Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












sábado, 30 de julho de 2016

Chamavam-lhe o "40"

 

Chamavam-lhe o "40". Quando vi a foto deste sujeito que viveu em Moçâmedes e, outras eras logo me veio ao pensamento que podia ter sido um ex-militar que teria participado das campanhas de África do início do século XX, e que por ali teria ficado. Mas não, disse-me logo uma conterrânea que por tradição oral sabia da sua história

"...Não, o "40" era um presidiário da Fortaleza de S. Fernando em Moçâmedes. "40" era o seu nº de cela, ele foi deportado para Angola porque bateu num homem que já estava morto. Era conhecido porque roubava pombas, burros , pintava-os com manchas e depois ia vender aos donos, claro quando as pombas tomavam banho e as manchas desapareciam, lá ia o "40" novamente preso, não tinha emenda, era o único pecado dele.  Era um homem de pele clara e olhos azuis. Foi trabalhar para a minha bisavó, Júlia Pestana, acompanhava o meu avô e o irmão, para todo o lado.  Nesta altura a irmã Hortense, já estava casada com o Costa Santos .Segundo o meu avô era um bom homem, ficou na família e morreu lá.  Vina "

A Vina recordou-se da história, mas desconhece o seu nome. Fica aqui para memória futura, o registo deste cidadão anónimo que já há muito não está entre nós.  Alguém que viveu em Moçâmedes nas primeiras décadas do século XX, e que dele resta apenas esta imagem.


MariaNJardim 

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