Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












segunda-feira, 1 de março de 2010

A Casa do Dr. João Cabral Pereira Lapa e Faro: fragmento do ofício de Pinto Balsemão. Mossãmedes 23.03.1868


Sobre a «Casa do Dr Lapa e Faro»



No Livro de Manuel Júlio de Mendonça Torres, 2º volume, do Ciclo Aureo da Cultura do Algodão, faz referência a um ofício de Pinto Balsemão,  datado de 23.03.1868, onde este descreve, entusiasmado, a casa do Dr. Lapa e Faro, médico na povoação, que estava à época a ser construida, revestida de fachada de grande gosto arquitectónico, que devia ser a melhor da vila. Possuia também dois jardins, um deles coberto de flores, arbustros, viveiros, quiosques, lagos, etc., outro a ser construido ainda. Segue um fragmento do ofício de Balsemão: 

 «Só quem vê aquele aquele areal estéril e pleno de monotonia em que está colocada a vila,  pode bem prever as dificuldades com que o Dr. Lapa e Faro tinha lutado para conseguir ter jardins no pé em que estão os que cercam a sua vivenda em Mossãmedes, dada a dificuldade de obtenção de tudo quanto é necessário, a terra para jardim vinda de grande distância,  as sementes e os arbustos de países remotos para aclimatar a Mossãmedes, grandes despesas».

Quando Manuel Júlio de Mendonça Torres, o autor do livro, nasceu, a casa já não pertencia ao Dr Lapa e Faro, que havia falecido há muito.  Ficava situada na Rua das Hortas (?), época em que a moradora, sua proprietária, era Rosa Gonçalves Moreira, funcionando arrendado no jardim um campo de jogos de um grupo desportivo local.  Refere ainda Balsemão a existência de uma outra vivenda que também pertenceu ao Dr. Lapa e Faro,  próxima da Aguada, nos arrabaldes da vila, construida posteriormente, que nada tem a ver com esta situada em plena vila e  Mendonça Torres remete com descrição no lll volume desta obra.
          O Dr. Lapa e Faro caçando nas margens do rio Bero em Mossâmedes. Angola (Moçâmedes, actualmente Namibe)


Nota:  Conheci esta casa já em estado avançado de degradação. Era então conhecida como a «Casa da Desvia».  Para saber mais sobre o Dr. Lapa e Faro, clicarAQUI

Pesquisa de MariaNJardim

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