Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












sexta-feira, 12 de junho de 2020

Deportação de Mário Castelhano, em 1927, no Bairro Poveiro, Porto Alexandre - Angola


 Mário Castelhano (1896.1940)




ALGUMAS NOTAS (Da mesma fonte, assinada por Helena Pato)

- A fotografia de Mário Castelhano foi guardada por Mário Duarte Castelhano, filho de Mário dos Santos Castelhano e de Lucinda Duarte (esta, professora primária e também militante libertária), e pela viúva daquele, Ana Maria Gameiro Duarte Castelhano. Cumprindo uma sua última vontade, entregue ao Arquivo Histórico-Social, criado pelo Centro de Estudos Libertários, reunido em Lisboa nos anos 1980-1987 e depositado na Biblioteca Nacional, o qual foi depois doado a esta instituição e posteriormente acrescentado de mais alguns espólios e doações.

- As fotografias deixadas por nós em comentários foram tiradas à família de Mário Castelhano (incluindo o filho) quando aquele se encontrava clandestinamente a viver num moinho, na Ramada (Odivelas, nos arredores de Lisboa), onde tinham instalado a tipografia clandestina da CGT.

http://mosca-servidor.xdi.uevora.pt/arquivo/?p=digitallibrary/digitalcontent&id=785



 


Residência de Mário Castelhano no Bairro Poveiro, Porto Alexandre(?) - Angola (fotografia)
Data:  1929. Fotógrafo não identificado, sobre residência de Porto Alexandre, em Angola, onde esteve deportado Mário Castelhano, juntamente com outros anarquistas e republicanos, na sequência da insurreição falhada de fevereiro de 1927. 

Residência de Mário Castelhano no Bairro Poveiro, Porto Alexandre(?) - Angola (fotografia)
Data:  1929. Fotógrafo não identificado, sobre residência de Porto Alexandre, em Angola, onde esteve deportado Mário Castelhano, juntamente com outros anarquistas e republicanos, na sequência da insurreição falhada de fevereiro de 1927. Mário Castelhano (1892-1940) foi empregado dos caminhos de ferro e militante anarco-sindicalista, chegando a secretário-geral da CGT e morrendo no campo de concentração do Tarrafal (Cabo Verde). Esta fotografia foi guardada por Mário Amadeu Duarte Castelhano, filho de Mário dos Santos Castelhano e de Lucinda Duarte (esta, professora primária e também militante libertária), e pela viúva daquele, Ana Maria Gameiro Duarte Castelhano, cumprindo uma sua última vontade, entregue ao Arquivo Histórico-Social, criado pelo Centro de Estudos Libertários, reunido em Lisboa nos anos 1980-1987 e depositado na Biblioteca Nacional, o qual foi depois doado a esta instituição e posteriormente acrescentado de mais alguns espólios e doações.
Arquivo Histórico-Social / Projecto MOSCA
Contributor:
João Freire
Direitos de Propriedade:
Uso livre para fins não comerciais e sujeito às normas definidas pela Biblioteca Nacional de Portugal e legislação em vigor aplicável.



Grupo de deportados políticos(fotografia):1928.Fotógrafo não identificado, sobre grupo de deportados políticos (republicanos, anarquistas e outros opositores à ditadura) há pouco chegados a Vila Nova de Seles, Angola, na sequência da insurreição falhada de fevereiro de 1927, distinguindo-se um marinheiro condecorado e Mário Castelhano, à direita.
Esta fotografia foi guardada por Mário Amadeu Duarte Castelhano, filho de Mário dos Santos Castelhano e de Lucinda Duarte (esta, professora primária e também militante libertária), e pela viúva daquele, Ana Maria Gameiro Duarte Castelhano, cumprindo uma sua última vontade, entregue ao Arquivo Histórico-Social, criado pelo Centro de Estudos Libertários, reunido em Lisboa nos anos 1980-1987 e depositado na Biblioteca Nacional, o qual foi depois doado a esta instituição e posteriormente acrescentado de mais alguns espólios e doações. http://mosca-servidor.xdi.uevora.pt/arquivo/?p=digitallibrary/digitalcontent&id=771


MÁRIO CASTELHANO era um destacado dirigente anarco-sindicalista,  dos 20 aos 30 anos, nascido em Lisboa, em 1896, e falecido no Tarrafal, Cabo Verde, a 12 de Outubro de 1940. 

Participou em movimentos insurreccionais contra a ditadura, foi preso e deportado por diversas vezes, julgado em Tribunal Especial, e acabou por morrer no Tarrafal, com 44 anos. Oriundo de uma família modesta, começou a trabalhar aos 14 anos na Companhia Portuguesa dos Caminhos-de-Ferro, participado nas greves de 1911, 1918 e 1920, tendo sido despedido por ter participado na organização destas últimas greves. Passou a  ter  actividades de escrituração no Sindicato de Ferroviários de Lisboa, na Federação Ferroviária e na Confederação Geral do Trabalho, foi membro da comissão executiva da Federação Ferroviária, tendo ocupado o pelouro das relações internacionais e passou a redactor responsável do principal do jornal "A Federação Ferroviária", para além de outros que dirigiu, como  O Ferroviário e O Rápido. Fez parte da reorganização do Conselho Confederal da CGT, após a queda da 1 Republica em 1926, tendo sido eleito responsável do novo secretariado e redactor-principal de A Batalha. Com a tentativa insurreccional de Fevereiro de 1927 ,  a repressão policial acentuada e a ilegalização da CGT e assalto do jornal A Batalha foi preso em Outubro do mesmo ano e deportado para Angola, onde ficou 2 anos.  Em 1930 foi enviado para os Açores , em 1931 para a Madeira, onde participou numa insurreição contra o Governo. Com a derrota deste movimento, foge da ilha, clandestinamente no porão do navio Niassa. Volta a estar à frente do secretariado da CGT em 1933, mas é preso  e condenado pelo Tribunal Especial Militar a 16 anos de degredo na Fortaleza de S. João Baptista, em Angra do Heroísmo, e em Outubro de 1936, para o campo de concentração do Tarrafal, onde morreu.

Em 1975, o seu livro Quatro Anos de Deportação foi editado em Lisboa pela "Seara Nova", como Volume 19 da "Colecção Seara Nova". Foi condecorado, postumamente, com o grau de Grande-Oficial da Ordem da Liberdade, a 30 de Junho de 1980.
Nota; estas ultimas  infs foram colhidas da pg facebook Antifascistas da Resistencia




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