Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












sábado, 3 de agosto de 2013

Manuel Júlio de Mendonça Torres: SOBRE A POLÉMICA DATA DA FUNDAÇÃO DE MOÇÂMEDES







Sobre a data da fundação de Moçâmedes


As datas da fundação de Moçâmedes, da fundação do Presídio, e data da chegada a Moçâmedes dos primeiros colonos vindos de Pernambuco, Brasil,  são temas que geraram e continuam a gerar uma certa polémica, que iremos aqui abordar. 

No seu livro “O Distrito de Moçâmedes na Fase da sua Origem e Primeira Organização: 1485-1859”, Manuel Júlio de Mendonça Torres procura esclarecer dúvidas por vezes levantadas sobre a data da fundação de Moçâmedes, actual Namibe, que, entendem uns, ter sido fundada em 1840, opinam outros, em 1849.

Defende Mendonça Torres que 1840 é a data da fundação do Presídio, com o início do povoamento, pela montagem de feitorias, casas comerciais de movimento incerto, que não poderiam por isso manter-se, a despeito das confiantes diligências dos seus empreendedores. 

A primeira feitoria pertencente a António Guimarães Junior e a Jacome Filipe Torres, montada em 1840, foi pouco depois roubada e destruída pelo gentio conforme, descreve Brito Aranha in “Memórias Históricas Estatísticas”, pg 236; e lê-se nos Annaes Municipais de Moçâmedes, com a data de 31 de Dezembro de 1856, que nesta data só existia uma única feitoria, a de Fernando Cardoso Guimarães, não havendo conhecimento de ter sido montada uma só, após 1845. 

Para Mendonça Torres, para a valorização económica do distrito, as feitorias representavam apenas escassas tentativas que viriam por fim a malograr-se, não obstante as actividades exercidas e as exportações efectuadas. Instaladas em reduzido número, e trabalho em precárias condições, não podiam contribuir para o enriquecimento do Presídio. Uma a uma, como era de prever, foram desaparecendo apesar da luta vã dos seus empreendedores.

1949 é para Mendonça Torres, a data da fundação do Distrito, com o início da colonização propriamente dita, que teve lugar após a chegada a Moçâmedes do primeiro grupo de emigrantes portugueses de Pernambuco, cujos componentes, tal como os do segundo, conseguiram a utilização vantajosa dos recursos naturais, e tornaram possível, pelo número e pelas condições, a organização regular do aglomerado populacional que formaram. Foram eles, incontestavelmente, os fundadores do Distrito. Acrescenta que "na fase primeira da organização os colonos lutam, patrocinados embora pelo Estado, sem cooperação vantajosa apreciável. Aos êxitos alcançados aos fim dos dez primeiros anos se deve quase exclusivamente ao admirável e preservante esforço da sua enérgica vontade. Cabe-lhes a indiscutível glória não só de terem erguido no Distrito a primeira povoação, como terem nele terem iniciado, com necessária eficácia, a exploração agrícola, a labutação piscatória, o movimento comercial e o exercício de várias outras secções de trabalho. Só a partir de 1860 os colonos de Pernambuco tiveram na faina marítima, como activos cooperantes, colonos algarvios que lhes prestaram concurso digno de apreço para o progresso piscatório distrital. Os primeiros colonos algarvios  a Moçâmedes em 1860, de onde passaram a Porto Alexandre e daí à Baía dos Tigres."



                                                               

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