Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Colonização de Moçâmedes (Namibe): José Alves Bastos e Amélia Torres Bastos. Manuel Joaquim Torres e de Maria José da Costa Torres


 



                                                                Manuel José Alves Bastos

Manuel José Alves Bastos,
natural de Fermil, distrito de Vila Real (Trás-os-Montes), foi um dos componentes da primeira colónia chegadas a Moçâmedes em 1849, ida de Pernambuco, Brasil, em consequência da perseguições aos portugueses que se negavam em abdicar da sua nacionalidade (revolução praeira/mata-marinheiros/independência do Brasil).  Comerciante e proprietário, estabeleceu-se na região, onde se dedicou ao comércio de marfim e do gado, às actividades agrícola com plantações e também à pesca e à exploração de salinas. Com João Duarte de Almeida, eram os dois homens mais ricos da região, na época. Repousa em jazigo de Família, no cemitério de Moçâmedes.


 


 Amélia Torres Bastos

Manuel José Alves Bastos casou com  Amélia Torres Bastos,  filha de Manuel Joaquim Torres (09-04-1813) e de Maria José da Costa Torres (Açores, S. Miguel, 1827+24.07.1912),  componente, como seus pais da segunda colónia ida do Brasil (Pernambuco) para Moçâmedes, em 1850. Sabemos que faleceu a 12 de Abril de 1896, e seus restos mortais repousam em mausoléu no Cemitério de Moçâmedes (Namibe). 

Seguem alguns dados genealógicos  do ramo Manuel Joaquim Torres encontrados disponíveis na Net. Estes dados não incluem o nome de Amélia Torres como sua filha, porquanto referem apenas que do casamento de Manuel Joaquim Torres (1815-1882) com Maria José da Costa Torres (1827-1912)  nasceu António Florentino Torres (Angola, Moçâmedes, 27-08-1932). Ver GeneallNet


António Florentino Torres casou com Maria Júlia Mendonça. * 21.06.1866. Foram  descendentes:

Da união de  Eduardo de Mendonça Torres Maria Salles Lane, iria derivar um dos ramos desta família pioneira da colonização de Moçâmedes  que ali se manteve até às independência de Angola, em 1975.

Portanto, estes últimos faziam parte de uma 3ª geração já nascida em terras de Angola.











 
Interior de uma da casa a casa da familia Torres , na Rua dos Pescadores, em Moçâmedes.
Deste grupo de sete senhoras, em 1991, três ainda viviam a que está sentada à máquina de costura, e a que está sentada ao piano. (vidé foto e descrição, clicando AQUI). Ano provável: 1885. Do livro Moçâmedes de Mendonça Torres


Os Mendonça Torres foram durante muito tempo uma das famílias melhor situadas, social e materialmente, em Moçâmedes. Aliás,
Manuel Joaquim Torres e de Maria José da Costa Torres já eram pessoas endinheiradas quando partiram do Brasil (Pernambuco) para Moçâmedes.  A foto acima mostra o interior da casa desta familia, na Rua dos Pescadores, cujo interior,  refere quem  a visitou, mantinha as características dos lares da burguesia portuguesa da época, que chamara a sí os modos de ser e de estar da aristocracia, e que se encontram aqui reflectidos quer no mobiliário, quer na indumentária das suas femininas representantes. Ali o visitante, o familiar ou o amigo podiam encontrar objectos decorativos de valor, quadros a óleo, móveis trazidos do Brasil, pratas e cristais cintilantes, não faltando o tradicional piano (instrumento que fazia parte da educação de uma menina prendada), que animava os serões familiares que reuniam à volta de uma grande mesa, jovens casadoiras que coziam  máquina e bordavam ao bastidor), faziam leituras em voz alta, tocavam, cantavam, etc. etc.

Sabe-se  que alguns dos colonos vindos do Brasil, em 1849 e 1950,  trouxeram consigo na bagagem móveis confeccionados com madeiras precisosas que só podiam ser derrubadas se a Coroa portuguesa autorizasse, a fim de impedir fosse contrabandeada por navios espanhóis, franceses e ingleses, madeiras duras, resistentes e de alto valor comercial, a chamada "madeira de lei’" que incluia, o pau-brasil, o jatobá, o peroba, o ipê, o jacarandá, e até o cedro e o mogno, madeiras impermeáveis a fungos e a insectos que podiam sobreviver por centenas de anos na construção de casas, em móveis, instrumentos musicais, etc, etc.



 À esq. a moradia da familia Torres, na Rua dos Pescadores, gaveto com a Rua 4 de Agosto. O Jardim que se vê era ainda na década de 1930 o "Jardim da Colónia"




Esta moradia, um primeiro andar de arquitectura classizante, teria sido um dos primeiros prédios de dois pisos construídos em Moçâmedes (1885?).  Situada  num gaveto que convergia com a Rua dos Pescadores e com a Rua 04 de Agosto, nas traseiras do edifício da Alfândega, ficava próximo do antigo «Jardim da Colónia» (jardim, para o qual esteve projectado um monumento à memória dos fundadores, e que na década de 1940 foi demolido para dar lugar ao Cine Teatro de Moçâmedes).  O rés-do-chão desta moradia, em tempos mais atrás, esteve alugado aos "Armazéns Primavera", que importavam artigos de moda "chic", etc., dos célebres "Armazéns Printemps" de Paris. Na década de 1950/60, o edifício esteve alugado à família Gouveia, passando a funcionar como o "Hotel Central", enquanto os proprietários, se mudaram para uma outra residência que possuiam na fazenda «Nossa Senhora da Conceição», situada na varzea do rio Bero. Mais tarde, no rés-do-chão do mesmo edifício estiveram funcionaram os escritórios da fábrica S.O.S.   Hoje, revertido a favor da Angola independente, o rés do chão do edifício serve de Museu Etnográfico do Namibe, onde repousam os restos do Império.

Já li algures (não recordo onde), o testemunho escrito deixado por um visitante estrangeiro, que se dizia surpreendido, quando em finais do século XIX, no silêncio da noite, ao passar por uma das ruas de Moçâmedes, pôde escutar os sons melodiosos de um piano, e ao mesmo tempo ver, através da janela, uma jovem a tocar e outra a cantar, à luz da lamparina, enquanto outras bordavam, prática muito comum nos serões familiares femininos da época, nas burguesias ocidentais.

Aliás uma das características da educação da mulher  nas classes de maior poder aquisitivo, quer na sociedade portuguesa quer na  brasileira de meados do século XIX, tomando como referência o exame de romances produzidos e divulgados nesse período, era a de que era realizada nas próprias casas, sob a orientação da mãe  e de preceptores, e nos grandes centros urbanos, em colégios  particulares,  e cuja meta tinha como objectivo torná-las atraentes  e dotadas de certas prendas que pudesse atrair o melhor casamento possível, como  saber conversar e comportar-se em público, tocar piano e falar francês, para além da  leitura, escrita, gramática, aritmética, álgebra, geometria, geografia e história.

Como podemos ver pela transcrição que se segue retirada DAQUI , havia na altura  em Moçâmedes (Mossâmedes), uma determinada burguesia que já tinha ao seu dispôr um Colégio  para a educação das suas filhas, onde se ensinava Português, Francês, Inglês, Geografia, História, Desenho, Música, etc., rivalizando com as melhores de Portugal e mesmo da Europa. E como não podia deixar de ser, na educação de uma menina prendada da época, os desenhos e bordado tinham uma importância muito especial... Sabe-se também que uma ou outra familia melhor situada, até se recorria a preceptoras estrangeiras:

"... Para encerrar este capítulo, faremos referência muito especial a uma ilustre senhora católica, de origem irlandesa mas educada na França e cujo nome aportuguesado é Henriqueta Deehan.  Miss Herriet (Herreeth) Deehan tinha maneiras muito distintas. (...) 

"...Era uma professora muito consciente da sua missão, dedicada ao ensino e invulgarmente culta. Viajara por diversos países da Europa, Ásia, África e Oceania. Residira na Inglaterra e na França. Exercera o magistério em Lisboa. Deveria ter-se fixado em Moçâmedes pelo ano de 1880, mantendo-se ali em 1894. Ensinava Português, Francês, Inglês, Geografia, História, Desenho, Música, etc. A sua escola era frequentada pelas jovens do sexo feminino das mais distintas famílias da cidade, mantendo-se ali até bastante tarde, algumas só saíam para casarem... Este colégio, no dizer de um inspector, era a escola que em Angola ministrava mais vasto programa educativo, rivalizando com as melhores de Portugal e mesmo da Europa! Preenchia, por si só, o lugar de muitas mestras, emprestando ao ensino grande seriedade e importância, insistência e intensidade. Os desenhos e bordados das suas educandas poderiam colocar-se a par dos mais perfeitos das exposições escolares realizadas em qualquer país! Embora, em regra, recebesse só meninas, aceitava algumas vezes, por excepção, alguns rapazinhos, mas exclusivamente quando eram irmãos das suas alunas. »(3)

Ainda sobre a mesma Miss Herriet Deehen ou  Henriqueta Deehen, encontramos esta passagem:

«...Vem a propósito dizer que trabalhava nessa altura em Mossâmedes uma senhora muito distinta, que se dizia ser a melhor e mais competente professora de Angola, Henriqueta Deehan, de origem irlandesa mas educada na França. No seu colégio ministrava-se o mais vasto programa educativo de toda a província, podendo comparar-se ao que havia de melhor na Europa. Preenchia só ela o lugar de muitas mestras. Manteve-se na cidade cerca de pelo menos quinze anos e a sua escola era frequentada pelas meninas das melhores famílias. Ali se conservavam até bastante tarde, saindo do colégio apenas quando casavam... » 
Na foto: Almeida, Guiomar Zuzarte de Mendonça, Mª José Torres,...Lima, Teresa Mayo, Laura de Almeida, Elisa de Moura, Maria Julia Teixeira Pinto Zuzarte de Mendonça, Ema Zuzarte de Mendonça, Pinto da França, Henriqueta Torres, Carmen Dias, Branca, Francisco Alexandrino, Manuel Alexandrino, João Torres, Bento Pinto da França (genro do General Honorato José de Mendonça). Foto gentilmente cedida por Vitor Torres. Proibida publicação para outros fins sem autorização do próprio.


Conforme dados colhidos em GeneallNet, em 1895, quando o velho governador de Moçâmedes, Honorato Zuzarte de Mendonça faleceu, e foi substituido por João de Mascarenhas Gaivão, que trouxe António da França consigo como ajudante de campo, este ali casou com M. Clara de Oliveira Teixeira Pinto Zuzarte de Mendonça em 1897.

"As virgens de Moçâmedes cantavam e contavam os meses que separavam a passagem das fragatas inglesas que levavam uma nova guarnição para a ilha de Santa Helena. Havia sempre baile no Palácio. Ficavam sempre no ar vagos amores, esboçados ao de leve e todavia tão vividos e tão sofridos" (APF)

"Era suave, loiro de olhos verdes, parecia um dos oficiais ingleses da ilha de Santa Helena que costumavam passar por Moçâmedes. Logo conheceu a minha Avó (M. Clara), enamoraram-se para toda a vida, Casaram na igreja de Santo Adrião e no Palacio lhes nasceu o primeiro filho, Bento, antes de regressarem a Portugal"(APF).

Foram estes usos e costumes burgueses "aristocratizados" *, que foram passando para as gerações seguintes já nascidas em Mossâmedes, que explicam algumas referências a este respeito na obra de António A. M. Cristão, «Memórias de Angra-do-Negro Moçâmedes», no cap. II.4-EDUCAÇÂO, pg.221 :

«A psicologia de vida alegre e atraente da população deve-se, por altura de 1920, em parte, senão muito, à elite da época, constituida por um interessante elenco de Senhoras já dali naturais, que no exterior, e, especialmente em Londres, concluiram umas o curso de alta-costura, outras o do conservatório de música e dança, formação que, então, passaram a ministrar às jovens dali naturais. A beleza e o fino porte destas jovens encantavam todos aqueles com elas conviviam. Este facto, podia, até há bem pouco tempo, ser atestado pela Senhora Celeste Kressmann Rosa, descendente do Capitão José da Rosa Alcobaça, recentemente falecida com cerca de 100 anos. Várias destas senhoras uniram-se a ilustres figuras de Moçâmedes.» Neste livro, entre outros, são destacados nomes, como: Maria Sales Lane, casada com Eduardo de Mendonça Torres, economista; Ema Zuzarte Mendonça, solteira, diplomada com o curso do Conservatório de Música de Lisboa, que em Moçâmedes até à década de 50 foi professora particular de Música, Francisca Reis, casada com o Dr. Luiz Bobela da Mota, juiz da comarca; Judith Reis, casada com José Manuel da Costa, Governador Civil de Moçâmedes; Alice Reis, casada com Rogério Morgado, proprietário e filho de emigrante da 2ª colónia, Constantina Reis, casada com Júlio Rogado Leitão, importante comerciante na terra, etc, etc..

Isso talvez explique que Moçâmedes durante bastante tempo primasse pelas suas femininas representantes sempre prontas a aprender as boas regras de etiqueta, a bem receber, vestir, etc. De facto ainda em meados da década de 50, era facilmente detectável nas jovens raparigas da terra a preocupação das mães na sua educação, ainda que não pertencessem a uma classe elevada, ainda que não fossem descendentes dos antigos colonos fundadores vindos do Brasil em 1849 e em 1850, mas sim de gente que também começou a fixar-se em Moçâmedes a partir dos anos 1860, vindas so Algarve, ou mais propriamente, de Olhão. Eram mães que se dedicavam inteiramente ao lar e à família, e que, por mecanismos de imitação social, aprenderam a cultivar algumas dessas qualidades que transmitiam às suas filhas através das gerações. A partir de finais da década de 50, e mais decisivamente a partir dos anos 60, as raparigas já não tinham tempo para o cultivo dessas «prendas domésticas» que faziam as delícias dos seus admiradores... Com a entrada da mulher no mundo do trabalho, uma consequência da industrialização e do progersso, abriam-se outras perspectivas para as suas vidas...

 Região do Caraculo. Sitio do Rancho Montemor. Km 58. Foto gentilmente cedida por Vitor Torres. Proibida publicação para outros fins sem autorização do próprio.
 Maria Eduarda, Beatroz Radich e Maria Antonieta. Foto gentilmente cedida por Vitor Torres. Proibida publicação para outros fins sem autorização do próprio. 



Acrescenta-se ainda que o culto da arte de bem receber da família Torres foi sendo transmitido de geração em geração, e que em 1932, quando da visita a Moçâmedes do Presidente Óscar Fragoso Carmona à cidade foi servido um almoço na residência de Eduardo Mendonça Torres e de sua esposa, Maria Sales Lane, na Fazenda «Nossa Senhora da Conceição», na zona do rio Bero, e que decorreu conforme se pode ler no Boletim da Agência Geral das Colónias : vol xiv : nº 162, pgs. 328 a 330:
 


«...Na residência, o Sr. Eduardo Mendonça Torres, sua esposa, Maria Sales Lane Torres, suas gentis filhas, Maria Antónia e Maria Eduarda e demais família, recebiam com extremos de gentileza. O almoço decorreu num ambiente encantador de respeitosa deferência para com o ilustre visitante, Sr. General Óscar Carmona, a quem acompanharam os Srs. Dr. Francisco Vieira Machado, coronel Lopes Mateus, capitão Ferreira de Carvalho e demais pessoas da comitiva. 
A ementa fora «composta» sobre lindos cartões com fotografias de diversos aspectos da Fazenda e que constituíram uma interessante recordação do encantador local, daquela deliciosa festa íntima. O Sr. Eduardo de Mendonça Torres, agradecendo a subida honra que lhe dera o Sr. General Óscar Carmona visitando a Fazenda, disse:(vidé discurso pg, do mesmo Boletim) .

Por sua vez o Presidente da República erguendo-se, afirmou os seus melhores agradecimentos pelas atenções de que fora alvo, e referindo-se ao que na propriedade acabava de ver, disse todo o seu contentamento de português. Depois condecorou o Sr. Eduardo Mendonça Torres com a Ordem de Mérito Agrícola.
Quanto à impressão que causou aos visitantes a Fazenda desta família, fala por si a pena de um dos jornalistas que nessa altura a visitaram:
«Os terrenos, como todos os do vale daquele rio, são férteis, mas ali encontra-se a inteligência e mão do homem a orientar e trabalhar. A visita deixa uma magnifica impressão, pois ali mostram-se em interessante companhia as árvores de frutos tropicais e as que se dão na metrópole. Os talhões de cultura, de alinhamento impecável estão todos aproveitados. A água, que um grande engenho a vapor tira do sub-solo corre, abundante, pelas valas. As ruas, limitadas por filas de árvores de alto porte, são enormes, rectilíneas, circulando à vontade, por entre elas, os automóveis. O jardim, bem tratado, com lindas flores; as dependências, os estábulos de gado de raça, tudo, enfim, que constitui os elementos de uma fazenda agrícola, ali se encontra bem delineado, bem tratado, numa amplitude e num conjunto que prende e encanta.» (vidé mesmo Boletim)

No decurso dessa visita, Eduardo Mendonça Torres acompanhou o Presidente da República na tradicional caçada no deserto de Mossâmedes, onde, no Pico do Azevedo foi servido o pequeno almoço e no local onde faleceu o Dr. Luiz Carriço, - Os morros Paralelos – foi prestada homenagem à memória do professor e naturalista, tendo-se seguido a caçada propriamente dita, com o abate de várias gazelas e guelengues, enquanto operadores cinematográficos filmavam. Ao almoço o General Carmona ergueu um brinde a Eduardo Mendonça Torres, felicitando-o pelo «belo tiro certeiro».(vidé o mesmo Boletim)
Outra figura de destaque desta família foi o Dr. Manuel Júlio de Mendonça Torres, cuja obra “O Distrito de Moçâmedes”, de sua autoria (edição da Agência-Geral do Ultramar, Lisboa, 1974 (reprodução fac-similada da edição de 1950), são dois volumes considerados o melhor e mais completo estudo sobre a história do Distrito de Moçâmedes, hoje Namibe. Manuel Júlio de Mendonça Torres, sabe-se também, foi um ardente apóstolo da causa que levou à inauguração da solene da «Escola Primária Superior Barão de Mossãmedes» (in “O Mossamedense”, (vidé nº. 46, de 31.05.1925 - 4ª. Série Director: Alberto Trindade-Editor: Joaquim Augusto Monteiro). Foi professor de Português e História nessa «famosa» Escola que ficava situada nuns prédios voltados para Avenida da República, paralela ao mar, e que preenchia toda a Rua transversal até à Rua dos Pescadores, onde leccionou desde princípios dos anos 20 até princípios dos anos 40(?), quando resolveu fixar-se em Lisboa, onde passou a escrever para os jornais e revistas oficiais, e se dedicou a escrever os dois volumes do seu belo livro sobre a História da nossa Terra (*). E onde veio a falecer nos anos 50.


Rui Duarte de Mendonça Torres foi o último gestor dos negócios e bens desta família, nas áreas da indústria pesca e agropecuária .

As «Hortas» da família Torres, junto do terrenos férteis do Rio Bero, eram verdadeiro Oásis em pleno deserto do Namibe, e estavam abertas à visita de todos os moçamedenses que a quisessem visitar. Ali junto ao bonito «challet», onde se estendiam longas fileiras de mesas, à sombra amena de frondosas árvores de frutos tropicais e mediterrânicos: mangueiras, tangerineiras, laranjeiras, nespereiras, goiabeiras, videiras (em latadas), etc., etc., faziam-se piqueniques que ajudavam a preencher, agradavelmente, os fins de semana de muitas famílias, numa terra onde a luta pela vida era o pão nosso de cada dia. Nas «Hortas» da família Mendonça Torres sequer faltava um mini-zoo com vários animais do deserto, cabrinhas de leque, zebras, guelengues, etc., que faziam o encanto de adultos e crianças, sem esquecer o grande tanque cheio de água (bebedouro dos animais) que servia de piscina onde os mais novos se iam banhar. Alí não havia restrições, e as crianças podiam correr, saltar, brincar, trepar às àrvores à vontade, colher frutos, comê-los, e, na hora do regresso a casa, as famílias sempre podiam contar com a graciosa oferta de saborosos frutos.
Tenho notícias que já não existe o referido "chalet" e que até o portão da entrada, obra do século XIX com a data gravada,  foi arrancado dali retirado não se sabe para onde.
A exploração pecuária desta família situava-se na zona semi-desértica do Caraculo onde possuía uma casa de tipo colonial situada no topo de um enorme rochedo granítico.

Pesquisa e texto de MariaNJardim

 
Fotogravuras extraidas do livro «O distrito de Moçâmedes» da autoria do Dr. Manuel Julio de Mandonça Torres. 
Alguma bibliografia consultada:

-«O Distrito de Moçâmedes» da autoria do Dr. Manuel Júlio de Mendonça Torres»
-“O Mossamedense”,  nº. 46, de 31.05.1925 - 4ª. Série Director: Alberto Trindade-Editor: Joaq
uim Augusto Monteiro
- Boletim
da Agência Geral das Colónias : vol xiv : nº 162, pgs. 328 a 330
-GeneallNet


Clicar AQUI para ver: Lista dos 1ºs. colonos chegados a Moçâmedes, provenientes de Pernambuco (Brasil).
HORTAS DE MOÇÂMEDES

Sem comentários:

Enviar um comentário