Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












terça-feira, 3 de agosto de 2010

ANTÓNIO AUGUSTO FRANCO , maçon das Lojas Lusíadas (Lubango) e Pátria Livre (Mossãmedes): 1916



António Augusto Franco nasceu em Figueira do Castelo Rodrigo a 16 de Junho de 1875. Era filho de Francisco Franco Veloso e de Mariana Vitória, trabalhadores [cf. "Um herói desconhecido: o capitão António Augusto Franco", por (n.s.) Emílio Costa da Loja Bomtempo, in revista Grémio Lusitano, nº15, 1º semestre de 2010, p.94]. Foi empregado do comércio, fundou uma "escola particular na freguesia de Marialva" (Meda).

Aos 19 anos (12 de Outubro de 1894, cf. ibidem) integra, como voluntário, o Regimento de Infantaria nº24 e faz o Curso da Escola Central de Sargentos. Segue para Angola, onde está de Agosto de 1898 a Setembro de 1902 [ibidem]. Em 1907 é promovido a alferes, participando na "coluna de operações dos Dembos", onde é ferido. Permanece em Angola até 1920, colaborando com Norton de Matos, sendo "responsável pelos serviços de contra-espionagem". É promovido a tenente (24 de Agosto de 1912) e a capitão a 10 de Fevereiro de 1917.

É iniciado [21 de Abril de 1913 – cf. ibidem] na maçonaria, ainda em Angola, na Loja Pátria Integral, nº363, de Luanda [loja do REAA fundada em 1912 em Luanda, capitular em 1915, areopagita em 1921. Abateu colunas durante a clandestinidade – cf. Dicionário da Maçonaria, de A. H. de Oliveira Marques, vol II, Delta, 1980], com o n.s. de "Pedro Nunes". Em 1917 [10 de Junho de 1917 – id. ibid.] está filiado na Loja Lusíadas nº388, de Lubango [loja do REAA, instalada no Lubango (Huíla) em 1916], tendo atingido em 22 de Junho de 1919 o grau 33º do REAA. Foi Venerável honorário das Lojas Lusíadas (Lubango) e Pátria Livre, de Moçâmedes [nº389, loja do REAA fundada em 1916].

Regressando ao Continente, torna-se comandante da Guarda-Fiscal (em Chaves), lugar que ocupava quando participa na revolta de Fevereiro de 1927 contra a Ditadura. Preso [13 de Agosto de 1927 – cf. "Um herói desconhecido..."], acusado de ser o "elemento de ligação entre o comité revolucionário de Chaves e os ferroviários do Côa", é detido na Penitenciária de Lisboa. Mesmo aí, mantêm os seus contactos maçónicos, sendo regularizado [20 de Outubro de 1927 – ibid.] na Loja Cândido dos Reis (Lisboa) e é nomeado [pelo Decreto nº21, de 31 de Dezembro de 1927, in Boletim do GOLU, de Dezembro de 1927 – aliás in "Um herói desconhecido..., p. 94] Inspector Maçónico da Província de Trás-os-Montes e, após a sua libertação, integra a Comissão de Estudos Coloniais do GOLU. Pela participação na revolta de Fevereiro de 1927, é condenado, por sentença do Tribunal Militar Especial do Porto (23 de Março de 1928) a 20 dias de prisão disciplinar agravada, "depois de ter sofrido 223 dias de prisão preventiva, os quais foram cumpridos no Forte de São Julião da Barra" [ibidem]. É libertado a 17 de Abril de 1928.

Separado, então, do exército, participa no movimento revolucionário "Revolta do Castelo”" e, de novo, é preso [1 de Maio de 1928 – ibidem] quando se encontrava com "elementos do Comité Revolucionário de Lisboa". É deportado para São Tomé (4 de Maio), saindo depois com destino a Angola, chegando a 20 de Julho a Moçâmedes e a 24 de Julho a Sá da Bandeira. Restabelece os seus contactos maçónicos, tendo elaborado relatórios sobre as Lojas que "tão bem conhecia".

Regressa (22 de Dezembro de 1929) a Lisboa, via navio Pedro Gomes, apresentando-se no Ministério das Colónias, que lhe fixa residência em Coimbra. E de novo, "assumindo as tarefas de inspector Maçónico das Beiras", é preso em Coimbra a 11 de Junho de 1930 [na rua das Covas, nº15 – ibidem], juntamente com outros 17 maçons, "durante uma sessão da Loja Portugal” [nº 215, loja do RF, fundada em 1901] que foi invadida pela polícia. Na sua condição de militar é libertado, apresentando-se no Quartel-General que lhe fixa residência em Manteigas. Durante o governo de Vicente de Freitas é reintegrado no exército (nos termos do decreto nº18252, de 26 de Abril de 1930).

Em 1931 (13 de Fevereiro) fixa-se em Miranda do Corvo, onde se dedica "a tempo inteiro às tarefas inerentes à sua condição de membro do Supremo Conselho do 33.º Grau do REAA, de Inspector Maçónico das Beiras, confirmado pelo decreto nº29 de 20 de Junho de 1931, e também de Inspector Maçónico da Província de Trás-os-Montes, nomeado pelo decreto de 16 de Março de 1935 [ibidem]. Do seu trabalho "incansável", além de relatórios sobre as diferentes lojas, refira-se a instalação de inúmeros Triângulos e Lojas, caso de "Góis, Manteigas, Covilhã, Sabugal, Lousã, Vila Nova de Poiares, Coimbra, Pampilhosa da Serra, Trancoso, Idanha-a-Nova, Viseu, Batalha, Meda, Anadia, Penedono, Tábua, Cedovim, e mesmo no Alentejo, em Avis, Fronteira e Ponte de Sor" [cf. ibidem. Ver, ainda, "A Maçonaria no Distrito de Portalegre", 2007, de António Ventura].

A 24 de Maio de 1936 foi "preso na mata do Buçaco, juntamente com uma dezena de outros maçons, quando preparavam uma reunião clandestina com responsáveis de Triângulos de Vila Nova de Poiares, Lousã, Vagos, Mortágua, Sangalhos e Pampilhosa da Serra". Foi acusado, pela polícia, de "tentar organizar a Frente Popular das Beiras, sob instruções do Grande Oriente Lusitano Unido" [ibidem]. Libertado provisoriamente a 7 de Julho de 1936, é de novo detido pela PVDE, a 12 de Julho desse ano, "recolhendo à cadeia do Aljube a 14 de Julho de 1937". Refira-se que o então administrador do concelho de Miranda do Corvo "propunha o seu afastamento da localidade", dado a sua "periculosidade" contra a "situação".

Morre em Coimbra, no Hospital Militar Regional, a 5 de Março de 1941.

J.M.M.



FONTE 

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