Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












domingo, 22 de outubro de 2017

MEMÓRIAS COM HISTÓRIA: O INCRÍVEL BURACO !

 





Durante anos e anos, Moçâmedes mergulhou num estúpido marasmo. Nada se construía e não se passava do mesmo ! ...

Depois, aos poucos, foi acordando e lá foram surgindo alguns bairros novos e um pouco mais de entusiasmo. Moçâmedes alindava-se e preparava-se para o futuro. Dentre outros melhoramentos surgiu a nova estrada Moçâmedes - Porto Alexandre ! ...Nasceu uma faixa de asfalto ligando as duas cidades, encurtando o percurso e trazendo mais progresso.
A nova estrada fez esquecer as atribulações passadas.

Na antiga, que praticamente não existia, pois cada um escolhia por onde queria ir, no deserto, os velhos camiões que faziam a travessia, gemendo e chorando, todos eles se torciam ameaçando partir o “chassi” e desfazerem-se, principalmente no famoso local chamado “Buraco”, levando todo o género de bens essenciais à vida de Porto Alexandre e principalmente lenha para alimentar as caldeiras das fábricas de farinha e óleo de peixe.

Era dura a vida de camionista !

O incrível Buraco era sempre satirizado por todos os palhaços das companhias de circo que passavam pelas duas cidades : - “Você, minha senhora, tem um pé em Moçâmedes e o outro em Porto Alexandre, o que fica no meio ? - O Buraco ! ...” Piadas de palhaços que nos ficam gravadas na memória !

Ao longo dos primeiros quilómetros da nova estrada estavam plantando, a espaços, uma fileira de árvores que eram religiosamente regadas pelo pessoal da Câmara, na esperança que se adaptassem a viver no deserto ! ...

Pouco antes do sítio onde se situava o famoso Buraco, uma Associação de senhoras religiosas cercou um pequeno, raquítico e resistente arbusto (tal como todas as plantas do deserto), colocando a imagem de uma santa ou santo, que já me não lembro qual, tendo o cuidado de adicionar uma placa, que além de identificar a espécie, informando que se tratava de um exemplar raro, do qual não existia outro muitos quilómetros em redor, pedia que a regassem ! ...

Muitas vezes lá parei para esvasiar uma garrafinha de água ! ...

Roberto Trindade

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