faziam a sua vida no Brasil, como acontecia no restante continente americano.
8-9-10/12/1847- Violência no Brasil com arruaceiros, exigindo a expulsão dos portugueses solteiros.

PATRIOTA
13/07/1848- Do Recife, endereçou uma carta ao Ministério da Marinha e Ultramar, solicitando mapas e relatórios sobre Angola com informações detalhadas. Pede auxílio material que permita o transporte de pessoas e bens desde o Recife até ao local a definir em Angola. Entretanto organiza uma colónia agrícola de povoadores.
O Governo faz a proposta no parlamento para a afixação da colónia em Mossâmedes. Recebe (Bernardino) através de Luz Sariano do Ministério um relatório detalhado, com mapas, memórias e tudo-“Memórias sobre a Angra do Negro”. Através destas é dado todo o apoio de auxílio e meios de deslocação solicitados e envia-lhes os barcos “Douro e Vila Flor” para a sua segurança do Recife.
26/10/1848- O Governo resolve aceitar o oferecimento dos colonos portugueses atendendo à pretensão de Bernardino e faz expedir a portaria n.º 2063. “Mandar expedir as providências necessárias para a passagem dos mencionados portugueses, para o lugar das possessões em África, que por eles for escolhido.”
26/12/1848- Nesta data é criada no Recife uma comissão especial, presidida pelo Cônsul de Portugal, Bernardino e mais quatro portugueses. Mas, segundo Castro Alves, reuniram-se a primeira vez em 23/01/1849 os dois primeiros e só em 27/01/1849, foi alargada aos restantes.
31/01/1849- O Diário de Pernambuco desta data, publicou um edital datado de 29/1, em que o presidente comunicava que o Governo concedia as seguintes facilidades... (atrás referidas: passagens, sustento e facilidades...).
02/02/1849- Ataque das forças do Praieiro no Recife, em que nomeadamente os portugueses têm a ajuda dos dois brigues acima referidos.
27/03/1849- Começa a funcionar a comissão, que leva a que tudo esteja pronto para o embarque de modo a dirigirem oportunamente a viagem dos colonos para o porto que escolhessem, em qualquer das províncias d`Africa.
29/03/1849- O Governo-geral de Angola informava o Ministro da Marinha e Ultramar de ter sido escolhida a província de Angola e o local de Mossâmedes.
15/05/1849- Diário de Pernambuco Noticia “que o cidadão português Bernardino se retira para Moçâmedes, levando na sua companhia 3 criados. Qualquer conta que deva na praça, pode ser apresentada no seu escritório da Rua da Cadeia Velha, n.º 3.... e aqueles que lhe devam contas, mesmo ainda do tempo que dirigiu o colégio Santo António, querendo pagá-las, ali podem dirigir-se.”
23/05/1849- Às 4 horas da tarde, a colónia saiu do Porto de Pernambuco, rumo a Mossâmedes, na barca brasileira Tentativa Feliz c/166 pessoas (ou 180?), incluindo um cirurgião e um barbeiro, fundeando nessa noite no Lamarão. Estiveram lá todo o dia e saiu no dia 25, seguida do brigue de guerra Douro, encarregado de acompanhar a barca à vela. (há descrição da viagem por Bernardino)

COLONO
01/08/1849- Após dias de viagem entra na baía de Mossâmedes o Brigue Douro, avistando longo areal, servido pelo rio seco Bero.
04/08/1849- Com 74 dias de viagem, desembarcam após a chegada da barca Tentativa Feliz. Na viagem pereceram 8 pessoas. Têm recepção de boas vindas por parte de entidades distritais e indígenas. O Governador-geral que os esperava há dias teve de regressar a Luanda por necessidade de serviço.
16/08/1849- Bernardino segue no brigue Douro para Luanda, a fim de apresentar cumprimentos ao Governador-geral.
22/08/1849- Chega a Luanda onde se demora dois meses, após ter sido recebido pelo Governador-geral “com as mais decididas provas de contentamento”.
13(14)/10/1849- Bernardino é investido no Conselho Colonial de Mossâmedes, após o que faz viagens de estudo.

AGRICULTOR
21/10/1849- Içada a bandeira Portuguesa às 7 horas da manhã, no Vale dos Cavaleiros. Salva de 21 tiros (houve arraial…, foguetes.). O local passa a chamar-se o sítio da Bandeira. Aí Bernardino, líder incontestado de rija têmpera, ergue a sua habitação. Começa então a inspeccionar a região procedendo-se à distribuição de terras na foz do rio Bero no Vale dos Cavaleiros, entre outros lugares, instalam os engenhos agrícolas do açúcar trazidos de Pernambuco e principiam a construção da Capela de Santo Adrião, cuja primeira pedra tinha sido lançada a 27/07/1849, uma semana antes. É que a travessia atlântica foi extraordinariamente lenta e o Governador-geral, de nome Adrião, não pôde esperar. Hoje é a Igreja Paroquial de Santo Adrião.
1850- (Abril) -Bernardino envia, com entusiasmo, ao ministro da Marinha, a primeira amostra de aguardente fabricada na colónia.
13/10/1850- Sai do Brasil mais uma colónia de 145 (125?) emigrantes
26/11/1850- Chega a Mossâmedes esta 2ª colónia com mais 125 pessoas de Pernambuco.

JUIZ
13/12/1852- Decretada a criação do lugar de juiz ordinário de Mossâmedes, cujas funções Bernardino veio a exercer durante vários anos, dando mostras de elevado sentido de justiça.
24/11/1854-Bernardino, em carta dirigida ao Ministro da Marinha, preconiza e consegue a cultura do algodão, menos exigente em água.
26/03/1855- Decretada a elevação de Mossâmedes a vila.
07/05/1855- Por carta régia desta data, Mossâmedes é elevada a Vila.
1856- Existem 36 casas de pedra e 8 de adobe e nasce o Município de Mossâmedes.
22/12/1856- Bernardino elabora o mapa da sua actividade económica, como era exigido pela edilidade, mostrando que o passivo aumentava. A causa foi o incêndio que em Junho desse ano devastou a sua propriedade, destruindo a maior unidade industrial do distrito.
1857- Entretanto a vida segue e bate-se pela abolição da escravatura. Aplica-a na sua fazenda.
1858- Portugal decreta que passados 20 anos, não haverá mais escravos, como se verá em 25/02/1869.
04/08/1859- Décimo aniversário da chegada da colónia. Escritura de Promessa e Voto como testemunho público do seu reconhecimento, conforme texto mais à frente e em que intervém Bernardino.
14/03/1860- O vale dos Cavaleiros, onde se situa a exploração agrícola de Bernardino é invadida e destruída, o que acontece pela segunda vez.
21/04/1860- Por despacho desta data se dá conhecimento que, a bordo do vapor português D. Stephania, viaja para Lisboa o passageiro do Estado, Bernardino. O objectivo da viagem é, uma vez que o Governador-geral de Angola foi impotente para ajudar os agricultores e face à destruição, ir junto do Governo da Nação procurar ajuda e diminuição nos impostos.
Regressa a Mossâmedes, passado ano e meio em Lisboa, sem conseguir o que pretendia.
24/04/1866- O despacho desta data do Conselho Ultramarino, passados seis anos, nada resolve. Nos cinco anos que se seguiram até à sua morte, não consegue refazer-se da totalidade dos prejuízos sofridos. Os seus compromissos jamais puderam ser amortizados. Não mais recupera.
25/02/1869- Data da publicação do decreto que “abole o estado de escravidão em todos os territórios da monarquia portuguesa.”
14/11/1871- Faleceu aos 62 anos de idade, pobremente, quando regressava de Luanda em serviço da comunidade. O povo de lá nunca o esqueceu. E a sua terra natal? Saberá o que dela disse o Patriarca de Nogueira do Cravo?
...


Ainda sobre Bernardino

A história da emigração para Angola de grande número de portugueses residentes em
Pernambuco, em 1849 e 1850, ainda não está conhecida com pormenores, embora existam alguns
trabalhos a respeito. O episódio está ligado à campanha anti-lusitana que precedeu a Rebelião
Praieira. A campanha não limitou-se, como é sabido, a violentos artigos de jornal, mas foi até à
agressão física e ao assassínio de portugueses. Em 13 de julho de 1848, um dos portugueses
fixados em Pernambuco, Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, dirigiu um memorial
ao governo de Portugal descrevendo a situação dos seus compatriotas aqui e informando que
muitos deles estavam interessados em transferir-se para outro sítio, onde fundassem uma colônia.
Era então ministro do Ultramar o historiador Simão José da Luz Soriano que se interessou
em atender o pedido, indicando a região de Moçâmedes, no Sul de Angola, como local para se
fixarem. De Portugal foram mandados, para garantir os portugueses do Recife, dois brigues de
guerra, Douro e Vila Flor, e instruções para facilitar a transferência e o estabelecimento dos
emigrantes naquele lugar.
O Diario de Pernambuco de 31 de janeiro de 1849 publicou um edital, datado de 29, pelo
qual o Cônsul de Portugal, Joaquim Batista Moreira, como presidente de uma comissão especial
(criada no Recife em 26.XII.1848 e composta de B. F. F. de Abreu e Castro, Ângelo Francisco
Carneiro, Bernardo de Oliveira Melo e Miguel José Alves, secretário), comunicava que o governo
concedia as seguintes facilidades a todos os que se quisessem transferir para a África : passagem e
sustento à custa do Estado, inclusive às famílias; transporte para móveis e objetos pessoais;
"instrumentos artísticos ou agrícolas e de quaisquer sementes"; terrenos na colônia a ser fundada
e uma mensalidade durante os 6 primeiros meses após a chegada ali. Pouco depois foi nomeado
(19.1V.I849) em Portugal o Capitão de fragata Antônio Sérgio de Sousa (depois Visconde de
Sérgio de Sousa, avô do ilustre escritor Antônio Sérgio), governador da Colônia a ser estabelecida
em Moçâmedes.
Aqueles dois brigues portugueses prestaram inúmeros serviços durante o ataque ao Recife
pelas forças do Praieiro (2.II.1849), recolhendo a bordo, os seus oficiais, sem distinção de
nacionalidade, muitas pessoas que e tão surpreendidas de susto e de terror buscavam auxiliar-se
ali, ou na sua aflição iam, inda que a seu pesar, precipitar-se nas ondas que banham as praias e
cais desta cidade", diz um agradecimento de J. A. S., no Diario de 10.II, seguido de vários outros, no mesmo jornal de 15 e 16.II.1849. Do brigue "Douro", conserva-se o "livro de quarto"
referente a 1848-49, no Arquivo Histórico Ultramarino de Lisboa, Arquivo de navios, códice 1.192,
que não me consta tenha sido aproveitado, como aliás muitos outros documentos a respeito,
existentes naquele Arquivo.
O ataque ao Recife apressou a partida dos emigrantes. No Diario de Pernambuco de
27.II.1849 começaram a aparecer notícias de pessoas que partiam (exigência da Polícia para
permissão de embarque). No Diario de 27 são 7 os nomes; no de 19.III são 10; no de 2.IV são 22;
no de 12.IV são 23 e no de 4 são 16. No dia 15 de maio apareceu o de Abreu e Castro: "Retira-se
para Moçâmedes o cidadão português Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, levando
em sua companhia 3 criados. Qualquer conta que deva na praça pode ser apresentada no seu
escritório da rua da Cadeia Velha n. 3... e aqueles que lhe devem contas, mesmo ainda do tempo
que dirigiu o colégio Santo Antônio, querendo pagá-las, ali podem dirigir-se".Fonte: MELLO, José Antonio Gonsalves de. Diario de Pernambuco. Recife, 15 abr., 1956.
A história da emigração para Angola de grande número de portugueses residentes em Pernambuco, em 1849 e 1850, ainda não está conhecida com pormenores, embora existam alguns trabalhos a respeito. O episódio está ligado à campanha anti-lusitana que precedeu a Rebelião Praieira. A campanha não limitou-se, como é sabido, a violentos artigos de jornal, mas foi até à agressão física e ao assassínio de portugueses. Em 13 de julho de 1848, um dos portugueses fixados em Pernambuco, Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, dirigiu um memorial ao governo de Portugal descrevendo a situação dos seus compatriotas aqui e informando que muitos deles estavam interessados em transferir-se para outro sítio, onde fundassem uma colônia.

Era então ministro do Ultramar o historiador Simão José da Luz Soriano que se interessou em atender o pedido, indicando a região de Moçâmedes, no Sul de Angola, como local para se fixarem. De Portugal foram mandados, para garantir os portugueses do Recife, dois brigues de guerra, Douro e Vila Flor, e instruções para facilitar a transferência e o estabelecimento dos emigrantes naquele lugar.

O Diario de Pernambuco de 31 de janeiro de 1849 publicou um edital, datado de 29, pelo qual o Cônsul de Portugal, Joaquim Batista Moreira, como presidente de uma comissão especial(criada no Recife em 26.XII.1848 e composta de B. F. F. de Abreu e Castro, Ângelo Francisco Carneiro, Bernardo de Oliveira Melo e Miguel José Alves, secretário), comunicava que o governo concedia as seguintes facilidades a todos os que se quisessem transferir para a África : passagem e sustento à custa do Estado, inclusive às famílias; transporte para móveis e objetos pessoais; "instrumentos artísticos ou agrícolas e de quaisquer sementes"; terrenos na colônia a ser fundada e uma mensalidade durante os 6 primeiros meses após a chegada ali. Pouco depois foi nomeado (19.1V.I849) em Portugal o Capitão de fragata Antônio Sérgio de Sousa (depois Visconde de Sérgio de Sousa, avô do ilustre escritor Antônio Sérgio), governador da Colônia a ser estabelecida em Moçâmedes.

Aqueles dois brigues portugueses prestaram inúmeros serviços durante o ataque ao Recife pelas forças do Praieiro (2.II.1849), recolhendo a bordo, os seus oficiais, sem distinção de nacionalidade, muitas pessoas que e tão surpreendidas de susto e de terror buscavam auxiliar-se ali, ou na sua aflição iam, inda que a seu pesar, precipitar-se nas ondas que banham as praias e cais desta cidade", diz um agradecimento de J. A. S., no Diario de 10.II, seguido de vários outros, no mesmo jornal de 15 e 16.II.1849. Do brigue "Douro", conserva-se o "livro de quarto" referente a 1848-49, no Arquivo Histórico Ultramarino de Lisboa, Arquivo de navios, códice 1.192, que não me consta tenha sido aproveitado, como aliás muitos outros documentos a respeito, existentes naquele Arquivo.

O ataque ao Recife apressou a partida dos emigrantes. No Diario de Pernambuco de 27.II.1849 começaram a aparecer notícias de pessoas que partiam (exigência da Polícia para permissão de embarque). No Diario de 27 são 7 os nomes; no de 19.III são 10; no de 2.IV são 22; no de 12.IV são 23 e no de 4 são 16. No dia 15 de maio apareceu o de Abreu e Castro: "Retira-separa Moçâmedes o cidadão português Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, levando em sua companhia 3 criados. Qualquer conta que deva na praça pode ser apresentada no seu escritório da rua da Cadeia Velha n. 3... e aqueles que lhe devem contas, mesmo ainda do tempo que dirigiu o colégio Santo Antônio, querendo pagá-las, ali podem dirigir-se". 
Fonte: MELLO, José Antonio Gonsalves de. Diario de Pernambuco. Recife, 15 abr., 1956.

Baía das Pipas, a origem do nome






A Baía das Pipas foi uma dessas muitas praias, situadas na costa angolana a norte de Moçâmedes e ao sul de Benguela, para onde convergiram a partir de meados do século XIX emigrantes portugueses, de inicio provenientes de Pernambuco (Brasil), em 1849 e 1850 e que ali estabeleceram pequenas pescarias para consumo próprio, que ficavam entregues a serviçais africanos, enquanto viviam em Moçãmedes onde se dedicavam à agricultura e ao comércio, e mais tarde, a partir de 1861, algarvios, maioritariamente olhanenses, que ali se fixaram dedicando-se à pesca, numa luta insana contra todas as contrariedades com que se depararam, com carências de toda a ordem, na busca condições de vida que a pátria mãe lhes negava.  

Trata-se de uma zona piscatória que teve a sua época mas que foi perdendo a importância acabando por se tornar numa zona praticamente despovoada procurada esporadicamente para pescarias desportivas e banhos de mar.

A denominação «Baía das Pipas» ficou a dever-se a um incidente ocorrido no ano de 1842 que levou a Estação Naval Portuguesa a mandar queimar grande número de pipas, destinadas a embarque num navio negreiro, que se encontravam armazenadas na pequena baía ao sul do Mocuio. Esta queima era perfeitamente justificável, dado que segundo as disposições do Decreto de 10 de Dezembro de 1836 de Sá da Bandeira que veio pôr fim ai tráfico de escravos para o Brasil,  deveriam considerar-se como indícios de tráfico o achado, ou seja: «uma quantidade extraordinária de pipas ou barris, quando não cumpridas, por parte do capitão do navio, determinadas formalidades» e «uma quantidade de água em pipas ou tanques, maior do que a necessária para consumo da equipagem dum navio mercante».
 

Retenha-se que Moçâmedes quando nasceu já havia sido abolido o tráfico de escravos por Decreto de 10 de Dezembro de Sá da Bandeira. Porém  houve um período que se estendeu até 1869, quando se deu a abolição defintiva, em que os embarques passaram à clandestinidade e desviaram-se dos portos tradicionais de Luanda e Bengiela para o Ambriz e para pontos da costa, praias desertas a sul de Benguela, na direcção do distrito de Moçâmedes. 

Não será honesto, pois, incriminar os sacrificados colonos, gente trabalhadora, de crimes que não cometeram, mas é necessário que se saiba que  foi após a independência do Brasil, em 1822, e mais propriamente a partir de 1836  que Angola começou  muito lentamente a libertar-se de três séculos de má memória e de má reputação para Portugal e para os portugueses, como entreposto de comércio de mão de obra escrava para aquela colónia,  e começou   a ser olhada em termos de fixação de familas portuguesas, sendo Moçâmedes o maior exemplo.  

Foi pois em Moçâmedes  que as convicções abolicionistas do barão de Sá da Bandeira tomaram corpo, ainda que o Decreto de 10 de Dezembro de 1836, que começara por ser aplicado em relação os navios portugueses a partir de território português, constituisse um marco de referência para os legistas, não tivesse representado de imediato o fim para os traficantes negreiros. O Tratado de Julho de 1842 passou a considerar  pirataria o tráfico que utilizasse barcos portugueses, e o vil negócio passou a ser tolerado como contrabando perigoso para os traficantes que furassem o bloqueio naval.  A maioria  dos comerciantes e elementos das casas brancas e mestiças de Luanda e de Benguela e seus clientes, tendo-se seguido uma longa luta  no decurso da qual puderam contar com colaboração ou com a cumplicidade permissiva de de alguns Governadores  a começar pelo primeiro encarregado de fazer cumprir o Decreto de 1836, Manuel Bernardo Vidal (1837-1839), que foi destituido.
 
 
Com o Governador Geral de Angola Pedro Alexandrino da Cunha, este estado de coisas começou a mudar, ainda que,  mesmo na vigência do Governador os traficantes continuassem a subornar funcionários ou a encontrar  pontos de embarque menos vigiados.  É aqui que segundo André Pellissier, o historiador francês,  numa tentativa de fuga às patrulhas que vigiavam a costa , o  tráfico  desviara as suas rotas para as enseadas mais discretas de Moçâmedes e do Ambriz.  Teria sido o caso da Baía das Pipas, a sul de Benguela,  já no distrito de Moçâmedes. Não consta que na  povoação de Moçâmedes houvesse quintais onde ficavam aprisionados escravos vindos do sertão a aguardar o embarque para o Brasil ou para as Américas. Não consta que comerciantes de Moçâmedes tivessem redes de traficantes e  que se servissem do vil negócio. Aliás não faria sentido que  Moçâmedes, fundada  12 anos após o promulgação do Decreto de Sá da Bandeira, numa época em que navios patrulhavam a costa na luta contra o tráfico negreiro, se abrisse ao proibido negócio.  Sabe-se sim que, com a fixação de colonos portugueses a partir de meados do século, os negreiros passaram a lutar em duas frentes, contra o poder central e contra os utilizadores da mão de obra servil, seus concorrentes. É o que explica certa animosidade existente na época entre Benguela e Moçâmedes, onde se experimentava um novo paradigma colonial que tinha que atrair a mão de obra disponível em seu favor..

Sabe-se que os escravos que iam sendo libertados dos navios aprisionados não ganhavam de imediato a liberdade e que, transformados em «libertos», um meio termo entre o escravo e o livre. ficavam a aguardar em Luanda, que o Governo procedesse ao seu envio como mão de obra  considerada necessária e imprescindível ao desenvolvimento do território angolano. 

Sabe-se que para Moçâmedes e Capangombe foram enviados pelo Governo Geral  contingentes de  brancos «degredados» e  de negros «libertos»  que se encontravam retidos em Luanda. A própria lei portuguesa da época favorecia essa possibilidade, consciente de que de outro modo não seria possível levar para a frente a colonização.


Pesquisa e texto de MariaNJardim

Alguma bibliografia consultada:

-História das Campanhas de Angola: Resistências e Revoltas - vol. 1 Rene Pelissier

-Decreto de 10 de Dezembro de 1836, de Sá da Bandeira

-texto sobre «Escravidão e Revoltas de Escravos em Angola» (1830-1860) de Roquinaldo Ferreira



quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Casas da Rua 4 de Agosto,



Estas são as casas da ex-Rua 4 de Agosto, rua perpendicular ao mar que tinha início na Avenida da Praia do Bonfim, passava pela Câmara Municipal, e subia até à estrada da Circunvalação. Nesta rua moraram noutros tempos, entre outros, a família Carvalho, a família Tendinha, Constantino e Aurélia do Ó Faustino, e na 1ª casa, à dt. ficava a Igreja Evangélica.

São casas térreas, de traça tipicamente portuguesa, cujo interior, regra geral, é dividido a meio por um corredor que separa duas alas onde ficam os quartos, e as salas, sala de jantar e sala de visitas, terminando com uma «marquize» a toda a largura da casa, e com um pequeno quintal/jardim, onde ficava a cozinha, a dispensa e a casa de banho.

Com a construção destas casas, a cidade de Moçâmedes avançou um pouco mais deserto adentro, porém terminavam aqui as casas de traça tradicional portuguesa que ficaram a caracterizar a parte central da cidade. Em seguida, veio a época das vivendas, que começaram paulatinamente a invadir as areias do deserto, para o que contribuiu a criação em finais da década de quarenta da Sociedade Cooperativa «O Lar do Namibe» e a adesão crescente de associados interessados a virem um dia, por sorteio, número de ordem, ou por antecipação de capital, a concretizar o sonho de adquirirem direito à sua habitação.

Em Angola não havia a concessão de créditos bancários destinados à construção e compra de habitação própria, e quando esta Cooperativa começou a expandir-se em termos de grandeza, foi grande a luta dirigida pelo seu presidente, Mariano Pereira Craveiro para obter legislação conducente à construção de habitação por facções, bem como os susbsequentes normativos para a regulamentação dos condóminos.

Foi, pois, com a grande ajuda desta Cooperativa que Moçâmedes foi aos poucos deixando de ser apenas aquela cidadezinha onde dominava uma arquitectura de velha traça portuguesa, para se encher de lindas e floridas vivendas, ao mesmo tempo que novas ruas, e avenidas eram rasgadas, e bonitos jardins iam tendo lugar. Importa pois ter presente, que, não fosse o sistema Cooperativo, Moçâmedes teria, neste aspecto, um ritmo de desenvolvimento
bastante mais lento, na medida em que, à época, era uma terra onde economicamente raros se destacavam, com excepção daqueles que tinham interesses na indústria piscatória, no Comércio e dos poucos dedicados à Agropecuária.

Citando o exemplo de mim própria, direi que aos 7 anos de idade os meus pais inscreveram-se como sócia da Cooperativa «O Lar Namibe», tendo começado a partir daí a pagar uma determinada quotização mensal. 25 anos depois, em 1972, adquiri o direito à construção. Poderia ter sido contemplada por sorteio, como poderia ter sido contemplada por nº de ordem, antecipando desse modo a construção. Podia até, se dispuzesse de dinheiro fazer uma oferta em leilão. Não foi isso que aconteceu, porque nunca encontrei na minha terra a tal «árvore das patacas» que muitos lá ao longe julgavam existir. Tive que esperar 1/4 de século, o tempo limite para aquisição do referido direito, porque ao fim desse tempo ainda não havia conseguido as economias necessárias para avançar por minha conta para a construção. Foi necessário 1/4 de século de sacrifícios e privações para que esse sonho viesse a ser possível, porque os Bancos, na altura, não emprestavam dinheiro a juros para compra de habitação.


A
minha habitação, fruto de sacrifícios e privações, ficou pronta nas vésperas da independência. Limitei-me a fechar a porta, a dizer-lhe adeus, bem como a dizer adeus para sempre, à cidade que me viu nascer e que fora berço dos meus filhos e onde haviam nascido os meus pais. Sobre o recheio da minha habitação (que incluia toda a sorte de coisas ali deixadas por mim, bem como de familiares e amigos em pânico que ali as foram depositar quando da diáspora), soube mais tarde que fora levado para algures em Angola, num qualquer camião, por guerrilheiros da UNITA (*) em fuga, nos momentos a seguir à independência de Angola, aquando da recuperação pelo MPLA, da cidade de Moçâmedes. Com o recheio, foram as coisas mais caras para mim: os albuns das minhas recordações, os quadros a óleo que durante tantos anos pintei, o enxoval totalmente feito e bordado por mim. Quanto ao resto, custou, mas já me habituei, até porque posso considerar-me uma das felizes contempladas da sorte em terras de Portugal. Contemplados da sorte, porque cheguei a Portugal em 1975, de mãos vazias é certo, mas, felizmente com emprego, e como referi, em menos de um ano, graças à facilidade dos Bancos ao crédito para habitação, consegui aceder de maneira muito facilitada à habitação própria. Comparando com a situação anteriormente descrita, seria caso para dizer: afinal onde ficava essa famosa «árvore das patacas»? É que em Angola nunca a vi!

MariaNJardim

Foto gentilmente cedida por: Ruca/Cubal:
...........................................................................


http://cubal-angola.blogspot.com/

Professor Carriço: explorações científicas no deserto de Moçâmedes




Sobre o KANE-WIA, o mítico morro do Namibe, do blog de Namibiano Ferreira transcrevo o texto que segue, relacionado com a morte do Dr. Carriço, encontrado no blogue de Namibiano Ferreira:

"KANE-WIA, o mítico morro do Namibe
«No interior da província do Namibe, em Angola existe, próximo do Virei, um morro conhecido pelo nome de Kane-Wia, termo que, em idioma Tchierero (língua dos Mucubais) significa “quem o subir não volta” ou "quem sobe não volta". Contava-me o meu avô (João Craveiro de Tombwa) que nunca ninguém ousou subir este morro porque as histórias contadas pelos Mucubais referiam que quem subisse este acidente geográfico não mais regressaria. Portanto, O Kane-Wia vivia sossegado e inexplorado, uma espécie de montanha sagrada onde Deus dorme e, por esse motivo, interdita ao comum dos mortais. Em 1937, um eminente biólogo da Universidade de Coimbra, Dr. Luís Wittnich Carrisso, veio até ao Namibe para estudar a flora local e como homem racional e de ciência que era resolveu contrariar a crença subindo o Kane-Wia. Seja por mera coincidência ou por outra estranha razão o grande cientista português, embora socorrido pelo seu companheiro, veio a sucumbir em pleno deserto, a cerca de 80 km da cidade de Moçâmedes (actual Namibe). Nesse mesmo local foi, posteriormente, erguida uma lápide com a seguinte inscrição: “Dr. L. W. Carrisso XIV-VI-MCMXXXVII”. »



 Monumento alusivo ao botânico Dr Luiz Wittnich Carrisso, falecido no Deserto do Namibe


Algum tempo atrás, na estrada-picada, a cerca de meio caminho entre o Pico do Azevedo e o Virei, quem fosse com atenção encontrava junto à berma da estrada uma abandonada lage alusiva ao ali falecido botânico Dr Luiz Wittnich Carrisso, o professor catedrático que sucumbiu no seu posto, naquele sítio ermo, onde a curiosa Welwitschia não medra e as Suricatas vegetam a par de uma ou outra Tua pernalta e os arbustos, certamente por ele estudados, mais densos à volta daquela modesta laje, parecendo querer protegê-lo do sol ardente que ali se faz sentir. Qualquer pessoa de formação cristã que ali se apeie, sente a tristeza daquele quadro abandonado e, ao ler o epitáfio naquela laje gravado, nostalgicamente não deixará de ali fazer uma oração em homenagem a tão ilustre botânico.

 Monumento alusivo ao botânico Dr Luiz Wittnich Carrisso, falecido no Deserto do Namibe

---------------------------------------------------------------------------------------------------------







..." Quem sai de Moçâmedes pela estrada asfaltada em direcção a Porto Alexandre, percorridos cerca de dezassete quilómetros, encontra à esquerda a estrada-picada que, remando ao Pico do Azevedo, alcança o Virei, o Cainde e o Planalto da Chela : era em tempos idos o caminho dos candongueiros do peixe seco que, fugindo à fiscalização, por ali se aventuravam naquela época, em que o Posto Administrativo do Cainde era o único obstáculo a enfrentar, cujo chefe estava quase sempre ausente na Chibia (área do Concelho a que pertencia) e que mais tarde passou a área do Distrito de Moçamedes, que construiu a Sede da Circunscrição do Virei num local desértico em que um afloramento de água matava a sede às gazelas e era o ponto onde os ditos candongueiros descansavam para à noite galgarem os contrafortes da Chela. Eram homens batidos, que agarrados aos seus camions, atravessavam o arenoso rio Cubal (em Moçamedes o Bero), percorrendo caminhos pedregosos, sempre a subir até à Hunguéria, último "treck" que ligava ao Planalto.

É nessa estrada-picada, a cerca de meio caminho entre o Pico do Azevedo e o Virei que, quem fôr com atenção encontram junto à berma da estrada uma abandonada lage alusiva ao ali falecido botânico Luiz Wittnich Carrisso, que fora professor da Universidade de Coimbra, um notável catedrático (1886/1937). Estudou a flora tropical e foi autor dfe "Flores de África", "Agrostologia de Angola" e "O Problema Colonial perante a Nação", etc.

Aquele homem sucumbiu no seu posto, naquele sítio ermo, onde a curiosa Welwitschia não medra e as Suricatas vegetam a par de uma ou outra Tua pernalta e os arbustos, certamente por ele estudados, mais densos à volta daquela modesta laje , perecem querer protegê-lo do sol ardente que ali se faz sentir; qualquer pessoa de formação cristã que ali se apeie, sente a tristeza daquele quadro abandonado e, ao ler o epitáfio naquela laje gravado, nostalgicamente não deixará de ali fazer uma oração em homenagem a tão ilustre botânico.

Desconhecendo a causa que o vitimou, não posso deixar de recordar os velhos pioneiros do deserto e suas zonas limítrofes que, se falassem, poderiam fazer alguma luz sobre aquele caso de uma época remota da tipóia e do Boi Cavalo que, com os carregadores se aventuravam na vida, bebendo águas inquinadas, sujeitos ao paludismo e à Biliosas.
Só mais tarde, com o aparecimento do carro boer, cuja lentidão das longas juntas de bois que o atrelavam, lhes transmitiam mais segurança, começaram a penetrar no sertão, abrindo trilhas aos lugares susceptíveis de água e contacto com o gentio. Muitos por lá ficaram vitimados pela malária e as Biliosas (doença transmitida por um vírus africano), cuja imobilidade era, para esses casos, a mais recomendada, impossibilitando-os de procurarem recursos".

-- (Artigo de ANTÓNIO LUIS CORREIA, ex-residente na CHIBIA e LOBITO)--
in Blog AngolaBrasilPortugal




 
Carrisso no Deserto do Namibe, com um mucubal




Carrisso e Mendonça no Deserto do Namibe, junto a uma Welwitschia



Carrisso e o Herbário de Coimbra

Fátima Sales (2007)

(adaptado de Sales, F. 2005. Carrisso: implicações no desenvolvimento da Botânica. In: Freitas, H., Amaral, P., Ramires, A. & Sales, F. Eds. Missão Botânica, Angola (1927-1937). Imprensa da Universidade: Coimbra)

O espólio do Herbário COI tem sido enriquecido com as contribuições científicas de vários botânicos. Um dos seus directores, Luíz Wittnich Carrisso, contribui em muito para a sua larga colecção de plantas africanas, quer pelas expedições que organizou a Angola durante as quais foi colhido grande quantidade de material, quer pelo legado de entusiasmo pela investigação das plantas dessas paragens.

Carrisso nasceu na Figueira da Foz a 14 de Fevereiro de 1886, filho de Ignácio Augusto Carrisso e da holandesa Leopoldina Wittnich. Faleceu repentinamente de síncope cardíaca aos 51 anos a 14 de Junho de 1937 no deserto do Namibe (Mossamedes), em Angola, no final da sua terceira expedição científica a este país. Por esta altura Carrisso tinha uma longa história de homem das ciências e homem público; era há 19 anos Professor Catedrático da Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra e Director do Instituto Botânico Júlio Henriques. Estava acompanhado por sua esposa, Ana Maria de Sousa Wittnich Carrisso, Francisco da Assunção Mendonça (naturalista do Instituto Botânico de Coimbra), Jara de Carvalho (assistente do Instituto Botânico de Coimbra), Francisco de Sousa (colector do Instituto Botânico de Coimbra), Arthur Wallis Exell (naturalista do British Museum, Londres) e esposa e o John Gossweiller (botânico suíço ao serviço de Portugal em Angola).


A 1 de Junho de 1927 Carrisso e Mendonça partiram para a primeira Missão Botânica a Angola. A verba era pouca e, portanto, a organização foi modesta contando apenas com material simples para herborizações e equipamento fotográfico. Viajaram em condições difíceis como era, aliás, costume na época em África e está patente em várias memórias fotográficas. Mais de metade do tempo passam-no na zona remota do noroeste de Angola mas também visitaram o deserto do Namibe (Mossamedes). Foram ainda a Cabinda e ao Congo Belga. Chegaram a Lisboa a 13 de Dezembro do mesmo ano com grande quantidade de material vegetal.Totalmente enfeitiçado por África (quantos o não ficam??), Carrisso regressou a Portugal e, de imediato, planeou a segunda expedição, a qual teve lugar em 1929, e teve o título “Missão Académica a Angola”. A expedição foi pensada com um grande sentido pedagógico, como uma grande aula prática de campo. Nela participaram 22 pessoas entre professores universitários de todo o país, alunos universitários dos últimos anos, Mendonça, Carrisso e Ana Maria, sua esposa.

A experiência científica e pessoal constituiu qualquer coisa de único na vida dos aprendizes de expedicionários tendo-se estabelecido uma ligação profunda entre os elementos do grupo. Partiram de Lisboa a 10 de Agosto, percorreram 6.000 km em Angola onde estudaram a flora, a fauna, as potencialidades económicas, as condições de vida social e os problemas locais. A viagem fez-se, primeiro de barco, ao longo da costa, depois utilizando o sistema ferroviário e depois por estrada. De regresso passaram por São Tomé onde admiraram a sua vegetação tropical. Durante estas duas explorações científicas a Angola foi colhido muito material vegetal. Durante 3 anos Carrisso e Mendonça prepararam um Syllogue Florae Angolensis do material colhido [sumário de colecção de exemplares]. Ao trabalhar com esse material, arquivá-lo, determiná-lo e tentar lidar com a sua nomenclatura foi reconhecida a necessidade de, como recomenda a boa metodologia taxonómica, compará-lo com a maior quantidade de material possível e estudar a bibliografia relevante.

Nesse tempo não havia nem grandes colecções de África em Coimbra nem uma biblioteca adequada; como colaborador, Carrisso contava apenas com Mendonça. Dado que as melhores colecções e conhecimentos sobre a flora de Angola estavam em Londres, no British Museum Carrisso estabeleceu, então, uma colaboração oficial entre o Conselho da Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra e o British Museum para a elaboração da obra Conspectus Flora Angolensis, obra de âmbito incomparavelmente maior do que o preliminar Syllogue. Em 1934 convidou Exell (naturalista experimentado em trabalho de campo e de herbário) para tomar conhecimento dos trabalhos já iniciados em Coimbra. Convidou Gossweiller com o mesmo objectivo. Organizou a visita de Mendonça aos herbários de Londres e Berlim-Dahlem tornando-o num naturalista cosmopolita. Passaram-se quase 7 anos na elaboração deste primeiro fascículo do volume 1 do Consp. Fl. Angol. Durante este tempo tornou-se óbvio que as expedições florísticas a Angola não se podiam dar por terminadas. Preparou-se, então, a terceira missão. Do ponto de vista científico esta terceira expedição foi a melhor organizada, e foi a mais frutuosa do ponto de vista botânico. Havia mais experiência e melhor conhecimento da área a explorar; os anos de estudo da flora tornaram os objectivos mais precisos; a equipa tinha o número ideal de botânicos experientes. Em Fevereiro de 1937, poucos dias depois de publicado o primeiro fascículo do Conspectus Flora Angolensis, Carrisso e os seus companheiros de Coimbra partiram de Lisboa rumo a Luanda. Lá juntaram-se a Exell, sua esposa e Gossweiller e iniciaram uma viagem em que colheram cerca de 25.000 exemplares de herbário. Esses exemplares têm sido um contributo precioso para a elaboração do Conspectus (ainda hoje inacabado) e outros estudos florísticos na área de Angola. No total, as três viagens somaram cerca de 30.000 km, mais do que os 28.000 km da rede de estradas de Angola à altura.

O material de herbário colhido durante estas expedições foi juntar-se às colecções do alemão Friedrich Welwitsch (1806-1861) e Gossweiller constituindo o todo material de referência de uma parte muito interessante de África. De facto, Angola estende-se dos paralelos 5º (incluindo Cabinda) – 18ºS e dos meridianos 12º –24º E, ou seja, cobre uma variedade enorme de habitats, da floresta tropical ao deserto, da orla marítima, passando pela longa escarpa até ao vasto planalto interior o qual, no seu extremo este, vê passar o rio Zambeze. Espécies novas descritas de Angola têm muitas vezes distribuição ou em todo o sul da África ou na África central — daí a grande importância destas colecções históricas. Carrisso foi mais um homem de acção, um explorador, um condutor de homens e eventos, do que um investigador de laboratório ou de herbário. Não deixou muitos artigos científicos escritos pelo seu próprio punho; mas ficou memória de várias conferências vibrantes e sempre, sempre frontais na apreciação que fazia da sociedade portuguesa. 






Segunda-feira, 14 de Junho de 1937. O deserto de Mossamedes (Namibe) pela terceira vez. Expedição a 102 km a sul da cidade de Mossamedes (Namibe). Acampamento a 2 km do Morro das Paralelas. A expedição subia o morro e colhia plantas. Carrisso sentiu-se mal e foi rodeado por Ana Maria e Jara de Carvalho. A expedição regressou aos veículos, Carrisso pelo seu pé, sem ajuda, já se sentindo melhor. À beira da tenda, um cajado numa mão, um molhe de plantas na outra, enquanto lhe preparavam a cama de campanha acabou por concordar que fosse chamado um médico a Mossamedes (Namibe). Deitou-se e ajeitou-se na cama (Cristão, 1937). Não teve filhos. Publicou artigos científicos. Colheu plantas. Semeou ideias.Texto integral AQUI
........................................................................................................................................................................



Missão Académica a Angola
Alguns Aspectos Cinematográficos da Viagem
(reportagem da segunda expedição, realizada em 1929)

Para saber mais, clicar AQUI

 Welwitschia Mirabilis
Para mais informação: ver AQUI
e AQUI

 http://www.publico.pt/portugal/noticia/neste-powerpoint-dos-anos-1930-esta-um-capitulo-da-ciencia-colonial-1682072



Foto de Marian Jardim. 
 Recepção em Moçâmedes à chegada ali, no ano de 1937, do  Dr. Luíz Wittnich Carrisso. Podemos ver, à esquerda, duas caras conhecidas da terra, Armando Guedes da Silva e António Guedes da Silva, tendo à sua direita, de chapéu de abas largas, fato cinza, camisa branca e laçinho, o ilustre Dr Carriço



Esta foto mostra-nos a recepção efectuada em Moçâmedes, à chegada ali, do Dr. Luíz Wittnich Carrisso (1886-1937), o ilustre botânico.que foi professor catedrático da Universidade de Coimbra, e que no Deserto do Namibe, ao qual fez várias incursões, estudou a flora tropical, tendo contribuido em muito para a larga colecção de plantas africanas do Herbário de Coimbra, quer pelas expedições que organizou a Angola durante as quais foi colhido grande quantidade de material, quer pelo legado de entusiasmo pela investigação das plantas dessas paragens. Foi autor de "Flores de África", "Agrostologia de Angola" e "O Problema Colonial perante a Nação".

Na terceira das suas expedições científicas, o Dr Carrisso faleceu repentinamente de síncope cardíaca aos 51 anos, a 14 de Junho de 1937 , em pleno deserto do Namibe. A expedição subia o morro e colhia plantas. Carrisso sentiu-se mal e regressou aos veículos, pelo seu pé, sem ajuda, já se sentindo melhor. À beira da tenda, um cajado numa mão, um molhe de plantas na outra, enquanto lhe preparavam a cama de campanha acabou por concordar que fosse chamado um médico a Moçâmedes Deitou-se, ajeitou-se na cama, faleceu!





MariaNJardim

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Escola Primária Superior «Barão de Mossamedes» Moçâmedes



Na foto, à dt, pintado de côr escura o edifício onde funcionou a Escola Primária Superior «Barão de Mossâmedes»



«São autorizados os Governadores dos Distritos de Benguela, Mossâmedes e Huila, a criar em cada um dos seus distritos uma Escola Primária Superior, competindo às Câmaras e comissões municipais o encargo do pagamento das respectivas despesas».  

(Artº 1.0 da Portaria N. 269D, de 23 de Agosto de 1919, assinado pelo Governador Geral de Angola, Francisco Coelho do Amaral Reis, (Visconde de Penalva) e publicada no Boletim Oficial da Província de Angola, 1ª série n. 34, de 26 de Agosto de 1919)
 


O ENSINO SECUNDÁRIO EM MOÇÂMEDES



A "ESCOLA PRIMÁRIA SUPERIOR "BARÃO DE MOSSÂMEDES"  foi criada na sequência da determinação de 23 de Agosto de 1919, do visconde de Pedralva, Francisco Coelho do Amaral Reis, quando por ocasião da criação em Luanda de uma Escola Comercial e outra Industrial que deveriam funcionar anexas ao Liceu, concedeu autorização aos governadores dos distritos de Benguela, Huíla e Moçâmedes para que fossem criadas, em cada uma das suas capitais, escolas primárias superiores.

Em Moçâmedes demorou bastante tempo para que a medida fosse aplicada, e só em 30 de Março de 1925 foi decidido que a pretendida Escola entrasse em funcionamento, e que o seu regulamento fosse aprovado e publicado, sendo no dia 23 de Maio do mesmo ano, atribuído à Escola, como patrono, o conhecido e prestigioso governador-geral de Angola, cujo nome a cidade já ostentava - José de Almeida e Vasconcelos Soveral de Carvalho da Maia Soares de Albergaria - vulgarmente conhecido por "Barão de Mossâmedes".  

De início administrada pela Câmara Municipal, por portaria de 17 de Junho de 1927, a "Escola Primária Superior Barão de Mossâmedes"  passou a ser directamente administrada pelo Estado, visto que a Câmara não reunia recursos monetários para a mantêr, e os seus professores estavam sem receber os vencimentos desde Novembro do ano anterior.

Esta Escola, embora ostentasse a designação depreciativa de "Escola Primária Superior", possuia um currículo de cariz literário que a demarcava de um ensino meramente profissional e primário, e a colocava a par de um ensino secundário, situação que caia no desânimo de uma parte da população e dos  respectivos professores que não deixavam de salientar por todos os meios de que dispunham, que se tratava de uma escola de ensino secundário, pugnando para que assim fosse considerada. 

Em 10 de Julho de 1930, a "Escola Primária Superior Barão de Mossâmedes" passou a adoptar períodos lectivos idênticos aos dos liceus, e as férias passaram a coincidir com as destes estabelecimentos de ensino, porém mantendo  inalterada a situação anterior.  Apesar da luta travada, a Escola acabou extinta pelo decreto de 30 de Novembro de 1936 que tinha em vista organizar em moldes novos o orçamento dos territórios ultramarinos, de acordo com princípios já experimentados em Portugal. Em sua substituição foi criada  "Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes", cujo regulamento foi aprovado em 3 de Abril de 1937.

A mesma situação de descontentamento se tinha verificado na vizinha Sá da Bandeira, onde população e docentes sonhavam persistentemente com a promoção e transformação da Escola Primária Superior Artur de Paiva em instituição Liceal, o que veio a tornar-se realidade em 6 de Abril de 1929 , por ocasião da visita à cidade do governador-geral e alto-comissário, Filomeno da Câmara Melo Cabral, que extinguiu a Escola Primária Superior Artur de Paiva, e criou em sua substituição, o Liceu Nacional da Huíla, o Diogo Cão. 

Em Moçâmedes, e conforme se pode lêr pelo Boletim Geral das Colónias. VIII - 088 - apenso de Legislação Colonial Nº 088A - Vol. VIII, 1932, 20 págs, que contempla a visita do Ministro das Colónias, Armindo Monteiro a Moçâmedes, as «forças vivas» do Distrito tinham apresentado ao Ministro uma exposição em que chamam a sua atenção  para questões, cuja solução consideram de grande importância, entre as quais:

(...)
Instrução Pública:

1. Um número suficiente de edifícios escolares e de professores;

2. Uma escola de artes e ofícios adequada às características industriais e agrícolas do distrito;

3. A transformação da Escola Primária Superior «Barão de Mossâmedes» num sentido mais prático e mais desenvolvido.
4. A criação, na colónia, de uma escola de preparação para o preenchimento de quaisquer lugares do funcionalismo público e moldada com as características e com os mesmos fins da Escola Colonial existente na Metrópole, sendo dada a preferências aos seus alunos no preenchimento das vagas ou lugares a criar. O que pedia Moçâmedes, em 1932, ao Ministro das Colónias,  não era um Liceu, mas uma Escola que ministrasse um tipo de ensino mais prático e mais de acordo com as actividades do Distrito. A nova escola deveria, pois, relacionar-se com as actividades marítimas e o sector piscatório. Mantinha-se assim a velha ideia de que o ensino público deveria estar ligado às actividades inerentes ao local em que os alunos residissem, partindo-se do pressuposto que não haveria a mobilidade territorial entre as pessoas.  Aliás, havia um texto legal que defendia que o ensino ministrado em cada meio social fosse o mais adaptado possível ao seu ambiente e às suas necessidades. Por isso entendeu-se que, sendo Moçâmedes uma terra essencialmente dedicada às coisas do mar, não deveria ter um Liceu que ministrasse um ensino de cariz literário, mas sim uma Escola profissional que se considerava então que melhor serviria as aspirações das suas gentes.


Recuando no tempo, convém referir que já em  18 de Abril de 1918 houve uma primeira e fugaz tentativa de criação da «Escola Marítima de Mossâmedes», depois «Escola Industrial Marítima de Mossâmedes»,  pelo  governador-geral Jaime Alberto de Castro Morais, estabelecimento de ensino que não deixou tradição e conduziu a um impasse com relação à "Escola Primária Superior Barão de Mossâmedes", que, sendo criada em 1919,  acabou por ser posta a funcionar apenas em 30 de Março de 1925. O curso preparatório  da "Escola Industrial Marítima de Mossâmedes" tinha a duração de dois anos, pretendia ministrar aos alunos o ensino primário complementar,  e exigia que os mesmos soubessem já ler e escrever correntemente e efectuar as operações aritméticas. Estava previsto que, para além da parte literária propriamente dita, aprenderiam outras coisas, tais como ginástica educativa, exercícios paramilitares, natação, remo, trabalhos de velame, cordoaria e calafate. Deveriam estudar também os acidentes geográficos litorais de Angola, sobretudo os da costa do distrito de Mossâmedes, a influência e orientação predominante dos ventos, correntes, etc, bem como noções relacionadas com a História da Colonização do Sul de Angola. O curso especial, que durava também dois anos, consistia no estudo de Aritmética e Geometria, Físico-Química, Ciências Histórico-Naturais, Legislação, Contabilidade, Escrituração Comercial, Desenho, Indústrias Marítimas, Construções Navais, etc.. A parte prática do curso obrigava a aprender a fazer sondagens, medir a força das correntes, treino na caça à baleia, fabricação de óleos, guanos e colas, curtume de peles. etc.

E assim chegamos ao 3 de Abril de 1937, data em que foi aprovado o Regulamento da "Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes", cujo ensino teria a organização seguinte:

Sexo masculino
—Mestre de pesca e carpinteiro-calafate;
Sexo feminino
—Costura e bordados;
Os dois sexos
—Curso geral do comércio.
No curso de mestre de pesca, os alunos estudariam Português, Francês, Ciências Geográfico-Naturais, Matemática, Desenho e Trabalhos Manuais, e Educação Moral e Cívica.

Tomariam contacto com os trabalhos de construção e reparação de barcos; treinariam nas actividades da navegação e pilotagem; atenderiam aos trabalhos da pesca e conserva do peixe; seriam iniciados na reparação dos instrumentos de bordo e outras tarefas afins. Os alunos do curso de carpinteiro-calafate estudariam as mesmas disciplinas e ainda Desenho de Projecções, Desenho Profissional e Estilos, e Tecnologia; nas oficinas, aprenderiam o que dizia respeito à construção e reparação de barcos.  As alunas de costura e bordados estudavam as mesmas disciplinas e tinham trabalhos práticos, de cuja amplitude não podemos aperceber-nos, pois o texto legal não é suficientemente claro.

No curso comercial, estudavam-se as mesmas matérias acrescidas de Inglês, Elementos de Direito Comercial, Economia Política, Noções Gerais de Comércio, Contabilidade e Escrituração Comercial, Caligrafia, Dactilografia e Estenografia. Continuava a prestar-se atenção a tudo o que dizia respeito à pesca e conserva de peixe, construção e reparação de barcos. 

A "Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes"  era considerada no seu aspecto burocrático e estrutural, como uma escola de ensino técnico secundário, pois havia em Angola na altura, pelo menos uma escola de ensino técnico elementar, criada em 5 de Junho de 1930.  Todavia, não chegou a criar tradição que a prestigiasse, e por natural evolução foi convertida,  em 17 de Março de 1952, na Escola Comercial de Moçâmedes, tendo no dia 4 de Junho do mesmo ano sido determinado que entrasse em funcionamento o primeiro ano do ciclo preparatório elementar do ensino profissional, industrial e comercial. A zona de influência de cada estabelecimento ficou assim definida:—Escola Industrial e Comercial de Sá da Bandeira — distritos de Huíla e Moçâmedes, sendo neste apenas para o ensino profissional industrial;—Escola Comercial de Moçâmedes — distrito de Moçâmedes. Estava-se em maré de alargar os cursos técnicos por essa Angola fora.

Em 13 de Agosto de 1960, a  "Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes" passou a designar-se "Escola Industrial e Comercial Infante D. Henrique", passando a ocupar novas e modernas instalações, e tendo o Infante de Sagres, o Navegador, um apaixonado pelas ciências náuticas, por Patrono. Por isso se dizia ser a Escola Secundária de Moçâmedes a mais antiga de Angola, no seu grau. A sua inauguração integrou-se nas comemorações centenárias da morte do Infante, a célebre personagem que tão importante papel desempenhou na expansão ultramarina e na gesta dos Descobrimentos.

Quanto à instituição Liceal, foi criado o Liceu Almirante Américo Tomás em 21 de Outubro de 1961, por ocasião da visita do Ministro do Ultramar, Professor Adriano Moreira  a Moçâmedes, numa época bastante grave para Portugal e para as Colónia, em que tinham acontecido os massacres perpretados pela UPA (União dos Povos de Angola) de Holden Roberto, de populações indefesas que trabalhavam em plantações no norte de Angola, que levaram ao inicio da luta armada contra os movimentos independentistas. Os jovens de Moçâmedes que pretendiam progredir para estudos superiores podiam finalmente deixar de se deslocar para a cidade vizinha de Sá da Bandeira, para frequentar o Liceu Diogo Cão.bbNo dia 29 de Agosto de 1964, foi criado o terceiro ciclo no liceu de Moçâmedes, dizendo-se que viria a funcionar a partir do ano lectivo que estava prestes a iniciar-se, o de 1964-1965. 


Podemos dizer que em boa parte o ensino secundário nasceu em Moçâmedes com a  " Escola Primária Superior Barão de Moçâmedes", criada em 23 de Agosto de 1919, mas posta a funcionar apenas em 1925,  que veio em 30 de Novembro de 1936 a  ser extinta para dar lugar à  "Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes",  Escola de cariz técnico, e que  esta, por natural evolução passou a ser denominada "Escola Comercial de Moçâmedes" em 1952, passando mais tarde a "Escola Industrial e Comercial Infante D. Henrique" em edificio própria.




Bibliografia consultada:

-Boletim Geral das Colónias . VIII - 088 - apenso de Legislação Colonial Nº 088A - Vol. VIII, 1932, 20 pgs.
MARTINS DOS SANTOS









INAUGURAÇÃO SOLENE
DA ESCOLA PRIMÁRIA SUPERIOR
DE MOSSÂMEDES



  Do Jornal “O Mossamedense”, nº. 46, de 31.05.1925 - 4ª. Série
Director: Alberto Trindade-Editor: Joaquim Augusto Monteiro




No acto usaram da palavra O Director da Escola, Dr. António Augusto de Miranda, que fez a oração de “Sapientia” - peça oratória de incontestável valor, um hino entusiasta aos obreiros da instrução. Usou a seguir da palavra o antigo colono Sr. Ribeiro da Cruz que, com profunda comoção e bem sentido entusiasmo, felicitou-se e à cidade de Mossâmedes pela realização de tão importante melhoramento, destinado a elevar o nível intelectual da Colónia de Mossâmedes caracteristicamente europeia.

Falou ainda o Sr. Jaime Rocha, aludindo ao acto solene que estava decorrendo e mostrando com proficiência as vantagens da educação física aliada ao desenvolvimento.

... De longe vinha a ideia e aspiração de dotar Mossâmedes com um estabelecimento de ensino secundário. Esta ideia tomou vulto durante o governo de José Manuel da Costa que encetou as demarches para a sua criação.

Ardente apóstolo desta causa foi então o Sr. Dr. Manuel Júlio de Mendonça Torres.

Coube finalmente ao actual governador Sr. Artur da Silva a glória de, com maior felicidade que os seus antecessores, ver coroados de êxito os seus esforços e presidir à inauguração da Escola Primária Superior.

Seguiu-se um “match de foot-ball” entre as primeiras categorias dos clubs Royal e Ginásio Torre do Tombo, que terminou com um empate.

À noite houve récita de gala no nosso Teatro. Foi posta em cena uma engraçada opereta da autoria do nosso amigo o Sr. Dr. António Augusto de Miranda, intitulada - “Pérolas do Mar”, em 3 actos.






Alunos Matriculados na Primeira Classe do Ensino Geral

Abel de Pimentel Vaz Pereira Lourdino Fernandes Tendinha
Anacleta Rodrigues Manuel Queiroz Soares Gomes
António Augusto Alípio Maria Júlia Pestana Gomes
Cassilda Ribeiro Pessoa Maria Laura Gonçalves
Carlos Dolbeth e Costa Maria Laura Machado Godinho
Celeste Ribeiro Pessoa Maria Salomé Costa Zuzarte de Mendonça
Eduardo Pessoa Júnior Maria Serafina Pimentel Vaz Pereira
Etelvina de Oliveira Leitão Olinda do Nascimento Brasão
Felisberta Miranda Paulo Ignácio Guerreiro
Fernando Bento de Aboim Ruy Ferrão Pimentel Saiago
Ilda dos Santos Costa Serafim Dolbeth e Costa
Jerónimo Francisco Russo José dos Reis Ferreira



Alunos Matriculados nos Cursos Nocturnos de Português, Francês e Inglês

Albano Martins de Abreu Alberto Martins Torres
Américo de Seixas Peyroteo António Augusto Martins Cristão
António dos Reis Ferreira Júnior Arnaldo Ferrão Pimentel Saiago
Avelino Gonçalves Benvindo Fernandes
Carlos Inácio Guerra Domingos Peleira Machado Godinho
Eduardo Leote Vieira Eurico Barata Feio Vieira de Sousa Concha
Henrique Malheiro Radich Jaime Jacinto Sampaio Nunes
João Alberto Peleira João Pedro Martins Cristão
Joaquim Guedes da Silva José Jorge da Rosa Júnior
Jorge Malheiro Radich José Maria dos Santos Frota
José Martins Cristão José de Oliveira Leitão
José Pereira da Costa Luciano Sena
Mariano Luís Pereira Machado da Piedade Mário Sampaio Nunes
Mário de Seixas Peyroteo Norberto Augusto Rodrigues dos Santos
Victor Manuel Rosales Figueiredo Ruy Corte Real
João Policarpo Martins Vicente Manuel Joaquim dos Santos Dores




Director: Dr. António Augusto de Miranda Professores: Dr. João Carlos de Figueiredo Comandante Francisco Penteado Engenheiro Alberto Teixeira dos Santos D. Maria Lourdes Sobral Jaime Rocha


                                                             ******************************







Outras notícias sobre a Escola Primária Superior "Barão de Mossâmedes":
O professor Numa Ribeiro Reis Homem de Figueiredo

Da Redacção : "PROCISSÃO DO CORPO DE DEUS" --- "GOVERNADOR GERAL" --- "NUMA DE FIGUEIREDO (falecimento, vidé transcrição parcial):


"No derradeiro dia de Maio último, terça feira da semana passada, faleceu no Hospital desta Cidade o nosso amigo Numa Ribeiro Reis Homem de Figueiredo. Pessoa erudita, com uma vasta cultura humanísta e científica e possuindo uma prodigiosa memória, era um conversador interessante que encarava a vida com uma filosofia especial, despresando convenções sociais e rindo-se das vaidades humanas. Nascido em Moçâmedes onde, seu pai, Augusto José dos Reis Figueiredo, foi comerciante e rico proprietário, contava agora 63 anos e fora de pequeno para Lisboa onde fez o curso do Liceu, tirou a preparatória na Escola Política, onde se distinguiu com brilhantísmo nas Matemáticas, cursou Medicina só até ao 3º ano, por achar que não tinha vocação para médico; matriculou-se depois em Direito em Coimbra, tirando o 3º ano de curso, mas sendo obrigado a voltar para Lisboa, por morte do seu pai, para junto de sua mãe que ali residia,e, por não haver ainda ali a Faculdade de Direito, matriculou-se no Curso Superior de Letras. Numa de Figueiredo teve de ganhar a vida dando lições a alunos dos Liceus. Foi professor da velha Escola Académica e teve tempo então para tirar o curso do Instituto Industrial.  Foi professor da Escola Primária Superior "Barão de Moçamedes" até ela ser extinta e substituída pela Escola de Pesca. Veio então para o Planalto com sua esposa e filhos, vivendo aqui a dar explicações a alunos do Liceu. Carácter impoluto, não se lhe apontava um único acto da sua vida moral que lhe fizesse perder a estima de quem o conhecia. Conservou sempre essa estima dos seus antigos condiscípulos, médicos, engenheiros, advogados e professores, que por aqui vivem hoje e a dos seus condiscípulos que foram numerosos e se encontram ocupando lugares de destaque na vida pública e social da Huila. Tal o homem que mereceu esta referência especial para explicar a filosofia da sua vida, e que, no dia 1 deste mês, acompanhámos ao Cemitério da cidade, onde, apesar de não terem sido feitos convites e de muita gente não ter sabido da sua doença nem da morte, acorreram muitos dos seus amigos, dos seus condiscípulos e dos seus antigos alunos. A toda a família enlutada e em especial a sua mãe, que vive em Lisboa, a sua Esposa, srª Dona Maria do Carmo Campos Amboim de Figueiredo e a seus filhos, D. Marta Carmem Campos de Figueiredo e Gonçalo Campos de Figueiredo, apresentamos as nossas sentidas condolências. =
Do blog de ROBERTO CORREA 


Ainda no âmbito do ensino, seguem alguns nomes de professores de tempos mais recuados que leccionaram as «Primeiras Letras» em Mossâmedes:

Alcina Soares da Cruz Sampaio Nunes

Alina Marques de Campos  
Eduardo de Campos Andrada
Eleutério Augusto Gomes de Abreu
Eulália da Costa Mangericão
Francisco Rodrigues Pinto da Rocha Júnior  
  Henriqueta Deehan *  (ensino particular)
José Inácio dos Reis
José Joaquim Saiago
Maria Columbina Leitão Corte Real Delgado de Carvalho
Maria da Conceição Seixas Peiroteu
Maria Júlia Barbeito Gonçalves
Milânea da Cruz Cunningham  


 Para informações mais pormenorizadas consultar este SITE
* Ver tambem AQUI
e AQUI

O ensino em Angola
Alberto Gastão de Sousa Dias, 1934
AQUI