Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












terça-feira, 15 de dezembro de 2009

O edifício dos Correios Telégrafos e Telefones de Moçâmedes na década de 1950








Este é o belo edifício dos Serviços de Correios, Telégrafos e Telefones de Moçâmedes construido na década de 1950, pela CICOREL, situado em local privilegiado, na Rua Alves Bastos, a rua que descendo a Fortaleza, desembocava no largo  onde fica o edifício de traça classizante dos Caminhos de Ferro de Moçâmedes.

Até aos anos 50 do século passado estes Serviços funcionavam no edifício da Alfândega, numa das alas que convergia com a Praça Leal onde ficava a Praça de táxis. Moçâmedes cresceu e alargou-se demograficamente e a construção deste edíficio veio colmatar uma necessidade preemente.

Da revista «Destaque» passarei a transcrever o seguinte artigo:
Comunicações em Angola. Para a História

A necessidade de um serviço regular de correios em Angola foi expressa pela primeira vez em 7 de Setembro 1770 por D. Maria I, Rainha de Portugal, depois de se terem utilizado durante muitos séculos os meios primários de comunicação, entre os quais os instrumentos acústicos e os estafetas.

Esse projecto, só em 1796 tomou corpo, depois do Ministro Sousa Coutinho, ter encarregado Almeida e Vasconcelos, na altura Governador de Angola, de elaborar o primeiro "estudo diagnósticodo serviço de correio de cartas" em Angola.

Em 20 de Janeiro de 1798, no tempo em que era Governador Geral da Colónia, Miguel António de Melo,foi publicado pelo Reino de Portugal um "Alvará de estabelecimento de Correios Marítimos", e em 7 de Dezembro do mesmo ano, publicado o texto orgânico da primeira organização dos correios. Esta primeira Lei conservou durante quase dois séculos muitos dos seus princípios.

Ainda em 1798 os "correios" foram estabelecidos em Luanda e Benguela, ficando os seus administradores dependentes directamente do Governador.

A 18 de Junho de 1800, ainda na vigência do governo de Miguel António de Melo, foi aprovado o "plano de instruções para o estabelecimento dos Serviços de Correios", feito pela Junta Geral de Fazenda de Angola.

A partir daí os serviços de correios foram se expandindo por todo o território, introduzindo-se nele as alterações e inovações necessárias, que começaram pelo aparecimento de caixas de correio.

Em 1849, o então Governador Acácio da Silveira Pinto mandou publicar o "Regulamento para Inspecção e Administração dos Correios de Angola", cuja principal característica era a unificação da organização, ficando a partir daí a estrutura de Benguela sob dependência de Luanda. Nos outros distritos, os serviços de correio permaneceram sob a autoridade hierárquica dos "chefes e comandantes nos distritos e presídios".

Os problemas foram-se então apresentando com uma dimensão cada vez maior. Em 1856, o Governador Coelho do Amaral declara que a "introdução do sistema de selos" é difícil, mesmo em Luanda, e impossível no interior da Colónia, pelo que "o uso de tais selos requer inteligência e até um grande hábito de correspondências, que não há no território". Surgem então as primeiras preocupações com a formação de pessoal.

O dia 16 de Abril de 1874 marca uma data em que foi dado um grande passo com a autorização para o estabelecimento de uma ligação telegráfica com Portugal. O regulamento provisório do serviço telegráfico foi publicado em Novembro de 1877. Carvalho de Meneses, na sua qualidade de Governador, dá parte, em 25 de Julho de 1879, ao Ministro da Marinha e Ultramar, da dificuldade que então se sentia em elaborar um "Plano racional para a organização dos correios, sem a existência de estradas e melhores estímulos salariais para o recrutamento de pessoal habilitado".

As décadas de 80 e 90 do século XIX foram profícuas para as comunicações no território de Angola. Aos 27 de Dezembro de 1884, por portaria régia, foi declarado em vigor em Angola o regulamento provisório dos serviços telegráfico e postal vigente em Portugal. Constatando-se os bons resultados conseguidos com os dois telefones modernos existentes nessa época, o Governador Geral de Angola, Francisco Joaquim Ferreira de Amaral remeteu aos 14 de Maio de 1885 um ofício ao Ministro da Marinha e Ultramar sobre o estabelecimento da rede geral de telefones em todas as estações oficiais e casas particulares. Para os primeiros assinantes, fez-se a primeira encomenda de 50 telefones à Alemanha.

Em 1898 foi harmonizado o regulamento telegráfico interno com o regulamento telegráfico internacional, passando a secção telegráfica, que desde 1880 dependia da "Direcção das Obras Públicas", a ser uma Direcção Autónoma. Aos 9 de Julho de 1884, é assinado o contrato provisório entre o conde Thadeu Oksza e o Governo Português para o estabelecimento de um cabo telegráfico submarino entre Lisboa e Luanda tocando em S. Tomé e com ramais para o Senegal e Bissau.

Em 5 de Junho de 1885 é assinado o contrato definitivo com o conde Thadeu Oksza em relação ao cabo telegráfico submarino Senegal-S.Tomé-Luanda, e na mesma data é autorizada a transferência para Índia Ruben Culta Penche and Telegraph Worke da concessão dada ao Conde
Thadeu Oksza relativa ao cabo telegráfico submarino de Luanda-Capetown.

No dia 15 de Abril de 1886 é publicado o decreto que autorizou um acordo entre a West African Telegraph Company e a African Direct Telegraph Company, respeitante à construção e exploração de cabo telegráfico submarino para a costa ocidental de África.

Em 28 de Setembro do mesmo ano, em comemoração do aniversário do Rei D. Carlos, é solenemente inaugurado o Serviço Telegráfico Submarino entre Lisboa e Luanda.

Em l de Maio de 1889 é inaugurado o cabo telegráfico submarino entre Luanda e a Cabo de Boa Esperança, tocando em Moçâmedes e Benguela.

Como se vê, durante muito tempo os Serviços de Correio e os Serviços Telegráficos, foram executados por providências tomadas pelos diversos governos locais. Os diplomas que organizaram e regularam esses serviços nos anos de 1885 e 1886 eram então, praticamente,
reproduções da legislação metropolitana de 1800. Contudo, registou-se a partir de 1900, uma evolução extremamente rápida na regulação dos serviços. Efectivamente, a 8 de Outubro de 1900 foi regulada a impressão, emissão e venda das franquias postais para todas as colónias portuguesas e regulado por decreto de 19 do mesmo mês, o serviço de permutação de fundos.

Em consequência de uma proposta de Lei apresentada ao Parlamento a 11 de Janeiro de 1901, e no sentido de se reformular e codificar toda a legislação dispersa dos correios e telégrafos coloniais, publicou-se em 1902 o "Regulamento dos Correios Ultramarinos", que centralizou os vários serviços num único organismo os "Correios, Telégrafos e Telefones", e que se conservou em vigor até 29 de Novembro de 1916. A rede dos CTT existente em 1910 era composta por:
• 44 estações postais;
• 122 estações telégrafo/postais;
• 22 estações rádio/telegráficas;
• 2 estações telegráficas.

Um passo que se mostrou de relevante importância foi a publicação em 19 de Setembro de 1913 da portaria, que criou a "Escola de Correios e Telégrafos de Angola".

Em 29 de Novembro de 1916 foi publicado o Decreto n.° 2862, que aprovou a nova organização dos Serviços de Correios e Telégrafos coloniais, substituindo o regulamento de 1902.
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I – Introdução
Estamos em 1936, e frequentemente a imprensa angolana, fazendo eco das lamentações dos comerciantes procurava chamar a atenção dos governantes para o deficiente e moroso serviço postal entre Portugal e a Colónia de Angola. Praticamente estavam reduzidos a duas malas regulares mensais que eram conduzidas pelos vapores que faziam também a carreira de Moçambique porque os outros vapores tinham uma periodicidade irregular tocando vários portos de escala pela costa africana. Reclamava-se insistentemente pelos elevados prejuízos que acarretava para a economia empresarial o deficiente serviço postal prestado pelos Correios.
(...)
O estado de insatisfação era latente porquanto a vizinha província de Moçambique já desde 1934 tinha ligações aéreas regulares com Portugal e a Europa em conexão com a Imperial British Airways.

Porém, há algum tempo os serviços dos Correios de Angola vinham trabalhando no sentido de encontrar uma saída para a inexistência de um serviço postal por via aérea. A solução mais cómoda e económica passava pela negociação com a SABENA para que os seus aviões pudessem fazer uma ligação quinzenal Leopoldville-Luanda. Mas perante o parecer negativo do Conselho Nacional do Ar, o Governo Central, em Lisboa, recusou esta solução, não tanto por questões técnicas mas sim por razões políticas. A Colónia de Angola contrariamente à de Moçambique não tinha aviação civil, e aceitar a entrada da companhia de aviação belga em Angola sem que em contrapartida uma hipotética homóloga de Angola o fizesse em relação ao Congo Belga era perante a comunidade internacional sinónimo de incapacidade de Portugal poder desenvolver economicamente os seus territórios ultramarinos.

Entretanto, desde finais de 1935 que já existiam contactos com os Correios de Moçambique tendentes a colher informação acerca de processos administrativos e documentação relacionados com o correio aéreo, pois aqueles já detinham grande experiência no novo serviço postal.

Em Janeiro de 1936 em plena preparação da 1ª. Conferência Económica do Império Colonial Português, com início marcado para 8 de Junho de 1936 em Lisboa, o presidente da Delegação de Angola àquela Conferência, Coronel António Brandão de Melo, oficiou o Director dos Correios de Angola, no sentido de ser informado acerca da situação em que se encontrava o processo de implementação do “Correio Aéreo” na Colónia, pois era sua intenção apresentar para debate como tema prioritário o problema das comunicações quer internas como externas em Angola, com o pormenor de também ser tratada e até talvez delineada, a autorização para o início de negociações sobre o transporte de correio aéreo dentro de Angola e também desta para o exterior.

VER AQUI SELOS
e AQUI
e AQUI

 

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Retomo a apresentação da marcofilia do CF de Angola, apresentando uma marca do CF de Moçâmedes não catalogada em CORREIA (1998):


Tipo - MSS2
Medida - 39,5 mm x 9 mm
Cor - Preta
Continuando a exibição de marcofilia originária de Moçâmedes, apresento seguidamente o carimbo elíptico REGISTADA/CORREIO DE MOSSAMEDES:


Marca cedida por um amigo filatelista;
usada num BP circulado para França

A par desta, surge uma outra marca, bem batida. Pertence ao 11º grupo (20 de Abril 1917) catalogado por Guedes de Magalhães. Em cima apresenta a legenda CORREIOS DE ANGOLA. A denominação da localidade aparece em baixo. Segundo Guedes de Magalhães (1986: 46), esta marca teve diminuta divulgação, aparecendo sobretudo associada aos serviços de registo, vales e encomendas, saí a ocorrência das letras R, V e E subpostas ao grupo datador .DAQUI
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http://4.bp.blogspot.com/_GrlH2TQIEdI/RoA1ueO8U-I/AAAAAAAACnM/HamY7tG-xZ4/s400/selos+1.JPG

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