Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












segunda-feira, 30 de abril de 2018

O toponímio Mossâmedes com "ss"





Mossâmedes com dois "ss", assim se escreveu, até determinada altura, o nome da povoação capital de Distrito que  em Angola tinha por limites a norte, o Distrito de Benguela,  a sul o rio Cunene, a oeste o Oceano Atântico e a  este os rios Cunene e e Cubango.

 O toponímio Mossâmedes com dois "ss" foi atribuido à  velha "Angra do Negro" , à "Mossungo Bitoto" na língua local, pelo geógrafo e oficial da Marinha, José Cândido Cordeiro Pinheiro Furtado, que o propôs, em 1790, no decurso de uma expedição à Angra, em homenagem ao Governador Geral de Angola (de 1784 a 1790), o Barão de Mossâmedes, José de Almeida Vasconcelos Soveral de Carvalho da Maia Soares Albergaria, Senhor da Terra do Celeiro de Mossãmedes, na Ribeira da Cruz, Póvoa do Concelho do Distrito de Vizeu -Beira Alta, "por relevantes serviços prestados à Nação". 

O Barão de Mossâmedes já havia demonstrado nítido interesse em ocupar a região  conhecida nas antigas cartas e roteiros por "Angra do Negro", e  por "Litlle Fish Gay" nas cartas inglesas,  tendo para o efeito solicitado ao Ministério da Marinha e do Ultramar o envio de recrutas e de colonos, preferencialmente casadose resultando as suas preocupações numa expedição que teve lugar em 12 de junho de 1785, a bordo da fragata Loanda, comandada pelo tenente-coronel de engenharia,  Luiz Candido Cordeiro Pinheiro Furtado, enquanto Gregório José Mendes, rico sertanejo com um corpo de tropa explorava o interior, no intuito de afastar o interesse de estabelecimentos estrangeiros (1). Apesar de todo o seu esforço,  a região de Mossâmedes continuou por muito tempo ainda  no esquecimento das autoridades portuguesas, que sem condições de aumentar o número de colonos na região, acabou deixando espaço para especulações estrangeiras.

Dessa expedição existem a memória de Gregório José Mendes, e a carta de Pinheiro Furtado, bem como as plantas por este ultimo levantadas da Angra do Negro, que ele denominou Bahia de Mossamedes, e da Enseada da Lapa, 1785. (2)

Quanto ao toponímio, a partir de 1944, Mossâmedes com dois «ss» passou a escrever-se com «ç», alteração ortográfica introduzida pela Sociedade de Geografia de Lisboa, talvez com o propósito de a conciliar com a ortografia de Moçambique que sempre se escrevera com «ç».  Assim reza o artº 1.0 da Portaria N. 269D, de 23 de Agosto de 1919, assinado pelo Governador Geral de Angola, Francisco Coelho do Amaral Reis, (Visconde de Penalva) e publicada no Boletim Oficial da Província de Angola, 1ª série n. 34, de 26 de Agosto de 1919.



MariaNJardim



(1)   Quanto a "interesses estrangeirios" com relação ao território a sul de Benguela, à época por ocupar, Simão José da Luz Soriano  em "Revelações da minha vida e memórias de alguns factos e homens meus contemporâneos" (1860), assim os descreve : " ...No quarto volume, documento n.º 13, da viagem que Mr. João Baptista Douville fez a Angola, em 1827, vê-se aparecer ali bem descrito o porto e o sertão de Mossâmedes. Mais se vê ter ele fortemente despertado a atenção do governo francês por meio de uma memória dirigida ao ministro das colónias, sobre aquele porto, rogando-o encarecidamente para que nele mandasse levantar um presídio para degradados. (...)  A leitura de tudo isto convenceu-me cada vez mais da urgência de se segurar a todo o custo o porto e o sertão de Mossâmedes, antes que o governo francês anuisse as instâncias de Douville, e nos expellissem do sul de Angola pelo mesmo modo por que nos tinham expellido do norte.(...)


(2)  In "Ensaios sobre a estatistica das possessões portuguezas na Africa occidental e na China e Oceania", por José Joaquim Lopes de Lima, 1844oficial-maior da secretária do estado dos negócios da marinha e ultramar em Angola, em suas

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