Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












terça-feira, 29 de outubro de 2019

Mossamedes in "Archivo Pittoresco". Os primórdios da Colonização de Moçâmedes, a actual cidade do Namibe: 1839 a 1850











A. PEREIRA DA CUNHA.


MOSSAMEDES 


A importante villa de Mossamedes, um dos mais recentes e interessantes estabelecimentos coloniaes portuguezes, está assentada ao sul de uma extensa praia arenosa, no litoral da ampla bahia ou Angra do Negro, como vem notada nas antigas cartas dos nossos navegadores, ou Little fish bay (Pequena bahia dos peixes) como a denominam os inglezes nos seus roteiros, em 15 graos e 12 minutos de latitude sul, e 21 graos e 11 minutos de longitude, na costa occidental da Africa, distando de Benguella 177 milhas maritimas, proximamente 354 kilometros, e 390 milhas ou 780 kilometros de S. Paulo da Assumpção de Loanda. capital de todas as nossas possessões na mesma costa

Já no seculo xvn a Angra do Negro era mui visitada de navios portuguezes, e ainda mais de corsarios estrangeiros: uns e outros, porém, somente a procuravam, ou para refrescar e fazer aguada, ou por ser ponto azado ás especulações de escravatura.

Exploração regular, ou sequer exame, ainda mesmo perfunctorio, do local e suas condições geologicas e hygienicas não se tinha feito, até que em agosto dè 1785, por ordem do capitão general barão de Mossamedes, alli se dirigiu para tal fim a fragata Loanda, a bordo da qual ia o tenente coronel Luiz Candido Cordeiro Pinheiro Furtado, a quem se commettêra a direcção dos respectivos trabalhos; em harmonia com a expedição naval marchara por terra o sargento-mór Gregorio José Mendes à frente de cerca de 1:000 negros molundos.

O modo como Furtado se desempenhou da melindrosa commissão que lhe fora encarregada, consta de documentos authenticos existentes no archivo da secretaria da marinha e ultramar. Mas, em despeito das informações mui favoraveis dadas por sujeito de tanta capacidade e competencia, apesar do empenho com que sollicitára a erecção de um presidio em sitio que já então se lhe afigurára como tão adequado para crear uma forte colonia europêa, as suas propostas foram deixadas de parte, ou por ignorancia e má fé, ou pelas vicissitudes do tempo e instabilidade da administração ultramarina.

Decorreram muitos annos, e quando porventura já se haveriam esquecido os projectos e trabalhos de Luiz Candido, segunda exploração a Mossamedes 

Ensaios sobre a estatistica das possessões ultramarinas, por J. J. Lopes de Lima, liv. tn, 1840, etc.
foi ordenada em 1839, pelo prudente governador. o vice-almirante Antonio Manoel de Noronha, e d'esta vez foi commettida a empreza ao estudioso capitão tenente Pedro Alexandrino da Cunha, então commandante da corveta nacional Isabel Maria, e depois governador geral da provincia de Angola, de saudosa e mui honrada memoria.

Ainda nos não parece bem averiguado a quem pertence ou de quem partiu a ideia incial d'esta exploração! Antonio Joaquim Guimarães Junior gerente da primeira feitoria que alli existiu, pertencente ao negociante Torres, de Benguella, a pretende arrogar a si em uma memoria que temos presente. 

Seja porém como for, o certo é que só depois de publicados os relatorios d'aquelle distincto official de marinha, de João Francisco Garcia, oficial do exercito provincial, que, nomeado regente do futuro presidio, auxiliara por terra os trabalhos da exploração, preparando ao mesmo tempo os indigenas a receberem com agrado os novos hospedes. e a memoria a que já aludimos, é que o governo começou de entender seriamente no plano de fundar uma povoação no local que unanimes informações apontavam como tão próprio.

Entretanto, por falta de meios do governo da metropole, e má vontade do da provincia, insignificantes foram os progressos de Mossamedes, e quasi que a colonia se reduziu por alguns annos a pequenas feitorias, alguns soldados e poucos degradados.

A dura perseguição movida aos portuguezes residentes no imperio do Brasil, mormente em Pernambuco, veiu inesperadamente favorecer a idéa da colonisação europea, encaminhando para Mossamedes uma porção avultada de concidadãos nossos.

Em 4 de agosto de 1849 aportou de feito á bahia de Mossamedes, no brigue de guerra Douro, e na barca Tentativa Feliz, um consideravel numero de colonos: em 13 de outubro de 1850 outra expedição similhante, composta do dito brigue Douro e barca Bracharense, saiu de Pernambuco com egual destino, indo surgir, passadas poucas semanas. na nossa bahia, onde largou outra porção de compatriotas, todos iuflammados no desejo de encontrar alli a fortuna, e a segurança de que haviam desesperado em terra estranha.

MOSSAMEDES 

Conclusão. Vid. pag. 160)

As despezas (festa segunda expedição foram satisfeitas pelo producto de uma subscripção promovida entre os portuguezes que continuaram residindo no Brasil; bem como ás da primeira se havia occorrido com os meios enviados de Lisboa, por auctorisação do corpo legislativo.

Infelizmente, porém, tantos esforços e sacrificios foram em grande parte perdidos. já pela incuria de quem cumpria velar pela execução das instruccões ua corte, ja pela incapacidade de muitos dos primeiros colonos, já pelo mal entendido ciume com que algumas auctoridades e pessoas conspicuas continuavam a considerar as coisas da nova colonia.

A todas estas circunstancias, já de si bem ponderosas, veiu juntar-se uma esterilidade espantosa, por falta de chuvas, e d'ahi, como natural consequencia, a desgraça de alguns colonos, o desalento de outros, e ganharem terreno os qne oppunham ao desenvolvimento de Mossamedes as especiosas allegações de que a fundação de tal presidio prejudicaria as praças de Loanda e Bengnella, de que a soa salubridade era mui contestavel, e de que os terrenos proximos eram totalmente incapazes de qualquer especie de cultura.

Pessoas interessadas na perda de Mossamedes escreviam ao mesmo tempo para o continente e para o Brasil: « O clima é pessimo, é um logar de degradados, onde somos tratados como taes; é peior que a ilha de Fernão de Noronha; não nos deixam d'aqui sair sem completar de  annos! 1 »

A constancia, porém, de alguns colonos, entre os quaes devem mencionar-se com o merecido lonvor os srs. Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, e José Leite de Alhuquerque, e a tenacidade do governo em sustentar o seu empenho, venceram todos os obstaculos, as circunstancias foram pouco e pouco melhorando, a população crescendo, o commercio e a lavoura progredindo, a ponto tal que, sob representação dos habitantes, a humilde povoação de Mossamedes foi, por decreto de 26 de março de 1855, elevada á categoria de villa.

Todos estes e outros factos que importa conhecer, são excellentemente compendiados no seguinte trecho do relatorio do sr. visconde de Sá da Bandeira, apresentado á camara dos deputados èm março de 185».

« Tendo-vos fallado, diz o intrepido general e illustrado ministro, de alguns dos concelhos d'esta provincia (Angola)... tratarei agora do estado em que se acha a nova villa de Mossamedes... As vantagens que offcrece o seu porto, a salubridade do seu clima, e a dos sertões que se avisinham foram a verdadeira causa d'alli se fundar uma colonia... As contrariedades que ao principio experimentou, occasionaram a perda de dois annos continuos para os seus respectivos trabalhos, e para mencionar algumas d'ellas, direi que foram a falta de inundações do rio Béro, cujas varzeas os colonos cultivavam, a ignorancia dos tempos de semear, e a escassez das respectivas sementes. Felizmente a persistencia de alguns colonos tudo venceu, porque, passado aquelle tempo, os progressos da agricultura de Mossamedes tem ido em successivo augmento, particularmente depois que a pratica tem feito conhecer que as especulações commerciaes nem sempre são tão proficuas quanto ás do amanho das terras; o resultado d'estas ideas foi o estabelecerem-se já tres engenhos de assucar, um na villa de Mossamedes, outro no Bumbo, devendo assentar-se o terceiro no sitio da Bella Vista. Além da cultura da canna, os colonos de Mossamedes tambem se tem entregado á do algodão, cujas plantações se tem egualmente augmentado, sendo para notar, que a colheita dos outros generos necessarios ao seu sustento, não só já dá para o seu consumo, mas até mesmo para exportação, em vista das remessas que d'alli se tem ja feito para Loanda, e do que já se vende aos navios baleriros americanos, que em numero consideravel frequentam o seu porto para receberem refrescos de vegetaes e gado, do qual tambem ultimamente se tem feito alguma exportação para a ilha de Santa Helena. Com tudo isto ha coincidido o desenvolvimento do fabrico do azeite de peixe, pelas muitas feitorias de pesca que la se tem estabelecido, o acrescimo das construcções urbanas, e o incessante pedido de novos terrenos.»

Annaes do Municipio de Mossamedes. 

Temos dito da origem e progressos da colónia; e antes de acrescentar algumas informações recentes. daremos uma breve descripção do porto e da novissisima villa e seus suburbios.

A bahia que fôrma o porto de Mossamedes olha ao oeste, e tem a margem do sul mais extensa que a do norte e mais alta, sendo formada de barreiras de grés, coroadas por uma camada de pedra mui rija e propria para construcções civis. Do extremo oriental destas barreiras pega um extenso areal que limita a bahia até á ponta do norte. Destr lado desembocca um rio, a que o gentio dá o nome de Béro, e que o tenente coronel Luiz Candido denominou das Mortes, pelo desastre alli succedido ao tenente Sepulveda e ao cirurgião da fragata Loanda. que, por sua imprudencia, foram assassinados pelos negros. Mui perto divide-se o Béro em dois braços, um dos quaes se dirige à bahia, e o ontro à costa, a um sitio chamado Loquengo. Ha porém quem assevere que não é aquelle um braço do Béro, senão outro rio que alli vae desemboccar com o nome de Equinina.

Apesar de um baixo, proximo da costa do sul da bahia, e que corre de nor-nordeste até meia distancia da ponta do norte, o porto de Mossamedes é seguro em todas as quadras do anno, e n'ele podem surgir muitos navios de todos os lotes; o desembarque, ainda na occasião das maiores calemas, faz-se ao sul da praia com extrema commodidade, ou ao norte em um sitio encostado á montanha, a que chamam o Saco do Giraúl; a aguada é excellente, e a pequena distancia da praia; innumeravel a quantidade de peixe.

As aguas do rio Béro espraiam-se em um vasto e formoso valle, em que existem extensas varzeas, proprias para toda a especie de lavra.

Os terrenos do dito valle são de alluvião; a tem dos lados é alta e alcantilada; a que fica ao norte, assaz montanhosa, estende-se até ao rio Giraúl (Equinina?). Em differentes pontos apresentam-se algumas elevações notaveis, terminando em nm plano horisontal, Q que lhes fez dar o nome de mesas de Mossamedes. 

O litoral d'este logar é formado de terrenos stratificados, conservando horisontalmente e em ordem as camadas de sua formação. As mesas offerecem egual stratificação aos terrenos inferiores; as camadas que os constituem são compostas de seixos ou basaltos rolados, de materias arenaceas, de argila, de calcareos, em que se encontra grande copia de conchas fosseis, etc.

A duas milhas de distancia, junto á praia, como já dissemos, está edificada a villa de Mossamedes? e n'uma elevação ao sul existe a fortaleza, com a invocação de S. Fernando, o palacio do governo (por concluir), a egreja, e o hospital.

Consta a villa de tres ruas direitas, e de sufficiente largura, chamando-se da Praia, dos Pescadores, o do Alferes; são parallelas á praia, e cruzadas por outras tantas travéssas.

Na povoação e nos sitios cognominados Cavalleiros, Boa Esperança, Casados e Hortas, existiam. em 1857, 150 predios, sendo de pedra e cal 39, de adobe 65, de pau a pique 27, e 19 cubatas de palha.

No mesmo anno contavam-se em Mossamedes 1:675 habitantes; 390 brancos, 58 pardos ou mulatos, 136 pretos livres, 156 pretos libertos, e 935 escravos de ambos os sexos.

O numero de predios e de habitantes é hoje muito maior, podendo calcular-se em 600 os de côr branca.

Dos poucos edificios publicos que alli se encontram, a egreja, uma das melhores da provincia, é indubitavelmente o mais notavel. A fortaleza é solidamente construida. O quartel acanhado, podendo apenas accommodar setenta soldados. Está no mesmo caso o hospital, que, posto seja bem situado, não tem a capacidade sufficiente. Quasi todos os habitantes se occupam na industria da pesca ou na cultura da terra, com muito fervor e curiosidade.

1 fíreve noticia sobre o ctima de Moisamedes, por J. C. P. Lupa o Faro.

Para que a este respeito se forme exacta idéa do estado actual de Mossamedes, juntaremos n'este logar um extracto do relatório inedito de um intelligente oficial de marinha, que a visitou em agosto c 1860, já depois que teve logar a famosa incursão dos munanos, barbaros sertanejos, que tantos damnos e prejuizos causaram aos colonos.

« Quando de 1852 a 1856 estivemos em Africa, servindo na respectiva estação naval, pareceu-nos, nas muitas vezes que visitámos Mossamedes, que nunca de tal ponto se poderiam colher vantagens pela agricultura; pois que julgavamos mui limitado o terreno proprio para ella: todavia sempre pensámos tambem, que de futuro esta mesma pequena porção de terreno produziria o sufficiente para alimentar a povoação da villa, ainda mesmo que esta crescesse. Hoje somos obrigados (com muito prazer) a reformar a nossa opinião, porque Mossamedes produz já o sufficiente para sua sustentação, e de muitos generos, como farinha de mandioca, batatas e feijão, já exporta em grande quantidade, não só para os portos do norte da provincia, como tambem para Santa Helena, cuja praça sustenta aotualmente uma carreira mensal de navegação feita por um patacho e um palhabote que levam sempre muito gado, e 12:000 arrobas de batata annualmente, pouco mais ou menos.


« Tem-se construido muitas e bonitas casas, em consequencia de ter augmentado consideravelmente o numero dos habitantes brancos. As plantações nas duas margens do Béro tem tomado um grande incremento, devido á feracidade do terreno e ao trabalho dos homens. Alli nota-se o que não se vê nas outras povoações da costa: actividade, enthusiasmo pelo trabalho, e vontade firme de fazer prosperar a terra. Alli vêem-se homens brancos de enxada na mão trabalhando ao lado dos pretos, sem que por isso julguem a sua dignidade offendida, e sem

Que o clima os prejudique. Nos Quipolas, ao norte o Béro, estão estabelecidos dois engenhos, que já trabalham e exportam alguma aguardente. Deste lado do rio o terreno parece de melhor qualidade, achando-se alli estabelecidos mais europeus do que do lado do sul. No entretanto, na margem do sul ha extensas plantações de mandioca, trigo, batatas, cará, feijão, hortaliças e outros generos. O guarda marinha de commissão Abreu Vianna é possmdor de um grande tracto de terreno, do qual apenas tem cultivado uma pequena parte, e todavia a fertilidade do terreno é tal, que vive e sua numerosa familia do producto de suas plantações, e pensa, com o lucro que d'ellas obtiver, poder, em um futuro não mui remoto, estabelecer um engenho para a fabricação do assucar e da aguardente. Ha de uma e outra margem do rio outros possuidores de terrenos que do seu producto vivem fartamente. Portanto, se o terreno cultivado, que não é nem a centesima parte do que o pode ser, sustenta a povoação, e exporta, como acima disse, para os outros portos da provincia, e ilhas de Santa Helena, S. Tomé e Principe, e outros pontos, não obstante a povoação ter, desde 1856, crescido muito, segue-se que Mossamedes pôde e ha de fazer a sua felicidade pela agricultura tambem... »

O segundo tenente da armada C. F. de Almeida, immediato do vapor de guerra Maria Anna. 

Mas não é a vantajosa posição geographica de Mossamedes, nem a fertilidade das varzeas do Béro, nem a opulencia dos sertões adjacentes, nem a abundancia aos gados que tornam para nós mais interessante este estabelecimento.

É notoriamente sabido, que a ruindade do clima da Africa tem opposto até agora um obstaculo invencivel á aclimação dos europeus; e sem se conseguir este desideratum, mui demorado será o progresso d'aquella parte do mundo.

« Parece, diz João de Barros, que por nossos peccados, ou por algum juizo de Deus occulto a nós, nas entradas d'esta graude Ethiopia, que nós navegámos, se poz um anjo percuciente com uma espada e fogo de mortaes febres, que nos impede poder penetrar ao interior das fontes d'este horto, de que

Procedem esses rios de oiro que por tantas partes a nossa conquista sáem ao mar.' Uma dolorosa experiencia de seculos tem mostrado a verdade das desconsoladoras palavras do grande historiador da Asia.

Em Mossamedes, comtudo, mudam as coisas de figura; a salubridade d'este ponto da costa de Africa já não admitte sombra de duvida. A temperatura alli não é excessivamente quente; o frio nunca demasiado; as manhãs tem uma Tresquidão agradavel; uma atmosphera pura, e livre de emanações miasmaticas, em que poucas vezes se faz sentir humidade. A raça branca, mesmo exposta a trabalhos rudes, apresenta-se córada e robusta, e a sua prole não desmente a acção benefica do paiz. 2

O problema da aclimação ahi está resolvido. É a opinião dos juizes mais competentes. Um vasto campo se abre pois á actividade e industria de tantos de nossos conterraneos que buscam em regiões estranhas, e tantas vezes innospitas, a fortuna que não poderam encontrar na sua patria. Cumpre ao governo continuar perseverantemente a obra encetada com tão felizes auspicios; e cremos que em poucos annos, Mossamedes, séde de uma florescente colonia europea, apoiada nos ferteis presidios dos sertões do sul, será a cabeça de uma das mais importantes provincias da Africa Occidental, e o emporio de grande e valiosissimo commercio.

Foram estes os sentimentos que nos inspiraram quando démos certo desenvolvimento á presente noticia.

A estampa que apresentámos, é copiada de outra egual, inserta na excellente obra do sr. F. Travassos Valdez, Seis annos de vida na Africa occidental, de que já em outros numeros d'este semanario temos feito especial e honrosa menção.


* Memoria sobre o clima de Mossamedes.