Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












sábado, 27 de junho de 2020

O INÍCIO DA GRANDE GUERRA E A DEFESA DOS TERRITÓRIOS PORTUGUESES EM ÁFRICA





As últimas décadas do século XIX foram marcadas pela “corrida a África” por parte das principais potências europeias. As expedições científicas ao interior do sertão africano rapidamente deram lugar à reivindicação e disputa pela posse de vastos territórios africanos. Com a eclosão da Grande Guerra, as pressões sobre os territórios portugueses naquele continente aumentam e Portugal decide reforçar a sua presença militar em África. O primeiro confronto direto entre portugueses e alemães dá-se no norte de Moçambique, muito antes da declaração formal de guerra que só viria a ter lugar em março de 1916. Em 24 de agosto de 1914, cerca de três semanas após o início da guerra na Europa, o pequeno posto português de Maziúa, na fronteira norte, foi atacado e destruído na madrugada daquele dia por forças alemãs. O chefe do posto, o Sargento Enfermeiro de Marinha Eduardo Costa foi morto durante o ataque, sendo a primeira baixa militar portuguesa durante o período da Grande Guerra. Em Angola, na fronteira sul com a Damaralândia (território alemão na atual Namíbia), cresciam as tensões fronteiriças, com frequentes provocações e desafios à soberania portuguesa.

A 10 e 11 de setembro de 1914 partem duas expedições militares para África: o Coronel Massano de Amorim lidera o corpo expedicionário a Moçambique, cabendo ao Tenente-coronel Alves Roçadas o comando da expedição militar ao Sul de Angola. Estava em causa a defesa dos territórios e da soberania portuguesa em África.

A CONSTITUIÇÃO DO BATALHÃO DE MARINHA E A PARTIDA PARA O SUL DE ANGOLA
Em outubro de 1914, a Marinha é solicitada pelo Ministério das Colónias a cons-tituir um Batalhão Expedicionário, na tradição que vinha dos finais do século XIX em participar nas campanhas de pacificação nos territórios africanos. Pelo Decreto n.º 991 de 29 de outubro de 1914 é formalmente criado o Batalhão de Marinha Expedicionário ao Sul de Angola. O número de voluntários que responderam ao convite para integrar o Batalhão de Marinha foi bastante superior às vagas disponíveis, pelo que foi necessário proce-der-se a uma difícil seleção. Concluídos os preparativos para a partida para Angola, os possíveis em tão pouco tempo, no dia 5 de novembro o Batalhão de Marinha formou pela primeira vez no Quartel de Marinheiros, em Alcântara. Composto por 18 oficiais, 32 sargentos e 509 praças, estava organizado em três companhias a dois pelotões, duas secções de metralhadoras, serviço de saúde e serviço de quartéis, sendo comandado pelo Capitão-tenente Alberto Coriolano da Costa, veterano de campanhas em África e antigo Governador de Moçâmedes, profundo conhecedor da região em que iriam operar. Nesse mesmo dia 5 de novembro de 1914, o Batalhão de Marinha Expedicionário desfilou pelas ruas de Lisboa, acompanhado por uma multidão de populares que se foi despedir na hora do seu embarque, a bordo do paquete Beira com destino ao Sul de Angola, para aquela que seria uma das mais difíceis missões atribuídas à Marinha Portuguesa. O desembarque em Moçâmedes deu-se em 30 de novembro, vinte e cinco dias após a partida de Lisboa. Dali partiram a 11 de dezembro, em direção ao teatro de operações no extremo sul do território angolano. A chegada aos Gambos, onde se encontrava o comandante das Forças Expedicionárias, Tenente-coronel Alves Roçadas, deu-se em 3 de janeiro de 1915, após uma penosa e demorada marcha, marcada pela carência de água potável e de víveres. O Batalhão de Marinha foi enviado para um posto avançado, denominado de Forno da Cal, onde permaneceu durante largos meses, num período marcado pelo impasse nas operações, mas também pelo deteriorar do estado de saúde do efetivo do Batalhão de Marinha, assolado pelo paludismo, febre tifoide e pela escassez de água potável.


O COMBATE DE TCHIPELONGO (29 DE MAIO DE 1915)
No início do mês de maio de 1915, já sob o comando do General Pereira d’Eça, são retomadas as operações militares no Sul de Angola com vista à reocupação da região do Humbe, ameaçada por alemães e grupos locais de revoltosos. Em 26 de maio, as forças do Batalhão de Marinha que haviam avançado para sul até Tchicusse, receberam um pedido de auxílio do Padre Bellet, responsável pela missão do Espírito Santo, no Tchipelongo, a qual estava a ser ameaçada por revoltosos locais. Naquela que seria a sua primeira missão de combate, em 29 de maio foi então enviada uma força constituída por elementos da 1ª Companhia do Batalhão de Marinha sob o comando do então Primeiro-tenente Afonso de Cerqueira que, no seu relatório, descreveu os acontecimentos da seguinte forma:“Foi este episódio bem movimentado pois que o gentio nos atacou com valentia e arrojo, procurando por várias vezes envolver a nossa pequena força, devido ao nosso pequeno efectivo, e a não termos artilharia nem metralhadoras e a estar bem armado e com muitas munições(...). Devido a ter-se desde o princípio mantido uma rigorosa disciplina de fogo e às praças obedecerem sem hesitações e com valentia e decisão à ordem de avançar por lances e com descargas, foi o inimigo completamente derrotado, posto em debandada e obrigado a retirar, com numerosas baixas(...) Teve a nossa força dois oficiais feridos [um deles o próprio Afonso de Cerqueira] e seis praças. Foi notável a marcha efectuada de 54 kiló-metros quási sem descanso.”

Relatório do Capitão-tenente Afonso de Cerqueira, Comandante do Batalhão de Marinha. Lisboa, 20 de outubro de 1915.


O COMBATE DA MONGUA (18, 19 E 20 DE AGOSTO DE 1915)
Em 9 de julho de 1915, as forças alemãs no sudoeste africano são finalmente der-rotadas pelo exército britânico da África do Sul, rendendo-se ao General Louis Botha. Contudo, para as forças portuguesas, havia ainda que derrotar os grupos indíge-nas revoltosos no Cuanhama e Cuamato, que, instigados e armados por agentes alemães, constituíam séria ameaça à pre-sença e soberania portuguesa no sul de Angola.Consolidada a reocupação do Humbe, no início de agosto de 1915 foi constituída uma coluna militar para marchar para sul, em direcção à região de Cuanhama, onde chegaram a 15 desse mês. A 18 de agosto, a coluna foi atacada na região da Mongua, onde adoptou posições defensivas, formando em quadrado. A face da frente (virada a leste) coube ao Batalhão de Marinha, agora sob o comando do Capi-tão-tenente Afonso de Cerqueira. Após dois dias de continuado assédio por parte do inimigo, na manhã de 20 de agosto o quadrado é fortemente atacado. Pelas 17 horas é ordenada uma ação decisiva com vista a romper o cerco. Caberia ao Batalhão de Marinha sair do quadrado e carregar sobre o inimigo, com o apoio de cavalaria, do Batalhão de Infantaria 17 e a 15ª Companhia de Indígenas. Avançando à frente dos seus homens, o Comandante Afonso de Cerqueira liderou a carga, con-seguindo romper o cerco e desbaratando o inimigo, que bateu em retirada. A vitória na Mongua foi decisiva para o restabelecimento da ordem e soberania portuguesa, sendo a última acção de com-bate nesta longa e difícil campanha militar ao Sul de Angola. No seu relatório sobre as operações rea-lizadas no Sul de Angola, o General Pereira d’Eça, comandante das forças portuguesas naquele território, refere-se ao Batalhão de Marinha nos seguintes termos: “Todas as unidades cumpriram o seu dever por forma a justificar o grande orgulho que sinto em tê-las comandado; porém, julgo merecedor de especial menção o Batalhão de Marinha. Esta unidade mostrou sempre a maior correcção, a nítida compreensão dos seus deveres cívicos e militares, tanto no período que antecedeu às operações como durante as operações.Foi sem o menor exagero uma unidade de elite, cuja têmpera fica definida dizendo que foi a mais resistente nas marchas, a mais esforçada nos combates, e durante os quatro dias que, na Mongua, estivemos reduzidos a um quarto de ração, as suas sentinelas chegaram a cair de fraqueza nos respectivos postos, sendo imediata-mente rendidas sem que disso o comando superior tivesse conhecimento, pois essa unidade sabia bem que esse comando nada podia fazer que modificasse de pronto a situação”.


O REGRESSO DO BATALHÃO DE MARINHA
Após a vitória decisiva na Mongua, o Soba do Cuanhama, Mandume, retirou-se do seu território e deu por finda a rebelião. Estavam concluídas as operações militares no Sul de Angola e começava a retirada das forças portuguesas expedicio-nárias àquele território.No final das operações, restavam ao Batalhão 12 oficiais e 267 sargentos e praças, sensivelmente metade do efetivo que havia partido de Lisboa. Dirigiram-se para o Lubango, donde partiram para Moçâme-des, onde finalmente chegaram no dia 22 de setembro. A chegada a Lisboa deu-se no dia 15 de outubro de 1915. O Batalhão de Marinha desembarcou no cais do Arsenal da Marinha, no mesmo local onde, cerca de um ano antes, havia embarcado para tão distante quanto exigente missão. A espe-rá-lo já não estava a multidão que se fora despedir mas apenas algumas entidades oficiais e, os mais desejados, os seus familiares. Na Ordem do Dia Nº. 207, de 23 de Outubro de 1915 era dissolvido o Batalhão de Marinha Expedicionário ao Sul de Angola, sendo louvados os “comandantes, oficiais, praças do estado-menor e praças de mari-nhagem, pelos valiosos serviços presta-dos nas operações no sul de Angola, onde demonstraram a maior valentia, coragem e disciplina, mantendo assim pelo seu acendrado patriotismo o valor, as gloriosas tradições da Marinha de Guerra, cujo prestígio e renome realçaram.” Gonçalves Neves1 TEN ST-EHIS 



Bibliografia:Biblioteca Central de Marinha – Arquivo Histórico de Marinha, Documentação e Livros de Ordens do Batalhão de Marinha Expedicionário ao Sul de An-gola, cxs. 4605, 4608, 4611 e 4614.Eça, Pereira de, Campanha do Sul de Angola 1914-1915, Lisboa, Tipografia Lusitânia, 1922.Gonçalves, Júlio, Sul d’Angola e o quadrado da Mongua na epopeia Nacional d’África, Lisboa, J. Rodrigues, 1926.Inso, Jaime Correia do, A Marinha Portuguesa na Grande Guerra, Lisboa, Edições Culturais da Marinha, 2006.Pinto, Fernando de Oliveira, Batalhão de marinha expedicionário a Angola : ano de 1914-1915, Lis-boa, J. F. Pinheiro, 1918.Soares, António Maria de Freitas, As operações militares no sul de Angola em 1914-1915, Lisboa, Agência Geral das Colónias, 1937. Telo, António José, História da Marinha Portugue-sa. Homens, Doutrinas e Organizações 1824-1974, Lisboa, Academia de Marinha, 1999
Bibliografia:Biblioteca Central de Marinha – Arquivo Histórico de Marinha, Documentação e Livros de Ordens do Batalhão de Marinha Expedicionário ao Sul de Angola, cxs. 4605, 4608, 4611 e 4614.Eça, Pereira de, Campanha do Sul de Angola 1914-1915, Lisboa, Tipografia Lusitânia, 1922.Gonçalves, Júlio, Sul d’Angola e o quadrado da Mongua na epopeia Nacional d’África, Lisboa, J. Rodrigues, 1926.Inso, Jaime Correia do, A Marinha Portuguesa na Grande Guerra, Lisboa, Edições Culturais da Ma-rinha, 2006.Pinto, Fernando de Oliveira, Batalhão de marinha expedicionário a Angola : ano de 1914-1915, Lis-boa, J. F. Pinheiro, 1918.Soares, António Maria de Freitas, As operações militares no sul de Angola em 1914-1915, Lisboa, Agência Geral das Colónias, 1937. Telo, António José, História da Marinha Portugue-sa. Homens, Doutrinas e Organizações 1824-1974, Lisboa, Academia de Marinha, 1999O BATALHÃO DE MARINHA EXPEDICIONÁRIO AO SUL DE ANGOLA (1914-1915)
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sexta-feira, 12 de junho de 2020

Deportação de Mário Castelhano, em 1927, no Bairro Poveiro, Porto Alexandre - Angola


 Mário Castelhano (1896.1940)




ALGUMAS NOTAS (Da mesma fonte, assinada por Helena Pato)

- A fotografia de Mário Castelhano foi guardada por Mário Duarte Castelhano, filho de Mário dos Santos Castelhano e de Lucinda Duarte (esta, professora primária e também militante libertária), e pela viúva daquele, Ana Maria Gameiro Duarte Castelhano. Cumprindo uma sua última vontade, entregue ao Arquivo Histórico-Social, criado pelo Centro de Estudos Libertários, reunido em Lisboa nos anos 1980-1987 e depositado na Biblioteca Nacional, o qual foi depois doado a esta instituição e posteriormente acrescentado de mais alguns espólios e doações.

- As fotografias deixadas por nós em comentários foram tiradas à família de Mário Castelhano (incluindo o filho) quando aquele se encontrava clandestinamente a viver num moinho, na Ramada (Odivelas, nos arredores de Lisboa), onde tinham instalado a tipografia clandestina da CGT.

http://mosca-servidor.xdi.uevora.pt/arquivo/?p=digitallibrary/digitalcontent&id=785



 


Residência de Mário Castelhano no Bairro Poveiro, Porto Alexandre(?) - Angola (fotografia)
Data:  1929. Fotógrafo não identificado, sobre residência de Porto Alexandre, em Angola, onde esteve deportado Mário Castelhano, juntamente com outros anarquistas e republicanos, na sequência da insurreição falhada de fevereiro de 1927. 

Residência de Mário Castelhano no Bairro Poveiro, Porto Alexandre(?) - Angola (fotografia)
Data:  1929. Fotógrafo não identificado, sobre residência de Porto Alexandre, em Angola, onde esteve deportado Mário Castelhano, juntamente com outros anarquistas e republicanos, na sequência da insurreição falhada de fevereiro de 1927. Mário Castelhano (1892-1940) foi empregado dos caminhos de ferro e militante anarco-sindicalista, chegando a secretário-geral da CGT e morrendo no campo de concentração do Tarrafal (Cabo Verde). Esta fotografia foi guardada por Mário Amadeu Duarte Castelhano, filho de Mário dos Santos Castelhano e de Lucinda Duarte (esta, professora primária e também militante libertária), e pela viúva daquele, Ana Maria Gameiro Duarte Castelhano, cumprindo uma sua última vontade, entregue ao Arquivo Histórico-Social, criado pelo Centro de Estudos Libertários, reunido em Lisboa nos anos 1980-1987 e depositado na Biblioteca Nacional, o qual foi depois doado a esta instituição e posteriormente acrescentado de mais alguns espólios e doações.
Arquivo Histórico-Social / Projecto MOSCA
Contributor:
João Freire
Direitos de Propriedade:
Uso livre para fins não comerciais e sujeito às normas definidas pela Biblioteca Nacional de Portugal e legislação em vigor aplicável.



Grupo de deportados políticos(fotografia):1928.Fotógrafo não identificado, sobre grupo de deportados políticos (republicanos, anarquistas e outros opositores à ditadura) há pouco chegados a Vila Nova de Seles, Angola, na sequência da insurreição falhada de fevereiro de 1927, distinguindo-se um marinheiro condecorado e Mário Castelhano, à direita.
Esta fotografia foi guardada por Mário Amadeu Duarte Castelhano, filho de Mário dos Santos Castelhano e de Lucinda Duarte (esta, professora primária e também militante libertária), e pela viúva daquele, Ana Maria Gameiro Duarte Castelhano, cumprindo uma sua última vontade, entregue ao Arquivo Histórico-Social, criado pelo Centro de Estudos Libertários, reunido em Lisboa nos anos 1980-1987 e depositado na Biblioteca Nacional, o qual foi depois doado a esta instituição e posteriormente acrescentado de mais alguns espólios e doações. http://mosca-servidor.xdi.uevora.pt/arquivo/?p=digitallibrary/digitalcontent&id=771


MÁRIO CASTELHANO era um destacado dirigente anarco-sindicalista,  dos 20 aos 30 anos, nascido em Lisboa, em 1896, e falecido no Tarrafal, Cabo Verde, a 12 de Outubro de 1940. 

Participou em movimentos insurreccionais contra a ditadura, foi preso e deportado por diversas vezes, julgado em Tribunal Especial, e acabou por morrer no Tarrafal, com 44 anos. Oriundo de uma família modesta, começou a trabalhar aos 14 anos na Companhia Portuguesa dos Caminhos-de-Ferro, participado nas greves de 1911, 1918 e 1920, tendo sido despedido por ter participado na organização destas últimas greves. Passou a  ter  actividades de escrituração no Sindicato de Ferroviários de Lisboa, na Federação Ferroviária e na Confederação Geral do Trabalho, foi membro da comissão executiva da Federação Ferroviária, tendo ocupado o pelouro das relações internacionais e passou a redactor responsável do principal do jornal "A Federação Ferroviária", para além de outros que dirigiu, como  O Ferroviário e O Rápido. Fez parte da reorganização do Conselho Confederal da CGT, após a queda da 1 Republica em 1926, tendo sido eleito responsável do novo secretariado e redactor-principal de A Batalha. Com a tentativa insurreccional de Fevereiro de 1927 ,  a repressão policial acentuada e a ilegalização da CGT e assalto do jornal A Batalha foi preso em Outubro do mesmo ano e deportado para Angola, onde ficou 2 anos.  Em 1930 foi enviado para os Açores , em 1931 para a Madeira, onde participou numa insurreição contra o Governo. Com a derrota deste movimento, foge da ilha, clandestinamente no porão do navio Niassa. Volta a estar à frente do secretariado da CGT em 1933, mas é preso  e condenado pelo Tribunal Especial Militar a 16 anos de degredo na Fortaleza de S. João Baptista, em Angra do Heroísmo, e em Outubro de 1936, para o campo de concentração do Tarrafal, onde morreu.

Em 1975, o seu livro Quatro Anos de Deportação foi editado em Lisboa pela "Seara Nova", como Volume 19 da "Colecção Seara Nova". Foi condecorado, postumamente, com o grau de Grande-Oficial da Ordem da Liberdade, a 30 de Junho de 1980.
Nota; estas ultimas  infs foram colhidas da pg facebook Antifascistas da Resistencia




Outras imagens
 



UM POUCO DA HISTÓRIA DA REGIÃO DE MOÇÂMEDES: Colonos da Póvoa de Varzim (poveiros) em Porto Alexandre (Angola)

Chegada de colonos a Porto Alexandre, 1921.




Como tantos outros inconformados emigrantes, que por esse mundo fora atravessaram o mar em busca de uma vida melhor, também os POVEIROS partiram um dia, rumo a Moçâmedes, nas primeiras décadas do século XX, fixando-se em Porto-Alexandre (Tombwa), onde encontraram enraizada uma comunidade de algarvios e seus descendentes já alí nascidos, que alí haviam começado a chegar, desde 1861, por sua conta e risco, em caíques, palhabotes e lanchas à vela.

A ida dos pescadores da Póvoa de Varzim para Angola e Moçambique está intimamente ligada à emigração dos poveiros para o Brasil. Em 1920 as autoridades brasileiras determinaram que os pescadores estrangeiros só poderiam continuar a pescar nas águas da ex-colónia, independente desde 1822, desde que se naturalizassem brasileiros, até 12 de Outubro do referido ano, e nacionalizassem também as suas embarcações, otgnizando «companhas» de modo que dois terços da tripulação de cada barco fosse brasileira. Os pescadores resolveram obedecer às duas últimas condições, arvoraram em nos seus barcos a bandeira do Brasil, e pediram através de editais, a colaboração de tripulantes brasileiros, mas como a quase totalidade se escusou à naturalização, tiveram de regressar à Póvoa de Varzim, em número de cerca de mil, tendo o primeiro contingente de 250 pescadores chegado a Lisboa em 30 de Outubro de 1920, seguindo-se outro grupo, em número de 302, que desembarcou em Leixões, a 5 de Novembro. 

Recebidos na Póvoa de Varzim com uma clamorosa e romântica recepção, fruto da onda patriótica que então se levantou, alimentada pela imprensa periódica, cedo se verificou, de um modo dramático, os problemas sociais e económicos derivados do retorno de tão grande massa de indivíduos, para cuja integração ninguém estava preparado. Uma crua miséria enlaçara muitos dos que haviam voltado, e ameaçava muitos mais. Tornara-se urgente uma tomada de medidas que evitassem a tamanha e injusta desgraça. Foi então que surgiu o projecto de Norton de Matos de assentar no litoral do sul de Angola as bases de uma indústria piscatória voltada para o futuro, lançando a ideia da instalação de uma colónia de poveiros em Porto Alexandre, onde, segundo o Alto Comissário, o clima era mais favorável e fixação mais fácil aos europeus que no norte do território.

Importa contudo salientar o papel do deputado A Santos Graça, pesaroso ante situação, e defensor entusiástico deste projecto, que várias vezes se deslocou a Lisboa para conferenciar com Norton de Matos, e contribuiu para atenuar as dificuldades, ao afiançar junto do Alto Comissário preocupado com a inexistencia de redes, barcos e aprestos necessários, que os poveiros tinham de tudo, fazendo desse modo acelerar o processo.

Por ordem telegráfica de Norton de Matos são construidos em Porto Alexandre um barracão para salga de peixe, redes, velas e aprestos destinados ao início da indústria pesqueira, e ainda três barracões-caserna para os pescadores poveiros e suas familias dormirem e descansarem, provisoriamente, até que fosse construido o conjunto de habitações prometidas pelo General, um bairro destinado às famílias dos pescadores poveiros, a fim de as atrair e fixar ao solo de Angola . O Estado forneceria passagens gratuitas e o transporte dos 3 barcos de pesca apetrechados, redes, linhas, camas, mobiliário indispensável, utensilios de cozinha, bagagem , etc. enquanto aos pescadores caberia pagar uma renda mensal, entre 3 e 15%, sobre o valor do pescado, para amortização do custo das barracas e casas que ficariam sua propriedade exclusiva. A cada familia de pescadores, Norton de Matos fazia questão que fosse fornecida uma quantia no valor de 30 contos para que não desembarcassem como uns pedintes, e que esta quantia fosse apresentada à chegada. Os pescadores receberiam também, à chegada, lenha e sal para as primeiras impressões, e o Governo compraria todo o pescado preparado para exportação. 

E assim ..." Em 24 de Fevereiro de 1921, no paquete África, partiam de Lisboa para Porto Alexandre 62 dos pescadores poveiros regressados do Brasil, que chegaram ao seu destino em 14 de Março; à frente tinham sido enviados os seus barcos e aprestos, que às praias africanas levavam, pela primeira vez, elementos típicos do areal e da enseada da Póvoa. (1)
Um dos pescadores poveiros idos para Porto Alexandre, Manuel Francisco Trocado , dizia em carta dos finais de 1921: “Acrescentarei ainda que o sistema de pesca que adoptamos é muito fácil: fizemos uma sacada, como uma nassa, que nos importou em 2 contos. Lança-se ao mar, seguras as extremidades por 2 barcos, e em um, ou, no máximo em dous lanços, carregamos o barco de peixe”. (2)

À sua chegada a Porto Alexandre, a comunidade foi bem recebida, a pesca teve início, como teve inicio a construção das prometidas habitações, não faltando porém criticas à boa qualidade das mesmas. São estas habitações, simples mas bem construidas que recordam hoje uma página da História escrita há quase 90 anos. 

Outras levas de pescadores poveitos se seguiriam...


Pesquisa e texto de MariaNJardim


1 GONÇALVES, Flávio. Os pescadores poveiros em Angola e Moçambique , Póvoa de Varzim Boletim Cultural, volume VI nº 2, C.M. da Póvoa de Varzim, 1967. pp. 286/288
2 “O Comércio da Póvoa de Varzim”, 11/10/1921.
Outra bibliografia consultada: " Pesca, Industria e Derivados do Distrito de Moçâmedes", de Afonso José Vilela.
Imagem: do volume "A Pesca, Industria e Derivados do Distrito de Moçâmedes", de Afonso José Vilela (Porto Alexandre, 1923. pg 43)
 
1.
Grupo de dezenas de pescadores da Póvoa do Varzim após a chegada a Porto Alexandre, em Março de 1921. Publicação: Vilela, Afonso José, 1923. A Pesca e Indústrias Derivadas no Distrito de Massamedes: 1921-1922. Relatório de um Inquérito. Porto: Officinas de “O Comércio do Porto”, (p.43). Proveniência BPN, Colecção Fundo Geral Monografias.

sexta-feira, 17 de abril de 2020

A BAÍA DOS TIGRES E A ALEMANHA




O “Correio da Manhã” publicou uma curiosa correspondência de Angola, que pedimos licença para reproduzir em parte:

"...


Constou aqui que os alemães, não tendo na costa ao Sul do Cunene um porto em condições razoáveis, tencionavam aproveitar a Baía dos Tigres onde, com a nossa consumada inércia, nada tínhamos ainda que bem manifestasse a nossa posse por qualquer acto externo de ocupação efectiva. Coincidiu esta notícia com a estada em Luanda da canhoneira alemã “HAYENE”, cujo comandante estava tirando informações muito minuciosas sobre a força de que poderia dispor a estação naval e sobre a situação dos navios que compõem a mesma. Estava então a “Limpopo” no Congo, a “Bartolomeu Dias” e a “Zaire” em Luanda e a “Douro” nos portos do Sul. Como esta, porém, tivesse já ordem de retirar, recebeu a Zaire ordem de seguir com urgência para Mossâmedes, visto que a canhoneira alemã tinha já saído do porto dirigindo-se para o Sul.

Foi esta ordem recebida em 31 de Maio, às 11 horas da manhã, e às 7 da tarde seguíamos para o Sul, chegando no dia 2 de Junho de manhã a Mossâmedes, onde embarcámos uma força de caçadores 4, composta de um sargento e oito praças, saindo nessa mesma tarde, onde chegámos na manhã seguinte, encontrando ali “Douro”, que se aprontava a retirar para o Norte.

Em Mossâmedes, onde à nossa chegada estava fundeada a tal canhoneira alemã, corria também com insistência o boato das intenções a respeito da Baía dos Tigres.

Segundo o costume, mandaram seguir a força de Caçadores 4, sem se preocuparem do modo como seria alojada quando chegasse ao seu destino, tendo sido necessário, com os recursos de bordo, fazer-lhe uma barraca de lona, que só se concluiu no dia 7, tendo, até então, os soldados permanecido a bordo.

No dia 8, às oito horas da manhã, içou-se pela primeira vez a bandeira portuguesa em terra, dando a “Zaire” um tiro de peça quando a bandeira foi a tope, e fazenda a guarda um destacamento de vinte praças de marinhagem, sob o comando de um sargento, sendo então entregue a barraca e seus pertences ao sargento de caçadores que dela tomou posse.

A colónia da Baía dos Tigres compõe-se de umas duzentas pessoas, das quais umas sete famílias de brancos, pescadores do Algarve na maioria, sendo apenas um açoriano e um madeirense.

A baía, muito piscosa, permite-lhes exportar anualmente seis a oito mil arrobas de peixe seco, regulando o preço da arroba de réis 1$200 a 1$400.

A terra, absolutamente árida, é composta exclusivamente de areias, nada produz, sendo necessário aos colonos mandar vir tudo, inclusive a água de Mossâmedes, pois que esta mesmo, extraída das cacimbas na costa do continente, é de tal modo salobra que só serve para lavagem, bebendo-a apenas os serviçais indígenas contratados.

A baía é bastante vasta, aberta ao Norte, mas pouco abrigada, porque é formada a Oeste por uma extensa língua de areia (a península dos Tigres), que sendo de uma fraca elevação, não a protege contra o vento que quase todas as tardes ali levanta mareta.

As dimensões aproximadas da baía são de 20 milhas de comprimento, por 10 de largura, sendo funda bastante, excepto no extremo Sul, onde se encontram alguns baixios de areia, é bastante elevada e árida até duas léguas para o interior, segundo informação dos colonos estabelecidos na península, que afirmam também que, a 24 horas de marcha para o Sul, partindo do extremo da baía, se encontra a margem do Cunene, sendo o caminho abundante de caça, mas não falando nenhum dos colonos em tigres, apesar do nome da baía.

A indústria única daqui é a da pesca e seca do peixe para exportação. Encontram-se bastantes tartarugas e na costa Oeste da península encontram-se esponjas, das quais vi alguns exemplares, ignorando se a quantidade merece que isto constitua uma indústria.

Não há indício algum, nem oficial, nem extra-oficial, que possa fazer supor algum projecto do governo alemão para a ocupação da Baía dos Tigres. Entretanto, muito aconselhadamento andou o Conselheiro Governador Geral de Angola, mandando prontamente ocupar aquela localidade e arvorar a bandeira portuguesa para não deixar nutrir dúvidas. Se tivéssemos em muitas outras circunstâncias procedido com a mesma diligência, muitos prejuízos morais e materiais se teria evitado.

A Baía dos Tigres, se não nos enganamos, faz parte dos territórios concedidos à Companhia de Mossâmedes.

In “Revista Colonial” nº 35, 5.08.1895, p. 267

Ver tb: http://mossamedes-do-antigamente.blogspot.com/2015/12/o-interesse-da-alemanha-por-angola-e-o.html

segunda-feira, 23 de março de 2020

Como se constituiu o sistema de avassalamento em Angola

...


Século XVII: como se constituiu o sistema de avassalamento em Angola

Em 1671, com a derrota da batalha de Pungo Andongo, o Ndongo perdeu sua autonomia para os portugueses, passando a ser chamado de Angola. Apesar da interferência portuguesa, o território do Ndongo continuou a ser governado pelo n'gola que transferia grande parte do poder político aos sobas que, por sua vez, administravam com grande autonomia suas possessões territoriais.

Esses chefes foram personagens fundamentais para a condução dos projetos políticos portugueses, já que exerciam as funções de intermediários e de grandes fornecedores de escravos destinados ao comércio atlântico. Cabia aos sobas a função de permitir ou proibir a presença de estrangeiros em determinados territórios e principalmente a passagem das caravanas, viabilizando, ou não, o desenho de rotas comerciais e de comunicação entre as regiões de captação do interior, até o litoral. "

"Os estudos pioneiros de Charles Ralph Boxer (1952), Jan Vansina (1990), e Joseph Miller (1995), embasam nosso argumento de que o Ndongo, ao contrário do que ocorria no Congo oferecia mais vantagens aos portugueses interessados na captação de escravos, em função de sua estrutura política ser mais descentralizada, fazendo com que os sobas gozassem de maior autonomia, ficando o Ngola como uma figura associada às funções sobrenaturais, como por exemplo, poderes vinculados ao controle da chuva e consequentemente da produção agrícola. Nossa hipótese deposita na figura dos sobas uma grande relevância no processo de interiorização dos portugueses nos sertões e considera que a prática do avassalamento, derivada da cerimônia do undamento, foi utilizada como instrumento de poder para legitimar o jugo dos chefes locais à Coroa portuguesa.

Outra hipótese trabalhada em nossa tese é que é possível traçar uma geografia do processo de penetração dos portugueses nos sertões do antigo Ndongo através da identificação dos sobados avassalados. Para isso recorremos aos autos de vassalagem e às fontes que citam esses embates militares entre os capitães mores e os exércitos africanos. Outra questão levantada é a utilização da prática do avassalamento como recurso dos próprios africanos, como estratégia de defesa e de alianças militares contra inimigos comuns aos portugueses. O que evidencia outro lado das alianças e conflitos travados entre diferentes sobados e os portugueses. Do ponto de vista dos sobas a prática do avassalamento foi produto de um encontro entre elementos da cultura portuguesa, marcada inclusive por insígnias religiosas como crucifixos e referências à conversão, e elementos da cultura mbundu que conferia ao undamento a função de transferir e legitimar o novo soberano e líder do grupo. Foi, portanto, uma recriação oportuna de cerimônias que tinham como meta a legitimação do poder político entre os mbundus que ganhou sentido internamente e também garantiu a aliança e o apoio militar português contra sobas adversários. O custo de tal aliança era, por outro lado, a submissão ao rei de Portugal, na prática ao governador em exercício e mais frequentemente ao capitão mor mais próximo. "

Tese de Doutorado

Os homens do rei em Angola: sobas, governadores e capitães mores, séculos XVII e XVIII

Doutoranda: Flávia Maria de Carvalho


Orientadora: Profª Drª Mariza de Carvalho Soares


Niterói, fevereiro de 2013
https://www.academia.edu/24415367/Sobas_e_homens_do_rei_em_Angola_sobas_governadores_e_capit%C3%A3es_mores_s%C3%A9culos_XVII_e_XVIII?fbclid=IwAR1q3X4nFOkRAXLjmbIiv0zn1UYzS_sPXUA2hk3clt0O6ieCGpYOTwE2-Us


http://wizi-kongo.com/historia-do-reino-do-kongo/os-kongo-os-ultimos-reis-e-o-residente-faria-leal-iii-parte/http://wizi-kongo.com/historia-do-reino-do-kongo/os-kongo-os-ultimos-reis-e-o-residente-faria-leal-iii-parte/

domingo, 22 de março de 2020

Recenceamento de moradores de Moçâmedes, em Angola, no início do século XX


Trata-se do recenseamento da população legível de Moçâmedes, em Angola, tendo por objectivo as eleições para a Assembleia Constituinte em 1911, no quadro da 1. Republica portuguesa implantada em 10 de Outubro de 1910, após a queda da Monarquia Constitucional, o sistema governativo que vigorava desde a Revolução Liberal de 1820, com a aprovação da Constituição de 1822. 



Abilio Augusto Mendes de Carvalho
Abilio Godinho
Abilio Rodrigues
Abilio Lopes Braz
Arnaldo Simões Rocha
Adolfo José Alves
Acácio Pereira Rodrigues
Agostinho Ferreira Junior
Agostinho Joaquim Ferreira
Albino Antunes da Cunha
Albano Martins Braz
Albano Simões da Fonseca
Albano Teixeira da Silva
Alberto Amado Trindade
Alberto Carlos Filipe Julio Zuzarte de Mendonça
Alberto Carlos das Neves Cabral
Alberto do Nascimento Miranda
Albino José de Oliveira


Alberto José Fernandes
Alberto Severo de Oliveira
Alexandre Carlos Chaves
Alexandre Toulson
Alfredo Alberto Ribeiro Magalhães
Alfredo Duarte d'Almeida
Alfredo Ernesto Lopes de Oliveira
Alfredo Gonçalves Ribas
Alfredo Quartin
Afredo Rosa Neves
Alfredo Rodrigues de Lima
Alvaro Forjaz do Monte e Freitas
Alvaro de Jesus
Alvaro Pedro de Campos
Alvaro? da Silva Nogueira
André Gonçalves Monforte
Antero da Silva
Anselmo Antonio dos Santos
Ántonio de Abreu
Antonio Augusto Campos
António Augusto Machado
Antonio Augusto Pereira
Antonio Avelino da Silva

Antonio Candido Gonçalves
Antonio César Correa Mendes
António da Conceição Pinheiro
António da Costa
António da Costa
António Corado da Silva
António Bispo
António Fernandes
António Fernandes
António Cardoso
António Caetano de Sousa
António Alexandre Toulson
António Carlos Fallante
António Cortez da Silva Curado
António do Espirito Santo
António Fernandes Leorne Figueiredo
António Ferreira Duarte Leitão
António Ferreira da Silva
António de Figueiredo
António Florentino Torres
António Franco Agra
António Francisco Coelho
António Francisco Mendes

Antonio Francisco dos Santos
Antonio Gabriel
Antonio Gomes da Silva
António Gonçalves Ferreira
António Joaquim Fragata
António Joaquim Nunes
António Joquim Ribeiro
António Joaquim Teixeira de Magalhães
António José Casinhas
Abtónio José Novaes
António José Pinheiro
António José dos Reis
António José Miranda
António Laneiros
António Lourenço Martins
António Lopes Russo
António Madeira
António Manuel Afonso
Antóni Marques
António Marques Teixeira
António Martins de Paiva
António Mestre
António Mestre Junior

Antonio Melim
Antonio Menandro Guerra
António Mendes Rosa
Antonio Norte
Antonio Nunes
Antonio Paes Baeta
Antonio d'Oliveira
António Paula
Antonio Piedade Vaz
Antonio Pinto de Miranda
Antonio dos Reis Ferreira
Antonio Ribeiro dos Prazeres
Antonio dos Santos Almeida
Antonio dos Santos Miranda
Antonio dos Santos Palma
Antonio Sequeira
António da Silva Estrella
Antonio de Sousa
Antonio dos Santos
Antonio Viegas Paula Nogueira
Antonio Viegas Pires da Graça
Antonio Viegas Seixal
Antonio Victorino dos Reis Júnior

Aurélio ? Peixoto Vieira
António? Augusto de Oliveira
Aristides Aníbal Coelho
Armenio? Concha Morgado
Arnaldo?Moreira
Arthur do Amaral Monteiro
Arthur Carlos Pereira Gomes
Arthur José Oliveira
Arthur Pedro de Campos
Augusto José dos Reis Figueiredo
Augusto Francisco Maria Rego
Augusto Maria Coutinho
Augusto Mendes da Silva 
Augusto Noronha Gonçalves
Augusto Pereira da Cruz
Augusto Rodrigues Santos
Augusto Torres de Jesus Soares
Augusto Borges de Azevedo
Augusto José Coelho
Augusto Peixoto
Bernardino Alves
Bernardino José Dias
Bernardino Moreira

Bernardino da Silva Jorge
Bernardo Dias Costa
Bernardo Martins
Bonifácio Fernandes Andrade
Caetano Carvalhal Correia Henriques
Caetano Evaristo Ferreira Peixoto
Candido Correia
Carlos Augusto Ferreira Gaspar
Carlos José da Silva Maarques
Carlos Ferreira de Andrade
Carlos da Costa Russo
Carlos Luis do Cabo Carvalho
Carlos Maximiano de Oliveira
Carlos da Pereira Gaspar
Carlos de Pina Manique Soeiro
Carlos Ponce de Oliveira Pres
Carlos Ribeiro Maciel
Casimiro Dias
Casimiro Ventura da Silva
Cassiano da Fonseca
Celestino de Almeida e Silva
Celestino Tomás Caetano
?  Simões Lopes


Bernardino da Silva Jorge
Bernardo Dias Costa
Bernardo Martins
Bonifácio Fernandes Andrade
Cristiano Carvalhal Correia Henriques
Carlos Evaristo Ferreira Peixoto
Cândido Correia
Carlos Augusto Ferreira Gaspar
Carlos José da Silva Marques
Carlos Ferreira d' Andrade
Carlos da Costa Russo
Carlos Luis do Cabo  Carvalho
Carlos Maximiano de Oliveira
Carlos Pereira Gaspar
Carlos de Pina Manique Soeiro
Carlos Ponce de Oliveira Pires
Carlos Ribeiro Maciel
Casimiro Dias
Casimiro Ventura da Silva
Celestino da Fonseca
Celestino d`Almeida e Silva
CelestinoThomas Caetano
César Lopes
Custódio Correia
? de Sousa Nabo?
Daniel Duarte dos Santos
Daniel de Freitas
Daniel Rodrigues
? Dias Ferreira
Domingos Alexandrino da Silva
Domingos Gomes
Domingos José do Carmo
Domingos José d Abreu
Domingos Leal dos Santos
Domingos Machado Godinho
Domingos Martins Nunes
Domingos Portela
Domingos Viegas Seixal
Domingos Vieira
? Marques Cabral
?Freire de Figueiredo
? Pereira Dinis
? Gaspar
? de Oliveira
? do Valle
? do Valle Junior


Eugénio? de Oliveira de Guimarães
Eesébio? Soares
Feliciano Caetano de Sousa
Félix? de Brito
Fernando António
Fernando Ezequiel de Moura Viena ?
Fernando Pestana
Florentino da Silva
Francisco
Francisco António dos Santos
Francisco António Trabulo
Francisco Antunes Salvador
Francisco Alexandrino da Silva
Francisco Augusto da Fonseca
Francisco Callado
Francisco Duarte Fortuna
Francisco Ferreira Nunes
Francisco Freire
Francisco de Freitass
Francisco Gomes do Armazém
Francisco José Rodrigues
Francisco dos Santos

Francisco José Serra
Francisco José da Silva
Francisco Lourenço
Francisco Marques da Silveira
Francisco Martins Nunes
Francisco Martins Nunes Junior
Francisco Martins Pereira
Francisco de Paula Sodré Pereira
Francisco Paulo de Senna
Francisco Pedro da Cruz
Francisco Pereira 
Francisco Peres da Cruz
Francisco Pinto da Rocha
Francisco Pinto da Rocha Junior
Francisco Ricardo dos Santos
Francisco  Rodrigues Pinto da Rocha
Germano d' Oliveira
Gregório de Freitas
Geraldino Graça
Guilherme Augusto da Silva e Mello
Guilherme de Sousa Ganho
Henrique Antunes Pintassilgo
Henrique Herculano de Moura


Henrique Pereira Trindade
Henrique Santos Rosa
Ignácio do Espirito Santos Ramires
Ignácio Quartin
Ivo Garcia de Mascarenhas
Isidoro de Mello
Jacintho
Jacintho Ignácio d'Abreu
Jacintho Miguel da Rosa Ferreira
Jayme? Pinto da Rocha
Jayme? Roberto dos Santos
Jeronymo Benvindo
Jerónymo Francisco Russo
João Alberto de Sousa
João Agostinho de Almeida
João António Calão
João António Castilho
João Baptista Pereira dos Santos
João Carvalhal
João Coelho Nóbrega
João da Cruz Calleres
João da Cruz Morgado
João da Cruz Morgado Júnior

João Duarte
João da Encarnação
João Baptista Luis
João Fernandes Abano
João Fernandes Carvalhal
João Faustino da Sousa
Joáo Ferreira da Silva Gato
João de Freitas Piedade
João Geraldo da Silveira
João Gonçalves Bento
João Guedes da Silva
João Guedes da Silva Junior
João Henriques de Azevedo
João Ignácio Bezerra
Joáo Laurentino Torres
João Lopes Carvalho Junior
João Martins Molle
João Martins Abano
João Marques Rodrigues
João Mesquita
João Miranda
João Nunes de Almeida
João Nunes da Costa
João Nunes dos Reis
João de Oliveira
Joáo de Paixão
Joáo de Paixão Junior
João Pereira da Costa
João Ramos
João Reynoldes Melin
João Ribeiro Guimarães
João Ribeiro dos Santos Mello
João Rodrigues Feio
João Rodrigues Nobrega de Mattos
João Rodrigues Tavares
João Rodrigues Trindade
João da Rosa Machado
João dos Santos
João da Silva Estrella
João da Silva
João da Silva Jardim
João da Silveira Pires
João de Sousa Ferreira
João Teixeira da Silva
João Thomás da Fonseca
João Viegas Seixal


João Viegas Ventura
João Xavier dos Reis
Joaquim Alves
Joaquim António Octávio
Joaquim António Estudante
Joaquim Cortês
Joaquim Correia da Graça
Joaquim Dias Costa
Joaquim Dias da Silva
Joaquim Fernandes Bento
Joaquim de Figueiredo
Joaquim Guedes da Silva
Joaquim José Alves
Joaquim José d' Abreu
Joaquim José Pereira
Joaquim Lopes
Joaquim Malaguerra
Joaquim Manuel Correia Mendes
Joaquim Maria Valente
Joaquim Marques
Joaquim Martins Nunes
Joaquim Oliveira Russo
Joaquim Pedro Campos

Joaquim Pinto de Sousa Quaresma
Joaquim Reis Pereira Reis
Joaquim Ribeiro Arrabalde
Joaquim Rosa
Joaquim Sequeira Jacob
Jorge Julo Zuzarte de Mendonça
José Alfredo da Costa
José d'Albuquerque Serafim
José António Martins
José António Martins da Cruz
José Anthero Rodrigues
Joaé Anthero Leitão
José Antunes Salvador
José d ´Araujo
José Augusto d'Andrade
José Augusto Arthur Fernandes Torres
José Augusto Fernandes
José de Campos
José Cândido Borges da Cunha
José Carlos de Freits
José Claudio
José de Deus ou José Maria de Sousa
José Duarte Bandeira
José Viana da Costa Senna
José Vasconcelos Peyrotheu
José Victor
José Viegas Costa
Júliio Augusto
Julio Ernesto de Moura
Julio Gaspar
Julio Rogado Leitão
Justino José Sousa Pinto
Juvencio Osmundo Tulson
Leovegildo Augusto Nogueira de Figueiredo
Lino Jacintho
Lourenço Martins Morgado
Lourenço Martins Morgado Junior
Luis António Loureiro Vasconcelos Junior
Luis Aristides Tavares
Luis Augusto Mendes Cardoso
Luis Candido da Silva Patacho
Luis Filippe Fernandes Alves
Luis Marreiros
Luis Miguel dos Reis

José Felizardo Vieira
José Fernandes
José Fernandes Bento
José Ferreira Mattos
José Francisco Lopes
José Francisco Machado
José Gerardo
José Gomes Freitas
José Gomes Junior
José Gonçalves Panasco
José Gonçalves Pereira
José Guerreiro Cardoso
José Heliodoro Pires da Maia
José Ignácio da Costa
José Ignácio
José de Jesus
José Joaquim Gomes
José Joaquim dos Santos Paixão
José Joaquim Fragata
José Jorge da Rosa
José Julio Zuzarte de Mendonça
José de Lima
José Lino dos Reis

José ? Alexandre
José ? da Cunha
José ? da Rosa
José ? Gomes
José Maria Alves
José Maria Bodião
José Maria da Costa
José Maria Henriques de Paiva
José Maria Ignácio
José Maria Medeiros
José Maria dos Santos Pereira
José Maria dos Santos Maia
José Marques
José Mendes
José Moreira
José do Nascimento Ribeiro da Cruz
José das Neves
José Nogueira da Silva
José Palhares Malafaia
José da Paixão
José Pedro Bauleth
José Pedro Gouveia
José Pereira Craveiro

José Pereira Dinis
José Pereira Serra
José Pereira da Silva Xavier
José Pina Martins de Abreu e Castro
José Pinho Trindade
José dos Reis
José da Rocha da Cruz Mattos
José Rolinho de Andrade
José de Sá
José do Sacramento
José dos Santos
José dos Santos
José dos Santos
José dos Santos Malaquias
José dos Santos Pestana
José dos Santos Serra
José Simões da Silva
José de Sousa Estevão Faquinha
José de Sousa Honrado
José de Sousa Neves
José Teixeira de Sampaio
José Teixeira da Silva
José Teixeira
Manuel Garcia Tavares
Manuel Gomes Barreto
Manuel Gomes
Manuel Gonçalves Vaz Pereira
Manuel de Jesus Fonseca
Manuel de Jesus Lopes
Manuel Joaquim
Manuel Joaquim
Manuel Joaquim
Manuel Joaquim de Pinho
Manuel José Cardoso Guimarães
Manuel José Rodrigues do Giro
Manuel Lopes
Manuel Lopes Pinto
Manuel Lucas Monteiro
Manuel Lopes Brito
Manuel Lucas dos Reis
Manuel Martins
Manuel Marques
Manuel Nicolau de Andrade
Manuel Nunes Viveiros
Manuel d' Oliveira Leitão
Manuel Pereira

? Soares Martins
?  Viegas Junior
? da Câmara
Manuel de Abreu
Manuel de Abreu
Manuel de Almeida Soares
Manuel  Alves Cordeiro
Manuel  Viegas Ilha
Manuel Antonio Maiote
Manuel  Baptista Lisboa
Manuel Fernandes Ventura
Manuel  Ferreira Rodrigues
Manuel de Freitas

Manuel Pestana
Manuel Pinto de Miranda
Manuel Rymundo da Cruz
Manuel Rodrigues de Carvalho

Manuel da Silva Balhão
Manuel de Sá
Manuel da Silva Brazão
Manuel da Silva Dias
Manuel Simões ou Manuel Simões Gomes
Manuel Simões da Fonseca
Manuel Taiixeira
Manuel Teixeira
Manuel Viegas Galambas
Manuel Viegas Galambas Junior
Manuel Viegas Seixal
Manuel Vieira
Manuel Vieira Barrela
Marcelino Augusto Fernandes
Marcelino de Jesus
Mário Alfredo Sottomayor Pizarro
Mário Armando
Mário Lapa Salema
Mathias Ambrósio da Silva


? Mendes
? José Ferreira
? Santos Rocha
Miguel? Duarte Loureiro de Almeida
? Filipe Borges
? Pires da Silva
? de Jesus
? Roma
? Concha Morgado
 dos Santos
Porfirio? Augusto Gomes
? Rodrigues Simões
? Sousa Rangel
? Silva Rodrigues
? Candido Lourenço Rocha
? Concha Morgado
? Marques da Costa
? Pacheco
Raul Radich 
Rodrigo dos Santos
? da Costa
? dos Reis
? Fortunato de Abreu


536 eleitores conf Livro de Recenceamento Eleitoral de 
04 de Julho de 1911


? d' Almeida
? Castro Barbosa
? Simões Dias
? Simões Freire de Figueiredo Junior
? Fernandes Monteiro
? Francisco Pataco
Thomás de Sousa Guedelha
Thomás de Sousa Guedelha Junior
Tito Livio? Ferro Beça
? Martins da Cruz
Valentim José Lapa e Faro
Vliberaltino de Sousa
? Henriques Soares de Freitas
Virgilio Costa
Virgilio Pinto da Rocha

…………………………………………………………………………………………………………..

As duas listas que seguem, não conseguimos saber se se trata igualmente de moradores da cidade de Moçâmedes, uma vez que tem outra numeração e especto, o papel é diferemte, e pelos nomes atrevo.me a dizer que se trata de eleitores de Porto Alexandre (actual Tombwa), na mesma data.

 
Agostinho Ferreira
? Augusto de Sampaio Nunes
Antonio Alves
Antonio da Cruz Viegas ?
António Joaquim da Cruz Viegas ?
Antonio Maria Gaspar
Adelino N. Correia
Décio Alberto Rodrigues Leitão
Edmundo Augusto da Costa
Fernando Bacalhau
Francisco Bento Viegas 
Francisco Fernandes de Carvalho
Ftancisco Nunes Callere
Francisco Pacheco Costa Cabral
Francisco de Sousa Martins Junior
Francisco Silva
Ignãcio do Espirito Santos Ramires
João Dolbeth e Costa


Januário Mendes Tendinha
Joaquim José Dolbeth e Costa
Joaquim Pereira
Joaquim de Oliveira Silva
José Carlos de Freitas
José Fortunato
José Joaquim Fernandes Inocèncio
José de Sousa Martins
José dos Santos Peleira
Lourenço Viegas
Manuel Nunes de Carvalho
Manuel do Ó Faustino
Manuel do Ó Faustino Junior
Manuel José Russo
Manuel Pereira Martins
Manuel da Cruz Barreto
Manuel da Cruz Viegas Bezouro
Manuel Martins
Manuel Martins Carapinha
Manuel de Albuquerque Corte Real
Manuel Drumond Telles
Manuel do Sacramento Martinho
Paulo Dolbeth e Costa
Sebastião Formosinho Pereira?
Romão de Laboreiro
Torquato Martins da Cruz





Este foi o primeiro recenseamento que se realizou em Moçâmedes, em Angola, tendo em vista as primeiras eleições legislativas de 28 de Maio de 1911, o primeiro acto eleitoral da República Portuguesa,  em que apenas votaram os cidadãos alfabetizados e os chefes de família (homens), maiores de 21 anos.

Interessante encontrar um recenseado sem profissão, o que faz pressupor que a lei ao ser aplicada, não eliminava homens solteiros não ocupados. Abrangia chefes de família, homens, mulheres é que não! (1) O sufrágio universal foi afastado.

Por esta altura a mulher não tinha ainda adquirido o direito ao voto, este direito apenas contemplava o chefes de família. Aliás, foi nestas eleições que a primeira mulher portuguesa exerceu o direito de voto; Carolina Beatriz Ângelo, médica, viúva e chefe de família, defendeu que havia uma ambiguidade na lei que não excluía efetivamente o género feminino da capacidade eleitoral ativa, reclamando em tribunal a sua inclusão no recenseamento eleitoral. Encontramos nestas listas uma grande variedade de profissões, gente dedicada ao comércio, agricultores, marítimos, pescadores, proprietários, industriais, emp. publicos, emp. comércio, emp.agricolas, emp. escritório, farmacêutico, alfaiate, pedreiro, serralheiro, pintor, fundidor, pintor, carpinteiro, tarefeiro, barbeiros, soldados, contínuos, fogueiros, tanoeiros, professores, farmacêutico, maquinistas, enfermeiros, musico, advogado, etc etc. Por esta altura ainda que as actividades do distrito estivessem grandemente assentes nas actividades marítimas, como podemos facilmente verificar, olhando a maioria das profissões, os pescadores e os marítimos não ocupam no censo o número que julgaríamos ocupar.

Estas listas incluem  ainda alguns dos chamados "colonos velhos", ou seja,  alguns descendentes dos colonos pioneiros fundadores que chegaram a Moçâmedes nos anos 1849 e 1850, vindos de Pernambuco, Brasil, fugidos da Revolução Praeeira, e que ali se dedicaram ao comércio e à agricultura, outros, descendentes de primeiros olhanenses e algarvios que ali se estabeleceram desde 1861, por sua conta e risco, sem ajudas governamentais, famílias inteiras viajando em palhabotes, caíques e outros barcos à vela, e que ali se dedicaram esmagadoramente à faina da pesca. Outros ainda ali estabelecidos posteriormente, oriundos dos mais variados pontos do Portugal metropolitano, dedicados às mais diferentes actividades .

A 1. Republica portuguesa foi implantada em 10 de Outubro de 1910, após a queda da Monarquia Constitucional, o sistema governativo que por sua vez tivera lugar na sequência da Revolução Liberal de 1820, e da aprovação da Constituição de 1822.

Nos finais do século XIX, as tentativas de modernização do país, através da construção de pontes, caminhos-de-ferro conseguidas através de empréstimos ao estrangeiro, a juros altos, agravaram o endividamento externo, levaram ao desequilíbrio financeiro, obrigaram o Estado ao lançamento de impostos geraram o descontentamento social, enquanto a monarquia era acusada de ineficácia, e a causa de todos os males.

Portugal deste tempo mantinha uma economia de base agrícola, o analfabetismo era superior a 80%, perpassada pela inflacção e pelo desemprego onde acabou por se concretizar a bancarrota em 1889. Apesar dos esforços realizados pelos governos regeneradores da segunda metade do século, que pretendiam dotar o país de infra-estruturas que permitissem o desenvolvimento da indústria e do comércio, a verdade é que as medidas tomadas ficaram aquém das expectativas, e os gastos da corte através de fundos das contas públicas eram mal vistos enquanto o país padecia de fome. E quando D Carlos subiu ao trono em 1889, Portugal atravessava uma grave crise económica.

Para complicar a situação, em Janeiro de 1890 os portugueses sofreram uma afronta: o "Ultimato Inglês", no qual a Inglaterra exigia que o governo português mandasse retirar os exércitos que se encontravam entre as colónias de Angola e Moçambique, ou declararia guerra ao país. O governo cedeu e os portugueses sentiram-se humilhados e atribuíram as culpas à insuficiência política do rei. Os republicanos aproveitaram esta oportunidade para reforçar a ideia de que a monarquia devia ser derrubada. Houve em todo o país inúmeras manifestações contra o Ultimato e os jornais encheram-se de artigos violentos contra a Inglaterra, contra o rei e contra a monarquia, foi um rude golpe em meio pouco instruída e incapaz de perceber a impotência militar e diplomática do país em 1890. Os últimos anos da Monarquia verificava-se um rotativismo partidário sem produzir resultados positivos. O número de militantes republicanos era cada vez maior e os seus apoios incluíam organizações secretas como a Maçonaria e a Carbonária. A dureza das medidas acabou por radicalizar a oposição, levar a um redobrar da conflitualidade social e políticas, a lutas entre o Governo e a Igreja Católica, a divergências entre os mesmos republicanos, maçons e carbonários, que conduzir ao regicídio em Fevereiro de 1908, e originaram a revolução de 5 de Outubro.Com morte do Rei D Carlos, o trono foi ocupado por D. Manuel, que restabeleceu as instituições democrática, mas a monarquia não conseguiu recuperar a credibilidade perdida nem o apoio da população.

A 1.' República veio romper com o Constitucionalismo Monárquico nos campos políticos, sociais, culturaís e pedagógicos, durou pouco menos de dezasseis anos, de 5 de Outubro de 1910 a 28 de Maio de 1926, quando uma parte do exército português, perante a complacência da maioria da população lhe pôs um termo

Excepto a Suíça, Portugal foi a segunda República a ser criada de forma duradoura na Europa e a primeira a nascer no século XX, num contexto internacional muito duro, de instabilidade política assinalável.

Nada menos que "...quarenta e tal governos, seis presidentes, eleições parlamentares em média de dois em dois anos, vinte e cinco revoltas e motins, ... " (Martins, 1998, 70). Portugal era nos primeiros trinta anos do século XX, um país pobre e iliterato inserido num cenário de crise social económica e política mundial.


MariaNJardim