Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












domingo, 8 de dezembro de 2013

Poveiros na colonização de Porto Alexandre (actual Tombwa)

                                                                                          


Colonos da Póvoa de Varzim (poveiros). Anos 1920.


 “No cais, lá estavam os escaleres dos poveiros, com um pouco de água a estremecer no fundo e encharcadinhos de sol.” - in CASTRO, Ferreira de. A Selva, Livraria Editora Guimarães & Cª , Lisboa, 1957 (18ª edição), p. 75

  


Uma dessas primeiras catraias poveiras que chegaram a Angola a partir de 1921 era assim.



«Catraia» foi a embarcaçäo introduzida em Porto Alexandre pelos poveiros, tendo em média trinta palmos de comprimento, proa  muito inclinada para ré e a popa fechada, tendo, junto desta, uma pequena tolda para arrumações. Aparece com uma única vela, um grande pendäo içado em mastro com grande caimento para ré, ao contrário de todas as outras, tendo ainda disposiçäo para aumentar esse caimento



E eles, inconformados  partiram um dia, em busca de uma vida melhor que
 a pátria-mãe lhes negava... Não tiveram vida fácil,
 "comeram o pão que o diabo amassou" e mesmo assim ficaram...



Colonos da Póvoa de Varzim (poveiros) em Porto Alexandre (Angola)




Como tantos outros emigrantes que por esse mundo fora atravessaram o mar em busca de uma vida melhor, também os POVEIROS partiram um dia, rumo a Moçâmedes, nas primeiras décadas do século XX, fixando-se em seguida em Porto-Alexandre (Tombwa), onde encontraram enraizada uma comunidade de algarvios que ali tinham começado a chegar desde 1861, em caíques, palhabotes e lanchas à vela, e várias famílias descendentes dos pioneiros da fundação, vindos de Pernambuco, Brasil, nos anos 1849 e 1850. Encontraram também descendentes de algumas familias de madeirenes, de início destinadas à colonização das terras altas da Huíla, que preferiram ali ficar, para além de gente vinda de outros pontos da Metrópole, mas em número pouco expressivo.



 Foi em 1921 que estes poveiros, de Ferreira de Castro, arribariam a Porto Alexandre , actual Tombwa:

“A ida dos pescadores da Póvoa de Varzim para Angola e Moçambique está relacionada com a emigração dos poveiros para o Brasil. Em 1920 as autoridades brasileiras determinaram que os pescadores estrangeiros só poderiam continuar a actuar nas águas do Brasil desde que: se naturalizassem brasileiros até 12 de Outubro do referido ano; nacionalizassem as suas embarcações; organizassem “companhas” de modo que dois terços da tripulação de cada barco fosse brasileira.
Os pescadores da Póvoa de Varzim obedeceram às duas últimas condições arvorando nos seus barcos a bandeira do Brasil e pedindo, através de editais, a colaboração de tripulantes brasileiros. Mas como, na sua quase totalidade, se escusaram à naturalização, tiveram de regressar à Póvoa, em número de cerca de mil. Em 30 de Outubro de 1920 chegou a Lisboa o primeiro contingente de 250 pescadores, seguindo-se-lhes outro grupo, de 302, desembarcados em Leixões em 5 de Novembro…
Embora com os marítimos da Póvoa de Varzim tivessem regressado do Brasil - e pelos mesmos motivos - pescadores de outros lugares da nossa costa, o conjunto poveiro sobrelevou, em amplíssima escala, os pequenos contingentes dos restantes centros. Daí o facto de na Póvoa de Varzim se virem a sentir de um modo mais dramático os problemas sociais e económicos derivados do retorno de tão grande massa de indivíduos, para cuja utilização nada estava preparado. Extintos os ecos da recepção calorosa e romântica, cedo se verificou que uma crua miséria enlaçara bastantes dos que haviam voltado, e ameaçava muitos mais, tornando-se urgente a tomada de medidas que evitassem tamanha e injusta desgraça…

 



Recebidos na Póvoa de Varzim com uma clamorosa e romântica recepção, fruto da onda patriótica que então se levantou alimentada pela imprensa periódica, cedo se verificou, de um modo dramático, os problemas sociais e económicos derivados do retorno de tão grande massa de indivíduos, para cuja integração ninguém estava preparado. Uma crua miséria enlaçara muitos dos que haviam voltado, e ameaçava muitos mais. Tornara-se urgente uma tomada de medidas que evitassem  tamanha e injusta desgraça. Foi então que surgiu o projecto de Norton de Matos a ideia de assentar no litoral do sul de Angola as bases de uma indústria piscatória voltada para o futuro, e instalar uma colónia de poveiros em Porto Alexandre, onde, segundo o Alto Comissário, o clima era mais favorável e a fixação mais fácil aos europeus, que no norte do território, facilitando a solução de todos os pormenores decorrentes da sua proposta.

 
“Em 24 de Fevereiro de 1921, no paquete “África”, partiam de Lisboa para Porto Alexandre 62 dos pescadores poveiros regressados do Brasil, que chegaram ao seu destino em 14 de Março; à frente tinham sido enviados os seus barcos e aprestos, que às praias africanas levavam, pela primeira vez, elementos típicos do areal e da enseada da Póvoa. Entretanto o General Norton de Matos mandara construir em Porto Alexandre um bairro destinado às famílias dos pescadores poveiros, a fim de as atrair e fixar ao solo de Angola.” 

 in GONÇALVES, Flávio. Os pescadores poveiros em Angola e Moçambique , Póvoa de Varzim Boletim Cultural, volume VI nº 2, C.M. da Póvoa de Varzim, 1967. pp. 286/288






Importa contudo salientar o papel do deputado Santos Graça, que, pesaroso ante situação, e defensor entusiástico deste projecto, várias vezes se deslocou a Lisboa para conferenciar com Norton de Matos, tendo contribuído para atenuar as dificuldades, ao afiançar junto do Alto Comissário, preocupado com a inexistência de redes, barcos e aprestos necessários, que os poveiros tinham de tudo, fazendo desse modo acelerar o processo. Foi então que por ordem telegráfica de Norton de Matos foram construídos em Porto Alexandre um barracão para salga de peixe, colocação de redes, velas e aprestos, destinados ao início da indústria pesqueira, e ainda três barracões-caserna para os pescadores poveiros e suas famílias dormirem e descansarem, provisoriamente, até que fosse construído o conjunto de habitações prometidas pelo General, um bairro destinado às famílias dos pescadores poveiros, a fim de as atrair e fixar ao solo de Angola . 


O Estado forneceu-lhes passagens gratuitas e o transporte dos 3 barcos de pesca devidamente apetrechados, além de redes, linhas e ainda camas, mobiliário indispensável, utensilios de cozinha, bagagem , etc,  enquanto aos pescadores caberia pagar uma renda mensal, entre 3 e 15% sobre o valor do pescado, para amortização do custo das barracas e casas que ficariam propriedade sua. A cada família de pescadores, Norton de Matos fazia questão que fosse fornecida uma quantia no valor de 30 contos para que não desembarcassem como pedintes, e que esta quantia lhes fosse apresentada à chegada. Os pescadores receberiam também, à chegada, lenha e sal para as primeiras impressões, e o Governo compraria todo o pescado preparado para exportação.

E assim ..." Em 24 de Fevereiro de 1921, no paquete África, partiam de Lisboa para Porto Alexandre 62 dos pescadores poveiros regressados do Brasil, que chegaram ao seu destino em 14 de Março do mesmo ano. À frente tinham sido enviados os seus barcos e aprestos, que às praias africanas levavam, pela primeira vez, elementos típicos do areal e enseada da Póvoa de Varzim. (1). Ficaram alojados nas instalações da Companhia do Sul de Angola, fundada em 31 de Dezembro de 1919.


À sua chegada a Porto Alexandre, a comunidade foi bem recebida, a pesca teve início, como teve inicio a construção das prometidas habitações, não faltando porém criticas à boa qualidade das mesmas. São estas habitações, simples mas bem construídas que recordam hoje uma página da História escrita há quase 90 anos.



“Um dos pescadores poveiros idos para Porto Alexandre, Manuel Francisco Trocado , dizia em carta dos finais de 1921: “Acrescentarei ainda que o sistema de pesca que adoptamos é muito fácil: fizemos uma sacada, como uma nassa, que nos importou em 2 contos. Lança-se ao mar, seguras as extremidades por 2 barcos, e em um, ou, no máximo em dous lanços, carregamos o barco de peixe”. – in “O Comércio da Póvoa de Varzim”, 11/10/1921


Regressados do Brasil para a sua Póvoa, estavam agora entre dunas douradas pelo sol escaldante do Namibe, no local onde Diogo Cão encontrou, na sua 2ª viagem à costa africana, uma interessante baía à qual deu o nome de Angra das Areias. Muito próximo ficava outro histórico local, ao qual chamou Cabo Negro, onde o navegador português ergueu o seu 3º  padrão, na ponta mais alta de um rochedo escuro envelhecido e calcinado pelo tempo, que ficou a marcar aquelas terras para a Corôa de Portugal, em 18 de Janeiro de 1485, abrindo assim o caminho marítimo até à parte meridional do Continente Africano. Dois anos após também Bartolomeu Dias esteve na Angra das Aldeias e dali partiu para a viagem gloriosa que o levou a dobrar o Cabo da Boa Esperança, em 1488.

No ano de 1922, a 22 de Novembro chegou uma 2ª colónia de poveiros composta 35 pessoas, homens , mulheres e crianças, que encontrou já em construção o chamado Bairro Poveiro onde lhes foram distribuídas, mais tarde, habitações. A 1ª colónia de pescadores poveiros não teve sucesso por terem vindo apenas homens. Em 1923 restavam na vila apenas cinco, que passaram a industriais de pesca.

Sobre os Poveiros, acrescento ainda parte de um apontamento histórico, retirado da Revista Ciências, Universidade Técnica de Lisboa, "Pescas em Portugal: Ultramar" de António Martins Mendes:

Estava-se em 1931, quando foi publicado o seu primeiro relatório de serviço (Carneiro, 1931). Nesse trabalho começa por evocar o ano de 1921, quando no Brasil uma lei idêntica à que dera origem à primeira colonização de Moçâmedes voltou a ser publicada. exigindo que os pescadores portugueses, que exerciam a sua actividade nas águas do Brasil adoptassem a  nacionalidade brasileira. Carlos Carneiro escreve que:  “Em massa repudiam tal violência e regressam ao seu país”. Essa lei acabou por ser revogada e o Brasil voltou a permitir a entrada de todos os pescadores poveiros que em águas brasileiras quisessem pescar. Era então Alto-Comissário em Angola o General Norton de Matos que logo determinou que todos os repatriados que quisessem poderiam organizar-se em colónia piscatória na baía de “Porto Alexandre”. Imediatamente começaram as construções de habitações e de instalações modelares para a preparação do peixe. Os poveiros encontraram bom acolhimento mas a demissão de Norton levou ao abandono da colónia, ainda em implantação e acolhimento. Alguns desses poveiros voltaram para as suas terras de origem ou deslocaram-se para outros pontos de Angola e Carlos Carneiro conclui: “Não fracassou esta tentativa de colonização porque muitos desses poveiros estão trabalhando em Angola, por sua  conta ou ao serviço das indústrias de pesca e são, sem receio de confronto, os melhores que no sul se encontram. Ficou também de pé o elegante bairro poveiro que embeleza a mansa baía de Porto Alexandre e que constitui um dos muitos padrões de glórias do governo, formidavelmente grandioso do Excelentíssimo General Norton de Matos”










Vista aérea de Porto Alexandre, actual Tombwa. Ao fundo, a barreira ao ventos formada por filas as casuarinas; à esq. a
lgumas casas de habitação; à dt. as pescarias a perder de vista

 
 Foto de Marian Jardim.

O SISTEMA DE CONSTRUÇÃO DE CASAS EM PORTO ALEXANDRE 
In "Portugal em Africa: revista scientifica, Volume 5". 1898

"...Durante o pouco tempo que demorei em Porto Alexandre, estudei o systema de construcção das casas, assumpto importante, que me escapára, quando fiz o estudo d'esta localidade.

Não ha casas mais simples e baratas do que as de Porto Alexandre, conforme o processo adoptado pelos pescadores e estas casas são regulares, leves, commodas e resistentes, tanto quanto o exigem as condições meteorologicas da costa. Os materiaes empregados nas construcções são os seguintes: barrotes de õ a 6 metros de comprimento e grossura de um decimetro, a que dão o nome de tungas. São trazidas das margens do rio Zaire pelos cahiques que conduzem o peixe para os portos do norte até S. Thomé. No regresso estas embarcações tocam no Zaire, onde mettem um carregamento destes paus, tendo apenas o trabalho de os cortar e limpar. Cada barrote custa 500 a 600 réis. Outro material é o bordão, nervura media da folha de uma palmeira do Zaire; é uma vara com o comprimento de 8 a 10 metros e de grossura de 4 a 6 centimetros.

Cada bordão divide-se em duas metades facilmente separaveis com uma faca no sentido longitudinal dando duas ripas. 1000 bordões custam 255000 réis, ou seja um bordão por 25 réis. Vem em seguida os barrotes de pinho americano aparelhados, que se compram em Mossamedes a 40$000 réis o metro cubico; telha de ferro zincado, portas ejanellas, pregaria etc. Eis o processo rapido de construcção: espetam na areia as tungas segundo as linhas geraes do plano da casa, separadas de um metro umas das outras. Sobre elias pregam os bordões transversalmente e separados de 2 a 3 decimetros, dispostos parallelamente de um lado e outro das tungas e assim ficam formadas em esqueleto as paredes separando as diversas divisões da casa. No extremo superior das tangas pregam alguns barrotes americanos para formar o plano nivelado em que ha de assentar o tecto. Com um barro pardo que trazem da pequena l›ahia do Pinda, amassado com agua e areia, fazem uma especie de argamaça que rapidamente endurece exposta ao sol e ao vento e com ella enchem os espaços situados entre as tangas e os bordões e assim ficam feitas as paredes. As portas e janellas são feitas em Mossamedes. Como n'esta zona não chove, a armação do tecto é muito ligeira, de 2 aguas e coberta ou de folhas de ferro zincado ou de uma camada de bordões delgados, cimentada superiormente. Sobre a areia do pavimento lançam uma camada de barro com 3 a 5 decimetros d'altura e sobre o barro assentam tijollos. No espaço de 1 a 2 mezes fica concluída uma casa de apparencia regular e bons commodos. Por esta occasião estavam construindo uma casa com 12 metros de frente sobreIi de fundo e 6 de altura com tecto de zinco; asseveraram-me que devia ficar prompta em 2 mezes e importava em 115003000, trabalhando na sua construcção apenas l pedreiro, 1 carpinteiro e 2 serventes.

E' evidente que com este svstema de construcção todas as casas são terreas e quasi todas dispostas ao comprido e com pequena largura, tanto quanto pódem dar os imperfeitos materiaes de que são feitas; d'a.hi a necessidade de construir 2 e mais corpos afim de se obter mais amplas acommodações. D'este breve estudo resultou-me a certeza. de que as construcções em Porto Alexandre são baratas. Outro tanto não succede em Mossamedes, onde é de uso fazer as paredes com pedra ou adobe (especie de tijollo grande secco ao sol), sendo os alicerces sempre de pedra. " (....)














 

Bairro dos funcionários em Porto Alexandre (hoje Tombwa, em Angola)


 Porto Alexandre foi crescendo e vencendo as areias do Deserto...


Instalações pesqueiras em Porto Alexandre




Regata de traineiras em Porto Alexandre (actual Tombwa) por ocasião da visita do Governador de Angola, Santos e Castro ao distrito de Moçâmedes, em 1972. Foto da Revista   «Notícias»/Angola/1972 Ver aqui:
http://princesa-do-namibe.blogspot.pt/2007/04/corrida-de-traineiras-em-porto.html
Crianças de Porto Alexandre. Foto cedida por amigos do Facebook



Um conceituado alexandrense, descendente dos pioneiros de 1861
Gente de Porto Alexandre, onde antes da chegada dos poveiros, se estabeleceram, desde 1861, sucessivas colónias de algarvios... Foto cedida por Fernanda Barata
Gente de Porto Alexandre. Foto cedida por amigos do Facebook
Escola em Porto Alexandre. Foto cedida por amigos do Facebook

 
Porto Alexandre. Estátua de Maria da Cruz Rolão 
 

Em 1975 Porto Alexandre já era assim... Um verdadeiro Oásis, construído com muito amor e bom gosto, ingredientes que juntamente com muito trabalho e abnegação, foram capazes de verdadeiros milagres


Parque Infantil




Longe ia o tempo em que se chegara a duvidar da possibilidade da existência de Porto Alexandre , a «Angra das Aldeias» como fora primeiramente baptizada por Diogo Cão,  por onde passaram as naus portugueses, no ano de 1485, pois não fazia sentido construir algo que fosse, numa terra fustigada constantemente por ventos fortes que sopravam do deserto para o mar, e sobre uma areia que o deserto constantemente revolvia e ameaçava cobrir as habitações.   Foi a  partir da plantação em série de casuarinas (tipo de pinheiro bravo ligeiramente diferente do existente em Portugal), destinada a travar o movimento das dunas, que Porto Alexandre que a fixação passou a ser possível. Uma odisseia que ficou a dever-se à teimosia heróica desse punhado de olhanenses que ali se fixaram com carácter permanente e ali desenvolveram a indústria de pesca e derivados de peixe. Em seguida criaram  as hortas nas margens do rio Curoca, (zona do Pinda), e os alexandrenses passaram a colher saborosos melões, figos e até uvas, que passaram a constituir a boa mesa, para além do bom peixe e das saborosas ameijoas. Porto Alexandre no início da década de 70 era já uma uma cidadezinha próspera exibindo algumas rasgadas ruas, com elegantes vivendas e jardins, e chegou a ser nos anos 60 o maior centro piscatório da África, com dezenas de fábricas de farinhas e óleos de peixe e um grande centro conserveiro. Com a modernização das instalações fabris, até as moscas que durante muito tempo  enxamearam as eiras de secagem ao sol da farinha de peixe e invadiam as habitações, acabaram por desaparecer. Sem dúvida, se Porto Alexandre foi possível, tudo é possível, desde que o homem queira e a natureza ajude!


MariaNJardim (pesquisa e texto)


Alguma bibliografia consultada:
1 GONÇALVES, Flávio. Os pescadores poveiros em Angola e Moçambique , Póvoa de Varzim Boletim Cultural, volume VI nº 2, C.M. da Póvoa de Varzim, 1967. pp. 286/288
2 “O Comércio da Póvoa de Varzim”, 11/10/1921.

3 Moreira, Cecilio, Entre as Dunas e o Mar 
Vilela., Afonso José. "Pesca, Industria e Derivados do Distrito de Moçâmedes"
(Porto Alexandre, 1923. pg 43)

http://web.cm-pvarzim.pt/lanchapoveira/images/documentos/bibliografia/boletim_cultural/bc_vi_2_285_322.pdf

Imagens
1ª imagem - do volume "A Pesca, Industria e Derivados do Distrito de Moçâmedes", de Afonso José Vilela (Porto Alexandre, 1923. pg 43)
3ª, 4ª imagens - Separata de Cecilio Moreira "Entre o mar e o deserto"
As restantes imagens foram fornecidas por conterrâneos que as disponibilizaram na Net (Samzalangola e facebook ) e a quem muito agradecemos
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Nota 1
Muito se agradece a todos aqueles que visitem este blog e daqui retirem algo para outras publicações,  que não esqueçam de dar ao mesmo os respectivos e justos créditos, como é de boa norma fazer.

Nota 2 (acrescentada à posteriori)
A autora deste blogue colocou aqui uma  foto da regata de traineiras, publicada na Revista   «Notícias»/Angola/1972. Lamentavelmente esta foto foi daqui retirada para outro blogue dedicado a atacar aquilo que considera os "erros da descolonização", onde a mesma foto surge com legenda distorcida, o que lhe retira toda a credibilidade, ou seja apropriou-se da foto, não referiu de onde a tirou, e colocou como legenda, erradamente, tratar-se de uma manifestação de gente de Porto Alexandre contra a descolonização, ainda que não fosse o caso.


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