Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












sexta-feira, 31 de julho de 2015

Rainha Galinacho do Cuanhama, em Moçâmedes, 1938






Ao confrontar-me com estas fotos da rainha Galinacho do Cuanhama, tentei encontrar alguma literatura com esclarecimentos a seu respeito, dado tratar-se de uma figura que faz parte da História de Angola e da História de Moçâmedes, porém acabou frustrada a minha busca, pelo muito pouco que encontrei. Pelo menos por ora. Assim, transcrevo a seguir dois textos, os únicos que consegui, sobre aquela que foi Rainha dos Cuanhamas, sendo o primeiro de Henrique Galvão (1895-1970), do livro "Outras Terras, Outras Gentes", 2.º volume, (1942?),  este retirado ao um capítulo do livro "Para Aquém e para Além da Chela".  Trata-se pois, de literatura colonial.



http://www.mazungue.com/angola/index.php?page=Thread&threadID=1386&pageNo=7 
 http://literaturacolonialportuguesa.blogs.sapo.pt/tag/cuanhama
                      




A rainha Galinacho, sentada à esq., ao lado de um estandarte com a bandeira portuguesa, aguarda o desembarque do Presidente da República de Portugal, General Óscar Fragoso Carmona, de visita a Moçâmedes, em 1938. Seguem algumas foto da recepção decorrida na Avenida da República, em Moçâmedes, na qual a tainha Galinacho participou.


 Na paragem em frente da tribuna, destaca-se a Rainha Galinacho que faz uma vénia ao Presidente Carmona...
A Rainha Galinacho à frente do desfile das várias etnias, realizado na Avenida da República, a sala de visitas da cidade: "...Assim foram passando cuanhamas, cuamatos, cacondas, ngivas, naulilas, evales, namacundes, quipungos, quilengues, muílas, muhembes …


Com esta visita, Salazar procurava legitimar a sua ideologia, e definir as formas de relacionamento entre a Metrópole e as colónias portuguesas que passaram a denominar-se "Império Colonial Português". Procurava mostrar ao mundo que  o povo das colónias estavam com Portugal.
Eram os "tempos do império e da redefinição do orgulho nacional", a época do Acto Colonial de 1930, anexo à Constituição de 1933, pedra angular da primeira época do Estado Novo e da visão de Portugal no mundo:
É da essência orgânica da nação portuguesa desempenhar a função histórica de possuir e colonizar domínios ultramarinos e de civilizar as populações indígenas que nele se compreendam exercendo também a influência moral que lhe é adstrita pelo Padroado do Oriente.



Terminado o desfile, a rainha Galinacho, com o seu séquito e as mulheres dos principais sobas dirigiram-se à tribuna para cumprimentar o Presidente Carmona(na foto, à dt.) que comunicou por meio de um intérprete, e ofereceu à soberana cortes de seda, além de outros presentes, entregando aos chefes medalhas comemorativas da sua visita a Angola.  Ver AQUI

Galinacho e as suas "Damas de Honor"








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