Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












sábado, 1 de dezembro de 2007

O Dr. João Cabral Pereira Lapa e Faro, facultativo (Médico) pioneiro em Mocâmedes (Mossâmedes, Namibe). A casa de Lapa e Faro.


O Major Médico Dr. JOÃO CABRAL PEREIRA LAPA E FARO



...Ainda que não pertencesse a nenhum dos grupos de 1849 ou de 1850, activa e dedicadamente prestara inolvidáveis serviços ao Distrito e às suas gentes na fase da sua formação, pelo que a sua veneranda memória se tornara credora de singela, mas expressiva homenagem, que aqui deixamos reproduzida.
Manuel Júlio de Mendonça Torres





  


"A arquitetura é a prosa do pensamento e sentimento inarticulados, mas belos. Às vezes, fala do trivial na vida; subindo mais alto, fala de paz doméstica e felicidade; e, numa dicção ainda mais sublime, realça os mais nobres e os mais amplos objetivos da vida. Relata o passado, regista o presente e propõe ideais para o futuro. Mas só quando é enriquecida pelas artes irmãs- escultura e pintura- pode contar a história com a plenitude da eloquência e do poder" 
                                 
                                                                  John Belcher, 1904




A célebre casa do Dr. Lapa e Faro, situada na ex-Rua Calheiros, na época em que o Dr. Manuel Júlio de Mendonça Torres nasceu, conforme o próprio refere no seu livro "Moçâmedes", já não pertencia ao ilustre médico que havia falecido há muito. Era então a moradora da sua proprietária, Rosa Gonçalves Moreira, e o jardim funcionava arrendado para campo de jogos do Sport Moçâmedes e Benfica, mesmo ali ao lado do edifício da Câmara Municipal.

Trata-se, sem dúvida de uma das casas mais valiosas de Moçâmedes, se não a mais valiosa, não apenas pela sua arquitectura,  mas também pelas memórias que evoca e que remontam aos primórdios  da fundação da cidade.  Trata-se de uma bela casa de inspiração romântica, um exemplar de "Arte nova", ou "Art noveau",  corrente artística surgida em Paris no último quartel do século XIX, que se espalhou pela Europa, Estados Unidos e outros países do mundo, como o Brasil, etc, tendo chegado à África portuguesa (Moçâmedes),  graças ao  Dr. Lapa e Faro, o 1º médico-cirurgião de Moçâmedes.

Quanto à data exacta da sua  construção, segundo O Dr. Manuel Júlio de Mendonça Torres, no 2º volume da obra "Moçâmedes, no Ciclo Aureo da Cultura do Algodão", existe uma referência num ofício de Pinto Balsemão, datado de 23.03.1868, onde este descreve, entusiasmado, a casa do Dr. Lapa e Faro que estava à época a ser construida, revestida de fachada de grande gosto arquitectónico, que devia ser a melhor da vila, rodeada de jardins, viveiros, quiosques, lagos, etc.  Segue um fragmento do ofício de Balsemão:

"...Só quem vê aquele aquele areal estéril e pleno de monotonia em que está colocada a vila, pode bem prever as dificuldades com que o Dr. Lapa e Faro tinha lutado para conseguir ter jardins no pé em que estão os que cercam a sua vivenda em Mossâmedes, dada a dificuldade de obtenção de tudo quanto é necessário, a terra para jardim vinda de grande distância, as sementes e os arbustos de países remotos para aclimatar a Mossâmedes, grandes despesas...".


Ora, se de facto de trata de um exemplar de arquitectura "Art Noveau, então resta-nos concluir que com esta construção, referida através do ofício de Pinto Balsemão, datado de 23.03.1868, Moçâmedes, não só foi capaz de alinhar, como de se antecipar à  nova corrente da arquitectura europeia surgida pela primeira vez em Bruxelas em construção projectada pelo arquitecto belga Vitor Horta, em 1882, e em França apenas na década de 1890.

Pessoalmente, prefiro enquadrar a arquitectura desta casa no movimento de arquitectura Eclética (Ecletismo), caracterizado pela mistura de estilos arquitetónicos, que antecedeu o Art Noveau, e veio romper com o neoclássico ao nivel da arquitectura europeia.  O Ecletismo surgiu na Europa na de passagem do Neoclássico para o Arte Noveau a partir dos anos 1870, e de maneira quase que absoluta, deixando pouco espaço para os estilos que surgiram posteriores a ele como o Art Nouveau ou o Art Déco,  apresentando numa só obra uma profusão de elementos decorativos conjugados, em total liberdade de expressão artística: góticos, rococós, clássicos, árabes, orientais, florais, animais, naturais (plantas, flores, árvores e animais). É essa profusão que encontramos nesta bela casa, onde é patente a riqueza decorativa da fachada, nas janelas emolduradas e ornamentadas, na platibanca com desenhos geométricos, na marcação de esquinas como forma de forçar a simetria, no  frontão central, varandas laterais,  nas grades de ferro e presença de porão como era típico da época.

A possibilidade de trabalhar sem limites de criatividade os materiais, de conjugar o ferro e o vidro de formas harmoniosas, foi uma verdadeira revolução na arquitectura, fruto de uma nova era, que foi como um grito de liberdade face às correntes tradicionais, e permitiu projectos de uma exuberância proporcional à bolsa e ao ego de cada proprietário, cujas edificações eram marcados por detalhes decorativos, que sintetizavam aspirações de prestígio e ascensão social, mas também a vontade de contribuir para o embelezamento do cidade, património comum imaginário de toda a sociedade.

A arquitectura Eclética historicamente retrata esses momentos em que a arte assumiu linhas nunca antes vistas ao nível das edificações, e que hoje em dia representam um riquíssimo património nos países que as souberam preservar, enquanto em outros se encontram em vias de se perder para sempre, ao abandono ou à espera de melhores dias. Ou até insensivelmente demolidos, condenados pela ignorância e pela ganância, para darem lugar a edificações vulgares e paisagísticamente desenquadradas.

Imagine-se quantas dificuldades envolveram o erguer desta casa singela e de grande arte,  erguida quando haviam passado apenas 17 anos após a fundação, e Moçâmedes não era mais que um imenso areal desértico, banhado por um mar piscoso, com uma baía em forma de concha onde um rio seco a maior parte de ano ia desaguar...

Imagine-se quando era difícil e até mesmo impossível a obtenção dos materiais necessários, e tudo até a simples tunga de madeira vinha de longe. Lapa e Faro possuía uma personalidade singular, ele próprio era um artista, um artesão, um apaixonado por África. A sua obra ainda ali está a aguardar pacientemente por reconhecimento e consideração!

Moçâmedes merecia-o!

Cidade fundada em 1849, não foi uma cidade nascida ao acaso, ela foi projectada pelo punho do governador de então, Fernando da Costa Leal, de acordo com as directivas modernas pombalinas, na base de um projecto tipo tabuleiro de xadrez, que muniu a cidade com uma longa e bela Avenida, paralela ao mar, ruas largas e de grande simetria, largos e praças, como não havia outra em Angola.

Mas será preciso ter-se em conta que praticamente sem ajudas do Estado, o progresso de Moçâmedes esteve sempre dependente do poder económico dos seus moradores que, como se sabe, não era grande. E sempre dependente da escassa mão de obra africana existente, já que não era possível achar essa mão de obra entre os autóctones da região, resistentes à integração. Quem teria então contribuido para a construção desta bela casa de habitação que é um verdadeito ex-libris para a cidade de Moçâmedes?

Estamos falando de um tempo imediatamente a seguir à chegada dos primeiros colonos vindos de Pernambuco , Brasil, em 1849-50, e portanto posterior à publicação do decreto da abolição do tráfico de escravos, em 10 de Dezembro de 1836, pelo General Sá da Bandeira. De um tempo em que Portugal, após 14 anos de lutas entre liberais e absolutistas (1820-34), finalmente e libertara das peias que entravavam o progresso dos povos. Com a  abolição do tráfico, os embarques de escravos para o Brasil e Américas passaram a ser perseguidos, os traficantes punidos, mas não fora ainda o fim da escravatura interna. Angola para se poder erguer da paralisia em que se afundara, enquanto o Novo Mundo progredia, necessitava de braços para o trabalho, e a solução encontrada foi que os escravos libertados, para obterem a "carta de alforria" teriam que prestar 10 anos de trabalho voluntário nas unidades económicas em formação. Os primeiros anos da fundação de Moçâmedes foram carentes da mão da obra africana. Os ex-escravos para ali enviados fugiam para as suas terras de origem sempre que se lhes oferecia a oportunidade, receosos de novos embarques. O recurso eram os degredados estacionados no Forte de S. Fernando que formavam um grupo militar precário e indisciplinado, e que era o pau para toda a obra, até para a actividade  agrícola nas Hortas. Degredados eram condenados por delitos comuns, mas também assassinos para ali desterrados a cumprir as mais diversas penas, e que ali acabavam a maior parte os seus dias. Os autóctones da região viviam deambulando pelo Deserto do Namibe, no quadro de um sistema tribal, fazendo uma vida nómada ou semi-nómada, pastoreando o seu gado, a sua maior riqueza.  Tinham seus usos e costumes enraizados, dos quais não abdicavam, preferindo morrer, eram resistentes à integração. Alguns dos primeiros colonos tinham chegado a Moçâmedes, vindos de Pernambuco,  Brasil, acompanhados de seus serviçais, ex-escravos, que livremente tinham decidido, naqueles tempos que se seguiram à abolição, regressar à África mãe dos seus antepassados. Eles foram bastante úteis nesses tempos da fixação. Eles seriam aliás o embrião do futuro grupo social "quimbar" que se gerou em todo o distrito de Moçâmedes, quando em seguida começaram a chegar à região escravos libertados de navios negreiros apresados, distibuidos para trabalhar nas diversas unidades económicas em formação. Eram povos das mais diversas proveniências, pertencentes às mais diferentes etnias que, deslocados do seu meio, sem radicação étnica nem uma língua única, ali chegados, se miscigenaram, passaram a falar português e  com o correr do tempo a adoptar uma cultura que era uma mistura de costumes africanos e europeus. (1) Todos estes povos estiveram presentes nos primórdios da colonização de Moçâmedes. Todos eles colaboraram como seu esforço para a Moçâmedes de hoje.

Edifícios como este, são verdadeiras pérolas, preciosidades que no mínimo exigiriam conviver com gente que as soubesse apreciar e valorizar. 



Em determinada altura aqui residiu o Patrão Mor...Conheci como a Casa da Desvia


 

Colecção particular
 A Casa do Dr.Lapa e Faro/DESVIA. Nos finais da década de 1960
 
 Pormenores
 
 Pormenores...

 Pormenores...

 Pormenores...
 
 Pormenores...
 Há uns anos atrás um grupo de gente da cidade do Namibe, amigos do património tentou graciosamente, através de umas obras, ir mantendo esta casa à espera de melhores dias...



Infelizmente nem no tempo colonial, nem nos dias de hoje, este belo edifício, que há muito clama por conservação e restauro, e se oferece gracioso a quem o souber apreciar, tem recebido a consideração que merece. Mas ele persiste em manter-se de pé, apesar de maltratado, continua a aguardar reconhecimento!

Foto de final do século XIX com enquadramento da Casa de Lapa e Faro

Foto de final do século XIX com enquadramento da Casa de Lapa e Faro
 Gravura de 1886 com a casa de Lapa e Faro

Foto de final do século XIX com enquadramento da Casa de Lapa e Faro


Foto de final do século XIX com enquadramento da Casa de Lapa e Faro


O "Chalé" da Horta da Nação, também mandado construir pelo 1º médico-cirurgião de Moçâmedes, contemporâneo da fundação, Dr Lapa e Faro






Refere ainda Balsemão a existência de uma outra vivenda que também pertenceu ao Dr. Lapa e Faro, próxima da Aguada, nos arrabaldes da vila, construída posteriormente, que nada tem a ver com esta situada em plena vila, e que Mendonça Torres remete com descrição no lll volume desta obra, que creio nunca chegou a ser publicada.

O edifício pintado a azul (foto recente enviada do Namibe) conhecido por "Chalé" da Horta da Nação, que se apresenta aqui com pintura nova, fica situado na margem esquerda do Rio Bero, e acredita-se que seja o  referido por Balsemão,  mandado construir pelo Dr Lapa e Faro, o 1º médico de Moçâmedes, que foi  contemporâneo  da fundação. É sem dívida uma belíssima construção, que em 1975 pertencia a José Prazeres Madeira. Segundo Victor Mendonça Torres, "...fazia parte da propriedade que vinha das salinas até às hortas torres (Benfica incluso) e foi vendida em lotes ao seu tio Gaspar Madeira e depois passou em herança para o irmão Prazeres,  e a de Benfica para o Venâncio Guimarães.



Da minha Colecção Particular. Nesta foto, do início dos anos 1950, pode-se ver, em cima, e a meio, a CASA DA DESVIA/LAPA E FARO já perfeitamente enquadrada no conjunto da cidade


Quanto à personalidade do Dr Lapa e Faro, no livro "Quarenta e cinco dias em Angola" de autor anónimo (1862), obra de referência na história de Moçâmedes (Namibe), encontramos as seguintes passagens que nos mostram como o Dr. era comparado a Robinson Crusué, pela sua habilidade em todos os ofícios, capaz de cozer a sua própria roupa, tratar doentes na sua qualidade de médico, "construir seu próprio carro tendo por motor um boi-cavalo guiado por um moleque". O livro  fala-nos também da sua preferência em viver no campo.

Eis  algumas passagens de um texto retirado daquele velho livro:


"...Sigamos para a quinta dos Cavalleiros...
"...Teremos de dar uma pequena volta, mas não importa;  proporciona-nos a occasião de vermos a propriedade do mais excêntrico dos facultativos. O cirurgião-médico de Mossâmedes, além de ser habilissimo na sua arte, é um excellente homem, estimado de toda a gente que tem a felicidade de o conhecer. Lapa e Faro é o seu nome, estudou quatro annos na escola do Porto, frequentou o quinto em Lisboa, entrou para o serviço da armada, e acha-se, não sei como, estabelecido em Mossâmedes, onde gosa dos melhores créditos. Dotado de um génio independente, obsequeia a todos, mas não se torna importuno com pedidos. Qual outro Robinson, poderia o acaso lançal-o em alguma ilha deserta, que pouco se affligiria com isso,  habilidoso em todos os officios, é elle que se veste, se calça, e faz os seus chapéos — mas tudo parece mais obra de um hábil mestre, que de um simples curioso. Para mais commodamente visitar os seus doentes, construiu um carro de novo género, tendo por motor um boi-cavallo guiado por um moleque. Não me era possível vêl-o mettido no seu carro, de chicote na mão, sem se me figurar que ia dentro de um andor dos que se usam nas aldeias do Minho. Preferindo Viver no campo, construiu, perto das Hortas, uma casa apalaçada de gosto exquisito, mas que produz magnifico effeito vista a certa distancia: no interior tem uma sala triangular, e conservou na sala de jantar uma grande arvore, que existia n'aquelle sitio. Apesar de casado em Portugal, parece estar no firme propósito de trocar Vizeu, sua terra natal, por Mossâmedes, onde tenciona occupar-se da cultura do algodão."

Ainda sobre o Dr Lapa e Faro, e no que concerne a caçadores que se distinguiram à época da formação do distrito, seguem outras informações colhidas do Boletim da Sociedade de Geografia, 2ª série, nº1 de 1880, onde vem publicado um relatório da viagem de exploração efectuada pelo segundo tenente António Almeida Lima, de 1 de Janeiro de 1879.  Possuidor de um veículo que havia mandado construir para transportar pelos areais do Deserto do Namibe as pessoas de sua casa, nas caçadas que habitualmente costumavam empreender. Era um carro leve e cómodo, que além de conduzir passageiros, servia também para o transporte de pessoas doentes ou fragilizadas.



 O túmulo do Dr Lapa e Faro no Cemitério de Moçâmede Túmulos dos colonos fundadores vindos de Pernambuco (Brasil) em 1849 e 1850, são verdadeiros monumentos históricos, testemunhos de um passado que, se preservados, seriam uma mais valia para Moçâmedes. Não será por acaso que Cemitérios exibindo testemunhos a este nível são objecto de visitação turística em todo o mundo civilizado. E objecto de estudo para teses de estudantes universitários igualmente em todo o mundo.


A vida do Dr. João Cabral Pereira Lapa e Faro  foi  quase toda vivida em Moçâmedes, onde não se limitou a exercer clínica, entrando para salvar as gentes da terra, entrando tanto no Palácio como na mais humilde palhota dos arredores.  Em 22 de Maio de 1865, comunicava-se ter concluído a primeira fase do embalsamamento de um leão, que remeteu para o reino (Portugal). Em cota lavrada sobre o documento determinava-se que este facultativo fosse louvado pelo trabalho realizado e pela iniciativa que tivera.


Ainda que não registado como fundador,  em 1849 e em 1850,  o Dr Manuel Júlio de Mendonça Torres,  no jornal «O SUL DE ANGOLA»  eleva o popular Dr. Lapa e Faro, ao «Quadro de Honra» dos pioneiros da colonização. E evoca os nomes de outras duas individualidades, que, não havendo entrado na constituição dos componentes da 1ª nem da 2ª colónia, foram seus contemporâneos, tendo ligado as suas vidas à vida do Distrito, através de préstimosa colaboração e que nada tiveram a ver com os colonos luso-brasileiros  ali chegados em 1849 e 1850, vindos de Pernambuco (Brasil), fugidos da revolução praieira. Foram BERNARDINO JOSÉ BROCHADO E JOÃO DUARTE DE ALMEIDA

Também nesses tempos da formação do Distrito, outras duas pesonalidades, dois caçadores, ficaram ligados ao Deserto do Namibe, atraídos pela abundância e variedade de animais que fazem dele o seu habitat. Um deles foi NESTOR JOSÉ DA COSTA, filho de José Joaquim da Costa, o Chefe da 2ª colónia chegada a Moçâmedes em 1850, proveniente de Pernambuco (Brasil).  Outro, foi JOSÉ ANCHIETA , naturalista, que colheu no deserto do Namibe e enviou para o Museu Nacional de Lisboa milhares de exemplares, entre os quais cerca de cinquenta novas espécies.




Pesquisa e compilação de textos de Maria NJardim 

(1) De início o grupo social "quimbar" era uma população minoritária,  os "mbalis ou mbaris", do grupo etnolinguístico Herero,   constituido  por povos de várias etnias  e de várias proveniências, que na condição de escravos libertados de navios negreiros apresados, em consequência da abolição do tráfico de escravos para o Brasil e Américas, decretado em 1836, eram distribuidos para trabalhar em Moçâmedes, nas diversas actividades económicas em formação, nomeadamente na agricultura e pescarias. Mas integraram também este grupo social, povos de várias etnias  e de várias proveniências, recrutados no norte e no interior de Angola, e que em conjunto formaram a população negra trabalhadora, permanente, espalhada pelo  distrito de Moçâmedes, com base na nova política colonial de povoamento e desenvolvimento do território. Estes povos longe das suas tribos e sem uma lingua unificadora miscigenaram-se entre si, e no contacto com seus patrões brancos aprenderam a falar português e aquiriram usos e costumes portugueses, o que é comprovado pelo facto de, na língua cuanhama, os termos bali, lwimbali ou vimbali, significarem "aqueles que andam com os brancos". Quimbares receberam também a influência dos serviçais descendentes de escravos negros que do Brasil, chegaram a Moçâmedes em 1849, na companhia de seus patrões, e que eram portadores de uma cultura própria, ainda africana, mas já cristianizada, tocada profundamente por usos e costumes brasileiros aquiridos em "Casas Grandes e Senzalas".

Ver também AQUI 

Sobre Moçâmedes, pelo Dr Lapa e Faro:AQUI
Sobre outros colonos pioneiros:
Bernardino José Brochado, ver AQUI 
João Duarte de Almeida, ver AQUI




Nota: Muito se agradece o respeito por este blogue dedicado à cidade de Moçâmedes, em Angola.  Se vierem aqui copiar textos, fotos,  postais etc. não se esqueçam lhe  dar os respectivos créditos ao nosso trabalho como é norma, ajudando a sua divulgação.  Este blog  nascido em 2007, é fruto de muito trabalho e de muita pesquisa. Lamentavelmente alguns dos seus textos têm sido pelagiados sem contemplação, referência ou agradecimento.  MariaNJardim

Sem comentários:

Enviar um comentário