Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












domingo, 7 de fevereiro de 2016

ILHA DE SANTA HELENA








A propósito de uma notícia, datada de 03-07-2010, e publicada no site"Ango Noticias", relacionada com o líder do Partido Democrático Angolano(PDA), António Alberto Neto, que defende a ideia de que o governo angolano devia encetar negociações diplomáticas a fim de obter a soberania de várias ilhas na Antártida, actualmente sob tutela da Grã-Bretanha, ideia contida aliás, num livro que o político lançara com o título «A Outra Face de Angola», onde reivindica a soberania sobre certas ilhas no continente Antártico, com destaque para Santa Helena, onde Napoleão Bonaparte Bonaparte esteve exilado e onde acabou os seus dias envenenado. Ou seja, 
"... na sua ZEE, Zona Económica Exclusiva. Junta outras ilhas, casos de Bouvet, Mone Maud e Terra da Nova Suécia, que se situam entre o território Sanae, pertença da África do Sul, e a Novalazareskaia, sob tutela da Rússia ":

"...O continente antártico deve pertencer também aos países africanos, pois dele depende a sobrevivência da Humanidade, e o seu uso deve ser para fins pacíficos", fundamenta Alberto Neto, que em tese compara a situação ao caso das ilhas Malvinas, cuja soberania é reivindicada pela Argentina, que durante a década de oitenta chegou mesmo a envolver-se numa guerra com a Grã-Bretanha. Polémica ou não, a ideia está posta à mesa. Embora muitas das ideias que Alberto expende no seu livro sejam velhas de anos, ao editá-las agora significa somente que este velho político as mantém. Algumas são mesmo alvo de recensões e actualizações. Folheando os arquivos da história, consta que Agostinho Neto, primeiro Presidente de Angola independente, terá tido isso em mente, chegando em determinada ocasião a mandar farpas ao Ocidente. Para Alberto Neto, que foi um discípulo de Agostinho Neto, não se trata de uma ideia estéril, sem qualquer utilidade prática para o país. Ele acha que Angola poderia estabelecer na Antártida uma base de estudo – à semelhança da África do Sul, Argentina e Chile – que serviria fundamentalmente para fazer um acompanhamento das riquezas desse continente. Serviria ainda, segundo ele, para coisas como o monitoramento da «corrente fria de Benguela e do plâncton acumulado no fundo do mar e depositado na nossa costa. "

FIM DE CITAÇÃO.



Falemos agora um pouco da Ilha de Santa Helena...
 
A ILHA DE SANTA HELENA
(alguns subsídios para a sua História) 

A Ilha de Santa Helena, a pequena e isolada ilha situada entre Angola e o Brasil, quase a meio do Oceano Atlântico, pertencente ao arquipélago com o mesmo nome, formado por três ilhas, distantes 5.000 quilômetros entre si: Ilha de Santa Helena, ilha Ascensão, e ilha Tristão da Cunha,  foi descoberta por acaso, em 1502, por João da Nova, navegador turco galego ao serviço de Portugal, que fez parte, no passado, da rota dos navegadores portugueses a caminho da Índia.  A descoberta da Ilha por portugueses foi mantida em segredo durante bastante tempo, para evitar que holandeses e ingleses se apossassem dela, e o arquipélago era ao tempo da sua descoberta desabitado. Santa Helena recebeu em 1515 o seu primeiro habitante permanente, o soldado português Fernão Lopes, que permaneceu isolado em na ilha até 1545,  excepto por ocasião de uma breve visita que fez à Europa, após 10 anos de isolamento na ilha. Mas na verdade Portugal nunca a colonizou Santa Helena, e a ilha acabou ocupada no século XVII, sucessivamente, por Holandeses, em seguida por Ingleses, passando em 1673, definitivamente à posse da Inglaterra.  Há notícias que no século XVI, a Ilha de Santa Helena foi usada como base para as aguadas e para o abastecimento das tripulações, ponto de passagem que se tornara  dos navios negreiros ingleses a caminho das Américas. Os cidadãos de Santa Helena são pois, brancos, filhos de ingleses, não falam a língua dos portugueses que a descobriram. Ao arquipélago nunca chegaram as invasões banto, nem nunca lá esteve algum banto. A escolha do nome para o arquipélago deve-se a Helena de Tróia, santa da promiscuidade.

Santa Helena foi também lugar de degredo, para onde a Inglaterra costumava enviar seus presidiários de altíssima periculosidade. Aliás, a Ilha de Santa Helena ficou famosa porque a determinada altura da ocupação inglesa recebeu um hóspede muito especial, Napoleão Bonaparte, depois de ser expulso da França, como "cidadão-non-grata e traidor da república". Foi em Santa Helena, seu segundo exílio, o local onde o envenenaram com os característicos copos de leite matinais com arsénico, matando-o. A aproximação  à  ilha de Santa Helena foi severamente bloqueada após o desembarque de Napoleão Bonaparte. Este bloqueio durou até 1821, ano da morte deste prisioneiro especial, em 05 de maio de 1821, no mesmo ano em que Dom João VI, que se refugiara no Brasil com a corte, fugindo às invasões francesas, regressou a Portugal, e desembarcou em Lisboa no dia 04 de Julho de 1821, após a queda do absolutismo em Portugal e triunfo dos liberais, em 1820.

A ilha de Santa Helena é uma das emergências de uma cadeia de montanhas submersas que existe entre a África e a América, possui uma população de aproximadamente 4 mil habitantes, sendo a maioria descendentes dos colonos britânicos, dos empregados da Companhia Britânica das Índias Ocidentais e dos trabalhadores trazidos do sul da Ásia, Índias Ocidentais, Madagáscar e China.  A Ilha  não possui riquezas, vive de ajuda da Inglaterra. Para se ter uma noção, a Ilha não possui nenhuma praia, sendo o seu litoral completamente rochoso, o que impede grandes projectos para desenvolvimento do turismo. A economia local baseia-se no turismo de pessoas endinheiradas que não se importam de viajar para o fim do mundo, apenas para ver a última cama de Napoleão, o último copo de Napoleão e vários outros apetrechos fim-napoleónicos mantidos intactos.  Para os naturais da ilha onde chegaram os portugueses em Maio de 1502, o turismo poderá mudar de maneira permanente o modo de vida local. A construção de hotéis - há inaugurações já para este ano -, estâncias balneares, a venda de propriedades, a própria pressão demográfica deixarão marcas na ilha que tem uma superfície de 122 km2 (a do Faial, nos Açores, tem 172 km2 e 15 mil residentes), paisagens deslumbrantes e uma temperatura média entre os 20-27 graus.  O arquipélago não possui aeroporto, e para acudir a qualquer acontecimento que ocorra na ilha, os habitantes servem-se de um barquinho pesqueiro denominado "RSS SOS". No entanto chega-nos presentemente a notícia do fim da era de isolamento em Santa Helena. Vôos regulares vão ter início em Maio de 2016, no local onde viveu o "Robinson Crusoé português". Santa Helena, um dos locais mais isolados e difíceis de visitar no planeta, quase a meio do Atlântico Sul, a 2200 quilómetros da costa angolana, passará a ter um aeroporto. Será o fim de séculos de reclusão.

Concluo integrando em seguida dois comentários relacionados com o citado texto, publicado no site"Ango Noticias":

"As fronteiras dos países africanos são resultado da colonização.  De acordo com a Carta da União Africana, no seu artigo 4.º, alínea b), as fronteiras dos países africanos são as existentes desde o momento da acessão à independência, princípio que já havia sido invocado com a Carta da OUA. Antes nunca houve uma Angola. Muito menos uma Angola que integrasse essa distante ilha de Santa Helena. Aqueles que defender tal ideia absurda deviam pensar que Angola até vive o problema de Cabinda.  É nosso dever cívico esclarecer essa situação. Cabinda fazia parte da Angola colonial Aquando da descolonização, em momento algum ficou discutido que se devia rever a titularidade daquele território. Nem sequer era um assunto"

Outro comentário:  "Santa Helena não é nossa!" :

"De acordo com a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, os países costeiros têm direito a declarar uma zona económica exclusiva ZEE) de espaço marítimo para além das suas águas territoriais, na qual têm prerrogativas na utilização dos recursos, tanto vivos como não-vivos, e responsabilidade na sua gestão. A ZEE é delimitada por uma linha imaginária situada a 200 milhas marítimas da costa. A ZEE separa as águas nacionais das águas internacionais ou comuns. Santa Helena está a 1.000 milhas da foz do Cunene, o ponto mais próximo da Costa. "

Ainda outro comentário de "BB":

"Santa Helena é de quem lá está!!! E se não estiver ninguém, é de quem lá chegou primeiro. Senão, mudo de opinião e acabo por dar razão aos grupos independentistas cabindeses."

FIM DE CITAÇÕES E DO TEXTO



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