Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












sábado, 5 de março de 2011

Annaes do Conselho Ultramarino: baía e Porto de Pinda, Mossâmedes, por Marcelino Antonio Norberto Kudzki, 1855








ANGOLA.

Notícia resumida da bahia e Porto de Pinda, ao sul de Mossâmedes,
por  Marcelino Antonio Norberto Kudzki.


Eram duas horas da tarde, do dia 6 de Dezembro de 1854, quando o brigue de guerra Serra do Pilar, que me conduziu a seu bordo, deu fundo na bahia do porto de Pinda: o brigue-escuna Trindade, que nos seguiu como transporte, ancorou na mesma occasião. A bahia occupa o espaço de nove léguas, sendo fechada do lado do norte, pela ponta do Cabo Negro, e do lado do sul, pelas areias que cercam a pequena enseada, denominada Porto Alexandre. Do mar, o aspecto do território é árido; nem uma árvore, nem um signal de vegetação se offerece á vista, á excepção da cordilheira dos rochedos que do Cabo Negro se estendem para sueste; só as dunas de areia se divisam, e algumas lagoas na foz do rio Coroca, formadas pelas enchentes do mesmo e pelo mar. No centro da bahia um rochedo a prumo eleva-se 100 pés sobre o nivel do mar, e é necessário rodea-lo uma milha pelo lado do sul, para achar desembarque e accesso. Foi na ponta d'este rochedo que se arvorou a bandeira nacional, e assentou o alicerce da nova colónia. O rochedo forma no cimo um taboleiro plano, de uma milha de circumferencia; cobre-lhe a superfície apenas uma camada de areia misturada com seixo, de um palmo de alto, de tão variadas cores, que com o brilho do sol, apresenta o mais bcllo mosaico. Encontram-sc aqui muitas e variadas petrilicações, e pelas duas horas da tarde, nos dias em que a atmosphera está limpa, gosa-se da vista mais agradável, isto é, da perfeita íllusão do phenomeno da miragem; as noites, porém, são insupportaveis, por causa do excessivo frio. Levava comigo um destacamento de 15 praças de pret, 6 libertos, 4 cabindas para serviço da lancha, mantimentos para seis mezes, e algumas pipas com agua; e para construcções 300 tuogas, 3:000 bordões, 36 tábuas, 6:000 pregos, algumas dobradiças c fechaduras, 8 moios de cal, 1 carpinteiro e 1 pedreiro.

Com estes meios comecei por desembarcar tudo para terra, e como as pipas com agua tivessem esvasiado no caminho, foi necessário antes de tudo pesquisar se era possivel encontra-la n'essa paragem. Depois da excursão de algumas milhas, reconheci o leito do rio Coroca, um dos que se infiltram na areia, e só em occasiões de grandes cheias despejam aguas no mar. Foi no leito d'este rio, que encontrei a dois palmos de fundo, agua potável muito boa. Construiram-se provisoriamente abrigos para a gente e para guardar os mantimentos, e logo que esta primeira providencia ficou effectuada, dediquei-me a reconhecer o território em que me achava, e aproveitar os recursos que elle offerecia. Diligenciarei dar alguma idéia desta parte da costa da Africa portugueza.

Todo o territorio em geral e mais de tres léguas das praias do mar para o interior, são areias finas, soltas e movediças, formando dunas, montes, valles de differentes aspectos, e que os violentíssimos ventos do sudoeste continuamente removem, dando-lhes a apparencia de incessante ondulação. Do rochedo onde assentei o acampamento, a vista abrange toda a bahia desde Cabo Negro até Porto Alexandre, e mais de seis léguas para o interior. Caminhando do acampamento em direcção a Cabo Negro, a meia milha de distancia, o terreno declina rapidamente, começam dunas de areia, ora elevando-se em montes muito altos, ora baixando, e deixando ver nas suas faldas, planícies cobertas de capim, caniço e outros vegetaes silvestres. A terra é negra e susceptível de se cultivar, e em lodos os logares destes valles ha agua em pequena profundidade; esta agua, posto que não seja salobra, sem gosto e cheiro desagradável, não tendo meios para a analysar chimicamente não posso affirmar que é mineral, nem que propriedades contém; inclino-me contudo a crer que é sulphurea. É destes logares que temos aproveitado caniço  capim para construcções, servindo-nos a agua para as obras de pedreiro, por ficar mais perto do que a boa agua potável que íamos buscar ao rio. Já disse que do mar nem um arbusto se apresenta á vista; não é porém assim de mais perto; os montes de areia são cercados na base por uns arbustos rasteiros, cujas raizes chegam a ter a grossura da tunga, e enlaçam-se uns com outros, segurando-se apenas com as pontas no terreno, ardem bem e dão fogo forte. Utilisamos-nos d'elles para combustível, pois são em grande abundância. O leito do rio dista do acampamento tres milhas, pouco mais ou menos, tem uma milha de largo, do lado do norte encosta-se aos rochedos que se prolongam do Cabo Negro, ao sul suas margens são altas dunas, e uma lingua de terra vegetal de algumas braças de largo onde fizemos horta mandando vir de Mossamedes sementes de hortaliças, de batata nutriente, cará, bananeiras e mandioca, o que tudo cresceu e produziu em abundância. Na rocha onde acampámos ha muita pedra solta; também ha outra, que deitada na agua por vinte e quatro horas, amassa depois como barro, liga bem com pedras, e faz um muro bastante forte; foi pois d'este material que edifiquei o aquartelamenlo, servindo a cal somente para o reboque interior e exterior das paredes. O junco fino de que aIi ha abundância, prestou-se melhor que o capim, para cobrir os telhados.

Nenhum verme destruidor alli se encontra, e por isso as construcções de madeira são de muita dura. Chove unicamente n'uma epocha do anno (em Janeiro), e isto duas ou tres vezes, caindo agua a cântaros durante algumas horas não interrompidas de cada vez; no interior porém, segundo affirmam os indígenas, as chuvas são bastante abundantes. A bahia é abundantíssima de peixe; em doze ou quinze braças de agua pesca-se pargo, corvina, cherne, cação, e o peixe prego; este ultimo chega a ter seis arrobas de peso; não é bom para comer, mas o fígado de um só dá ordinariamente seis a oito camadas de azeite. A salga do peixe é fácil e sem dispêndio, porque sal encontra-se aqui em abundância.  


 

Os indígenas que habitam n'estas paragens chamam-se corocas; são selvagens, nos quaes ainda não apparece vestígio algum das relações com os Europeos, nem mesmo com os mais povos de Angola; falam um idioma propriamente seu, que os mais indígenas não entendem. Dividem-se em famílias pouco numerosas; os que habitam mais no interior formam tribus pequenas, cada uma das quaes constitue uma só povoação subordinada a um chefe, que é o mais velho da tribu, e a quem os mais chamam papai: este chefe exerce na tribu poderes patriarcaes, e não feudaes como os sobas de Angola. O nome de escravo é entre elles desconhecido, e por isso também não ha exemplo de se guerrearem uns aos outros. São pacíficos, humildes, fieis a toda a prova e tratáveis. Os do interior plantam alguma mandioca e feijão, mas em muito pequena quantidade, e sem melhodo, e fácil é conhecer que o fazem só ha pouco tempo e por imitação, depois que alguns d'elles foram a Mossamedes; pastam grandes manadas de gado vaccum, cujo leite lhes serve de alimento, e é difíicilimo decidi-los a vender alguma cabeça do dito gado, desculpando-se que não é seu, que elles somente são pastores de outro povo que habita no interior a quinze dias de viagem, e sobre as margens de um grande rio, de que este que tem o nome d'elles (o Kroque) é o braço. 1 As famílias d'este mesmo povo que habitam nas praias do mar, vivem em não interrompida ociosidade, nada plantam, não têem habitações de qualidade alguma, abrigam-se em covas abertas no declive de alguma duna de areia, e do lado opposlo ao vento sudoeste que é alli dominante, nutrem-se com raizes e sementes de capim, que pizam entre duas pedras, e aquecem ao fogo com agua era conchas; tambem comem casca de ramos de arbustos, aquecendo-os em brasas; não usam de sal na comida, ao passo que bebem sem repugnância agua salobra das praias. Alguns (poucos) pescam, para o que servem-se de bimba (tres páus unidos de uma qualidade de madeira muito leve); o pescador sentado na tal bimba com as pernas estendidas pelo comprimento dela, tem no collo a linha com o anzol já iscado, e nas mãos uma vara comprida que lhe serve já de maromba para se equilibrar, já de remos para navegar; chegando ao largo atira com a linha ao mar, tendo-a presa á perna, e logo que sente peixe, rema para terra, na praia puxa a linha, accende o lume aquece o peixe e come-o com escama e espinha sem deixar cousa alguma; feito isto vae passear o resto do dia.

1 Muitas informações dos ditos indígenas me confirmam na idea de que o rio grande, cujo braço dizem elles ser o Kroque, não é outro senão o rio Cunene, que o Governador de Mossamedes e mais pessoas com elle exploraram em 1851, e que tem a foz ao sul da grande Bahia dos peixes.
2 Alguns d'estes pretos costumam ir a Mossamedes para apanharem as cabeças de peixe que os pescadores deixam nas praias; ultimamente já se tinham prestado ao serviço dos moradores, a troco de farinha, algum bocado de fazenda e missanga; é alli que arranjam linhas e anzoes para pescarem.

3 Trazem sempre dois bocados de pau; esfregando um ao outro fazem fogo.

Cada homem tem uma mulher com quem vive; não lêem idéa de religião, e não seguem culto algum qualquer que seja; cobrem-se com couros de boi, de raposa ou de antílope, e só depois da minha ida para alli, começaram a usar de alguns pannos de fazenda, que lhes dava em troco dos serviços que com boa vontade prestavam, como carregar caniço, capim, barro e pedra. Ultimamente induzi-os a apanhar a urzella, e mandei a Loanda 12 arrobas como amostra, que foi alli reconhecida de superior qualidade. Esta gente não conhece o uso da pólvora nem armas de fogo; trazem flechas e zagaias para caçarem raposas, antílopes ou aves; só alguns d'elles que já têem estado em Mossamedes, conhecem a aguardente; os mais não lhe sabem o gosto nem o resultado, e quando provavam alguma, que eu lhes dava, mostravam visível repugnância a esta bebida, sendo que as mulheres nunca ousaram toca-la com os beiços. Respeitei n'elles esta inclinação á temperança, e guardei de lhes insinuar um vicio que por agora não tinham. A tres dias de marcha subindo o rio Coroca ha uma povoação numerosa destes indígenas, cujo chefe se chama Kuriquila. É n'um terreno plano nas faldas dos rochedos, próximo de uma lagoa que alli se forma pelas enchentes do rio, e depois cristallisa-se em sal; este sal é bellíssimo. lia pouco tempo o negociante de Mossamedes Paiva estabeleceu relações com este chefe, e por intervenção d'elle tem mandado fazendas para os IIinibas 1 que as trocam por marfim. Uma milha acima d'essa povoação já o rio Coroca corre, e tem uma braça de fundo, por seis de largo.

O clima d'este paiz é talvez o mais sadio da Africa Occidental. Durante onze mezes que alli estive, apesar de que nos primeiros seis soffremos muitos incommodos, como falta de habitações convenientes, e trabalhos com estas, que se estavam fazendo, e frio excessivo, nenhum de nós soffreu enfermidade alguma. O paiz abunda em aves aquáticas, patos de varias qualidades, garças, pelicanos, cegonhas, abutres, etc. Na enseada Porto Alexandre costumam entrar toninhas em tanta quantidade, que muitas vezes atiram consigo á areia onde ficam encalhadas e são devoradas pelas aves. Nunca ouvi dizer que alli próximo houvesse leão, tigre ou 1 Afirmam os Corocas que no território dos Himbas, ha minas de cobre... O Capitão Liger, da baleeira franceza Phoque, que fundeou alli em S de Maio de 1855 vindo do Cabo da Boa Esperança, mostrou-me um mineral de cobre vermelho, dizendo-me que os Missionários hollandezes da bahia Yelvitz-bay o iam buscar ás terras dos Himbas, povo que habita as margens de um grande rio, etc., etc. qualquer outro animal feroz; o que se encontra a algumas léguas de distancia são os elephantes; da povoação acima do Kuriquila veem-se em todas as partes pegadas e estrume d'elles, e mesmo muitas vezes se encontram os próprios animaes pastando ou procurando agua no rio. Á excepção do gado vaccum, em parte alguma se encontram vestígios de animaes ou aves domesticas; os Corocas nada d'isso conhecem, a não serem alguns que já tenham ido a Mossamedes.  Resta-me dizer que no Cabo Negro ainda existe o padrão que alli foi collocado por Diogo Cam; fui vè-lo e mandei a descripção d'elle ao Governador Geral da Província, que a mandou reproduzir no Boletim Official n.° 629 de 17 de Outubro de 1857.

Quando em Agosto de 1855 o Governador Geral da Província se dignou dar por acabada a minha commissão, deixei alli prompto o quartel militar com muitas e boas acommodações, horta plantada de batata, cará, mandioca, bananeiras, c muitas hortaliças, e os indígenas dos contornos, nas melhores disposições de se relacionarem comnosco. As expedições de maior importância tém desviado o Governo de ocupar-se d'este novo estabelecimento; mas talvez venha um dia, em que a salubridade do clima convide a irem para alli algumas pessoas, a quem bastará a pesca para não perderem o seu tempo, até que relações mais intimas com os povos do interior proporcionem mais avultadas vantagens. Sobre o padrão a que a precedente noticia se refere, lé-se no Boletim Official do Governo de Angola, de 17 de Outubro de 1857, o seguinte:

«Em 1485, reinando D. João II em Portugal, Diogo Cam, cavalleiro da Casa d'EI-Rei, descobriu o rio Zaire, e levantou na foz delle, do lado do sul um padrão, que denominou de S. Jorge. Foi d aqui que veio o nome de Ponta do Padrão áquella localidade, que ainda o conserva. A vandalica façanha da destruição do dito padrão foi praticada pelos hollandezes, durante a sua ephemera usurpação d'estas conquistas de 1641 a 1648.

«No seguinte anno de 1486, voltou de Portugal Diogo Cam, e proseguindo na sua navegação para o sul, descobriu toda a costa até Cabo Negro, plantando dois novos padrões, um n'aquelle cabo, e outro mais ao norte, fronteiro ao Ilheo de Pina, na bahia de Santa Maria, ao sul de Benguella.
«Eram estes monumentos, como os descreve João de Barros: «Padrões de pedra de altura de dois estados d'homem, com o escudo das Armas Reaes deste Reino, e nas costas delle um letreiro em Latim, e outro em Portuguez, os quaes diziam, que Rey mandara descubrir aquella terra, e em que tempo, e por que capitão fôra aquelle padrão alli posto, e em cima no topo uma cruz de pedra embutida com chumbo. «O padrão de Cabo Negro ainda lá existe. Pela seguinte descripção que d'elle deu o Tenente Coronel graduado d'esla Província, Marcellino Antonio Norberto Rudzki, quando esteve commandando o presidio próximo de Porto de Pinda, em 1855, se verá quanto concorda com a de João de Barros, acima citada, salvas as differenças que devem de ser attribuidas á acção do tempo, em perto de tres séculos.

«Quando cheguei a esta terra fiquei logo desejoso de ver o padrão de Cabo-Negro, collocado alli por Bartholomeu Dias, em tempos mais ditosos. Os muitos objectos a meu cargo não me permittiram faze-lo até agora, porém em 27 do mez próximo lindo alli fui. Saí do presidio ás seis horas da manhã, e apesar de ir montado em boi-cavallo de boa marcha, andando sempre a passo largo, cheguei ao cabo ás nove horas e meia, o que me faz crer que a distancia é de tres léguas para mais. «O Cabo-Ncgro é a ponta mais saida ao mar, da cordilheira de rochedos que corre do nordeste ao sudoeste, descrevendo um arco, junto do qual, pelo lado do sul, passa o rio Kroque. Estes rochedos foram, na sua origem, elevadas dunas de areia, as quaes, por ajuntamento de outras matérias, se petrificaram, organisando-se em diversas camadas de massa compacta e dura, e de seixos mui variados em cor, tamanho e configuração, e também em penedos de pedra esponjosa e frágil. Estes últimos, amontoados uns sobre os outros em caprichosa desordem, e cobertos com uma casca escura e áspera, saem ao mar em fórma de lingueta com tres a quatro braças apenas de largura, constituindo o Cabo-Negro. No cimo o chão é de areia, com pedras soltas, e na extremidade sobre o mar, aonde forma um pequeno taboleiro plano, é aonde está collocado o padrão da antiga gloria nacional dos portuguezes.

«Se bem me recordo da historia, os padrões1 Da aqui equivoco, o padrão de Cabo Negro, e os dois do Zaire e da bahia dc Sanla Maria, foram postos por Diogo Cam, como jà o dissemos; Bartholomeu Dias, que continuou as explorações de Diogo Cam, até descobrir o Cabo da Boa Esperança em 1487, collocou o padrão do Santiago na Angra dos llhéos, áquem do dito cabo, aondo parece que ainda existe que Barlholomeu Dias plantou eram de ferro ': n'este caso, o que aqui se acha não é já primitivo. Este é de mármore branco venoso, c levanta do chão, sem pedestal, entre algumas pedras soltas: tem a fórma cylindrica, com cinco pés de altura fóra da terra, e trinta c duas pollegadas de circumferencia. Este pilar termina reclangularmente no topo, tendo dezoito pollegadas em cada lado da face, e oito de espessura, no parallelipipedo de que se trata. Tudo é de uma só peça inteiriça. Conhece-se que teve inscripções gravadas, mas estão de tal modo deterioradas, que se não pódem distinguir as letras. Do centro da pedra superior ergue-se uma cruz de quarenta pollegadas dc alto, havendo vinte e oito pollegadas dope da cruz aos braços, e doze por cima. Cada braço leni tambem este ultimo comprimento. A cruz é de barra de ferro, obra bastante tosca, sendo unidas as suas duas partes por um prego rebatido. Uma placa redonda de cobre forma resplendor no cruzamento dos braços. A barra tem duas pollegadas de largura, e unia de grossura, achando-se já mui carcomida da ferrugem. No braço horisontal da cruz, olhando para o mar, está o seguinte letreiro, em letras recortadas em cobre e soldadas á harra de ferro,=MERCURE— 27 J.er 18í8=» a
«Tenho a honra de apresentar a V. Ex." o desenho d'este monumento, como elle agora se mostra aos olhos do viajante; do que teria acanhamento se não estivesse certo que V. Ex. o receberá com indulgência, considerando a minha inhabilidade n'esta sorte de trabalho.»
Porto-Pinda, 18 de Março de 1855.=.V. A. JV, Rudzki, Major Commandante.



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