Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












sábado, 13 de agosto de 2011

Mossâmedes (Moçâmedes, Namibe, Angola): as primeiras tenttivas de colonização

  
"...Foi a colonização de Mossâmedes a grande preocupaçao do ministro, e os seus esforços foram coroados de exito. Já no districto de Mossâmedes uns emigrantes boers se tinham espontaneamente estabelecido fundando a colonia de Humpata, a que se deu o nome de S. Januario por ser durante o ministerio do actual conde de S. Januario que essa colonia se estabeleceu; mas agora tratava-se de fundar colonias, por iniciativa do Estado, com emigrantes portuguezes, e todas as tentativas que se tinham feito n'esse sentido nos ultimos trinta annos tinham ficado completamente mallogradas.
Logo no principio de 1884 se enviaram colonos para Mossâmedes, mas foram colonos que se mandaram vir de todos os districtos do reino, e que não podiam formar um nucleo serio. Entendeu o ministro que eram os Madeirenses os colonos mais aproveitaveis, e em outubro de 1884 mandou sair o transporte do Estado India com ordem de levar para Angola uma colonia madeirense, que partiu effectivamente, e que, graças ao zelo intelligente do governador de Angola o sr. Ferreira do Amaral, e á boa vontade e conhecimento das coisas africanas do governador do districto de Mossamedes, Sebastião Nunes da Matta, hoje fallecido, se estabeleceu na região do Lubango, com a denominação Sá da Bandeira, sendo dirigida pelo habil conductor de obras publicas da província Camara Leme.
A colonia, sensatamente auxiliada, prosperou rapidamente. No anno immediato de 1885 o transporte de guerra Africa levou para Angola mais famílias da Madeira, mais de quinhentos colonos madeirenses alli se acharam estabelecidos fundando a colonia Sá da Bandeira e a alguma distancia a colonia de S. Pedro de Chibia. Os colonos deram-se admiravelmente, nasceram já alli numerosas creanças. A Chibia tambem progrediu com rapidez, a ponto que ultimamente se resolveu passar para lá a sede do concelho de Huilla. O que falta, porém, a essas colonias é a communicação com o mar. Se fôr por diante o projectado caminho de ferro de Mossamedes, essas duas colonias poderão considerar-se em via de ampla prosperidade.
Outra tentativa foi feita pelo ministro, que n'ella tinha grandes esperanças, mas que se mallogrou por culpa dos capitaes portuguezes sempre timidos e receiosos. O decreto de 5 de junho de 1884 concedia a um grupo de ofíiciaes distinctissimos, entre os quaes se contava o brilhante official de marinha sr. Neves Ferreira, 5oo hectares de terrenos no Benthiaba, para fundarem uma colonia agricola auxiliada pelo governo, o decreto de 2o de agosto do mesmo anno tornava por tal . forma effectiva a garantia dada pelo governo ás obrigações que os fundadores d'essa colonia emittissem que se não podiam receiar os capitaes de correrem perigos; ainda assim não ousaram, e nunca estes intrepidos iniciadores poderam encontrar o capital desejado.
Daremos conta quando nos referir-mos ao anno de 1885 de outra tentativa de colonisação, tambem mallograda. Sempre que era necessario appellar para os capitaes portuguezes, esses capitaes retrahiam-se.
Tendo o ministro o intuito de tornar o districto de Mossâmedes um centro importante de colonisação, prohibiu pola portaria de 12 de maio de 1884 que fossem enviados degredados para esse districto.
E tambem notando a facilidade com que os governos podiam nomear para o ultramar conductores de obras publicas sem as mínimas habilitações, o que dava resultados deploraveis que bem se faziam sentir no modo
Ainda no principio de 1886 o ministro fez um ajuste com a Castle-Mail, pelo qual esta companhia estabelecia uma carreira gratuita de vapores entre Mossâmedes, o Cabo da Boa Esperança e Lourenço Marques. No caso d'essa carreira lhe dar perda a companhia reservava-se o direito dè a não continuar, mas n'esse caso o governo diminuiria tres mil libras annuaes no preço do serviço directo de Moçambique. Esse serviço passaria a fazer-se não por 72 contos, mas por 58:5oo36ooo réis.
O projecto de lei estava assignado pelo ministro para ser apresentado ás camaras quando o ministerio caiu. O seu successor não acceitou a idéa, e foi esse mais um projecto mallogrado.
Não deixaremos tambem de mencionar outra tentativa mallograda, a do estabelecimento de uma nova colonia madeirense na costa de Mossâmedes. O decreto de 14 de agosto de 1885 concedia ao sr. João Antonio Moura 5.ooo hectares de terrenos baldios entre a bahia das Pipas e o Cabo Frio e garantia-lhe outros auxílios do governo para elle fundar alli uma colonia madeirense. Essa tentativa mallogrou-se, até porque o territorio entre a foz do Cunene e o Cabo Frio deixou de ser portuguez, pelo tratado de 1886 com a Allemanha.
Tambem deixou de se levar por diante o plano de reforma das nossas forças ultramarinas, plano cuja elaboração fôra confiada pelo ministro ao sr. Ferreira do Amaral, quando este voltou de Angola. Quando o sr. Amaral o pôde apresentar, já o ministerio caíra.
As reformas do serviço telegrapho-postal de Cabo Verde, S. Thomé c Principe, Angola e índia, essas é que ficaram decretadas, a primeira por decreto de 26 de dezembro, a segunda por decreto de 3o de dezembro, a terceira por decreto de 3 de dezembro e a ultima por decreto de 2X de dezembro de 1885.

Os Portuguezes em Africa, Asia, America, e Occeania: Obra classica, Volumes 7-8

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