Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












sexta-feira, 5 de outubro de 2012

MOÇÂMEDES (NAMIBE) E A SUA HISTÓRIA





MOÇÂMEDES (NAMIBE) E A SUA HISTÓRIA:
ORIGEM DO TOPONIMO MOÇÃMEDES


Não está bem esclarecida a origem do topónimo Moçâmedes, mas estudiosos a quem o assunto mereceu atenção, convergem na sua raiz árabe. Há quem opine que Mussamedes poderá derivar de "Muça-Medina" (cidade de Muça), facilmente convertível em Muçâmedes. Muçamudes eram, também, os habitantes de Muçaun. Outros defendem que Moçâmedes é o plural de "Masmuda", nome arabizado duma das muitas tribos que por lá passaram e habitaram. 

in WIKIPEDIA:Barão de Mossâmedes (ou barão de Moçâmedes) foi um título criado por carta de 13 de Agosto de 1779, da rainha D. Maria I, a favor de José de Almeida e Vasconcelos, um militar e governador-geral de Angola. O título deriva do Reguendo de Mossâmedes (na Beira), propriedade concedida aos seus antepassados em 1388. A cidade de Moçâmedes, actual Namibe, foi assim baptizada em homenagem ao 1.º barão, então governador-geral de Angola.

                                                             

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"...O nome primitivamente dado à região onde se ergue hoje a airosa e progressiva cidade de Moçâmedes foi o de Angra do Negro; as primeiras referências certas que dela se conhecem remontam ao tempo  do governador- geral Francisco de Souto Maior, que, vindo do Brasil para Angola, em 1645, ali aproou para fazer aguada e comprar mantimentos.

Tornou-se historicamente famosa a expedição que Gregório José Mendes e Luís  Cândido Pinheiro Furtado fizeram em 1785, explorando a Angra do Negro, que passou a designar-se por Baía de Moçâmedes, em homenagem ao  governador-geral de Angola, desse tempo, José de Almeida e Vasconcelos, Barão de Moçâmedes. A povoação que lhe emprestou o seu nome é uma  pequena aldeia do concelho de Vouzela, no distrito de Viseu.

Gregório José Mendes era rico comerciante e sargento-mor das ordenanças, tendo  tomado sobre si o encargo material da expedição. Isso nos leva a pensar que tenha havido também interesses mercantis a motivá-la, que não fosse  apenas o amor pátrio e o apreço pela ciência a mover a máquina e a
imprimir-lhe o impulso... Pinheiro Furtado, por sua vez, era distinto  engenheiro e oficial das forçasarmadas; navegava na fragata “Luanda”,  pilotada por Manuel José da Silveira. A expedição de Gregório José Mendes seguia por terra e a de Pinheiro Furtado por mar. Logo à chegada, tiveram notícias de que alguns portugueses, e entre eles o tenente de  artilharia, José de Sousa Sepúlveda, e o cirurgião Francisco Bernardes  tinham sido mortos pelo gentio, devido a terem-se internado no sertão,
praticando violências.

O local onde se situa a “cidade do mar e  do deserto” foi pouco depois abandonado. Retomaram-se mais tarde as  posições e fundou-se o presídio, por volta de 1840. Cinco anos mais  adiante, em 1845, estabeleceu-se aqui uma colónia de brasileiros. Com  efeito, em 1838, Sá da Bandeira ordenara que a região fosse efectiva e  definitivamente ocupada; no ano seguinte, organizou-se a expedição de
Pedro Alexandrino da Cunha e João Francisco Garcia, que repetiram de  perto a proeza de Gregório José Mendes e Luís Cândido Pinheiro Furtado.  Foram eles que fundaram a feitoria. A expedição foi apoiada também por  abastados comerciantes, cujos nomes são conhecidos.

A fortaleza edificada neste local recebeu o nome de S. Fernando, em homenagem ao reide Portugal; trata-se de D. Fernando II, marido da rainha D. Maria II. A igreja paroquial, por sua vez, foi dedicada a Santo Adrião, em preito  de reconhecimento ao governador-geral de Angola, Adrião Acácio da
Silveira Pinto.

 A 4 de Agosto de 1849, os colonos brasileiros, chefiados por Bernardino Freire de Figueiredo Abreu, desembarcaram no porto desta localidade; tinham feito a viagem a bordo da barca ou nau  “Tentativa Feliz”, que fora escoltada pelo brigue “Douro”. Um ano  depois, em 26 de Novembro de 1850, desembarcava novo contingente de  colonos, que viajou na “Bracarense”, comboiada pela mesma unidade de guerra que acompanhara a primeira expedição.

O visconde Sá da Bandeira  elevou a nova povoação à categoria de vila, poucos anos após a sua  fundação, no ano de 1855; a sua elevação a cidade efectuou-se em 1907, para comemorar a visita do príncipe real D. Luís Filipe.

Moçâmedes foi escolhida para local de cura e de repouso, sobretudo para o  funcionalismo público. A junta de saúde enviava para ali os doentes que  careciam de mudança de ares e estada em climas saudáveis. Fundou-se um  hospício em 1856; algumas dezenas de anos mais tarde, em 1885, era  estabelecido o Sanitarium, de que se esperava frutos abundantes na  recuperação da saúde daqueles que a longa permanência em Angola tinha depauperado.

Poderá dizer-se que um dos primeiros cronistas da Moçâmedes foi J. F. Pederneira. Poderemos admitir a hipótese de se  tratar de João Feliciano Pederneira, professor do ensino primário, com notas biográficas neste trabalho. Contudo, não nos atrevemos a sustentar que o seja, apenas admitimos tal probabilidade.

As referências à sua escola primária vem de 1849, sendo o seu primeiro mestre José  Inácio dos Reis. Encontramos a exercer funções de magistério, em Moçâmedes, nas aulas dos dois sexos, mais de quatro dezenas de agentes  de ensino. As respectivas notas biográficas são das mais interessantes
que podemos registar.

Transcrição do Extracto
do Livro ”Primeiras Letras em Angola” - Edição da Câmara Municipal de
Luanda - 1973, de Martins dos Santos - Pag.s 74 e 75


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O topónimo Mossâmedes, depois Moçâmedes...


Tudo começou quando, em 1785, em consequência de um bombardeamento do forte do Molembo (Cabinda) por uma frota francesa, numa pausa nas operações contra a marinha britânica, o Capitão-general de Angola, receoso de que os Franceses planeassem apoderar-se da rota atlântica do Brasil (que, sob os ventos predominantes, trazia os veleiros directamente à Angra do Cabo Negro, assim chamada por Diogo Cão), dá ao major de engenharia, Luis Cândido Cordeiro Pinheiro Furtado o comando de uma expedição, por mar e terra, à estratégica Angra, onde tinha por objectivo fundar um Presídio. Em Benguela, o major, que à falta de outros apoios, beneficiou do apoio do abastado comerciante e sertanejo da vila, Gregório José Mendes, levou com este a bom termo uma das expedições mais interessantes da história ultramarina portuguesa: Furtado por mar, a remos, em grande parte do reconhecimento pormenorizado da costa, e Mendes a pé, com cerca de mil empregados seus, através das terras áridas a norte do deserto do Namibe. Reúnem-se os dois comandantes a 03.08 na Angra, que Furtado crisma com o nome de Mossâmedes, em homenagem ao governador, D. José de Almeida e Vasconcelos Soveral de Carvalho da Maia Soares de Albergaria,
11º. senhor da terra e celeiro de Moçâmedes, póvoa beirã no concelho de Vouzela, designado, Barão de Moçâmedes, título criado por carta de 13 de Agosto de 1779, da rainha D. Maria I, que deriva do Reguendo de Mossâmedes (na Beira), propriedade concedida aos seus antepassados em 1388. A cidade de Moçâmedes, que com a independência tomou o nome de cidade do Namibe, foi assim baptizada em homenagem ao 1.º barão, então governador-geral de Angola.

Pinheiro Furtado quis fixar em terras de Angola os títulos de nobreza do seu governador, levantando cartas topográficas onde escreveu os nomes de Baía de Moçâmedes no lugar anteriormente mencionado como Angra do Negro. O topónimo Mossâmedes, de origem árabe e de significado obscuro, ficaria ligado para sempre a uma terra de África.

Entretanto décadas se passaram sem que tivesse eco a nível de governo central este grande anseio do Barão de Moçâmedes para fixação de povoadores portugueses a sul de Benguela. A corrente migratória continuou a processar-se na direcção do Brasil, independente em 1822.

Em 1838, que o ministro Sá Nogueira, então na pasta da Marinha e Ultramar, nomeia o almirante António de Noronha, Governador geral, em cujo posto se mantém cerca de um ano, que dá o primeiro passo da nova política ultramarina com a restauração do antigo presídio de Caconda, mostrando a soberania europeia a sul de 13º latitude sul (desde a seca de 1829 que os hotentotes Orlam entravam a cavalo pela Huíla em busca de gado), e iniciando o projecto anti-esclavagista imaginado pelo ex-primeiro ministro.

Em 1839, o tenente da Armada Pedro Alexandrino da Cunha é escolhido para vigiar os navios de tráfico negreiro, entre Molembo e Luanda. Sá Nogueira autoriza uma expedição do tenente ao sul de Benguela, nos moldes da de Furtado e Mendes em 1785. Por terra, de Benguela a Quilengues – a antiga Caconda – e de aqui à Huila e ao Jau, marcha o comandante daquele presídio, o tenente de artilharia José Francisco Garcia. Pedro Alexandrino, já como capitão-tenente, comanda a corveta Isabel Maria, acompanhando-o o comerciante António Joaquim Guimarães, encarregado de escolher um ponto para estabelecer indústrias de charqueação e curtumes no porto de Moçâmedes, com promessa de ajuda do governo. De caminho, Cunha dá o nome do governador geral à ponta sul da baía de Moçâmedes, a "Ponta do Noronha".

Foi com receio de que outras potências coloniais tomassem tal iniciativa, que, entretanto se funda o presídio na Ponta Negra (Fortaleza S. Fernando), construído entre 1840 e 1845, dando-se um primeiro passo no sentido do povoamento da região, sendo para o efeito destacado para a ali uma força militar, com o objectivo garantir a segurança de povoadores e de seus bens. Fundam-se também 7 feitorias, cuja pesca era exercida por escravos, uma delas, pertencente ao olhanense Cardoso Guimarães, que introduziu no sul de Angola, em 1843, a técnica da produção do peixe seco que deu origem ao comércio de cabotagem em toda a costa de Angola, S. Tomé e Príncipe e Congo, que os olhanenses mais tarde promoveram.

Mais tarde Mossâmedes passou a designar-se Moçâmedes


2016! 

40 anos após a independência de Angola,  a cidade de Moçâmedes que passara a denominar-se cidade do Namibe, passou de novo a chamar-se Moçâmedes!

1 comentário:

  1. Depois de muito "combate", conseguimos repor "a verdade histórica"; a Princesa do Namibe voltou a ser MOÇÃMEDES!

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