Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

A AVENIDA DE MOÇÂMEDES, A SALA DE VISITAS DA CIDADE E EVENTOS REALIZADOS EM SEU REDOR AO LONGO DOS TEMPOS...






Postal da Avenida de Moçâmedes, minha colecção, nos tempos do CORETO. Data provável: anos 1920. De início chamava-se Avenida D. Luis. Mas para chegar até aqui um longo caminho foi percorrido... 

Porquê Avenida D. Luis? Apelidado de "o Popular", D Luis (1838-1889) foi o Rei de Portugal e Algarves de 1861 até sua morte. Era o segundo filho da rainha D. Maria II e seu marido o rei D. Fernando II. Foi de facto um Rei que ficou a marcar esse tempo histórico, em que após queda de Napoleão, o estabelecimento da paz e o Congresso de Viena, as atenções da Europa se voltaram para África, tendo início a era das expedições científicas , voltadas para o descobrimento do interior deste continente, à época terra incógnita para os portugueses.



  Este postal que fez parte de uma colecção emitida quando da visita do Principe Real, D. Luiz Filipe a Moçâmedes, no ano que a vila subiu a Real Cidade, em 1907, mostar-nos um grupo de elegantes fazendo da avenida picadeiro, como era comum na época. 

O postal mais antigo de Moçâmedes, mostra-nos como era a povoação nos anos 1860... Em pouco mai de 10 anos após a fundação, já com o edificio da Alfândega imponente a fazer-se notar..,

Trecho da Avenida na década de 1860

Trecho da Avenida na década de 1880


No início do século XX era assim...

Moçâmedes não nasceu com um casario caótico, como aconteceu com Luanda e Benguela. Fundada séculos depois, já em meados do século XIX, quando na Europa a industrialização, tendo ao leme a Inglaterra, ia avançada , ela foi tão cedo quanto possível concebida e delineada no papel pelo jovem e dinâmico Fernando da Costa Leal (1854-59), o seu 5º Governador, que desde que tomou posse do cargo, em 26 de Fevereiro de 1854, foi seu primeiro cuidado apresentar uma planta topográfica para a povoação, com ruas largas traçadas em linhas rectas, com travessas alinhadas, em paralelismos geométricos, à boa maneira pombalina, que desde logo imprimiram à futura cidade uma fisionomia característica. Cedo a longa e atraente Avenida, paralela ao mar, começou a desenhar-se...
E Costa Leal foi mesmo levado a animar os colonos a construirem prédios de agradável aspecto, para evitar o desalinho de que era exemplo a caótica Luanda, onde logo de início não cuidaram de tratar de lançar um plano geral de obras. Com Fernando da Costa Leal Moçâmedes ergueu-se rapidamente, e os colonos passaram a substituir as primitivas habitações por outras mais cómodas e de melhor aspecto.
Segundo Mendonça Torres, os  colonos de 1849 e 50 efectuaram uma ocupação pacífica e vitoriosa, sem feitos militares a registar, apesar de áspera e tormentosa, atravessada por infortúnios tais como fomes, doenças, inquietações, misérias, mortandades.(1)

Referindo-se aos «delineamentos da planta tipográfica da povoação», distingue uma fase atabalhoada (1850 a 1852) em que os trabalhos do levantamento da povoação haviam sido feitos sem respeitar os elementares preceitos de construção, e uma outra fase, a partir da tomada de posse do Fernando Leal, a 16 de Fevereiro de 1854, na qual é patente a preocupação do Governador em delinear a planta da futura povoação, indicando já a abertura de ruas e travessas alinhadas em geométricos paralelismos, que imprimiram a Moçâmedes a sua fisionomia característica.

Segundo cópia extraída do livro "ANNAES DO MUNICIPIO DE MOSSAMEDES", em 1856",  sete anos depois da chegada dos primeiros "brasileiros", a vila contava já com 49 casas , sendo 36 de pedra, 8 de adobe e 22 de pau a pique. Encontravam-se na vila 12 pr~edios em construção e nas imediaçõe  A população livre reduzia-se a 272 pessoas de ambos os sexos, para alem  de 54 libertos e 632 escravs de ambos os sexos. Havia ainda  na imediações as cubatas de palha , de adobe e de pau a pique em grande numero em construção. De harmonia com a planta topográfica da povoação delineada pelo Governador Fernando da Costa Leal, surgiu um amplo espaço paralelo ao mar, reservado à futura Avenida, que durante décadas esteve preenchido com barracões (a futura Avenida D. Luis, e desde 1910, a Avenida da República). Surgiram 3 ruas largas, a Rua da Praia, mais tarde Rua da Praia do Bonfim; a Rua dos Pescadores, em seguida Rua Presidente Sidónio Pais, porém mais conhecida pela antiga designação; e ainda a Rua do Alferes, depois Rua das Hortas, e a Rua Luz Soriano. Estas 3 ruas eram cruzadas por outras tantas travessas que segundo um documento da época tiveram a designação de Travessa do Mangericão, Travessa das Pescarias e Travessa de Santo Antonio. Quase todas as habitações da Praia (assim chamavam Moçâmedes) são descritas como tendo pátios, onde se plantaram palmeiras e coqueiros, no meio dos quais se abriam cacimbas (pequeno poço), cujo revestimento interno é formado com barricas sem fundo, sobrepostas umas nas outras, de onde tiravam a água para usos domésticos, sendo alguma de boa qualidade. Fernando Leal tentou erguer a povoação mais a poente, na Torre do Tombo, onde as areias são menos abundantes. Mas a comodidade do desembarque e ainda o receio que a água ali faltasse determinou a preferência pela parte baixa. Foi também o Governador Fernando da Costa Leal quem mandou abrir a primeira estrada da região, e quem ordenou as obras da continuação e conclusão da Igreja, cujos trabalhos de haviam começado em 1849, mas foram suspensos pouco depois, e continuados em 1854, sob seu plano e direcção, e que foram rapidamente concluídas. Este dinâmico Governador também mandou erguer a Fortaleza de S. Fernando no local do antigo Forte, sobre o rochedo que domina a baía, e foi quem melhorou e levou a cabo a construção do primitivo Hospital, e determinou a edificação do Palácio do Governo, (um dos mais bonitos do Ultramar português), além de várias casas para serviço público. Também mandou construir o edifício da Alfândega.

Mas Moçâmedes após o primeiro impulso sobre humano e dinamizador passou por uma estagnação imobilizadora, um processo evolutivo demasiado lento do qual só conseguiu sair no pós guerra 1939-45, altura em que resolutamente avançou para o progresso. Com o avançar do século XIX para o seu termo Moçâmedes chegou mesmo a perder população europeia. Alguns regressaram a Portugal, outros partiram para outros locais mais economicamente atractivos. Só abordando esta situação será possível compreender aquilo que foi a evolução da cidade e da sua Avenida.  Não podemos esquecer que  a 1ª metade do século XIX em Portugal foi de invasões, conflitos e guerras de todo género, que acompanharam a queda do absolutismo e o triunfo do liberalismo,  incluindo os confrontos entre facçõesno seio do liberalismo triunfante, e que em 1822 aconteceu a independência do Brasil que era a fonte dos proventos da Corôa, e a 2ª metade do século foi toda ela percorrida por um esforço de regeneração, num país arrasado , com a agricultura devastada, sem industria e a braços com um deficite financeiro e uma crise comercial que obrigou ao endividamento estrangeiro. Tudo isso afectou o avanço da colonização e levou à estagnação o prometido avanço de Moçâmedes, até mesmo a um recuo. No final do século XIX a situação em Angola era da mais completa anarquia. Eis o motivo porque o projecto do grande liberal progressista que foi o Genetal Sá da Bandeira  para o desenvolvimento das colónias foi moroso, no qual se inclui a abolição do tráfico de escravos para o Brasil e Américas que durante séculos escoara e que a 10 de Dezembro de 1836 fora mandado publicar, logo a seguir ao triunfo definitivo do absolutismo em 1834. Por esse tempo  em Luanda e em Benguela a conta do trafico que entretanto  passara à clandestinidade,  continuava a florescer  e  a enriquecer uma burguesia constituida por negros e alguns brancos que constituiram familias mestiças e mantinham laços de colaboração com alguns "sobas" do interior que lhes fornecia a "mercadoria".
Saltemos até meados do século XX. Entretanto tiveram lugar  a célebre Conferência de Berlim (1884-5), veio a "Partilha da Africa" pela potências europeias mais avançadas na industrialização, a necessidade da aquisição de matérias primas, mão de obra barata e mercados consumidores plas mesmas potências, e Portugal viu-se na contingência de ter que entregar as colónias, que por direito histórico reivindicava. Numa palavra, teve mesmo que colonizar para não correr o risco de as perder em favor de outra potencia em condições de o fazer. E foi assim que muito lentamente  Moçâmedes vai beneficiar desta onda já que no decurso das Campanhas do Sul de Angola, passa a ser a porta de entrada de contingentes militares vindos da Metrópole para em seguida transporem a Serra da Chela a pé e com a ajuda de animais de carga, rumo ao Cunene, ond os Alemães se encontravam estabelecidos na Damaralândia a actual Namibia e constituiam um perigo para a soberania portuguesa, para além dos levantes populares das gente guerreira da zona.

A Moçâmedes onde haviam chegado inesperadamente, em 1849  e 1850, os pioneiros vindos de Pernambuco, Brasil, quando naquela ex- colonia estalou a revolução praeeira,  em 1861 começaram a chegar por sua conta e risco os pescadores algarvios, servindo-se nas suas viagens de caiques, palhabotes e outros barcos vela, atraidos pela fama da riqueza daqueles mares que entretanto ia circulando. Uma corrente migratória, lenta e arrastada que perdurou por todo o século XIX, e bastante mais tarde retomada.Portugal carecia de gente para si mesmo, e os portugueses preferiam emigrar para o Brasil a uma Africa doentia que em poucos anos lhes cefava a vida. Foi necess´rio redireccionar o movimento migratório  das Américas para Africa, para que em 1884/5  pudessem chegar ao "Planalto de  Mossâmedes", ao Lubango  os primeiros colonos a fixar-se ali, vindos da Ilha da Madeir, os únicos que rsponderam à chamada.

Entretanto veio a fase final do século, a oposição republicana, nova conflitualidade polituica atravessou a Metrópole portuguesa a tal ponto que em 1908 deu-se o Regicidio e em 1910  Implantação da Republica. E não tardou que Portugal se envolvsse na  1ª Grande Guerra europeia, em 1914-8 contra a Alemanha , e fê-lo na defesa das colónias de África,  sem condições para tal. Endividou-se. Em 1926 com um golpe militar cai  1 Republica e são criadas as condições para o inicio de uma novo periodo na História de Portugal e de Angola que ficou conhecido por Estado Novo., onde emerge a figura do ditador Salazar.  Vai ser com Salazar que as finanças públicas
 vão ser equilibradas e as colónias de Africa vão conhecer um certo impulso. Figura polémica  e controversa , amada e odiada, governou por 40 anos Portugal e pode-se sem receio afirmar que os anos de 1961 a 1974, embora tenha falecido em 1968, foram para Angola de um desenvolvimento tl que deixou as outras nações boqueabertas.


O despontar de uma cidade adormecida...


Manuel Júlio de Mendonça Torres, na obra intitulada « O Distrito de Moçâmedes nas Fases da sua Origem e Primeira Organização», considera  Moçâmedes, a cidade capital do Distrito do mesmo nome, que já então, em 1954, apresentava um índice económico apreciável, como o triunfo da colonização, obra dos corajosos emigrantes de Pernambuco e dos seus esforçados continuadores, que a ergueram e a ela deram  o seu labor, em meio a um deserto do Namibe, arrepiante e hostil.




Um momento das obras que decorreram na Avenida de Moçâmedes, que integraram trabalhos de terraplenagem, destinada a desbastar o morro, que da Fortaleza se prolongava pelo topo sul da Avenida, que após estas obras se tornou mais vasta. Foto cedida por um conterrâneo.

Retenha-se que já o plano quinquenal assinado pelo Presidente Carmona que visitou as colónias e esteve em Moçâmedes em 1838, contemplava grandes melhoramentos para Moçâmedes, mas por força da 2ª Grande Guerra (1839-45) , as fábricas europeias que eram as fornecedoras de material deixaram de responder às encomendas,  concentradas que se encontravam ao serviço da guerra. Teve que se esperar pelo fim da guerra para que a cidade paralizada começasse a mecher...

A  Avenida da República de  Moçâmedes, assim denominada após a queda da monarquia constitucional em 1910 (antes era a "Avenida D. Luis", em homenagem a D. Luiz, (3) filho de D. Maria II e do rei consorte D. Fernando), transformou-se num vasto espaço de confraternização e lazer que importava melhorar sempre mais e mais. Afinal era a sala de visita da cidade. 

Moçâmedes  desde o seu traçado inicial possuiu as características do conceito moderno das cidades-jardim surgido a partir do século XVIII, em consequência das más condições encontradas  nas cidades e da ausência de planejamento, quando por força da revolução industrial aconteceu o êxodo dos campos na busca de emprego fugindo da crise no sector agrícola

Foi na Europa e nos EUA que o urbanismo moderno surgiu para solucionar esse caos urbano que então se verificou, e diversos urbanistas projectaram seus planos de cidades ideais. Surgiu então o conceito cultural de cidade, propostas de uma cidade funcional e geométrica,  com linhas rectas que se cortam em ângulos retos, em que a estética passa a ser um imperativo tão importante quanto a eficácia, num tempo em que a grande cidade industrial é acusada de alienar o indivíduo no artifício, e só o contacto com a natureza podia devolver o homem a si mesmo e permitir um harmonioso desenvolvimento da pessoa como totalidade.

A este respeito, uma referência merecida deve ser feita ao grande governador de Moçâmedes, Fernando da Costa Leal, o quinto governador de Moçâmedes (1854-1959). um  visionário de espírito jovem e empreendedor, pessoa cheia de ideias a quem Moçâmedes ficou a dever a planta da cidade, e o rasgar desta bela e longa Avenida.

Na década de 1950 a Avenida de Moçâmedes foi objecto de novos e grandes melhoramentos, a juntar aos conseguidos na década anterior, como a 2ª foto mostra, (1) e  transformou-se  num local ainda mais atraente, rodeado de canteiros cobertos de flores das mais diversificadas cores, que eram um encanto ver, com bancos de jardim em maior número, num verdadeiro culto ao divertimento e ao lazer.

Com o embelezamento da Avenida a moda do "Passeio Público" vinda de Paris chegou a Moçâmedes. Essa mesma moda à qual os portugueses aderiram após a reconstrução da cidade de Lisboa, em consequência do terramoto, quando foi rasgada a Avenida da Liberdade.   E enraizou-se nas gentes de Moçâmedes a tal ponto que ainda é confirmada nos anos 1940 e na década de 1950, como local de preferência da população jovem principalmente, mas também da menos jovem e das crianças, que enchiam a Avenida, aos domingos, ao entardecer e após as matinées do Cine Teatro de Moçâmedes (o popular Cinema do Eurico). Nada melhor do que ir até à Avenida da República "para ver e para ser visto". Na realidade até finais da década de 1950, os jovens da terra tomavam conta da Avenida, davam voltas  e mais voltas, andavam para frente e para trás, elas com suas roupas coloridas inspiradas na moda-burda, eles com a descontração natural, aproveitando o encontro para flirtar, enquanto a partir do Coreto ali existente, mesmo no epicentro do Jardim, o Rádio Clube, sob a direcção de Carlos Moutinho, lançava para o ar programas de rádio que eram transmitidos através de altifalantes pendurados  nas árvores, que transmitiam as músicas mais em voga, com especial realce para canções portuguesas, tangos de Gardel, modinhas brasileiras e outros géneros musicais que faziam partir de emoção os jovens corações. E também entrevistavam pessoas, e lançavam para o ar música a pedido: "Alguém oferece a alguém como prova de amor", e Tony de Matos cantava as  suas" Cartas de Amor" que ecoavam por toda a Avenida.   Na década de 1960 o passeio na Avenida entrou em declínio com o inicio das "Festas do Mar".



Falemos então dos beneficios ocorrios em Moçâmedes já no quadro do Estado Novo. No seu livro publicado em 1954, Manuel Júlio de Mendonça Torres adianta também que  por essa altura notícias publicadas no Diário de Notícias davam conta que a cidade e o distrito iriam ser objecto de grandes melhoramentos que antecipariam as comemorações do seu 1º Centenário, em 1949, de entre os quais, a construção de casas de habitação para funcionários públicos e de um edifício grandioso para instalação da Estação dos Correios Telégrafos e Telefones, na Avenida da República, a construção de Escolas nos bairros da Torre do Tombo e da Aguada, a instalação de repartições públicas, a construção de casas para indígenas, a construção de delegações marítima e aduaneira em Porto Alexandre, e a construção dos postos de despacho escolar na Lucira. 

Aliás, a fase entre 1945 e 1949 é assinalada pelo autor como uma fase de engrandecimento e embelezamento através de novas construções efectuadas com «inteligência e ponderação», a construção de «edifícios bem proporcionados, de linhas elegantes e harmoniosas que imprimiam  à cidade uma fisionomia conveniente e aprazível: o Cine Moçâmedes, o Grande Hotel, o Clube Nautico (Casino), o Sporting Clube de Moçâmedes, e vários prédios para moradia, como o da Intendência do Distrito, o da gerência da Sociedade Oceânica do Sul (SOS), o de João Bento, os de Augusto Rosa, os de Raul Radich, etc etc.( 2)



Saltando até ao dia 04 de Agosto de 1949, eis a Avenida tal como se apresentava no dis do Centenário da cidade. Ao fundo, o Coreto, ladeada de pavilhões e barraquinhas que compunham os arranjos levados a cabo para as comemorações de tão importante data.




Nos anos 1960. A planta da baixa da cidade, inclusa num Programa das "Festas do Mar"


Um trecho da Avenida


 Um trecho da Avenida, com Estação do Caminho de Ferro, ao fundo















Avenida nos anos 1930

Década de 1950 no mesmo local. Junto a um dos tanques da Avenida, com repuxos de água e onde nadavam vermelhos peixinhos. Foto cedida por um conterrâneo.



 Década de 1960. Manuel Barbosa e neto. Foto cedida por um familiar e conterrâneo.

Carlos Alberto Cacella de Vitoria Pereira. Foto cedida por um conterrâneo.


 

Quatro amigos relaxam num banco dos jardins da Avenida. Foto do meu albúm.

 Carlos Moutinho do Rádio Clube de Moçâmedes, num programa em que simula entrevistar a foca que à época (finais da década de 1950), era o encanto de crianças e adultos. Foto Salvador.
 A "Foca" que um dia vinda do polo a nós a viera...No tanque do Jardim aprisionada... Foto Salvador.


 Esplanada do Quiosque, vendo-se o Cine Moçâmedes ai fundo. Foto cedida por um conterrâneo.



Mas a Avenida da República não servia apenas de "picadeiro" aos domingos ao entardecer, após o matinées no Cinema do Eurico.  Era o centro em volta do qual iam acontecendo inúmeros eventos no decurso dos tempos. Um desses eventos foi um "corso" de carros alegóricos ali realizado em 1955, por ocasião do Carnaval, periodo em que também ali aconteciam as célebres "batalhas de cocotes de farinha" que  deixavam a Avenida irreconhecível, como mostram as fotos que seguem,


 

 A Avenida era  o local privilegiado para fotografias... Aqui estou eu a posar para a posteridade. 1956

A mesma zona da foto anterior
 A minha filha e as primas...



 
Corso em Moçâmedes. 1955. Foto do meu álbum.

                                                     O carro vencedor: Banco de Angola
Foto do meu albúm. Espóleo de Florinda Jardim
 
Foto do meu albúm. Espólio de Florinda Jardim
Foto do meu albúm. Espólio de Florinda Jardim
  
Foto do meu albúm. Espólio de Florinda Jardim
 
Foto do meu albúm. Espólio de Florinda Jardim
 

 
 Bilibaus e Tragateiros, os foliões do Carnaval, cujo desfile acontecia à volta da Avenida.Foto do meu albúm. Espólio de Florinda Jardim
Doto cedida por um conterrâneo

 Fotos das batalhas de cocotes que deixavam a avenida toda enfarinhada. Foto do meu albúm. Espólio de Florinda Jardim

Mas também passavam por aqui, desfilando, cantando e batucando, os kazekutas do Carnaval... Ou seja as chamadas danças indígenas. Foto do meu albúm. Espólio de Florinda Jardim

E também  Gigantones e Cabeçudos  a anunciar o inicio das Festas do Mar...
 
...e os carros alegóricos que desfilavam exibindo  a jovem em cada ano eleita a "Miss Mar" , que em  1971 foi Paula Chalupa, que na foto se encontra ao lado de Riquita, a moçamedense que foi  Miss Portugal 1971
 
E a  recepção a Riquita, em 1971


Seguem fotos do último desfile ocorrido na Avenida da República na era colonial: 1974

 
1974. Passando pela Rua da Praia do Bonfim... Foto cedida por um conterrâneo

 
1974. Foto cedida por um conterrâneo
 
1974. Foto cedida por um conterrâneo
Desfile em 1974. Foto cedida por um conterrâneo.



                                                                Nos anos 1950
Postal da minha colecção


Mas esta Avenida foi em outras eras palco de eventos militares, ligados à fase da ocupação do sul de Angola e da definição de fronteiras, de que restam estas recordações. Na foto podemos ver a passagem de revista efectuada pelo Governador Geral a um contingente militar  desembarcado em Moçâmedes, em trânsito para a fronteira sul.

Já em 1907, por ocasião da subida da vila de Moçâmedes a real cidade, a Avenida tinha sido palco de uma grande recepção ao Príncipe D. Luiz Filipe, filho do rei de Portugal, D. Carlos I, e da Rainha D. Amélia.

E outras recepções mais foram tendo lugar, como as fotos a seguir testemunham. Foi o caso em 1938 da calorosa recepção ao Presidente da República, Óscar de Fragoso Carmona,  que envolveu, de entre outros eventos, um desfile de povos indígenas das mais diferentes etnias, um desfile dos alunos de todas as escolas do Distrito de braços esticados para a frente, em saudação olímpica (vulgo saudação nazi), enquanto o Presidente e Comitiva assistiam do alto da Tribuna ali erguida para o efeito. E também uma festa com distribuição de brinquedos e gulodices ás crianças do Distrito.



 
 


Para ver mais, clicar  AQUI. 


Nesta altura a ll Grande Guerra, de 1939-45, aproximava-se a passos largos, a Alemanha de Hitler manifestava intenções expansionistas,  quer em relação à Europa quer em relação aos territórios africanos ocupados por Portugal que faziam fronteira com o Sudoeste Africano alemão (actual Namibia). O Sul de Angola estava em perigo, caso a Alemanha nazi viesse a ganhar a guerra.  O Presidente Carmona procurava mostrar ao mundo que portugueses e africanos estavam ao lado do Portugal! A situação política em Angola, obrigava a estas exibições.

  1º Centenário: 04 Agosto 1949. Foto cedida por um conterrâneo

Onze anos mais tarde, esta Avenida encheu-se de barracas e pavilhões, para comemorar esse evento singular e inesquecível, para quem a ele assistiu, que foram as festividades do Centenário da cidade, iniciadas no dia 04 de Agosto de 1949.  Por mais de uma semana decorreu na Avenida um festivo e bem organizado arraial, que atraiu para ali gente vinda de todos os cantos da cidade e de todo o Distrito. Na foto vê-se ao fundo o velho Coreto, e nas laterais, várias barracas e pavilhões, para além de grupos de pessoas deslocando-se na Avenida, para assistir aos eventos.

A foto que segue mostra-nos um dos carros alegóricos que desfilaram à volta da Avenida no dia 04 de Agosto de 1949, integrado no desfile de carros alegóricos ocorrido por ocasião do Centenário. Recorda-se assim a "Tentativa Feliz", a barca brasileira que trouxe até Moçâmedes os colonos fundadores, vindos de Pernambuco, Brasil e ali chegados 100 anos atrás, capitaneados pelo Brigue português "Douro". Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro foi o chefe dessa 1ª colónia, e a personalidade que deu o primeiro impulso à colonização, dando força aos seus companheiros nas horas de desalento.


E outras recepções foram tendo lugar...

 
Na foto, caras conhecidas da Moçâmedes de 1949. Jovens senhoras que colaboraram como puderam e com os meios que tinham à mão para o abrilhantamento das festas. São, da esq. para a dt: ?, Ludovina Leitão, Maria Eugénia Alves, Salomé Inácio, Zuleika cabeleireira, Noelma Veli, Cilinha, Lúcia Gavino e Arminda Alves (pianista). Foto Salvador.
 
Foto Salvador

Carro alegórico por ocasião do Centenário, evocando a fauna do Deserto do Namibe e a caça. Ainda no interior do velho campo de futebol de terra batida, preparava-se para o desfile em torno da Avenida.

Um dos Pavilhões erguidos  na Avenida em 1949, para as festividades do Centenário: o pavilhão  do do BAR com as suas femininas colaboradoras
Foto cedida por uma conterrânea

  O  BAR com sua femininas colaboradoras. Da esq para a dt: Julinha Pestana, Alice Castro, Orbela Guedes, Manuela Bajouca, Fátima Cunha,  Zuleika?, Celeste (Carracinha),  Lizete Ferreira, Etelvina Ferreira, Ruth,  ?, Teresa Ressurreição, Maria Parreira e ?


A página já vai longa. Falta ainda fazer uma referência às procissões,  aos circuitos automóveis, às corridas de bicicletas e a outros eventos mais que tiveram por centro esta Avenida, num tempo que a voragem do tempo levou, e dele hoje em dia apenas restam estas recordações. Eis alguns desses momentos...




Procissão pelas ruas da cidade, por ocasião da peregrinação da Imagem de Nossa Senhora de Fátima por terras de África, com passagem por Moçâmedes, em 1948

 Procissão por ocasião da peregrinação por terras de África da imagem de Nossa Senhora de Fátima, vinda da Cova da Iria

 Corridas de bicicletas em torno da Avenida, tendo por campeão Marreiros, no início da década de 1950
 
Foto cedida por um conterrâneo
 Manifestação de jubilo  à chegada da equipa de hóquei em patins (Juniores)  do Atlético Clube de Moçâmedes , a "equipa maravilha",  vencedora por 4 anos seguidos da modalidade e categoria em campeonatos em Angola.

 À volta da Avenida disputavam-se também a partir do início da década de 1950 várias provas automobilistas, sobretudo antes da construção da pista asfaltada da marginal. Após a construção da referida pista as provas passaram também a fazer-se  desde o início dos anos 60.
Foto cedida por um conterrâneo
 
Foto cedida por um conterrâneo
 
Foto cedida por um conterrâneo
Foto cedida por um conterrâneo
Foto cedida por um conterrâneo


 
Vista para o topo sul da Avenida, a partir da década de 1950. Foto cedida por um conterrâneo.





MariaNJardim




(1) Dedicados inteiramente ao trabalho e à gana de vencer que os movia, parece terem passado ao lado dessa fase menos simpática que foi a dos desembarques da soldadesca metropolitana, na ponte de Moçâmedes, com  armas e munições, rumo à fronteira sul. Desde a Conferência de Berlim, iniciada em 1884 onde foram definidas as regras para a partilha de África pelas potencias europeias, tivera inicio a  corrida desenfreada para a ocupação daquele continente riquissimo de solo e subsolo, e isso implicou o envio maciço de tropas e a consequente escalada dos conflitos, principalmente com as tribos africanas. Portugal enviou tropas para todas as regiões de África que reivindicava na altura. As populações do sul de Angola eram um mosaico de pequenos núcleos de origem europeia, que coexistiam com a esmagadora maioria de populações negras de diferentes etnias. Estavam os boers, instalados na Huíla, e também colonos idos da ilha da Madeira; em Moçâmedes os luso-brasileiros de 1849-50 e os algarvios de Olhão que desde 1861 tinham começado a chegar. Várias correntes religiosas procuravam exercer a sua influência: católicos, protestantes, espiritanos franceses, luteranos, e outras. Havia o tráfico de armas, como as Martini-Henry e as Westley Richards, algumas provindas da guerra civil americana, outras da África do Sul. As tribos africanas não só estavam organizadas – possuindo meios rudimentares de comunicação militar, por exemplo – como estavam armadas com armas de fogo das mais diversas origens. Não era fácil  a vida dos soldados portugueses, obrigados a longas caminhadas muitas vezes a pé pelo terreno desértico ou semi-desértico, ou a cavalo, carroças boer, etc,  a teram combater os alemães (1914), por estes terem invadido o sul de Angola, mas continuavam a ser os negros os piores adversários. Os soldados quando não morriam nos combates, morriam de sede e de doenças provenientes, muitas vezes, de beberem água inquinada.  Destacam-se as revoltas do Humbe (1885-1886 , 1891, e 1897-1898). Sofreram a vitória dos Cuamatos (uma tribo Ovambo), na batalha do Vau de Pembe, cujas baixas portuguesas foram centenas, entre mortos e desaparecidos.





(2)

Manuel Júlio de Mendonça Torres, na obra intitulada « O Distrito de Moçâmedes nas Fases da sua Origem e Primeira Organização» refere também os estudos para elaboração do futuro cais acostável , aquando da visita do governador Silva Carvalho ao sul da Colónia, bem como os planos examinados pelo major Sarmento para o campo de aviação do Posto Experimental do Caraculo, que se pretendia munido de uma pista de mil e duzentos metros, de modo a permitir a aterragem de aviões destinados a prestação de assistência técnica e sanitária rápida a toda a região definida como ideal para a produção de gado Karakul.   Do ponto de vista económico, Manuel Júlio de Mendonça Torres citava as indústrias marítimas como aquelas que à época apresentavam o maior desenvolvimento no Distrito, atingindo exportações em números elevados, e também a indústria do Karakul que estava despertando o interesse dos criadores, a quem os poderes publicos conferiam facilidades, sector para o qual, à data, tinham sido feitas quinze concessões de cinco mil hectares cada uma, e com possibilidades de se criaram mil cabeças por concessão, ficando outros cinco mil hectares reservados a cada concessionário para expansão futura da sua indústria, segundo informações colhidas no Diário de Notícias da época. Salientava ainda o impulso dado pelo governador Silva Carvalho, sob a égide do capitão Teófilo Duarte, o Ministro das Colónias.


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 Livingstone explorara a África austral em 1840. Verney e Cameron, foram encarregues pela Sociedade de Geografia de Londres de continuar as suas explorações, bem como de Stanley que em 1877 desce o rio Zaire até ao Atlântico, contribuíndo para o conhecimento do interior da África sub-equatorial e para a distinção das bacias interiores, dos lagos e dos rios dessa região. E, 1875, a exemplo da Sociedade de Geografia de Berlim, (surgida em 1828), da de Paris (fundada em 1821), e da de Londres (criada em 1830),  é criada a Sociedade de Geografia  de Lisboa.com o apoio do rei D. Luís. Tempo de intensa actividade industrial por toda a Europa desenvolvida, de necessidade de escoamento da produção, de obtenção crescente de novas áreas de influência sócio-política e exploração económica, em que a partilha da África ganha cada vez mais vigor bem como a ocupação de facto.  Em Portugal D. Luís declara-se “Protector da Sociedade de Geografia de Lisboa”.  A Revoluçao Industrial veio acompanhada de um rápido desenvolvimento tecnológico, evolucao nos navios  com cascos de aço, máquina a vapor, rodas e hélices propulsores, electricidade,  surgiram os explosivos químicos, as armas de precursão central e tiro rápido,  os torpedos, as  tecnologias, tudo isso tornou inútil muito dos equipamento antigos.  A corrida a África pelas potências europeais industrializadas obrigava à pacificação em várias zonas do exercício da soberania  No caso português, o desenvolvimento da Armada teve o Rei-Marinheiro como promotor, com a sua cultura e sensibilidade para as questões navais.   Foi assim que a Sociedade de Geografia de Lisboa decidiu organizar as viagens de Serpa Pinto, Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens, com o objectivo de reconhecer a bacia do Zaire e a relação com o Zambeze e os Grandes Lagos, iniciativa que coincidia com a intervenção de Brazza na África Central, ao mesmo tempo que a missão de Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens percorria as regiões de Benguela, as terras de Iaca, e definia os cursos dos rios, e Serpa Pinto marchava de Benguela ao Bié, identificando as nascentes do Cuanza. Em 1880, no dia 10 de Junho, verificaram-se as Comemoração do Tricentenário da Morte de Camões com a onda republicana a fervilhar. Em 1886 é celebrado o Convénio com a França que aceita o projecto português de ocupar uma parte do território entre Angola e Moçambique,  e é assinado um convénio com a Alemanha onde o depois chamado Mapa Côr de Rosa reconhece aquele direito, desde que não contestado por terceira potência.  O principio da ocupação efectiva, consagrado na Conferência de Berlim de 1885, afastava o princípio do direito histórico que abonava as ambições do Mapa Côr de Rosa, e o Ultimato Inglès de 1890, impondo o seu projecto do Cabo ao Cairo, com o qual cortou, de Sul a Norte, os projectos transversais das restantes potências da frente marítima atlântica, acabou por fornecer a emoção mobilizadora da adesão popular, do luto nacional expresso no luto da estátua de Camões, nas explosões de cólera que se seguiram e acabaram no regicídio que ceifou a vida do Rei D. Carlos e do jovem Príncipe Real Luís Filipe, dissolveu as fidelidades à Coroa acabaria por levar  à implantação da República.
Nessa Europa em busca de matérias-primas e mercados de produtos acabados, esta acção levada a efeito com o apelo à sociedade civil apoiada pelo Rei D. Luiz foi capaz de ultrapassar a desordem política, nesses tempos em que o avanço da Revolta Republicana fez explodir o Regime Monárquico tendo como ponto central do conflito, a defesa da dignidade nacional ofendida pelo Ultimato, e defesa da integridade do conceito estratégico que o novo Regime proclamava assumir com maior eficácia do que a Monarquia.  A República instaurada em 1910 deu continuidade à defesa do ultramar, 



O ANTIGO CORETO
A certa altura as forças vivas de Moçâmedes resolveram construir uma grande e bonita fonte luminosa.
Foi boa a ideia, só não sei se foi bom o local. Ficou assente, embora com alguma reserva de quem queria a fonte construida noutro local, que se fizesse “implodir” o velho coreto, para aí se construir a fonte luminosa de Moçâmedes ! ...
Mais protesto, menos protesto, lá foi erguida a linda fonte, de que Moçâmedes muito se orgulhava ! ...
Foi construída com a “prata da casa e o artista que fez os moldes em madeira, foi o mesmo que exculpiu o tecto dos CTT. - Augusto Alves.
A Fonte era linda, encimada por uma grande taça, sobreposta por outra mais pequena, todas desenhadas em gomos e para onde jorravam fortes esguichos de água, entrecruzados, que com a iluminação projectada do fundo do lago, davam um lindo efeito ! ...
Entretanto morreu o velho coreto ! ...
Estava um pouco degradado, mas era airoso. Tinha um tablado a cerca de 2 metros do chão, um corrimão a toda a volta, de onde partiam pequenas colunas em ferro fojado, que sustentavam a cobertura ! ...
Na sua cave, guardavam os jardineiros da extensa Avenida da República, os seus apetrechos de jardinagem. Foi ali que também armazenaram os milhares de lamparinas que serviram para bordejar os lancis dos canteiros, dando luz à memorável noite em que Moçâmedes completou 100 anos de idade ! ...
O certo é que com o tempo, as lamparinas foram desaparecendo, não sei se com destino a algumas macumbas ou magia negra ! ...
Para falar verdade, o nosso coreto não tinha propriamente uma história. Não havia em Moçâmedes músicos de coreto. Os que nós conheciamos eram todos músicos de conjuntos ! ...
Tenho informações de que, cerca de 38 (ainda eu estava a fazer estágio pré-natal), foi dali que falou ao povo o Gen. Carmona, que estava em visita oficial. Nesse dia, houve distribuição de brinquedos às crianças, no coreto ... Coisas do Estado Novo ! ...
O nosso coreto, teria servido, sim, se tivesse durado mais uns anitos, para durante as Festas do Mar, ali se apresentar a Banda do Cassequel, que simpaticamente a fábrica de açúcar mandou durante alguns anos para abrilhantar as nossas Festas ! ...
Os elementos que compunham a banda, cerca de 20, ficavam alojados num edifício muito antigo, frente à esquina do Hotel Moçâmedes. Diziam as más-línguas que a gerência do hotel, havia previamente mandado instalar uma canalização de vinho tinto, directamente da adega do Hotel para as referidas instalações.! .



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