Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












sábado, 26 de março de 2011

" PLANOS E REALIZAÇÕES"(de "SOURREIA" - Jornal "a Huila" nº 754 - (Editorial) - 27 de Agosto de 1955 -


" PLANOS E REALIZAÇÕES"


 Depois de largos anos de quase uma apatia contaminosa e prejudicial, começo o sul de Angola, toda esta vasta e rica região da Huila, a ser olhada com mais carinho, a serem compreendidas as suas necessidades urgentes e imprescindíveis. O planalto da Huila é talvez a melhor região de Angola para a instalação dos colonos chegados da Metrópole distante, satisfazendo em parte o seu problema de excedência demográfica, sem que todavia se possam ou se devam esquecer as necessidades e exigências locais. De clima bastante saudável, esta terra maravilhosa e rica em recursos naturais, encravada no interior sertanejo da negra África, estava como que condenada a continuar nessa aflitiva situação ainda por mais tempo, atrofiando-se e extinguindo-se as boas vontades representadas por esses valorosos e esforçados colonos que há sete dezenas de anos trepararam esforçada e denodadamente esta tão majestosa quanto ardilosa Chela, aqui assentaram arraiais e prosseguiram na luta. E, hoje, é com justificado orgulho e vaidade que todos nós vemos amparados e prosseguindo em acelerado ritmo os sonhos das gentes de antanho, as necessidades imediatas das gentes do presente. Não se podia levar ávante um plano de colonização, de civilização dos naturais instalados ou refugiados no sertão inóspito, sem se procurarem beneficiar e aproveitar convenientemente as condições naturais das diversas regiões, na maioria férteis e fáceis de cultivar. Surgiu então o grandioso plano de irrigação de uma grande parte da região sul, aproveitando-se esses mananciais de água que correm sem proveito, descansada e orgulhosamente superiores à vontade dos homens, mas que muito em breve se precipitarão em cachoeiras ruidosas, movendo poderosos geradores que hão de fornecer energia eléctrica a preços mais acessíveis numa extensa linha, correndo depois então através de canais dirigidos às melhores regiões agrícolas que estavam condenadas a uma fauna agreste, onde reinassem as feras, mas que, mercê da lúcida e boa compreensão de quem nos dirige,se hão-de tornar em magníficos campos de agricultura, onde vivam pacificamente as gentes lusitanas, quer vindas do continente distante, quer os naturais da região, nascidos e criados para a luta e cultivo da terra e que a amam tanto quanto ao que têm de mais querido. Directamente ligado com o problema da irrigação e fornecimento de energia eléctrica para os mais variados usos, desde os industriais aos domésticos, apresentava-se o problema dos transportes que escoassem para o litoral portuário os produtos do interior. As estradas rodoviárias não eram suficientes, nem podiam satisfazer as condições económicas, atendendo ainda às desvantagens que surgem na época das chuvas. Por tal, o Caminho de Ferro de Moçamedes, vindo daquela cidade até á capital do planalto, tinha de seguir mais ávante, atravessando essas regiões agrícolas e pecuárias, indo mesmo além fronteiras, escoando desse modo e em sentidos diversos, não só os produtos do interior de que necessitam as vizinhas colónias estrangeiras, como ainda dando vazão com o mesmo destino, à riqueza piscatória de Moçamedes,Porto Alexandre e Baía dos Tigres. Era um sonho que se alimentava esperançosamente, que se enraizou em todos nós, e que, finalmente, podemos dizer, se realizou. Esses trilhos, largos e metálicos, suportados por resistentes madeiras das nossas florestas, correm pelo interior cortando o seio bravo e espinhoso desta estranha África! Vão-se melhorando as condições de vida das gentes e vão surgindo paralelamente às linhas gémeas, lindas e progressivas populações. Iniciado o plano de irrigação e melhorando o dos transportes, em grande escala e baixo custo, a região da Huila entra decididamente no verdadeiro caminho da exploração agro-pecuária e, consequentemente, no ramo industrial, na transformação e aproveitamento dos produtos naturais,passando da produção e consumo à venda em larga escala para os mercados mundiais, favorecido ainda pela maior capacidade e facilidade de embarque do novo porto acostável de Moçamedes. Hão-de surgir muitas e novas populações, centros de colonização branca; hão-de tomar vulto e desenvolvimento as cidades do sul, mais directamente beneficiadas pelo programa e trabalhos que se estão realizando.Mas toda a Província de Angola será influenciada por esses melhoramentos, beneficiada pelas produções intensas, beneficiada mesmo até certo limite pelo aproveitamento hidro-eléctrico da Matala ou de outras barragens que estão em planos, na transformação eficiente e económica de seus produtos, no desenvolvimento intenso e modernizado das suas indústrias. Venceram-se barreiras, reduziram-se dificuldades, e dia a dia, a nova linha vai avançando; hoje, Vila Artur de Paiva, amanhã Matala e depois, mais além, até á fronteira ! Dia a dia as gentes vibram de entusiasmo e choram de comoçaão e alegria ao ouvirem vibrar o silvo estridente da fogosa máquina, ecoando pelos montes, e ao verem pela primeira vez, sulcando os trilhos metálicos, essa mesma e gigantesca "Garratt", atrelada a modernas e amplas carruagens, a modernos Wagons que transportarão os seus produtos e dar-lhes-ão um melhor nível de vida. Para finalizar, recordemos esta parte do feliz discurso de S. Exa. o Governador-Geral de Angola, Sr. Capitão Silva Carvalho, quando da inauguração do 1º troço da linha sul (na Chibia), no prolongamento do Caminho de Ferro de Moçamedes : ..." Hoje, mais um troço de linha férrea; amanhão, mais uma estrada, mais uma escola,mais uma igreja, um novo cais, novas riquezas extraídas do solo, novas produções arrancadas á terra, novas facilidades aos colonos, novos núcleos de população indígena levada á civilização latino-cristã. E é um novo país que surge, menos rápidamente do que pede o nosso desejo, mas num ritmo seguro, persistente, fatal, de quem apenas prolonga, no espaço e no tempo, as linhas estruturais do nosso destino de Nação".

(de "SOURREIA" - Jornal "a Huila" nº 754 - (Editorial) - 27 de Agosto de 1955  


Sobre o autor: , natural de MOÇÂMEDES (ANGOLA), com ascendência Afro-Luso-Brasileira(Minas Gerais). Frequentou as Escolas Primárias Nº60,“LUÍS DE CAMÕES”,no LUBANGO (SÁ DA BANDEIRA)e Nº 67,"PINHEIRO CHAGAS", na CHIBIA; depois, o Liceu Nacional “DIOGO CÃO”(sendo um dos seus professores o escritor e capitão GASTÃO DE SOUSA DIAS) e o Colégio “INFANTE SAGRES”, em SÁ DA BANDEIRA, (tendo neste como professor, o etnólogo e escritor, padre CARLOS ESTERMANN; mais tarde frequentou o Instituto Industrial de Nova Lisboa (Curso de Química Laboratorial e Industrial -– não concluído). Ainda estudante e, posteriormente, foi colaborador dos seguintes jornais: “A HUILA” (sendo mesmo e durante um certo período, seu redactor, em horas extras), “NOTÍCIAS da HUILA”,“O NAMIBE”,“A VOZ DO PLANALTO”, “A PROVÍNCIA DE ANGOLA” e do “JORNAL DE ANGOLA”, da ASSOCIAÇÃO AFRICANA (em Luanda, de que foi ainda membro da direcção e colaborador da LIGA NACIONAL AFRICANA), usando sempre o seu pseudónimo “Sourreia”. Nos Jogos Florais das “Bodas de Prata” do Liceu “DIOGO CÃO” -(1954)- obteve o 2º lugar (“Malmequer de Prata”) na modalidade de “Prosa” e recebeu ainda a única menção honrosa atribuída na modalidade de “Quadra”. Nessa altura, escreveu e publicou algum tempo mais tarde (1956), com o mesmo pseudónimo, a sua primeira obra literária “ASSIM SOMOS TODOS”. Foi colaborador e fundador do "CENTRO DE TURISMO DA HUILA" e do "NÚCLEO FILATÉLICO DE NOVA LISBOA"; colaborador dos "VICENTINOS" para a recuperação e construção da nova "CASA DOS RAPAZES DE CAMACUPA". Ingressou nos Serviços da Fazenda Pública (Finanças) em 1956 tendo prestado serviço (sucessivamente) em: Nova Lisboa, Luanda, Camacupa, Porto Alexandre, Chinguar, Silva Porto, Bailundo, Nova Lisboa e Camacupa. Em 1974 ingressou no Quadro Geral de Adidos, retirando-se para Portugal na “Ponte Aérea” de Nova Lisboa. Foi ainda colocado na Direcção Distrital de Finanças de Coimbra, tendo-se aposentado posteriormente. Prestou alguma colaboração (em Portugal)ao Jornal “O DIA” (artigos e reportagens) e "O LOBITO"(este um antigo Jornal de ANGOLA)e nalguns outros diários. A partir de 1990 publicou diversas obras literárias sobre a História de Angola: Para saber mais : Blog de Roberto Correia

Inauguração do 1. troço das obras do cais de Moçâmedes em 24.05.1957




Devidamente engalanado, o paquete "Uije" aproxima-se  do cais e prepara-se para encostrar... Fotos, históricas, marcam o momento da chegada do Governador Geral de Angola, Tenente Coronel Horácio José de Sá Viana Rebelo a Moçâmedes (actual cidade do Namibe), a bordo do paquete Uíge, em 24.05.1957, para inaugurar o 1º troço das obras do cais do porto de cais iniciadas em 24.06.1954,  por ocasião da visita à cidade e distrito do Presidente da República, General Francisco Higino Craveiro Lopes.



O paquele "Uige" e a multidão vistos que para ali se havia deslocado para assistir à inauguração, vistos do cimo da falésia

 

Perspectiva mais aproximada da multidão que se aglomerou junto ao cais, onde se podem ver, enfileiradas, as alunas do Colégio de Nossa Senhora de Fátima de Moçâmedes, devidamente fardadas com a tradicional saia azul escura, blusa e chapéu brancos. Reconhece-se à esq. Mário António Gomes Guedes da Silva, à época funcionário do Grémio da Pesca de Moçâmedes. Ao centro, Mário da Ressurreição Maia Rocha, Chefe de Repartição da Câmara Municipal de Moçâmedes. Mais à dt., o professor Canedo.


Celísia Vieira Calão, a basquetebolista do Ginásio Clube da Torre do Tombo, faz as honras da «casa» entregando a «chave da cidade» ao Governador Geral de Angola. A descer a escada do navio, de fato escuro, o então Governador do Distrito de Moçâmedes, Nunes da Ponte.


A aguardar o Governador Geral, o bispo da Diocese de Sá da Bandeira e elementos representativos das "forças vivas" da cidade

 

Apresentação de cumprimentos das «forças vivas da cidade» de Moçâmedes ao Governador Geral de Angola, Tenente Coronel Horácio José de Sá Viana . Ao centro, cumprimentando o Governador, Abílio Gomes da Silva (vereador da Câmara Municipal de Moçâmedes). Da esq. para a dt.: o médico Dr. Mário Moreira de Almeida, (Presidente da Câmara Municipal de Moçâmedes), Raúl Radich Junior (Vice-Presidente da Câmara Municipal de Moçâmedes), Rui Duarte de Mendonça Torres (Vereador da Câmara Municipal de Moçâmedes), Virgilio Carvalho (Vereador da Câmara Municipal de Moçâmedes), Dr. Urbulo Antunes da Cunha (Presidente da Associação Comercial de Moçâmedes) e Dr. Manuel João Tenreiro Carneiro (Advogado).



O momento simbólico do descerramento da placa comemorativa da inauguração do 1º troço do cais do porto de Moçâmedes, em 24.05.1957, pelo Governador Geral de Angola, Tenente Coronel Horácio José de Sá Viana Rebelo.

 

Por baixo de um toldo erguido no cais, o Governador de Moçâmedes, Vasco Nunes da Ponte, entre o Governador Geral de Angola, Tenente Coronel Horácio José de Sá Viana Rebelo, e o Dr. Mário Moreira de Almeida (Médico), presidente da Câmara Municipal de Moçâmedes, procede à assinatura do auto da inauguração.



O Governador Geral de Angola,Tenente Coronel Horácio José de Sá Viana Rebelo, no topo da falésia, tendo a seu lado o Governador do Distrito de Moçâmedes, Vasco Nunes da Ponte. No cais, junto do paquete «Uije», parte da multidão que ali se delocara para assistir à inauguração.



Finda a cerimónia, o cais vazio de gente... O paquete Uije descansa enquanto os visitantes e comitiva, forças vivas e povo se deslocam para outros pontos da cidade para proceder e assistir a outras cerimónias, tais como a inauguração do novo edifício-sede do Grémio dos Industrias da Pesca e seus Derivados do Distrito de Moçâmedes, e cerimónia da colocação da primeira pedra que deu início à construção do complexo desportivo do Sport Moçâmedes e Benfica, ambos os actos presididos pelo Governador Geral de Angola, Tenente Coronel Horácio José de Sá Viana Rebelo.


Panorâmicas do cais e da baía no decurso das obras da construção
Nesta 1ª fase das obras ainda a maioria das primitivas pescarias  alí se encontravam. Não tardaria muito a ser demolidas.do cais acostável e da avenida marginal de Moçâmedes.


Foto tirada em 1961, 5 anos após a inauguração da 1ª fase da construção cais acostável de Moçâmedes, e 7 anos após o lançamento da primeira pedra para  o início da mesma.

A construção do cais de Moçâmedes foi outorgada por contrato, a empreitada por 3 anos,  pelo Comandante Sarmento Rodrigues à firma adjudicatária Engº Rafael del Pino e Moreno

O arranque deste 1º troco foi inaugurado com em cerinónia de colocação da 1ª pedra, pelo General Craveiro Lopes a Moçâmedes, no decurso da sua visita em 24.06.1954. Clicar AQUI.
 Foi assim que se apresentou à noite a baía de Moçâmedes quando da inauguração da Avenida Marginal em 1963. Fotos cedidas por Vitor Torres





Motivos aconselháveis quanto ao local para construção do futuro cais acostável



(Parecer do Comandante Correia da Silva).
… … … … … … … … … … … …

Pela ordem das condições de abrigo, segue-se a baía de Moçâmedes que é presentemente um bom fundeadoro em condições normais de tempo, e poderá tornar-se um excelente porto permanentemente abrigado, dada a direcção constante das vagas, se se dragar a enseada da Torre do Tombo, ao sul da baía, e se se fizer aí, não o porto de pescadores que hoje é, mas o porto comercial. A muralha acostável da Torre do Tombo não será nunca um porto grande, mas será um porto bom e mais que espaçoso para o movimento provável de Moçâmedes. Com essa muralha de mais a mais, dado o abrigo da enseada, poderá fazer-se acostável de qualquer lado e em qualquer direcção que seja construída, mais espaçoso será o porto de Moçâmedes.

Muito se tem pensado em fazer o porto acostável de Moçâmedes na enseada do Saco. Embora a terra que vem da ponta do Giraúl dê também a essa enseada um abrigo que lhe dá uma boa praia de águas tranquilas, e extensão abrigada é muito menor que na Torre do Tombo, e mais facilmente se ressentirá a ressaca do sudoeste, que incide directamente a uma pequena distância da praia abrigada. Além disso, o Saco fica a légua e meia, pela praia, de Moçâmedes. A Torre do Tombo é hoje um bairro de Moçâmedes, e, se as obras do porto se fizerem , como certamente haverá a ligação por caminho de ferro e por estrada, pelo mar, da Fortaleza de S. Fernando a distância do último extremo da Torre do Tombo ao centro da cidade actual, percorrer-se-á em poucos minutos.

… … … … … … … … …

A preferência dada por algumas opiniões que conhecemos, do Saco do Giraúl, funda-se principalmente na amplidão de terrenos para edificações, na profundidade actual da enseada e no facto de ficar essa praia num ponto da linha do Caminho de Ferro além da passagem do Bero, que constitui, por enquanto, um dos mais graves obstáculos ao trânsito regular dos comboios, por ocasião da cheia.



Ora essas razões que justificam a existência actual, nessa praia, de uma atracação, não são, a nosso ver, suficientes para que se faça nessa enseada o futuro porto de Moçâmedes. Seria um porto novo a construir, não o porto de Moçâmedes, e , sem de forma alguma querermos dar a impressão de que existe, nesta origem de caminho de ferro, o mesmo duelo que há entre Benguela e Lobito, defendendo a orientação de fazer as obras definitivas na Torer do Tombo, seguimos apenas a velha predilecção, que sempre tivemos, como oficial de marinha, pelo maior abrigo das suas águas, que, neste caso, se combina com os interesses da cidade capital do distrito.

… … … … … … … … … …

(Cópia dactilografada do Relatório do comandante Correia da Silva, consultado em Moçâmedes, na Repartição Distrital de Administração Política e Civil). 
 

Razões da opção quanto a um local a escolher para a construção do futuro cais acostável; parecer do Comandante Frederico da Cruz.

…Moçâmedes é, incontestavelmente, o terceiro porto da colónia, e tem condições para se trnasformar num dois mais importantes de toda a África Ocidental.

Escavado na latitude 15º e 10´Sul, a sua vasta área cobre 3.300 hectares. A área útil, ao Sul, próximo da cidade, não anda longe dos 600 hectares; ao Norte anda próximo dos 500 hectares.

A baía de Moçâmedes, profundo recorte em forma de concha, é limitada, ao Norte, pela ponta do Giraúl, e ao Sul, pela ponta Negra, se bem que o baixo Amélia, mais ao mar, tenha pretensões a esporão submerso.

O fundeadouro fica afastado da terra 750 metros.

Moçâmedes é testa do Caminho de Ferro de Sá da Bandeira, vias de comunicações que, fatalmente, se há-de alongar a caminho da Rodésia do Norte, em necessário paralelismo com a linha Lobito-Dilolo.

A sua importância futura, é pois, considerável.

Hoje, o porto de Moçâmedes serve principalmente a exportação do peixe seco, farinhas, óleos de peixe, e produtos agrícolas da Huila.

O seu movimento em toneladas de arqueação é já notável.

Em 1947 lançaram âncora nas suas águas navios nacionais de longo curso, totalizando 300.738 toneladas

.............


Do livro «Moçâmedes» de Manuel Júlio de Mendonça Torres

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Porto de Mossãmedes

Outras opiniões sobre o equipamento

(Manuel Pires de Matos, engºhidrográfico)

«Mossãmedes pode ser considerado um porto misto, predominando contudo nele as características de porto geral e de pesca.
O seu equipamento deve fazer-se no sentido de aproveitar o cais no quebra mar para embarque de pasageiros, carga e descarga de navios transportando deste ou para este porto, quantidade de mercadorias, carga e cereais a granel e carga e descrga de combustível líquido.
No cais longitudina, far-se-ão de preferência s operações de carga e descarga de navios com grandes quantidades de mercadorias a movimentar a carga de carne, peixe e frutas frigorificadas , pois os frigoríficos, armazéns , depósitos de carvão , etc., serão construidos junto deste cais, a servir por linhas férres em abundância para fácil manobra de grande quntidade de vagões, sem o receio de congestionamento.
De começo, o porto poderá dispôr de um frigorífico, armazéns, «gare» marítima, depósitos de carvão e silos, a construir nos terraplenos, que pelo presente ante-projecto se conquistam ao mar.
A construção de depósitos combustível líquido, entre a Ponta do Mexilhão e a Ponta do Noronha, é conveniente que se faça em subterrâneos a escavar na escarpa, para ficarem convenientemente abrigados dos ataques aéreos.
Além do equipamento já atrás indicado, serão precisos guindastes, a captação e a beneficiação, rede de distribuição de água aos navios e serviços do porto, a construção de uma central termo-electrica para as necessidades de Mossãmedes e do porto e um rebocado para as manobras de atracar e desatracar.
Mais tarde, quando as circunstâncias o aconselharem, deverá também considerar-se o equipamento do porto de pesca, a construção de carreiras para navios de vela e embarcações, armazens de redes e outros aprestos de pesca, doca seca para a reparação de navios, etc.
 

 Boletim Geral das Colónias . XVIII - 203
Nº 203 - Vol. XVIII, 1942, 1o1 pg.

 
Pesquisa de MariaNJardim

Para mais informação: AQUI


Fotos gentilmente cedidas por Amilcar de Sousa Almeida e Celísia Calão.               
                                                                         
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Motivos aconselháveis quanto ao local para construção do futuro cais acostável


(Parecer do Comandante Correia da Silva).
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Pela ordem das condições de abrigo, segue-se a baía de Moçâmedes que é presentemente um bom fundeadoro em condições normais de tempo, e poderá tornar-se um excelente porto permanentemente abrigado, dada a direcção constante das vagas, se se dragar a enseada da Torre do Tombo, ao sul da baía, e se se fizer aí, não o porto de pescadores que hoje é, mas o porto comercial. A muralha acostável da Torre do Tombo não será nunca um porto grande, mas será um porto bom e mais que espaçoso para o movimento provável de Moçâmedes. Com essa muralha de mais a mais, dado o abrigo da enseada, poderá fazer-se acostável de qualquer lado e em qualquer direcção que seja construída, mais espaçoso será o porto de Moçâmedes.


Muito se tem pensado em fazer o porto acostável de Moçâmedes na enseada do Saco. Embora a terra que vem da ponta do Giraúl dê também a essa enseada um abrigo que lhe dá uma boa praia de águas tranquilas, e extensão abrigada é muito menor que na Torre do Tombo, e mais facilmente se ressentirá a ressaca do sudoeste, que incide directamente a uma pequena distância da praia abrigada. Além disso, o Saco fica a légua e meia, pela praia, de Moçâmedes. A Torre do Tombo é hoje um bairro de Moçâmedes, e, se as obras do porto se fizerem , como certamente haverá a ligação por caminho de ferro e por estrada, pelo mar, da Fortaleza de S. Fernando a distância do último extremo da Torre do Tombo ao centro da cidade actual, percorrer-se-á em poucos minutos.
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A preferência dada por algumas opiniões que conhecemos, do Saco do Giraúl, funda-se principalmente na amplidão de terrenos para edificações, na profundidade actual da enseada e no facto de ficar essa praia num ponto da linha do Caminho de Ferro além da passagem do Bero, que constitui, por enquanto, um dos mais graves obstáculos ao trânsito regular dos comboios, por ocasião da cheia.


Ora essas razões que justificam a existência actual, nessa praia, de uma atracação, não são, a nosso ver, suficientes para que se faça nessa enseada o futuro porto de Moçâmedes. Seria um porto novo a construir, não o porto de Moçâmedes, e , sem de forma alguma querermos dar a impressão de que existe, nesta origem de caminho de ferro, o mesmo duelo que há entre Benguela e Lobito, defendendo a orientação de fazer as obras definitivas na Torer do Tombo, seguimos apenas a velha predilecção, que sempre tivemos, como oficial de marinha, pelo maior abrigo das suas águas, que, neste caso, se combina com os interesses da cidade capital do distrito.
… … … … … … … … … …
(Cópia dactilografada do Relatório do comandante Correia da Silva, consultado em Moçâmedes, na Repartição Distrital de Administração Política e Civil).




Razões da opção quanto a um local a escolher para a construção do futuro cais acostável; parecer do Comandante Frederico da Cruz.
…Moçâmedes é, incontestavelmente, o terceiro porto da colónia, e tem condições para se trnasformar num dois mais importantes de toda a África Ocidental.
Escavado na latitude 15º e 10´Sul, a sua vasta área cobre 3.300 hectares. A área útil, ao Sul, próximo da cidade, não anda longe dos 600 hectares; ao Norte anda próximo dos 500 hectares.
A baía de Moçâmedes, profundo recorte em forma de concha, é limitada, ao Norte, pela ponta do Giraúl, e ao Sul, pela ponta Negra, se bem que o baixo Amélia, mais ao mar, tenha pretensões a esporão submerso.
O fundeadouro fica afastado da terra 750 metros.
Moçâmedes é testa do Caminho de Ferro de Sá da Bandeira, vias de comunicações que, fatalmente, se há-de alongar a caminho da Rodésia do Norte, em necessário paralelismo com a linha Lobito-Dilolo.
A sua importância futura, é pois, considerável.
Hoje, o porto de Moçâmedes serve principalmente a exportação do peixe seco, farinhas, óleos de peixe, e produtos agrícolas da Huila.
O seu movimento em toneladas de arqueação é já notável.
Em 1947 lançaram âncora nas suas águas navios nacionais de longo curso, totalizando 300.738 toneladas
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Do livro «Moçâmedes» de Manuel Júlio de Mendonça Torres
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Porto de Moçâmedes

Outras opiniões sobre o equipamento

(Manuel Pires de Matos, engºhidrográfico)




«Mossâmedes pode ser considerado um porto misto, predominando contudo nele as características de porto geral e de pesca.
O seu equipamento deve fazer-se no sentido de aproveitar o cais no quebra mar para embarque de pasageiros, carga e descarga de navios transportando deste ou para este porto, quantidade de mercadorias, carga e cereais a granel e carga e descrga de combustível líquido.
No cais longitudina, far-se-ão de preferência s operações de carga e descarga de navios com grandes quantidades de mercadorias a movimentar a carga de carne, peixe e frutas frigorificadas , pois os frigoríficos, armazéns , depósitos de carvão , etc., serão construidos junto deste cais, a servir por linhas férres em abundância para fácil manobra de grande quntidade de vagões, sem o receio de congestionamento.
De começo, o porto poderá dispôr de um frigorífico, armazéns, «gare» marítima, depósitos de carvão e silos, a construir nos terraplenos, que pelo presente ante-projecto se conquistam ao mar.
A construção de depósitos combustível líquido, entre a Ponta do Mexilhão e a Ponta do Noronha, é conveniente que se faça em subterrâneos a escavar na escarpa, para ficarem convenientemente abrigados dos ataques aéreos.
Além do equipamento já atrás indicado, serão precisos guindastes, a captação e a beneficiação, rede de distribuição de água aos navios e serviços do porto, a construção de uma central termo-electrica para as necessidades de Moçâmedes e do porto e um rebocado para as manobras de atracar e desatracar.
Mais tarde, quando as circunstâncias o aconselharem, deverá também considerar-se o equipamento do porto de pesca, a construção de carreiras para navios de vela e embarcações, armazens de redes e outros aprestos de pesca, doca seca para a reparação de navios, etc.
 

 Boletim Geral das Colónias . XVIII - 203
Nº 203 - Vol. XVIII, 1942, 1o1 pg.


 
 Pesquisa de MariaNJardim

 Fotos gentilmente cedidas por Amilcar de Sousa Almeida e Celísia Calão.



-Para mais informação: AQUI
-Para ver fotos sobre a visita do General Craveiro Lopes a Moçâmedes e a cerimónia da colocação da 1ª pedra, que em 24.06.1954 deu o arranque à construção do cais de Moçâmedes, clicar AQUI.


Nota: Agradece-se se forem daqui tiradas fotos e textos que não esqueçam os respectivos créditos de texto e de imagem.