Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












sexta-feira, 12 de novembro de 2010

A colonização de Mossãmedes (Moçâmedes-Namibe-Angola) e o cultivo do algodão: 1854

O cultivo do algodão em Mossãmedes, nos primeiros tempos da sua fundação: 
Do livro Anais do Conselho Ultramarino, parte oficial, serie I, Fevereiro de 1854 a Dezembro 1858, Lisboa 1867.

Manda Sua Majestade El-Rei, regente em Nome do Rei, pela Secretária de Estado dos Negócios da Marinha e Ultramar, remeter a Junta da Fazenda da Província de Angola os dois inclusos conhecimentos, datados de 26 de Outubro do ano passado e 10 do corrente, de duas maquinas de descaroçar algodão, que se remetem pelo brigue novo africano, capitão José Preim da Costa, ao qual a mesma junta satisfará a quantia de 117$925 reis, pela importância do frete dos referidos objectos, que deverão ser enviados para Moçâmedes, e ali entregues ao colono Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, o qual deverá satisfazer á referida junta, com o produto do primeiro algodão em rama ali preparado, não só a predita quantia de 117$925 reis, importância do frete, como também a de 33$095 reis fortes, em que importaram as referidas maquinas, responsabilizando-se a esse pagamento por meio de uma obrigação, que deverá assinar no acto em que lhe forem entregues.

Paço, 18 de Janeiro de 1854 = Visconde de Athoguia.
                                                           
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Manda sua majestade el-rei, regente em nome do rei, pela secretaria de estado dos negócios da marinha e ultramar, comunicar ao governador de Moçâmedes, que nesta data se remeteu a junta da fazenda de Angola, pelo brigue novo africano, as duas maquinas de descaroçar algodão, que havia requisitado o colono Bernardino Freire, ao qual a mesma junta as mandará entregar mediante uma obrigação que ele deverá nesse acto, e na forma do seu pedido, assinar, em que declare se responsabiliza a satisfazer a sua importância pelo produto do primeiro algodão em rama já preparado; e por esta ocasião manda o mesmo augusto senhor recomendar ao referido governador, que informe de seis em seis meses a respeito do uso que delas tiver feito aquele colono, e do estado em que achar a cultura do algodão, para que em vista de tais informações possam adoptar-se as providencias que mais convier.

Paço, 18 de Janeiro de 1854 = Visconde de Athoguia.


A cultura do algodão  iniciada pelos colonos de 49 e 50, assumiu no sul de Angola um tão acentuado desenvolvimento, que o porto de Mossãmedes chegou a ser, de todos os portos da província, aquele por onde se fazia mais larga exportação daquela preciosa malvácea. E a cultura da cana, tentada simultaneamente no distrito, que iria medrar, com notável pujança, nos vales do Giraúl, do Bero e do Curoca, merecera, de igual modo, a atenção e os vigilantes cuidados aos antigos colonos. 


Carta do Brasão de Armas do Município de Moçâmedes encontra-se registada no livro nº. 50 do Arquivo Nacional da Torre do Tombo.
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