Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












domingo, 12 de agosto de 2007

Bernardino José Brochado, explorador português em Mossâmedes (Moçâmedes) Angola


 Bernardino José Brochado e a região de Mossâmedes (Moçâmedes) Angola





De acordo com o livro de Manuel Júlio Mendonça Torres "O Distrito de Moçâmedes no Ciclo Aureo da Cutura do Algodão",   BERNARDINO JOSÉ BROCHADOnatural do Porto , de entre os possuidores das primeiras feitorias estabelecidas naquela que iria ser a povoação de  Mossâmedes, foi a excepção, por ter sido  um dos primeiros europeus de entre os possuidores das primeiras feitorias estabelecidas no "Estabelecimento de Mossâmedes", naquela que iria ser a povoação de  Mossâmedes, o único cuja permanência no Distrito não foi de curta duração, pois nele se conservou  desde 1841, antes, portanto, da chegada da primeira colónia vinda de Pernambuco, Brasil, em 1849. Ali montou uma feitoria, de sociedade com D. Ana Ubertal, abastada proprietária e negociante em Luanda,  quando não havia mais do que um vasto areal com algumas choupanas e duas ou três casas de tabique.  Ali viveu os derradeiros dias da sua existência, quando aos 65 anos, a 10 de Maio de 1885 faleceu.

No seu livro sobre Moçâmedes, 1º volume, o Dr. Mendonça Torres refere que no cemitério da cidade, se ergue um mausoléu de mármore, sobriamente decorado, mas de conjunto harmonioso, vercado por um gradeamento de ferro e encimado por uma urna simbólica, apresentando, numa das faces, sob uma cruz em relevo, a seguinte inscrição:

«Aqui jazem os restos mortais de Bernardino José Brochado , nascido em Cedofeita, cidade do Porto, em 17 de Maio de 1818 e falecido nesta vila a 10 de Maio de 1883, filho legítimo de António José Brochado e de D. Maria Rosa de Jesus. A colónia portuguesa jamais olvidará os serviços e sacrifícios que o seu civismo lhe prestou em prol das suas liberdades e regalias e para a desafrontar em dias de provação».



Cemitério (Brochado)


Foi também um dos exploradores que  mais se empenharam em percorrer e em descrever esta região.  As suas longas viagens deram-lhe ensejo de expôr, por escrito, em cuidadoso estudo, as impressões que colhera, sobre a epígrafe Descrição das terras do Humbe, Camba, Mulondo, Cuanhama e outras, contendo uma ideia da sua população, vestuário, etc., que deixou publicado nos Anais do Conselho Ultramarino e, mais tarde, nos números 15 a 17 do Jornal de Mossâmedes, de 8 de Março a 8 de Abril de 1882.








No seu livro sobre Moçâmedes, 1º volume, o Dr. Manuel Júlio de Mendonça Torres refere também:

"...Mal sucedido de começo, em alguns dos seus negócios, internou-se pelo sertão que minuciosamente explorou, indo, algum tempo depois, fixar residência no Cuanhama, sobado de gentio vingativo e traiçoeiro onde permaneceu, usando de cautelas e sem mostras de temor, durante mais de dois anos.


Prudente e engenhoso, além de perfeito conhecedor dos dialectos gentílicos, conseguiu viver em boa pas com os indígenas, que o respeitavam e obsequiavam.Fundou, na vila, a primeira casa comercial, de sociedade com Manuel Almeida Soares. Contribuiu com a maior quantia de dinheiro para a fundação do primeito teatro da colónia, no qual se prontificou a desempenhar, am várias peças, alguns dos principais papéis.


De espírito liberal, associou-se às modificações mais notáveis da colónia na reivindicação dos seus direitos, regalias e dignidades, bastantes vezes ofendidos.Serviu com zelo e ponderação os cargos de juiz e de vereador, e, neste último, durante cinso assinalados biénios, já como presidente da vereação, já como simples vogal.


Muitos dos colonos e algumas autoridades, atraídos pela lhanesa e afabilidade do seu trato, procuravam a sua casa para centro de reunião, onde, nas horas sequentes às canseiras diárias, tratavam, em aprazível palestra, ou em animada discussão, assuntos de interessa local.O distrito deve às suas úteis iniciativas distintos e apreciáveis benefícios.

Vejamos a seguir o que a seu respeito nos diz a obra"Os Portuguezes em Africa, Asia, America e Oceania, ou Historia chronologica dos descobrimentos, navegações, viagens e conquistas dos Portuguezes nos paizes ultramarinos desde o principio da monarchia até ao seculo actual. A.M. Pereira,1850, Volumes 7-8 (Google eBook):

"...Bernardino José Brochado que desde 1847 andava visitando os povos do Humbe, Camba, Mulondo, Quanhama, Aymbire, Terra de Bale, Uanda, Cuffima, Dongo, Mucuancallas, Quamba, Ganjella, Quamattui, etc. A descripção das suas viagens, datada de Gambos de i85o, figura nos Annaes do Conselho Ultramarino.

"...Em Mossâmedes existia já no sitio das Hortas, quando o tenente Garcia veio fundar o presidio, e quando Pedro Alexandrino da Cunha veio com a corveta Isabel Maria estudar a costa, uma feitoria pertencente a Jacome Filippe Torres, em 1840 fundou outra feitoria um Clemente Eleuterio Freire, em 1841 foi outra fundada por Bernardino José Brochado, em 1843 outra por Fernando José Cardoso Guimarães, e tempo depois outra ainda por João Antonio de Magalhães. Estas feitorias e o presidio, uma força militar e degredados, eram o nucleo da futura villa.
 

Em 1839 António Joaquim Guimarães. Em 1841, Clemente Eleutério Freire, de sociedade com José Maria de Sousa e Almeida, e José Teixeira Cravela, negociante no norte do Zaire. Em 1843, Fernando José Cardoso Guimarães de sociedade com Luis Baptista Fins e D. Ana Joaquina dos Santos e Silva, de Luanda e João Pinto Gonçalves de Novo Redondo. Em 1844 Venâncio António da Silva, de Luanda. Em 1845 João António Magalhães de sociedade com Augusto Garrido, de Luanda, negociou o estabelecimento até ao ano 1851. Mendonça Torres não os considera, pois , colonos fundadores com excepção de BERNARDINO JOSÉ BROCHADO, porque nada mais foram que meros moradores acidentais, não construiram moradias para a conveniente formação do  aglomerado distrital, não acompanharam as indispensáveis circunstâncias para o genuino exercício da missão colonizadora, não foram uteis organizadores de lares com o intuito de imprimir às suas vidas feição de permanência, não foram zelosos economizadores de cabedais para avisada prevenção de futuro, não foram cautos transmissores de bens aos seus legítimos descendentes. Deixaram perder, (danificados, roubados ou abandonados) os módicos haveres que porfiadamente adquiriram e que viriam em pouco tempo a desaparecer sem que deles restasse uma sombra de vestígio.

 BERNARDINO JOSÉ BROCHADO teve uma operosa actividade em prol do distrito. Tendo fixado residencia durante alguns anos no Cuanhama, esudando e escrevendo as impressões de viagens então empreendidas, conforme consta nos Anais do Conselho Ultramarino. Foi Brochado quem fundou na vila a primeira casa de comércio, exerceu durante muitos anos a função de juiz, vereador e presidente da vereação. Faleceu em Moçâmedes.


Manuel Júlio de Mendonça Torres, coloca, pois  BERNARDINO JOSÉ BROCHADO a par de figuras pioneiras da colonização do Distrito que teve o seu início, sim, com a chegada dos 1º colonos vindos de Pernambuco (Brasil) e chegados a Moçâmedes no dia 04 de Agosto de 1849, o ano que assinala a formação do Governo  que nomeou o capitão de fragata Antonio Sérgio de Sousa governador do Distrito e encarregou da direcção e governo na nova colónia que alí se estabeleceu.




 Ainda sobre Bernardino José Brochado, encontrei na Net estas referências que a seguir transcrevo:
 
explorador português que percorreu os territórios marginais do rio Cunene (Humbe, Camba e Mulondo) e ainda as regiões de além Cunene (Cuanhama e Cuamato), sendo um dos primeiros portugueses que, em condições difíceis e arriscadas, ali deve ter penetrado.

Quando os Gambos foram visitados oficialmente, em 1850, pelo governador de Moçâmedes, capitão-tenente António Sérgio de Sousa, na companhia do colono Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, tinha Brochado a sua residência no Uiolo, perto da libata do soba, e, pelo seu prestígio entre o gentio, acabava de ser nomeado regente interino dos Gambos.

O relatório das suas explorações, Descrição das Terras do Humbe, Camba, Mulondo, Cuanhama e outras, contendo uma ideia da sua população, seus costumes, vestuário, etc., datado dos Gambos a 1 de Setembro de 1850 e publicado nos Anais do Conselho Ultramarino (parte não oficial), série I, Novembro de 1855, é um precioso repositório de informações referentes ao carácter, religião e costumes dos povos dessas regiões. Esse trabalho contribuiu ainda eficazmente para a resolução de certos problemas geo­gráficos, tais como a determinação do curso e foz do rio Cunene, questão esta que de novo abordou mais directamente em carta datada de Moçâmedes, a 13 de Março de 1854, e em parte transcrita na publicação citada (Fevereiro de 1855, página 129), em artigo referente ao rio Cunene.



        





           
A primeira Escola Primária de Camacupa foi fundada em Fevereiro de 1922 no governo de Norton de Matos funcionando no edifício das 3 mangueiras e o início do funcionamento do novo edifício aconteceu em 1949 no governo de Silva Carvalho tendo recebido o nome de Escola Primária n.º 52 de Bernardino Brochado.





Pioneiros da colonização de Mossâmedes (Moçâmedes, Namibe, Angola): João Duarte de Almeida, Amélia Duarte de Almeida. Alguma genealogia.

João Duarte de Almeida

João Duarte d'Almeida







João Duarte de Almeida: Genealogia




João Duarte de Almeida,  natural de Midões, (Beira Baixa - Portugal), onde nasceu em 26 de Março de 1822, era com mais 4 irmãos, filho de João Duarte de Almeida, bacharel em medicina, natural de Castelo Branco, Beira Baixa,  e de D. Ana Emília Duarte de Almeida.  Ou seja, filho de D. Ana Emília Brandão, * Midões, prima co-irmã do célebre João Brandão, político caído em desgraça, conforme vem descrito em GeneallNet.

João Duarte de Almeida casou com D. Amélia Josefina da Costa, filha de um seu companheiro de colonização, José Joaquim da Costa, chefe do segundo agrupamento de colonos ido de Pernambuco para Moçâmedes em 1850, e tiveram 6 filhos: Alfredo, Amélia, Laurentino, Adelaide, Albertina e Elisa Duarte de Almeida.

João Duarte de Almeida era órfão de pai, quando muito cedo, em 1838, com mais 4 (?) irmãos menores, dos quais 3 varões, resolveu partir para o Brasil em busca de fortuna, onde viveu até 1849,  e de onde, por força da onda de antilusitanismo que grassava em Pernambuco, viajou para Angola na barca "Tentativa Feliz", integrado na 1. colónia de emigrantes chefiada por Bernardino Freire de Figueiredo de Abreu e Castro, que vinha dar inicio a povoamento de Moçâmedes.

Daí passou, em meados do século XIX, para Angola, onde se encontrava, quando  Bernardino Freire de Figueiredo de Abreu e Castro, chegou a Moçâmedes na Barca "Tentativa Feliz", chefiando a primeira colónia de luso-brasileiros vinda de Pernambuco, Brasil, para dar início ao povoamento branco da região. Esta informação está contida no livro "Bernardino Freire de Figueiredo de Abreu e Castro, fundador de Moçâmedes", escrito pelo padre José Vicente (Gil Duarte), ou seja, quando Bernardino chegou a Moçâmedes já se encontrava alí (no distrito), João Duarte de Almeida, "dedicado à indústria de charqueação e da colheita de urzela". Os irmãos de João Duarte de Almeida eram  Miguel Duarte de Almeida, e Luís Castelino Duarte de Almeida, que como acima referido, também foram para Moçâmedes.

Sabe-se que João Duarte de Almeida, numa primeira fase, tinha-se fixado em Benguela, e só depois seguiu para Moçâmedes onde se estabeleceu com duas fazendas agrícolas e onde se tornou um grande produtor de algodão e de cana-de-açúcar nas suas fazendas «S. João do Norte» e «S. João do Sul», no Coroca, em Porto Alexandre. Há referências que em 1859 era proprietário de três fazendas, em vias de desenvolvimento, uma, situada na Várzea dos Casados, outra, em S. Nicolau (1) e a terceira no Coroca. E já no decénio de 1849-1859 se dedicava, no distrito, a outros ramos de actividade, como o da indústria de charqueação e a da colheita da urzela. Também há referências que na margem esquerda do rio Bero (Varzea dos Casados?),  o 1º colono que aí se instalou foi  João Duarte de Almeida,  tendo mandado construir uma vala para aproveitamento da água do rio, ao longo do qual instalou comportas que forneciam a água necessária ao regadio das suas culturas agrícolas.

Aliás, no princípio da década de 1860, 10 anos após a chegada dos primeiros colonos, o distrito de Moçâmedes possuía 11 fazendas onde se cultivava algodão,   empregando entre trabalhadores  escravos e libertos o total de 350, a maior das quais pertencia a João Duarte de Almeida. A produção anual, nessa época, calculava-se em 1780 arrobas de algodão. Em 1890, João Duarte de Almeida possuía o maior empreendimento agrícola da Colónia de Angola, com 1300 hectares de terreno cultivados e com 400 serviçais a trabalharem para si. Os seus esforços tiveram notável eficiência, cabendo-lhe, por isso, a justa reputação de maior cultivador de algodão, cultivador de cana de açúcar para aguardente, e de activo descobridor da "almeidina", um produto com uma boa percentagem de  borracha, a partir de um suco leitoso, extraído por meio de incisões no tronco da caçoneira Euphorbea Thirucale (in Relatório da Alfandega de Benguela, relativa ao ano de 1915, pág 96, José Napoleão do Sacramento e Sousa, Angola). (1)  Duarte de Almeida descobriu-o em 1883, desenvolveu-o e comercializou-o com êxito. Foi introduzido no mercado europeu por Edwards Brothers de Liverpool  (correspondente). Duarte de Almeida e Alves de Bastos, eram à época os dois homens mais ricos da colónia de Angola. 


O distrito de Moçâmedes possuía uma rica flora nas terras humosas das margens do Bero e do Giraúl: leguminosas, figos roxos, variadas árvores de fruto, videiras, oliveiras, tamarindeiros, goiabeiras, tangerineiras, mulembas ou figueiras, etc. Era contudo nas margens do rio São Nicolau, especiamente na margem esquerda, que se cultivaram as melhores árvores de fruto de todo o sul do distrito.  Na margem esquerda cultivavam-se mamoeiros, diospiros, bananeiras, nespera-cereja-dendém,  palmeira de óleo palma, etc, etc. A razão é que na margem esquerda, dada a inclinação do terreno e a presença de uma lage a cerca 5 km, há curso de água permanente, enquanto à direita, apenas por infiltração. Na margem direita, foi necessário a Serafim Nunes de Figueiredo, accionista da "Companhia de Mossâmedes", proprietária da fazenda, abrir uns quantos poços para obter água que entretanto desaparecia, tendo que a aguardar de novo, que, por infiltração, as águas voltassem a ter o nível estático dos poços. Também a terramargem direita necessitava de mais qualidade de matéria orgânica e adubos químicos, e até os próprios animais diferenciavam o seu aspecto, porquanto nas margens esquerdas os corvos eram totalmente negros e menos brilhantes, e os da margem direita possuiam uma plumagem negra, luzidia e com uma gola branca no pescoço. Mesmo as rolas e piriquitos tinham aspecto, cor e tamanho diferentes. Estes pormenores vêm descritos no livro Memórias de Angra do Negro- Moçâmedes, de António A. M. Cristão.




Iremos abordar em seguida, uma outra faceta da vida de João Duarte de Almeida, esta ligado a aspectos de ordem cultural, que importa reter. O cemitério de São Nicolau, de existência intimamente ligada à fazenda de S. João do Norte de que João  Duarte  de Almeida era proprietário, é, depois do cemitério indígena de Moçâmedes, um dos locais mais interessantes para o estudo da arte Mbali ou Mbari, a arte tumular do povo "quimbar", sobretudo da obra de um dos mais afamados canteiros negros – Victor Jamba, escravo mandado especializar-se em Lisboa em estelas funerárias.

A arte Mbali ou Mbari, invulgar em África,   arte funerária do povo africano aportuguesado do distrito de Moçâmedes, o povo "quimbar", é referida por Gilberto Freyre como um caso de cultura afro-cristã, gerada em consequência do contacto cultural que se estabeleceu após a ocupação efectiva do Distrito, em 1849 e em 1850, entre os  colonos luso-brasileiros e a mão-de-obra negra. Era já, pois, uma cultura de fusão. Trata-se de uma arte que se traduz em cruzetas de pedra de filtro, ou pedra sabão, mas também em  madeira ou cimento armado trabalhados, que eram colocadas nas sepulturas um ano após a óbito, por ocasião da "festa da cruzeta", à qual  era atribuída a tríplice função de propiciação do espírito do morto, sua identificação e veneração.  Os canteiros inseriam nas cruzetas, trabalhados em relevo que descreviam o que as pessoas foram em vida, o que faziam, como eram fisicamente, os seus maiores interesses, acontecimentos marcantes, através da representação dos utensílios profissionais dos falecidos ou outros símbolos identificadores,  como a "mão cortada" (em representação dos manetas); o "cachimbo de cangonha" (em representação dos fumadores); "o leão"  (para os caçadores); "a bola"  (para o futebolista), e outros símbolos como "o chicote", "a palmatória", "o cajado do capitão", "a cobra do que foi mordido", o oficio, etc...  Infelizmente as historias que aí se contam são frágeis face às chuvas e ventos fortes e muitas cruzetas acabavam partidas. O que ficou a caracterizar a maior parte das esculturas de S. Nicolau  foi o facto de apresentarem uma acentuada europeização das feições, cabelos e trajos, o que se deve ao facto de Victor Jamba, o canteiro da região, ter-se deslocado a Lisboa, a mando de seu patrão, João Duarte de Almeida, para se especializar, tendo  a sua arte adquirido características europeizadas.  Da sua autoria, são as estelas do "túmulo dos leõezinhos", as que representam um tractorista, um tanoeiro, etc.. Sendo o canteiro mais célebre e mais perfeito,  Victor Jamba também foi o mais convencional,  se comparado com outros canteiros que imprimiram nos seus trabalhos um alto cunho de originalidade. A arte Mbali ou Mbari,  de rara expressão em África, tem no cemitério de S. Nicolau um dos seus melhores documentos que importa a todo o custo preservar.



Duarte de Almeida concorreu a várias exposições agrícolas e industriais (de Paris, de Antuérpia, do Porto, etc), sendo-lhe conferidas medalhas de ouro pela boa apresentação dos seus produtos.
Foi testemunha presencial, na sua qualidade de negociante e de proprietário, juntamente com o Dr. João Cabral Pereira Lapa, Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro (chefe da  1ª colónia ida de Pernambuco na Barca Tentativa Feliz, em 1849) e José Joaquim da Costa (chefe da 2ª colónia ida de Pernambudo na Barca Bracarense e chegada a Moçâmedes em 1850), da cerimonia da Escritura de Promessa e Voto , o acto solene do reconhecimento, manifestado pelos antigos colonos, na Escritura de Promessa e Voto, de 4 de Agosto de 1859, para que em todos os anos e no dia quatro de Agosto, se celebrasse, na Igreja Matriz de Moçâmedes, uma missa rezada e cantada com "Te Deum Laudamus" .  Era agraciado com as comendas das "Ordens de Cristo" e de "Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa". Nos cargos de juiz substituto e de presidente da Câmara Municipal, Duarte de Almeida muito ajudou os  colonos. 

Faleceu a 9 de Julho de 1898. Repousa como outros portugueses que se transferiram na primeira metade do século XIX, de Pernambuco para Moçâmedes,sob artístico mausoléu «aristocrático» de estilo luso-católico,  que ainda hoje se pode ver no Cemitério da cidade, apesar do estado de abandono a que aquele Cemitério, que faz parte integrante do património cultural e histórico do Namibe, tem sido votado. 





                          
 

    Mausoléu da esposa de  João  Duarte  de Almeida, Amélia Josefina da Costa Duarte de Almeida, filha do chefe da 2ª colónia




Pesquisa e texto de MariaNJardim

(1) Seguem algumas informações sobre esses dois produtos comerciáveis e naturais que aliviaram bastante a  vida dos angolanos, e que em Moçâmedes foram explorados por Duarte d'Almeida: urzela e goma copal. A urzela é um liquen que medra nas pedras, do qual se obtem uma tinta azul arroxeada  de forte concentração usada em carimbos e cópias tornando-as impossíveis de falsificação. Existe em rochas à beira mar. Cabo Verde foi um grande produtor de urzela. A goma copal é uma resina especial mas as savanas oferecem outras resinas, de várias densidades e consistências.. Os produtos sintetizados vibraram-lhes um duro golpe.
                                                                     
                                                                                    Urzela

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Eis o que escreveu Carlos Pacheco  no livro “Angola um gigante com pés de barro” a propósito da urzela:
« O governador Xavier Bressane Leite  por ter permitido a exportação deste género para portos estrangeiros recebeu uma advertência do ministro da Marinha e Ultramar que lhe comunicou a sua desaprovação por tal concessão, ordenando que proibisse a exportação e remetesse para Lisboa o produto dos direitos cobrados.» No mínimo, hilariante! Bressane Leite governou de 1842 e 1843, morreu em Luanda.




Bibliografia consultada:
Manuel Júlio de Mendonça Torres  «Moçâmedes», 1º volume datado 1954
Exploração Geográfica e mineralógica do Distrito de Mossâmedes, 1894-1895" por J. Pereira do Nascimento, Médico da Armada Real.
Ver também: Os primeiros produtores na Exposição do Porto:
http://mossamedes-do-antigamente.blogspot.pt/2010_03_24_archive.html


VER AQUI 
OU AQUI



Em GeneallNet encontrei as seguintes referencias que passo a transcrever: 

"Em relação aos Duartes de Almeida, de Moçâmedes, penso não errar em supô-los descendentes de
I – Bento Duarte de Almeida, de Mangualde, e de D. Antónia Rita, da Várzea de Candosa, onde residiram e onde nasceu o filho:
II – Dr. João Duarte de Almeida (Borges Belmiro Castelo Branco), médico em Mangualde, fidalgo de antiga linhagem (cfr. António Duarte de Almeida Veiga (seu neto), «Midões e o seu Velho Município», e J. M. Dias Ferrão, «João Brandão») cc (Midões 5 6 1821) D. Ana Emília Brandão, * Midões (prima co-irmã do célebre João Brandão, político caído em desgraça). 

Refere também uma escritora,  irmã mais nova de Duarte de Almeida

O Dr. João Duarte de Almeida faleceu cedo, deixando 5 filhos menores, dos quais os 3 varões que foram para Moçâmedes:
 
(III)  – João Duarte de Almeida * Midões 26 3 1822 + em Moçâmedes. Órfão de pai, partiu para o Brasil em 1838 em busca de fortuna. Daí passou, pouco depois, a Angola, acompanhando Bernardino Freire de Figueiredo de Abreu e Castro, fundador da cidade de Moçâmedes. Foi grande produtor de algodão e cana-de-açúcar nas suas fazendas «S. João do Norte» e «S. João do Sul». Foi também armador, e descobriu uma borracha, por si denominada «Almedina», que desenvolveu e comercializou com êxito.

"...Presumo que os Duartes de Almeida, de Moçâmedes, sejam todos descendentes dos 3 irmãos de Midões (ou Mangualde). Cumprimentos, José Caldeira (in Genea)

"...Existe em Genea alguns elementos sobre outros Duartes de Almeida "... Edgard Duarte de Almeida, nascido em Moçâmedes, em 28.10.1903. Faria mais tarde em Lisboa o Curso de Arquitectura na Antiga Escola de Belas Artes e, segundo a GEPB, também teve uma carreira com algum relevo na época como artísta lírico, baixo, actuando no Teatro Nacional de São Carlos e noutros locais.

"..Eu já sabia entretanto da existência de uns nossos familiares de Moçâmedes, os Duarte de Almeida, mulatos. Dois deles constam da Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, o pintor e ilustrador Álvaro de Figueiredo Duarte de Almeida (vol.v 9. págs. 322 e 323, vol.39 ( apêndice) pág. 494 e vol. 4 1ª actualização, pág. 260. Nasceu em M. a 20.01.1909, foi professor dos Cursos de Desenho da Sociedade Nacinal de Belas Artes. Foi o ilustrador da História da Tauromaquia, uma edição de luxo em dois grossos volumes, dirigida por Jaime Duarte de Almeida, que existe na casa do meu já falelecido avô, de quem além de primo era amigo.Tinha duas irmãs, que eu cheguei a conhecer , que tinham uma casa em Ranholas , Sintra , uma das quais também consta da dita Enciclopédia, cantora lírica, Maria Amélia Duarte de Almeida n. Moçamedes 26.08.1900 e + Lisboa, a 15.03.1979.

"... Olívia Simões Freire de Figueiredo, casada com um Eugénio Duarte de Almeida que tiveram uma filha Maria Adelaide Duarte de Almeida, n. em Moçâmedes a 19.11.1919 , casada e com geração, de quem nunca tinha ouvido falar. Terá alguma ligação com os Freires de Figueiredo? ass Luís Piçarra in GeneallNet

Esses Duartes de Almeida eram primos do meu avô, embora como disse, ignore como se establece a relação, mas julgo ser anterior à sua ida para Angola.
Os que eu refiro , tal como Maria Amélia, Álvaro , Edgard, já pertencem a uma geração nascida em Moçâmedes.

"...Pessoalmente só conheci essa prima Maria Amélia D.A. e a irmã ambas filhas de um casamento misto.
Quanto ao Álvaro Duarte de Almeida, também lá nascido, que iustrou a História da Tauromaquia , pintor e colaborador como ilustrador de revistas tauromáquicas nos anos 50 , era primo do meu avô, mas não estou certo se era irmão ou primo ou primos de Maria Amélia... ass. Luís Piçarra in GeneaNet.




Algumas fotos antigas de familiares do ramo Duarte de Almeida 










 




 




Miguel Duarte d'Almeida e Amélia Figueiredo Duarte d'Almeida

100º aniversário de Amélia Adelaide. Com as filhas em 1969.

(emendo 1899-1973)
 

 
 
Armando Duarte d' Almeida, esposa e filhos


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Nota: recebi esta mensagem que deixo aqui, uma vez que me é impossível atender à rectificação solicitada por não poder fazer alterações no quadro acima,  que não foi feito por mim, mas que foi em tempos colocado na Net por um familiar de João Duarte d'Almeida:

"....Olá, boa tarde! O meu nome é Manuela Duarte d'Almeida Guerreiro e sou trisneta de , filho de João e de Anna Emilia Duarte d'Almeida. Gostaria que corrigissem alguns dados, uma vez que o meu trisavô estava casado ( naturalmente com a minha trisavó) MARIA AMÁLIA de OLIVEIRA LOUREIRO e não como escrito com Ana Máxima da Costa. Nunca ouvi falar dum filho José!!!! A irmã mais nova do meu trisavô chamava-se EMILIA e não Maria Cecilia, como escrito. A minha bisavó Constança Bensabat Lapa Valente- Duarte d'Almeida ( do1. casamento) nasceu, segundo certidão de baptismo, a 06.09.1874. Melhores Cumprimentos, Manuela em Pioneiros da colonização de Mossâmedes (Moçâmedes, Namibe, Angola): João Duarte de Almeida, Amélia Duarte de Almeida. Alguma genealogia