Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

António Aniceto Monteiro (matemático), a irmã e os pais em Mossãmedes seu berço natal (ex-Moçâmedes, actual Namibe)



Os agradecimentos para esta e outras fotografias, são devidos ao Eng. Edgar Ataíde.
Digitalização de Jorge Rezende.
© Família de António Aniceto Monteiro
*

António Aniceto Monteiro

Mossâmedes (Angola), 31 de Maio de 1907 -
- Bahía Blanca (Argentina), 29 de Outubro de 1980
 
António Aniceto Monteiro nasceu em Mossâmedes, Angola, em 31 de Maio de 1907. Angola era a sua terra natal. Mossâmedes era a designação desssa época, mais tarde (anos 20?) mudada para Moçâmedes. O nome depois da independência passou a ser Namibe. Os oito primeiros anos da sua vida, até à morte do pai, em 1915, passou-os o menino António Aniceto em pleno cenário de guerra. A mesma guerra que acabaria por matar o pai, tenente de infantaria, deixando uma viúva e dois órfãos.
Aqui serão colocadas ligações que podem ter interesse para a compreensão da História de Angola e da vida de António Aniceto Monteiro:

1) Angola - parte de Country Studies (USA).
...
Expansion and the Berlin Conference
SETTLEMENT, CONQUEST, AND DEVELOPMENT
The Demographic Situation
Military CampaignsAdministration and Development
ANGOLA UNDER THE SALAZAR REGIME
Angola under the New State
Salazar's Racial Politics
RISE OF AFRICAN NATIONALISM

-                                                                  Reprodução por meios fotográficos de Elza Amaral
                                                                           © Família de António Aniceto Monteiro

Os pais de António Aniceto Monteiro

O pai de António Aniceto Monteiro, alferes de infantaria, foi requisitado para desempenhar uma comissão de serviço dependente do Ministério da Marinha e Ultramar na construção do caminho de ferro de Mossâmedes por decreto de 4 de Julho de 1905, menos de um ano após o desastre de vau de Pembe. Seguiu para o sul de Angola em 7 de Julho de 1905. Exactamente 10 anos depois (7 de Julho de 1915) faleceu em Mossâmedes, de doença, como morriam muitos soldados naquela altura, após uma missão de reconhecimento à serra da Chela. Para sabe mais, clicar AQUI


Reprodução por meios fotográficos de Elza Amaral
© Família de António Aniceto Monteiro


António Aniceto Monteiro; António Aniceto Monteiro e a irmã; António Aniceto Monteiro, a irmã e o pai.
António Monteiro e Lídia durante o casamento (29 de Julho de 1929)

Reprodução por meios fotográficos de Elza Amaral
© Família de António Aniceto Monteiro
***
António Aniceto Monteiro casou-se em 29 de Julho de 1929 em Lisboa, na 8ª Conservatória do Registo Civil, com Lídia Marina de Faria Torres, nascida em 31 de outubro de 1910, natural de Mossâmedes. Do casamento nasceram dois filhos – António, em 8 de Fevereiro de 1934, e Luiz, em 5 de Outubro de 1936.

Digitalização de Jorge Rezende
© Instituto de Odivelas
A irmã mais velha de António Aniceto Monteiro, no Instituto Feminino de Educação e Trabalho, actual Instituto de Odivelas (fotografia anterior a 1922 ou de 1922).
Digitalização de Jorge Rezende
Billhete de identidade da irmã de António Aniceto Monteiro, Maria Petronila, no Instituto Feminino de Educação e Trabalho (actual Instituto de Odivelas).

Digitalização de Jorge Rezende
© Família de António Aniceto Monteiro
Maria Petronila, irmã de António A. Monteiro, em 20 de Outubro de 1958
Natural de Mossâmedes

 Retirado DAQUI

Agradecimento da Câmara de Mossâmedes ao alferes Monteiro (21 de Dezembro de 1909)



© Família de António Aniceto Monteiro
-


" Mais uma vez a Camara da minha presidencia tem o prazer e honra de agradecer a V.Excia. a preciosa coadjuvação que tão gostosa e desinteressadamente de ha muito lhe vem dispensando, quer na elaboração da planta da cidade, trabalho proficiente e completissimo, que só por si representa um alto valor de progresso e melhoramento para este municipio, quer na elaboração da planta do mercado, quer ainda nas varias vezes[?] em que a tem illucidado em trabalhos de especialidade, alta competencia e capacidade de V.Excia.
Tudo isso, que tanto trabalho tem revelado a par de profundos conhecimentos tecnicos, muito calculo, muita ponderação e estudo aturado, esta Camara já mais o esquecerá, e faltaria aos mais sagrados dos deveres de gratidão se lhe não demonstrasse, como demonstra, o seu alto reconhecimento e mais profundo agradecimento.
É para esta Camara de bem intensa magua a retirada de V.Excia d'esta cidade; e fazendo votos por uma feliz viajem, deseja que a fortuna e felecidade o galardôem sempre tão grandemente,  quanto os predicados de V.Excia o exigem.»

-
Nota: A assinatura que se vê é, muito provavelmente, de Seraphim Simões Freire de Figueiredo, que seria, então, Presidente da Câmara (ver Fernando da Costa Leal, quinto governador de Mossâmedes (1854-1959)). Seraphim Simões Freire de Figueiredo e o alferes Monteiro foram padrinhos de casamento dos pais de Lídia Monteiro. 

(...)
No fim desse ano [1909], dá-se uma viragem na vida de António Ribeiro Monteiro e nunca mais regressou à construção dos caminhos de ferro. Em 27 de Dezembro de 1909, por opinião da junta de saúde, veio para Portugal. Desconheço se a família o acompanhou.
(...)
O relatório finaliza com o parágrafo seguinte:
“Tamanha é a gratidão dos habitantes de Mossamedes e tão profundas simpathias alli deixou que a pedido d’aquella cidade vae o alferes Monteiro, muito brevemente, desempenhar alli uma nova comissão de serviço publico”.
Ao ler estas quatro páginas manuscritas que elogiam o alferes Monteiro, é difícil não ver nos traços de carácter descritos, aqueles que viriam a ser os do seu filho, António Aniceto: a grande inteligência, a versatilidade e a amplidão das suas aptidões intelectuais, o sentido prático aliado à competência teórica, a capacidade de comunicação e transmissão dos seus conhecimentos, a simpatia e a coragem.
Em Dezembro de 1910, o recém promovido tenente Monteiro regressou a Angola, tendo embarcado no dia 2 e chegado a Luanda no dia 16.
(...)

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