Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Pintura de Tchitundu-Hulu, Namibe, Angola.

href="http://namibianotombua.multiply.com/photos/hi-res/upload/R0QWcQoKCrgAAEIuWdY1">
Escrita Bamum (1) referenciada no texto.



Pintura de Tchitundu-Hulu, Namibe, Angola.

"São as gravuras rupestres do “Morro Sagrado dos Mucuisses” um dos mais belos conjuntos rupestres da Pré-História de Angola. Encontram-se num morro granítico, chamado Morro do Tchitundo-Hulo ou Tchitundulo, situado em Capolopopo, a cerca de 137 km, para leste da cidade de Moçâmedes, no deserto do mesmo nome, na sua faixa semi-desértica, área do posto administrativo do Virei e nas fronteiras da concessão do Karaculo, um pouco ao Sul do Paralelo de Porto Alexandre.

Estão estas gravuras em riscos de desaparecer, pelo empolamento, por acções térmicas, de uma camada superficial que depois se fragmenta. A interpretação e conservação das pinturas do Morro do Tchitundulo, embora difícil, torna-se, por isso, urgente. Encontram-se essas inscrições no grande morro granítico que dá acesso à chamada Casa Maior que se abre sobre a falésia em forma de anfiteatro. Quase toda – talvez mesmo toda – a grande pedra de granito por onde se atinge a base Maior encontra-se atapetada de gravuras. Qual a idade daquelas gravuras e daqueles desenhos? Há quanto tempo aquelas gravuras foram executadas no morro?

Em primeiro lugar, os fragmentos das gravuras executadas sobre as placas de granito, atestam a existência de homens sobre o Tchitundulo anteriormente à clivagem da rocha. Assim, a história geológica da região e do Morro pode vir trazer dados concretos para a história dos primitivos homens das cavernas do Capolopopo.

No interior das Covas surgem as pinturas rupestres que se afiguram mais recentes, apesar do estilo ser deveras parecido com o estilo das gravuras.
Quem teriam sido os primitivos habitantes das cavernas?
Elementos da raça Mucuisse?
O problema da raça que habitou o Morro do Tchitundulo é de difícil solução.
De qualquer maneira os Mucuisses não têm a mais pequena ideia sobre quem pudesse ter sido o autor das gravuras, mas mantêm uma certa veneração pelo monte, afirmando que os círculos concêntricos gravados no Tchitundulo são os astros, principalmente, o Sol.

Em nenhuma outra estação de arte rupestre de Angola há tão grande número de desenhos, representações de pequenos animais, como os desenhos esquematizados do Tchitundulo.
Qual o significado daquele chacal no início da vertente norte do Morro?
Haverá alguma relação entre as figurações do Tchitundulo e uma vaga manifestação em relação a determinadas plantas?
Que profundas intenções descobriremos nas figurações cruciformes e alguns desenhos "radiográficos”?
Haverá qualquer semelhança entre alguns sinais da escrita Bamum (1) , em diversas fases da sua evolução e alguns desenhos do Tchitundulo?
Enfim, qual o significado, qual a finalidade, quais as intenções que teriam os autores das inscrições e pinturas rupestres do Morro Sagrado dos Mucuisses?" Alguma bibliografia sobre a Pré-História de Angola.(...)

Creditos: http://www.angola-saiago.net/cuissis2.html

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Pertenciam ao grupo Bochiman os homens de pequena corpulência semelhantes aos mongóis em estrutira óssea, que se pensa oriundos do orienta da Europa, considerados os primeiros povos que habitaram a região do Namibe?

Quando os primeiros europeus chegaram a África depararam ainda com bochímanos a executar este tipo de pinturas.O professor António Almeida numa Confererência na Sociedade de Geografia a 7 de Maio de 1956, em Lisboa,
diz-nos que os bochímanos , raça somática e assaz etnicamente muito curiosa , é, por muitos considerada das mais antigas do mundo. A designação boschímanos de origem holandesa significa homens dos bosques; esta designação que vem desde meados do século XVII, dada pelos colonos neerlandezes ao povo que vivia no interior da província do Cabo da Boa Esperança, em regiões cobertas de mato, que para ali fora empurrado pelos Hotentotes e depois pelos Bantos. Impey diz.nos que gentes de Grymaldi passaram da Ásia à Africa à 150 mil anos e que a África do Sul também teria sido habitada por estes homens 100 mil anos depois, saídos uns da Europa, duramte o quarto período glaciário, outros da Ádia, permanecendo estes últimos , muitos séculos, no Egipto. Outros dizem-nos que os bochímanos, propriamente ditos, vivem na África Austral , apenas à quatro ou cinso mil anos , e que são descemdentes dos negróides que estacionaram no vale do Nilo. Marcelin Boule, por sua vez, diz que os bochímanos são descendentes dos negróides aurinhacenses, provenientes de um tronco muito antigo, desenvolvido no centro ou norte de África, cujos ramos evoluiram em várias direcções gerográficas e antropológicas. A maioria dos autores sul-africanos por sua vez, afirmas que os bochímanos têm por ascendentes os homens mesolíticos de Boskop e Florisbad. Von Oord dá-nos a sua origem mais recente e que resulta da mestiçagem entre egípcios, somális e mongóis. Os dizem ainda que são ascendentes de mineiros persas, assírios e indianos, durante as explorações auríferas de Manica e do Quiteve.


A certeza só nos pode ser dada pelos especialistas, historiadores, arqueolologos, etnologos, etc. que se dedicam ao estudo do passado de Africa. Podemos afirmar que existe perto do Virei no Tchitundo-Hulo, pinturas rupestes que talvez possam ser atribuidas aos primeiros habitantes da região.

Os Bochimanes pertencem ao grupo Khoisan, que não conheceu neinhuma organização tribal e vivem da caça, de frutos e raózes ( tentando pôr alguma ordem étnica ) que caracteriza a região, em primeiro lugar a grande divisão rácica entre povos Khoisan e negros; estes subdividem-se em Bantos e não Bantos. Os Khoisan são constituidos pelos Bochimanes, Kedes e individuos de origem Hotentote mestiçados como Bantos. Os representantes dos negros não Bantos são os Kuissis e até certo ponto os cuandos.
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Existem referências às pinturas rupestres de Angola: Tchitundo Hulo e filho de Tchitundo Hulo: Um artigo de Henri Breuil e António Almeida, "Das gravuras e das pinturas rupestres do deserto de Moçâmedes (Angola)", in Estudos sobre Pré-História do Ultramar português, vol 2º, Lisboa, Junta de Investigações do Ultramar, 1964. Essa antiga Junta de Investigações do Ultramar chama-se actualmente Instituto de Investigação Científica e Tropical. O artigo contém texto e fotografias a preto e branco de pinturas, consideradas do Paleolítico e Neolítico efectuadas por povos anteriores aos bantos e pode ser consultado no Instituto ou na Biblioteca Nacional ou outras que tenham depósito legal (até no Rio de Janeiro, no Real Gabinete de Leitura). Há muitos livros de Etnologia e História publicados por esta antiga Junta, escritos por etnólogos, missionários, geógrafos ... com a linguagem colonial mas ricos em informações

Video grutas

Noticia recente sobre estas «grutas alvejadas involuntariamente por chineses»:
http://portal.correiodigital.info/noticias.php?idnoticia=5786

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