Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












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terça-feira, 31 de março de 2009

As «grutas» da falésia da Torre do Tombo. As «inscrições». As obras de construção do cais acostável.




«...Conhecia-as como as palmas das minhas mãos, porque eram as «grutas» ou «furnas» dos meus avós! Imagine-se, compradas ao Estado, registadas na Conservatória de Moçâmedes, e a pagar impostos por elas ao Estado! »

 MariaNJardim





MEMÓRIAS COM HISTÓRIA


1. As «grutas» ou «furnas» dos meus avós!


Finalmente consegui a foto que tanto gostaria de colocar aqui, e  que facilita a minha exposição: as «grutas» ou «furnas» que no tempo colonial foram pertença dos meus avós! 

Apresentando aqui já um estado avançado de degradação, esta verdadeira «casa» foi construida a partir de 3 «grutas» ou «furnas» contínuas que existiam um pouco acima da base do «morro» da Torre do Tombo, em Moçâmedes,  e que juntamente com dezenas de outras faziam parte de um famoso grupo de «grutas» ou «furnas» escavadas na rocha branda por mareantes que em tempos remotos por ali passavam, e que ali faziam «aguada», isto é, abasteciam-se de água e descansavam, para em seguida prosseguirem viagem, nas suas digressões pelo vasto mundo. 

É claro que essa "casa", tal como aqui se apresenta já nada é daquilo que foi no tempo em que a conheci. Inda assim dá para ver o troço de escadas que nos conduzia ao seu interior, a porta da entrada , as janelas, e a envolvência que se mantêm reconhecíveis.

Olhando melhor para a foto, parece incrível que os meus avós tivessem conseguido transformar 3 três dessas "grutas" ou "furnas" na casa perfeitamente habitável que conhecemos. Eram 3 divisões, com passagem entre si, ventiladas através de janelas envidraçadas para o exterior, numa delas encontrava-se uma verdadeira sala comum devidamente mobilada, com mesa, cadeiras, louceiro, etc., onde se podia comer uma refeição e dormir como em qualquer casa comum, e até ostentava um quadro pendurado, e um relógio de parede. Na segunda divisão ficava o quarto de dormir, com uma cama de casal, duas mesas de cabeceira e um guarda roupa. Na terceira, dividida em duas, ficava de um lado a casa de banho com chuveiro à moda antiga, desses em zinco, que ficavam pendurados no tecto, que subiam e desciam  com a ajuda de uma corda, quando nele se colocava água, uma vez que naquele tempo sequer havia água canalizada. Mais perto de uma das janelas ficava um  fogão a lenha, e havia também no exterior das «grutas» ou «furnas» um forno construído em tijolo e barro, com porta de abrir e fechar, onde se podia cozer o pão, bolos, etc.  O tecto era alto,  em forma de abóbada, e tal como as paredes da entrada, encontrava rebocado e caiado de branco.  Na parte de fora havia   vasos com flores que davam alguma alegria àquele ambiente árido, seco, e da cor da terra. No exterior havia também uma árvore raquítica que não medrava devido à salinidade e à secura e aridez do terreno. Penso que era uma palmeira.





Foto: Ao centro desta foto vêem-se as instalações pesqueiras de João da Carma, pai de João Martins Pereira, o último proprietário, a  ex-Morgado&Morgado, de concessão régia.  Ora se de concessão régia, obviamente estamos presente de uma pescaria fundada em data anterior a 1910,  data da implantação da República em Portugal. As «grutas» ou «furnas  dos meus avós  vêem-se no canto superior esquerdo desta foto, enquanto ainda nada mais eram que isso mesmo. Como se vê , por esta altura encontravam-se  a maior parte já cobertas por pescarias.



Meus avós arranjaram as suas "grutas" ou "furnas" com paixão e o apego àquele histórico local que ficava próximo das instalações das instalações do Sindicato da Pesca onde meu avô trabalhava. Sei que era ali que ele almoçava e dormia a sesta, regressando ao fim do dia para a casa grande da Torre do Tombo,  que ficava próxima de um local onde havia uma pedreira, e do edifício onde mais tarde foi construida a Escola Industrial e mais tarde foi erguida a Escola Industrial e Comercial Infante D. Henrique, de Moçâmedes. Isso facilitava-lhe a gestão do tempo, permitia-lhe não apenas estar perto do local de trabalho como estar de olho na pescaria.

 

 Nesta foto podemos ver o aspecto do morro numa época mais recuada, cuja data se desconhece mas não mais para trás que a data da descoberta da fotografia. Por esta altura a terra solta do morro descia até ao mar, não permitia a construção de um simples carreiro, menos ainda de uma estrada...

Esta foto tirada mais de perto dá-nos a ideia do estado deplorável do do «morro» que descia até à praia, não deixando espaço para as pescarias. Inda assim já havia ali algumas eiras ou giraus onde se secava o peixe, no mar uma canôa e em terra uma «chata», pequeno barco que leva os pescadores até às embarcaões.



Resta referir que  pela forma tão bem cuidada como as «grutas» ou «furnas» dos meus avós se apresentavam, eram motivo de curiosidade de altos dignitários do governo português, que de passagem por  Moçâmedes  não deixavam de as visitar, conduzidos para ali, naquele tempo, pelo grande amigo de Moçâmedes, o muito estimado veterinário Dr. Carlos Carneiro. 

Embora não venha referido no programa oficial da visita a Moçâmedes do Presidente Óscar de Fragoso Carmona, em 1938, estas «grutas» ou «furnas» foram visitadas por sua esposa, Maria do Carmo Fragoso Carmona e por sua filha, Cesaltina Carmona Silva e Costa, que ali se deslocaram acompanhadas de vários elementos masculinos e femininos da comitiva presidencial, de entre os quais, Maria do Carmo Vieira Machado, esposa do Ministro das Colónias, Francisco José Vieira Machado. Antes porém já havia sido visitada por um outro elemento da Comitiva, o General Amílcar Mota, que para ali se deslocou no automóvel do moçamedense Mário de Sousa (o conhecido proprietário de uma oficina de reparação de automóveis e de um taxi) para combinar o momento da visita. Mário de Sousa sempre disponibilizava o transporte para estas deslocações. Era um tempo em que eram escassos os automóveis na cidade.  

Por esta altura o nome «Maria do Carmo» era muito usado em Portugal, daí que tivesse acontecido um episódio curioso quando da visita a estas «grutas» ou «furnas», das duas senhoras Maria do Carmo Fragoso Carmona, esposa do Presidente da República e Maria do Carmo Vieira Machado, esposa do Ministro das Colónias. Aconteceu que uma das filhas dos meus avós também se chamava Maria do Carmo. E foi então surpreendida que a esposa de Presidente Carmona a beijou e a convidou para ir com ela para a Metrópole estudar para um bom colégio. A menina tinha então doze anos de idade. Foi então que minha avó, meia atordoada só conseguiu dizer que a sua filha ficaria em Moçâmedes junto de seus pais, que era o seu lugar, agradecendo com um grande sorriso tão carinhoso convite. A Carminha nunca esqueceu, e já velhinha sempre questionou a oportunidade perdida!



 
Foto que se pressupõe seja do último quartel do século XIX, onde se pode ver a base do morro soterrada por aluimento de areias.  

Hoje sabemos
que  no início a areia do «morro» descia até ao mar,  não deixando espaço para as pescarias, e que o acesso às  pescarias que mais adiante ficavam situadas na base do morro, tinha que ser feito através das embarcações de pesca. 

A este respeito, existia uma cópia de um documento no arquivo da Câmara Municipal que referia ter ocorrido em  Moçâmedes,  no ano de 1858,  o desentulhamento e a reprodução das inscrições, das quais, dizia aquele documento, existem cópias no arquivo da Câmara Municipal. Portanto, 9 anos após a chegada dos colonos fundadores, vindos de Pernambuco, Brasil, em 1849. Nesse documento adiantava-se que não fora encontrada a  inscrição de 1641, referida a D. ANTÓNIO MENESES DA CUNHA,  considerada a mais antiga das inscrições, e citada no número 8 do «Jornal de Mossãmedes», de 25 de Novembro de 1881.


Não admira que a iniciativa fosse tomada por particulares, porquanto já no século XX num tempo em que o degredo continuava ainda a ser um meio  utilizado para o povoamento e colonização, pescadores da Torre do Tombo proprietários das pescarias a eles recorreram a degredados estacionados na Fortaleza de S. Fernando, a cumprir penas, para procederem à abertura de uma passagem que permitisse um mais fácil acesso às pescarias. Algo precário  e rudimentar, como as fotos testemunham, incapaz de deixar passar um qualquer veículo automóvel.

Sabemos também que  foram registadas pela primeira vez pelo Tenente Coronel Pinheiro Furtado, comandante de uma missão de reconhecimento portuguesa, quando fazia uma visita, em 1785,  à «Angra do Negro». (1)  E que foi este oficial português o primeiro que chamou «morro» da «Torre do Tombo» ao local, chamando a atenção para as «inscrições» ali encontradas impressas na rocha branda por mareantes e corsários que por ali passavam e que ali faziam «aguada», ou seja, abasteciam-se de água potável e descansavam, antes de prosseguir viagem nas suas digressões pelo vasto mundo. Pinheiro Furtado colocava uma ponta de ironia na analogia do «morro» da Torre do Tombo com o Arquivo Nacional Português com o mesmo nome.
 
Outra novidade para nós foi saber que estas «grutas» serviram de primeira morada aos pioneiros algarvios que, idos de Olhão começaram a chegar a Moçâmedes a partir de 1861,  sem quaisquer ajudas dos Estado, fazendo-se transportar de conta própria, em caíques, palhabotes e barcos à vela, e que a despeito de muitas e variadíssimas contrariedades, ali se foram estabelecendo, construindo as suas primeiras habitações, lançando ao mar as primeiras redes, e dando início ao desenvolvimento de uma nova era para o Distrito, cuja riqueza seria proporcionada pelo mar.

 

















Assisti à demolição das pescarias que circundavam as base do morro, e que se prolongavam até certo ponto, na direcção da Fortaleza de S Fernando, demolições essas que deixaram as famosas «grutas» ou «furnas» a descoberto. Confesso que nunca pensei fossem tantas, mas à época, e lamentavelmente, não lhes dei qualquer importância. Não admira!  Não estávamos sensibilizados para a importância deste histórico local. Nem eu nem ninguém!  Os programas das escolas, cingidos que se encontravam a regulamentos, não se referiam nem a elas nem às «inscrições», o mais importante era decorarmos nomes dos apeadeiros dos Caminhos de Ferro portugueses,  serras, montes, vales e montanhas do território metropolitano e ilhas adjacentes. A política de então era o silenciamento em relação às grandes questões que tocavam a todos nós! 

Se é certo que a primeira grande insensibilidade registada contra este histórico local teve lugar por ocasião da construção das primitivas pescarias dedicadas ao atum que fizeram desaparecer as  «inscrições» mais antigas gravadas na rocha branda do morro da «Torre do Tombo», conforme refere Manuel Júlio de Mendonça Torres na obra O DISTRITO DE MOÇÂMEDES não é menos certo que nova insensibilidade se registou quando, com a demolição dessas mesmas pescarias, na década de 1950, por força da construção do cais acostável, foram retiradas do morro, sem só nem piedade, na fase dos aterros e terraplanagens, milhares de toneladas de terra que desfiguraram a topografia do terreno. Estas «grutas» até então encobertas pelas pescarias, passaram a ficar mais expostas à progressiva erosão do tempo, e à impiedosa mão do homem, e, após a independência de Angola, mais ainda se vêm estragando, bastando comparar o aspecto de então com o seu aspecto actual



No «morro» da Torre do Tombo, as «grutas» ou «furnas» encontram-se  devastadas pelo tempo,  as «inscrições» já há muito não existem. Em nome do progresso, as obras da construção do 1º troço do cais acostável e da Avenida Marginal tiveram início em 1954,  com o lançamento da 1ª pedra em cerimónia inaugural no decurso da visita a Moçâmedes do Presidente da República, General Craveiro Lopes.
 
Um lugar com tanta  História e com tantas memórias, hoje uma sombra de si mesmo, condenada à transformação em nome da modernidade.
 

Em 1957 o 1º troço foi inaugurado, com a presença do Governador Geral. Na foto, momentos da inauguração, com a presença do Governador Geral.

Celísia Calão, basquetebolista do Ginásio Clube da Torre do Tombo na década de 1950, entrega as chaves da cidade à chegada do Governador Geral.

Entidades representantes das "Forças Vivas" da cidade de Moçâmedes recebem no cais o Governador Geral de Angola  .


Chegados aqui lembro a necessidade, quanto possível, da preservação deste histórico local, que apesar do aspecto cinzento, árido, seco e agreste,  guarda História, muita História,  desde o tempo das primitivas navegações, quando foi ponto de passagem nas digressões de corsários e mareantes pelo vasto mundo. Já não guarda  é certo as famosas «inscrições», ali deixadas impressas desde o século XVII, mas aquilo que resta das famosas  "grutas" ou "furnas" são testemunhos vivos desse passado longínquo que ficou para trás. Elas fazem em parte da História de Angola, da História de Portugal e da História Universal. Representam um dos ex-libris da cidade.




                                                        

 Eis o estado actual de algumas das "grutas" ou "furnas" na actualidade.

Jamais deveríamos esquecer que a velha "Angra do Negro" de Diogo Cão,  a «Mossungo Bitôto» para os povos indígenas,  desde tempos imemoriais, foi visitada pelos primeiros navegantes e  corsários que por ali passavam, no decurso das suas navegações pelo vasto mundo, ali escavaram a punho "grutas" ou "furnas" na rocha branda do «morro», ali deixaram para os vindouros «inscrições» que a voragem do tempo e a acção do homem fizeram para sempre desaparecer!



Termino com este texto de Mário Pinto de Andrade, carregado de significado, escrito pelo primeiro sociólogo angolano e Presidente, à época, do recém fundado MPLA, quando da prisão de Agostinho Neto pela PIDE:

"...A cultura compreende tudo o que é socialmente herdado ou transmitido, o seu domínio engloba uma série de factos dos mais diferentes: crenças, conhecimentos, literatura (muitas vezes tão rica, então sob a forma oral, entre os povos sem escrita) são elementos culturais do mesmo modo que a linguagem ou qualquer outro sistema de símbolos (emblemas religiosos, por exemplo) que é o seu veículo, regras de parentesco, sistemas de educação, formas de governo e todos os outros modos segundo os quais se ordenam as relações sociais são igualmente culturais; gestos, atitudes do corpo, até mesmo as expressões do rosto, provêm da cultura, sendo em larga escala coisas socialmente adquiridas, por via da educação ou da imitação; tipos de habitação ou de vestuário, instrumentos de trabalho, objectos de trabalho, objectos fabricados e objectos de arte, sempre tradicionais, pelo menos em algum grau - representam, entre outros elementos, a cultura sob o seu objecto material»
in Mário Pinto de Andrade Do Preconceito Racial e da Miscigenação [inédito].




MariaNjardim

.
(1) "Angra", a designação do lugar onde viria a ser erigida a cidade de Moçâmedes


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Ainda as «grutas» ou «furnas»e as «inscrições»...





Esta foto mostra-nos várias "inscrições" impressas na rocha branda do morro da Torre do Tombo, bem como a entrada para uma "gruta" ou "furna" escavada na base do morro, estando as ditas "inscrições", ÍNDIA e SADO, reais ou forjadas, intimamente ligadas à História de Moçâmedes.
 

A verdade é que a "inscrição"  ÍNDIA nos remete para a chegada a Moçâmedes, em 19 de Novembro de 1884, do navio com aquele nome, que  largara do Funchal, na Ilha da Madeira, a 18 de Outubro de 1884 carregando no bojo mais de duas centenas de madeirenses, incluindo homens, mulheres e crianças, e tendo ali chegado com mais uma criança nascida a bordo.  Era o primeiro contingente de europeus que iam dar inicio ao povoamento branco das "Terras Altas  de Mossâmedes", a Huila. Iam concretizar um projecto de colonização organizada, numa época de grande concorrência e pressão internacional, em que decorria a célebre Conferência de Berlim (1884-1885), cujo objectivo era definir as regras para a partilha de África entre potências industrializadas europeias. Portugal detinha os chamados "direitos históricos" mas não detinha a "ocupação efectiva" que passou a ser uma prioridade. A maior parte do interior do território angolano era ainda desconhecido.
Sobre a odisseia dos madeirenses em terras de África poderá consultar mais dados AQUI 


Quanto à "inscrição" SADO, esta remete-nos para a chegada a Moçâmedes do brigue assim designado, em Julho de 1857, transportando consigo 12 alunos da Casa Pia de Lisboa, e uma colónia de 29 alemães, com destino à colonização das Terras Altas de Mossâmedes, a Huila. Iam com o patrocínio de Sá da Bandeira, e com a recomendação ao Governador para que constituíssem com eles uma aldeia que deveria denominar-se "KRUSS", apelido do contratador.  Este grupo 16 dias após ter desembarcado em Moçâmedes marchou durante 7 dias com paragem de 2 dias no Bumbo, segundo informação de Francisco Godinho Cabral de Melo de 22 de Junho de 1957. Acabaria por desaparecer sem deixar vestígios, segundo Pereira do Nascimento (in "O Distrito de Mossamedes"), ou segundo Ponce de Leão (in artº n. 4 do Jornal de Mossamedes), "esfacelou-se pelos erros da sua organização. Os alemães desgostosos perante os insucessos no interior acabaram por se estabelecer em Moçâmedes onde prestaram relevantes serviços.






































Do Boletim do Conselho Ultramarino: "Legislação Novissima", Volume 3 By Portugal, Portugal. Conselho Ultramarino, transcrevemos a seguir a lista dos nomes colonos alemães , bem como outros dados alusivos ao assunto:

"
-ADOLFO SPANGENBERG(24 anos,fundidor, natural de NORDHEIN,casado com BÁRBARA,de 28 anos, natural de LANFEN)

-ANDRÉ KREISZIMANS (30 anos,lavrador,natural de BREITENHEIM, casado com DOROTHEA de 24 anos,natural de ESCHDERF e com : seu filho ALBERTO, de 5 anos, natural de BREITENHEIN; sua avó SOFIA EINER, de 59 anos, natural de ESCHDORF)--- ANDREA KOPP, 26 anos, lavrador, natural de ROLLSNHANSCUSIN(HANOVER),:

- CARLOS KOCH (25 anos, pedreiro,natural de TRIPTIS, casado com GUILHERMINA WOCH,de 23 anos,natural de MIERIT)

- CRISTÓVÃO KREISZIMANS, 59 anos. lavrador, natural de BREITENHEIM,com sua filha DOROTHEA, de 17 anos,com a mesma naturalidade;

- FELIX MEYER,23 anos, lavrador, natural de CANTH(PRÚSSIA);

- FRANCISCO GERHARDI(28 anos,alfaiate,natural de GIEBOLSHANSEN, casado com ANASTÁCIA, de 27 anos, natural de MOLILINGEN, na SUÍÇA)

- FRIEDRICH HS´NIG, 17 anos, pedreiro, natural de WASCHINGEN

- GEORGE REINHARD (35 anos,lavrador,natural de KETTELSHAL)

- GUILHERME SCHUTZE (23 anos,lavrador,natural de MUNSTER)

- GUILHERME SPANGENBERG (28 anos,carniceiro, natural de NORDHEIN, casado com CATARINA,de 20 anos,natural de LANFEN)

- HENRIQUE BOSSE(33 anos,ferreiro,natural de GOSSLAR) - JOCOB KNOBLICH, 16 anos, alfaiate,natural de KUSTERDINGEN;

- JOSÉ HUTTEMNULLER,21 anos, lavrador,natural de HENTEN, casado com CHISTINA, natural de HEMPF)

- LUIS HERMAN, 33 anos, pedreiro, natural de GUSSEN;

- MARTIN HESS(23 anos,sapateiro,natural de ROHVBACH, casado com CHRISTINA HESS,de 24 anos,natural de NEID,com um filho nascido durante a viagem

- RODOLFO ADAM(23 anos,lavrador,natural de ELBING) ---

Manda Sua Magestade El-Rei, pela Secretaria d Estado dos Negócios da Marinha e Ultramar, remetter ao Governador Geral da Província de Angola a inclusa copia das condições, com que foram engajados os vinte e nove colonos allemães, que, a bordo do brigue de guerra Sado, seguem viagem para o Districto de Mossamedcs, a fim de que o mesmo Governador G eral, tomando d elias conhecimento, as faça cumprir, o que igualmente se ordena cm Portaria da data de hoje áo Governador do dito Districto.

Paço, em 28 de Fevereiro de 1857. =Sâ da Bandeira."

CONDIÇÕES A QUE SE REFERE A PORTARIA D'ESTA DATA
.


Os colonos allemaes, destinados para Mossâmedes, sujeitar-se-hào desde a data do seu desembarque ás condições seguintes:

1. " Prestarão obediência a todas as determinações tendentes á policia, segurança e utilidade geral da colónia, que lhes forem intimadas pelo respectivo Governador do Districto.

2. " Prestarão mutuo auxilio nos trabalhos ruraes e nos de edificação das habitações, destinadas ao seu primeiro estabelecimento,- na fórma que for determinada pela sobredita Auctoridade.

3. " Estas habitações só poderão ser feitas segundo um plano de povoação previamente approvado, e nos logares para isso concedidos pelo Governador do Districto.


OBRIGAÇÕES DO GOVERNO PARA COM OS COLONOS.


1. Os colonos serão conduzidos a Mossamedes por conta do Governo, e soccorridos, durante a viagem, de mantimentos sadios e abundantes.

2. a Receberão ração diária sadia e abundante, desde o dia do seu desembarque, e durante um anno depois da sua installaçào, ou o equivalente em dinheiro.

3. O governo fornecerá gratuitamente a cada colono do sexo masculino, e maior de dezesseis annos, uma espingarda e armamento correspondente, que será obrigado a conservar em bom estado, para própria defeza e da colónia, no caso de serem atacados por inimigos.

4.1 A cada chefe de família, ou colono sem familia, se dará o terreno necessário em que deve construir a sua casa, com uma porção sufficiente para horta.

5. Alem do terreno mencionado no artigo antecedente, ser-lhe-ha dada, em conformidade com a Lei de 21 de Agosto de 1856, uma porção de terra sufficiente para que o colono e sua familia possa vi

ver commodamente pelo seu trabalho, e em todo o caso não menos do que a que cada colono possa rotear.

6.* Os terrenos assim concedidos são livre propriedade do colono, para d elles dispor como quizer, comtanto que os tenha cultivado dentro do prazo de cinco annos.

7.1 O Governo obriga-se a fornecer aos cojonos sem meios, até que elles tenham os necessários para a restituição d'estas despezas, a assistência medica e de botica de que possam carecer. Cada colono receberá as sementes apropriadas á natureza do terreno, e na quantidade necessária á cultura durante o primeiro anno, assim como os instrumentos agrários, taes como enxadas, pás e outros a que estiverem costumados a fazer uso no seu paiz. Aos artistas o Governo concede também as ferramentas necessárias, próprias dos seus officios, assim como a todo o colono os utensilios de cozinha necessários.

8.a Os colonos serão isentos por dez annos de todos e quaesquer tributos, aquelles que romperem terrenos incultos simplesmente; vinte os que desseccarem paúes; e trinta annos os que tirarem terrenos ás marés.

9 .a Os colonos podem usar do direito de dispor livremente de suas pessoas, ficando na colónia, ou indo-se embora, como quizerem.

10.a O Governo obriga-se a prestar-lhes toda a protecção e defeza, pela mesma fórma por que o faz aos súbditos portuguezes ali residentes e estabelecidos.

11 .a Os colonos terão os mesmos direitos ás pastagens dos seus gados, nas terras communs, que os outros habitantes dos logares em que se acharem estabelecidos.

12.a As condições .acima serão extensivas ás familias e amigos dos actuaes colonos, que no prazo de dois annos, contados da data do presente contrato, quizerem ir estabelecer-se em Mossamedes, com tanto que o numero desses novos colonos nâo exceda a cento e cincoenta indivíduos.

AD1TAMENTO À OBRIGAÇÃO QUINTA.


§ 1,° Esta porção de terreno será regulada na rasão de 20 hectares, ou proximamente 50 acres inglezes, para cada colono masculino, e mais 10 hectares, ou 25 acres por cada pessoa de familia que tiver, comtanto que toda esta extensão de terreno nâo exceda a área de 50 hectares, ou 125 acres.

§ 2.° O colono, que tiver recebido a primeira concessão de terreno, tem direito a outras, ate' adquirir a área de 50 hectares, logo que tiver cultivada pelo menos metade do terreno da primeira concessão. Fica entendido que a concessão de terrenos é igual tanto para os colonos com familia, como para os colonos sem familia. Os filhos dos colonos, logoque se queiram estabelecer sobre si, por terem saído do pátrio poder, têem direito a receber uma área de terreno igual á que tiver sido concedida aos outros colonos.

Secretaria d'Estado dos Negócios da Marinha e Ultramar, em 28 de Fevereiro de 1857. Sa da Bandeira. In Boletim do Conselho Ultramarino: legislação novissima, Volume 3 By Portugal, Portugal. Conselho Ultramarino








 Hoje já nenhuma destas "inscrições", verdadeiras preciosidades, podem ser vistas em Moçâmedes, porque pura e simplesmente deixaram de existir. Porém à época em que esta foto foi tirada, tal como vem legendado, estas eram as mais recentes "inscrições" do morro da Torre do Tombo, a Ocidente da povoação.


Quanto ao desaparecimento das «inscrições» mais antigas, diz-nos Manuel Júlio de Mendonça Torres, moçamedense, autor da obra O DISTRITO DE MOÇÂMEDES, que estas foram enormemente danificadas quando no morro da Torre do Tombo foram instaladas as pescarias por famílias dedicadas à pesca do atum, e que outras mais recentes acabaram também por  desaparecer. Mendonça Torres adianta ainda que Brito Aranha, nas suas Memórias Histórico-Estatísticas (1883), refere que os Governadores Fernando da Costa Leal (1854-1859 e 1863-1866) e José Joaquim da Graça (1866-1870), deixaram, igualmente, lembrança de si naquele morro. Também se perderam a maioria das «grutas» ou «furnas»,  de incalculável valor histórico, escavadas a punho na rocha branda, desde tempos imemoriais, para serviram de abrigo a mareantes e corsários que por ali passavam e que ali faziam «aguada», ou seja, abasteciam-se de água potável e descansavam antes de prosseguir viagem, e que faziam parte de um numeroso conjunto que percorria a base do morro da «Torre do Tombo», zona mais a sul que contorna a baía, e  termina na Ponta do Noronha, ou Ponta do Pau do Sul.






 Clicar sobre o Postal. É uma foto panorâmica que mostra bem como era então este local





"A velha ponte-cais

de traves carcomidas,
O morro triste,

 a antiga fortaleza...
O deserto a avançar sobre o mar
E a polvilhar a cidade pobre

 da sua
poeira amarela...
O deserto a sepultar a cidade pobre..."

(In "Poemas Imperfeitos" de
Joaquim Paço D´Arcos.









Era assim que o poeta, romancista, dramaturgo, ensaísta, premiado diversas vezes, Joaquim Paço D´Arcos via Moçâmedes. Paço D'Arcos enquanto criança esteve em Moçâmedes entre de 1912 e 1914, com seu pai que foi Governador do Distrito.  Não admira, o início do século XIX foi um tempo de estagnação no  desenvolvimento de Moçâmedes e de Angola. Joaquim Paço D' Arcos escreveu este poema sobre Moçâmedes, naqueles 
tempos que antecederam a implantação da l República em 1910, foram tempos de total anarquia em Angola, tendo muitos  portugueses sido levados a abandonar o território. E durante a l República portuguesa, a situação não foi melhor. Desde a Conferência de Berlim (1884-5) procurava -se, com muita dificuldade, fixar as bases de uma nova administração,  promover o povoamento com famílias portuguesas e levar a cabo o desenvolvimento económico da colónia. Este foi um tempo em Angola preenchido com preocupações ligadas à demarcação da fronteira sul cobiçada pelos alemães. Salienta-se Norton de Matos, que em 1912 havia reacendido a esperança de um tempo novo, mas a fronteira sul ainda por demarcar e a revolta dos autóctones eram uma realidade do que resultou a última fase das Campanhas Militares do Sul de Angola, que fizeram de Moçâmedes o seu porto de desembarque. Muito haveria mais para dizer.



 
 Um trecho do morro de Torre do Tombo



O morro da Torre do Tombo visto do mar. Esta é a zona onde ficavam as instalações da firma Morgado & Morgado, que conhecemos como propriedade de João Martins Pereira.





Estas são as instalações pesqueiras da firma de João da Carma/Morgado& Morgado, de concessão régia. Aqui podemos ver, à direita, uma das "grutas" ou "furnas" encoberta  pelas instalações pesqueiras.  Imagem de Missão hidrográfica, 1930-40. IICT

O morro e as  "grutas" ou "furnas" vistos do mar




 Clicar sobre o Postal. É uma foto panorâmica que mostra bem como era então este local








AINDA SOBRE AS «FURNAS» e sobre as «INSCRIÇÕES» DO MORRO DA «TORRE DO TOMBO»..




 As pescarias até meados de 1950

Não temos notícia da data exacta em que começaram a surgir as primeiras pescarias que até à década de 1950 contornavam a base do morro da Torre do Tombo que circunda a baía e se estendiam para os lados da Fortaleza,  mas tudo aponta para que tenham começado a surgir a partir de 1961, com a chegada da primeira leva de  algarvios vindos de  Olhão, que ali se estabeleceram, e se espalharam pelas praias desérticas a norte e a sul de Moçâmedes.  Consta que os colonos pioneiros vindos do Brasil e cujo actividade económica foi voltada para a agricultura, também montaram umas quantas pescarias, mas estas a norte de Moçâmedes, destinadas à pesca para consumo, estando as mesmas entregues a seviçais quimbares.

A baía e o morro...
A zona mais a sul do Bairro da Torre do Tombo




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AINDA SOBRE OS «DEGREDADOS» METROPOLITANOS DA FORTALEZA DE MOÇÂMEDES




Já quase em  meados do século XX, persistia em Portugal a velha mania de fazer de Angola um lugar de destino para degredados a cumprir penas dos mais variados tipos de crimes,  pessoas sentenciadas de homicídios, roubos, fraudes, sodomia, mulheres consideradas prostitutas, condenados por crimes de furtos, promessas de casamento não cumpridas, vicio de jogo, adultério, sedução,  etc. etc. Portugal lançou mão da pena de degredo para punir criminosos, mas o objectivo era tentava colonizar. Era a velha lógica do absolutismo, no contexto da construção do império colonial português, que perdurou ao longo de quase sete séculos.



Um desses degredados, o Sr LINO  foi protagonista de uma história que ouvi contada pelos meus avós na minha infância. Este senhor foi requisitado para o trabalho da abertura da estrada, na década de 1940. A criatura, um bom homem afinal, era oriunda da Póvoa de Varzim, latoeiro de profissão, sempre se  afirmou inocente em relação ao crime de assassinato que lhe haviam culpado. Os pescadores da Torre do Tombo acreditavam na sua inocência, consideravam-no uma pessoa educada e  de porte irrepreensível.  O pobre senhor quando num dia azarento ia  manhã cedo de bicicleta para o trabalho, à berma da estrada, junto a uma ravina, encontrou caído um homem ensanguentado, e,  julgando-o ainda vivo, tentava arrastá-lo para a estrada a fim de pedir socorro, mas o assassino encontrava-se escondido por detrás de uma árvore, e para se ilibar, incriminou-o,  pondo-se aos gritos a chamar-lhe "assassino... assassino..." .  

E assim foi encarcerado e enviado para Angola. Apesar do apoio que lhe proporcionaram em Moçâmedes, minado pelo desgosto, e saudoso da sua terra e da sua família  (tinha uma filha a estudar para professora e teve que desistir), foi acometido de doença súbita enquanto fazia os trabalhos da estrada, e acabou por falecer a caminho para o Hospital, quando estava a ser para ali transportado numa tipóia. A prova da sua inocência chegou alguns anos mais tarde, quando à beira da morte, arrependido, o assassino acabou por confessar a autoria do crime.


MariaNjardim



Nota: Propriedade de direitos autorais. Quando uma pessoa cria uma obra original, estabelecida em uma mídia tangível, ela automaticamente possui os direitos autorais da obra.




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terça-feira, 14 de agosto de 2007

Visita a Moçâmedes do Principe Real, Dom Luiz Filipe de Bragança, acompanhado de Paiva Couceiro, no ano de 1907


Uma rua do "centro histórico" de Moçâmedes, à data da visita do Príncipe Real Dom Luiz Filipe de Bragança, onde se pode ver um "arco triunfal", ostentando no topo 2 bandeiras da Monarquia, como era comum erguerem em ocasiões muito especiais.
Foto retirada de IICT. Uma foto que guarda história,  muita História!


“Foram-se-nos mais de três partes do Império de Além-Mar e Deus sabe que dolorosas surpresas nos reserva o Futuro ...”
Mouzinho de Albuquerque
(in, carta ao Príncipe D. Luís Filipe de Bragança)




1. O CONTEXTO HISTÓRICO:





O Príncipe Real Dom Luíz Filipe de Bragança (1887-1908), de seu nome completo, Luís Filipe Maria Carlos Amélio Fernando Victor Manuel António Lourenço Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis Bento de Bragança Orleães Sabóia e Saxe-Coburgo-Gota, filho do Rei Dom Carlos I e da Rainha Dona Amélia, vindo da Cidade do Cabo, visitou as colónias portuguesas de São Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique e Cabo Verde, e as colónias britânicas da Rodésia e África do Sul, entre 1 de Julho e 27 de Setembro de 1907, e esteve em Moçâmedes  no dia  4 de Agosto de 1907,  58 anos após a sua fundação, dia em que a então villa ascendeu  a "real cidade"(1855-1907). Era a primeira vez que as colónias  portuguesas recebiam a visita oficial de um membro da Família Real.  

Esta visita aconteceu num momento muito particular da vida da Nação portuguesa, numa altura em que problemas graves, internos e externos, ocorriam tanto no Portugal metropolitano como no além-mar africano. com a decadência da Monarquia e com a alvorada da República, em que a tutela portuguesa no imenso território de uma África cobiçada e considerada necessária ao progresso europeu, era colocada em cheque.

As revoltas no sul de Angola não estavam resolvidas, como mostravam os revezes sofridos em Setembro de 1904 pelos expedicionários portugueses no Cuamato, em que um guia ovimbundo que fora deportado para o Humbe os levara a cair numa emboscada em Umpungo.  Por outro lado as associações humanitárias acusavam Portugal de estar a praticar a escravatura. O pequeno Portugal tinha de se haver contra o Golias germânico, entre outros. O domínio e a influência dos portugueses, por antigas que fossem, podiam a todo o momento ser contestadas quer pelos vizinhos do sudoeste africano alemão quer pelos populações autóctones revoltadas.

Paiva Couceiro  (1907/1910) era então Governador Geral de Angola,  considerado um visionário, intransigente e pragmático suficiente para conseguir libertar-se das directivas impostas pelo Terreiro do Paço e as administrações locais. Ele sabia que dominar o território passava por ocupar fronteiras, obrigar as autoridades gentílicas insubmissas a submeterem-se à governação, gerar a estabilidade suficiente para que as caravanas de longo curso pudessem circular, e concretizar o pagamento do imposto de cubata. Como governador geral, deu prioridade à abertura de rotas comerciais para o interior através de rodovias, (algumas simples picadas) aos Caminhos-de-ferro de Moçâmedes (com o 1º troco inaugurado em 1905), e os Caminhos-de-ferro de Benguela e de Malange .
Por esta altura governava em Angola Paiva Couceiro  (1907/1910, o herói de Norton de Matos, considerado um visionário, intransigente e pragmático suficiente para conseguir libertar-se das directivas impostas pelo Terreiro do Paço e as administrações locais. Paiva Couceiro sabia que dominar o território, passava por ocupar fronteiras, obrigar as autoridades gentílicas insubmissas a submeterem-se à governação, gerar a estabilidade suficiente para que as caravanas de longo curso pudessem circular, e concretizar o pagamento do imposto de cubata. Como governador geral, deu prioridade à abertura de rotas comerciais para o interior através de rodovias, (algumas simples picadas) deu início ao Caminho-de-ferro de Moçâmedes, de Benguela e de Malange que ficou concluído em 1909.Por esta altura governava em Angola Paiva Couceiro  (1907/1910, o herói de Norton de Matos, considerado um visionário, intransigente e pragmático suficiente para conseguir libertar-se das directivas impostas pelo Terreiro do Paço e as administrações locais. Paiva Couceiro sabia que dominar o território, passava por ocupar fronteiras, obrigar as autoridades gentílicas insubmissas a submeterem-se à governação, gerar a estabilidade suficiente para que as caravanas de longo curso pudessem circular, e concretizar o pagamento do imposto de cubata. Como governador geral, deu prioridade à abertura de rotas comerciais para o interior através de rodovias, (algumas simples picadas) deu início ao Caminho-de-ferro de Moçâmedes, de Benguela e de Malange que ficou concluído em 1909.

Por esta altura governava em Angola Paiva Couceiro  (1907/1910, o herói de Norton de Matos, considerado um visionário, intransigente e pragmático suficiente para conseguir libertar-se das directivas impostas pelo Terreiro do Paço e as administrações locais. Paiva Couceiro sabia que dominar o território, passava por ocupar fronteiras, obrigar as autoridades gentílicas insubmissas a submeterem-se à governação, gerar a estabilidade suficiente para que as caravanas de longo curso pudessem circular, e concretizar o pagamento do imposto de cubata. Como governador geral, deu prioridade à abertura de rotas comerciais para o interior através de rodovias, (algumas simples picadas) deu início ao Caminho-de-ferro de Moçâmedes, de Benguela e de Malange que ficou concluído em 1909.

evido aos desentendimentos entre os diversos partidos monárquicos e à agitação no Parlamento (Assembleia Legislativa) o rei D. Carlos entregou a chefia do Ministério (governo) a João Franco, do Partido Regenerador Liberal, em Maio de 1906. João Franco passou a dirigir o País de forma ditatorial, o que provocou forte oposição por parte dos republicanos e dos restantes partidos monárquicos. A 10 de Maio de 1907, o Parlamento foi encerrado, o que reforçou a ditadura de João Franco, apoiada pelo rei D. Carlos.

Ler mais: http://historianove.webnode.pt/news/portugal%3A-crise-e-queda-da-monarquia-em-portugal-e-a-revolu%C3%A7%C3%A3o-republicana-a-i-republica/
evido aos desentendimentos entre os diversos partidos monárquicos e à agitação no Parlamento (Assembleia Legislativa) o rei D. Carlos entregou a chefia do Ministério (governo) a João Franco, do Partido Regenerador Liberal, em Maio de 1906. João Franco passou a dirigir o País de forma ditatorial, o que provocou forte oposição por parte dos republicanos e dos restantes partidos monárquicos. A 10 de Maio de 1907, o Parlamento foi encerrado, o que reforçou a ditadura de João Franco, apoiada pelo rei D. Carlos.

Ler mais: http://historianove.webnode.pt/news/portugal%3A-crise-e-queda-da-monarquia-em-portugal-e-a-revolu%C3%A7%C3%A3o-republicana-a-i-republica/João Franco é  chamado ao poder por Dom Carlos I, na agitada conjuntura de 1906,  governo liberal, "à inglesa",  sua posição endurece  face à contestação do campo monárquico, estudantil e republicano, estes últimos, claramente empenhados na via revolucionária e conspirativa, facto provocaou forte oposição republicanos e restantes partidoa monarquicos. <
evido aos desentendimentos entre os diversos partidos monárquicos e à agitação no Parlamento (Assembleia Legislativa) o rei D. Carlos entregou a chefia do Ministério (governo) a João Franco, do Partido Regenerador Liberal, em Maio de 1906. João Franco passou a dirigir o País de forma ditatorial, o que provocou forte oposição por parte dos republicanos e dos restantes partidos monárquicos. A 10 de Maio de 1907, o Parlamento foi encerrado, o que reforçou a ditadura de João Franco, apoiada pelo rei D. Carlos.

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evido aos desentendimentos entre os diversos partidos monárquicos e à agitação no Parlamento (Assembleia Legislativa) o rei D. Carlos entregou a chefia do Ministério (governo) a João Franco, do Partido Regenerador Liberal, em Maio de 1906. João Franco passou a dirigir o País de forma ditatorial, o que provocou forte oposição por parte dos republicanos e dos restantes partidos monárquicos. A 10 de Maio de 1907, o Parlamento foi encerrado, o que reforçou a ditadura de João Franco, apoiada pelo rei D. Carlos.

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evido aos desentendimentos entre os diversos partidos monárquicos e à agitação no Parlamento (Assembleia Legislativa) o rei D. Carlos entregou a chefia do Ministério (governo) a João Franco, do Partido Regenerador Liberal, em Maio de 1906. João Franco passou a dirigir o País de forma ditatorial, o que provocou forte oposição por parte dos republicanos e dos restantes partidos monárquicos. A 10 de Maio de 1907, o Parlamento foi encerrado, o que reforçou a ditadura de João Franco, apoiada pelo rei D. Carlos.

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evido aos desentendimentos entre os diversos partidos monárquicos e à agitação no Parlamento (Assembleia Legislativa) o rei D. Carlos entregou a chefia do Ministério (governo) a João Franco, do Partido Regenerador Liberal, em Maio de 1906. João Franco passou a dirigir o País de forma ditatorial, o que provocou forte oposição por parte dos republicanos e dos restantes partidos monárquicos. A 10 de Maio de 1907, o Parlamento foi encerrado, o que reforçou a ditadura de João Franco, apoiada pelo rei D. Carlos.

Ler mais: http://historianove.webnode.pt/news/portugal%3A-crise-e-queda-da-monarquia-em-portugal-e-a-revolu%C3%A7%C3%A3o-republicana-a-i-republica/João Franco chamado ao poder por Dom Carlos I, na agitada conjuntura de 1906,  governo liberal, "à inglesa",  sua posição endurece  face à contestação do campo monárquico, estudantil e republicano, estes últimos, claramente empenhados na via revolucionária e conspirativa,as colónias de África, a resistência do gentio revoltado contra a ocupação dos territórios era motivo de preocupação. Portugal era acusado de esclavagismo em S. Tomé e Príncipe e tornava-se necessário refutar tais acusações, segundo o governo português, motivadas por rivalidades comerciais. Na ilha do Príncipe, poucos dias antes da chegada de Dom Luiz, rebentara uma revolta, tendo o navio África, que transportava a delegação oficial acabado por não se deslocar ali. Revoltas ocorreram também no sul de Angola que preocupavam o Governo. Aconteceram também as Campanhas dos Dembos. Aliás na passagem por Luanda, em 11 de Setembro de 1907,  D Luiz Filipe passou revista às tropas comandadas por João de Almeida que iam erguer fortificações na região, a fim de a submeter, situação vista como triunfo de João Franco.Era a primeira vez que as colónias Por essa altura tinha passado década e meia após esses momentos particularmente significativos das querelas internacionais que haviam eclodido, relacionadas com a tutela portuguesa no imenso território que ocupava, deveras cobiçado e considerado necessário ao progresso europeu.  A  crise económica e financeira, que se instalara desde 1890 levara Bancos e empresas à falênciaA pequena e média burguesia confrontava-se com o aumento dos impostos, a inflação disparara, e o povo confrontava-se com o desemprego, com baixos salários e com o aumento das horas de trabalho.  As dificuldades eram enormes,  o descontentamento generalizado. Um panorama de agitação permanente. Dois meses antes, com as Cortes encerradas, João Franco  é chamado ao poder por Dom Carlos, este não consegue o apoio do Partido Progressista e, não podendo governar à inglesa, passara a governar em ditadura, tendo as medidas repressivas provocado forte descontentamento em todos os sectores da sociedade desde republicanos e restantes partidos  empenhados na tomada do poder, gerado grande o ódio à monarquia e ao Rei sob a acção da Maçonaria e da Carbonária, situação que levaria ao Regicídio.




evido aos desentendimentos entre os diversos partidos monárquicos e à agitação no Parlamento (Assembleia Legislativa) o rei D. Carlos entregou a chefia do Ministério (governo) a João Franco, do Partido Regenerador Liberal, em Maio de 1906. João Franco passou a dirigir o País de forma ditatorial, o que provocou forte oposição por parte dos republicanos e dos restantes partidos monárquicos. A 10 de Maio de 1907, o Parlamento foi encerrado, o que reforçou a ditadura de João Franco, apoiada pelo rei D. Carlos.

evido aos desentendimentos entre os diversos partidos monárquicos e à agitação no Parlamento (Assembleia Legislativa) o rei D. Carlos entregou a chefia do Ministério (governo) a João Franco, do Partido Regenerador Liberal, em Maio de 1906. João Franco passou a dirigir o País de forma ditatorial, o que provocou forte oposição por parte dos republicanos e dos restantes partidos monárquicos. A 10 de Maio de 1907, o Parlamento foi encerrado, o que reforçou a ditadura de João Franco, apoiada pelo rei D. Carlos.

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evido aos desentendimentos entre os diversos partidos monárquicos e à agitação no Parlamento (Assembleia Legislativa) o rei D. Carlos entregou a chefia do Ministério (governo) a João Franco, do Partido Regenerador Liberal, em Maio de 1906. João Franco passou a dirigir o País de forma ditatorial, o que provocou forte oposição por parte dos republicanos e dos restantes partidos monárquicos. A 10 de Maio de 1907, o Parlamento foi encerrado, o que reforçou a ditadura de João Franco, apoiada pelo rei D. Carlos.

evido aos desentendimentos entre os diversos partidos monárquicos e à agitação no Parlamento (Assembleia Legislativa) o rei D. Carlos entregou a chefia do Ministério (governo) a João Franco, do Partido Regenerador Liberal, em Maio de 1906. João Franco passou a dirigir o País de forma ditatorial, o que provocou forte oposição por parte dos republicanos e dos restantes partidos monárquicos. A 10 de Maio de 1907, o Parlamento foi encerrado, o que reforçou a ditadura de João Franco, apoiada pelo rei D. Carlos.

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evido aos desentendimentos entre os diversos partidos monárquicos e à agitação no Parlamento (Assembleia Legislativa) o rei D. Carlos entregou a chefia do Ministério (governo) a João Franco, do Partido Regenerador Liberal, em Maio de 1906. João Franco passou a dirigir o País de forma ditatorial, o que provocou forte oposição por parte dos republicanos e dos restantes partidos monárquicos. A 10 de Maio de 1907, o Parlamento foi encerrado, o que reforçou a ditadura de João Franco, apoiada pelo rei D. Carlos.

evido aos desentendimentos entre os diversos partidos monárquicos e à agitação no Parlamento (Assembleia Legislativa) o rei D. Carlos entregou a chefia do Ministério (governo) a João Franco, do Partido Regenerador Liberal, em Maio de 1906. João Franco passou a dirigir o País de forma ditatorial, o que provocou forte oposição por parte dos republicanos e dos restantes partidos monárquicos. A 10 de Maio de 1907, o Parlamento foi encerrado, o que reforçou a ditadura de João Franco, apoiada pelo rei D. Carlos.

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Citando Raul Brandão, " D. Carlos aponta a África a uma plêiade brilhante de oficiais, que ele próprio incita, compreendendo que o grande Portugal é outro, e que esta faixa de terreno, com um clima agrícola horrível, só pode ser vinha e um lugar de repouso e prazer. De lá, desse novo Brasil - dos extensos planaltos de Angola, que duas vezes por ano produzem trigo -, tem de nos vir o oiro e o pão. O resto é visão de pequenos estadistas de trazer por casa. Só ele fala (e sonha) num Portugal Maior, e num Portugal esplêndido (I, p. 229) 


evido aos desentendimentos entre os diversos partidos monárquicos e à agitação no Parlamento (Assembleia Legislativa) o rei D. Carlos entregou a chefia do Ministério (governo) a João Franco, do Partido Regenerador Liberal, em Maio de 1906. João Franco passou a dirigir o País de forma ditatorial, o que provocou forte oposição por parte dos republicanos e dos restantes partidos monárquicos. A 10 de Maio de 1907, o Parlamento foi encerrado, o que reforçou a ditadura de João Franco, apoiada pelo rei D. Carlos.

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evido aos desentendimentos entre os diversos partidos monárquicos e à agitação no Parlamento (Assembleia Legislativa) o rei D. Carlos entregou a chefia do Ministério (governo) a João Franco, do Partido Regenerador Liberal, em Maio de 1906. João Franco passou a dirigir o País de forma ditatorial, o que provocou forte oposição por parte dos republicanos e dos restantes partidos monárquicos. A 10 de Maio de 1907, o Parlamento foi encerrado, o que reforçou a ditadura de João Franco, apoiada pelo rei D. Carlos.

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evido aos desentendimentos entre os diversos partidos monárquicos e à agitação no Parlamento (Assembleia Legislativa) o rei D. Carlos entregou a chefia do Ministério (governo) a João Franco, do Partido Regenerador Liberal, em Maio de 1906. João Franco passou a dirigir o País de forma ditatorial, o que provocou forte oposição por parte dos republicanos e dos restantes partidos monárquicos. A 10 de Maio de 1907, o Parlamento foi encerrado, o que reforçou a ditadura de João Franco, apoiada pelo rei D. Carlos.

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evido aos desentendimentos entre os diversos partidos monárquicos e à agitação no Parlamento (Assembleia Legislativa) o rei D. Carlos entregou a chefia do Ministério (governo) a João Franco, do Partido Regenerador Liberal, em Maio de 1906. João Franco passou a dirigir o País de forma ditatorial, o que provocou forte oposição por parte dos republicanos e dos restantes partidos monárquicos. A 10 de Maio de 1907, o Parlamento foi encerrado, o que reforçou a ditadura de João Franco, apoiada pelo rei D. Carlos.

Ler mais: http://historianove.webnode.pt/news/portugal%3A-crise-e-queda-da-monarquia-em-portugal-e-a-revolu%C3%A7%C3%A3o-republicana-a-i-republicaJoão Franco chamado ao poder por Dom Carlos I, na agitada conjuntura de 1906,  governo liberal, "à inglesa",  sua posição endurece  face à contestação do campo monárquico, estudantil e republicano, estes últimos, claramente empenhados na via revolucionária e conspirativa,
evido aos desentendimentos entre os diversos partidos monárquicos e à agitação no Parlamento (Assembleia Legislativa) o rei D. Carlos entregou a chefia do Ministério (governo) a João Franco, do Partido Regenerador Liberal, em Maio de 1906. João Franco passou a dirigir o País de forma ditatorial, o que provocou forte oposição por parte dos republicanos e dos restantes partidos monárquicos. A 10 de Maio de 1907, o Parlamento foi encerrado, o que reforçou a ditadura de João Franco, apoiada pelo rei D. Carlos.

Ler mais: http://historianove.webnode.pt/news/portugal%3A-crise-e-queda-da-monarquia-em-portugal-e-a-revolu%C3%A7%C3%A3o-republicana-a-i-republica/
evido aos desentendimentos entre os diversos partidos monárquicos e à agitação no Parlamento (Assembleia Legislativa) o rei D. Carlos entregou a chefia do Ministério (governo) a João Franco, do Partido Regenerador Liberal, em Maio de 1906. João Franco passou a dirigir o País de forma ditatorial, o que provocou forte oposição por parte dos republicanos e dos restantes partidos monárquicos. A 10 de Maio de 1907, o Parlamento foi encerrado, o que reforçou a ditadura de João Franco, apoiada pelo rei D. Carlos.

Ler mais: http://historianove.webnode.pt/news/portugal%3A-crise-e-queda-da-monarquia-em-portugal-e-a-revolu%C3%A7%C3%A3o-republicana-a-i-republica/João Franco chamado ao poder por Dom Carlos I, na agitada conjuntura de 1906,  governo liberal, "à inglesa",  sua posição endurece  face à contestação do campo monárquico, estudantil e republicano, estes últimos, claramente empenhados na via revolucionária e conspirativa,as colónias de África, a resistência do gentio revoltado contra a ocupação dos territórios era motivo de preocupação. Portugal era acusado de esclavagismo em S. Tomé e Príncipe e tornava-se necessário refutar tais acusações, segundo o governo português, motivadas por rivalidades comerciais. Na ilha do Príncipe, poucos dias antes da chegada de Dom Luiz, rebentara uma revolta, tendo o navio África, que transportava a delegação oficial acabado por não se deslocar ali. Revoltas ocorreram também no sul de Angola que preocupavam o Governo. Aconteceram também as Campanhas dos Dembos. Aliás na passagem por Luanda, em 11 de Setembro de 1907,  D Luiz Filipe passou revista às tropas comandadas por João de Almeida que iam erguer fortificações na região, a fim de a submeter, situação vista como triunfo de João Franco.Era a primeira vez que as colónias 
Ao nível da Imprensa,  a partida de Luíz Filipe, que "abandonava Portugal em tempo de crise", surtiu reações diversas, motivando uma acesa discussão em torno da pertinência da viagem, que o ministro da Marinha e Ultramar, Aires de Ornelas que acompanhou o Principe considerou uma «campanha movida contra a viagem na imprensa política». Se de início esta viagem tinha o propósito de permitir ao ministro do Ultramar fiscalizar o sistema de serviçais em Luanda e São Tomé, e de perceber se ali a escravatura ainda era praticada, juntando-se o príncipe a  périplo, ela tomou uma visibilidade bem mais vasta. Além do mais, a visita estender-se-ia a Moçambique, África do Sul e Cabo Verde com a duração de três meses – de 1 de Julho a 28 de Setembro – e a sua importância fez com que fosse além do problema da escravatura. De resto, era relativamente conhecida a curiosidade e o interesse do jovem príncipe pelas colónias.

 

 O navio  «África» onde o Príncipe viajou


Este postal, que se pensa ter feito parte da colecção editada por ocasião desta visita, em 1907, retrata um belo trecho da muito frequentada Avenida D. Luiz, que após 1910 passaria a chamar-se Avenida da República. À esq. o tradicional Coreto demolido na década de 1950, onde aos domingos bandas de música iam tocar, e onde, em 1907, tocou para o Príncipe a banda militar da Marinha. À direita, pode-se ver uma espécie de palanque, onde se pensa tenha o príncipe assistido, juntamente com os elementos da comitiva a um espectáculo musical.


Outro postal da mesma época e da mesma colecção, mostrando um belo trecho da Avenida D. Luis, com elegantes passeando (elementos femininos da Comitiva?, elite feminina de então?)



Trecho romântico do Jardim da Avenida Dom Luiz, de Moçâmedes. Parte das históricas casas térreas, à dt, que lamentavelmente, em parte, já ruiram





2. A VISITA A MOÇÂMEDES DO PRÍNCIPE REAL DOM LUIZ FILIPE DE BRAGANÇA, AO TEMPO DA SUBIDA DA VILLA DE MOÇÂMEDES A REAL CIDADE

O ACOLHIMENTO EM MOÇÂMEDES. 


Nas colónias de África, a nova ordem imposta e impulsionada pela Revolução Industrial, tinha imposto a Portugal a abolição do tráfico de escravos que de Angola fluía na direcção do Brasil e das Américas, mas não da escravatura interna, considerada imprescindível  para o avanço e a consolidação da actividade económica a braços com a falta de mão de obra livre. 

Com  a queda do absolutismo e após subida ao poder dos liberais progressistas, é publicado o decreto da abolição do mesmo tráfico em 10 de Dezembro de 1836, que só começou a ter concretização prática após 1869. 

Em 1884-5 a Conferência de Berlim reuniu líderes europeus que dividiram a África entre potências coloniais europeias, ávidas de matérias primas, mão de obra barata e mercados consumidores. Portugal viu-se na contingência de ter que ocupar de facto dos territórios que por direito histórico reivindicava  (direito de conquista/1482), com famílias idas da Metrópole, e  ter que finalmente proceder ao desenvolvimento económico dos territórios que reivindicava, sob pena de ter que os ter que ceder a outra potência em condições de o fazer. Portugal era então uma potência menor face à Inglaterra e à Alemanha, um império enfraquecido, com uma Metrópole abalada por lutas fraticídas e revoluções, situação que a perda do Brasil, independente em 1822 aprofundou. 

Desde finais do século XIX que pairavam ameaças reais sobre as duas colónias portuguesas mais importantes em África (Angola e Moçambique) devido às negociações anglo-germânicas que supunham a sua expansão à sua custa. Este objetivo estava à partida facilitado porque não reconheciam a Portugal a capacidade para manter uma presença efectiva nem potencial para os defender. A questão do Mapa Cor-de-Rosa, foi a tentativa de ver internacionalmente reconhecida a seu favor a posse do território entre Angola a Moçambique, que havia sido demarcado pelos exploradores Serpa Pinto, Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens, de modo a facilitar o comércio e o transporte de mercadorias entre Angola e Moçambique. Mas a Inglaterra não aceitou o projecto e avançou com o Ultimato Inglês de 1890, ameaçando com uma declaração de guerra se Portugal não se retirasse do referido território. O recuo de Portugal feriu profundamente o orgulho nacional, levou a campanhas de exaltação de patriotica, e à exortação à emigração para os territórios de além-mar efectuada através dos periódicos,l  e de editais colocados nos átrios das Igrejas. E as fronteiras acabaram demarcadas tal como existem hoje.

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Era pouco antes da 1 hora da tarde do dia 1 de Julho, quando o Principe Real Dom Luiz Filipe e Comitiva partiram de Lisboa, no navio África, festivamente engalanado, rumo às terras de África.
O comandante do navio, Guilherme A. Vidal Júnior, dá-nos no seu livro, uma descrição pormenorizada da viagem, da vida a bordo, da chegada aos portos, das recepções e festejos em homenagem ao Principe que partira em viagem de estudo das actividades económicas e dos povos formados por gentes várias, algumas «estranhas, ligadas fortemente pêlos elos da mesma fé cristã, da mesma língua e dos mesmos sentimentos de amor pátrio». Ia acompanhado pelo ministro da Marinha e Ultramar, Aires de Ornelas.

Dom Luiz desde criança fora preparado para o penoso ofício de ser Rei, na qualidade de primogénito e herdeiro presuntivo do trono. Segundo o comandante Guilherme A. Vidal Júnior, mostrando a sua simplicidade, afabilidade de trato e comunicabilidade. O Principe mandava convidar, enquanto a bordo do navio, diariamente, para almoçarem à sua mesa, dois passageiros, começando os convites pelos primeiros a desembarcar nos portos da escala.

O navio chegou a Luanda no dia 17 de Julho, tendo a recebê-lo o capitão de arti­lharia Henrique de Paiva Couceiro, Governador-Geral de Angola, que três anos depois viria a ser reconhecido como o mais dedicado servidor da Corôa. Couceiro assumiu todas as despesas das cerimónias que orçaram em 5 contos de réis, sem ter pedido o seu reembolso oficial.

Depois de ter escalado o Lobito, o "África" rumou para Moçâmedes, onde o Principe Real teve acalorada recepção. Aliás, desde que em Moçâmedes se tivera conhecimento da notícia da visita do Príncipe, a população e entidades oficiais logo se empenharam com entusiasmo na tarefa de uma recepção condigna, onde não podiam faltar os tradicionais festejos populares. Desde logo foram nomeadas Comis­sões, fizeram-se programas, importou-se o fogo de artifício directamente da Metrópole, prepararam-se patrióticos discursos, procedeu-se a uma iluminação especial com archotes em toda a falésia até à Ponta do Pau do Sul, por toda a Avenida e nas principais ruas da vila.





O Príncipe Dom Luíz Filipe de Bragança  em Luanda, com o capitão de arti­lharia Henrique de Paiva Couceiro,  Governador-Geral de Angola


Colaboraram na organização dos festejos e da recepção a Associação de Comerciantes, a Câmara Muni­cipal, e ambos os organismos ajudados pelo povo, tomaram a cargo a construção de um "arco triunfal" em honra do Príncipe, para que as festas a todos deslumbrasse, europeus, africanos e mistos.

Foi organizado um grandioso baile de gala, para o qual foram convidadas as chamadas "forças viva" da villa, e tudo isto não aconteceu sem que antes tivessem sido enviados telegramas, via Cabo Submarino para Londres, Paris e Lisboa, que, de entre outros assuntos, tratavam de assuntos triviais, tais como remessas urgentes de chapéus altos, vestidos, casacas, sobre-casacas, etc.etc. Importa referir que, ainda que muitíssimo reduzida, por esta altura, Moçâmedes já exibia a sua pequena burguesia, que desde a fundação fora impulsionada pelos mais importante componentes das 1ª e 2ª colónias vindas de Pernambuco (Brasil), ali chegados nos anos de 1849 e 1850, transportando consigo na bagagem seus pianos, seus quadros emoldurados em talha dourada, seus móveis de jacarandá, etc etc.

Não faltou a tradicional Parada de indígenas do Sul, desenrolada na vasta Avenida D. Luiz (mais tarde denominada Avenida da República), onde desfilaram as várias tribos da região, e onde teve lugar o mais grandioso batuque de que há memória, considerado um pormenor importantíssimo, a incluir no programa, visto como testemunho vivo da confiança de Portugal e dos portugueses junto dos povos nativos, da harmonia das relações, e da lealdade desses mesmos povos que compartilhavam com a população o seu grande regozijo pela visita de um Prín­cipe da Casa Real, em carne e osso. Deliciou-se com a vegetação tropical, visitou nas "Hortas", a casa de campo da familia "Torres",  subiu os degraus da varanda senhorial  que dava acesso à vasta sala de jantar da bela mansão, apreciou o chão de azulejaria à belle-époque, tecto de pinho da Metrópole, paredes cobertas de frescos com cenas campestres algo barrocas. Ali almoçou naquele cenário idílico, ponto de encontro de piqueniques e almoçaradas, dotado de um espaçoso pátio com seus coretos, longas alamedas,frescos oásis  onde as oliveiras conviviam com as bananeiras, as  palmeiras, as mangueiras, etc, e onde se cultivava a mandioca, a papaia, o melão, cultivos de várias espécies para consumo da cidade.

Mas não houve só festas. Tratou-se também de uma viagem de estudo das actividades económicas e de outros assuntos de alta gravidade. Aproveitando a visita do Príncipe Dom Luiz foi inaugurado o primeiro troço, de 67 Kms, do Caminho de Ferro de Moçâmedes, mal se imaginando na altura que o comboio só chegaria a Sá da Bandeira (Lubango), local de destino que perdurou até décadas após.

Com uma parca comitiva o Príncipe foi aclamado pela população, por todo o lado por onde passou, desfiles tiveram lugar nas ruas, por entre arcos enfeitados a rigor, perante uma entusiástica e expressiva população.Dom Luiz  privou com os sobas e com a população nativa, que, exibindo expressivos arranjos musicais com instrumentos locais, prestaram-lhe as sentidas homenagens e juraram-lhe fidelidade. Assim vem descrito em todos os relatos desta viagem. 


 




Trata-se do pavilhão onde foi assinada a acta do lançamento da primeira pedra da Estação dos Caminhos de Ferro de Mossâmedes. Colecção particular. Do blog anicetomonteiro, Ver AQUI


 
Outra foto do dia da inauguração dos Caminhos de Ferro de Moçâmedes. Do blog anicetomonteiro
Ver AQUI



De Moçâmedes, sempre recebido com os já habituais festejos, o príncipe subiu a costa angolana, conhecendo cidades como Benguela e Lobito, chegando novamente à capital daquela província. As festividades em tempo de guerra receberiam forte crítica do jornal O Dia que em Lisboa apregoava:

«Em Angola dança-se e morre-se!». Este diário comentava, acerca da despedida de D. Luís Filipe em Angola que enquanto ocorria o baile de gala se morria nos confrontos do Cuamato a apenas alguns quilómetros de distância.

A recordação desta visita manteve-se viva na memória dos colonos mais velhos, com um misto de simpatia, saudade e respeito pela memória desse infor­tunado príncipe que representava as maiores esperanças, pela sua educação, seu carácter, patriotismo e inteligência. Conforme referiu o Sexto Marquês de Lavradio nas suas memórias:

«… era alto, louro, tipo nortenho, cultivava os desportos, principalmente o automobilismo e a caça.» detentor de uma educação «...muito cuidadosa tanto sob o ponto de vista científico como moral e ambos tinham além de uma funda cultura uma verdadeira noção da honra, da lealdade e do dever. (...)

«… era mais inteligente que o vulgar, sendo ao mesmo tempo o homem mais leal, mais franco, mais nobre, mais valente que tenho conhecido. Falava pouco e devagar e ouvia sempre com atenção.». «Seu Augusto Pai tinha-o preparado para ser um seu digno sucessor. A sua vinda ao Ultramar obedecia aos desejos de El-Rei que considerava que tal pre­paração não seria completa sem que Sua Alteza conhecesse as nossas possessões; correspondia ainda ao desejo do próprio Príncipe que também assim pensava.»

Refere o marquês nas suas memórias que Sua Alteza quando na Câmara Municipal de Pretória teve de responder às mensagens que lhe foram dirigidas, o fez de forma brilhante, realçando factos históricos do passado e do presente da África do Sul, revelando conhecimento sobre a vida do país que bem paten­teavam o cuidado e a seriedade dos seus estudos desse mesmo Príncipe que tomava a imaginação do sector feminino do pequena burgo como se tratasse de um príncipe dos maravilhosos contos de fadas. Aliás, o Príncipe deixou recordações que perduraram, pela sua figura, pelas suas maneiras, e pelo seu fino trato.




Dom Luiz Filipe e a Comitiva em foto tirada em Moçambique. Retirada deTHE DELAGOA BAY WORLD



 

O desembarque em Moçambique, em foto retirada deTHE DELAGOA BAY WORLD

 

 



 3. O REGRESSO À METRÓPOLE, E UM ANO A SEGUIR O REGICÍDIO




Em 27 de Setembro de 1907, Dom Luiz Filipe e comitiva regressaram da sua viagem a terras de África. 

De Moçâmedes o navio tinha prosseguido viagem para Lourenço Marques (Moçambique) de passagem pela Cidade do Cabo, e de novo rumou para Angola e daí para a Metrópole. Na passagem por Moçâmedes receberam a notícia de que o capitão Roçadas que dirigia as tropas portugueses conseguira mais uma vitória para a pacificação de Angola. Dando cumprimento ao acordado na Conferência de Berlim, que apenas reconhecia a pertença de um território se este estivesse ocupado militarmente, Portugal procurou  conquistar o Cuamato, no sul de Angola, que apesar de várias tentativas, apenas em 1907, com tropas indígenas e metropolitanas comandadas por Alves Roçadas, se conseguiria a total anexação e pacificação do território (Serrão, 1988, p.251).

Em Dezembro desse  ano, são  convocadas eleições para 5 de Abril de 1908. Em 28 de Janeiro ocorreu uma tentativa de revolução republica.  Em 31 de Janeiro um decreto atribuiu ao governo a a faculdade de expulsar do reino ou fazer transportar para uma província ultramarina aqueles que, uma vez reconhecidos culpados pela autoridade judicial competente, importe à segurança do Estado, tranquilidade pública e e interesses gerais da nação, afastar sem mais delongas do meio com que se mostraram e tornaram perigosa e contumazmente incompatíveis27 de Setembro de 1907, Em 1 de Fevereiro de 1908, aconteceu o regicídio

 A viagem do Príncipe foi o acontecimento político mais importante da sua jovem vida, até porque era o primeiro membro da família real a fazer tal viagem. Apesar de em certos aspectos  a viagem do Principe ser tida por indefesa e insegura, todos regressaram sãos e salvos. A recordação da sua visita mantém-se ainda viva, na memória dos velhos colonos, com um misto de simpatia, saudade e respeito pela memória desse infor­tunado Príncipe. Não se podia imaginar  que Dom Luiz que escapara às perigosidades e instabilidades de uma África em ebulição, não iria escapar a  uma tragédia terrível que iria acontecer poucos meses depois,  abalando a Família Real, o Reino de Portugal e os restantes Reinos com os quais a Família Real tinha ligações de parentesco e afinidades: o Regicídio.

Sobre o autor assassino de El-Rei D. Carlos e de Dom Luiz há notícias de que este teria fugido para S. Tomé e para Moçâmedes... De seu nome José Nunes, intervencionista do grupo “Os Mineiros”, encontrava-se no Terreiro do Paço quando disparou sobre o Príncipe Dom Luís Filipe, e foi  nele que a rainha D. Amélia bateu com um ramo de flores, ao mesmo tempo que o retratou em esboço.   Fugido para S. Tomé e Moçâmedes e depois regressado a Lisboa, a polícia nunca o encontrou. Antes de morrer, segundo Casimiro da Silva, «no quarto de dormir, tinha, sobre a cómoda, voltado para o leito um grande retrato de Dom Luís Filipe» - o Príncipe a quem ele tirara a vida. «Todos os dias, ao despertar, para ele olhava, repetindo a pergunta - título do seu livro: E Para Quê? Retenha-se que sobre o regicidio deixou  importantes revelações após 1915 que esclarecem o atentado em livros como "A Bomba Explosiva e Para quê?".

 Pelo contrário, Sampaio Bruno dizia na altura: o regicídio é, seguramente, um acto condenável, mas o despotismo não o é menos. O tiranicídio é, na verdade, um crime mas a tirania é também um crime (apud Joel Serrão, pp.74-75)

Como dirá Raul Brandão, se o deixam viver, tinha sido um dos maiores reis da sua dinastia (I, 228). Segundo o mesmo autor, se o rei tratava os políticos como lacaios, tratava a gente do povo com extrema bondade. Terá mesmo dito viver em um país de bananas governado por sacanas.
Como reconheceu Guerra Junqueiro nas anotações que fez a Pátria (apud Raul Brandão, II, pp. 207-208): a revolução urgente não era social nem política, era moral. Nem havia a escolher entre monarquia e república, pois que, para escolher entre duas coisas, é necessário existiremA segurança da pátria exigia inadiavelmente à frente do governo um homem de superior inteligência, de altivo carácter, de ânimo heróico e resoluto. Era-o D. Carlos? Obedeceríamos a D. Carlos. Uma alma, uma vassoira e uma carroça, de nada mais precisava. Varrer, limpeza geral, pôr isto decente.O tiro no rei e no príncipe real matou o próprio sistema político e anunciou o fim da monarquia. Em Agosto de 1907, em pleno Conselho de Estado, Júlio de Vilhena chegou a proclamar: isto termina fatalmente por um crime ou por uma revolução[2]. O crime aconteceu com o  regicídio; a revolução, com a instauração da república. O jogo rotativista conduzira à tragédia. O salto em frente de João Franco acelerara-a[3]


Pesquisa e texto
MariaNJardim

Ver tb Visita do Principe a Moçambique AQUI


inhttp://www.trasosmontes.com/forum/viewtopic.php?p=7749&sid=c3fb49d3eb86cc80e7d1d37ada69332f
http://www.dcarlos100anos.pt/dluisfilipe2.html

IMPRENSA DA ÉPOCA

http://www.youtube.com/watch?v=TjEGx1RSWoI
http://www.regicidio.org/indexmain.htm