Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












terça-feira, 10 de abril de 2012

O Batalhão de Marinha Expedicionário a Angola (1914) : Mossâmedes e Lubango

Abraço de Despedida: partida de um Fuzileiro Naval do Batalhão de Marinha Expedicionário a Angola  (1914). Foto Benoliel,Ilustração Portuguesa n.º 456, de 16 de Novembro de 1914.
Capa da Ilustração Portuguesa n.º 456, de 16 de Novembro de 1914


Moçâmedes em 1914
MARCHA NO SUL JUNTO AO LITORAL
DEZEMBRO DE 1914
(um testemunho)

(...) O caminho era unicamente um areal movediço, em que os pés se enterravam, e em que se dava uma passada para a frente e meia para trás de cada vez (...)

(...) De longe a longe alguma raquítica vegetação de plantas gordas rasteiras e salgadas, de um verde-escuro sujo, e com laivos terrosos (...)



As Welwitschia - Mirabilis





(...) Se parávamos, as areias cobriam-nas aos pés até aos tornozelos em menos de um minuto, vinham-nos açoitar a cara e as orelhas como pequenas balas; entrava-nos pelos ouvidos e pelo nariz. Que penosa marcha, encetada às 4 da manhã! Que terrível situação! (...)




(...) A fila indiana, aproximando-se o mais possível da água, era ainda assim chicoteada pela areia seca e pelas respingas da água salgada das ondas, que cada vez vinham maiores quebrar-se no areal. Com o corpo deitado para trás, para resistir ao vento sem cair, a areia mesmo molhada vinha chicotear-nos a cara, as mãos, o pescoço, de tal forma que estavam quase em sangue; e assim continuamos andando sem poder parar, pois a paragem seria a morte por asfixia enterrados no areal, que seguia sempre....sempre...., levantando-se nuvens de areia que iam formar mais a norte novas dunas, que se iam sempre movendo. A andar comemos bolacha e bebemos vinho, engolindo tudo misturado com areia (...).

Texto de: Roma Machado, In: "Recordações de África".








Texto de: Roma Machado, In: "Recordações de África".  AQUI 
 Continua....

Ver tb texto AQUI 


O Batalhão Expedicionário de Marinha  em Mossâmedes
ver aqui: http://www.momentosdehistoria.com/MH_02_10_Marinha.htm


O primeiro acto oficial do Batalhão de Marinha, após a chegada à cidade de Mossâmedes, em 30 de Novembro de 1914, foi um desfile pelas ruas da cidade, ao som de música, no qual mostrou o seu aprumo de corpo de elite. (4)

Tiveram de preparar, e em parte improvisar, as instalações para o seu depósito de material, munições e viveres, uma vez que nada estava preparado para os receber. Foi durante este período que os marinheiros tiveram de aprender a tratar dos solípedes e aprender a arte de cavalgar.

A 1 de Dezembro o Batalhão voltou a desfilar integrado nas comemorações do "Dia da Independência", com a particularidade de os oficiais já desfilarem montados a cavalo.

A 11 de Dezembro o Batalhão de Marinha partiu de Mossâmedes em direcção ao Cuamato, onde se encontrava o Tenente-coronel Alves Roçadas. A primeira etapa foi feita pela via férrea, que ligava Mossâmedes a Bela Vista. Foram precisos cinco comboios para transportar o Batalhão.

Após reunidos em Bela Vista seguiram a pé até Lubango, onde chegaram no dia seguinte.



O Batalhão de Marinha esteve estacionado no Lubango antes de partir para o Cuamato. (Foto de Teles Grilo)


O Batalhão Expedicionário de Marinha no Lubango


A 12 de Dezembro de 1914 o Batalhão de Marinha Expedicionário a Angola encontrava-se em Lubango.As notícias da frente de combate eram alarmantes e os itinerários marcados para atingir o rio Cunene, em Forte Humbe, pelos Gambos tinha dois difíceis obstáculos, carência de água e de capim para o gado.

Lubango. Ilustração portuguesa n. 488, de 28 de Junho de 1915
Grupo de marinheiros, no Lubango, pertencentes à Lancha "NRP Rio Minho" que foram desembarcados para integrar o Batalhão de Marinha, (Foto de Teles Grilo)

A 21 de Dezembro recebem notícia que uma unidade alemã de cerca de 200 homens, teria bivacado nas redondezas de Lubango, o que fez com que tomassem posições defensivas à volta da localidade. Não chegou a haver qualquer confronto com a força alemã.
Pormenor do acampamento, onde se localizava o posto de TSF. (Foto de Teles Grilo)

1ª e 2ª Secções de Metralhadoras do Batalhão de Marinha no Lubango. (Foto de Teles Grilo)

Nesta mesma data o Tenente-coronel Alves Roçadas informa os marinheiros do sucedido em Naulila e ordena que estes avencem sobre Chibia. O Batalhão levou apenas 10 horas para se aprontar e partiram em direcção de Humbe, onde se encontravam as tropas do Tenente-coronel Alves Roçadas em retirada.

Carregamento dos carros Boers com o material de guerra. (Foto de Teles Grilo)

Em Lubango, a descarga dos camelos que transportaram o material militar e viveres para as forças que avançam sobre o Sul de Angola. (Foto de Alberto de Castro)


A velocidade a que se deslocavam os carros boer, puxados a bois, não conseguiam acompanhar o passo da marcha do Batalhão de Marinha, o que fez com que no final da primeira etapa, em Pituaco, não houvesse barracas e mantas para a pernoita. No dia seguinte 24 de Dezembro de 1914 alcançaram Chibia. Durante as etapas o maior problema foi a falta de água, por escassez de "cacimbas" (pequenas chuvas) e de quase inexistência de "mololas" (poços). (8)

Começaram no Natal a aparecer as primeiros febres entre os oficiais e praças, mas continuam a caminhar em direcção ao Quartel General do Tenente-coronel Alves Roçadas, que se encontrava à data em Gambos. Chegam a Gambos a 3 de Janeiro de 1915.

O Batalhão Expedicionário de Marinha  em Forte Gambos (Forno da Cal)

Chegados a 3 de Janeiro de 1915 a Gambos, o Tenente-coronel Alves Roçadas coloca o Batalhão de Marinha num posto avançado, lugar do Forno da Cal, que viria a ser a base de operações do Batalhão durante algum tempo.

O estrado de saúde do Batalhão foi piorando, muito também por causa das condições do local onde estavam estacionados. No entanto, construíram a base com as melhores condições possíveis, tendo em consideração o principal inimigo, a febre tifóide e o paludismo. (9)

O clima encontrado neste lugar variava entre 4ºC à noite e 39ºC de dia, com chuvas. Ao clima acrescia os problemas de escassez de alimentação por causa da falta de transportes.

Durante o tempo em que estiveram nesta posto, aproximadamente 3 meses, sofreram duas mortes por doença e tiveram de repatriar 21 praças para a Metrópole por doença.

Em 21 de Março chegou a Luanda o novo comandante militar de Angola, o General Pereira de Eça, e com ele iria recomeçar a ofensiva sobre os alemães. Em Abril o General visitou o posto de Forno de Cal, tendo comentado com o Capitão-tenente Alberto Coriolano Ferreira da Costa ter apreciado as boas condições em que o posto se encontrava.(10)

No dia 5 de Maio de 1915 o Batalhão, integrado nas manobras sobre o Sul de Angola, fez avançar sobre Cahama, lugar também conhecido como "cemitério dos brancos", uma coluna comandada pelo 1º Tenente Afonso Júlio Cerqueira, composta pela 1ª Companhia do Batalhão de Marinha e a 15º Indígena Expedicionária de Moçambique.

O avanço deu-se entre a hostilidade do população local, mas chegou-se a Cahama e ainda se avanõu mais um pouco até Tchicusse, onde se construiu um posto militar e se efectuaram vários trabalhos defensivos. A coluna de Cahama mantinha-se na posição até que em 26 de Maio recebeu um pedido de auxílio do Padre Bellet (francês), superior da missão do Espírito Santo, com sede no Tchipelongo, que estava a ser ameaçada pelos locais.

O 1º Tenente Afonso Júlio Cerqueira, após solicitar autorização ao comandante do Batalhão de Marinha, organizou um grupo de socorro à missão de Espírito Santo, composto por 51 marinheiros e uns outros tantos Landins, chefiados pelo 1º Tenente Cerqueira, o 2º Tenente Botelheiro, o Tenente de Infantaria Humberto de Ataíde e o Alferes de Infantaria Loza, ambos pertencentes à 15ª Companhia Indígena Expedicionária de Moçambique.

Assim que chegaram à missão do Espírito Santo, dia 28 de Maio, começaram a ser atacados pelos locais, que se encontravam bem organizados e equipados com Mausers. O combate durou algumas horas até que os rebeldes desmoralizaram e fugiram deixando para trás no terreno mortos e feridos. Foi o baptismo de fogo do Batalhão de Marinha e o seu primeiro sucesso militar.

O grupo de socorro regressou ao posto de Tchicusse com vários feridos, entre os quais o Tenente de Infantaria Ataíde e o 1º Tenente Cerqueira.

Entretanto, as restantes forças do Batalhão de Marinha foram-se juntar à coluna em Tchicusse, onde permaneceram até Junho, data em que o Batalhão recebeu ordem para avançar para Humbe.

O estado de saúde do Batalhão de Marinha foi piorando, o que levou inclusive a que o comandante Coriolano da Costa e o Tenente Carvalho Araújo, colhidos pela enfermidade tivessem de ser repatriados. Isto levou a que o 1º Tenente Afonso de Cerqueira fosse promovido a Capitão-tenente e assumisse o comando do Batalhão de Marinha. No relatório do do 2º Tenente-médico Júlio Gonçalves, de 2 de Junho, há a indicação que 25% dos praças estão doentes e incapacitados para o serviço.

A 4 de Junho de 1915, deu-se início à marcha em direcção ao Forte Humbe. Junto com o Batalhão de Marinha seguiam o Batalhão de Infantaria n.º 17, comandado pelo Major Pires Viegas, a 15ª Companhia Indígena Expedicionária de Moçambique, um grupo de auxiliares damaras, duas baterias de artilharia divididas em quatro secções, quatro baterias de metralhadoras, uma pertencente ao Batalhão de Marinha, e dois Esquadrões de Cavalaria, um do Regimento de Cavalaria n.º 4 e outro do Regimento de Cavalaria n.º 11, ambos comandados pelo Major de Cavalaria Vieira da Rocha.(12)

O Batalhão Expedicionário de Marinha em Forte Humbe  

O Batalhão de Marinha chegou a Humbe a 7 de Junho de 1915. O local estava reduzida a destroços. Tiveram de montar o bivaque em quadrado e improvisar defesas. Nesta data o Batalhão estava reduzido a 12 oficiais e 303 praças. Entretanto foram chegando as restantes forças militares da coluna.

Entretanto, receberam ordens para ocupar Ngiva, centro administrativo dos rebeldes do Cuamhama e sede do soba. A partida para o Cuanhama deu-se 10 de Agosto. Com o Batalhão de Marinha na frente da coluna, seguiu-se a 15ª Companhia Indígena e o Batalhão de Infantaria n.º 17.

Humbe. Ilustração Portuguesa n. 498, 6 de Setembro de 1915
Metralhadoras do Batalhão de Marinha, numa dos flancos do quadrado do bivaque



O Batalhão Expedicionário de Marinha no Cuanhama (O Quadrado de Mongua)


A chegada à região Cuanhama, a 15 de Agosto de 1915, foi comemorada com uma salva de artilharia, que serviu para também indicar propositadamente aos rebeldes a nossa presença e a intenção de restabelecer a administração portuguesa da região. (12)

As forças continuaram a avançar dentro do território hostil e foi em Mongua, a 18 de Agosto de 1915, que os rebeldes iniciam os ataques às forças portuguesas, os quais duram durante 3 dias.

A coluna formou o seu dispositivo defensivo em quadrado e coube ao Batalhão de Marinha a ocupação da face da frente (Leste) do quadrado, sob o comando do Capitão-tenente Afonso de Cerqueira. A face da direita (Sul) do quadrado foi ocupada por duas companhias do Batalhão de Infantaria n.º 17, sob o comando do Major Pires Viegas. A face esquerda (Norte) do quadrado foi ocupada por uma companhia do regimento de Infantaria n.º 17, a 15ª Companhia Indígena Expedicionária de Moçambique e o grupo de auxiliares damaras, sob o comando do Capitão de metralhadoras Henrique Cameira. A face da retaguarda (Oeste) era ocupada pela última companhia do Batalhão de Infantaria n.º 17, sob o comando do Capitão de metralhadoras Teles de Azevedo. (13)

No dia 18 e 19 de Agosto o fogo inimigo foi esporádico e por vezes intenso, mas as patrulhas que saíam do quadrado não encontravam muita resistência. Entretanto, no dia 19 ficaram completos os trabalhos de entrincheiramento, que se tornaram necessários devido à capacidade de fogo do inimigo.(15)

No dia 20 de Agosto, os rebeldes comandados pelo soba Mandume, do Cuanhama, que concentraram entre 50.000 a 60.000 homens (cuanhamas. cuamatos. evales, alguns cuambis e muitos foragidos do Humbe) e com cinco carros boers de munições, todos armados com "Martini Henry" e algumas centenas de "Mauser" iniciaram o ataque contra os 3.000 homens portugueses. (14)

O fogo dos rebeldes era intenso e certeiro o que levou a que se desse ordem para os praças se deitassem e se protegessem com sacos de terra. O quadrado estava muito denso uma vez que englobava dentro de si perto de duas centenas de carros de transporte e atrelados e ainda dos dois esquadrões de cavalaria.

As secções de artilharia, colocadas nos cantos do quadrado, fizeram mais de 2.000 disparos durante o combate, se bem que não por igual, já que a maior intensidade do ataque inimigo se deu na face frontal (Batalhão de Marinha) e face esquerda (Infantaria n.º 17, landins e damaras). Nas outras faces do quadrado os feridos derivavam do fogo cruzado com a face frontal e esquerda, que os atingia de costas.

Os combates duraram desde as 7 horas da manhã até às 17 horas da tarde. O General Pereira Eça às 17 horas ordenou uma carga por forças do Batalhão de Infantaria 17, 15ª Companhia de Indígenas e do Batalhão de Marinha, e os Esquadrões de Cavalaria, para aliviar a pressão sobre o quadrado.

Ao lado direito do quadrado formou o Esquadrão de Cavalaria n.º4, comandado pelo Capitão Luiseno Godinho e do lado esquerdo do quadrado formou o Esquadrão de Cavalaria n.º 11, comandado pelo Capitão Cunha e Costa. A atitude impassível da cavalaria sob o fogo inimigo, arrancou dos praças um sonoro "viva a cavalaria portuguesa", que foi respondido com um "viva a nossa infantaria". Sem cuidar do fogo inimigo todos pararam de disparar e começaram a cantar a "Portuguesa", e os landins como não o sabiam o nosso hino começaram a cantar a sua canção guerreira "Baiete Incoce".

A carga da cavalaria, apesar das pesadas baixas e de praticamente ficaram sem montadas, conseguiram por em fuga soba Mandume e com ele fugiram todas as suas tropas. Mais tarde, a 6 de Fevereiro de 1917, já em território da Namíbia o soba Mandume foi encontrado morto, terminando com ele o último reino Ovambo independente.

O Batalhão de Marinha no final do dia tinha sofrido inúmeros feridos e dois praças mortos.

Em resultado dos três dias de combate as tropas portuguesas tiveram: 4 oficias e 32 praças (2 da marinha) mortos e 11 oficiais (4 da Marinha) e 44 praças (parte marinheiros).

Cuanhama. Ilustração Portuguesa n. 507, de 8 de Novembro de 1915
Acampamento do combate de 20 de Agosto de 1915, Posto de Socorro na face direita do quadrado (posição da Infantaria 17).


Posto de Socorro na face da frente do quadrado (posição do Batalhão de Marinha)


  

Capitão-de-fragata médico Vasconcelos e Sá, Chefe dos serviços de saúde do Batalhão de Marinha, e a Barraca da ambulância central da coluna militar.


Os reforços de munições e mantimentos só chegaram a 24 de Agosto, após uma longa marcha forçada da coluna que partiu do Cuamato.

A 2 de Setembro a coluna, comandada pelo Coronel António Veríssimo de Sousa, partiu com destino a Ngiva, composta pelo Batalhão de Infantaria n.º 17, o Batalhão de Marinha, duas Baterias de Artilharia, duas Baterias de metralhadoras e dois Esquadrões de Cavalaria. Depois de um árduo percurso chegaram e tomaram Ngiva.

O Batalhão de Marinha Expedicionário a Angola regressou à Metrópole a 30 de Setembro de 1915,embarcados em Mossâmedes no vapor "Zaire". Neste navio regressaram 13 oficiais e 346 praças, tendo ficado eternamente em Angola 15 marinheiros, 2 mortos em combate, 12 por doença e um assassinado por indígenas em Lubango. Chegaram a Lisboa a 15 de Outubro de 1915.


CONTINUA....


Angola 1914-15 Forças Expedicionária Sul de Angola


 
Sul de Angola - Campamha de 1914. Augusto Casimiro "Naulila"
Foi logo após a implementação da República, a18 de Agosto de 1914, que o General Pereira de Eça, Ministro da Guerra, convidou o Tenente-coronel do Corpo do Estado Maior Alves Roçadas a aceitar o comando da primeira força expedicionária para Angola.
O Tenente-coronel Alves Roçadas, era conhecedor da região de destino da expedição, por ter sido anteriormente governador do distrito de Huíla, no Sul de Angola. Em 20 Agosto, por intermédio do Ministério das Colónias, solicitou informações sobre os recursos existentes na província e mandou proceder a vários trabalhos de preparação de infra-estruturas militares e à mobilização de unidades indígenas e europeias locais.
A missão que lhe foi confiada tinha o objectivo de assegurar a obediência do gentio local e vigiar a fronteira Sul nos pontos estratégicos mais importantes. Para tal, atribuíram-lhe uma força expedicionária composta por: 61 oficiais, 1.464 praças e 335 solípedes.
Esta força expedicionária partiu de Lisboa nos dias 10 e 11 de Setembro 1914, a bordo dos vapores "Cabo Verde" e "Moçambique" respectivamente, as quais desembarcaram a 1de Outubro 1914 em Mossâmedes no Sul de Angola. 
A 22 de Outubro as forças expedicionárias encontravam-se implantadas no terreno, em Lubango no planalto de Mossâmedes, em posição para defender o Sul de Angola de uma ofensiva investida alemã que viesse da "África Alemã do Sudoeste" (Damaralândia), em direcção a Mossâmedes.
Entretanto, aconteceu um incidente de fronteira, em Naulila, a 19 de Outubro, onde foram mortos três alemães, parte de uma missão, que tinha entrado na província sem autorização, e acampado na margem esquerda do Cunene, em território português. 
 
A 30 de Outubro dá-se um ataque alemão ao posto militar de Cuangar, na margem esquerda do rio Cubango, no Sul de Angola. Foi um ataque de surpresa comandado pelo Capital de Cavalaria Lehmann com  20 praças de cavalaria com apoio de fogo de  metralhadoras, 10 guardas fronteiriços europeus, um grupo de polícia indígena e um numeroso contigente de indígenas autóctones. 
Ilustração Portuguesa, n.º 462, Ano 1914

 O Forte localizava-se a 900 Km de Mossâmedes  e 400 Km de Naulila, sem comunicações telegráficas. 





Nota da autora do blog: 
Durante este período, com o começo da 1ª Guerra Mundial ( 1914 - 1918 ) , Portugal proclamou a sua adesão à aliança com a Inglaterra (7 de Agosto de 1914) e pediu para entrar nas operações militares contra a Alemanha. Em 17 de Setembro partiu uma primeira expedição para reforçar as colónias em África, que lutaram no noroeste de Moçambique, na fronteira com o Tanganica, e no sudoeste de África, na fronteira com a África Sul-ocidental alemã. Recordemos que  «no final de 1914, os alemães invadiram o sul de Angola. A 18 de Dezembro de 1914, em virtude de opções tácticas erradas, Alves Roçadas é derrotado em Naulila pelas tropas alemãs», e ainda que «Em 1914, quando se organizou a primeira expedição a Angola, para defender o sul da colónia, que fazia fronteira com a colónia alemã do Sudoeste Africano, Roçadas foi escolhido para a comandar. O incidente de Naulila, nas margens do Cunene, perto da fronteira entre as duas colónias, incidente entre forças militares portuguesas e alemãs, acontecido em 18 de Outubro, fez com os alemães atacassem o posto isolado de Cuangar, nas margens do Cubango. Alves Roçadas decidiu então, com as poucas forças de que dispunha, atravessar o Cunene e procurar as forças alemãs que tinham entrado no território português. Mas foi derrotado em Naulila, em 18 de Dezembro, e obrigado a atravessar o Cunene e o Caculevar, concentrando-se à volta do Forte Gambos. Devido a esta retirada os povos do Humbe revoltaram-se. Alves Roçadas foi, por isso, chamado a Portugal, embarcando em princípios de Maio de 1915.»
Ver
AQUI
 AQUI
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Coloco algumas fotos encontradas na Net e relacionadas com as campanhas do Sul de Angola:



 Ex-soba do Humbe aprisionado na Fortaleza de Moçâmedes

 Eduardo Costa, o Governador aficcionado de touradas, no decurso da sua passagem por Moçâmedes, relacionada com as Campanhas do Cuamato, assiste a uma tourada em sua honra
 
 O "Salvador Correia" atracado à ponte de Moçâmedes a descarregar material de guerra
Militares na Avenida de Moçâmedes
  Um contingente militar desfila em Moçâmedes, ao fundo da Avenida





HENRIQUE DE PAIVA COUCEIRO, dois anos de Governo (Junho 1907, Junho 1909)
     http://www.fd.unl.pt/Anexos/Investigacao/1741.pdf

Full text of "Sul d'Angola; relatório de um govêrno de distrito (1908-1910)"

http://www.fd.unl.pt/Anexos/Investigacao/1741.pdf

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