Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Personalidades ilustres no início da colonização de Moçâmedes (hoje Namibe): Honorato José Zuzarte de Mendonça

Honorato José Zuzarte de Mendonça (1817-1885)



Honorato José ZUZARTE DE MENDONÇA nasceu em 1817 em Lisboa, Portugal, e faleceu em 1885 em Moçâmedes, Angola. General de brigada,  foi fidalgo, cavaleiro da casa real, ajudante de campo do rei D. Luis e Chefe da Casa Militar do rei D. Carlos. Em Angola, foi Director do Porto de Moçâmedes . Comandante da Fortaleza de S. Miguel de Luanda,  Comissário Régio de Moçâmedes (1851-1867). Foi também, Secretário Geral do Governo de Moçambique (1869-1876), Presidente do Conselho Superior de Justiça Militar, e detentor das seguintes condecorações: Grã-Cruz da Ordem de Aviz, Cavaleiro das Ordens de N. Sra da Conceição de Vila Viçosa, Isabel a Católica e Carlos III de Espanha.

Honorato José de Zuzarte de Mendonça assentou praça no exército em Outubro de 1846, com 19 anos. Foi promovido a Alferes a 17 Out. 1846, a Tenente a 6 Jun. 1850, Capitão a 2 Out. 1858, Major a 14 Nov. 1867, e Tenente-coronel a 4 Ago. 1873 ("Suplemento ao n.º 29 do Boletim Official do Governo Geral da Provincia de Angola", 21 Jul. 1875, p. 399)

Descendente de Tristão Vaz, descobridor das Ilhas de Porto Santo e da Madeira .

In Anaes Conselho Ultramarino consta: "exoneração a  pedido de Honorato José Zuzarte de Mendonça de Secretário do Governo de Moçâmedes em 04 de Maio 1863, ass Sá da Bandeira pg 11 Annaes, parte não oficial". Consta também:  "Atribuição do Grau de Cavaleiro das Ordens de N. Sra da Conceição de Vila Viçosa,ao Capitão da Guarda  da sobredita Província ao serviço de Secretário do Governo de Moçâmedes. 19.08.1862". Assinado Mendes Leal. Pg 68 Annaes, parte não oficial.



Honorato José Zuzarte de Mendonça esteve pois integrado naquele que foi o longo e difícil processo de consolidação territorial da colónia de Angola, que os Portugueses enfrentavam, a meio do século XIX. Portugal tinha sobre sí a cobiça de potências estrangeiras, desejosas de lhes tomarem lugar   naquelas paragens. A necessidade de matérias primas, mão de obra barata e mercados consumidores levara aquelas potências a imporem a Portugal, ao contrário da visão colonial Portuguesa da altura que assentava ainda nos direitos históricos, a  ocupação efectiva do território, caso o país não estivesse à altura dessa missão teria que o devolver a potência europeia em melhores condições para o fazer.  Eram a Inglaterra, a Alemanha, a Bélgica,        Tinham passado mais de três séculos após os  navios de Diogo Cão terem chegaram à embocadura do rio Zaire e ali estabelecido relações com os povos locais. A ocupação do território, e a  respectiva delimitação de fronteiras estava ainda  longe de estar consolidada. A zona de Moçâmedes, era vital para os Portugueses. Foi então decidida a instalação de uma colónia em Moçâmedes, encravada entre as águas da baía, o rio Bero, e o deserto, tendo avançado primeiro alguns comerciantes, oriundos sobretudo de Benguela e de Luanda que deram lugar ao nascimento de feitorias junto à praia. Em 1840 teve início a construção da Fortaleza de S. Fernando e por coincidência, anos depois, no contexto da Revolução Praeeira, de Pernambuco, Brasil, chegou uma petição às autoridades portuguesas enviada por um grupo de portugueses perseguidos após a independência, solicitando que fosse providenciada a sua retirada para qualquer ponto do império onde tremulasse a bandeira portuguesa. O Governo ofereceu-lhes o embarque para a longínqua baía de Moçâmedes, onde deveriam fundar uma colónia agrícola. No dia 23 de Maio de 1849, saiu do Recife rumo às costas de África, a barca Tentativa Feliz escoltada pelo brigue Douro com 174 refugiados, a quem tinha sido prometido um paraíso na terra. Ao fim de 2 meses e meio de navegação em difíceis condições, os passageiros encontram enfim à vista. Era a desmaiada vegetação da foz do rio Bero, os areais desérticos com a sua mo­notonia... Era a de­solação dos seus novos lares , que não eram mais que meia dúzia de choupanas  cobertas com palha. Foram calamitosos os primeiros anos dos colonos. Após 3 anos de calores sufocantes e chuvas escassas, a colónia vacilou. Seguiram-se cguvas abundantes e inesperadas , e  das águas brotou a ressurreição de Moçâmedes. A eles se juntaram um novo grupo de Pernambucanos, em 1850, a partir de 1861 pescadores algarvios coneçaram a chegar. Duas décadas depois, decorria a célebre Conferência de Berlim(1884/5) que levou à partilha de África pelas potências europeias, foi a vez dos Madeirenses. Moçâmedes passou a ser um importante entreposto comercial com o interior e com os navios nacionais e estrangeiros que necessitavam de aprovisionamento.


ALGUMA GENEALOGIA  de  Honorato José Zuzarte de Mendonça(GeneallNet):

Casamento I:
Lisboa, 11.05.1843 
Henriqueta Emília de Almeida 17.03.1806 
Filhos :
José Honorato de Mendonça * 22.12.1844 Maria Guilhermina da Silva Nunes *
Luisa de Mendonça  *04.01.1845 Tomás Augusto dos Santos c.g.

Filhos de Perpétua c. 1820 
José Júlio de Mendonça*  14.12.1847 Maria Rosa Teixeira Pinto

Filhos de Teresa Augusta
Carolina Augusta de Mendonça * 22.08.1853 Pedro Francisco d' Ornellas Perry da Câmara cg.
                                     .

José Júlio ZUZARTE DE MENDONÇA


Sobre José Júlio ZUZARTE DE MENDONÇA* , filho ilegítimo de Honorato José ZUZARTE DE MENDONÇA (1817-1885), sabe-se que nasceu em 14.12.1847  e faleceu em  1911 em Moçâmedes, Angola. Mãe : Perpétua n. 1820.

Seu pai, Honorato José ZUZARTE DE MENDONÇA receando a hostilidade da família contra o filho bastardo José Júlio, com 10 anos de idade, pediu a transferência, e partiu em 1857 no brigue Veloz levando-o consigo para Moçâmedes, cidade amena, criada pelo governo para ocupar o sul da Angola e defendê-la da cobiça das grandes nações. (APF).

Curriculum:


  • Juiz de Paz em Moçâmedes


  • Licenciado em Direito


  • Administrador da Alfândega e Comandante do Porto de Moçâmedes


José Júlio de Mendonça é referido na obra "Sangue velho, sangue novo" como José Júlio de Zuzarte de Mendonça e posso conformar que usou o apelido Zuzarte. O último documento oficial  por ele assinado como administrador da Alfândega de Moçâmedes data de 31 de Julho de 1875, e o primeiro como Capitão do mesmo Porto de 31 de Agosto de 1875 (v. "Boletim Official do Governo Geral da Provincia de Angola", ano de 1875, vários números). In GeneallNet.

Descendência:

Filhos de N:

José Júlio Zuzarte de Mendonça, casou com Josefa Francisca de Carvalho Neto
Jorge Maria Zuzarte de Mendonça
Alberto Zuzarte de Mendonça
Ema Zuzarte de Mendonça
Guiomar Zuzarte de Mendonça

José Júlio deixou também descendência de uma nativa local (três filhos e duas filhas). Pequeno burguez honrado, legitimou-os e juntamente com seus filhos e filhas legítimas, brincavam e estudavam todos num colégio de freiras francesas existente em Moçâmedes. 
 



                                                        Maria Rosa De OLIVEIRA TEIXEIRA PINTO
casou com José Júlio Zuzarte de Mendonça

Casamento l
Maria Rosa Teixeira Pinto, em Moçâmedes, Angola, filha de João Teixeira Pinto e de Matilde Oliveira * 08.10.1847
.

Pai de Maria Rosa Teixeira Pinto,  João Teixeira Pinto "O Kurika"

Outros elementos:

O pai de Maria Rosa Teixeira Pinto,  João Teixeira Pinto "O Kurika"  alcunha posta pelos indígenas pacificados que queria dizer "Leão" em língua cuanhama. Estudou no Colégio Militar (144,1888-1894). Foi General, oficial de Infantaria Capitão de Caçadores. Integrou as operações destinadas á pacificação de Moçâmedes, General - Herói de Angola nas campanhas do Cuamato em 1907, onde, comandando um corpo de tropas auxiliares constituído por voluntários boers, europeus e autóctones, derrotou e ocupou o território dos Cuamatos perto do rio Cunene, que em 1904 tinham provocado um massacre de tropas Portuguesas apanhadas de surpresa numa emboscada no vale do Pembe, deixando no local 250 mortos. Segundo constava, "O Kurika"era tão bravo no campo de batalha como fecundo em sucessivos leitos conjugais, tendo tido 2 filhos e 16 filhas. Como a campanha de pacificação se prolongou e Moçâmedes se mostrasse uma terra pacífica chamou para junto de sí a mulher e as filhas mais velhas, uma das quais, Maria Rosa Teixeira Pinto, que veio a casar com José Júlio Zuzarte de Mendonça.
 
Outros elementos:
1.1.João Teixeira Pinto, Capitão do Diabo, herói da Guiné, *1876,Moçâmedes, Angola,+Negomano, Moçambique, 1ªGuerra Mundial, às mãos dos Alemães, herói de Oio, cavaleiro da Torre e Espada, Valor, Lealdade e Mérito (1908) Pacificador da Guiné e mais filhos que desconheço

Fontes:
Geneall Net
CraveiroLopesfamilytree
Outros elementos:
Fonte: Geneall Net

Fonte: CraveiroLopesfamilytree  
http://craveirolopes.familytreeguide.com/descend.php?personID=I8991&tree=T1



M. Rosa de Oliveira Teixeira Pinto
"De boa cepa, gerou ano após ano, pontualmente seis filhas e um filho"(APF)
"Cedo se finou, segundo então se pensou, devorada pelas febres, exangue pela sua fertilidade explosiva. Mas rumores houve de que uma negra enciumada a envenenara ou lhe fizera mortal feitiço" (APF)


Filhos do Casamento I:

Honorato José de Mendonça
(sem foto)
Maria Adriana Zuzarte de Mendonça casada com José Maia
(sem foto)
Maria Matilde Teixeira Pinto Zuzarte de Mendonça casada com Joaquim Júlio da Cunha Moraes
(sem foto)
Maria Júlia de Mendonça * 21.06.1866 casada com   António Florentino Torres
(sem foto)
Beatriz Henriqueta de Mendonça * 12.02.1871 casada com Eduardo de Noronha da Gama Lobo Demony
(sem foto)
Albertina Teixeira Pinto Zuzarte de Mendonça casada com José Augusto da Cunha Morais (*)
(sem foto)
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Maria Clara Teixeira Pinto Zuzarte de Mendonça * 05.04.1874  casada com António da França Pinto de Oliveira (1) .
António Da FRANÇA PINTO DE OLIVEIRA


M. Clara De OLIVEIRA TEIXEIRA PINTO ZUZARTE DE MENDONÇA  nasceu em 1874 em Moçamedes, Angola, e faleceu em 1964 em Lisboa, Portugal. Em Moçâmedes fez a sua adolescência com os seus 11 irmãos (6 irmãs e um irmão e 3 outros de uma nativa local), educados num colégio de freiras francesas. Casada com António da França Pinto de Oliveira (1) .


António Da FRANÇA PINTO DE OLIVEIRA nasceu em 1872 em Lisboa, Portugal e faleceu em 1917 em Lisboa, Portugal.Casou com M. Clara de Oliveira Teixeira Pinto Zuzarte de Mendonça em 1897 em Moçâmedes. Angola.


Em 1895, quando o velho governador de Moçâmedes, Honorato Zuzarte de Mendonça faleceu, foi substituido por João de Mascarenhas Gaivão este trouxe  consigo como ajudante de campo, António da França Pinto de Oliveira, filho de família de “sangue azul”, capitão de cavalaria. Casou com M. Clara de Oliveira Teixeira Pinto Zuzarte de Mendonça em 1897 em Moçâmedes.


Era suave, loiro de olhos verdes, parecia um dos oficiais ingleses da ilha de Santa Helena que costumavam passar por Moçâmedes.

As "virgens de Moçâmedes" como eram chamadas, cantavam, tocavam piano e contavam os meses  que separavam a passagem das fragatas inglesas que levavam uma nova guarnição para a ilha de Santa Helena no atlântico sul. Quando as fragatas chegavam, era sempre um acontecimento! Havia baile no Palácio e ficavam sempre no ar vagos amores, esboçados ao de leve e todavia tão vividos e tão sofridos. (APF)

António da França Pinto de Oliveira logo conheceu uma das filha de José Júlio, Maria Clara de Oliveira Teixeira Pinto Zuzarte de Mendonça e enamoraram-se para toda a vida. Casaram na igreja de Santo Adrião em Moçâmedes e no palácio lhes nasceu o primeiro filho, Bento, antes de regressarem a Portugal.

António da França Pinto de Oliveira veio a ser comandante do Forte de S. Miguel e da Fortaleza de S. Pedro da Barra em Luanda, exerceu varias comissões de serviço em Macau, Africa Oriental e Ocidental, tendo sido agraciado e louvado repetidas vezes. Veio a falecer em Lisboa em 1917 aos 45 anos de idade de doença cardiaca aguda. A sua esposa sobreviveu-lhe 57 anos, vindo a falecer também em Lisboa, com 90 anos de idade em 1964. Publicada por Nuno Pinto da França Craveiro Lopes


Sangue de Portugal, sangue de Bragança. Descendente de D. Afonso Henriques, Guilherme I de Inglaterra, Fernando I de Leão e Castela, Hugo Capeto e Carlos Magno. Capitão de Cavalaria,  Comandante do Forte de S. Miguel e da Fortaleza de S. Pedro da Barra em Luanda (1916). Exerceu varias comissões de serviço em Macau, Africa Oriental e Ocidental, pelo que foi agraciado e louvado repetidas vezes . Aluno do Colégio Militar (55,1886-1890).

Em 1916 volta para Angola, Luanda onde fica a comandar o forte de S. Miguel e fortaleza de S. Pedro da Barra de Luanda. Faleceu de doença cardíaca aos 45 anos.
Deixou descendência local em Moçamedes (2 filhos e uma filha).

Pequeno burguez honrado, legitimou-os e juntamente com seus filhos legítimos brincavam e estudaram com as freiras francesas (APF).

 Helena Pinto da França encontrou essa descendência quando passou de barco em Moçamedes a caminho de Moçambique em 1952.


Bento da França Pinto Oliveira

Bento da França Pinto Oliveira, filho de António da França Pinto de Oliveira e de Maria Clara Teixeira Pinto Zuzarte de Mendonça. Nasceu em 19.02 1898 em Moçâmedes, Angola, quando seu pai se encontrava ali como ajudante de Campo do Governador, João de Mascarenhas Gaivão. Casou  em 02.01.1919 em Lisboa com Emilia Albertina Cristiano da Silveira, de origem alemã, loura de olhos azuis. Excelente memória, jogadora eximia de bridge e canastra. Nasceu em 1889 em Lagos, Algarve e faleceu em 1898 em Lisboa.


Sangue de Portugal, sangue de Bragança. Descendente de D. Afonso Henriques, Guilherme I de Inglaterra, Fernando I de Leão e Castela, Hugo Capeto e Carlos Magno.. Aluno do Coléio Militar. Coronel de Cavalaria. Chefe da Casa Militar do PR. Condecorado com a Medalha de Campanha ( Moçambique 1917-18 ), Medalha da Vitoria ( interaliada ), Cavaleiro da Ordem de S. Bento de Aviz, Medalha de prata de comportamento exemplar. Medalha Comemorativa das Campanhas do Exército Portugues (1916-1918).Medalha  Inter-Aliada da Vitória

Frequentou o Colégio Militar (339,1909-1916). Aos 18 anos como Alferes fez parte da expedição a Moçambique em 1917-1918, durante a Grande Guerra, tendo sido louvado pela sua brilhante acção durante a campanha.  Ajudante de Campo do Ministro da Guerra, Coronel Namorado de Aguiar. Em 1934 vai com a família para Pangim, Goa como Ajudante de Campo do Governador João Carlos Craveiro Lopes. Em 1936 é enviado para o interior como Comandante Militar da Região de Satari, Valpoi, Goa, onde fica até 1939. Em 1939 regressa a Portugal e é colocado primeiro em Mafra e depois em Santarém como Comandante o Regimento de Cavalaria 4. Em 1946 é colocado em Lourenço Marques, Moçambique como comandante do Regimento de Cavalaria "Dragões", onde ficou até 1952.

Regressa a Portugal, onde fica a comandar a Guarda Nacional Repúblicana, sendo nomeado Chefe da Casa Militar do Presidente da República, General Craveiro Lopes, pai do seu genro, lugar que ocupou até 1958. Cavaleiro distintissimo, tomou parte em concursos hípicos internacionais (Nice, Lisboa, etc. ), classificando-se nos primeiros lugares, montando o seu cavalo preferido "Bananiere"


Informações colhidas de GENEALLnet

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No site Grand Monde, encontrei este artigo, que nos fala dos Zuzarte de Mendonça, familias antigas que estariam numa das vagas de colonos que teriam emigrado dos Açores para Pernambuco e mais tarde para Moçâmedes, onde, com esforço e tenacidade vingaram a sorte daqueles que padeceram com as biliosas e o paludismo. Por estar de certo modo relacionado com o assunto em questão, passarei a transcrever:



Os Cunha Moraes de fio a pavio II

O fotógrafo José Augusto da Cunha Moraes nas suas deslocações a Moçamedes terá conhecido Albertina Teixeira Pinto Zuzarte de Mendonça, filha de Maria Rosa Oliveira Teixeira Pinto e de José Júlio de Zuzarte Mendonça, Juiz de Paz e Comandante do porto de Moçamedes, família de grande prestígio naquela região conhecida como a Madeira da África Ocidental Portuguesa.
José Augusto contraiu matrimónio com Albertina Mendonça, porém não deixam descendência. As suas frequentes viagens a Moçamedes acompanhado pela mulher e pelos seus irmãos, favorecem e proporcionam outros laços familiares entre os Cunhas Moraes e os Zuzarte Mendonça, a tal ponto que o seu irmão Joaquim Júlio, após ter sido forçado pelos irmãos mais velhos a acabar com o namoro com uma mestiça, vem a casar-se com Matilde Teixeira Pinto Zuzarte de Mendonça, irmã de Albertina.
Mais tarde uma irmã de José de Sousa Maia, cunhado de José Augusto pelo matrimónio contraído com Henriqueta da Cunha Moraes, viria a casar com um dos filhos de José Júlio de Zuzarte Mendonça.
Eventualmente os Zuzarte de Mendonça estariam numa das vagas de colonos que teriam emigrado dos Açores para Pernambuco e mais tarde para Moçamedes onde com esforço e tenacidade vingaram a sorte daqueles que padeceram com as biliosas e o paludismo.

Moçâmedes inegavelmente marcou estas duas famílias, para finalizar transcrevo este texto que encontrei no Boletim da Agência Geral das Colónias N.º 47, 1929 pág. 323: Monumento em Mossâmedes aos pioneiros da Civilização “... Só em 1924 é que a Câmara Municipal se lembrou de confiar a um artista o estudo do monumento. Para esse fim, dirigiu um oficio ao Sr. José Augusto da Cunha Morais, amigo provadíssimo de Mossâmedes, a solicitar-lhe a obsequiosa anuência em incumbir um dos nossos melhores escultores de expressar, pelo mármore e pelo bronze, a história da Colonização do Distrito. O Sr. Cunha Morais, ,...mantinha, há largos anos, com escritores e artistas, relações pessoais muito amistosas, nascidas da comunhão do trabalho e do convívio intelectual. ....prontamente lhe acudiu à lembrança o nome já consagrado de Simões de Almeida, Sobrinho, ...”Mais uma vez os Cunha Moraes se encontravam com os Zuzarte de Mendonça na cidade de Moçamedes...
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Notas à margem:

Chegando fim desta postagem acabei ilucidada sobre algo que era até há bem pouco tempo, para mim,  que nasci em Moçâmedes, completamente desconhecido: D Ema Zuzarte de Mendonça, a senhora idosa, solteira, diplomada com o curso do Conservatório de Música de Lisboa, que em Moçâmedes até à década de 50 foi professora particular de Música, e que foi durante cerca de 5 anos minha professora de piano (no início da idade juvenil), era filha de José Júlio Zuzarte de Mendonça, que fora juiz de Paz em Moçâmedes e Comandante do Porto. Logo, era neta de General Honorato José  Zuzarte de Mendonça, a eminente figura os primórdios da colonização que nos trouxe aqui, que foi ajudante de campo do rei D. Luis e Chefe da Casa Militar do rei D. Carlos, e em Moçâmedes, Comissário Régio de  (1851-1867).  Lamentavelmente na escola nada nos ensinavam sobre a história da nossa terra, e em casa ninguém nos desvendava, por  transmissão oral, aspectos interessantes dessa  mesma história, da qual deixamos aqui um pequeno retalho graças à existência de um portal como é GeneallNet.

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  • Transcrição de Comentátrio:
  • Pedro de Sampaio Nunes disse:  O General Honorato José de Mendonça teve um filho primogénito, também General, José Honorato de Mendonça, que casou com a proprietária do Monte da Barca em Coruche, Maria Guilhermina da Silva Nunes http://www.geneall.net/P/per_page.php?id=193305. Tiveram seis filhos, dos quais o quinto, José Honorato de Mendonça casou com Maria Antonieta Duff Burnay, e faleceu muito novo no Monte da Barca durante umas inundações do rio Tejo. Foram avós da minha mulher Maria Antonieta Andrade Burnay de Mendonça de Sampaio Nunes, e só muito recentemente descobrimos que o seu trisavô e o meu bisavô, Alexandre Augusto de Sampaio Nunes, foram contemporâneos e pioneiros nessas maravilhosas terras do Sul de Angola. Continue com este magnífico trabalho. Eu irei tentar dar um contributo com a família Sampaio Nunes daqui a algum tempo. Obrigado e um Santo Natal. 













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      Imagem: Genealnet

     
     
    Retirado daqui:
     http://ciclosdotempo.blogspot.pt/2013_12_01_archive.html

    2 comentários:

    1. Pedro de Sampaio Nunes12 de dezembro de 2010 às 20:35

      O General Honorato José de Mendonça teve um filho primogénito, tambem General, José Honorato de Mendonça, que casou com a proprietária do Monte da Barca em Coruche, Maria Guilhermina da Silva Nunes http://www.geneall.net/P/per_page.php?id=193305. Tiveram seis filhos, dos quais o quinto, José Honorato de Mendonça casou com Maria Antonieta Duff Burnay, e faleceu muito novo no Monte da Barca durante umas inundações do rio Tejo. Foram avós da minha mulher Maria Antonieta Andrade Burnay de Mendonça de Sampaio Nunes, e só muito recentemente descobrimos que o seu trisavô e o meu bisavô, Alexandre Augusto de Sampaio Nunes, foram contemporâneos e pioneiros nessas maravilhosas terras do Sul de Angola. Continue com este magnífico trabalho. Eu irei tentar dar um contributo com a família Sampaio Nunes daqui a algum tempo. Obrigado e um Santo Natal.

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    2. Alguém tem alguma informação sobre o nome completo do autor, a sua vida e quem seria o Zuzarte de Mendonça Pai? Na internet encontram-se vários Zuzartes de Mendonça registados mas não é claro qual deles seria o escritor.

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