Quem sai da cidade de Moçâmedes/Namibe, na direcção do deserto, a cerca de 9km de distância, começa a ver desfilare-se diante de seus olhos uma extensão considerável povoada de welwitschias mirabilis, a célebre planta de folhas longas, rijas e acahatadas, de côr verde escura, por vezes verde-alaranjada, quando em pleno desenvolvimento, que chega por vezes a atingir alguns metros de comprimento e uma largura que chega a ultrapassar 1 m em determinados pés.
Na estrada para Porto Alexandre, a seguir ao Buraco, inflectindo na direcção do Cabo Negro, podiamos apreciar algumas destas plantas bastante desenvolvidas, contudo as mais surpreendentes ficavam para o lado da damba dos Carneiros, a cerca de 115 hm de Moçâmedes, a caminho da foz do Cunene.
Planta rara, de valor científico que tem no deserto do Namibe o seu habitat que se estende até à parte sub-desértica desta região, e vai desde as proximidades de S. Nicolau até à foz daquele rio, e a de 80 km para o interior, a partir da costa, entre as coordenadas 14º e 30', e 17º e 20' de latitude sul, e 11º e 40' e 12º e 30' de latitude leste. Também aparecem alguns exemplares da welwitschia mirabilis no antigo sudoeste, a Damaralândia, mas em pequena quantidade e pouco desenvolvidas.
Os caracteres biológicos e a morfologia desta planta deram origem a um novo género até então desconhecido, que só existe nesta espécie, e que embaraçou os cientistas. Supõe-se de formação recente em relação a outras. Sem caule, de raiz que penetra a terra verticalmente, cerca de 3 metros, com duas folhas opostas que irrompem com a germinação, directamente da raiz, e que a partir de certa idade se rasgam longitudinalmente em várias tiras, não é limitado o crescimento das folhas como em outras espécies. Trata-se de uma planta multisecular que se recusa medrar fora do seu habitat, conclusão retirada a partir das várias tentativas goradas de transplantação para jardins particulares e municipais da cidade.
Esta planta foi descoberta pelo. naturalista austriaco Dr Frederico Welwitsch que ao serviço de Portugal fez explorações botânica em Angola entre 1853 e 1861. No Cemitério de Kensal-Green em Inglaterra, na placa que cobre o seu mausoléu, encontra-se desenhada uma welwitschia, essa estranha planta que em 1859 o Dr. Welwitsch quando a encontrou pela primera vez, seguia de Moçâmedes para o Cabo Negro. Welwitsch deteve-se extasiado sobre aquela terra árida, apenas cruzada por zebras e cabras de leque, em frente àquela planta que mais parecia um polvo gigante e era a materialização completa da própria sede. A planta maravilhosa que o imortalizou, nascida na areia escaldante do deserto, que abria as suas longas folhas, como suplica dolorosa em direcção á luz.
Welwitsch observou-a, apalpou-a, jubilosamente, para em seguida a estudar e a classificar, e deu-lhe o nome de Tumboa angolensis. "Tumbo" era o nome que os indigenas da região a chamavam. Mais tarde o botânico inglês, Dr. Dalton Hooker deu à Tumboa angolensis o nome de Welwitschia mirabilis, em homenagem a Welwitsch . Este Dr. e outros tratadistas nacionais e estrangeiros consideraram a Welwitschia a maior descoberta do século XIX e uma das maiores maravilhas que tem produzido a natureza.
Em 1937 o Dr Luis Wittnich Carrisso perdeu a vida no mesmo Deserto do Namibe, enquando ao serviço da Ciencia fazia estudos curiosos sobre este "aborto do reino vegetal", como a considerava.
Em 1959, por ocasião do centenário da descoberta da Welwitschia, o Governo português mandou emitir um conjunto de selos comemorativos, postos à venda em Outubro do mesmo ano, com carimbo especial. Também a Direcção dos Serviços de Instrução de Angola deu á Escola Primária n.114 de Porto Alexandre o nome Frederico Welwitsch, em homenagem ao descobridor da planta que escolheu o Deserto do Namibe para seu habitat.
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