Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












domingo, 9 de outubro de 2011

Pioneiros do Lubango (Angola) e descendentes: JOSÉ MARIA RODRIGUES

1Estudantes da Missão da Huila

 

sefaEstudantes da Missão Católica da Huila. Ao centro: Irmão Menezes; ao seu lado direito: António Rosa e José Maria

 Missão da Huila
Estudantes da Missão da Huila

"A Missão da Huíla fundou-se em 8 de Dezembro de 1881 (...). Sob a direcção do Padre José Maria Antunes, botânico de nomeada, coadjuvado pelos missionários Carlos Duparquet e Carlos Wunenburger e pelos irmãos auxiliares Geraldo, Rodrigo e Lúcio (...) Nascem a partir daqui as Missões do Jau, em 1891, do Tchivinguiro, e, 1892, da Quihita, em 1894, e do Munhino, em 1898, a que se ligaram para sempre os nomes dos Padres Bonnefoux e Lecompte."
(in Boletim da CMSB, nº 25, 1969)


A partir de 1885 foram recrutados na ilha da Madeira futuros colonos para o planalto da Huíla, no Sul de Angola. Nesse ano tiveram lugar duas viagens a que a história chama de “colónias” e, na primeira ou na segunda, não se sabe ao certo, seguiu uma viúva de nome Maria Gonçalves Panasco – cujo marido fora Manuel Rodrigues Panasco – juntamente com cinco filhos: Maria, Manuel, João, Maria José e José. Julga-se que estes dois últimos nasceram depois da viuvez, fruto de uma ligação com um homem de origem inglesa. 

 O João tinha entre os 8 e os 10 anos, talvez, de idade e, quando chegou a adulto, casou em 1903 na Missão Católica da Huila com Maria José. Esta era filha de Baltazar Rodrigues, alfaiate, natural de Rio de Mel – Trancoso, inocentemente condenado e deportado para Angola para onde foi acompanhado por um filho de nome Augusto deixando outro em Lisboa por à última hora se ter negado a seguir com o pai, cujo motivo da pena foi um crime a si atribuído mas que mais tarde o tribunal em Portugal reconheceu a sua inocência dando-lhe oportunidade de regressar à terra mas que desgostoso já não quis, e de Delfina de Jesus natural de Serra de Água, Madeira, que também fizera parte duma “colónia” madeirense, os quais tiveram quatro filhos: José, a citada Maria José, Ermelinda e Emília. Do casal João Rodrigues Panasco e Maria José Rodrigues resultaram 12 filhos que se indicam a seguir, um dos quais, o primogénito, foi José Maria Rodrigues.

Dados biográficos e escola

José Maria Rodrigues nasceu em 11.Janeiro.1905, às 9H30, na povoação da Huíla, freguesia católica de Nª Srª da Conceição, situada a cerca de 25 km da cidade do Lubango (antigamente Sá da Bandeira), que estava e está inserida no município do Lubango. A cidade de Sá da Bandeira era a capital do antigo distrito da Huíla e hoje, com o nome de Lubango, é a sede do município com igual nome e capital da província da Huíla.

Filho de João Rodrigues Panasco – o tal que ainda criança foi da Madeira onde nasceu no Funchal em 1877, acompanhando a mãe e mais 4 irmãos, como já se referiu - também conhecido apenas por João Rodrigues, ou João Panasco, agricultor, falecido na Huíla em 12.Dez.1943, aos 66 anos, onde está sepultado, e de Maria José Rodrigues, como se indicou atrás, nascida na povoação da Huíla em 31.Julho.1887, costureira, arte que aprendera com seu pai, e falecida em Caluquembe em Maio.1972, aos 84 anos, em cujo cemitério repousa. Neto paterno pois de Manuel Rodrigues Panasco e de Maria Gonçalves Panasco e neto materno de Baltazar Rodrigues e de Delfina de Jesus, também já referidos.

1º Emprego – Lubango e saída

Aos 11 ou 12 anos de idade, isto é, por volta de 1916, demandou a ainda Vila do Lubango para um primeiro emprego no comerciante Manuel Ricardo, emprego de sol a sol como ele dizia, como empregado de comércio. Consta, ou diz-se que, seduzido por mulher casada, receou vinganças passionais imprevisíveis caso houvesse descoberta dessa relação - que “ele nos perdoe...” se estamos a revelar segredos inconfessáveis - e aos 15/16 anos “emigrou” para Caluquembe – localidade inserida a partir de certa altura no antigo distrito, hoje província da Huíla - e situada a cerca de 200 km a Norte da cidade do Lubango, ex-Sá da Bandeira, e a outro tanto do Huambo, ex-Nova Lisboa. Calculamos que aquela mudança ocorreu por volta de 1920 ou 21, viajando, não se sabe em que meio de transporte, na companhia de um homem branco de nome Manuel Galo (de quem deriva um sítio que nesta vila de Caluquembe se chama “Tchicondombolo” que quer dizer mesmo “galo” em umbundo, o dialecto da zona). Caluquembe era sede dum posto administrativo, integrado no concelho de Caconda, mas em 1965 foi elevado à categoria de concelho também.

Os primeiros tempos em Caluquembe

Começou por ser “funante”, termo que quer dizer vendedor ambulante e que mais tarde, se tornou ilegal para protecção dos comerciantes estabelecidos. Vendia bugigangas e outros diversos artigos. Depois tornou-se agricultor em terrenos propriedade de Manuel Jesus. Contava também que por essa época fazia as suas deslocações a pé ou talvez a boi-cavalo ou a cavalo.

Solteiro e rapaz, era quase inevitável o que em Angola frequentemente acontecia antes dos casamentos: foi pai de um filho em 1923, tinha ele apenas 18 anos, que se chamou António, cuja mãe de nome Mumbanda era filha de um negro de nome Cachar, oriundo do Sul de Angola. Passou a viver consigo a partir dos 8 anos, mais ou menos, isto é, desde o 1º casamento, mas um ralhete talvez exagerado, quem sabe, fizeram com que António ficasse sentido e em 1941 fosse para terras de Benguela, onde praticamente sempre viveu, até aos 60 anos, quando faleceu em 1982, perdendo-se assim infelizmente o contacto próximo com o pai e meios-irmãos; todavia nos anos 70 ainda morou algum tempo em Caluquembe, mesmo até um pouco depois da independência (1975) em casa de seu tio Jorge e da meia-irmã Lucília mas acabando por regressar a Benguela.

Com um guarda-livros de nome Valdez, José Maria aprendeu contabilidade no tempo em que se escrevia manuscritamente em livros e se exigia boa letra. Dotado de uma rara e primorosa caligrafia que aperfeiçoou com brio, não lhe foi difícil efectuar escritas contabilísticas e deslocou-se para a Chicuma ou Ganda, município do distrito (hoje província) de Benguela, onde trabalhou para Gouveia Mendes & Cª. Foi aí que provavelmente conheceu Valentim Reis que trabalhava para essa mesma firma e de quem viria a ser cunhado quando veio a casar com sua única irmã, solteira, como à frente se descreve.

Em virtude da sua vida em contacto com a população sobretudo quando foi agricultor, fotógrafo e mais tarde comerciante, aprendeu e falava bem o dialecto da região de Caconda/Caluquembe: umbundo (etnia ovimbundu).

 

(...)

 

TEXTO COMPLETO AQUI 

 http://sandularte.blogspot.pt/2011/05/jose-maria-rodrigues.html

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