Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Mossamedes, Moçâmedes, Namibe e a sua História: Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, o fundador de Moçâmedes. BIOGRAFIA

O busto de Bernardino
"Museu Etnográfico da cidade do Namibe"

No Livro " Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, fundador de Moçâmedes" do Padre José Vicente (Gil Duarte), em ponto 2. e, " Itinerários de uma Juventude Audaciosa",  fomos encontrar os seguintes elementos biográficos referentes quer à genealogia  de Bernardino, quer ao seu percurso de vida, intelectual e político, decorrido quer em Portugal quer no Brasil, até ao momento em que , no ano de 1849, aos 40 anos de idade,  decide partir para Angola:

Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, natural de Nogueira do Cravo,  era filho de Alexandre Campos de Abreu e Vasconcelos e de D. Rita de Figueiredo, neto materno de Francisco Abranches Freire de Figueiredo e de D. Josefa Maria Abreu e Castro, da Casa da Torre de Nogueira do Cravo, e neto paterno de Manuel Nunes de Campos e D. Joaquina de Campos.

Bernardino tinha mais um irmão, de nome Alexandre Freire de Figueiredo Desconhece-se o registo de nascimento de Bernardino mas conhece-se o de baptismo , pois no “Livro de  Baptizados, Recebimentos e Defuntos  da Freguezia de Nogueira do Cravo, de 1806 a 1830” guardado no Arquivo da Universidade de Coimbra, encontrámos o assento seguinte: “Em os quatorze dias do mês de Dezembro de de mil oitocentos e nove, foi baptizdo Bernardino, solenemente, filho legítimo de Alexandre Nunes e de sua mulher, D. Rita de Figueiredo, desta vila de Nogueira, neto paterno de Manuel Nunes de Campos, natural de Sobral, Bispado de Viseu,  e de D. Joaquina, desta vila, e materno de Francisco de Abranches, de vila de Avô, , e de sua mulher, A. Josefa Maria, do mesmo lugar e vila. Foram padrinhos Bernardino José e sua filha Ana Julia, do lugar de Santa Ovaia, e para constar fiz este assento. Dia, mês e era ut supra. O Prior – José Joaquim Coelho de Faria.”

Dada a índole  profundamente religiosa da família, é de crer que, segundo os costumes tradicionais, Bernardino fosse baptizado pouco tempo após o nascimento. Aceitamos pois a hipótese (muito provável)  de Bernardino ter nascido no próprio ano de 1809.

Em Nogueira do Cravo  Bernardino  terá feito os primeiros estudos, modelado o seu carácter segundo os princípios cristãos. Foi depois para Coimbra com o objectivo de se formar em Direito. No “Livro de Matrículas do Primeiro de Leis” Ano , do Arquivo da Universidade de Coimbra, referente ao ano de 1829, nele se lê a folhas 30: “Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, filho de Alexandre Nunes de Campos de Abreu, natural de Nogueira do Cravo,  comarca de Arfanil,  foi admitido à matrícula do primeiro ano jurídico em 31 de Outubro de 1829.”  Não aparece já matriculado no 2º ano. Porquê?

Sabe-se que, anos atrás em Janeiro de 1818, se fundara no Porto a Associação secreta denominada de Sinédrio par fomentar a Revolução Liberal. Pode dizer-se que era o início da discórdia entre liberais e miguelistas que atirou o país para a sangrenta guerra civil. Os acontecimentos foram-se  desenrolando. Bernardino alinhava por D. Miguel associando-se ao coro dos que clamavam:  Real!! Real!! Por El-Rei de Portugal o Sr. D. Miguel  I !

No dicionário histórico de Portugal, de Esteves Pereira e Guilherme Rodrigues faz-se referência a Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro : “ Era estudante de Coimbra, quando, levado levado pelos princípios e sentimentos de sua família, se alistou nos voluntários realistas, seguindo o partido de D. Miguel, e fazendo toda a campanha às ordens dum seu próximo parente, general das armas da província.”

Deixou de ser estudante para se alistar como tenente de caçadores do exército de D. Miguel. Mas não perdeu o amor aos livros, às letras. Chegaria até a publicar várias obras, como  adiante veremos.

Em 26 de Maio de 1834 – tinha Bernardino 25 anos de idade – assinava-se a Convenção de Évora-Monte, de que D. Miguel e o seu partido saiam derrotados. O monarca via-se coagido a sair de Portugal no prazo de quinze dias, tendo de comprometer-se a nunca mais voltar, nem a interferir de qualquer forma, na vida política do país. Os seus regimentos seriam dissolvidos. D. Miguel partiu para o exílio no dia 1 de Junho.

Bernardino passou a viver em Lisboa, na clandestinidade. Na clandestinidade se publicava o jornal “Portugal Velho”, defendendo ainda os princípios do absolutismo. Bernardino fez-se jornalista, danso a esse jornal o valioso estímulo de uma colaboração assídua. Mas era impossível remar contra a maré. Em Portugal acabara a guerra mas não principiara a paz. Joaquim António de Aguiar – O Mata-Frades – então Ministro da Justiça, extingue as Ordens Religiosas, Conventos e Mosteiros, por decreto de 28 de Maio de 1834. Os partidos políticos fomentam discórdias. D. Pedro morre a 24 de Setembro desse mesmo ano. D. Maria II consegue sustar tremendas lutas políticas que se haviam de prolongar durante 19 anos. Não logram bons resultados várias tentativas miguelistas. A agricultura, o comércio, a industria, definham. Portugal vive um período difícil.

Desalentado, Bernardino resolve emigrar para o Brasil. Sai de Lisboa em 1839. Fixa-se em Pernambuco. Renuncia a toda a actividade política. Dedica-se exclusivamente ao ensino no Colégio Ternambucano, regendo as cadeiras de História, Geografia e Latim. Escreve livros de carácter didáctico, como a História Geral, em seis volumes. O Primeiro volume sobre a “História Sagrada do Antigo Testamento”; o segundo sobre a “História da Vida de Jesus Cristo” e dos Apóstolos, e História dos Judeus desde a dispersão stá aos nossos dias “; o terceiro a  “ História Antiga e Grega”; o quarto sobre a “História Romana e da Idade Média”, o quinto sobre a “História Moderna”; e o sexto sobre a “História de Portugal e do Brasil”.
Bastaria este trabalho para se aquilatar do esforço e da capacidade e da disciplina intelectual de Bernardino.  Mas o erudito professor não se ficou por aqui. Escreveu outros livros dos quais destacamos “Nossa Senhora de Guararapes – romance histórico, descritivo, moral e crítico”.  Este livro tem por fundo os encontros sangrentos entre portugueses e holande3ses, em 1648 e 1649, nos altos montes dos Guararapes, na região do Recife.

Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro  impunha-se pelas suas qualidades, no Brasil. Mas o Brasil era já – ao tempo – um país independente. Bernardino sonha , cheio de saudades, com a sua pátria. Tanto mais que, em Pernambuco, as coisas iam mal desde 1817. Em 1844, na Assembleia Provincial de Pernambuco, propõe-se que “se expulsem da cidade (ou da província) todos os portugueses solteiros”- (E Bernardino era solteiro). E, 1947 arruaceiros espancam pelas ruas da cidade “quantos portugueses encontravam ou que supunham tais”. 

Mendonça Torres explica que, por esta altura, os portugueses eram conhecidos em Pernambuco pelo apodo de “marinheiros” , designação que lhes dava por injúria, zombaria e desprezo. As turbas, amotinadas, buscando-os por toda a parter, aos gritos impiedosos e ultrajantes de “Mata-marinheiros”, “não escape um só”, entravam, desenfreadas, nos estabelecimentos comerciais, arrombavam a machado em presença da autoridade, as portas das habitações; arrancavam-nos, indefesos, ao seio das famílias, feriam-nos ou matavam-nos com paancadas de chuços e golpes de facas e de baionetas: roubavam-lhes os haveres; e arrastavam-lhes pelas vias públicas os cadáveres lacerados, tintos de sangue.

Bernardino, repetimos, sonha com a sua pátria na província de Angola. E decide-se, e decide outros compatriotas a embarcarem para lá. Estava-se em Maio de 1849 – Tinha Bernardino 40 anos de idade.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Os Portuguezes em Africa, Asia, America e Oceania, ou Historia chronologica dos descobrimentos, navegações, viagens e conquistas dos Portuguezes nos paizes ultramarinos desde o principio da monarchia até ao seculo actual

Deste livro segue este texto, na parte que toca à "colónia de Mossãmedes". Para os interessados no livro, bastará clicar acima.
"...185o — Em Angola entretanto concentrava-se com sobeja razão a attenção do governo nos territorios ao sul da província. Um dos exploradores que mais se empenharam em percorrer e em descrever essa região foi Bernardino José Brochado que desde 1847 andava visitando os povos do Humbe, Camba, Mulondo, Quanhama, Aymbire, Terra de Bale, Uanda, Cuffima, Dongo, Mucuancallas, Quamba, Ganjella, Quamattui, etc. A descripção das suas viagens, datada de Gambos de i85o, figura nos Annaes do Conselho Ultramarino.


Em 1845, como dissemos já fundara-se uma colonia na Huila, em 1849 lançaram-se os fundamentos da colonia de Mossamedes; a portaria de 3o de abril de 1849 assignada pelo visconde depois conde de Castro dava instrucções desenvolvidas ao official da marinha Sergio de Sousa, depois visconde de Sergio de Sousa, que foi o encarregado de transportar para Mossamedes uma colonia que se devia ir buscar ao Brazil; a lei de 3 de julho de 1849, referendada pelo visconde de Castellões, auctorisava o governo a gastar 18 contos de réis com o estabelecimento da colonia agricola de Mossamedes, a portaria de 25 de julho creava o logar de facultativo effectivo da colonia. Comtudo só n'este anno de 1850 se fundou definitivamente essa colonia a que está reservado tão prospero futuro.

Como, porém, seguimos o systema de não mutilar a historia dos acontecimentos importantes do Ultramar, subordinando-os á divisão chronologica que nos é imposta pelo plano primitivo d'este livro, narral-os-hemos todos em 185o para darmos um quadro completo destes importantes acontecimentos, cujos preliminares acabamos de referir.
"Em Mossamedes existia já no sitio das Hortas, quando o tenente Garcia veio fundar o presidio, e quando Pedro Alexandrino da Cunha veio com a corveta Isabel Maria estudar a costa, uma feitoria pertencente a Jacome Filippe Torres, em 1840 fundou outra feitoria um Clemente Eleuterio Freire, em i841foi outra fundada por Bernardino José Brochado, em 1843 outra por Fernando José Cardoso Guimarães, e tempo depois outra ainda por João Antonio de Magalhães. Estas feitorias e o presidio, uma força militar e degredados, eram o nucleo da futura villa.
"Foi a agitação politica de Pernambuco, de que estavam sendo victimas os colonos portuguezes, que fez com que se sollicitasse do governo de Lisboa a protecção que era devida aos seus subditos. Essa pretenção foi deferida, como já vimos, e no dia 4 de agosto de 1849 chegavam a Mossamedes, tendo partido de Pernambuco em maio do mesmo anno, o brigue Douro e a barca Tentativa Feli%, transportando familias e homens solteiros, tudo á custa do governo. Quem era o chefe d'essa colonia, o cidadão prestantissimo que tomára a iniciativa d'essa idéa, e que tudo sacrificou ao seu desenvolvimento e prosperidade, era Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, cujo nome deve ser sempre lembrado com profundo reconhecimento por todos os que prezam o desenvolvimento colonial do nosso paiz.
Apezar de todas as precauções do governo, esses primeiros colonos acharam-se n'uma situação verdadeiramente desgraçada. Tinham tido logo uma secca espantosa que esterilisára completamente os terrenos. Os colonos achavam-se quasi nus, o sustento que se lhes dava, e que se compunha de má farinha de mandioca e de feijão podre, desenvolvia as doenças, e concorria para que se considerasse como detestavel o clima de Mossamedes, hoje considerado e justamente por todos como um dos melhores climas africanos, a ponto de ter Mossamedes obtido a denominação de Cintra africana. O desanimo era profundo, a exasperação tamanha que muitos dos colonos acceitavam como um beneficio o sentarem praça ao lado dos degredados. As noticias enviadas de Mossamedes para o Brazil pela escuna Maria eram tendentes a paralysar a emigração. Mandava-se dizer que o clima era pessimo, que elles eram tratados como degredados, que não podiam sair da colonia senão depois de uma permanencia de dez annos, e que aquillo era muito peior que a ilha de Fernando de Noronha, etc., etc. Apezar d'isso, graças á actividade e ao zelo de Bernardino Freire de Figueiredo, a emigração não desanimou, como vamos ver.
No dia 26 de novembro d'este anno chegou a Mosamedes a chamada segunda colonia, composta ainda de portuguezes residentes em Pernambuco, e que vinham auxiliados por uma patriotica subscripção que se abrio n'essa cidade. Traziam-n'a o brigue Douro e a barca Bracharense. Achavam os novos colonos os seus antecessores n'um estado desesperador. Ainda chegou nova remessa de colonos, vindos d'esta vez do Rio de Janeiro e Bahia. Foi a ultima; as noticias enviadas para o Brazil, apezar de se saber que eram exaggeradas, tinham inspirado um profundo desanimo com que não podera luctar a energia de Bernardino Freire de Figueiredo.
Comtudo, trabalhava-se ardentemente para se obviar a esses inconvenientes ; o director da colonia foi a Loanda, levando em sua companhia Francisco da Maia Barreto, que foi ao Bengo buscar as primeiras sementes de canna; o plantador Fernando José Cardoso Guimarães tambem mandou vir sementes. Começou então a estabelecer-se uma tal ou qual agricultura.
Alguns colonos, que, movidos pela exasperação, tinham ido para a colonia de Huilla, lá padeceram tambem tantas privações, que fugiram e voltaram para Mossamedes, onde ficaram. Effectivamente, apenas os colonos de Mossamedes começaram a ter um sustento regular e sadio, as doenças desappareceram e começou a manifestar-se o clima de Mossamedes tal como hoje todos o conhecem.
Devemos apontar tambem n'este anno um facto importante, que foi o principio da ida dos paquetes transatlanticos á ilha de S. Vicente em Cabo Verde. A povoação, que n'essa ilha recebera o nome pomposo de Mindello, era apenas uma aggregação de pobres casas disseminadas nas margens do Porto Grande. Quando, porém, em i85o se estabeleceu a primeira carreira de paquetes entre a Inglaterra e o Brazil, paquetes que deviam tocar nos portos de Lisboa, Madeira, Tenerifíe e S. Vicente de Cabo Verde, o governo comprehendeu logo a importancia que essa ilha tinha de assumir, e assim o manifestou no preambulo da portaria de 7 de dezembro de i85o, que mandava crear uma alfandega na ilha de S. Vicente, e em que o visconde de Castellões dizia:

«Devendo começar no proximo mez de janeiro a carreira dos paquetes de vapor entre Inglaterra e o Brazil, com escala por Lisboa, Ilhas da Madeira, Teneriffe e S. Vicente, demorando-se os vapores maior espaço no porto d'esta ultima ilha afim de ahi se abastecerem de carvão, e sendo natural que alli hajam de tomar refrescos, e assim por este motivo como por commodidade do commercio se desejar praticar alguns actos commerciaes, e especialmente o desembarque de fazendas e encommendas levadas tanto de Londres como de Lisboa e Madeira, etc.»
Assignalava-se, pois, esse anno de 185o por dois factos importantissimos para a prosperidade das nossas colonias; a fundação da colonia de Mossamedes, a que apenas se preludiára, por assim dizer, no anno anterior, e a attenção prestada á ilha de S. Vicente de Cabo Verde, que se ia desenvolver de anno para anno com a passagem dos paquetes transatlanticos.
No anno immediato de i85i Fortunato José Barreiros, novo governador de Cabo Verde, fundava a autonomia administrativa da ilha que até ahi estivera dependente da visinha ilha de Santo Antão.
i85i—Vamos terminar este capitulo porque vamos entrar n'um periodo novo de actividade colonial, ainda bem debil e bem frouxo, mas que é já um symptoma de renascimento. Não tem seguido comtudo esse renascimento uma progressão geometrica; arithmetica quando muito se pôde ella apenas considerar. Tem havido momentos de impetuoso progresso, mas depois cae tudo de novo na apathia e na indolencia.
Como acabamos de ver, já alguma coisa se fizera para conseguir que as colonias africanas resurgissem do abatimento profundo em que as deixára a extincção do trafico da escravatura. Em Angola Pedro Alexandrino da Cunha mostrava uma energica iniciativa; á sua influencia immediata e mediata se deve o começo da colonisação do sul. Elle mesmo fundou a colonia de Huila, e foi do presidio de Mossamedes que elle fez nascer o nucleo da colonia de Mossamedes. Em Cabo Verde, João de Fontes Pereira de Mello occupára-se tanto quanto possivel de melhorar as condições do archipelago, e a escolha pela companhia de paquetes inglezes transatlanticos do porto de S. Vicente para porto de escala ia levar a esta ilha, e por conseguinte á provincia, elementos de prosperidade. A nova importancia que adquirira a ilha de S. Vicente fazia com que o governo regenerador decretasse em i7 de setembro de i85i a divisão judicial do archipelago de Cabo Verde em duas comarcas, a de Barlavento e a de Sota-Vento, sendo a sede de uma d'ellas S. Vicente.
....
Foi n'esse anno de i853 que se promulgou a lei que applicava a um fundo especial de colonisacao os direitos pagos em cada provincia ultramarina pelo vinho e aguardente de Portugal. O preambulo d'essa lei que foi promulgada em i853 mas que tem a data de 3o de dezembro de i85a diz o seguinte: Sendo indispensavel crear um capital com que possa dar-se começo á colonisaçao das provincias africanas com individuos d'este reino e das ilhas adjacentes, distrahindo por este modo a grande emigração, que de uma e outras tem logar para paizes estrangeiros, e promovendo o desenvolvimento da agricultura e industria nas mesmas provincias, etc.
 
 
Note-se que já em agosto de i852 o Conselho Ultramarino dizia em officio assignado pelo seu presidente, o grande Sá da Bandeira.
«Um dos negocios mais graves que actualmente occupam a attencão do governo ultramarino é a organisação e proposta de providencias que tendam a cortar, ou pelo menos a diminuir, a emigração dos habitantes da Madeira e Açores para a Guyana ingleza e Brazil, emigração que progressivamente tem augmentado, e que dá grandes cuidados pela diminuição que traz á população d'estes reinos, e pelo desgraçado fim que vae ter uma grande parte dos infelizes, que, illudidos, procurando riquezas imaginarias, vão encontrar nova especie de escravidão pelos contractos que são obrigados a fazer, acontecendo tambem que nas margens insalubres dos rios de Guyana, onde são compellidos a trabalhar, um grande numero perece victimas de doença, como se demonstra pelas estatisticas de Demerara, nas quaes se vê que figura em espantosa escala a mortalidade das colonias portuguezas.
«Entre as providencias que lembram a este conselho para diminuir ou obviar a tão grande mal, apresenta-se-lhe como a mais senão unica efficaz, a de dirigir a emigração d'aquelles povos para as colonias portuguezas de Africa, onde elles, sendo uteis ao seu paiz, nem estariam sujeitos a contractos que eifectivamente os tornam escravos por longo periodo de tempo, como succede na Guyana ingleza e no Brazil, nem soffreriam o estrago que aquelle clima produz na sua vida, havendo o cuidado de o escolher saudavel».
 
Mas effectivamente a creação do conselho ultramarino teve uma influencia altamente benefica nas nossas colonias, e esse conselho trabalhou muito, pelo menos nos primeiros tempos da sua existencia, para o nosso desenvolvimento colonial.

Houve n'este período um certo empenho em cuidar das colonias. Esse anno de 1853 é por esse motivo famoso. Foi então que Silva Porto concluiu a sua primeira viagem de exploração, foi n'esse anno que o anstriaco Ladislau Magyar fez uma viagem ao interior de Angola, viagem interessante de que deu conta ao governador da provincia, sendo incumbido de continuar as suas explorações na Africa Austral, foi n'esse anno finalmente que se principiaram em Angola as explorações scientificas do grande botanico allemão, dr. Frederico Welwitsch, explorações que enriqueceram tanto o jardim botanico de Coimbra, e tornaram conhecida do mundo inteiro a nossa flora angolense. Durante sete annos esteve o dr. Frederico Welwitsch em Angola, percorrendo o littoral desde a foz do Quanza até Quizembe, e seguindo pelo interior ao longo do Quanza até Banca de Quizonde, e transpondo na sua observação uma area de 2:5oo milhas quadradas, percorrendo as regiões de Ambaca, Ambriz, Golungo Alto, Ambaca, Pungo Andongo e Cambambe, as margens do rio Loge, Lipure, Dande, Bengo e Quanza, as serras das Pedras de Guengue, as mattas de Quipude e Condi, e ainda Benguella, Mossamedes e Huilla. Os seus trabalhos foram apreciadissimos em Portugal, e talvez muito mais no estrangeiro. Em Inglaterra instavam muito com elle para que publicasse o resultado das suas observações, o que elle não quiz fazer, sem accordo com o governo portuguez, a quem devia todo o fructo do seu trabalho.
Com a sua colheita se enriqueceram os jardins botanicos portuguezes, e o nome d'este estrangeiro illustre está ligado indelevelmente á historia da nossa provincia de Angola, como á historia botanica ficou esse nome ligado, porque justamente se deu o seu nome—Welwitschia—a uma planta que descobriu em Angola, e que é curiosissima. Ao genero que essa planta representa quiz Welwitsch dar o nome de Tamboa, derivado de Tambo que é o nome indígena do sueco da planta, mas o grande botanico inglez Hooker entendeu que devia protestar contra essa modestia, dando ao genero o nome de Welwttschia e á planta em especial o nome de Welwitschiamirabilis e Hooker dizia o seguinte:
«Tenho o prazer de commemorar por esta forma os trabalhos botanicos do infatigavel e bem conhecido explorador da Africa tropical, o dr. Welwitsch, ligando o seu nome á sua propria descoberta, que não hesito em considerar a mais importante, debaixo do ponto de vista botanico, que tem sido feita no presente seculo, pelo abalo que imprime a muitos dos principios reputados fundamentaes e axiomaticos da sciencia, pelas anomalias manifestadas na estructura, exercício funccional e modo de desenvolvimento d'esta especie vegetal.»

1854. — Continuou n'este anno o empenho do governo e do conselho ultramarino, em darem impulso ás nossas provincias ultramarinas e em lhes desenvolverem a exploração.
Em Cabo Verde fizeram-se concessões de terreno a Antonio Cezar Correia, a Antonio José Duarte Nazareth, a Manuel Joaquim Affonso, tratou-se de dar desenvolvimento ás estradas, para Angola mandaram-se sementes de algodão, de sésamo do Egypto, de tabaco, concedeu-se a José Maria Mattoso da Camara privilegio para a feitura de cabos de ife, animou-se o desenvolvimento da colonia de Mossamedes, mandaram-se alguns colonos portuguezes para esse lado, satisfazendo-se assim um pouco as indicações do Conselho Ultramarino, occupou-se o porto de Pinda, auctorisou-se a junta de fazenda de Angola a comprar durante dois annos gomma elastica no sertão da provincia para a vender depois no mercado de Lisboa.
Pouco era isto, mas em todo o caso assim começaram as pequenas industrias agricolas que hoje teem um certo desenvolvimento em Angola. Foi assim que em 1837 Francisco Batalha descobriu a urzella no sertão de Angola, e a fez conhecida dos mercados europeus, o que lhe valeu n'este anno de 1854 um testemunho de reconhecimento do governo pelos serviços que elle assim prestára. O conselho ultramarino, presidido por Sá da Bandeira, não fazia então senão preparar o que o proprio Sá da Bandeira depois faria quando subisse ao ministerio.
N'esse mesmo anno se decretaram as pautas das alfandegas da Guiné e de S. Thomé e Principe como no anno anterior se decretára a de Moçambique. Esta de i8 d'outubro de 1853 estabelecia como principio geral que os generos nacionaes importados na provincia pagariam 4°/o, os generos estrangeiros importados em navio nacional 6°/o, em navio estrangeiro 12°/o. A de S. Thomé e Principe decretada a 2 de setembro de 1854 mantinha a importação de 4 °/o para as mercadorias nacionaes e impunha i2°/o aos generos estrangeiros importados em navio nacional, 2o°/o aos importados em navio estrangeiro, a da Guiné decretada em 27 de dezembro de 1854 ordenava que os generos nacionaes em navios nacionaes pagassem 8°/o, os estrangeiros, quer em navio estrangeiro, quer em navio nacional, 12°/o. Muitos generos pagavam tributos differentes, quando estavam expressamente especificados na pauta.
Estes direitos difterenciaes não foram vantajosos para as provincias. Não favoreceram a exportação nacional, e prejudicaram o bem estar das colonias.
Era impossivel evitar comtudo que o conselho ultramarino, apezar de ser composto de homens de valor e que tinham desempenhado com louvor funcções importantes nas provincias ultramarinas, como eram João de Fontes Pereira de Mello que tão bom governo fizera em Cabo Verde, José Ferreira Pestana que se distinguiu no governo da índia, Domingos Fortunato do Valle que prestára, como vimos, excellentes serviços em Moçambique, cedesse um pouco a theorias. Foi tambem isso o que aconselhou a abolição dos prasos da coroa em Moçambique decretada em i854, e que nunca se levou a effeito, como se não levaram a eifeito eguaes providencias tomadas em i880. É um excellente principio o da extincção dos prasos da coroa, mas não se pôde applicar bruscamente sem ferir muitos interesses poderosos, e sem quebrar uma forte organisação que tem valido muitas vezes á provincia.
Angola estava sendo mal governada pelo visconde de Pinheiro, D. Miguel Ximenes, que praticou uns actos pouco dignos, consentindo que na provincia se abrisse uma subscripção a favor d'elle, subscripção que, segundo dizem, foi por elle mesmo estimulada. D'ahi resultou ser o visconde demittido, e substituído interinamente pelo governador de Benguella, José Rodrigues Coelho do Amaral, que administrava o seu districto com acerto, como tambem prestára largos serviços em Mossamedes o novo governador Fernando da Costa Leal, cujo nome é ainda hoje lembrado com saudade por aquella colonia. Foi Fernando da Costa Leal que mais impulso deu á agricultura e á industria n'aquella colonia, tratando ao mesmo tempo de explorar o rio Cunene, a que deu o nome de rio dos Elephantes, por ter encontrado nas suas margens alguns d'esses animaes. Pode-se dizer que foi o verdadeiro fundador da colonia de Huilla, de que aliás já tinham sido lançadas as bases por colonos de Mossamedes. Não se contentando com a exploração do Cunene, explorou todos aquelles sertões de Quipengo, dos Gambos, e conseguiu affastar os gentios cujas incursões ameaçavam continuadamente a segurança da colonia.

Tambem a Inglaterra, que tanto blasonava da guerra que fazia á escravatura, não podia facilmente protestar contra a occupação do Ambriz, porque os factos provaram exuberantemente que o Ambriz estava sendo um centro de commercio de escravos. Coelho do Amaral encontrou depois da occupação em barracões 15o pretos destinados ao trafico. E notou elle que ninguem appareceu a dizer-se proprietario d'esses escravos. Envergonharam-se provavelmente os negociantes inglezes de reclamar semelhante propriedade.

Continuavam entretanto as tentativas para desenvolver o ultramar, devemos dizer porém que muitas vezes ficavam infructiferas, ou se resumiam em decretos que não passavam do papel. Occupou-se o porto de Pinda para baixo de Mossamedes, mas nunca se tornou esta occupação verdadeiramente effectiva, abriu-se em Moçambique o porto de Angoche ao commercio, mas só em 1 86 1 se subjugou o sultão d'essas paragens e se es tabeleceu o districto que bem pouco tem prosperado. continuaram-se a conceder terras em Cabo Verde, em Angola, em Moçambique, mas a maior parte d'essas concessões caducaram, mandou-se abrir uma estrada que de Lourenço Marques ou de Inhambane se dirigisse á fronteira do Transwaal onde ia adquirindo incremento a nova republica dos boers, mas só trinta annos depois essa estrada se chegou a concluir, concederam-se em Angola as minas do Bembe a Francisco Antonio Flores, auctorisou-se o governador de Angola a dar ao concessionario uma força militar que lhe garantisse a occupação. Deu-se-lhe a forca, fez-se A occupação, mas as minas ficaram por explorar.
...ç
A colonia de Pemba não tardou a dispersar-se, não só porque estava mal organisada, porque fora estabelecida em terreno ingrato, mas porque tambem se compunha de elementos detestaveis. Além d'isso não devemos occultar que Sá da Bandeira, que tão perfeitamente comprehendêra as altissimas vantagens da colonisação, que tanto se esforçou em a fazer progredir, não procedeu com um methodo rigoroso á execução do seu plano, dispersou muito os seus esforços, e muitas vezes procurou realisar verdadeiras utopias.
Assim ao mesmo tempo que tratava da colonia de Pemba, mandava 29 colonos allemães para Mossamedes, recommendando ao governador que formasse com elles uma aldeia a que daria o nome de Krus, por ser esse o nome do homem que os contractára; auctorisava por portaria de i5 de julho de i857 a despeza feita pelo governador de Cabo Verde com uma colonia que se devia fundar na Guiné no territorio do Rio-Grande, onde já houvera uma povoação portugueza denominada Santa Cruz. Nada d'isso foi por diante como não foi por diante a concessão feita a uns allemães em i858 de terrenos na Zambezia tambem para fundação de colonias.
Concebeu também a idéa sympathica, mas impraticável nas condições do nosso exercito e principalmente do exercito ultramarino, de fundar colonias militares, uma em Angola em Huilla, outra na Zambezia no districto de Tete, e ainda outra na provincia de Satary na índia.

Na colonia de Huilla especialmente empenhou o marquez de Sá todos os seus esforços absolutamente infructiferos. A portaria de 26 de dezembro de i857 ordenava que se organisasse em Lisboa, com soldados europeus casados, lavradores ou artifices, a i.a companhia do 3.° batalhão de caçadores de Angola que devia formar o nucleo da colonia militar. N'outra portaria da mesma data, e nas de 3 de fevereiro, i0 de julho, 27 e 3o d'agosto de 1858, reconhecendo que parecia
.....


Ver tb AQUI

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Luz Soriano, promotor da colonização de Mossãmedes

 


Simão José da Luz Soriano, num quadro que no tempo colonial se encontrava exposto
no Salão Nobre dos Paços do Concelho do Distrito de Moçâmedes, em Angola.


Qual a relação de Luz Soriano com Moçâmedes (Mossâmedes/Namibe)?
 

Encontrava-se, pois, Luz Soriano a exercer as funções de chefe da Repartição de Angola no Ministério do Ultramar quando teve conhecimento que em 13 de Julho de 1848, o português fixado em Pernambuco, Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, tinha dirigido um Memorial ao Governo de Portugal descrevendo a situação dos seus compatriotas perseguidos naquela ex-colónia pela revolução praeira, e informando que muitos deles estavam interessados em transferir-se para outro sítio, onde tremulasse a bandeira portuguesa e onde pudessem fundar uma colónia agrícola.

Anos antes, Luz Soriano havia encontrado no arquivo da Secretaria do Ministério do Ultramar, um ofício  assinado pelo Barão de Mossâmedes descrevendo a exploração da costa e sertões meridionais da Província de Angola, assunto que lhe tinha despertado interesse, bem como as informações posteriores que recebera, provenientes dos Governadores Gerais, Manuel Eleutério Malheiros e José Xavier Bressane Leite. A
pesar da simples condição de chefe de uma Repartição do Estado, foi compenetrado da alta importância das regiões exploradas, que resolveu elaborar uma Memória descritiva do porto  de Moçâmedes (Mossâmedes-Namibe), as suas vantagens para a navegação e comércio,  a salubridade do seu clima, e a fertilidade dos sertões limítrofes,  a fim de expôr ao Ministro Visconde de Castro a necessidade de, com aquele grupo interessado de colonos, se fundar em Mossâmedes, no Sul de Angola, uma colónia agrícola, e tão activamente se empenhou junto do Ministro que este colocou a seu cargo a colonização do Distrito. 

  Os transcendentes serviços, que tenho prestado ao estado, vão ainda além do impulso, que dei á citada occupacão do Ambriz. Se valiosos foram esses serviços sobre este objecto, não o foram menos quanto á fundação, e estabelecimento da actual colonia agricola de Mossãmedes.

...Desde 1842 empreguei quantas diligencias estavam ao meu alcance para chamar sobre a antiga Angra do Negro a consideração do governo, não sendo menos, energicas as que tambem fiz para lhe attrair a do publico, excitando os especulações dos particulares, que lá se quizessem ir estabelecer. Por causa de uma memoria minha, publicada nos Annaes Maritimos e Coloniaes, escolheram muitos dos portuguezes, residentes em Pernambuco, o porto de Mossãmedes para irem nelle fundar uma colonia agricola.

 (Essa Memória foi publicada no nr. 3, 6ª série da colecção de 1846 dos Anais Marítimos e Coloniais)
 
I
nclusivamente foi Luz Soriano quem indicou ao Ministro o nome do capitão-tenente António Sérgio de Sousa para primeiro Governador, tendo coordenado e redigido as instruções por que se havia de regular o governador na Comissão para que fora nomeado.  Foi então que de Portugal foram mandados, para garantir os portugueses do Recife, dois brigues de guerra, o Douro e o Vila Flor,  bem como instruções para facilitar a transferência e o estabelecimento dos emigrantes para Mossâmedes. 

O Diário de Pernambuco de 31 de Janeiro de 1849 publicou um edital, datado de 29, pelo qual o Cônsul de Portugal, Joaquim Batista Moreira, como presidente de uma comissão especial (criada no Recife em 26.XII.1848 composta por Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, Ângelo Francisco Carneiro, Bernardo de Oliveira Melo e Miguel José Alves, secretário) comunicava que o governo concedia as seguintes facilidades a todos os que se quisessem transferir-se para a África : passagem e sustento à custa do Estado, inclusive às famílias, transporte para móveis e objectos pessoais, instrumentos artísticos ou agrícolas e  sementes, terrenos na colónia a ser fundada, e uma mensalidade durante os 6 primeiros meses após a chegada ali. Mas havia o problema  da falta de mão de obra indígena para os trabalhos na agricultura... E para o suprir, mais uma vez é Luz Soriano quem avança com a sugestão, em «Revelações da Minha Vida» , bem assim como em relação à consequente segurança da baía:


D'uma grande somma des escravos , apresados a bordo do brigue brasileiro «Caçador», ordenou-se, a 04 de Agosto de de 1844 que cincoenta casaes marchassem como libertos para Mossãmedes a fim d'alli se empregarem em trabalhos de agricultura. Mais ordenou em 22 d'aquelle mez que em Mossãmedes se organisasse uma companhia de linha debaixo do mesmo plano, que a dos mais presidios da provincia, devendo entrar nella não somente brancos, mas tambem homens de côr.  Semelhante memoria fora elaborada por mim na idéa de fazer conhecido aquelle porto, a salubridade do seu clima, e as favoraveis disposições, para assumir em breve tempo a importancia agricola, e commercial, que já hoje tem, e que dentro em poucos annos muito maior será, como promette. É portanto claro que as vantagens, que tem resultado, feio ds resuttar a Portugal da colónia agricola de Mossãmedes são filhos de muito trabalho, e de muito estudo.


Desde 1836 o General Sá da Bandeira havia decretado a abolição do tráfico de escravos que durante mais de 3 séculos constituiu uma das molas fundamentais do capitalismo mercantil, fornecendo a mão-de-obra necessária às plantações do Novo Mundo.  Seriam agora os escravos libertados desses mesmos navios de trafico clandestino, por brigadas que patrulhavam a costa, sobretudo inglesas,  a serem distribuidos,  como mão de obra semi-escrava nos trabalhos de agricultura que iam ter início no sul de Angola.

Passarei a transcrever o ofício dirigido por Luz Soriano, em 28 de Setembro de 1860, à segunda Câmara de Moçâmedes (Mossâmedes/Namibe), à qual ofereceu um exemplar da primeira edição do livro «Revelações da Minha Vida»no qual relata alguns acontecimentos de que tomou parte ou de que teve conhecimento:

Ilustríssimos Senhores Presidentes e mais membros da Câmara Municipal de Mossãmedes:

Tendo ultimamente publicado uma obra em que se contêm os principais factos da minha vida, não podia deixar de mencionar entre eles a grande parte que tomei em fazer conhecido e povoado esse vasto esperançoso distrito, e com tanta mais razão, quanto é certo que tenho visto no Boletim do Conselho Ultramarino, alguns relatórios da Câmara dessa vila, relativos ao mesmo assunto, não achei neles uma só referência aos esforços que empreguei para aquele fim, como entendia de justiça dever acontecer. Todavia não me admirei disso, porque sempre na nossa terra quem mais faz menos merece. Julgando, não obstante, que à História desse Município podia ser útil o conhecimento de que a tal respeito publiquei, tomo a liberdade de lhe oferecer o incluso exemplar da obra a que acima me referi, tendo por título «Revelações da minha vida», esperando que me relevarão a ousadia da oferta.
Tenho, pois, a honra de me assinar
De Vossas Senhorias
mtº atento, venerador e obrigado
(a) Simão José da Luz Soriano



A Luz Soriano cabem, pois, como se vê, os "louros" de "promotor da colonização portuguesa no Sul de Angola".  Deixou vasta bibliografia histórica em que avultam as obras sobre o liberalismo português, as quais, mais pelo acervo de material que reúnem do que pelo seu valor científico, são fonte indispensável para o estudo da época.



Bibliografia consultada: 
1. «O Distrito de Moçâmedes nas fases da Origem e da Primeira Organização 1845-1859» de Manuel Júlio de Mendonça Torres MELLO, José Antonio Gonsalves de. Diario de Pernambuco. Recife, 15 abr., 1956. 
2.«Revelações da Minha Vida» de LUZ SORIANO (inclui referencias a Mossãmedes da pg 558 a 569)
O depoimento do sr. official maior Cravalho na commissão de inquerito ... 1856 Por Simão José da Luz Soriano, Antonio Pedro de Carvalho:




Mais sobre Luz Soreano AQUI 



Pede-se a quem eventualmente possa vir a reproduzir estes textos, o cuidado com a citação das fontes. 

 


quarta-feira, 30 de maio de 2007

Componentes da 1ª colonia de portugueses de Pernambuco (Brasil) para Mossãmedes (Angola)





























 
Joaquim de Paiva Ferreira, componente da Primeira Colónia; foi proprietário de uma fazenda situada na várzea da Boa Esperança.O nome de Joaquim de Paiva Ferreira surge mencionado como vogal de uma comissão formada em Mossãmedes para a formação da Escola Luz Africana, por iniciativa da Loja Luz Africana, de raiz maçónica, inaugurada em Janeiro de 1882. São referidos também outros nomes sonantes também a esta iniciativa e a esta Escola, tais como o do presidente da referida comissão, Francisco José de Almeida, e o do professor do novo estabelecimento de ensino, Francisco Rodrigues Pinto da Rocha Júnior (*). À cerimónia da sua abertura e inauguração teria assistido grande número de pessoas. Mossãmedes , segundo se aalientava, «era a povoação de Angola que mais se tinha interessado, até então, pelo desenvolvimento da escolaridade, embora os resultados obtidos não satisfizessem inteiramente a boa vontade das pessoas que para tal se não poupavam a esforço.»...«Matricularam-se vinte e oito alunos, mas em Junho estavam já a frequentá-la trinta e uma crianças. »
In CULTURA, EDUCAÇÃO E ENSINO EM ANGOLA: 12. APTIDÃO PEDAGÓGICA


2ª foto: José Rodrigues Pires da Maia, componente da Primeira Colónia; foi proprietário de uma fazenda na Várzea da Boa Esperança. Nasceu em 28 de Julho de 1825 e faleceu a 2 de Janeiro de de 1888. Natural do Concelho da Maia,
























António Moreira da Silva e Sousa. componente da 1ª colonia; foi proprietário de uma Fazenda situada na Várzea da Boavista.

Fotos do livro: «O Distrito de Moçâmedes» da autoria do Dr. Manuel Júlio de Mendonça Torres.
(*) ver também AQUI
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PRIMEIRA COLÓNIA -------------------

-- COMPONENTES DO PRIMEIRO NÚCLEO DE EMIGRANTES DE PERNAMBUCO (PORTUGUESES)CHEGADOS A MOÇAMEDES NA BARCA "TENTATIVA FELIZ" EM 4 DE AGOSTO DE 1849. MUITOS DELES SEGUIRAM DEPOIS PARA A BIBALA, CAPANGOMBE, HUMPATA E HUÍLA : ...........................

--- ADELINO DUARTE DA NAZARETH - ALBERTO DA FONSECA ABREU E CASTRO - AMÉLIA PEREIRA TAVARES - ANA ANTUNES DE BARROS - ANA GUILHERMINA CAVALCANTI - ANA JOAQUINA DOS PRAZERES - ANA LUÍSA DE CASTRO ROCHA - ANA RITA DOS SANTOS (e filha MARIA) - ANTÓNIO AROUCA - ANTÓNIO COELHO DA MOTA - ANTÓNIO DA COSTA CAMPOS - ANTÓNIO COUTINHO - ANTÓNIO COUTINHO DE AZEVEDO - ANTÓNIO FERREIRA MENESES JÚNIOR - ANTÓNIO JOAQUIM DE ABREU AFONSO - ANTÓNIO JOAQUIM DE ABREU CARDOSO - ANTÓNIO JOAQUIM RODRIGUES - ANTÓNIO JOAQUIM DE SOUSA ARAÚJO - ANTÓNIO JOSÉ ALVES - ANTÓNIO JOSÉ PEREIRA DIAS GUIMARÃES - ANTÓNIO JOSÉ DOS SANTOS BRAGA - ANTÓNIO LOPES DA ROSA - ANTÓNIO MARTINS PEREIRA - ANTÓNIO MOREIRA DA SILVA E SOUSA - ANTÓNIO PEREIRA DA FONSECA (e seus filhos : ANTÓNIO e JOÃO) - ANTÓNIO PEREIRA DO NASCIMENTO - ANTÓNIO PINTO DE QUEIRÓS - ANTÓNIO ROMANO FRANCO (casado com JOANA RAQUEL DA SILVA) - ANTÓNIO DA SILVA TORRES - ANTÓNIO VASQUES (e sua filha JOSEFA) - ANTÓNIO VIEIRA COELHO - AUGUSTO CÉSAR DE ABREU MAGALHÃES - AUGUSTO LEBREMANN (casado com HELENA MARIA DA CONCEIÇÃO) - BALBINA GENEROSA DA CONCEIÇÃO - BÁRTOLO JOSÉ PEREIRA - BENTO DA PAIXÃO VASQUES - BENTO RESENDE PEREIRA - BERNARDINO ANTÓNIO RESENDE - BERNARDINO DA COSTA E SOUSA - BERNARDINO FRANCO PONTES - BERNARDINO FREIRE DE FIGUEIREDO DE ABREU E CASTRO - BERNARDINO JOSÉ BESSA - BERNARDINO JOSÉ DA SILVA - BERNARDINO VIEIRA DOS SANTOS BRAGA - CAETANO DE PAIVA FERREIRA - CLARA MARIA DO ROSÁRIO - DOMINGOS JOSÉ BRAGA - DOMINGOS LUÍS FERREIRA - ELISA DO ROSÁRIO PEREIRA - FILIPA JOAQUINA MARTINS DE LIMA - FIRMINO DE ALCÂNTARA GUIMARÃES - FRANCISCA LÚCIA DOS PRAZERES - FRANCISCA ROSA - FRANCISCO ANTÓNIO DE BRITO - FRANCISCO CECÍLIA - FRANCISCO DOMINGUES DOS SANTOS - FRANCISCO INÁCIO - FRANCISCO JOSÉ PEREIRA - FRANCISCO JOSÉ PINTO DE OLIVEIRA - FRANCISCO JOSÉ RODRIGUES DE CASTRO - FRANCISCO JOSÉ DA SILVA LOPES - FRANCISCO LEAL - FRANCISCO DE MAIA BARRETO - FRANCISCO PINTO FRANCO ROCHA - FRANCISCO RICARDO DA SILVA - FRANCISCO ROMANO MONIZ - FRANCISCO ROSA - FRANCISCO DA SILVA - FRANCISCO TAVARES - FRANCISCO TAVARES DA SILVA - GOTTLIEB HENRY (casado com JACINTA FLORA) - HELIODORO RIBEIRO DA FONSECA - HORTÊNSIA RAQUEL DA SILVA - INÁCIA UMBELINA DO ESPÍRITO SANTO - INÁCIO BRAZ DE OLIVEIRA (casado com GERTRUDES MARIA DA SILVA) - INÁCIO VASQUES - ISABEL DE ÁUSTRIA DE SOUSA PRADO - JOANA MARIA DA FONSECA - JOANA MARIA DO LIVRAMENTO - JOÃO BAPTISTA DE PASSOS - JOÃO BESSA - JOÃO FERNANDES MOREIRA - JOÃO FRANCISCO RIBEIRO - JOÃO LEITE DA COSTA BASTOS - JOÃO MARIA DA SILVA - JOÃO RODRIGUES COELHO - JOÃO SOARES BOTELHO - JOÃO VASQUES LUÍS - JOAQUIM DE ANDRADE PESSOA PIMENTEL - JOAQUIM ANTÓNIO DIAS DE CASTRO - JOAQUIM JOSÉ FERREIRA - JOAQUIM JOSÉ DA ROCHA - JOAQUIM DE PAIVA FERREIRA - JOAQUIM DA SILVA CONCEIÇÃO - JOAQUIM DA SILVA COSTA FRADELOS - JOSÉ DE ALMEIDA MONIZ (casado com JOAQUINA ROSA DE JESUS e filhas MARIA e FRANCISCA) - JOSÉ ANTÓNIO BRANCO - JOSÉ DA COSTA - JOSÉ DA COSTA GUIMARÃES - JOSÉ DO ESPÍRITO SANTO BRAGA - JOSÉ FERNANDES GUIMARÃES - JOSÉ FRANCISCO MOREIRA - JOSÉ GONÇALVES DA SILVA SOARES - JOSÉ JACINTO (casado com MARIA TEREZA JACINTO) - JOSÉ JACINTO DE MEDEIROS - JOSÉ JOAQUIM BENEVIDES - JOSÉ JOAQUIM DE MACEDO - JOSÉ JOAQUIM DE PINHO - JOSÉ JOAQUIM RODRIGUES DE CASTRO (casado com TERESA MARIA DOS PASSOS DE JESUS) - JOSÉ JOAQUIM DA SILVA PEREIRA (casado com TERESA DE JESUS) - JOSÉ LEITE DE ALBUQUERQUE - JOSÉ LEITE DA COSTA - JOSÉ MARIA BARBOSA (casado com MARIA ROSA DA CONCEIÇÃO) - JOSÉ MARTINS FERREIRA - JOSÉ MARTINS DA SILVA - JOSÉ DE MELO DA SILVA PIMENTEL - JOSÉ DE OLIVEIRA - JOSÉ PEDRO DE ALCÂNTARA - JOSÉ PEDRO LEITE - JOSÉ PEREIRA BASTOS - JOSÉ PINTO FRANCO ROCHA - JOSÉ RODRIGUES PIRES DA MAIA - JOSÉ DA SILVA MONIZ - JOSÉ DA SILVA NOGUEIRA - JOSÉ DE SOUSA - JOSÉ TRILHO FONTES - JÚLIO DA GRAÇA BASTOS - MANUEL DUARTE - MANUEL GONÇALVES BOUCINHO - MANUEL GONÇALVES FERREIRA LIMA (casado com MARIA DA CONCEIÇÃO LIMA) - MANUEL JOAQUIM DE ABREU - MANUEL JOAQUIM DA FONSECA - MANUEL JOSÉ ALVES BASTOS - MANUEL JOSÉ FERNANDES - MANUEL LUIS DE ALMEIDA - MANUEL PINTO DUARTE - MANUEL DO REGO CORREIA BARROS - MANUEL DA SILVA TAVARES - MANUEL VASQUES DA CRUZ - MANUEL VICENTE PEREIRA LAMEGO - MARIA CÂNDIDA DE AZEVEDO - MARIA CAROLINA DA CONCEIÇÃO - MARIA JOAQUINA PEREIRA DE BASTOS - MARIA MADALENA DE PAULA - MARIA DO ROSÁRIO ROCHA - MARTINHO DA SILVA PEREIRA - MINERVINA DE CASTRO FRANCO ROCHA - NARCISO FRANCISCO DE SOUSA - RITA MARIA DE JESUS - RODRIGO BARBOSA LEAL - SERAFIM BAPTISTA DA SILVA BASTOS .