Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












domingo, 22 de abril de 2018

Ainda sobre Moçâmedes e o seu feriado...









Ainda que a fundação do Presidio sob orientação oficial e  militar, que ficou a demarcar a posse  para Portugal das terras circunvizinhas,  bem como das primeiras feitorias, tivesse  acontecido cerca de uma década antes da chegada a Moçâmedes, em 04 de Agosto de 1849 da 1ª colonia constituida por luso-brasileiros oriundos de Pernambuco Brasil, fugidos da revolução praeeira, e capitaneados por Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, foi esta a data escolhida desde logo para as celebrações da fundação da cidade. A época das feitorias foi um período histórico essencialmente de iniciativa particular tendo por tal resultado em falhanços ou em tentativas mal sucedidas, de êxito relativo, que ficaram muito aquém dos objectivos que os seus esforçados empreendedores sonharam alcançar. As feitorias não foram senão meras tentativas  de fixação e povoamento por habitantes acidentais sem consequências, porque não foram acompanhados das indispensáveis circunstâncias para o genuíno exercício da missão colonizadora  (como defende Mendonça Torres, no citado livro) . Deixaram perder (danificados, roubados ou abandonados) os módicos haveres, que haviam sido proficiosamente adquiridos, viram, em pouco tempo, desaparecer, sem que deles restasse a mínima sombra de vestígio. Não passaram pois,  de esforçadas tentativas às quais faltaram o apoio do Estado Português, ainda que o seu objectivo fosse o povoamento das regiões a sul de Benguela com povoadores do reino.

Segundo Manuel Júlio de Mendonça Torres na sua obra base "O Distrito de Moçâmedes nas Fases de Origem e Primeira Organização", 1840 não poderia de modo algum respresentar a data da fundação de Moçâmedes, mas sim o 04 Agosto de 1849. E porquê? Precisamente devido ao falhanço das mesmas feitorias. Familias seriam necessárias para o êxito da fixação.

Também há quem afirme que primeiros colonos chegaram a Moçâmedes a 03 de Agosto de 1849,  servindo-se como fundamento  das suas argumentações  a existência de um ofício que dali fora dirigido ao Governador Geral de Angola pelo Major Herculano  Ferreira Horta, designado para dirigir a recepção aos colonos. Outros registam o dia 4 de Agosto desse mesmo ano, fazendo uso das afirmações de Bernardino  numa das suas crónicas publicadas Boletim Oficial Angola, referindo que a 01 de Agosto chegara a Moçâmedes  o Brigue Douro e no dia 04 a Barca brasileira "Tentativa Feliz",  após 74 dias viagem.

Sabe-se que anos mais tarde Bernardino teria sido incumbido pela edilidade de Moçâmedes a narrar  em livro que registasse os mais releventes factos históricos do Município,  a mando do Governador Geral, e  que havia chamado  a atenção das Câmaras Municipais para que com base portarias Minsterio Marinha e Ultramar criasse em cada município tais livros designados Anais do Municipio.  Aí Bernardino ao abordar o problema da data chegada, aponta o 4 de Agosto, repetindo a afirmação quando das comemorações pela passagem do décimo aniversário da fundação da colónia em 1850.  Aliás esta data foi sempre aceite pelos colonos incontestavemnete,  e nesse dia foi sempre comemorada a festa municipal.





Pesquisa e texto por MariaNJardim





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