Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












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terça-feira, 14 de agosto de 2007

Componentes da segunda colónia: Manuel Rodrigues Pinto da Rocha e Idalina Soares de Albergaria







1. Manuel Rodrigues Pinto da Rocha, natural de Tendais (Distrito de Vizeu), componente da Segunda Colónia chegada a Moçâmedes ida de Pernambuco (Brasil) em 1850, onde casou com Idalina Soares de Albergaria, natural de Pernambuco, também componente da Segunda Colónia.








2. Idalina Soares de Albergaria, natural de Pernambuco, componente da Segunda Colónia chegada a Moçâmedes ida de Pernambuco (Brasil) em 1850, onde casou com Manuel Rodrigues Pinto da Rocha, nascido em Tendais, que também fez parte da mesma colónia.


Sobre estes pioneiros da fundação de Moçâmedes, Manuel Rodrigues Pinto da Rocha e Idalina Soares de Albergaria, não conseguimos acrescentar muito mais, mas no site GeneallNet, de Ana Clara Ribeiro, encontramos as seguintes informações sobre  Francisco Rodrigues Pinto da Rocha, irmão de
Manuel Rodrigues Pinto da Rocha e de um filho deste,  Francisco Rodrigues Pinto da Rocha Júnior que foi professor e advogado em Moçâmedes. Seguem as suas fotos.




 Francisco Rodrigues Pinto da Rocha.
Foto gentilmente cedida por  Fátima Rocha Matias. Pensamos que este Sr é o mesmo da foto que segue

 
Francisco Rodrigues Pinto da Rocha Júnior
. De acordo com referências fornecidas por
Ana Clara Ribeiro em GeneallNet, foi professor e advogado em Moçâmedes. Teve 6 filhos entre os quais  Branca Irene Pinto da Rocha Guerreiro, 3 irmãos Albano Pinto da Rocha, Ilda Pinto da Rocha Rendeiro e Alcindo Floriano Pinto da Rocha. Nenhum deles viveu em adulto em Moçâmedes.
Foto gentilmente cedida por  Fátima Rocha Matias





Também Fátima Matias enviou.nos o texto que segue, bastante elucidativo sobre Francisco Rodrigues Pinto da Rocha Júnior:

"Primeiras Letras em Angola"
Biografias de Mestres

Página 1 de 1

Francisco Rodrigues Pinto da Rocha Júnior
era natural de Moçâmedes, onde nasceu pelo ano de 1862. Sabemos que frequentou o Liceu nacional de Lisboa, onde fez o curso secundário, ou seja, aproximadamente, o actual curso geral dos liceus.

Temos conhecimento de que, em 21 de Outubro de 1880, começou a sua actividade como funcionário, tendo sido nomeado ajudante interino da Conservatória, em Moçâmedes. Podemos acompanhar os seus passos até ao fim de 1883; encontramo-lo a prestar serviço na Repartição da Fazenda e na secretaria do Governo do Distrito. Deixamos de o contactar durante sete anos, ignorando se se conservou na sua cidade, o que será a hipótese mais provável.

O concurso documental aberto em 22 de Outubro de 1890 para o provimento da escola primária, do sexo masculino, em Moçâmedes, não deve ter dado um titular a este estabelecimento de ensino. Chegamos a essa conclusão verificando que, em 30 de Março de 1891, foi nomeado interinamente o professor Francisco Rodrigues Pinto da Rocha Júnior, que tomou posse a 16 de Abril.

Podemos compulsar um documento referente a este funcionário e professor, emitido em 1894, em que se escreveu o seguinte:

- Está habilitado para o cargo, mas como é mal remunerado procura aumentar os seus vencimentos servindo de advogado de provisão, e assim prejudica algum tanto o serviço da escola.

Podemos informar que, em 19 de Janeiro de 1898, foi participado ao professor Francisco Rodrigues Pinto da Rocha Júnior que o seu requerimento em que pedia para ser confirmado no cargo de mestre de primeiras letras, em Moçâmedes, não fora deferido devido a não ter provado ter mais de três anos de bom e efectivo serviço. O requerimento mencionado fora remetido para Lisboa em 28 de Agosto de 1897.

No dia 12 de Maio de 1910, na contagem do tempo de serviço, do professor de Moçâmedes, Francisco Rodrigues Pinto da Rocha (Júnior) afirmava-se que tinha prestado mais de vinte e dois anos e meio de actividade docente. Já antes, em 1 de Fevereiro de 1898, tinha sido comunicado ao governador do distrito a que pertencia, que este funcionário contava mais de dez anos de actividade ao serviço do Estado, como professor de instrução primária.

Devemos esclarecer que, a partir de certa altura, deixou de usar o indicativo de “Júnior”. Isso pode levar-nos a pensar que seu pai tivesse o mesmo nome e que, depois do seu falecimento, eliminasse o termo que os distinguia. Continuaremos, no entanto, a escrever o seu nome completo, pondo em parêntesis aquela palavra, quando for acrescentada por nós.

Por portaria de 6 de Junho de 1912, Francisco Rodrigues Pinto da Rocha (Júnior), professor da escola masculina do concelho de Moçâmedes, foi julgado incapaz de continuar a prestar serviço, depois de ter sido observado pela Junta de Saúde. Ignoramos, no entanto, se chegou a aposentar-se.

Queremos chamar a atenção para o facto de em 30 de Maio de 1916, ao fazer-se a remodelação das Juntas de Instrução, em diversas localidades de Angola, nos aparecer o seu nome, dando-se-lhe a designação de professor. Quer-nos parecer que continuava ainda em exercício.

Encontramos dentro do período de actividade deste professor diversos agentes de ensino a prestar serviço em Moçâmedes. Podemos admitir a hipótese de serem seus substitutos, em períodos de licença, ou talvez a suposição de serem professores da escola municipal, que nessa altura havia na cidade e estava em funcionamento.

O relatório de Manuel Martins Contreiras, de Junho de 1893, diz-nos que a escola que este professor leccionava era, por certo, a melhor da Província, embora não tivesse sido construída para tal fim. Ficava situada na Praça do Marquês de Sá (da Bandeira?) e era propriedade do Estado. As carteiras tinham banco solto, assemelhando-se às que se usavam na França, as do sistema Lenoir. O mesmo documento refere que o professor tinha sido nomeado por concurso.

In [ Encontro com a Escrita ] [ Página Principal ] [ Biografia de Mestres - Principal ] [ Primeiras Letras em Angola - Principal ] Saiago.




Nota:

No final do texto imediatamente acima há referência à Praça de Marquês de Sá da Bandeira, onde ficava a Escola em que o professor Francisco Rodrigues Pinto da Rocha leccionava e que surge no relatório de Manuel Martins Contreiras, de Junho de 1893, como sendo a melhor da Província, embora não tivesse sido construída para tal fim, com carteiras de banco solto, à semelhança das que se usavam em França, de sistema Lenoir.  Na realidade, por esse tempo era França e especialmente de Paris, que todas as novidades emanavam. França era como que um farol, um modelo para a humanidade , com seus valores de liberdade, fraternidade e igualdade.

Quero apenas acrescentar que existia de facto um largo onde nos anos 1930, já com Salazar e o Estado Novo no poder, foi construída a Escola Portugal, ou Escola n 55 de Fernando Leal, hoje Escola "Pioneiro Zeca". Ora, esse largo  convergia com a rua Governador Calheiros e com a Rua da Fábrica, e ocupava todo um  imenso quarteirão.  Foi no seu epicentro que foi erguido um Obelisco ao Marquês de Sá da Bandeira, o liberal progressista que no dia 10 de Dezembro de 1836, na sequência da Revolução de Setembro em Portugal, decretou a abolição do tráfico de escravos. Mais tarde quando foi construída a Escola Portugal, o Obelisco transitou para a Avenida da República, para o lugar onde se encontra o Quiosque que conhecemos por Quiosque do Faustino.  Mais tarde ainda, nos anos 1940, foi de novo dali retirado e colocado na Praceta onde hoje se encontra, muito perto do Bairro da Facada. 

Quanto à Escola, citada no Relatório de 1893, onde Francisco Rodrigues Pinto da Rocha leccionava,  lembro-me perfeitamente de ter existido ali bem junto do local onde ficava a dita Praça Marquês de Sá da Bandeira,  maia próxima da Ria Calheiros, a primitiva Escola nr. 49, de que era Director, na década de 40, o professor Canedo.  Na mesma direcção e na ponta que convergia para a nova rua que entretanto se abriu, a Rua da Fábrica, ficava a Cadeia. Penso que este aspecto ficou esclarecido. 

Ainda sobre o citado professor, suas funções de professorado são salientadas também num estudo que se pode consultar na Página pessoal de Martins dos Santos, subordinado ao título «Cultura, Educação e Ensino em Angola» cap.12 in http://www.geocities.com/athens/troy/4285/ensino12.html ver tb http://www.geneall.net/P/per_page.php?id=1039607
 Conf. Anuários de 1908/1909:


- FRANCISCO RODRIGUES PINTO da ROCHA - Professor(Régio) em Mossamedes(Angola),1908

- FRANCISCO PINTO da ROCHA - Armações de Pesca, Agricultor,Commissões e Consignações, Generos Coloneais e Peixe,Padaria em Mossamedes,1908