
Edificio onde a funcionou a Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes, mais tarde, Escola Comercial de Moçâmedes, algum tempo depois, Escola Industrial e Comercial de Moçâmedes, e finalmente, em edifício próprio, Escola Industrial e Comercial Infante D. Henrique
À direita o edifício térreo onde funcionou a Escola Prática de Pesca
e Comércio de Moçâmedes
em foto de 2007Alunos e alunas da Escola Prática de Pesca e Comércio do Distrito de Moçâmedes, em 1948. Este era o quintal interior para onde desembocava, as salas de aula da dita Escola, já em péssimas condições de conservação como se pode ver. Clicar sobre a foto para aumentar. É grande.
Esta interessantíssima foto, gentilmente cedida por Antonieta Bagarrão Lisboa, permite-nos ver o conjunto de alunos/as que frequentavam esta escola do 1º ao 5º ano, nesse ano lectivo de 1948/49. Actualmente já na casa dos 70 anos e mais , felizmente a maioria ainda vivos e cheios de vitalidade, talvez reflexo da boa alimentação que tiveram na infância em Moçâmedes /Angola), terra do bom peixe rico em omega3 etc etc. Vêem-se alguns dos professores que na altura leccionavam nesta Escola, a única escola secundária do distrito. Reconheço, entre outros, de baixo para cima, e da esq. para a dt: 1. Albino Aquino (Bio), Carlos Pinho Gomes, ?, Manuel Dias Monteiro (Neca), ?, Amilcar de Sousa Almeida, José Patrício, Arnaldo Van der Keller (Nado)?, Carlos Manuel Guedes Lisboa (Lolita, Nito Abreu, Bajouca, José Duarte (Zézinho), Manuel Rodrigues Araújo, António José de Carvalho Minas (Tó Zé) e Norberto Edgar Neves de Almeida (Nor). 2. Carlos Vieira Calão, ??????, Fernando Morais (7º de camisa escura), ???, Licas Freitas (de pé, ao centro), Dito Abano, Jaime Custódio, Zezo Freitas de Sousa, Carequeja,?, Elisio Soares, ???, Beto de Sousa, ??, Albertino Gomes, e?. 3. Antonieta Almeida Bagarrão (Dédé), Mimi Carvalho (5ª) Maximina Teixeira (8º),???. 4. Fátima Abrantes, ?, Nélinha Costa Santos, Salete Leitão, Fátima Duarte, Melanie Sacramento, Carolina Mangericão,?, Lucia Brazão Reis, ???, Raquel Martins Nunes, Mª Orbela Gomes Guedes da Silva, ???, Fernanda Vieira,... 5. Francelina da Costa Gomes, ???, Augusto Martins (func. da Escola), ??, Padre Guilhermino Galhano, Dr Domingos Borges (Director da Escola), ??, Professor Carrilho (Dact/Caligraf/Estenograf.), Luzete Sousa, e mais à dt, Bernardete Diogo, ?, e Fernandina Peyroteu.
Estudantes e professores da Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes, no decurso de uma visita de estudo ao "Padrão do Cabo Negro". 1946?
Estudantes da Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes, com o mestre Ceciilio Moreira apos uma aula tr]atica de Constru;\ao Naval junto dos estaleiros da cidade
Estudantes à entrada da Escola Prática de Pesca
e Comércio de Moçâmedes. 1948
Estudantes da Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes, em 1948 com corpo docente, vendo/se ao fundo, de entre outros Cecilio Moreira, O Dr Domingos da Ressurreicao Borges, director, o Padre Guilhermino Galhano e a dt o prof Carrilho. Os alinos sao Fatima Duarte Salete Leitao, Carlitos Oliveira, de entre outros
Estudantes da Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes, em 1948, com mestre cecilio Moreira. Sao Cecilia Vitor, Maria Emilia Ramos, Edith Frota, Carrisso, Humberto Gomes, etc
Estudantes da Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes, em 1948
Estudantes da Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes, em 1948
Estudantes da Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes, em 1948
MEMÓRIAS COM HISTÓRIA
E no princípio era o verbo, só o verbo…, e escolas não havia. Não havia
na Lucira, nem na Vissonga; não havia escolas no Baba, nem na
Mariquita; não havia no Mucuio, nem na Baía das Pipas. Nem sequer havia
escolas na Praia Amélia ou no Saco do Giraul.
Mas havia três
escolas primárias em Moçâmedes, o que eram muitas na percepção dos
mucubais, para os quais, práticos como eram, só havia o um, dois e …
muitos. Havia, pois, em Moçâmedes a Escola nº. 49; a Escola Portugal nº.
55, de Fernando Leal, mesmo ali ao lado, com um baldio de cerca de 100
metros a separá-las e um equidistante chafariz, em redor do qual
existiam umas bonitas e frondosas árvores de castanhas do Pará. Havia,
por último, a Escola Primária nº. 56, de Pinheiro Furtado, situada no
Bairro Feio da Torre Tombo, construída sobre pilares à guisa de
palafitas em terra seca e sob a qual a miudagem se aliviava das suas
necessidades mais básicas, que as carochas e os rebola-caca acabavam por
tratar delas.
A Escola nº. 49 era, no entanto, a mais pequena e
humilde das três, com apenas duas salas de aulas. E tinha mesmo à sua
frente, a não mais de 40 metros, a cadeia civil, ali construída não
inocentemente mas sim para mostrar às inocentes criancinhas que o
paraíso na terra não existe e que a vida e o futuro não eram coisas
fáceis. Para o resto, estava lá o professor Canedo, de triste memória,
sem paciência alguma para aturar miúdos e que se passava de tal modo que
chegava ao cúmulo de atirar os tinteiros e as próprias réguas de cinco
olhos contra os alunos, alguns dos quais acabaram por ser levados para o
hospital. Mas não era só ele; também por lá andava a professora Berta,
grande e macrocéfala, má e azeda, que debitava galhetas a torto e
direito nas aulas em que as crianças tinham que cantar a tabuada a ritmo
certo, mas que desgraçadamente havia muitas delas que só sabiam a
música e nunca se lembravam das letras. E ademais, quem é que se
atrevia, naquele tempo, a ir para casa fazer queixinhas aos pais? Era
pior a emenda do que o soneto, pois acabava por levar dos dois lados; do
professor, na escola; e dos pais, em casa.
Houve, entretanto, por
volta de 1925, um pequeno salto qualitativo com a criação da Escola
Primária Superior “Barão de Moçâmedes”, título pomposo e pretensioso,
uma vez que o curso ministrado não ia além de três anos lectivos após a
4ª. classe, o que configurava já uma caricata projecção virtual daquilo
que viria a ser, muitíssimos anos mais tarde, o malfadado Tratado de
Bolonha. O seu programa curricular, ambicioso na sua matriz, era,
contudo, anacrónico e desfasado do mundo real. Daí a não ter passado de
um triste epifenómeno, sem ter conseguido criar nem raiz, nem tronco;
nem folhas, nem flor. E acabou tristemente por se finar sem ter dado
fruto algum.
As personalidades mais esclarecidas e empenhadas de
Moçâmedes nada podiam contra este estado de coisas. O Poder estava
centralizado em Lisboa, e a implantação da república com as subsequentes
guerrilhas partidárias e interesses pessoais conduziram as possessões
ultramarinas a um estado de estagnação miserável.
Contudo, no
decurso de 1937, com o Estado Novo já consolidado, viria a ser criada a
“Escola de Pesca e Comércio de Moçâmedes”, implementando um curso com a
duração de 5 anos, o que acrescentados os 4 anos da primária lhe
conferia uma escolaridade total de 9 anos. Conforme o seu próprio nome
indicava, era uma escola criada com a finalidade de habilitar os seus
estudantes com os conhecimentos tidos como suficientes no quadro das
actividades ligadas ao comércio, à indústria piscatoria e à função
pública. Faziam, no entanto, parte do seu programa curricular,
disciplinas tão díspares como: “Salga e Seca” , sobre a qual os miúdos
de 13 ou 14 anos aprenderiam muito mais em 2 dias passados numa pescaria
da Torre do Tombo ou do Canjeque, do que durante todo o curso; com a
“Construção Naval” pretendia-se que os alunos aprendessem a fazer
projectos, com base em desenhos cotados e escala, de canoas, baleeiras e
até de traineiras; da “Estenografia”, não me lembro de nenhum aluno se
ter servido dela, em termos práticos. No entanto, a disciplina tinha o
seu lado positivo na disputa de quem conseguia escrever mais palavras
por minuto. Se bem me lembro, a vencedora era sempre a Fátima Latinhas,
que parecia uma autêntica metralhadora a debitar caracteres. De resto,
na vida prática acabou por não ter prática nenhuma; No que toca à
“Construção Naval”, que eu saiba, só a Maria Emília Ramos, que morava
no Bairro Feio, da Torre do Tombo , se afirmou como projectora de
barcos, e com nível muito elevado. Quanto à “Salga e Seca”, até a avó
Catarina, que até era analfabeta, sabia muito mais sobre peixe seco e
meia-cura do que qualquer estudante que acabava o seu curso e arrumava a
correr os seus livros de estudo.
Mas havia, obviamente, umas
quantas disciplinas adequadas e bem enquadradas com relação à época,
embora no seu todo acabassem por ser à volta de 12 cadeiras, só no
último ano.
Mas o curso da Escola de Pesca sofria de três males,
qual deles o pior, que levavam a grande maioria a não concluir os seus
estudos. O primeiro, desde logo, prendia-se com a indisciplina reinante
de alguns alunos mais matulões, verdadeiros “mavericks” que praticavam o
booling a torto e a direito contra os mais novinhos, de entre os quais
avultavam: o Tó Coribeca, o Mário Bagarrão, o Helder Cabordé, o Romualdo
Parreira, o Caparula, o Turra, o Quito Costa Santos, o Adriano
Parreira, e mais um ou outro que agora não me ocorre. Era uma autêntica
quadrilha sempre pronta a dar porrada aos mais miúdos. Nem o dr. Borges,
director da Escola, que tinha fama de grande disciplinador, conseguiu
dar-lhes a volta. E nenhum deles, obviamente, concluiu o curso. Mas o
padre Galhano, santo homem, fazia verdadeiros milagres. E conseguiu
trazer à superfície a bondade que existia dentro daquelas almas. O
segundo mal tinha a ver com o facto de, no 5º. ano, isto é, no último
ano do curso, os alunos serem obrigados a fazer exames de 12 cadeiras, o
que era manifestamente um exagero. E com a agravante de só poderem
reprovar numa única disciplina, sob pena de terem de repetir todas elas
no ano lectivo seguinte. Finalmente, havia a questão do perfil e das
mentalidades dos professores, alguns dos quais se compraziam em humilhar
e reprovar os alunos com requintes de malvadez.
Ainda recordo, com
profunda mágoa, uma cena que assisti num exame de geografia, cujo
professor era um tal dr. Lameirão, do Porto, que devia pesar à volta dos
120 kgs, e tinha uma cara de poucos amigos que não enganava ninguém:
Foi num ano em que, por imperativos das suas carreiras profissionais,
apareceram a exame, em regime de autopropositura, adultos já casados
que tentavam por essa via terminar um curso que em devido tempo e por
razões várias não o tinham conseguido. Um deles, natural de Moçâmedes,
casado e pai de filhos, tinha vindo do Huambo com esse propósito, e
encontrava-se agora ali no meio da garotada, a aguardar a chamada. Ao
iniciar o exame, o dr. Lameirão, sem bom dia, nem boa tarde,
pergunta-lhe secamente:
- Diga-me lá onde fica o rio Amarelo?
- O rio Amarelo…, não sei, sr. dr.
- Então, e onde fica o rio Vístula?
- O rio Vístula, sr. dr…? Não me lembro..
O dr. Lameirão, vermelhudo, passa-se, e começa aos berros: - Então,
você, vai à minha casa, à noite, meter cunhas, e nem sequer sabe onde
fica o rio Amarelo, nem o rio Vístula!? Está à espera que lhe pergunte
onde fica o rio Bero ou o rio Curoca? Pode sentar-se.
Sr. Albertino Gomes – chama o dr Lameirão pelo seguinte adulto, também já casado e pai de filhos.
Albertino Gomes levanta-se e diz em tom forte e bem silabado: - DESISTO.
E a miudagem desatou toda em altas gargalhadas.
E contra isto nada havia a fazer!
ass. Arménio Aires Jardim (Outubro de 1916)





















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