Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












sábado, 9 de maio de 2009

Toninhas, focas e pinguins no mar de Moçâmedes

















O mar do distrito de Moçâmedes era um mar riquíssimo em pescado, aspecto que se deve à corrente fria de Benguela que constitui um dos mais importantes factores de moderação climática da zona.

Como funciona este assunto?
De maneira bem simples. Um dos braços da corrente quente do Brasil que aparece sobre o Equador, avança para o Atlântico Sul e acompanha as costas do Brasil e da Argentina. Nos mares da Antártida choca contra as geleiras da região, apodera-se de icebergues e mistura-se com outras correntes de água fria. Então começa a desviar-se em direcção à costa ocidental de África e passa a denominar-se «corrente fria de Benguela». Arrastando grandes blocos de gelo, avança com eles em direcção à costa de Angola. Cada icebergue é um zoológico ambulante onde navegam grupos de focas e pinguins, muitos dos quais terminam a sua viagem nas praias da Baía dos Tigres, Porto Alexandre ( actual Tômbua) e Moçâmedes (actual Namibe).

Quando se cita a fauna angolana, ignora-se estas focas (2ª foto) e pinguins (3ª foto) que surgem nos meses de Junho ou Julho, sulcando as águas das baías do sul de Angola, ou, refastelando-se nas areias das praias, tomando banhos de sol como qualquer um de nós. Na mesma época também é usual verem-se famílias de golfinhos brincalhões ( 1ª foto), as populares toninhas, exercitando o seu costume de salvar náufragos, porque, para elas, qualquer humano nadando junto à praia, é um náufrago potencial que deve ser empurrado para terra e nem sempre com a delicadeza que seria necessária. Era comum ver-se em plena baía de Moçâmedes negras toninhas saltando ou apeoximando-se mesmo da Praia das Miragens, junto dos banhistas, e ainda albatrozes ou alcatrazes voando baixinho à espera da companhia dos barcos que viajavam para sul. A sua presença deve-se também à corrente fria de Benguela, modeladora do clima e modeladora da costa. A ela se deve a existência das várias ilhas e penínsulas sedimentares que se localizam sempre a norte da foz dos grandes rios. O Cunene, que demarca a fronteira sul, dá origem à península que conforma a Baía dos Tigres. São lugares de praias maravilhosas.

REZA DO CHACAL NA PRAIA DO NAMIBE

Sob o azul frio da rosa praia do esqueleto,
nesse deserto sem regresso e sem começo,
conhece a frágil foca cria o férreo preço
da estranha sede do chacal de dorso preto.

«Rego com o sangue da pequena foca triste
as dunas onde planto os ossos de gaivota,
e nesta horta a noite é dócil e derrota
o vento vil que contra o sonho não resiste.

Não chores, oh pequena foca triste, não
chores. Dos ossos da gaivota nascerão
caras de peixe, e dessas máscaras de mágoa,
sete ribeiros quais teus olhos doce água.»

Silêncio e noite no Namibe areal…
um oásis grita no uivo do chacal.

Autor: Mayyahk
(2002/01/01 23:55)
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VINHAM DO MAR CACIMBOS

Vinham do mar cacimbos
refrescar tombuas sequiosas,
calemas, submersos vulcões
e helio-fornos
provar a fibra sibilina
de homens e mulheres
que agarram a vida
pelos cornos.

Vinham pinguins escorraçados
de um país ao sul,
a preto-e-branco pintados,
ond’é ignara a soma
de todas as cores
que realiza o negro.

Vinham navios, botes,
arrastões e palhabotes
encalhar nos fundões ao arear,
que o leteu namibe
conforma de grão a grão
para marcar que ali
só os filhos sabem navegar.

vinham coros boatados,
e as notícias de guerra,
e as guerras de notícia,

e do deserto a garroa colava
areia nos olhos ressudados.


admário costa lindo

7.06.2005


Fotos 4. 5. e 6 de Foto Salvador : Moçâmedes

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