Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












terça-feira, 9 de dezembro de 2008

E lá para a década de 60, vieram os imponentes edifícios públicos, e outros de vários andares...






























A partir de meados da década de 50, Moçâmedes começou a perder o ar pitoresco que a caracterizava, e começou, paulatinamente, a ser invadida, aqui e alí, por modernos edifícios públicos de algum porte, bem assim como alguns prédios de vários andares, inclusive no centro histórico, descaracterizando a cidade, e tudo isto, escusadamente, numa terra onde o espaço não falta.

As primeiras duas fotos mostram-nos os bonitos edifícios das Finanças e da Associação Comercial (ao tempo da colonização).


A 3ª foto mostra-nos três desses novos prédios da baixa de Moçâmedes. O da esq., o mais elevado, então propriedade de José Alnes, que veio substituir o antigo Aero-Clube de Moçâmedes, que era à época um prédio bem enquadrado naquele previlegiado local, de esquina para a Praça Leal, ou Praça de Táxis, e que foi pura e simplesmente demolido.

Será que os actuais e futuros dirigentes da ex-Moçâmedes, hoje cidade do Namibe, irão dar continuidade a esta hecatombe, e que daqui a 10, 20 ou mais anos estaremos em face de um centro histórico completamente descaracterizado, com prédios altos em vez do baixo casario, num autêntico crime de lesa partrimónio histórico e cultural?  Ou será que, pelo contrário, irão ter o sentido histórico que faltou àqueles que ainda no tempo colonial deram início a esta delapidação? Temos notícia que muitos edificios antigos estão a ser recuperados o que denota isso mesmo. Esperemos que nunca desistam para bem do Namibe!

Afinal não foi a «Angra do Negro», Mossãmedes, a primeira urbe edificada por europeus em Angola,  a uma velocidade que pasma, tendo em menos de 10 anos alcançado o estatuto de vila?  E com um outro fito que não o de mero entreposto de escravos? 


A cidade do Namibe tem História, que só é possível contá-la e recontá-la aos vindouros se a  Moçâmedes, a Mossãmedes,  e a «Angra do Negro»  de outros tempos continuar a ser lembrada...


2 comentários:

  1. Indiquei o seu blogue para o Prémio Dardos.

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  2. Muito agradeço a Zé Kahango. Também aprecio muito o seu blog.
    MariaNJardim

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