Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Angola e a Conferência de Berlim: O Acto Geral de 26 de Fevereiro de 1885






A Conferência de Berlim realizada entre 15 de Novembro de 1884 e 26 de fevereiro de 1886 teve como objectivo organizar, na forma de regras, a ocupação de África pelas potências coloniais e resultou numa divisão que não respeitou, nem a história, nem as relações étnicas e mesmo familiares dos povos do Continente.
Na conferência, que foi proposta por Portugal e organizada pelo Chanceler Otto von Bismarck da Alemanha - país anfitrião, que não tinha ainda colónias em África, mas tinha esse desejo e viu-o satisfeito, passando a administrar o “Sudoeste Africano” (atual Namíbia) e o Tanganhica - participaram ainda a Grã-Bretanha, França, Espanha, Itália, Bélgica, Holanda, Dinamarca, Estados Unidos da América, Suécia, Áustria-Hungria, Império Otomano.
Os Estados Unidos possuíu colônia na África; a Libéria, só que muito tarde, mas eram uma potência em ascensão e tinham passado recentemente por uma guerra civil (1861-1865) relacionada com a abolição da escravatura naquele país; a Grã-Bretanha tinha-a abolido no seu império em 1834. A Turquia também não possuía colónias em África, mas era o centro do Império Otomano, com interesses no norte de África. Os restantes países europeus que não foram “contemplados” na partilha de África, também eram potências comerciais ou industriais, com interesses indirectos naquele continente.
Num momento desta conferência, Portugal apresentou um projecto, o famoso Mapa cor-de-rosa, que consistia ligar a Angola e Moçambique para haver uma comunicação entre as duas colónias, facilitando o comérico e o transporte de mercadorias. Mas este documento, apesar de todos concordarem com o projecto, Inglaterra, supostamente um antigo aliado dos portugueses, surpreendeu com a negação face ao projecto e fez um ultimato, conhecido como Ultimato britânico de 1890, ameaçando guerra se Portugal não acabasse com o projecto. Portugal, com medo de uma crise, não criou guerra com Inglaterra e todo o projecto foi-se abaixo.
Como resultado desta conferência, a Grã-Bretanha passou a administrar toda a África Austral, com excepção das colónias portuguesas de Angola e Moçambique e o Sudoeste Africano, toda a África Oriental, com excepção do Tanganhica e partilhou a costa ocidental e o norte com a França, a Espanha e Portugal (Guiné-Bissau e Cabo Verde); o Congo – que estava no centro da disputa, o próprio nome da Conferência em alemão é “Conferência do Congo” – continuou como “propriedade” da Companhia Internacional do Congo, cujo principal accionista era o rei Leopoldo II da Bélgica; este país passou ainda a administrar os pequenos reinos das montanhas a leste, o Ruanda e o Burundi.
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Aos interessados na História de Angola e na História de Moçâmedes, hoje Namibe, deixo-vos a referencia a este livro, intitulado "Demonstração geografica e politica do territorio portuguez na Guiné inferior que abrange o Reino de Angola, Benguela, e suas dependências .."  escrito em Lisboa em 1846 e publicado no Rio de Janeiro em 1848, portanto, às vésperas do início da colonização de Moçâmedes. Estava-se portanto ainda longe da realização da célebre Conferência da qual redundou a "Partilha de África".  O seu autor, Joaquim Antonio Menez escreveu este livro no desejo de chamar a atençào dos portugueses sobre as vantagens e recursos que a Metrópole poderia recolher do vasto e rico território de Angola, e lamenta que Portugal após a administração vigorosa e civilizadora de Pombal em pouco tempo tenha destruido as beneficas disposições que podiam tornar florecentes as Provincias d'além mar, que se estavam  mal,  pior ficaram, agravando a sua decadência.  O autor esteve em Angola no ano de 1842, dezasseis anos após a sua última estadia no território, e ficou surpreendido com a decadência. Viajou na escuna Amélia que naufragou em Moçâmedes, esse célebre episódio que deu o nome à Praia Amélia. Percorreu  pontos da costa até Luanda, que nessa altura apresentava já os sintomas de uma vida quase extinta. Acabou por regressar a Lisboa em 1845, atrozmente perseguido, devido ao conceito que fazia da administração e a vontade de prestar algum serviço à Nação.


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