Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












domingo, 30 de junho de 2019

A cultura do algodão em Mossamede




A Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, chefe da primeira colonia que, vinda de Pernambuco, ás praias de Mossamedes aportou em 4 de Agosto de 1849. se deve a íntroducção desta preciosa planta no districto. Distribuiu elle a semente de que se munira no Brazil pelos seus companheiros e, ainda hoje, decorridos cerca de 64 annos, a maioria das plantações de algodão proveem da semente brazileira.

Chegou a cultura ao seu auge no anno de 1872 em que se exportaram pelo porto de Mossamedes 355 toneladas; mas, tendo-se seguido uns annos de seccas e havendo o preço do algodão declinado quasi repentinamente de dois mil duzentos e cincoenta réis o kilo a 260 e 169 réis, a maioria das plantações, quasi na totalidade, foram abandonadas, o que originou o encerramento de duas fabricas de tecidos que existiam nesta cidade, uma a vapor, pertencente a Eugénio Wherlin, francez, outra, com teares manuaes, de Luiz José de Oliveira, teares que ainda hoje existem, uns numa arruinada casa pertencente à Missão Catholica de Huilla e outros na casa da viuva do citado Oliveira.

Devido as causas que apontamos, dedicaram-se os agricultores, quasi exclusivamente, à cultura da canna saccharina para fabrico de aguardente que se produzia em 35 destillações mais ou menos bem montadas. O máximo da producçao, dizem-nos, jámais excedeu à totalidade de 1500 pipas cu|o valor pode computar-se em 120.000 000.

Desde a conferencia de Bruxelas, começaram a acelerar-se perigos ameaçando a já então prospera cultura á qual Mossamedes deveu muito do seu desenvolvimento. O decreto de 27 de Maio de 1911, como é de todos sabido, veiu, de vez. pór cobro á cultura da canna, porque, havendo uma única fabrica de assucar em todo o districto, actualmente encerrada, e sendo as principaes plantações bastantes kilometres distantes d'ella (pois é sabido, quanto mais distantes as destillações se encontravam do littoral mais próximas estavam dos centros da consumo) não podia aproveitar-se senão uma pequena parte. Felizmente os agricultores e legisladores, mal viram despontar o perigo que ameaçava o fabrico do álcool, de novo estimularam a cultura do algodão, conseguindo-se que ella reapparecesse em alguns valles do districto e se desenvolvesse um pouco mais em propriedades onde nao chegara a desapparecer por completo. Todas ellas embora muito lentamente e com sorte varia se vão desenvolvendo, não obstante a falta de mao d'obra que de ha muito assoberbava a agricultura e industria do Districto e, ultimamente, por motivos de todos conhecidos, se tem aggravado um pouco.

Esta falta, se não se conseguiu uma forte e voluntária corrente de emigração de trabalhadores de Huilla, por bastante tempo se fará ainda sentir. Mas, se se fizer a occupaçáo militar do districto que vimos Preconizando desde a primeira vez que na qualidade de Inspector do grupo de Circumscripçôes Civis de Angola, visitamos a de Capangombe cuja substituição por postos Militares alvitrámos, por ser a única occupação com razão de ser nas terras d aquella região, hoje englobadas na circumscripção civil de Mossamedes, a qual, em consequência da séde escolhida ainda tem menos razão de existir que tinha a de Capangombe. que a.go e aproveitável ia já produzindo, dispensável se tornar alessa. corrente de emigração, pois é positivo que Chella abaixo ha mais do que os trabalhadores necessários para a manutenção e desenvolvimento da agricultura e industrias de Mossamedes. Mas, deixemo-nos de considerações sobre o problema da mão de obra, que longe, nos levariam, tanto mais que apesar da sua capital importância para a economia do districto elle de fácil solução, bastando, como já dissemos na columnas desta «Revista» uma simples companhia indigena de infantaria para o conseguir e, passemos a tratar do algodão que produz a agricultura do districto, do que pode produzir e do papel que este districto, em que muitos persistem em ver apenas uma colonia de povoamento quando pode e deve voltar a ser uma colonia de plantação, poderia representar na economia metropolitana. O algodão exportado produzido no districto nos últimos três annos, incluindo o actual, em que novos embarques se farão ainda, foi o seguinte:
1911 — Viuva Bastos & Filhos...
» — Duarte de Almeida & C.
» —Souza & Reis
1912—Figueiredo & Almeida...
191 3 — Viuva Bastos & Filhos. ..
— Duarte de Almeida & C.a
— Figueiredo & Almeida. ..
6478 kilos 4440 »1096 »919 »3760 »22312 2010
Todo exportado para portos nacionaes. Excepto 435 kilos que se destinaram a portos nacionaes toda a producção foi exportado para Hamburgo.

Em 1912 e 1913 foram exportados 2:420 kilos de algodão produzidos neste districto, por indivíduos não agricultores, que englobámos nos números acima indicados. A Companhia de Mossamedes exportou em 1911, 35:799 kilos e, em 1912, 4.221 para mercados nacionaes. Em 191 3 exportou 5:000 kilos para estes mercados e 28:800 kilos para Humburgo. Não mencionámos estes números na producção do districto porque a Companhia de Mossamedes não tem aqui propriedades agrícolas. Como atraz dissémos, muito brevemente seguirão para Hamburgo mais umas dezenas de toneladas de algodão produzidas por esta Companhia e pela firma Duarte d'Almeida & C. Vé-se, pois, que para quinze milhões de kilos de que o nosso paiz carece annualmente, poderia Mossamedes ter concorrido com 27:587, o que ainda assim não fez por a producção se ter destinado quasi integralmente á Allemanha por causas absolutamente extranhas á vontade dos agricultores, causas de que adiante trataremos e que só revelam o desconhecimento do que por aqui se passa e tanto deve interessar aos industriaes de fiação do nosso paiz e ás Associações Commerciaes.

A media da producção do algodão «caravonia», tem sido de 200 kilos por hectare, sendo, portanto necessários 75:000 hectares de cultura, admittindo que se não consigam sementes mais productivas que forneçam o algodão necessário para o consumo portuguez. Poderá Mossamedes produzil-o? Affigura-senos que sim, pois só no extincto concelho de Capangombe, com terrenos e clima eminentemente proprios para todas as culturas, especialmente a de algodão, existiram em tempos idos 57 propriedades algodoeiras; e, revendo os diplomas de concessões de terrenos para algodão, vé-se que de 1863 a 1892 foram ali concedidos cento e quarenta e sete mil quatrocentos e dezoito hectares, á margem de vários rios. De tamanha area, havendo ainda muitos terrenos proprios que jámais foram requeridos, estão hoje sendo aproveitados, e bem mal, apenas umas centenas de hectares com varias culturas, quasi exclusivamente mantimentos. Afóra a area citada existem no districto terrenos na posse das principaes firmas que podem avaliar-se em 16:000 hectares proprios para algodão, de que só uma pequena parte contém esta planta. São do conhecimento de todos os que um pouco se dedicam a questões coloniaes, os exforços empregados pelas varias nacionalidades para se emanciparem da esmagadora tutela da America do Norte que, só á sua parte, produz dois terços do algodão consumido nos mercados mundiaes. Desses exforços resultaram, como se sabe, entre outras, associações como a British Cotton Growing Association, Associação Algodoeira Franceza e Associação Germano-Levantina. Nós, infelizmente, apesar de ainda hoje ocuparmos o quarto logar entre as nações coloniais, nada mais temos produzido, alem de muitos decretos e portarias, é crivei que muito patrióticas e bem intencionadas, mas, positivamente, de resultados quasi nullos, entre os quaes é justo destacar o decreto de 2 de Setembro de 1901, cujo prazo convém prolongar, no tocante a impostos e prémios.

E, o que é mais: anullamos a propria iniciativa particular incitando os agricultores a venderem o algodão, de que carecemos em absoluto, á Allemanha, porque, não obstante os exforços empregados pelos Governos do districto e da província, e, ainda, os do Agente da Empreza Nacional de Navegação para que esta Empreza faça a reducção de tarifas para o seu transporte, ella continua, certamente esquecida de que o Estado no intuito único de a beneficiar sobrecarrega com maiores direitos de exportação as mercadorias transportadas pelas marinhas estrangeiras, continua cobrando 25^000 réis por tonelada de algodão emquanto a «Woerman Linie» leva só i2$ooo réis. E, como se fóra pequeno o incentivo á exportação para o Estrangeiro, emquanto o algodão de Mossamedes é cotado nos mercados nacionaes a 350 réis o kilo, na praçade Hamburgo logra a cotação de 450 réis!

O facto de até agora nada termos produzido, comparativamente com o muito que poderia estar feito, obriga-nos a recuperar o tempo perdido, pois podemos e devemos, repetimos, só neste districto ultramarino, produzir todo o algodão de que carecemos para a nossa industria. Evidentemente, sem a realização de tão dispendiosas como remuneradoras obras de arte, como barragens, canalizações, poços nos leitos dos rios, etc,, sem a acquisição de charruas, desgranadeiras, arranca-cepas, machinas de apanhar algodão e enfardadeiras a vapor, que substituam quanto possivelo o braço indigena, obras e acquisições estas que poderão custar, talvez, para cima de um milhar de contos, não é fácil
conseguir agricultar toda a area que se torna indispensável para conseguir esse desideratum.

Não ha no districto capitaes para empreza de tal magnitude, embora sobeje, por honra nossa, iniciativa para obras de maior vulto. Mas, o que os agricultores d'aqui não pódem fazer, tem a Companhia de Mossamedes (que pelas clausulas do seu contracto se obrigou a plantar cem mil hectares de algodão, tendo até á data, ao que nos dizem, bem mal tratadospor signal, apenas mil hectares) obrigação de o fazer ou, pelo menos, tentar, organizando uma Companhia Algodoeira que
tal nome mereça, com poucos ou nenhuns directores na metropole, tendo em Africa os technicos escolhidos de que careça, para muito trabalharem, como se tornaria necessário e, até,uma fabrica para produzir o algodão tecido de que carecesse a Província de Angola.

Dissémos e não nos cançaremos de o repetir, que áquella Companhia incumbe essa iniciativa. Restando-lhe, segundo constade dados officiaes que temos presentes, 1:141.921^883 réis
do seu capital, tem fundos de sobejo para o fazer, absolutamente dentro das clausulas do seu contracto. Gastou ella em Africa, vé-se de documentos officiaes que o affirma, a fabulosa
somma de 1:979.953$ 17 reis... Em qué será fácil proval-o, pois tudo, absolutamente tudo o que possue nos dois districtos do Sul de Angola, bem vendido, não produzirá cousa que se pareça com cem contos de reis.

A Companhia da Zambezia, que oficialmente tem sidoaccusada de não cumprir o seu contracto, com um dispêndioem Africa de i.i82:686jr>8o2 réis, gastou cerca de cem contos na occupação de alguns prazos — regimen que muito esejaríamos vér applicado a Mossamedes e Huilla—; construiu um caminho de ferro de 28 kilometros de extensão;adquiriu uma pequena esquadrilha de vapores para o rio Zambeze; levantou explendidos edifícios, fabricas a vapor para tratamento do cairo e limpeza do arroz, ofticinas, igualmente a vapor, que não se envergonham das que o Estado possue, fez uma estrada na qual, pelas grandes difiiculdades do traçado gastou cerca de 17 contos, de Villa Bocage á Serra da Morrumballa, onde tem uma plantação de 73:000 pés de café das mais afamadas procedências; fez salinas, dedicou-se ao apuramento do gado bovino, de que possue cerca de cinco mil cabeças, e ainda lhe sobrou capital e iniciativa, apesar de pagar generosamente aos seus empregados talvez por isso mesmo, para ter em plena producção cerca de 400:000 coqueiros, 330:000 plantas de agave e 4:000 palmeiras de coconote, além de muito importantes culturas intercalares e viveiros de cacau, ficuselastica, castiloas, sansiviera cylindrica,sapium, kapok, etc., que occupam, destinados a experiências,algumas dezenas de hectares. Afora isto, no dizer d umaauctoridade insuspeita, o consul de Inglaterra, ha longosannos residente em Moçambique, conseguiu o melhor typo deadministrador e o melhor typo de subordinado...Assim tem procedido uma Companhia, com bons fundamentos, accusada de não ter cumprido o seu contracto. Que a Companhia de Mossamedes ponha os olhos nella ounas suas congeneres d'aquella fertilissima e formosa região, eemprehenda a creação d'uma Companhia Algodoeira de Mossamedes. adquirindo todos os terrenos proprios para algodão existentes no districto, o que julgamos poderá fazer com o dispêndio máximo de duas centenas de contos, parte dos quaespoderia, talvez, pagar em acções. E abandone as pouco importantes plantações do planalto, a cerca de 500 kilometros dolittoral, dos quaes 300 feitos por carros boers, estabelecendo-se em Mossamedes onde as plantações podem ser servidas pelos 176 kilometros de Caminho de Ferro já construídos e pelos portos e bahias com que a Natureza tão prodigamente dotou este districto. Todas as dificuldades com que luctam os agricultores do districto as tem ella no planalto, accrescidas ainda com as dos transportes aqui desconhecidas, e é positivoque as terras onde se estabeleceu são de inferior qualidade,comparadas com as do Munhino, Bibala, Bentiaba, Bumbe,Coroca ou S. Nicolau.Ao que nos consta, o Senhor Visconde do Giraul está envidando exforços para a creação d'uma companhia algodoeira.

Oxalá elle, a Companhia de Mossamedes, os agricultores da colonia ou os industriaes da metrópole portugueza, tão interessados no caso, o conseguissem! mas, emquanto tal se não fizer, que ao menos coadjuvem os exforços dos srs. Governadores d'este districto e da Provincia para que as tarifas da Empreza Nacional acompanhem as da «Woerman Linie» e ascotações do algodão em Portugal não sejam inferiores ás de amburgo, pois é anti-patriotico além de irracional que ascolonias portuguezas exportem para o Extrangeiro productos que a nossa industria se vê forçada a adquirir por qualquer
preço, onde os encontre. 

Taes são os nossos votos.
Vieira Branco.



quinta-feira, 30 de maio de 2019

sábado, 25 de maio de 2019

TORRE DO TOMBO, MINHA PAIXÃO















TORRE DO TOMBO, bairro onde nasci, cresci e me fiz homem. Que trago na minha memória e no fundo do coração.
Torre do Tombo, terra de pescadores, de homens do mar .Gente de trabalho duro De mãos" gretadas" pela linhas de pesca. De muitas madrugadas a caminho do mar. Das baleeiras de pesca à vela e só depois a motor. Das traineiras que chegaram no final dos anos quarenta vindas de Portimão.Trouxeram novos amigos para a Escola e para o futebol. 
A CASA DOS MEUS PAIS, ao lado a casa do meu tio Aníbal e do "casarão" do João Duarte e da D.ª Micas. 
DOS COMPANHEIROS DE INFÂNCIA Necas, primo Juju, Zézinho e Miróides. 
DA LOJA DO MONTEIRO, pai do amigo Necas, com o forte cheiro dos barris de vinho. Das baleeiras carregadas até mais não de cachuchos e choupas. Cachucho a 50 centavos cada. Dos trabalhadores negros- os contratados - de Caconda, Ganguelas e do Baixo Cunene, " a escalar" e "fazer secar" o peixe nas tarimbas.Por um salário miserável.Das MOCUBAIS, bem giras, com os seus trajes reduzidos e pulseiras com argolas nos braços e pernas. 
DOS JOGOS DE FUTEBOL no" descampado " em frente da casa do João Duarte. "Meia-linha" e já está , futebol até ao anoitecer. Faz-se hora de jantar. Torre do Tombo do CHAFARIZ ao centro, onde se enchiam os barris de água para haver água em nossas casas.Dos jogos às escondidas no casarão do Reis. DA ESCOLINHA DO CABO ALMEIDA onde muitos aprenderam as primeiras letras. Cabo Almeida que ajudava as pessoas do Bairro a escrever cartas e requerimentos. e fazia "outras coisas" que não veêm para o efeito.
DO BAIRRO FEIO que para nós era mesmo bonito. Ali vamos nós de BATA BRANCA vestida, a caminho da velha Escola de madeira. Nela fiz "com distinção" a 1ª. 2ª, 3ª e 4ª classes. Das "caniçadas" na cabeça dos cabulões. 
Do LUSO ,meu clube de palmeiras e bordões, campeões de futebol da rua. Do cheiro a peixe seco nas tarimbas e do "guano" da SOS. Do cheiro a pó das "garroas" que vinham do deserto. Das "armadilhas" aos "papaareias".na serra. Das partidas "aos neófitos" com a caça aos gambuzinos.
Da Casa do Amigo Lisboa, a casa do Brás, e subir as escadinhas até ao Ginásio. 
DAS FESTAS DO GINÁSIO nos Santos Populares com as saborosas "iscas" no pão e os bolos confeccionados pelas nossas simpatizantes. Das "malas de peixe seco"oferecidas pelos pescadores ao Ginásio para o Clube poder sobreviver.Ginásio ostracizado como estava pelo Pode" colonial "da Vila Dos "BAILES DA PINHATA" onde se faziam amizades que davam em casamento. 
Do FUTEBOL , equipas de honra e de reservas, com o dragão ao peito. G.C.C.T. ! G,C.C.T.! Ginásio campeão de Moçâmedes em 1946 ! Cabouco, Eugenio Estrela, Baraço, Cabral Vieira, Artur Estrela, Lumelino, Eduardo Braz, Abilio, Pombinha, João Ilha e Sopapo, os nossos campeões.Ginásio visita o Lubango em 1953 com a minha equipa. GINÃSIO DO BASKET FEMININO, um grupo de meninas habilidosas e decididas. Convidadas para jogar em Benguela.Fizeram figura. Fazem frente ao Benfica campeão a modalidade.Francelina, Celisia, Helena, Eduarda, Nidia,Paulita e Ricardina, as nossas jovens basquetebolistas. GCTT!GCTT!
Dos amigos e companheiros da adolescência Carlos Lisboa, Zézinho e Calão, também jogadores na equipe de futebol do Ginásio. 
Dos CACILHEIROS sulcando o Tejo, para lá e para cá, num caminho de espuma. 
Da estrada de "areia" para a Praia Amélia e Canjeque, onde as rodas dos carros se enterravam e tinhamos um trabalhão para as safar. 
DOS GRANDES BANHOS aos Domingos na Praia Amélia, a mergulhar com valentia na forte ondulação. DAS PESCARIAS às garoupas vermelhas com pintinhas no mar das Barreiras, 
Do enfermeiro negro Franco do Grémio , que sucedeu por bem ao malogrado Coelho , terror dos "rabinhos" dos meninos e meninas com as injeções de quinino. Dos passeios com os amigos até à PONTA DO PAU DE SUL. Cacau e bolos. Hora de "pescar moreias" nos buracos das rochas, As mais pequenas, fritas , eram uma delícia. Dos bons banhos nas "prainhas" do Pau de Sul. Há que subir a falésia sem medos. 
DA PESCARIA DO MEU PAI nas " pedras ", com as suas baleeiras "Laura" e "Maravilha", fundeadas em frente. A "Laura" campeã das regatas à vela. Muito me honrou. Hora de nadar até às baleeiras.De subir a bordo para mergulhos valentes. De nadar para a praia e ali "caçar" tremelgas, chocos e polvos com um arpão. 
Da caminhada diária para a ESCOLA DE PESCA,livros e cadernos na sacola, passando pelo casarão azul do João Pereira, pelo velho Hospital de Madeira, pela Igreja e Palácio, até à ESCOLA DE PESCA. Dos nossos mestres Dr.Borges ( Contabilidade ), Tenente Faustino ( Matemática), Drª Brigite ( Português e Inglês), dos Profs, Carrilho ( Caligrafia,Dactilografia e Estenografia) e Cecilio Moreira ( Educação F´isica ). 
Da PADARIA DO ESTEVES e dos amigos da bola Nélinho, Trovão e Zequinha. Que fiz a desfeita de marcar um golo de cabeça ao Nélinho pelos Infantis do Sporting.Do Zéquinha que jogou no Sporting de Portugal, ao lado do Travassos. Do cheiro a pó das " garroas" e do cheiro a "guano" da S.O.S. 
Da Casa ao cimo da rua da minha querida Avó. Dos afamados "bolos de folha" que ela fazia no Natal e Ano Novo. 
Das longas corridas na minha "Raleigh" de casa até à HORTA DO TORRES, com "sacola" para carregar de mangas que "surripávamos" das mangueiras.
DA IGREJA DO PADRE GALHANO com as suas longas barbas e batina " arregaçada" para os jogos de futebol com a malta do catecismo. 14 anos, adeus Igreja, adeus Padre Galhano, é a hora dos jogos de futebol aos Domingos na saudosa Praia do Cano. Que o progresso fez desaparecer com o cais acostável. 
PADRE GALHANO que à noite jogava à sueca e socopas no Ginásio com os pescadores, sem "cobrar" O Pai Nosso de cada dia. 
A FÁBRICA DA SOS, de atum em conserva, onde o meu Pai entregava o atum que pescava e em troca recebia "vales" que eu ia cobrar no fim de cada mês. Da FALÉSIA que dominava a paisagem da Torre do Tombo onde "os navegantes" que por ali passavam deixavam mensagens a admirar a nossa" Angra do Negro"... 
Torre do Tombo do SINDICATO, depois Grémio, com a azáfama das suas duas pontes e o forte odor das "malas de peixe seco" nos Armazéns para exportar , onde trabalhava o meu Avô Manuel Paulo.
TORRE DO TOMBO da " riqueza" da pesca mas TÃO ABANDONADA pelo poder "colonial" da Vila. Treinem-se na rua se quiserem ! TORRE DO TOMBO que deixei em Março de 1956 para vir para Lisboa. Parti com o coração apertado. Adeus baía de Moçâmedes, adeus Ponta do Pau do Sul, adeus Rio Bero, adeus Farol, cá vou pela vida fora. 
Para voltar com muita alegria para visitas curtas em 1958, em 1960, 1965 e por último em Março de 2005.TORRE DO TOMBO, O MEU ADEUS ETERNO

Amilcar Sousa Almeida


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Origem do Nome. Escreve-se MOcuio ou MUcuio?



Origem do Nome. Escreve-se MOcuio ou MUcuio?


Conf informação de João Carlos Robalo (neto do fundador do Mocuio) a quem muito agradecemos.

Considera-se que a denominação Mocuio tenha provindo do facto de no local, existir árvores do Género Ficus sp. Conforme Raul D’ Oliveira Feijão - autor do Elucidário Fitopatológico - ed. do Instituto Botânico de Lisboa, o nome vulgar daquele género botânico é Mocuio. O Dicionário Cândido de Figueiredo, ed. 1913 refere Mucuio, como “árvore angolense”.

É exacto que, em vários dialectos de Angola, a dita árvore denomina-se “Mucuio”. Como os termos escritos em dialecto ou com natureza de dialecto, não passam de uma mera locução estabelecida naquele local e, por definição e determinação filológica, não desfruta de regra transponível para as normas e formas da Língua portuguesa, um Idioma distinto, independente e soberano.

Aliás, em português, os nomes próprios, apenas são traduzíveis ou modificados, quando provêm de idioma para idioma - exemplo: [Lisbon (em idioma inglês) para Lisboa (idioma português) ou vice-versa], e jamais de dialecto para idioma [Mucuio (dialecto do sul de Angola) para Mocuio (idioma português)]. Se ocorrer tradução advém uma grosseira corruptela, por modificação e adulteração inapropriada dos vocábulos, tanto mais que linguisticamente, qualquer dialecto não tem, nem preceitos, nem ordem, apenas semântica e a Língua portuguesa tem-nos bastante consistentes, estáveis e inflexíveis.

Relembro que a 1ª menção, que se conhece a “ Mocuio” (região) consta de 7 de Outubro de 1785 e, já na época, era assim documentadamente redigido. Averiguemos até, confiramos ainda e confirmemos também que escrituras, diplomas, declarações e demais documentos oficiais, bem como textos literais em português figurar Mocuio. Perante o exposto inferir-se-á que em português não se deverá escrever Mucuio, mas sim Mocuio.

Na foto, o prato de loiça de um dos serviços do Chalet onde se pode ver gravado MOCUIO com “O” e não “U”. Todas as peças de loiça detinham esta estampagem de personalização com a nomenclatura Mocuio ou então, com um entrelaçado com as iniciais do seu nome JTF. 

Vejamos em seguida a posição sobre o mesmo assunto de um outro neto do mesmo fundador, João Thomás da Fonseca:

"...Não quero ser polémico nem contestar ninguém mas pela experiência que tive da minha vivência de Àfrica, embora não sendo filólogo ou especialista em línguas, faz-me mais sentido que se escreva com “Mu”, pela simples razão que é um prefixo usado para definir o nome de uma raça humana no sul de Angola ou o nome de árvores. 
Dou alguns exemplos.
Àrvores:- Mucuio (figueira brava), Mulemba, Mucua, Muthiati e por aí além.
Raças humanas:-
Mucubal,
MuMhuíla, Mudimba,
Mucuanhama,
Mukancala, etc.
Possivelmente o meu avô João Thomaz tenha usado a forma aportuguesada, pois realmente toda a louça do nosso chalet está com o nome MOCUIO.
Obrigado pela oportunidade de poder dar a minha opinião.
Um abraço.

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

O conde de Almoster

Foto do Conde de Almoster publicada em  Portugal em Africa: revista scientifica, Volume 5

 

 

Antes de darmos inicio à publicação integral do texto  publicado em "Portugal em África", revista scientifica, Volume 5, pgs 218 a 221, dedicado ao Conde de Almoster, convém saber que o mesmo texto se integra no contexto da resistência africana em face da partilha de África, numa época em que uma epidemia, um fenómeno da natureza ou qualquer outra catástrofe, poderia ser atribuida à presença do colonizador, aquele estranho ser que levara para África todas as suas mazelas, incluindo as  epidemias que dizimaram o gado, uma maldição advinda dos brancos, fossem portugueses ou alemães. 

Por volta de 1897 a região sul de Angola foi atingida por uma epidemia proveniente da África do Sul que rapidamente atingiu as regiões da Damaralândia e Ovampo, e se espalhou pelo sul de Angola,  devastando o gado bovino que era a principal actividade económica dos autóctones. Em face do acontecido, os administradores coloniais resolveram-se por uma campanha de vacinação nos rebanhos, sendo para tal convocada a Companhia dos Dragões do Planalto de Moçâmedes sob o comando de José Eugénio da Silva e do tenente Almoster. E como de entre os colonos portugueses José António Lopes dominava a técnica da vacinação de bois, este foi convidado a integrar aquela Companhia conforme refere  A. A da Silva Guardado in "O Massacre dos dragões do Conde de Almoster, in Cadernos Colonias, n.34, 1939, publicação que nos ajuda a compreender o ocorrido. A vacinação dos bois era efectuada através de uma técnica que consistia em injectar nos animais sãos as bílis dos bois ligeiramente atacados, processo que dava como média de 50 a 60% de animais salvos. Desconhecia-se ainda a vacinação com soro obtido do sangue de bois imunes à peste, processo que levaria à salvação de animais na ordem dos 90%, e possibilitava vacinar animais já atingidos pela doença, salvando alguns. A equipa foi convencer o soba de uma aldeia para essa necessidade de vacinar os rebanhos parecendo à primeira vista que o soba concordara com a ideia e até teriam manifestado contentamento. Porém no dia seguinte quando iam proceder à vacinação puderam verificar um grande ajuntamento de anciãos que se apresentavam com pequenos barretes feitos de fibra de embondeiro na cabela, quais solidéus cardinalícios, simbolo da autoridade. Eram secúlos ou sobetas da região que representavam o soba nas povoações mais impostantes. Depois de reunidos em assembleia e de terem debatido seus pontos de vista sobre a vacinação, entrou em cena o soba que veio dizer à autoridade que não podia cumprir e combinado da véspera com os oficiais porque o seu povo reunido se opunha, uma vez que o gado era pertença ou bens do sobado e não do soba que apenas podia usufruir do seu rendimento. E que eles sabiam que do outro lado do rio tinham posto remédio no gado e este morria. Não foi possível convencer o soba por mais esforços que fizessem. Resumindo toda essa tentativa que fizeram avançando mato a dentro, acabou num falhanço porque a maioria dos nativos, desconfiados não aceitava e como resultado a epidemia acabara por devastar seus rebanhos.  Foi no regresso que o drama do massacre das tropas portuguesas aconteceu, e morreu. ALMOSTER. Para mais informações consultar o artigo "A Revolta da Vacina- Made in Africa-  Mossâmedes
, Sankofa. Revista da História da África e de Estudos da Diáspora Africana, 1897. José Bento Rosa da Silva. Vai o link:
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http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:reIX4AKhJGcJ:www.revistas.usp.br/sankofa/article/download/88815/91696/+&cd=10&hl=pt-PT&ct=clnk&gl=pt&client=firefox-b

 

 


De Portugal em Africa: revista scientifica, Volume 5, transcrevemos  na íntegra as pgs 218 a 221, o texto dedicado ao


 CONDE DE ALMOSTER.




"....João Carlos de Saldanha Oliveira. e Daun, segundo conde de Almoster, nasceu em Barcellos no dia 11 de agosto de 1858.

Era neto do heroico marechal duque de Saldanha e filho do segundo duque e da actual duqueza.

Assentou praça no regimento de cavallaria n.° 2, lanceiros da Rainha, no dia 2 de outubro de 1878. Foi promovido a alferes em 7 de janeiro de 1881, a tenente em 30 de junho de 1890 e a capitão em 11 de novembro de 1897.

Em 23 de janeiro de 1896 embarcou para Angola com destino ao esquadrão de dragões do planalto de Mossamedes, em cujo servico manteve os creditos de official disciplinador e como tal erajustamente considerado por toda a população portugueza do planalto. Ás brilhantes qualidades de bravura, patriotismo, nobreza de caracter e a verdadeira affeição aos seus soldados, que o adoravam, alliava a mais perfeita comprehensão dos deveres militares, mantendo com inquebrantavel firmeza as boas tradições deixadas no esquadrão pelo bravo e illustrado official de artilheria, o capitão Mascarenhas Gaivão, seu organisador e primeiro commandante.

Era o conde de Almoster um sincero admirador da acção civilisadora das missões catholicas sobre os indígenas africanos, sendo um dedicado amigo dos missionarios, aos quaes sempre dispensou as mais respeitosas attenções, merecendo-lhes elogiosas referencias pelas suas idéas generosas em favor da regeneração da raça negra.

A sua attitude benevola para os indígenas era conhecida em todo o planalto, citando-se, como exemplo digno de ser imitado, a generosidade com que conduzia os prisioneiros de guerra, a quem tratava com brandura, dispensava commodidades, procurando por todo os meios ao seu alcance suavisar-lhes as armaguras da prisão e separação violenta dos seus lares. Sob este ponto de vista poucos officiaes conhecemos na Africa tão generosos e pacientes para os soffrimentos dos pretos, como o conde, a ponto de privar-se de artigos do seu uniforme para abrigar os prisioneiros dos rigores do frio! ao contrario do que vimos fazer, que é amarral-os com grossas cadêas de ferro e obrigal-os a marchar ãs coronhadas, á. chuva, ao frio, mal dormidos e peor alimentados, sem consideração pela sua posição hierarchica, nem pela edade. Regulos ou os mais desprezíveis bandidos, velhos ou novos, todps marcham acorrentados para o exílio no meio das vaias, encontrões e pancadas da soldadesca, quando não ficam extenuados pela fadiga, fome e frio. 

É do domínio público o lamentável desastre que enlutou a familia militar portuguesa com o massacre da força do esquadrão de Mossâmedes, sob o comendo do conde em terras do Humbe, em que foram trucidados pelos indígenas revoltados o valente oficial e 23 soldados.  A fim de auxiliar os serviços sanitários para obstar à propagação da peste bovina que ameaçava invadir as populações creadoras de gado estabelecidas nas bacias do Rio Cunene e Caculovar, foi enviado para a fronteira do Humbe o esquadrão de dragões que pouco depois era mandado  retirar do Humbe por efeito de desintelligências e conflictos havidos entre o seu commandante e o chefe do concelho. A retirada do esquadrão  fez-se por pelotões que partiram separados , uns dos outros, com intervalos de três a quatro dias. O último 'pelotão, sob o comando do conde de Almoster seguia quatro dias depois da partida do passo das forças formado pelos 2º e 3º pelotões sob a direcção do commandante do esquadrão, o sr. capitão Silva.

O pelotão do conde era formado por 30 praças,  das quaes 19 eram doentes dos outros pelotões, deixados em tratamento na enfermaria da fortaleza e cuja conducção fora confiada ao conde, que para esse serviço apenas contava com 11 homens válidos , capazes de pegar em armas. Alguns doentes seguiam a cavallo por não poderem marchar a pé, outros, mais gravemente atacados de febres, nem mesmo a cavallo podiam seguir, eram levados aos ombros dos companheiros. A força seguia lentamente, sendo preciso fazer frequentes altas em attenção ao estado dos doentes.

Chegada ao sitio Catequere, na fronteira noroeste do Humbe, acampou a força, sendo enviados dois soldados à procura de água para o rancho, Os indígenas, em represália por extorsões soffridas por parte dos pelotões anteriores, acolheram hostilmente os soldados, perseguindo-os à zagaia e à flecha; estes clamaram por socorro sendo defendidos da sanha dos selvagens por um pequeno grupo dos nossos,  formado pelo conde e quatro soldados.
Chegados ao local do acampamento e vendo a impossibilidade de ali demorar-se perante a atitude hostil dos indígenas, resolveu seguir para o próximo acampamento  no Chicusse sobre o rio Caculouvar onde devia encontrar os outros pelotões sob o commando do capitão Silva. 

Metidos os doentes no centro da pequena força, seguia ela para a frente, quando pouco depois vê-se cercada por todos os lados por numerosos bandos de gentios que a perseguiam a tiro, zagaia e flecha. Sem perder o ânimo perante a força numérica do inimigo, mandou o bravo official  fazer três descargas a fim de abrir caminho na direcção do Chicusse e avançou com toda a ordem debaixo de fogo do inimigo.  Durante duas horas marchou a nossa diminuta força  sob  fuzilaria do gentio, sendo preciso três vezes formar quadrado para varrer as hordas de selvagens que tentavam esmagar a ferro frio os nossos bravos  soldados. Durante o primeiro quadrado ficou ligeiramente ferida uma praça num dedo.  Durante o segundo recebeu um grave ferimento no joelho o sargento, e o conde foi attingido por uma bala n'uma perna.  Vendo o bravo official que o gentio era cada vez mais numeroso, e que começavam a escassear as munições de guerra, resolveu mandar avisar o capitão Silva no Chicusse,  de que o seu pelotão corria imminente perigo de ser trucidado pelo gentio. Offereceu-se para levar o aviso o sargento Rocha que, apesar de gravemente ferido num joelho, montou no cavallo do conde e pôde a galope cerrado passar por entre as hostes inimigas. O gentio comprehendendo que aquelle cavaleiro ia em busca de socorro urgente das forças acampadas no Chicusse, resolveu cair sobre o pelotão e acabar de vez com os nossos heroicos soldados.

Recrudesceu a fusilaria do inimigo sendo o conde gravemente ferido no ventre. Um soldado preto tomou-o sobre os hombros, enquanto  enquanto a nossa força seguia rapidamente pelo centro de uma floresta queimando os últimos cartuchos. Às 6 horas da tarde, consumidas todas as munições de guerra, mandou o conde formar quadrado e callar bayoneta, e n'uma lucta homérica  de um contra cem, foram os nossos bravos soldados esmagados pelos indígenas. Ficaram estendidos no campo da honra o  heróico conde Almoster, e vinte e três dos seus valentes companheiros, escapando os restantes mercê do escuro da noite. 

Morreu o bravo militar combatendo gloriosamente pelo prestígio da nossa bandeira no cumprimento rigoroso do seu dever militar.

O elogio d'este glorioso feito de armas do neto do Marechal Saldanha , foi celebrado em toda a imprensa e ecoou nas dias casas do parlamento em termos de consagração à memória dos nossos heroicos vencidos.

Por iniciativa do illustre par do reino, o brioso general D. Luis da Câmara Leme, em sessão da câmara dos Pares, de 7 de Janeiro do corrente anno, foi apresentado um projecto de lei concedendo a cada um dos filhos do bravo conde de Almoster a pensão annual de 120$000 reis, e por proposta do mesmo digno Par foi lançado na acta, foi lançado na acta da sessão de 4 do mesmo mêsum voto de profundo sentimento pela morte dos nossos soldados  trucidados no Humbe, e referindo-se à morte do Conde lamentou que ainda não se tivesse erguido um monumento ao Duque de Saldanha, avô do illustre extincto.  No discurso da Corôa, por occasião da abertura do parlamento , o Augusto Chefe do Estado referindo-se ao desastre do Humbe, expressou-se nos seguintes termos: "A notícia de um desastre no Humbe, cujos pormenores não são todavia conhecidos, causou, como era natural dolorosa impressão, mas resta-nos a convicção de que os valentes alli victimados cumpriram o seu dever, e que dentro em pouco as nossas armas saberão castigar os rebeldes."

Terminamos este breve esboço biográphico do illustre conde de Almoster, transcrevendo as apreciações dos principais dos peincipais orgãos da imprensa periódica sobre a morte heroica do bravo official e dos seus companheiros.

Do Tempo:
"Depois d'um grande e aturado combate, exgotadas todas as munições de guerra que o esuqdrão levava, o valente official lembrando-se do nome do seu heroico avô, e não querendo offuscar o nome e título que tinha,  preferiu morrer a aviltar-se, entregando-se ao inimigo ou fugindo com os seus soldados.
Podemos imaginar as terríveis agonias do seu coração., lembrando-se que deixava na orphandade cinco filhos, todos creanças, e na viuvez sua infeliz e saudosa esposa. Mas entendeu aquelle descendente  do marechal Saldanha que a honra do seu nome e do seu país se opunham a uma cobardia. e por isso preferiu morrer combatendo. Paz è sua Alma.

Do Correio da Noite:

"Não pode haver consolação para um tal desastre. Entretanto deve registar-se com orgulho como foi intemerata a attitude desses bravos, como a sua coragem e o seu amor à bandeira  que defendiam falou mais alto do que o natural humano amor à vida. Sabiam que luctavam contra o inimigo que os havia de esmagar, mas isso não os entibiou. Enquanto tiveram munições empregaram-nas contra os inimigos da sua nação, e quando ellas faltaram formaram quadrado, armaram bayonetas para deterem o arranco dos adversários, que continuaram a victimál-os a tiros e a zagaias, e esperaram heroicamente a morte, dando serenamente a vida pelo dever.

Os soldados portugueses eram commandados pelo conde de Almoster, Este nome resume uma epopeia de heroicidades. Foi em Almoster que o duque de Saldanha ganhou o maior título de glória de toda a sua carreira militar. o neto do grande soldado soube honrar o nome histórico que herdara. Que a sua memória e a dos seus infelizes companheiros viva eternamente na saudade e na gratidão dos que prestam culto à honra do nosso exército e que se orgulham por ver que elle continua a manter honradamente as tradições do velho e destemido Portugal."

Do Diário da Manhã:

"Vinte e três victimas do dever ficaram, pois, no campo incluindo o heroico neto do marechal Saldanha. miserável e cobardemente azagaiado pelos negros! Triste sina a d'esses bravos certamente predestinados a mais gloriosos feitos ! Malbaratada valentia.
Cumpriram, porém religiosamente o seu dever, de militares briosos na defesa da pátria, e isso basta para que nos sintamos orgulhosos da sua heroicidade, qualidade, por assim dizer innata do nosso soldado, e tenhamos pela sua saudosa memória a mesma veneração e respeito que sempre tributamos pelas victórias de outros mais felizes que tem conseguido sobreviver para glória e renome do exército português."

Do Universal:

Curvamo-nos reverentes perante a sepultura desses bravos heroes mártires da pátria que tão conscientemente emmolaram  as próprias vidas para mais uma vez honrarem  as brilhantes tradições do exército portuguêz.

Vinte e três incencíveis morreram no seu posto de honra, levantando com esse assombroso sacrificio ao seu auge a glória da patria.

Foram muito alem do dever. Excederam tudo o que o brio nacional  e o amor da patria pode impor aos servidores do pais.
Immortalisaram-se morrendo!
N'este triste desmanchar da feira , em que o egoismo falla mais alto do que todos os deveres civicos, consola poder registar-se ainda feitos tão nobres e levantados.
Com o conde Almoster termina a linhagem masculina do primeiro soldado portuguez d'este seculo. O ultimo representante do nome do immortal marechal Saldanha acaba de levantar sobre o seu proprio cadaver o maior monumento que se poderia consagrar ao glorioso vencedor de Almoster.

Faz orgulho poder registar semelhantes provas de abnegação, valor e civismo»


Do Reporter :


«Este telegramma lança já. alguma luz sobre os acontecimentos, de que resultou ser victimada uma pequena força portugueza no Humbe Vê-se por elle que o neto do vencedor de Almoster soube honrar brilhantemente as tradições gloriosas de sua familia, e que devido ao seu arroio e valentia é que perdeu a vida com os seus heroicos companheiros...


Do Jornal do Comércio:


-Se alguma cousa nos pode consolar n'esta desgraça. é a valentia. a heroicidade com que se bateram os nossos, ficando materialmente derrotados, mas moralmente gloriosos. Honra mais uma vez aos nossos valentes soldados` que sabem morrer heroicamente, e honra a esse nobre moço o sr. conde de Almoster, que foi fiel as suas gloriosas tradições de familia e que era digno de usar o nome que recordava a primeira batalha ganha por seu immortal avô, o duque de Saldanha!


J.P.N

Fim de citação



Ver tb AQUI: https://docplayer.com.br/60831726-Ii-angola-e-a-resistencia-colonial-o-caso-do-massa-cre-dos-dragoes-do-conde-de-almoster-armando-augusto-siqueira-1.html

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

QUEM DISSE QUE MAUSOLÉUS do CEMITÉRIO DE MOÇÂMEDES NÃO SÃO MONUMENTOS HISTÓRICOS?



Mausoléu de João Duarte d'Almeida, colono cintemporâneo da fundadação de Moçâmedes. Foto gentilmente cedida por um conterrâneo

Mausoléu de João Duarte d'Almeida, Colono contemporâneo da fundação de Moçâmedes. Foto gentilmente cedida por um conterrâneo.

Mausoléu de João Duarte d'Almeida. Colono contemporâneo da fundação de Moçâmedes. Foto gentilmente cedida por um conterrâneo (1)

 

 

  Mausoléu do Dr. João Cabral Pereira Lapa e Faro, o 1º médico-cirurgião contemporâneo da fundação de Moçâmedes. Embora não estivesse incluido no grupo dos de Pernambuco, Brasil, ali chegados em 1849 e 1850, toda a sua vida foi vivida em Moçâmedes, onde faleceu. (2)




QUEM DISSE QUE MAUSOLÉUS do CEMITÉRIO DE MOÇÂMEDES NÃO SÂO MONUMENTOS HISTÓRICOS?


Ninguém, certamente!



Na história da humanidade, a morte sempre foi a única certeza. Junto com ela veio o desejo de encontrar o caminho para a imortalidade. Os faraós do antigo Egito buscaram em suas pirâmides a vida eterna. Deixar seus feitos registados para a posteridade, foi a forma encontrada por heróis e reis da Grécia Antiga. A cidade dos mortos obedece em quase tudo à organização das cidades dos vivos.

Cemitérios possuem ruas e sepulturas numeradas, possuem capelas, sepulturas nobres e caras, simples campas de terra batida, zonas mais e menos valorizadas onde costumam estar sepultadas as personalidades mais influentes e menos influentes, criando-se uma hierarquização social que se estende além da vida.

Mausoléus aristocráticos como aqueles que ainda hoje podemos ver no Cemitério de Moçâmedes, em Angola, são verdadeiros monumentos históricos, que como tal devem ser considerados, porque eles ultrapassam as suas funções ritualísticas e religiosas, são lugares que guardam Historia, que suscitam memórias, que oferecem ao visitante um manancial de informações que desvelam os primórdios da formação de Moçâmedes.Um lugar digno de ser visitado pelo residente e pelo forasteiro..
Sob esses Mausoléus repousam os restos mortais de colonos fundadores que chegados a Moçâmedes no dia 04 de Agosto de 1849, ali se estabeleceram, ali viveram, ali trabalharam, ali tiveram filhos, netos e bisnetos, e ali acabaram por perecer.

Sob esses Mausoléus, a maioria dos quais mandado erguer pela Câmara da cidade, através de subscrições,  repousam os restos mortais de colonos fundadores que chegados a Moçâmedes no dia 04 de Agosto de 1849,  ali se estabeleceram, ali viveram, ali trabalharam e ali pereceram.

E assim sendo, andar por um Cemitério pode proporcionar muito mais do que um sentimento de tristeza e de dor pela perda irreparável de um ente querido. A arte tumular oferece-nos uma viagem no tempo. Cemitérios são espaços que contam histórias sobre a História das gentes que habitaram as cidades que os incluem, são testemunhos do ambiente político, económico, social, artístico da sucessão das épocas desde que foram construídos. A cidade dos mortos obedece, em quase tudo, à organização das cidades dos vivos. Cemitérios possuem ruas e sepulturas numeradas, possuem capelas, sepulturas nobres e caras, simples campas de terra batida, zonas mais e menos valorizadas onde costumam estar sepultadas as personalidades mais influentes e menos influentes, criando-se uma hierarquização social que se estende além da vida. hierarquização social que é reflexo de como se vivia em cada época. Mas a arte tumular, como arte que é, pode também despertar os sentidos, trazer prazer ao observador...

Com a avançar do século XX, entrada no século XXI, e a opção dos crematórios, os Cemitérios perderam o esplendor dos velhos tempos enquanto depósitos de corpos sem vida, para se tornarem verdadeiros museus ao ar livre, lugares de Arte, de Arquitectura, e de Escultura, lugares de História, de Arquiologia e de Genealogia. Por tudo isso, em grande número de países, os cemitérios tornaram-se espaços de visitação turística disputadíssimos, uma mais valia a conhecer e a explorar.

A Rota Europeia dos Cemitérios é hoje uma realidade entre os povos que melhor os preservaram e continuam a preservar porque mais cedo tomaram consciência do valor artístico, cultural e histórico da velha casa dos mortos. A prática de se visitar cemitérios pelo simples prazer de conhecê-lo tem até um nome: Necroturismo. Em Lisboa, há visitas guiadas duas vezes por mês, aos sábados, ao Cemitério dos Prazeres, a procura é cada vez maior, e as receitas são crescentes, com o aumento do turismo cemiterial. Nesse Cemitério, o terceiro maior da Europa, as visitas de turistas ao jazigo dos duques de Palmela, batem records. Como defende Francisco Queiroz, “a arte fúnebre foi criada para homenagear os mortos, mas também para os vivos desfrutarem dela”. As Câmaras em Portugal começam a investir na preservação dos Cemitérios seguindo o exemplo de outros países. Em Paris, a cidade das "Luzes", a prática da visitação turística aos Cemitérios instalou-se no início do século XIX.

Este assunto é trazido aqui porque talvez um dia Moçâmedes venha a ter o lugar que merece no Turismo nacional e internacional, e talvez este Cemitério possa vir a enfileirar o roteiro dos lugares a visitar. Ou até num tempo mais próximo se este Cemitério  vier a ser visitado por estudantes tendo em vista trabalhos escolares, quando a História de Moçâmedes, no decurso de pesquisas,  como por escritores, historiadores, curiosos, etc .




MariaNJardim



(2) João Duarte de Almeida era natural de Midões, (Beira Baixa - Portugal), onde nasceu em 26 de Março de 1822. Filho de João Duarte de Almeida (bacharel em medicina, natural de Castelo Branco, Beira Baixa), e de D. Ana Emília Duarte de Almeida ( cujo nome de solteira eta Ana Emília Brandão, natural de Midões, prima co-irmã do célebre João Brandão, político caído em desgraça, conforme vem descrito em GeneallNet). Casou com D. Amélia Josefina da Costa, filha de um seu companheiro de colonização, José Joaquim da Costa, chefe do segundo agrupamento de colonos ido de Pernambuco para Moçâmedes e tiveram 6 filhos: Alfredo, Amélia, Laurentino, Adelaide, Albertina e Elisa Duarte de Almeida. Orfão de pai, muito cedo João Duarte de Almeida resolveu partir para o Brasil em busca de fortuna, tendo em meados do século XIX (1838?) viajado para Angola, onde se encontrou com Bernardino Freire de Figueiredo de Abreu e Castro, em Moçâmedes, após estadia em Benguela. No livro "Bernardino Freire de Figueiredo de Abreu e Castro, fundador de Moçâmedes", escrito pelo padre José Vicente (Gil Duarte), podemos ler a notícia de que quando Bernardino chegou a Moçâmedes, em 04 de Agosto de 1849,  chefiando a 1ª colónia vinda de Pernambuco, já ali encontrava João Duarte de Almeida, "dedicado à indústria de charqueação e da colheita de urzela". 
A urzela é um liquen que medra nas pedras, do qual se obtém uma tinta azul arroxeada de forte concentração usada em carimbos e cópias tornando-as impossíveis de falsificação. Existe em rochas à beira mar. Cabo Verde foi um grande produtor de urzela. Outro produto que também se lhe  atribui a exploração levada a cabo em Moçâmedes, é a gola copal, uma resina especial à qual os produtos sintetizados vibraram um duro golpe. Sabe-se que João Duarte d' Almeida  tornou-se um grande produtor de algodão e de cana-de-açúcar nas suas fazendas «S. João do Norte» e «S. João do Sul», no Coroca, em Porto Alexandre. Há referências que em 1859 era proprietário de três fazendas, em vias de desenvolvimento, uma, situada na Várzea dos Casados, outra, em S. Nicolau, e a terceira no Coroca. E já no decénio de 1849-1859 se dedicava, no distrito, a outros ramos de actividade, como o da indústria de charqueação e a da colheita da urzela. Outras notícias referem que no princípio da década de 1860, 10 anos após a chegada dos primeiros colonos vindos de Pernambuco, João Duarte de Almeida possuía já 11 fazendas no distrito de Moçâmedes, onde cultivava algodão, empregando entre trabalhadores escravos e libertos o total de 350, sendo sua a maior das das fazendas da região. A produção anual nessa época calculava-se em 1780 arrobas de algodão. E que em 1890, João Duarte de Almeida possuía o maior empreendimento agrícola da Colónia de Angola, com 1300 hectares de terreno cultivados e com 400 serviçais a trabalharem para si. Os seus esforços tiveram notável eficiência, cabendo-lhe, por isso, na opinião de Mendonça Torres, a reputação de maior cultivador de algodão, cultivador de cana de açúcar para aguardente, e ainda de activo descobridor da "almeidina" em 1883, um produto com uma boa percentagem de borracha, a partir de um suco leitoso, extraído por meio de incisões no tronco da caçoneira Euphorbea Thirucale que comercializo com êxito (vidé Relatório da Alfandega de Benguela, relativa ao ano de 1915, pág 96, José Napoleão do Sacramento e Sousa, Angola). A almeidina foi introduzida no mercado europeu por Edwards Brothers de Liverpool (correspondente). Duarte de Almeida e Alves de Bastos, eram à época os dois homens mais ricos da colónia de Angola.


(1) Pessoa de índole bastante popular. o Dr Lapa e Faro   não se limitou a exercer clínica, entrando para salvar as gentes da terra, tanto no Palácio como na mais humilde palhota dos arredores. Ele acompanhou o major Rudski quando teve início o primeiro estabelecimento no Porto de Pinda, em 08.12.1854. Além de médico e articulista foi um elemento activo na vida de Moçâmedes, a quem são devidas várias realizações. No Diário da Câmara dos Deputados de 18 de Janeiro de 1878 conta-se ter sido levado a debate o assunto da construcção da casa para o tribunal de justiça, a construção do palácio do governo, estudos para uma ponte de embarque o desembarque, e de uma estrada de Moçâmedes para Huila, e ainda estudos para a construcção da casa para repartição de obras publicas, deposito e observatorio meteorológico, casa para cadeia, casa para escola, hospital, quartel, e para a conclusão da terraplanagem no interior da fortaleza. Cunha Moraes, no seu "Album Photografico Descriptivo", publicado por volta de 1888, sobre as obras do Palácio-residência do Governador de Moçâmedes, iniciados em 1858, por ordem do Governador Fernando da Costa Leal, e concluído trinta e um anos depois, continuado mais tarde, conta que estas decorreram segundo um risco de Lapa e Faro que veio sofrendo várias modificações. Mas Lapa e Faro foi também com a sua personalidade artística   mandou erguer na Moçâmedes daquele tempo, a célebre casa da ex-Rua Calheiros, de arquitectura de inspiração romântica, em "Arte nova", ou "Arte noveau", que remonta aos primórdios da fundação, quando Moçâmedes pouco mais era que um imenso deserto, a maioria das casas eram ainda precárias, e difícil e até mesmo impossível era a obtenção do material necessário, uma vez que tudo vinha de longe. E também foi obra sua o Palacete da Horta do sítio da Nação, Aguada. 
 Em ambos os casos um riquíssimo património erguido num tempo  em que a maioria das casas eram ainda precárias, difícil e até mesmo impossível a obtenção do material necessário, uma vez que tudo vinha de longe. 

Infelizmente o belo edifício em Arte Noveau da ex-Rua Calheiros, carente de conservação e de restauro, encontra-se em risco de queda eminente  e de  perda total, se nada entretanto vier a ser feito, como aliás se prevê. 

O "Arte Noveau" surgiu em Paris e na Bélgica, na 2ª metade do século XIX, se espalhou pela Europa e pelo mundo, fruto das mudanças estéticas que acompanharam as inovações trazidas pela sociedade industrial essencialmente burguesa, cujos gostos, opondo-se ao classissismo aristocratizante, veio promover uma verdadeira revolução ao nível da arte e da arquitectura. 

Em Portugal houve um inevitável aportuguesamento com a conjugação de elementos manuelinos, além de outros pormenores e foi sem duvida  uma época em que o patrimonio nacional enriqueceu com obras geniais, verdadeiros tesouros artísticos repletos de belas cantarias, estatuária, vitrais, ferragens, gradeamentos, pinturas e frescos, estuque , motivos florais,  soalhos, mibiliário, etc . Irreversivelmente já se perderam alguns dos mais preciosos exemplares  deste riqíssino património, outros mais estão prestes a perder-se para sempre , a bandonados ou à espera de melhores dias, demolidos para dar lugar a odiosos "mamarrachos" , condenados pela ignorância e pela ganância... São o que ersta de uma "Belle Époque".