Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Edifício do Cabo Submarino (Moçâmedes -Angola)




O edifício do Cabo Submarino em Moçâmedes, Angola,  também conhecido com o «Chalet da Companhia Telegraphica»


Já quase ninguém se lembra deste bonito edifício de traça colonial e detalhes ornamentais que denunciam a origem inglesa do projecto. Todo construído em ferro, era conhecido, também, como o «Chalet da Companhia Telegraphica» pela sua elegância, situação e comodidade, e assim era designado em relatos de viajantes (1). Ninguém se lembra porque por volta de finais da década de 1950 este belo edifício, construido em ferro e madeira. foi completamente desmantelado.

Mas qual a importância desta construção?

Neste edifício, intimamente ligado à colonização do sul de Angola, em relação ao qual se desconhece quem o projectou, bem como a data precisa da sua construção, funcionou a partir do último quartel do século XIX, uma Central de Comunicações por cabo telegráfico submarino(1) que fazia a ligação de Moçâmedes à cidade do Cabo, na África do Sul, e às cidades de Luanda e Benguela no território de Angola.

Vejamos o que a este respeito nos diz a obra Os Portuguezes em Africa, Asia, America, e Occeania: Obra classica, Volumes 7-8

"...A 9 de julho de 1884 fez o governo um contracto provisório com o conde Okska para o estabelecimento de um cabo submarino que ligasse a ilha de S. Vicente de Cabo Verde com a ilha de S. Thiago, esta com Bolama e Bissau, ilha do Principe, S. Thomé e Loanda. N'esse mesmo anno se estabeleceu a ligação entre a ilha de S. Vicente e de S. Thiago. Os contractos de 1885, ampliando o primitivo, ligaram ainda telegraphicamente Loanda com Benguella, Novo Redondo e Mossâmedes, e esta ultima povoação com o Cabo da Boa Esperança. No caso da empreza estabelecer cabo submarino para o Estado Livre do Congo, obrigou-se a ligar essa estação telegraphica com a margem portugueza do Zaire. O governo garantia á empreza um trafico de 165 contos annuaes, durante vinte e cinco annos. Este cabo que não só liga telegraphicamente todas as possessões portuguezas da Africa Occidental, mas cinge a Africa toda com a sua rede, está funccionando já, realisando assim e ampliando a aspiração infructifera de Andrade Corvo manifestada em 1876."






Tudo começou, a partir da África do Sul. Em 1 de Maio de 1889 a CS Scotia lançou os cabos telegráficos pela costa atlântica africana. A West African Telegraph Company na Cidade do Cabo, ficou ligada a Moçâmedes, em Angola. No mesmo ano, a IRGP estendeu o cabo de Moçâmedes (Namibe) a Benguela e a Luanda. Quatro anos depois o cabo dava literalmente a volta ao mundo, revolucionando as comunicações. (Informe-se sobre a instalação do cabo submarino em History of the Atlantic Cable & Submarine Telegraphy - Cable & Wireless.)

Segundo informações recolhidas, o decreto que autorizou um acordo entre a West African Telegraph Company e a African Direct Telegraph Company, respeitante à construção e exploração de cabo telegráfico submarino para a costa ocidental de África, foi publicado em 15 de Abril de 1886, no ano a seguir à Conferência de Berlim (1884-1885), a célebre Conferência que foi a mola impulsionadora que fez confluir em África avultados meios humanos, financeiros e tecnológicos que visavam a exploração daquele vasto, rico, porém,mal conhecido e explorado continente.

Portugal seguia assim o percurso das outras potências com pretensões coloniais, preparando-se para assegurar o seu domínio nos territórios africanos de difícil locomoção. A telegrafia sem fios, as linhas de telégrafos e os cabo submarinos, ainda que não tivessem o mesmo impacto que a via terrestre na vida económica e social dos autóctones, possuiam uma importância capital na comunicação, quer entre a África e a Europa, quer entre as diferentes regiões da África central e austral. O telégrafo morse, iria ser o grande ganhador das comunicações.

A ligação entre Luanda e a Cabo da Boa Esperança, tocando Moçâmedes e Benguela insere-se, pois, no quadro dos interesses das potências europeias e ocidentais pelo Continente Africano, e no estabelecimento do princípio da ocupação efectiva dos territórios africanos apenas para os países com meios para os ocupar de facto, acontecimentos que levaram ao reforço na consciência colectiva portuguesa de apego ao Império colonial, mas também (ou acima de tudo) à intenção de o defender e consolidar.
  
Não esqueçamos os interesses coloniais germânicos se faziam sentir (1880), relacionados com a ampliação da sua esfera de influência ao norte do Cunene, nos territórios situados ao norte da catarata de Ruacaná. Havia também que acompanhar o que se passava na Europa, e o enorme desenvolvimento tecnológico e industrial em todo o mundo, sobretudo no velho continente e nos EUA.

Foi em 1884/5 que Pinheiro Chagas enviou para o sul de Angola centenas de colonos, sobretudo da Madeira, para contrabalançar a influência considerada «desnacionalizadora» dos boers. E foi na mesma altura que os exploradores Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens deram início a nova exploração, primeiro entre a costa e o planalto da Huila e depois através do interior até Quelimane, estabelecendo a desejada ligação por terra entre as costas de Angola e de Moçambique, e explorando as vastas regiões do interior entre estes dois territórios.
 
O edifício do Cabo Submarino, marco de uma época na história da colonização portuguesa de Angola, poderia ser hoje um edifício centenário de valor simbólico a valorizar o património cultural e a memória da cidade do Namibe, tal como o Edifício do Cabo Submarino de Benguela, hoje conhecido pelo «edifício da Cultura», que foi recuperado em 2001, já após a independência de Angola, sinal evidente da preocupação das actuais autoridades em preservar aquilo que os portugueses afinal não tiveram a capacidade de valorizar. Assim as mesmas autoridades saibam preservar o centro histórico da cidade do Namibe, de incalculável valor, por aquilo que significa, não apenas para História da cidade, como para a própria História da colonização de Angola. Esse centro histórico, não esqueçam, vem descrito em imensa literatura do século XIX, ainda hoje patente e preservada nas Bibliotecas Nacionais de todo o mundo. E não só através da escrita (livros), mas também documentado com fotografias! 

(1)  Um Cabo submarino é um cabo telefónico especial, que recebe uma protecção mecânica adicional, própria para instalação sob a água, por exemplo, em rios, baías e oceanos. Normalmente dispõe de alma de aço e de um isolamento e protecção mecânica especiais Este tipo de cabo telefónico é utilizado principalmente em redes internacionais de telecomunicações, que interligam países e continentes.


Pesquisa e texto de 
MariaNJardim

Alguma bibliografia sumária:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cabo_submarino.
Os Portuguezes em Africa, Asia, America, e Occeania: Obra classica, Volumes 7-8
History of the Atlantic Cable & Undersea Comunicações
«Angola transportes» de Beatriz Heintze



O edifício do Cabo Submarino e o Desporto em Moçâmedes



Quando estas fotos foram tiradas deixara já de existir a função para a qual este belo edifício havia sido construido. Sabe-se que o mesmo fora alugado a uma grande empresa construtora (OMES), e acabou por ser demolido.
Estas fotos têm a particularidade de nos mostrar as traseiras desse edifício, numa altura em que decorria alí uma espécie de feira popular, e no recinto de jogos as equipas de hóquei em patins do Sporting Clube de Moçâmedes e do Independente de Porto Alexandre (juvenis) se disputavam. À volta do citado recinto  ergueram-se pequenas barracas e pavilhões onde, à boa maneira portuguesa se vendia de tudo um pouco, rifas, pequenas estatuetas, caixas de bom-bons, bebidas, etc. E quando terminava o jogo, o pequeno recinto cimentado servia de pista de dança. Ainda no início da década de 1950 o edifício do Cabo Submarino servia de dormitório aos jovens hoquistas da equipa dos Maristas de Sá da Bandeira quando desciam a Chela rumo ao Namibe, para disputarem encontros de hóquei em patins, nesse tempo em que a modalidade tinha começado a despontar entre nós.
Convém referir que em tempos mais atrás, o edifício do Cabo Submarino de Mossâmedes serviu de alojamento a funcionários daquela Companhia inglesa que se revelaram grandes desportistas e influenciaram o desporto (futebol) em Moçâmedes, e que foi por sua influência que surgiu o primitivo "Royal Clube de Mossâmedes", mais tarde transformado no Atlético Clube de Moçâmedes.

MariaNJardim
(fotos do meu album pessoal)


EXCERTO DA NOTÍCIA “O TELÉGRAFO SUBMARINO"
 ILUSTRAÇÃO PORTUGUESA, 28 DE ABRIL DE 1913, N.º 375, LISBOA, PP.527-528.



"A The Eastern Telegraph Company quasi envolve o mundo com os seus cabos sob o misterio dos oceanos. De Marrocos aos Cabo pussue as costas d’Africa, envolve o Brasil, a Argentina até ao Peru, a India é dominada, a Asia e parte da Oceania comunicam pelas suas linhas. (...) O galope do pensamento, o cavalo aereo de que todas as narrativas da juventude nos falam não é nada com o positivo do cabo submarino, a linha das surpresas, que nos faz saber n’um espaço breve as revoluções da Russia, os combates do Japão, os ciclones da America, as fomes da India, as miserias, as grandezas, os crimes, as virtudes do mundo pelo simples movimento de uns aparelhos d’um extremo ao outro do universo. Por isso, ali, n’aquela sala larga da estação do telegrafo submarino, na quinta Nova de Carcavelos, diante dos rapazes que estavam atentos aos seus aparelhos, nós diziamos com uma vaga inveja ao chefe que nos acompanhava: Os Senhores daqui dominam o mundo (...)."
FONTE: FUNDAÇÃO PT

O edifício dos Correios Telégrafos e Telefones de Moçâmedes na década de 1950








Este é o belo edifício dos Serviços de Correios, Telégrafos e Telefones de Moçâmedes construido na década de 1950, pela CICOREL, situado em local privilegiado, na Rua Alves Bastos, a rua que descendo a Fortaleza, desembocava no largo  onde fica o edifício de traça classizante dos Caminhos de Ferro de Moçâmedes.

Até aos anos 50 do século passado estes Serviços funcionavam no edifício da Alfândega, numa das alas que convergia com a Praça Leal onde ficava a Praça de táxis. Moçâmedes cresceu e alargou-se demograficamente e a construção deste edíficio veio colmatar uma necessidade preemente.

Da revista «Destaque» passarei a transcrever o seguinte artigo:
Comunicações em Angola. Para a História

A necessidade de um serviço regular de correios em Angola foi expressa pela primeira vez em 7 de Setembro 1770 por D. Maria I, Rainha de Portugal, depois de se terem utilizado durante muitos séculos os meios primários de comunicação, entre os quais os instrumentos acústicos e os estafetas.

Esse projecto, só em 1796 tomou corpo, depois do Ministro Sousa Coutinho, ter encarregado Almeida e Vasconcelos, na altura Governador de Angola, de elaborar o primeiro "estudo diagnósticodo serviço de correio de cartas" em Angola.

Em 20 de Janeiro de 1798, no tempo em que era Governador Geral da Colónia, Miguel António de Melo,foi publicado pelo Reino de Portugal um "Alvará de estabelecimento de Correios Marítimos", e em 7 de Dezembro do mesmo ano, publicado o texto orgânico da primeira organização dos correios. Esta primeira Lei conservou durante quase dois séculos muitos dos seus princípios.

Ainda em 1798 os "correios" foram estabelecidos em Luanda e Benguela, ficando os seus administradores dependentes directamente do Governador.

A 18 de Junho de 1800, ainda na vigência do governo de Miguel António de Melo, foi aprovado o "plano de instruções para o estabelecimento dos Serviços de Correios", feito pela Junta Geral de Fazenda de Angola.

A partir daí os serviços de correios foram se expandindo por todo o território, introduzindo-se nele as alterações e inovações necessárias, que começaram pelo aparecimento de caixas de correio.

Em 1849, o então Governador Acácio da Silveira Pinto mandou publicar o "Regulamento para Inspecção e Administração dos Correios de Angola", cuja principal característica era a unificação da organização, ficando a partir daí a estrutura de Benguela sob dependência de Luanda. Nos outros distritos, os serviços de correio permaneceram sob a autoridade hierárquica dos "chefes e comandantes nos distritos e presídios".

Os problemas foram-se então apresentando com uma dimensão cada vez maior. Em 1856, o Governador Coelho do Amaral declara que a "introdução do sistema de selos" é difícil, mesmo em Luanda, e impossível no interior da Colónia, pelo que "o uso de tais selos requer inteligência e até um grande hábito de correspondências, que não há no território". Surgem então as primeiras preocupações com a formação de pessoal.

O dia 16 de Abril de 1874 marca uma data em que foi dado um grande passo com a autorização para o estabelecimento de uma ligação telegráfica com Portugal. O regulamento provisório do serviço telegráfico foi publicado em Novembro de 1877. Carvalho de Meneses, na sua qualidade de Governador, dá parte, em 25 de Julho de 1879, ao Ministro da Marinha e Ultramar, da dificuldade que então se sentia em elaborar um "Plano racional para a organização dos correios, sem a existência de estradas e melhores estímulos salariais para o recrutamento de pessoal habilitado".

As décadas de 80 e 90 do século XIX foram profícuas para as comunicações no território de Angola. Aos 27 de Dezembro de 1884, por portaria régia, foi declarado em vigor em Angola o regulamento provisório dos serviços telegráfico e postal vigente em Portugal. Constatando-se os bons resultados conseguidos com os dois telefones modernos existentes nessa época, o Governador Geral de Angola, Francisco Joaquim Ferreira de Amaral remeteu aos 14 de Maio de 1885 um ofício ao Ministro da Marinha e Ultramar sobre o estabelecimento da rede geral de telefones em todas as estações oficiais e casas particulares. Para os primeiros assinantes, fez-se a primeira encomenda de 50 telefones à Alemanha.

Em 1898 foi harmonizado o regulamento telegráfico interno com o regulamento telegráfico internacional, passando a secção telegráfica, que desde 1880 dependia da "Direcção das Obras Públicas", a ser uma Direcção Autónoma. Aos 9 de Julho de 1884, é assinado o contrato provisório entre o conde Thadeu Oksza e o Governo Português para o estabelecimento de um cabo telegráfico submarino entre Lisboa e Luanda tocando em S. Tomé e com ramais para o Senegal e Bissau.

Em 5 de Junho de 1885 é assinado o contrato definitivo com o conde Thadeu Oksza em relação ao cabo telegráfico submarino Senegal-S.Tomé-Luanda, e na mesma data é autorizada a transferência para Índia Ruben Culta Penche and Telegraph Worke da concessão dada ao Conde
Thadeu Oksza relativa ao cabo telegráfico submarino de Luanda-Capetown.

No dia 15 de Abril de 1886 é publicado o decreto que autorizou um acordo entre a West African Telegraph Company e a African Direct Telegraph Company, respeitante à construção e exploração de cabo telegráfico submarino para a costa ocidental de África.

Em 28 de Setembro do mesmo ano, em comemoração do aniversário do Rei D. Carlos, é solenemente inaugurado o Serviço Telegráfico Submarino entre Lisboa e Luanda.

Em l de Maio de 1889 é inaugurado o cabo telegráfico submarino entre Luanda e a Cabo de Boa Esperança, tocando em Moçâmedes e Benguela.

Como se vê, durante muito tempo os Serviços de Correio e os Serviços Telegráficos, foram executados por providências tomadas pelos diversos governos locais. Os diplomas que organizaram e regularam esses serviços nos anos de 1885 e 1886 eram então, praticamente,
reproduções da legislação metropolitana de 1800. Contudo, registou-se a partir de 1900, uma evolução extremamente rápida na regulação dos serviços. Efectivamente, a 8 de Outubro de 1900 foi regulada a impressão, emissão e venda das franquias postais para todas as colónias portuguesas e regulado por decreto de 19 do mesmo mês, o serviço de permutação de fundos.

Em consequência de uma proposta de Lei apresentada ao Parlamento a 11 de Janeiro de 1901, e no sentido de se reformular e codificar toda a legislação dispersa dos correios e telégrafos coloniais, publicou-se em 1902 o "Regulamento dos Correios Ultramarinos", que centralizou os vários serviços num único organismo os "Correios, Telégrafos e Telefones", e que se conservou em vigor até 29 de Novembro de 1916. A rede dos CTT existente em 1910 era composta por:
• 44 estações postais;
• 122 estações telégrafo/postais;
• 22 estações rádio/telegráficas;
• 2 estações telegráficas.

Um passo que se mostrou de relevante importância foi a publicação em 19 de Setembro de 1913 da portaria, que criou a "Escola de Correios e Telégrafos de Angola".

Em 29 de Novembro de 1916 foi publicado o Decreto n.° 2862, que aprovou a nova organização dos Serviços de Correios e Telégrafos coloniais, substituindo o regulamento de 1902.
.......................................

I – Introdução
Estamos em 1936, e frequentemente a imprensa angolana, fazendo eco das lamentações dos comerciantes procurava chamar a atenção dos governantes para o deficiente e moroso serviço postal entre Portugal e a Colónia de Angola. Praticamente estavam reduzidos a duas malas regulares mensais que eram conduzidas pelos vapores que faziam também a carreira de Moçambique porque os outros vapores tinham uma periodicidade irregular tocando vários portos de escala pela costa africana. Reclamava-se insistentemente pelos elevados prejuízos que acarretava para a economia empresarial o deficiente serviço postal prestado pelos Correios.
(...)
O estado de insatisfação era latente porquanto a vizinha província de Moçambique já desde 1934 tinha ligações aéreas regulares com Portugal e a Europa em conexão com a Imperial British Airways.

Porém, há algum tempo os serviços dos Correios de Angola vinham trabalhando no sentido de encontrar uma saída para a inexistência de um serviço postal por via aérea. A solução mais cómoda e económica passava pela negociação com a SABENA para que os seus aviões pudessem fazer uma ligação quinzenal Leopoldville-Luanda. Mas perante o parecer negativo do Conselho Nacional do Ar, o Governo Central, em Lisboa, recusou esta solução, não tanto por questões técnicas mas sim por razões políticas. A Colónia de Angola contrariamente à de Moçambique não tinha aviação civil, e aceitar a entrada da companhia de aviação belga em Angola sem que em contrapartida uma hipotética homóloga de Angola o fizesse em relação ao Congo Belga era perante a comunidade internacional sinónimo de incapacidade de Portugal poder desenvolver economicamente os seus territórios ultramarinos.

Entretanto, desde finais de 1935 que já existiam contactos com os Correios de Moçambique tendentes a colher informação acerca de processos administrativos e documentação relacionados com o correio aéreo, pois aqueles já detinham grande experiência no novo serviço postal.

Em Janeiro de 1936 em plena preparação da 1ª. Conferência Económica do Império Colonial Português, com início marcado para 8 de Junho de 1936 em Lisboa, o presidente da Delegação de Angola àquela Conferência, Coronel António Brandão de Melo, oficiou o Director dos Correios de Angola, no sentido de ser informado acerca da situação em que se encontrava o processo de implementação do “Correio Aéreo” na Colónia, pois era sua intenção apresentar para debate como tema prioritário o problema das comunicações quer internas como externas em Angola, com o pormenor de também ser tratada e até talvez delineada, a autorização para o início de negociações sobre o transporte de correio aéreo dentro de Angola e também desta para o exterior.

VER AQUI SELOS
e AQUI
e AQUI

 

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Retomo a apresentação da marcofilia do CF de Angola, apresentando uma marca do CF de Moçâmedes não catalogada em CORREIA (1998):


Tipo - MSS2
Medida - 39,5 mm x 9 mm
Cor - Preta
Continuando a exibição de marcofilia originária de Moçâmedes, apresento seguidamente o carimbo elíptico REGISTADA/CORREIO DE MOSSAMEDES:


Marca cedida por um amigo filatelista;
usada num BP circulado para França

A par desta, surge uma outra marca, bem batida. Pertence ao 11º grupo (20 de Abril 1917) catalogado por Guedes de Magalhães. Em cima apresenta a legenda CORREIOS DE ANGOLA. A denominação da localidade aparece em baixo. Segundo Guedes de Magalhães (1986: 46), esta marca teve diminuta divulgação, aparecendo sobretudo associada aos serviços de registo, vales e encomendas, saí a ocorrência das letras R, V e E subpostas ao grupo datador .DAQUI
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http://4.bp.blogspot.com/_GrlH2TQIEdI/RoA1ueO8U-I/AAAAAAAACnM/HamY7tG-xZ4/s400/selos+1.JPG