Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












sábado, 11 de fevereiro de 2012

Angola 1914-15 Forças Expedicionárias no Sul de Angola


 
Sul de Angola - Campamha de 1914. Augusto Casimiro "Naulila"

 



Foi em Mossâmedes (depois Moçâmedes, a actual Namibe) que em 1914 e 1915 desembarcou grande parte do efectivo militar português, cujo objectivo era enfrentar a ameaça alemã vinda do Sudeste Africano e as populações sublevadas naqueles territórios de fronteira que importava pacificar e assegurar no quadro da soberania portuguesa e do território angolano.


Do blogs "Momentos da História" retiramos as seguintes passagens...

Foi logo após a implementação da República, em 18 de Agosto de 1914, que "..o General Pereira de Eça, Ministro da Guerra, convidou o Tenente-coronel do Corpo do Estado Maior Alves Roçadas a aceitar o comando da primeira força expedicionária para Angola. O Tenente-coronel Alves Roçadas, era conhecedor da região de destino da expedição, por ter sido anteriormente governador do distrito de Huíla, no Sul de Angola. Em 20 Agosto, por intermédio do Ministério das Colónias, solicitou informações sobre os recursos existentes na província e mandou proceder a vários trabalhos de preparação de infra-estruturas militares e à mobilização de unidades indígenas e europeias locais. A missão que lhe foi confiada tinha o objectivo de assegurar a obediência do gentio local e vigiar a fronteira Sul nos pontos estratégicos mais importantes. Para tal, atribuíram-lhe uma força expedicionária composta por: 61 oficiais, 1.464 praças e 335 solípedes.

Esta força expedicionária partiu de Lisboa nos dias 10 e 11 de Setembro 1914, a bordo dos vapores "Cabo Verde" e "Moçambique" respectivamente, as quais desembarcaram a 1de Outubro 1914 em Mossâmedes no Sul de Angola.  A 22 de Outubro as forças expedicionárias encontravam-se implantadas no terreno, em Lubango no planalto de Mossâmedes, em posição para defender o Sul de Angola de uma ofensiva investida alemã que viesse da "África Alemã do Sudoeste" (Damaralândia), em direcção a Mossâmedes. Entretanto, aconteceu um incidente de fronteira, em Naulila, a 19 de Outubro, onde foram mortos três alemães, parte de uma missão, que tinha entrado na província sem autorização, e acampado na margem esquerda do Cunene, em território português.

A 30 de Outubro dá-se um ataque alemão ao posto militar de Cuangar, na margem esquerda do rio Cubango, no Sul de Angola. Foi um ataque de surpresa comandado pelo Capital de Cavalaria Lehmann com 20 praças de cavalaria com apoio de fogo de metralhadoras, 10 guardas fronteiriços europeus, um grupo de polícia indígena e um numeroso contingente de indígenas autóctones.

Ilustração Portuguesa, n.º 462, Ano 1914


 O Forte do Cuangar localizava-se a 900 Km de Mossâmedes  e  a 400 Km de Naulila, sem comunicações telegráficas. 




 Continua....

Ver texto integral AQUI 

Mossâmedes/Moçâmedes em 1914




MARCHA NO SUL JUNTO AO LITORAL
DEZEMBRO DE 1914
(um testemunho)

(...) O caminho era unicamente um areal movediço, em que os pés se enterravam, e em que se dava uma passada para a frente e meia para trás de cada vez (...)

(...) De longe a longe alguma raquítica vegetação de plantas gordas rasteiras e salgadas, de um verde-escuro sujo, e com laivos terrosos (...)


As Welwitschia - Mirabilis



(...) Se parávamos, as areias cobriam-nas aos pés até aos tornozelos em menos de um minuto, vinham-nos açoitar a cara e as orelhas como pequenas balas; entrava-nos pelos ouvidos e pelo nariz. Que penosa marcha, encetada às 4 da manhã! Que terrível situação! (...)




(...) A fila indiana, aproximando-se o mais possível da água, era ainda assim chicoteada pela areia seca e pelas respingas da água salgada das ondas, que cada vez vinham maiores quebrar-se no areal. Com o corpo deitado para trás, para resistir ao vento sem cair, a areia mesmo molhada vinha chicotear-nos a cara, as mãos, o pescoço, de tal forma que estavam quase em sangue; e assim continuamos andando sem poder parar, pois a paragem seria a morte por asfixia enterrados no areal, que seguia sempre....sempre...., levantando-se nuvens de areia que iam formar mais a norte novas dunas, que se iam sempre movendo. A andar comemos bolacha e bebemos vinho, engolindo tudo misturado com areia (...).

Texto de: Roma Machado, In: "Recordações de África".
 AQUI




 
Os recursos militares encontravam-se divididos organicamente em: Quartel General, Tropas de 1ª e 2º Linha, Depósito de Material de Guerra, Serviço de Saúde e Tribunal Militar.

As tropas de 1ª linha constituíam o núcleo de forças europeias, organizadas em: 1 Bateria Mista de Montanha e Guarnições; 2 Companhias de Infantaria Mista e Artilharia de Montanha; 1 Esquadrões de Dragões, 1 Companhias de Infantaria; e, 1 Corpo Misto de Polícia a pé e a cavalo. Existia, ainda, 2 Companhias Disciplinares uma de soldados europeus e outra de soldados indígenas, incorporados em cumprimento de sentenças.  

As tropas de 2ª linha eram constituídas por praças indígenas, comandadas por oficiais e sargentos do exército metropolitano. Estavam enquadradas em 16 Companhias de Guerra Independentes, 4 Companhias de Depósito e os Serviços de Administração Militar, de Transportes e de Intendência. Os efectivos destas companhias variavam entre 118 e 210 homens (15 a 20 graduados do exército metropolitano), dependendo das circunstâncias e por determinação do Governador Geral da Colónia8.
No entanto, logo após a implementação da República, não só por questões orçamentais do ano 1910-1911, mas também dentro do espírito de alteração da estrutura militar, muitas das unidades coloniais são suprimidas. Em 1913 uma nova portaria revoga o Decreto de 14 de Novembro de 1901 e extingue as forças de 2ª Linha. Esta decisão acabará por ter como consequência a destruição das reservas militares indígenas, tão necessárias à guerra naquelas condições ambientais9

1 comentário:

  1. Muito obrigado por considerar útil a informação.

    Espero ter tempo para ainda este ano acrescentar informação sobre este tema, uma vez que consegui uma cópia do relatório o General Pereira Eça.

    Com os melhores cumprimentos

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