Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












sexta-feira, 15 de agosto de 2014

BAÍA DOS TIGRES: o drama da água e as soluções encontradas ao longo do tempo...










Na Baía dos Tigres quando em 1865 os primeiros portugueses ali se fixaram não  havia nada, apenas areia, para além de mar, um céu azul, um mar piscoso, isolamento e solidão... O abastecimento de água provinha de uma duas cacimbas que existiam na margem continental, mas a água era salobra, intragável a tal ponto, que logo que possível passou a ser utilizada apenas em limpesas, e como último recurso, mas depois de fervida e filtrada.  O precioso líquido passou  então a ser transportado em barris, em barcos à vela, a partir de Porto Alexandre (Coroca), ou de Moçâmedes, e muitos desses barris  perdiam-se durante o trajecto. Eram barcos de arrojada navegação sempre difícil e perigosa. Era este vai-vem em busca de água que deu o nome ao  "Bairro da Aguada" em Moçâmedes, precisamente porque era naquele famoso bairro que os pescadores da Baía dos Tigres iam carregar os barris de água potável, ou seja, faziam "aguada" e abasteciam-se de frescos e víveres, para em seguida  regressarem de volta nas suas embarcações à vela àquela povoação.

Na Baía dos Tigres a água reservada em barris era racionada e os habitantes eram obrigados a poupar religiosamente as quantidades que iam conseguindo. E se entretanto a água se deteriorava, o que acontecia com frequência, era posta a "arejar", como diziam os seus habitantes, isto é, era posta ao ar durante umas horas, depois era fervida e passada por uma "sanga", para ficar pronta a ser consumida ou preparada para durar como reserva por mais algum tempo. A "sanga" tinha o condão de tornar a água fresquinha e mais agradável ao gosto. Todas as casas tinham uma "sanga" que era feita com a chamada "pedra de filtro" que existia na região de Moçâmedes, e que tornou famosos os canteiros "quimbares" que dela se serviam para as esculturas tumulares em arte mbali, que erguiam no chamado "cemitério dos pretos" da cidade, e noutros como em S. Nicolau.



Sanga

 Desenho de uma "sanga", por Carlos Janeiro 




Já mais recentemente, o depósito de água

Não obstante, com o aproximar dos finais do século XIX  começou a surgir o interesse por expedições, como aquela que  foi levada a cabo, em 1894, pelo médico da armada portuguesa, Dr J. Pereira do Nascimento ao serviço da "Companhia de Moçâmedes", que fez o levantamento topográfico da Baia dos Tigres. É também desta altura, 1895,  que os alemães do Sudoeste começaram a revelar má vizinhança e a tornar mais claras as desmedidas ambições sobre os território fronteiriços do sul de Angola, muito especialmente sobre o porto da Baía dos Tigres, onde começaram a entrar e a sair como se fosse terra de ninguém, ignorando a efectiva presença portuguesa. Por essa altura a autoridade portuguesa esteve um pouco mais atenta  ao desenrolar dos acontecimentos na região, mas a evolução da Baía , quer economicamente, quer em população, caminhava a passos lentos.  Vieram as campanhas de Africa. Por ali perto passaram contingentes militares idos da Metrópole, rumo à região do Cunene, para defender o território da cobiça dos alemães e pôr fim aos levantamentos dos autóctones, por aqueles instigados. Segundo René Pélissier “de 1885 a 1915, o sul de Angola foi a guerra...” . Mas na Baía dos Tigres a rotina do dia a dia, o envolvimento na faina do mar continuava  sempre igual, sem grandes alterações.

Em 1909 já a Baía dos Tigres passara a ter a visita mensal de um navio da Companhia Nacional de Navegação que ali ia levar água, que era paga pela população a preços exóbitantes, que iam muito além das suas possibilidades. Na praia do lado da baía ficava o depósito de água que era reabastecido pelos  Save ou pelo 28 de Maio, a partir do Curoca ou de Moçâmedes. A água, como sempre, tinha sempre que ser fervida e depois filtrada pelas referidas sangas como prevenção.

A dureza da vida na Baía dos Tigres era tal que os cães que ali existiam em grande quantidade ficaram célebres, porque comiam e bebiam o impossível, na luta pela sobrevivência. Nadavam e pescavam de cerco e em matilha, empurravam o peixe para terra. Tinham membranas interdigitais, e bebiam água passando de manhã cedo a língua suavemente por sobre a água salgada, retirando dela a fina camada de água doce que o cacimbo deixava.

Assim foram decorrendo os anos até à década de 1920, sem que a situação da água se tivesse resolvido na Baía dos Tigres, continuando a população a ter que poupar religiosamente aquela que vinha de Moçâmedes e do Coroca. Não se podia perder uma gota sequer. 

A fixação dos algarvios na Baía dos Tigres,  nos seus primórdios foi efectuada por sua conta e risco, e talvez mesmo não interessasse ao Governo português, numa óptica economicista, investir em infra-estruturas  naquelas paragens, pois podia não ser lucrativo.

Importa referir, contudo, que no decurso do tempo, na tentativa de fornecer água à população,  houve "soluções" intermédias, entre as quais a destilação da água do mar.

Com a chegada de Norton de Matos a Angola, em 1921, não tardou que uma onda de progresso sacudisse a Província de Moçâmedes. Os Tigres beneficiaram da acção daquele governante, pelo menos em parte. Entre outras medidas tomadas logo de início, Norton de Matos mandou instalar nos Tigres um destilador de água do mar que produzia vinte e dois mil e quinhentos litros diários de água doce. Não era grande abundância, mas era uma boa ajuda para os nossos pescadores do Deserto, e sem os pesados encargos da água que vinha de Moçâmedes e do Coroca. Embora a água destilada tivesse os seus inconvenientes para a saúde, era no entanto água que podia ser bebida, o que não acontecia com a água horrorosa das cacimbas do lado continental, que os auxiliares de pesca africanos tiveram muitas vezes que beber, até que em 1931 um chefe do posto mais enérgico pôs termo a essa desumana discriminação.

Em 1929, o Estado mantinha em Angola um navio costeiro, o "Granja", que naquele ano vendeu à Companhia Nacional de Navegação para continuar na costa de Angola, tendo-lhe sido dado o nome de "Save". No contrato da venda ficou desde logo estabelecido que o "Save", obrigatória e gratuitamente, tinha que fornecer água à população dos Tigres, uma vez por mês.  Na praia do lado da baía ficava o depósito de água que era reabastecido pelos  "Save" e depois também pelo "28 de Maio", a partir do Moçâmedes e do Coroca. Como ficou dito atrás. a água tinha sempre que ser fervida e filtrada em sangas como prevenção. O atraso destes navios chegava a tomar proporções catastróficas, uma vez que o precioso líquido tinha que ser racionado, com ração diária de umas poucas canecas distribuídas, para as pessoas não morrerem sede.


A respeito do "Save" e em face do compromisso assumido pela entidade compradora, passaremos a transcrever uma passagem interessante de um livro intitulado "Menina do Deserto", de Manuela Cerqueira, nascida na Aldeia do Leão(1) que alí viveu sua infância, com seus pais:
Dia de Save, dia de Mãe-Água, dia de outro Mundo, dia de bom comer... Tinha vigilia, como as grandes festas, cheias de ritos de preparação: era a limpeza das praia, o embarque dos barris, a barrela dos soalhos, o banho suplementar, roupa saida das malas... (quem não vestia o melhor em dia de São Navio?).

O dia do "Save" era, pois, um dia diferente para as gentes dos Tigres, que  aguardavam de pé firme na praia pela chegada de um navio que transportava o precioso líquido de que necessitavam para viver, e trazia também mantimentos àquela gente isolada entre o mar e as dunas. Representava também o contacto mensal com gente vinda de outro mundo que lhes trazia correspondência e novidades. Mesmo  com a visita mensal do "Save" o velho destilador de Norton de Matos,  já desgatado e cheio de intermitências ocasionais, pela falta de lenha ou avarias, lá foi funcionando até 1935, acudindo aos atrasos dos fornecimentos daquele navio, quando havia reparações a  fazer ou se atrasava no trajecto, por qualquer motivo. Como recordação do destilador  ficou uma forja e vários ferros que tinham sido utilizados na purificação da água nesses tempos. O "Save" foi cumprindo a sua  missão até aos anos 1940, tendo a partir daí o fornecimento de água passado a ser efectuado por outros navios costeiros ou de longo curso, ou ainda por navios de guerra portugueses que, quando necessário ali iam propositadamente levar água.

A determinada altura a Baía dos Tigres passou a ter um batelão,  o "Tejo", que servia de depósito para onde a água era transbordada. Era ali que os interessados iam encher os barris que os serviçais transportavam, rolando, para as habitações, onde a água permanecia nos mesmos, ou era mudada para recipientes apropriados. Um consumo doseado até novo fornecimento. A água continuava a ser poupada como quem poupa a vida.

A partir dos anos 1950 antevia-se já o abastecimento à povoação,  da água vinda da foz do Cunene. O sonho das gentes da Baía dos Tigres estava prestes a tornar-se realidade. Com a entrada nessa década, o governo português acabou por se render à audácia daquela gente abnegada e disposta a muito sacrifício, muito trabalho e privações extremas,  e mandou edificar vários edifícios públicos que ajudaram a tornar a  fixação humana possível: o posto sanitário, a escola, a estação radio-telégrafo-postal, o hospital, a delegação marítima, alinhados de um lado e do outro da única rua cimentada, que servia também de pista de aviação.  Foi construída também uma Capela , a Capela de S. Martinho, cuja arquitectura imponente nos faz lembrar uma catedral. Era para a população dos Tigres a sentinela vigilante, guardadora  e protectora, no interior da qual nenhum mal lhes podia acontecer.

A Baía dos Tigres até 1961 era formada por uma longa restinga de areia, lançada quase na direcção Norte-Sul, paralela à costa, com cerca de 35 kms de comprimento, delimitando um braço de mar com 11 kms de largura máxima (a norte). A restinga, muito baixa, não ia além de 3 a 4 metros de altitude, enquanto, pelo contrário, o litoral que lhe fica em frente era constituído por um maciço dunar que subia até 100-200 m, com mais de 10 kms de largura, e ultrapassava os 100 m a menos de 1 km do mar.

Quanto ao abastecimento de água a partir da foz do Cunene, este chegou à Baía dos Tigres em 1962 após empresa responsável ter feito a entrega das instalações aos Serviços de Obras Públicas de Angola, passado  que fora o período experimental que durou  até Março de 1961. Finalmente a população pôde ver correr pela primeira vez o preciso líquido nas torneiras das suas casas.  Uma alegria indescritível. Já podiam beber à vontade uma água de superior qualidade,  já podiam cozinhas e lavar a sua roupa em condições, tomar o seu banho à vontade, e à vontade dar o banho aos seus filhos. Mas a água correu nas torneiras da Vila de S. Martinho apenas no ano de 1962...

No dia 14 de Março de 1962, pouco depois de construído o sistema de captação de águas na Foz do Cunene, quis o cruel destino, mais uma vez, castigar as esforçadas, sacrificadas e desafortunadas gentes  da Baía dos Tigres, dificultando-lhes de novo a vida. Uma forte calema atirada de SW, bateu furiosamente na parte de fora do saco da restinga, com ondas de mais de dez metros de altura, e provocou a ruptura do istmo no ponto que ligava  a povoação ao Continente,  destruindo naquele ponto a conduta de fibrocimento (1) que conduzia a água através do Deserto, daí resultando o corte à população do fornecimento de água canalizada vinda do rio Cunene. Foi um espectáculo terrível. A Baía dos Tigres deixou de ser uma restinga, passou  a ser uma Ilha, deixando ainda mais isoladas aquelas isoladas gentes. A diminuta população assistiu impotente e temerosa ao espectáculo, sempre à espera de que a própria ilha fosse tragada pelo Atlântico. Um fenómeno natural que se concluiu ser ciclico.

A verdade histórica confirma esse fenómeno periódico. No Mapa Mundi de 1623, de António Sanches, a "Baia dosTigres" vem assinalada como uma restinga. Na Carta Geográfica da Costa Ocidental, desenhada em 1790 por Pinheiro Furtado, apresenta-se como uma ilha. Pedro Alexandrino visitou-a em 1839, a bordo da corveta Izabel Maria, e reconhece uma restinga. Já em 1846, nos seus Ensaios Estatísticos, Lopes de Lima refere outra vez em ilha. Em 1861, os primeiros pescadores algarvios que ali chegaram encontram uma restinga fechada.

O projecto de canalização da água tinha incentivado os industriais de pesca dos Tigres à montagem de novas fábricas e à remodelação das antigas, e levado ao aumento da população.  Após esta calamidade, a autoridade foi levada a agir de imediato, e viu-se obrigada a adquirir um rebocador que levava um batelão cisterna até ao terminal da conduta, junto ao Continente, enchendo-o de água que era bombeada para os depósitos existentes e distribuída à população, seguindo as normas habituais.
A água continuava a chegar através do Deserto em boas condições, situação que facilitava o racionamento, que apesar de tudo passou a acontecer sem necessidade das antigas restrições. Apenas se verificou a redução do consumo, através do controle de gastos. Enquanto os técnicos procuravam resolver o problema, facto que levou 8 anos, foram construídos 3 depósitos, dois subterrâneos e um elevado, igualmente abastecidos pelo batelão cisterna, cuja capacidade de armazenamento já permitia algum desafogo.


Quando em 1975, às vésperas da independência, a  população de S. Martinho dos Tigres teve que abandonar a sua Ilha, ante o fogo cruzado dos movimentos de libertação que alastrava na região de Moçâmedes, em ambiente de total anarquia, e com a administração portuguesa em retirada, antevendo-se já a internacionalização do conflito, a situação não se tinha alterado no respeitante ao fornecimento de água que se processava desde 1962. Verificaram-se contudo alguns melhoramentos, entre os quais um pequeno avião passou a fazer carreira para a Baía dos Tigres, e trazia também a carne fresca para a população. E quando o avião não podia aterrar, a carne que o talho lhes mandava andava para lá e para cá, e muitas vezes quando chegava aos destinatários já era destinada aos cães. Mas mesmo assim, como dizia uma jovem, fora ali que viveu 2 anos felizes da sua meninice, com as suas brincadeiras e as suas liberdades...

Quem hoje visita a “Baía dos Tigres”, um dos mais desoladores lugares da terra, poderá confrontar-se com toda uma série de edificações abandonadas que ali existiram na época colonial,  algumas das quais em forma de palafita, assentes em pilares, para  deixarem passar as areias das dunas movidas por ventos fustigantes que tudo cobriam à sua passagem. Eram um posto sanitário, uma escola, uma estação radio-telégrafo-postal, um hospital, uma delegação marítima, uma imponente Capela de São Martinho,  alinhando-se de um lado e do outro de uma única rua, cimentada, que servia também de pista de aviação. Simbolos do quanto pode a abnegação e a resistência humana, autênticos monumentos históricos que persistem em ficar de pé, resistindo ao tempo e à degradação, apresentando o aspecto de um verdadeiro quadro surrealista.

Esta é uma boa parte do drama de vida em que sempre viveu a população dos Tigres.

Ficam mais estas recordações. 

Pesquisa e texto da autoria de MariaNJardim


(1) Hoje sabe-se quão perigoso é o fibrocimento para a saúde( cancerígeno), sobretudo aquele que naquele tempo tinha o amianto na sua composição.


 Bibliografia consultada:

-Moreira, Cecilio.  "Baía dos Tigres"
-"Jornal O Namibe", Moçâmedes, 23.09.1972
- B. O. II série, n.19, de 15.05.1929.
 -Cerqueira, Maria Manuela . "Menina do Deserto, Lisboa. Agência Geral do Ultramar, 1969.
-Districto de Mossâmedes, Explorações e Viagens por J.Pereira do Nascimento 1888 a 1895


-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

(1) Numa separata  do autor Cecilio Moreira, n.6 da Revista Africana. Univ Portucalense, Porto, 1990, com o título "Das Pedras de Filtro à Arte Funerária dos Quimbares no Sul de Angola", encontrei o desenho de uma "sanga" da autoria de Carlos Janeiro, destinada a filtrar a água para beber, que existia em muitas casas no distrito de Moçâmedes.  A velha "sanga", que nas palavras de Cecilio Moreira, deixou saudades a quem mourejava pelas plagas africanas de Angola... Não só filtrava a água, como a tornava muito fresca e dava-lhe um gostinho muito agradável. Eram construidas por artistas canteiros do Distrito de Moçâmedes (quimbares), que utilizavam para o efeito um bloco de pedra  de forma de cubo ou de paralelipípedo, (pedra de filtro de Moçâmedes, feita de um arenito existente na região), que desbastavam com maceto de ferro e cinzel até ganharem a forma interior e exterior pretendida.  Na cavidade cónica ficava o depósito de água a ser filtrada (ia de 5 a 25 litros, tudo dependia do tamanho da "sanga"). A água infiltrava-se através dos poros da pedra e corria para dentro de um pote de barro. A utilização destes filtros era possível porque assentavam sobre um armário de madeira que tinha uma porta para o interior, onde era colocado um recipiente para aparar a água que para ali caia muito lentamente. Esse armário podiam ser de vários feitios, mais simples ou mais elaborados, e também servia de decoração. Era ao conjunto da pedra e armação de madeira que a suportava,  que se dava o nome de "sanga". Eram, regra geral, colocados em varandas, e escolhia-se o lado dos ventos predominantes para que a água se mantivesse o mais fresquinha possível. Lembro-me que com o rodar o tempo a parte de baixo e exterior da pedra cobria-se de avencas. Para se fazer uma ideia do apreço que se tinha por estas sangas, em 1857 e 1858, menos de 10 anos após a fundação, segundo um apontamento do médico Dr Lapa e Faro, foram exportadas 150 pedras de filtro pela Alfândega de Moçâmedes, a 3 mil e 5 mil reis por unidade. Apontamentos existem que referem terem sido bons clientes desta pedra, na 2ª metade do sec XIX, a Ilha de Santa Helena,a Costa Oriental, o Congo belga, o Congo francês, S. Tomé, e o Gabão. A pedra de filtro iria dar lugar, também, à célebre arte funerária Mbari ou Mbali, arte do povo quimbar.  
 ...............

 NOTA DA AUTORA
Este texto não pode ser daqui retirado para ser republicado sem que se respeite os direitos de autor fazendo referência ao mesmo.

Sem comentários:

Enviar um comentário